sábado, 27 de março de 2010

Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste

Do Ùltimo Segundo

Abastecimento de água no Sertão, energia limpa e fábricas mais produtivas que as chinesas geram bons empregos e revertem migraçao

Alexa Salomão e Gustavo Poloni, enviados do iG ao Nordeste | 25/03/2010 06:28

No começo de abril, 60 operários darão início a uma obra num terreno de 220 hectares em Tauá, município de 17 mil habitantes localizado no sertão cearense. O trabalho promete ser duro. Distante 340 quilômetros do mar, Tauá ganhou fama por ser o lugar com a maior incidência de sol entre os 184 municípios do estado. Por causa dessa peculiaridade, em pouco tempo a cidade será conhecida também por abrigar a maior fazenda de energia solar da América do Sul, a segunda maior do mundo. A produção começa até o final do ano, mas a princípio será modesta: apenas 1 megawatt, suficiente para abastecer duas mil pessoas. Até 2013, esse número deverá chegar a 50 MW, gerando energia capaz de iluminar uma cidade de 100 mil habitantes. Idealizada pela MPX, do grupo EBX, do empresário Eike Batista, o projeto piloto da fazenda vai atrair investimentos de US$ 250 milhões para a região. Mais importante, vai ajudar a consolidar o Ceará como a capital nacional da energia limpa e referência internacional em crescimento econômico sustentável.

A fazenda Bons Ventos, em Aracati: 75 torres usam a força dos ventos para produzir 150 MW num dos cartões postais do Estado do Ceará
Essa é a nova face do desenvolvimento nordestino. Indicadores macroeconômicos mostram nos últimos anos que a região tornou-se um dos mais dinâmicos pólos de investimentos e de consumo do País, movido principalmente pelo aumento da renda. Segundo o IBGE, o rendimento médio do nordestino aumentou 77% entre 2003 e 2008, enquanto o aumento médio da renda no Brasil foi de 60% no período. As pesquisas e seus números, no entanto, não captam que as transformações locais vão muito além do clichê divulgado no Sudeste que fala do aumento nas vendas de potes de margarina e de iogurte e da ridícula caricatura da troca do jegue pela moto como veículo de transporte. A emergente economia nordestina é marcada pela criatividade, pela inovação e pela geração de novas tecnologias. Ao contrário do senso comum, que acredita ser o dinamismo monopólio do Sul, ilhas de excelência pipocam na região e colocam a economia local em linha com o que há de mais moderno no mundo e, em alguns casos, à frente do resto do Brasil. O parque de energia solar que brota sob o sol escaldante do sertão cearense é apenas um dos sinais de que Nordeste não apenas cresce, moderniza-se.

A equipe de reportagem do iG percorreu 1.500 quilômetros de estradas e nove cidades para ver de perto o que está ocorrendo no Nordeste. Ao longo das próximas semanas, apresenta uma série de reportagens que mostra as particularidades do crescimento econômico nordestino. Será uma viagem marcada por contrastes inesperados. Enquanto o resto do Brasil investe em térmicas movidas a óleo diesel, fonte poluidora de energia, a região semi-árida, pouco apropriada para hidrelétricas, firma-se como produtor de energias limpas graças ao aproveitamento não apenas do sol, ma também das marés e principalmente dos ventos. Parques de energia eólica desenham uma nova paisagem em praias do Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. A expansão acelerada das fazendas de ventos estimula a criação de uma nova indústria de fornecedores de equipamentos, como a Tecnomaq, empresa 100% cearense. A produção de torres tornou-se um segmento tão pujante que a estimativa é que neste ano o setor ultrapasse a indústria automotiva e torne-se o maior consumidor de chapas de aço do país. "O Nordeste passa por um novo ciclo de desenvolvimento”, diz Luiz Eduardo Aquilar, presidente da Bons Ventos, hoje o maior parque eólico do país, localizado em Aracati, no Ceará. “A região deixou de ser apenas um local de sol e turismo e recebe investimentos que vão diminuir a desigualdade com o Sul e o Sudeste.”

O desenvolvimento com preocupação ambiental, baseado em novas tecnologias, desponta em vários outros segmentos. A fábrica de calçados mais produtiva e ecologicamente correta do País não está no Rio Grande do Sul, o maior pólo calçadista brasileiro. Fica em Sobral, no Ceará. Lá a Grendene, fabricante com sede em Farroupilha, na serra gaúcha, instalou uma fábrica cujos índices de produção superam os dos fabricantes chineses, considerados os mais ágeis do mundo. “A fábrica de Sobral é mais uma prova de que os tempos de atraso do Nordeste ficaram para trás”, afirma Nelson José Rossi, gerente-geral da fábrica da Grendene. O mais importante centro de desenvolvimento de softwares do País, segundo a consultoria ATKearney, não fica em São Paulo. Está no Recife, capital de Pernambuco. O Porto Digital, grupo de 135 empresas de tecnologia espalhados em 12 prédios históricos situados na área do antigo porto, tornou-se referência para empresas como a Microsoft e fonte de inspiração para universitários locais que sonham abrir seu próprio negócio. “Somos pobres e não podemos nos dar ao luxo de exportar cérebros e conhecimento”, diz Francisco Saboya, diretor presidente do Porto Digital. “Criamos uma alternativa para preservá-los”.

A 40 quilômetros da capital pernambucana, outro porto se descola da média nacional. O Porto de Suape, em Ipojuca, recebe os mais modernos empreendimentos brasileiros na área de infraestrutura. É lá _e não no polo naval do Rio de Janeiro_ que está em fase final de instalação o Atlântico Sul, o mais moderno estaleiro das Américas. Entre seus equipamentos de última geração estão dois superguindastes Golias, legítimos colossos com 100 metros de altura, o equivalente a prédios de 30 andares, e capacidade para içar 1,5 mil toneladas. Com eles o Atlântico Sul ganha não apenas força, mas velocidade para montar os navios e fazer frente aos concorrentes coreanos, hoje os fabricantes mais eficientes dessa indústria. Os quase 4 mil trabalhadores responsáveis por essa façanha serão predominantemente nordestinos porque o estaleiro optou por capacitar a mão-de-obra local. “Estamos assistindo a uma mudança de paradigma”, diz Sidnei Aires, vice-presidente do complexo industrial portuário de Suape. “Onde havia lavradores, pescadores e cortadores de cana agora temos operários com capacete e macacão: criamos um mercado de trabalho mais especializado.”
Por onde se vai na região, é nítido o movimento de valorização do profissional local. Quando comparado ao Sudeste e a Sul, o Nordeste de maneira geral ainda tem níveis de escolaridade e de qualificação profissional abaixo dos índices nacionais. Em média, o nordestino tem menos de seis anos de estudo, enquanto a média de permanência nos bancos escolares no Brasil é de sete anos. Mas gente talentosa, competente e bem formada desponta em diferentes frentes. Um dos destaques do mais recente Prêmio Finep de Inovação é o engenheiro naval maranhense José Luiz Mattos, criador de um sistema de drenagem para porões de navios petroleiros e de minérios. A participação de nordestinos no prêmio multiplicou por 10 desde o início da década e eles já somam 22% dos inscritos. “Um numero cada vez maior de empresas nordestinas incorpora o investimento em inovação ao seu dia a dia”, diz Vera Maria, coordenadora nacional do Prêmio Finep de Inovação. “Essa prática tem elevado a competitividade das empresas locais.”

Na área financeira, ganha projeção uma jovem de 26 anos filha de agricultores. Lilian Prado ajudou a criar e dirige a Acreditar, instituição de microfinanças especializa na concessão de crédito para jovens e mulheres. A sede da empresa fica em Glória do Goitá, município pernambucano com 30 mil habitantes, metade deles vivendo na zona rural. A Acreditar investe em pequenos negócios para evitar o êxodo de pequenos agricultores para os centros urbanos do Sudeste por falta de trabalho no Nordeste, antigo problema para as comunidades locais. Seu trabalho ganhou projeção nacional. O Itaú Unibanco se inspirou na história da instituição para redigir um manual de como montar uma empresa de microfinanças. “Lilian está se projetando nacionalmente como empreendedora social”, diz Denise Gibran Nogueira, gerente de sustentabilidade do Itaú Unibanco. “E, a Acreditar, inspirando a criação de outras instituições de microcrédito no Sul e no Sudeste.”

O projeto que mais bem sintetiza o frenesi gerado pela mudança em curso é a transposição do Rio São Francisco. Quase 5 mil máquinas e 10 mil operários trabalham na terraplenagem, abertura e concretagem dos canais que vão irrigar com a água do São Francisco rios intermitentes espalhados por 60 municípios. A obra, polêmica e arrojada, vai garantir água o ano inteiro para 12 milhões de nordestinos que hoje convivem com deficiências no abastecimento. Nesse batalhão de operários anônimos trabalha o topógrafo Áureo Araújo da Silva. Natural de Petrolândia, Pernambuco, ele deixou o Nordeste há 15 anos em busca de emprego e melhores condições de vida. Morou em São Paulo e no Rio de Janeiro. Há dois anos, recebeu convite para trabalhar nas obras de transposição e se mudou de volta para a cidade natal. “Fui embora porque aqui não tinha emprego, não tinha futuro”, diz Silva. “Agora a realidade é outra e sei que meu lugar é aqui.”

 http://economia.ig.com.br/grandes+obras+abrem+caminho+do+novo+nordeste/n1237558616503.html

BBC Brasil: China ultrapassa EUA como maior investidor em energia limpa

A China ultrapassou os Estados Unidos em 2009 e se tornou o maior investidor em tecnologia de energias renováveis, segundo um relatório divulgado nos Estados Unidos.

Os pesquisadores do instituto americano Pew calculam que a China investiu US$ 34 bilhões (cerca de R$ 62 bilhões) em energia limpa no ano passado, quase o dobro do investimento realizado nos Estados Unidos.

O Brasil ficou em quinto lugar na lista entre os países do G20, tendo investido aproximadamente R$ 13,2 bilhões, atrás de China, EUA, Grã-Bretanha e Espanha.

O crescimento mais espetacular ocorreu na Coreia do Sul, onde a capacidade instalada cresceu 250% nos últimos cinco anos.

Globalmente, o investimento mais do que dobrou nos últimos cinco anos, afirma o Pew, que concluiu que a recente crise econômica provocou apenas uma pequena queda nesses investimentos.

“Mesmo em meio a uma recessão global, o mercado de energia limpa passou por um crescimento impressionante”, afirma Phyllis Cuttino, diretora da campanha sobre mudanças climáticas da instituição.

“Os países estão disputando a liderança”, disse ela.

“Eles sabem que o investimento em energia limpa pode renovar suas bases manufatureiras e criar oportunidades de exportação, empregos e negócios.”

Os Estados Unidos ainda mantêm uma pequena liderança na capacidade total instalada, mas se a tendência continuar em 2010, a China deverá ultrapassar o país ainda neste ano.

Diversificando

A meta do governo chinês de ter 30GW de capacidade de energia renovável instalados até 2020 está para ser cumprida em breve com o uso apenas de energia eólica (do vento), e novas metas já estão sendo estabelecidas.

“O governo tomou a decisão estratégica de que diversificar suas fontes de energia deveria ser uma prioridade nacional”, comentou Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), que não participou da análise do Pew.

“Ela é agora líder na fabricação de células fotovoltaicas (de energia solar), e são fabricadas mais turbinas eólicas na China do que em qualquer outro país.”

Mas o uso de combustíveis fósseis na China também está em rápida expansão.

Até agora, as renováveis respondem por uma pequena parcela da energia consumida na China, mas a meta do país é que 15% de sua energia venham de fontes limpas até 2020.

A energia eólica foi o setor dominante na maioria dos países que realizaram altos investimentos em energias renováveis, com exceção da Espanha, Alemanha e Itália, onde a energia solar foi a campeã de investimentos.

Já os investimentos nos Estados Unidos caíram em 40% de 2008 para 2009.

O investimento da Espanha também caiu, por causa da recessão, depois de vários anos de rápido crescimento, motivado pelo desejo de diminuir as emissões dos gases causadores do efeito estufa para atingir as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto.

O Pew baseou sua análise com base nos dados da Bloomberg New Energy Finance, o grupo internacional de consultoria e análise.

Para a Folha, pobres, Sul e estiagem levantaram Serra

Do Blog do Brizola Neto

Consegui ler a matéria da Folha, na edição para assinantes, sobre a pesquisa Datafolha. As justificativas para a recuperação de Serra e a “parada” de Dilma são as seguintes:
Eleitorado do Sul do país: “No Sul, que concentra 14% dos eleitores do país, Serra subiu dez pontos percentuais, de 38% para 48%. Dilma, que fez carreira política no Rio Grande do Sul, não se consolidou ainda entre os gaúchos e registrou uma queda de 24% para 20%. Os 28 pontos percentuais de diferença no Sul são a maior dianteira de Serra sobre Dilma no aspecto geográfico das intenções de voto do Datafolha.”
Os pobres: “Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos (R$ 1.020), ou 52% da amostra do Datafolha, Serra subiu de 30% para 35%. Dilma oscilou de 29% para 26% -apesar de um dos principais programas do governo Lula ser o Bolsa Família, que beneficia a população de baixa renda.
As mulheres: “Serra aumentou sua vantagem no eleitorado feminino. Em fevereiro, o tucano já liderava (33% a 24%). Agora, tem 15 pontos a mais (37% a 22%).”
Em outra matéria, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, aponta as razões para Serra ter crescido: “As entrevistas do atual levantamento foram efetuadas após Serra admitir sua candidatura na TV, em programa popular transmitido para todo o Brasil. No último mês as chuvas diminuíram em São Paulo e, em consequência, a exposição negativa do governo Serra. Isso o ajudou a reverter o desgaste, crescendo significativamente no sul do país e recuperando-se entre os menos escolarizados e com menor renda, onde o prestígio e o potencial de crescimento de Dilma continuam fortes.”
Acho pueris estas explicações. Nos dias da coleta dos dados, São Paulo estava inundada (quinta) ou sob alerta de temporal (sexta). E se a entrevista ao José Luís Datena tivesse esse enorme peso nacional, creio que o próprio Datena deveria se lançar candidato.
Seria mais interessante se o diretor do Datafolha explicasse a razão de suas pesquisas terem uma espécie de “amostra-sanfona” que se amplia ou se encolhe a cada edição, como registri no posta anterior.
Interessante é também o relato que faz o jornalista Fernando Rodrigues sobre a resposta espontânea dos eleitores:
“As curvas da pesquisa espontânea, quando o entrevistado diz em quem deseja votar sem ver uma lista de nomes, têm uma evolução discrepante do levantamento estimulado.
Diferentemente do que ocorreu na pesquisa em que o eleitor vê seu nome, em que está estabilizada, Dilma continuou sua curva ascendente no levantamento espontâneo. Tinha 8% em dezembro, passou a 10% em fevereiro e agora chegou a 12%.
Esse percentual a coloca à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (8%), que, até dezembro, liderava com folga a pesquisa espontânea. Isso mostra que a cada pesquisa o eleitor deixa de citar o nome do atual presidente porque vai percebendo que o petista não será candidato.Serra pontuou 8%, o mesmo percentual de dezembro.”


Vá ao blog do Brizola Neto... 

sexta-feira, 26 de março de 2010

E porque não na Primeira Página?

Agora que o Sr. Humberto Costa foi inocentado do caso denominado de Máfia dos Sanguessugas (ou Vampiros), porque não um capa sobre o caso, agora com o inocentamento?

Do blog do Nassif.
Veja e o Assassinato de Reputação de Humberto Costa






















Do Radar on-line

Está em andamento neste momento o julgamento do ex-ministro da Saúde, Humberto Costa, no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Pernambuco.

No processo, Humberto é acusado de corrupção passiva e formação de quadrilha no escândalo que ficou conhecido como ‘máfia dos vampiros’ (compra superfaturada de medicamentos e hemoderivados em 2005).

Por enquanto o placar está em 5 a 0 pela absolvição do petista. Faltam nove votos. Humberto aguarda o julgamento dentro da sua sala na secretaria estadual das Cidades em Pernambuco.

(Atualização às 17h08: Acabou o julgamento. Por 14 a 0, Humberto Costa foi absolvido pelo TRF)
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/o-julgamento-de-humberto-costa/

Banda Larga no Brasil: Cara e Instável.

Não sei se é assim no resto do mundo ou só por aqui por estas bandas. Cancelei uma assinatura de banda larga móvel pelo fraco desempenho da conexão. Devo dizer que não foi tão difícil o cancelamento. Depois fui a alguns fóruns de discussões na internet sobre o serviço, com foco em outras operadoras. Pois é. Parece que é um problema da tecnologia pois a maioria das pessoas não estão nem  um pouco satisfeitas com o serviço prestado. Em seguida, visitei um desses "stands" bonitinhos de shopping, e uma moça, com argumentos bem afiados na ponta da língua, me ofereceu o plano de 2Gb por mês com acesso ilimitado (sem acréscimo na conta) a R$ 119,00, sendo que com redução de velocidade ao atingir o limite mensal (vai para 128Kb - uma conexão discada das ruins!). Ou seja, pra ter uma 3G móvel no Brasil você paga caro para, no máximo, ler textos e ouvir algumas músicas na internet e assim mesmo até atingir os 2Gb (neste plano). O que são 2Gb hoje em dia! Isso sem falar na instabilidade por questões topográficas, de quantidade de usuários no momento, na posição da antena, das condições  meteorológicas, etc., etc. Ou seja, não vale a pena ter uma 3G móvel para quem utiliza uma grande quantidade de dados. Este é só um aspecto da questão da telefonia no país. A Anatel não tem agido com foco no comsumidor, sempre sustentando o princípio da não intervenção na iniciativa privada (que deve ocorrer toda vez que forem observados abusos). Concordo! Mas será que não está havendo abusos? Vejam o caso dos valores cobrados pelo Brasil. Em recente reportagem publicada na Folha de São Paulo, a Anatel "descobriu" que as telefônicas cobram o que querem em cada lugar do país e que agora “estuda” interferir neste abuso contra os cidadãos. Será que a Anatel aprendeu alguma coisa com tais estudos e vai tomar alguma providência? E quanto à questão da banda larga para pobres? Se pra quem tem dinheiro é assim...

Anatel estuda interferir em preços de banda larga após sinais de abusos

JULIO WIZIACK
da Folha de S. Paulo
A diferença de preços de pacotes de internet entre Estados, e até entre municípios vizinhos atendidos pela mesma operadora, está forçando a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a interferir no setor.
De acordo com as regras desse mercado, a agência nada poderia fazer para controlar o preço porque o acesso à internet é um serviço privado. Mas existe uma exceção, caso sejam comprovados abusos das prestadoras. É exatamente isso o que os técnicos da agência acreditam que ocorra no momento.

Em um informe de setembro de 2008, eles já recomendavam a interferência da agência, cumprindo sua obrigação de coibir o suposto abuso das operadoras.

Essa orientação partiu após uma denúncia da deputada federal Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) que, em setembro de 2008, reclamou à agência que o preço do pacote de 1 Mbps do Velox, produto de acesso à internet da Oi, custava quase 1.000% a mais no Amazonas do que no Rio de Janeiro.

A Anatel ainda não tomou providências. A demora também emperrou conflitos parecidos na Bahia, onde a Justiça determinou que a Oi reduzisse os preços dos pacotes.
Em Salvador, o consumidor pagava 246% mais que os assinantes da cidade do Rio de Janeiro, onde o pacote mensal de 1 Mbps saía por R$ 34,90, em agosto de 2008.

Discriminação
O regulamento do serviço determina que não pode haver discriminação de consumidores. A agência admite que os preços sejam diferentes, mas não nos patamares atuais.
Essas distorções foram investigadas pela SDE (Secretaria de Direito Econômico) desde novembro de 2009.

Hoje, a secretaria publica sua decisão no "Diário Oficial da União". Não processará a Oi e a Telefônica porque considerou que as distorções se devem a um problema regulatório. Por isso, recomenda à Anatel que libere novas autorizações a empresas para estimular a concorrência baixando preços.
Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, a Oi vendia o pacote por R$ 68,90. Nos municípios que integram a região metropolitana, como Belford Roxo e Nova Iguaçu, o mesmo pacote foi vendido por R$ 149,90.

Em Belo Horizonte, esses preços eram de R$ 69,07. Em Betim, R$ 164,58. Em São Paulo, a Telefônica cobrava R$ 10 a mais das cidades do interior.
As teles dizem que os preços são menores onde há concorrência devido às promoções. No documento da

Anatel, os técnicos recomendam que esses descontos sejam revistos.
O regulamento do serviço proíbe que as promoções mascarem o preço real. Caso seja comprovado o abuso das teles, elas podem ser punidas com multas e até perder a autorização para prestar serviços de internet.

Brasil supera meta de reduzir extrema pobreza

Tenho a impressão que para uma parte de nossas elites e da própria classe média a ficha ainda não caiu. Uma pena.

Vinte e sete milhões e trezentos mil brasileiros ultrapassaram a linha de extrema pobreza. O índice de moradores do País nesta situação baixou - entre 1990 e 2008 - de 25,6% para 4,8%, uma redução de 81%. Com isso, o País supera o primeiro e principal Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que estipulou como meta para o mundo erradicar a fome e reduzir pela metade, até 2015, a extrema pobreza registrada em 1990.

Os resultados revelam também que o Brasil foi além, e ultrapassou a própria meta estipulada pelo País de diminuir em 75% a taxa de extrema pobreza. Os dados constam da quarta edição do Relatório Nacional de Acompanhamento do ODM, que tem outros sete objetivos: Universalizar a educação primária; Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; Reduzir a mortalidade na infância; Melhorar a saúde materna; Combater o HIV/AIDS, malária e outras doenças; Garantir a sustentabilidade ambiental, e Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

O documento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado nesta quarta-feira (24/3), descreve que, de 1990 a 2008, enquanto a população brasileira cresceu de 141,6 milhões para 186,9 milhões, a população extremamente pobre (que vive com até 1,25 dólar por dia) decresceu de 36,2 para 8,9 milhões de pessoas. “A pobreza extrema no Brasil, hoje, é menos de um quinto da pobreza extrema de 1990. A desigualdade caiu bastante e pode cair ainda mais”, informa o relatório. E acrescenta: “Se o ritmo da redução se mantiver nos próximos anos, a pobreza extrema será erradicada do Brasil por volta de 2014.”

Para o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, essa conquista do País é resultado dos investimentos do governo de presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Só o nosso ministério terá um orçamento de R$ 39 bilhões este ano, dinheiro destinado aos pobres. Além do MDS, outras ações com o Pronaf ( Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar), Luz para Todos e Economia Solidária estão fazendo a diferença”, ressaltou o ministro.

O presidente Lula garantiu que o Brasil irá superior “em muito” todas as Metas do Milênio, pois o País “vive um momento mágico na relação Estado e sociedade”. O Bolsa Família, programa do MDS, foi destacado por Marie Pierre Poirier, representante da Unicef e coordenadora-residente interina do Sistema das Nações Unidas no Brasil. “O maior programa de transferência de renda do mundo permitiu articular iniciativas setoriais e por vezes fragmentadas nas áreas de educação, saúde, combate à fome e desenvolvimento social, entre outras, em um único programa com foco nos grupos sociais mais pobres. A importância desse programa na redução da pobreza e das desigualdades sociais no País tem sido reconhecida nacional e internacionalmente”, diz Marie Pierre.

Redução da fome - Em relação ao combate à fome, o Ipea usa como principal indicador o percentual de crianças com até quatro anos com peso abaixo do esperado para a idade, segundo critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 1996, estavam abaixo do peso 4,2% das crianças, índice que caiu para 1,8% em 2006. Esse resultado, de acordo com o documento, mostra que “o Brasil superou a meta internacional de reduzir a fome pela metade até 2001 e, hoje, é pequeno o risco de crianças consumirem quantidade insuficiente de calorias e proteínas.”

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram estabelecidos por países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), com base em um amplo debate realizado entre chefes de Estado, especialistas e a sociedade civil durante as conferências internacionais sobre população, meio ambiente, gênero, direitos humanos e desenvolvimento social, realizadas na década de 1990. Durante a Cúpula do Milênio, realizada no ano 2000, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque (Estados Unidos), os chefes de Estado dos 191 países presentes elaboraram as metas dos ODM.

Prêmio – Durante a cerimônia de apresentação dos dados, nesta quarta-feira em Brasília, também foi entregue o Prêmio ODM Brasil, que identificou 20 práticas desenvolvidas por Prefeituras e organizações da sociedade civil. A homenagem foi criada pelo Governo Federal em 2004 e visa estimular o desenvolvimento de ações, programas e projetos que contribuem efetivamente para o cumprimento das oito metas.

No evento, que teve a participação do presidente Lula e dos ministros Patrus Ananias, Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), Paulo Bernardo (Planejamento) e Jose Gomes Temporão (Saúde), três programas de segurança alimentar foram premiados.

João Luiz Mendes
http://www.mds.gov.br/noticias/brasil-supera-meta-de-reduzir-extrema-pobreza

Ato Falho (?!!): Bush limpa as mãos em Clinton

Lula defende o diálogo, o desarmamento e a preservação do meio ambiente em encontro com reis da Suécia

Do Mídiacon News


Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou hoje (24) sua defesa pelo diálogo e pela não proliferação de armas. A reação de Lula ocorre no momento em que há um movimento internacional para impor sanções ao Irã por suspeitas de que seu programa nuclear tem objetivos bélicos. O Irã, entretanto, não foi citado diretamente. O presidente fez seu discurso durante o brinde aos reis da Suécia Carl XVI Gustaf e Silvia.

"O mundo que queremos só será possível pela defesa intransigente da democracia e do multilateralismo, do diálogo sobre a força, do desarmamento e não proliferação, da preservação do meio ambiente e do respeito aos direitos humanos", disse Lula, no brinde durante almoço no Itamaraty.

No caso do Irã, o Brasil defende a busca pelo diálogo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad e não a definição de sanções, como querem os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Inglaterra e outros países. Para o governo brasileiro, os iranianos têm direito de desenvolver seu programa nuclear desde que os fins sejam pacíficos.

Ao citar o economista já morto Celso Furtado, o presidente lembrou que o "subdesenvolvimento não é uma fatalidade", mas resultado de uma junção de fatores. Como o rei sueco, Lula se disse um defensor da preservação do meio ambiente. Segundo Lula, é fundamental a parceria para reduzir a emissão de gases e vencer o desafio da mudança climática.

"Estou convencido de que a Suécia e o Brasil têm um papel decisivo a desempenhar na COP-16 <16ª Conferência das Partes das Nações Unidas para Mudanças Climáticas>, no México, ainda este ano. Com iniciativas inovadoras em energia renovável, limpa e eficiente, estamos apontando que direção seguir", disse ele.

Desde a última segunda-feira (21), os reis suecos visitam o Brasil acompanhados dos ministros da Saúde e Assuntos Sociais, Göran Hägglund, e da Defesa, Sten Tolgfors. A visita é a retribuição de viagem feita por Lula à Suécia, em 2007.

O comércio bilateral entre Brasil e Suécia passou de US$ 900 milhões, em 2003, para US$ 2,3 bilhões, em 2008. Cerca de 200 empresas suecas estão no país atualmente e geram aproximadamente 50 mil empregos.

Rei da Suécia defende parceria
O rei Carl XVI Gustaf ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar as parcerias de cooperação dos setores de defesa militar, tecnologia, educação e meio ambiente. Atualmente o governo brasileiro analisa a proposta sueca para a venda de aviões-caça. Os suecos disputam com os franceses e norte-americanos a exportação de 36 aeronaves. Mas o assunto não foi diretamente mencionado.

"Eu estou confiante na parceria estratégia entre Suécia e Brasil", afirmou o rei retribuindo o brinde oferecido pelo presidente Lula no almoço no Itamaraty. "Estamos ansiosos pela visita à Embraer , em São José dos Campos , e a possibilidade de cooperação entre os dois países na área da Aeronáutica", disse.

Em abril, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve concluir um relatório técnico sobre a compra dos 36 aviões caças. O Ministério da Defesa analisa as propostas apresentadas pelas três empresas finalistas: a sueca Saab, fabricante do modelo Gripen NG; a norte-americana Boeing, responsável pelo caça F-18 Super Hornet, e o consórcio Rafale International, liderado pela francesa Dassault.

A expectativa é que depois de analisar o relatório técnico encaminhado por Jobim, o presidente Lula convoque o Conselho de Defesa Nacional. No governo não há consenso sobre qual das três propostas seria a ideal. Para setores das Forças Armadas, a transferência tecnológica dos franceses supera a apresentada pelos demais concorrentes.

Amanhã (25), os reis Carl XVI Gustaf e Silvia estarão em São Paulo onde visitam a sede da Embraer. Também têm encontro com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Vale Soluções em Energia. O rei também participará de Seminário sobre Cooperação Tecnológica e Industrial bilateral.

Os reis encerram a visita ao Brasil no próximo fim de semana, quando irão a São Gabriel da Cachoeira, São Joaquim e Manaus - no Amazonas. O rei elogiou a iniciativa brasileira para combater a destruição da Amazônia e os esforços para o desenvolvimento de ações de defesa do meio ambiente e também dos direitos humanos.

Fonte: Renata Giraldi - Agência Brasil

Quatro em cada cinco habitantes da América Latina vivem em cidades, diz ONU

Da Agência Brasil


Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A América Latina tem 471 milhões de pessoas vivendo em cidades, ou seja, 79% do total de sua população, o que a coloca como a região mais urbanizada do planeta. Em 1950, a proporção da população urbana era de apenas 41%. Os dados foram divulgados hoje (25) pelo estudo Estado das Cidades da América Latina e do Caribe, realizado pela Agência para Habitação das Nações Unidas (ONU-Habitat).

Segundo o estudo, o processo de urbanização da América Latina pode ser considerado exitoso, já que trouxe riqueza, aumento da expectativa de vida e acesso a serviços públicos básicos para muitas pessoas. De acordo com a ONU-Habitat, é nas cidades que se concentra a maior parte da riqueza.
Mas, por outro lado, o processo de urbanização latino-americano também se deu de forma muito desigual, isto é, com grandes diferenças entre ricos e pobres. A América Latina é considerada, pelo estudo, a mais desigual do mundo e tem cerca de um quarto da população de suas cidades vivendo em favelas ou assentamentos precários.

“A América Latina é, em geral, muito desigual. E isso tem criado muitos problemas dentro das cidades, com informalidade na moradia e no emprego”, afirma Alan Gilbert, um dos autores do estudo.
Segundo a coordenadora do escritório da ONU-Habitat para a América Latina, Cecília Martinez, o estudo também traz algumas recomendações aos governos, como revitalizar áreas degradadas para aproveitar melhor os espaços da cidades, evitar o crescimento desordenado nas periferias e trabalhar a questão da sustentabilidade ambiental desses espaços.

“As cidades podem ser muito positivas e elas têm solução. Isso depende muito das decisões políticas que os prefeitos e governadores tomem sobre suas próprias regiões e próprias cidades. Em dez anos, se pode melhorar ou piorar muito as cidades”, disse Martínez.

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quinta-feira, 25 de março de 2010

Democratas que votaram a favor da reforma da saúde recebem ameaças de morte

Agência EFE
Washington
Via Opera Mundi

Deputados democratas que votaram a favor da reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos receberam ameaças de morte e foram alvo de ataques, de acordo com o o jornal norte-americano Politico.

"Você é um homem morto; sabemos onde você vive e vamos te encontrar", diz uma das mensagens recebidas por Bart Stupak, de Michigan, segundo o Politico. O deputado, um católico antiaborto, fez um acordo com a Casa Branca mediante o qual o presidente norte-americano, Barack Obama, ofereceu uma ordem executiva que proíbe o uso de fundos públicos para a prática do aborto, salvo em casos de incesto, estupro ou gravidez que coloque a saúde da mulher em risco.

Stupak afirmou ontem em comunicado que a medida "tem o peso da lei" e defende o princípio "sagrado da vida". Ele citou como exemplo a ordem executiva que autorizou a emancipação dos escravos negros em 1863. O legislador também assinalou que uma medida executiva assinada pelo ex-presidente americano George W. Bush em 2007 restringiu as pesquisas com células-tronco embrionárias.

Vários líderes republicanos e conservadores continuam atacando a ordem executiva, dizendo que ela tem não tem peso porque pode ser modificada a qualquer momento e só foi uma manobra para conseguir o voto dos indecisos ou dos que até pouco antes da votação se opunham à reforma.

O Político também disse que os escritórios de Louise Slaughter, de Nova York e o da legisladora Gabrielle Giffords, no Arizona, foram alvo de ataques. Slaughter, presidente do Comitê de Regras da câmara baixa, disse ao Politico que seu escritório recebeu uma ligação anônima advertindo que seriam enviados franco-atiradores "para matar os filhos dos legisladores que votaram a favor da reforma".

Na semana passada, os detratores da nova lei utilizaram fotos das duas filhas do democrata Steve Driehaus, de Ohio, em um artigo de opinião para pressioná-lo a votar contra a medida.

Oposição conservadora

Driehaus e outros democratas culpam os republicanos por "incentivar" os elementos mais extremistas do movimento conservador, que prometeu lutar até o fim para impedir a reforma do sistema de saúde nos tribunais.

Ontem, 14 promotores gerais, todos republicanos, entraram com processos em tribunais federais para revogar a reforma, argumentando que ela viola a Constituição e a autoridade dos governos estaduais. Entre os processos, 13 vieram da Flórida, enquanto o da Virgínia foi instaurado em Richmond, capital desse estado.

Folha de São Paulo: Prefeitura de SP ataca relatório da ONU que elogia PT


ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Um relatório sobre a cidade de São Paulo encomendado pelo UN-Habitat (Programa das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos) gerou uma crise com a Prefeitura de São Paulo. Sua divulgação, prevista para ontem no 5º Fórum Urbano Mundial, foi suspensa.
O texto elogia a política habitacional de Marta Suplicy (PT) e critica, sem citar nomes, seus sucessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM).

Após ter acesso a um rascunho do relatório "São Paulo: um Conto de Duas Cidades", a superintendente de habitação popular da prefeitura, Elisabete França, enviou e-mail ao chefe da divisão de pesquisas do UN-Habitat, Eduardo Moreno, reclamando que o texto, do consultor independente Christopher Horwood, "mais parece um panfleto político do que um estudo técnico".

O UN-Habitat recuou. Alberto Paranhos, autoridade principal do escritório para América Latina e Caribe, disse que será marcada nova data, mas só após o autor do texto apresentar suas críticas à prefeitura e ouvir suas considerações.
"Não temos problema em criticar, mas adotamos como prática apresentar as críticas antes para dar direito de réplica e ter certeza de que o que está escrito é verdadeiro. No caso desse documento, quando descobrimos que ele já estava sendo impresso, suspendemos o processo. Mas algumas cópias acabaram sendo divulgadas", afirmou Paranhos.

A Folha foi um dos veículos a ter acesso ao relatório. Os quatro primeiros capítulos trazem dados de uma pesquisa feita em parceria com a Fundação Seade, vinculada ao governo de São Paulo. No quinto parágrafo, é feita uma análise das políticas públicas habitacionais.
O texto diz que a gestão Marta "marcou importante era na política habitacional de São Paulo", citando positivamente a criação das Zonas Especiais de Interesse Social, o programa Bairro Legal e os Centros Educacionais Unificados.

O documento afirma que os sucessores da petista não deram continuidade a algumas dessas políticas e que especialistas consultados "concordam que as autoridades municipais não estão cientes ou comprometidas com a melhoria das condições de vida em cortiços e favelas".
A Folha tentou entrar em contato com Horwood, mas não conseguiu localizá-lo.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2503201027.htm

Clique aqui para ir ao relatório da UN-Habitat...

Ou aqui...

Breno Altman: OEA, herança maldita da Guerra Fria

Do Opera Mundi
Por Breno Altman


A recondução do chileno José Miguel Insulza à secretaria-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) normalmente seria fato de pouca monta. Afinal, trata-se de uma relíquia da Guerra Fria. Qualquer que seja seu dirigente, essa entidade tem em seu código genético o papel de articular a supremacia geopolítica dos Estados Unidos abaixo do rio Bravo.

Sua nova assembléia geral, convocada para reeleger o atual secretário-geral, chama atenção apenas porque ocorre em um cenário no qual muitos países latino-americanos parecem dispostos a superar o antigo modelo de associação continental.

A ampliação do Mercosul, o nascimento da Alba, a criação da Unasul e, mais recentemente, a fundação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac) são sinais de que amadurece um forte sentimento autonomista na região. Por maiores que sejam as dificuldades, ganha força a percepção de que não é satisfatória a condição de quintal do vizinho ao norte, historicamente guarnecida pela OEA.

A pia batismal dessa instituição foi o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), assinado no Rio de Janeiro em 1947. Esse documento adotava um sistema de segurança coletiva no qual qualquer ataque a uma das nações do continente seria respondido pelos demais países signatários. Expressava, na prática, um contrato de adesão à hegemonia militar dos EUA na disputa contra a União Soviética e o campo socialista.

De nada serviu quando a Argentina, em 1982, foi atacada pela Inglaterra, depois de recuperar provisoriamente o controle das Ilhas Malvinas. A Casa Branca, mais do que cruzar os braços, colocou seus serviços de inteligência para auxiliar a marinha inglesa. Mas essa é outra história, fica aqui apenas um retrato da hipocrisia reinante nas tais “relações interamericanas”.

A criação da OEA

A submissão dos governos sulistas ao TIAR animou Washington a novos passos. Na 9ª Conferência Internacional dos Estados Americanos, realizada em Bogotá entre março e abril de 1948, o general George Marshall, então secretário de Estado, convocou os países presentes a um “compromisso de luta contra o comunismo”. Levou para casa uma nova organização continental, oficialmente fundada no dia 30 de abril de 1948 através de uma declaração, a Carta da OEA, que contou com a assinatura de 21 países e passou a vigorar a partir de dezembro de 1951.

A intenção dos norte-americanos, para além de estabelecer sua direção sobre questões de defesa, era criar um novo instrumento jurídico, político e econômico com o qual pudessem construir laços de subordinação que não reproduzissem o velho e fracassado colonialismo europeu. Suas ambições hegemônicas deveriam se realizar a partir da renúncia voluntária de países formalmente independentes a porções de sua soberania.

O recurso à violência viria a assumir um caráter punitivo e de ação política, respaldando oligarquias nacionais contra forças insurgentes ou governos populares, mas sem a lógica da ocupação permanente ou da anexação territorial. Uma estratégia na qual a OEA, nas palavras de Fidel Castro, desempenharia o papel de “ministério das colônias” dos EUA.

Cuba, aliás, seria a primeira vítima do tacape da entidade sediada na capital norte-americana. Acusada de se aliar ao bloco socialista, teve sua participação suspensa em 1962. Logo depois, em 1965, foi a vez da República Dominicana. Quando forças leais ao presidente constitucional Juan Bosh estavam a um passo de derrotar grupos civis e militares que tinham realizado um golpe de Estado, o país foi invadido por tropas conjuntas dos EUA e da OEA, com vergonhosa participação brasileira.

As ditaduras do continente, a propósito, sempre puderam desfilar livremente pelos corredores e encontros da instituição. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mui seletivamente, só tinha olhos para governos que rompessem o alinhamento com a Casa Branca.

Nenhuma dessas informações consta do sítio eletrônico da organização liderada pelo socialista Insulza. Devidamente submetida a uma cirurgia plástica quando se esgotou o ciclo dos militares, no final dos anos 1980, a OEA foi reinventada como articuladora de iniciativas integracionistas. Foram forjados, em seu âmbito, projetos como o da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que buscavam redesenhar os mercados e Estados nacionais como espaços acessórios da economia norte-americana.

Giro à esquerda

Mas essas tentativas acabaram frustradas ou comprometidas pela ascensão de forças progressistas em alguns dos principais países da região, especialmente no Brasil, na Venezuela e na Argentina. A primeira década do século 21 significou um importante giro à esquerda no continente.

Ao contrário de velhos governos oligárquicos e conservadores, as novas correntes se propunham a uma estratégia de fortalecimento do poder público, expansão do mercado interno de massas, distribuição de renda e ampliação dos direitos sociais. Ainda que com fortes diferenças em cada experiência local, esse caminho colocou em cheque o modelo privatista e desnacionalizante, base fundamental para a associação subordinada desejada pelos Estados Unidos.

O novo ciclo político, acoplado ao retumbante fracasso de países que embarcaram nos tratados de livre-comércio com Washington, cujo caso mais emblemático é o México, recolocou o tema da integração. O velho programa das plutocracias latino-americanas, verticalizado pela ambição de se tornarem sócias minoritárias e lucrativas do empreendimento norte-americano, veio sendo substituído pela defesa de um bloco autônomo, amparado sobre redes comuns de infra-estrutura, fontes de financiamento, fluxos comerciais e instituições políticas, além de planos ambiciosos para unificação da moeda e do sistema de defesa.

Mesmo nações dirigidas por partidos direitistas foram levadas, em alguma medida, a se juntar a essa onda, motivadas pela propulsão econômica da área latino-americana, no contexto de um mundo em crise e repartido por grandes alianças regionais. Essa tem sido a base objetiva, afinal, para o associativismo crescente entre os países do subcontinente.

Entulho neocolonial

Apesar de seu relativo enfraquecimento no jogo regional, a Casa Branca segue com cartas poderosas nas mãos. O cerne de sua contra-ofensiva, no terreno diplomático, é o bilateralismo. Dividir para reinar. Impedir ou atenuar as iniciativas autonomistas. Atrapalhar ou minimizar a construção de espaços sem sua participação. A OEA, para essa estratégia, segue com uma função relevante, que inclui a pressão sobre governos que aceleram seu distanciamento dos interesses norte-americanos, claro que sempre em nome da democracia e dos direitos humanos.

O mesmo não pode ser dito, quanto à pertinência dessa instituição, na perspectiva dos governos progressistas e da unificação latino-americana. A existência de uma organização dessa natureza é um fator inibidor. Não tem qualquer serventia positiva um organismo que historicamente se apresentou como guarda pretoriana de interesses imperiais.

Tampouco faz sentido no próprio aprimoramento das relações com os Estados Unidos. Quanto mais freqüentes e robustas forem as negociações em bloco, maior será o poder de pressão dos países ao sul. Quanto menor for a presença político-militar de Washington no subcontinente, mais amplas serão as possibilidades de integração e soberania.

A OEA, de fato, não passa de um entulho neocolonial. Seu esvaziamento progressivo, acompanhado pela denúncia do TIAR, significaria um avanço notável no processo democrático e independentista.

*Breno Altman é jornalista e diretor editorial do Opera Mundi

A Mìdia e a "cegueira"

Voltemos ao tema, e quantas vezes forem necessárias. A mídia engajada, partidarizada, formada pelos mais poderosos grupos de comunicação do país não gostam do Lula. Não gosta do seu governo. Não quer que ele faça um sucessor. Não gosta do sucesso do Brasil, não pelas mãos de um ex-metalúrgico formado pelo SENAI. Não suporta a idéia do poder político estar hoje nas mãos de um grupo que, historicamente, nuca foi apoiado pelos seus líderes, com quem não têm afinidade política e ideológica, ou seja, não fazem parte da "turma".

E com a recente descoberta do pré-sal e a economia a todo vapor, vão fazer de tudo para a retomada deste poder. Com isto, passaram a trabalhar, agora sem rodeios, pelas ambições de seu candidato. Errado? Em termos. Um jornal ou revista pode declarar apoio a quem bem quiser, cabendo ao leitor decidir se vale a pena continuar comprando. Mas, e uma emissora de televisão? Por ser uma concessão pública pode fazê-lo? Esta é uma discussão.

A outra já parte do princípio anteriormente citado, de que tais meios já estão engajados na candidatura da oposição. Não é à toa que, em contrapartida as andanças de Lula e Dilma pelo país, colocam agora o Serra nos principais jornais televisivos, derrubando prédio, inaugurando maquete, declarando que vai ser candidato, etc. Ok, é o jogo politico do momento, e a grande mídia é um poder de fato neste país. Mas aí temos que questionar: se a mídia é engajada politicamente haverá espaços para a verdade ou para a honestidade na cobertura do que realmente acontece no Brasil? Haverá espaços para o debate franco e de alto nível sobre os avanços ou retrocessos do atual governo bem como das propostas da oposição? Infelizmente não. O que temos é um clima de torcidas onde a maior vítima é o serviço de bem informar. O preço a pagar é alto: a perda de credibilidade.

O que está valendo para estes atores é empreender um grande esforço para alavancar a candiatura oposicionista, observando-se as tendências e os números divulgados pelas úlitmas pesquisas de intenção de votos, não importando (como jamais importou) se existem melhoras ou não empreendidas pelo atual governo. Eles jamais dirão isto com todas as letras. No máximo vão reconhecer que a muntenção das políticas econômicas do governo anterior é que garantiram a fase de desenvolvimento que vivemos. E só! Aí o Lula usa uma de suas armas mais eficazes e que mais enervam os representantes desses meios: as metáforas. Uma de suas últimas foi ditada no 2º Salão Nacional dos Territórios Rurais — Territórios da Cidadania em Foco – , em Brasília, para definir como é que "eles" agem em relação a seu governo:

Uma vez eu parei numa padaria – Marisa ficou no carro, eu fui comprar um pão. Cheguei lá, pedi o pão e perguntei: ‘Quanto que é?’
O cidadão do caixa falou assim pra mim: ‘Nossa, você parece o Lula! A voz do Lula...’
E um cidadão, que estava atrás de mim, falou: ‘mas não é o Lula, porque eu conheço o Lula. O Lula é mais alto, é mais moreno’.
E eu ali, na frente de um cara querendo me conhecer, e o cidadão desaforado, atrás, dizendo: ‘Não é o Lula’.
Eu fui obrigado a pegar a minha identidade e mostrar pro companheiro: ‘Companheiro, eu sou o Lula’. E ele falou: ‘É, mas não parece’.
É assim que determinados setores da imprensa se comportam (...)

Operação Vampiro: Humberto Costa é inocentado por TRF-PE

Do Terra Magazine
Ed Ruas
Do Recife (PE)


O ex-ministro da Saúde Humberto Costa foi absolvido por unanimidade (14 votos), nesta quarta-feira, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Pernambuco, das acusações de envolvimento na Operação Vampiro. A operação deflagrada em 2004 resultou na prisão de 17 servidores públicos, lobistas e empresários envolvidos em fraudes nas licitações de compra de Hemoderivados.

A inclusão do nome de Humberto Costa entre os acusados foi utilizada pelos seus adversários políticos no Estado durante a campanha de 2006, quando era candidato ao Governo de Pernambuco. Durante a sessão de hoje, a advogada do petista lembrou que chegaram distribuir "dentaduras de vampiro" durante a eleição.

Humberto Costa atualmente pleiteia a indicação do PT para disputar uma vaga ao Senado pelo Estado. O ex-ministro concederá entrevista coletiva ainda hoje sobre o assunto. O petista já tinha sido inocentado pelo Ministério Público Federal das acusações.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Por Lula, Índia abriria mão de indicar candidato a secretário-geral da ONU, diz diplomata

Do Portal UOL
Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Após a derrota de seu candidato para o sul-coreano Ban Ki-moon em 2007, o governo indiano avalia que terá no ano que vem mais chances de indicar o próximo secretário-geral das Nações Unidas. Mas se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estiver entre os postulantes, abriria mão da disputa por ver nele a personificação dos países emergentes e da capacidade de mediação entre ricos e pobres, disse ao UOL Notícias um diplomata ligado à Índia e à ONU.

De acordo com ele, a derrota de Shashi Tharoor – atual ministro indiano das Relações Exteriores e ex-subsecretário de Comunicação da ONU – sinalizou que o Sul da Ásia, onde a Índia é a principal potência, será decisivo na próxima indicação nas Nações Unidas, prevista para o fim de 2011. Depois de três mandatos de africanos (um com o egípcio Boutros Boutros-Ghalli e dois com o ganês Kofi Annan), a Ásia teria a primazia de reconduzir Ban ao cargo ou de apontar outro representante.
“Sabemos que essa não é uma disputa fácil, mas o governo da Índia já sinalizou ao presidente Lula que, se ele estiver disposto, contaria com o apoio do Sul da Ásia”, disse o diplomata. “Não se trata de desistir de indicar um indiano. Isso apenas ficaria mais para a frente. O presidente provavelmente teria de ter o apoio da América Latina se quiser ser candidato, para que no futuro isso seja retribuído ao Sul da Ásia.”

O diplomata, que pediu para não ser identificado, disse que o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, foram informados sobre a sinalização indiana. Procurados pela reportagem, não foram encontrados.

Na eleição de 2007, Tharoor começou a disputa como favorito, mas o apoio a Ban foi maior. Mais tarde, veículos de imprensa europeus informaram que os Estados Unidos – durante o governo de George W.Bush – vetaram o indiano para evitar rusgas com o rival Paquistão e por preferirem um diplomata mais discreto, como sul-coreano. A China, que tem tensões fronteiriças com a Índia, se absteve.

O secretário-geral é indicado pela Assembleia-Geral depois de recomendação do Conselho de Segurança, formado por cinco membros permanentes: EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia. As reuniões do grupo para discutir a indicação são secretas e somam também seus nove membros rotativos.
Para dar apoio ou retirá-lo, os países dão votos de “estímulo” ou de desencorajamento” no conselho. O nome só pode ser aprovado se todos os membros permanentes não impedirem e pelo menos quatro outros derem suporte.

Para o diplomata, Tharoor ainda poderia se candidatar mais adiante – apesar de ter deixado a ONU depois da derrota – porque ainda é muito jovem: tem apenas 44 anos de idade. O último latino-americano a ocupar o cargo foi o peruano Javier Pérez de Cuellar, entre 1982 e 1991.

Os membros permanentes do Conselho de Segurança evitam indicar candidatos a secretário-geral para não concentrar poder. O Brasil, assim como a Índia, pleiteiam a ampliação do grupo, formado no contexto da Segunda Guerra Mundial. África do Sul, Alemanha, Japão e Austrália também fazem pressão diplomática para entrar no clube.

Recusa ou falta de apoio?
Depois de o nome de Lula ser lançado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em uma reunião do G20, o governo brasileiro rejeitou as especulações. À mídia europeia, diplomatas das Nações Unidas disseram que o brasileiro correria risco de veto dos EUA e da Grã-Bretanha por sua aproximação com o Irã.
Em maio, em retribuição à visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, Lula visitará o país – que faz parte do Sul da Ásia – apesar das tensões internacionais por conta dos riscos de o regime teocrático buscar enriquecimento de urânio. Potências ocidentais dizem o objetivo disso é obter armas atômicas, o que Teerã rejeita.

Apesar do reconhecimento internacional por sua defesa dos países emergentes, em especial africanos, asiáticos e latino-americanos, Lula recebeu críticas internacionalmente por declarações sobre regimes quase tão controversos quanto o do Irã, como a Venezuela sob o presidente Hugo Chávez e Cuba, dos irmãos Fidel e Raúl Castro.
Antes de morrer em um atentado terrorista no Iraque em 2003, o diplomata Sérgio Viera de Mello, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, era cotado como favorito a suceder o ex-secretário-geral Kofi Annan.

http://noticias.uol.com.br/politica/2010/03/24/por-lula-india-abriria-mao-de-indicar-candidato-a-secretario-geral-da-onu-diz-diplomata.jhtm

Finanças Mundiais: Estamos no Apocalipse?

O frágil arranjo pós-crise pode entrar em colapso

Finanças-zumbi, no pós-apocalipse
23/3/2010, David P. Goldman, “Spengler” , Asia Times Online (clique aqui para ver as figuras que acompanham o texto original)
David P Goldman é editor de First Things
Tradução da Caia Fittipaldi

Via blog do Azenha

Lá por 2014, disse John Lipsky do FMI dia 21 de março, a proporção entre a dívida bruta e o produto interno bruto dos países do Grupo dos 7 alcançará 100%, e os governos do mundo industrializado terão de carregar o peso da maior dívida desde o final da II Guerra Mundial.
Até aí, a má notícia; a notícia muito pior é que os governos estão fazendo chover dinheiro no sistema bancário mundial para financiar a expansão da dívida. Depois do grande ‘resgate’ dos bancos em 2008, o sistema bancário mundial foi, de fato, socializado, com recursos dirigidos para financiar as dívidas dos governos e afastados do financiamento para o setor privado.

Os governos evitaram um apocalipse financeiro em 2009 e ‘resgataram’ o sistema bancário. Mas quem resgatará os governos? Por enquanto, a resposta é que eles mesmos se resgatarão, à custa da economia privada. No mundo financeiro pós-apocalipse, os bancos privados estão convertidos em zumbis comedores de carne humana que canibalizam a economia privada para financiar os governos, com táticas jamais vistas desde a II Guerra Mundial.
A deriva do poder econômico na direção dos governos e seus agentes auxiliares, os grandes bancos, é coisa que jamais se viu no mundo em tempos de paz. E a intenção do governo Obama parece ser “não desperdiçar nenhuma crise”, nas palavras do principal assessor do presidente, Rahm Emanuel, em frase que ficou famosa.

O plano de saúde de Obama, de um trilhão de dólares, votado na Câmara de Deputados dia 21 de março, efetivamente estatizará um setor que representa 14% da economia dos EUA – estatização que se soma à estatização de facto do sistema bancário.
Os bancos norte-americanos reduziram a carteira de empréstimos em cerca de 350 bilhões de dólares – mais de 1/5 –, desde o início de 2009; e compraram 300 bilhões de bônus do Tesouro. Os bancos que mais compraram bônus do Tesouro dos EUA ao longo dos últimos sete meses foram os bancos globais sediados em Londres e nas ilhas Caimã: tomam empréstimos ao custo de 1/5 de ponto percentual e compram bônus do Tesouro dos EUA pelos quais pagam de 1% a 3%, dependendo do prazo.

É o famoso “carry trade”, pelo qual os bancos e hedge funds tomam empréstimos de curto prazo e juros muito baixos e emprestam com prazos médios e longos e juros mais altos. Funciona, enquanto os juros de curto prazo permaneçam extremamente baixos. No instante em que o custo do dinheiro tomado começar a aumentar, o “carry trade” negociado com bônus do Tesouro garantidos pelo governo dos EUA entrará em colapso.
Entre novembro e janeiro, último mês para o qual há dados do Tesouro, investidores privados (sobretudo bancos) compraram 60 bilhões em bônus do Tesouro e moeda por mês – cerca de 720 bilhões por ano, ou cerca da metade do total anualizado de todos os empréstimos tomados pelo governo dos EUA.
Observe-se que os bancos centrais do mundo não aumentaram significativamente a quantidade de bônus garantidos pelo governo dos EUA que possuem. Suas compras mantêm-se num patamar modesto de 20 bilhões de dólares/mês, ou 240 bilhões/ano.

O Tesouro dos EUA já é dependente dos bancos privados globais. Segundo dados do Tesouro, $108 bilhões dos $180 billhões de compras líquidas de bônus garantidos pelo Tesouro dos EUA, desde janeiro, foram compradas por bancos sediados em Londres e nas Ilhas Caimã.
O que mais chama a atenção é a disposição da finança mundial para financiar o déficit norte-americano com juros reais de menos de 0,5%. A taxa de juro real extremamente baixa implica expectativas de crescimento muito baixo nos próximos cinco anos. Trata-se de alguma coisa parecida à “década perdida” do Japão nos anos 90s, quando os bancos compravam bônus do Tesouro com taxas de menos de 1% com dinheiro “dado” pelo Banco Central.

Onde os bancos estão obtendo dinheiro para emprestar ao governo dos EUA? Do próprio governo dos EUA. O Federal Reserve aumentou suas reservas para $1,4 trilhões desde o início da crise, alimentando com fundos o sistema bancário, fundos os quais os bancos imediatamente tornam a emprestar ao governo e que se somam a outros $300 bilhões de fundos adicionais liberados pela redução dos empréstimos para o setor privado.

A base monetária está crescendo em ritmo de 40% ao ano. Sob circunstâncias normais, bastaria para levar a inflação ao patamar de dois dígitos. Enquanto os bancos reduzem os empréstimos para o setor privado e compram bônus do Tesouro que substituem as taxas perdidas de juros, o resultado é a chamada “arapuca da liquidez” [ing. liquidity trap].

Com 20% de desemprego ou subemprego nos EUA, segundo pesquisa de fevereiro de 2010 em 20 mil famílias, os custos trabalhistas continuarão deprimidos. A inflação no preço das commodities não aparecerá facilmente manifesta na inflação nos preços ao consumidor.

Esse tipo de equilíbrio-zumbi manteve-se ‘estável’ durante vinte anos na economia moribunda do Japão; em teoria, o Tesouro dos EUA e o sistema financeiro podem permanecer indefinidamente nesse ‘equilíbrio’. Mas há mil e uma vias pelas quais pode acontecer de esse arranjo desabar.

Governos mais fracos, como Grécia ou Espanha, ou até o Reino Unido, podem romper a corrente. Fugir dos dólares norte-americanos, em resposta à inflação monetária, pode forçar o Federal Reserve a subir a taxa de juros. Os investidores podem tentar afrouxar o “carry trade”, o que provocará um estouro da manada em direção à porta de saída. O Japão conseguiu manter inflada essa bolha durante 20 anos. Mas o Japão podia apostar na força de seu sistema bancário doméstico sob a supervisão do Banco do Japão; os EUA dependem do status de reserva do dólar, o que faz cada vez menos sentido, se o Tesouro está inundando o mundo com papéis norte-americanos podres.

Jamais antes se viu coisa semelhante, e todos hesitam e ninguém quer arriscar previsões sobre arranjo tão absurdo e instável; e a lista de potenciais pontos de ruptura é infindável. Agora, quando todo mundo está comprando a dívida do governo dos EUA construída com dinheiro emprestado, nem o dinheiro faz sentido. Vai acabar mal – mas ainda é cedo demais para saber como e quando.

Leia também "As Cinco sequências da fase de deslocamente geopolítico global" na resistir.info...

O Problema da Pedofilia na Igreja

É com tristeza que se constata a prática de pedofilia por alguns sacerdotes pertencentes aos quadros da Igreja Católica. Como bem relatou o Papa na sua recente carta sobre o problema (clique aqui para ler a íntegra da carta), crime hediondo e imprescritível e que deve ser duramente combatido, tanto pela Igreja, quanto pela sociedade laica. Mas é bom que se destaque, entre outros aspectos que, assim como não tem cabimento e justificativa a prática de pedofilia pelo clero da Igreja - e esses homens devem deixar de imediato o exercício do sacerdócio -, não se pode generalizar o erro de 0,3% do clero, como se fosse algo epidêmico na Igreja. Atirar a primeira pedra e esquecer as boas obras é muito fácil, principalmente quando há uma predisposição para o conflito por alguns setores poderosos da sociedade. Outrossim, trata-se de um problema gravíssimo por estar ocorrendo dentro de uma instituição milenar que tem milhões de fiéis em todo o mundo. Mas  a Igreja é feita de homens, pecadores, sejam leigos ou sacerdotes, que podem se tornar santos ou não. O problema é quando, além de não serem santos, tornam-se criminosos. E aí, os autores de tais aberrações devem responder perante a sociedade. O texto a seguir é de Wálter Fanganiello Maierovitch e foi publicado na Carta Capital na sua coluna semanal intitulada Linha de Frente para a Cidadania.

Lobo Mau de Batina
Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Os pedófilos têm a imagem associada à do Lobo Mau das histórias infantis, ou melhor, àquele personagem que deseja comer Chapeuzinho Vermelho. O lobo virou logotipo em sites que, a cada ano, exibem ilegalmente imagens de 12 milhões de crianças, entre 10 e 12 anos de idade.
Para indignação geral, o Lobo Mau também usa batina de padre e abusa sexualmente de crianças nos colégios e internatos. Em janeiro deste ano, cerca de 50 ex-alunos denunciaram abusos sexuais no colégio jesuíta Canisius de Berlim. E violências sexuais foram admitidas, ainda neste 2010, em colégios nas cidades de Hamburgo, Frankfurt, Munique. Também em Regensburgo, entre 1958 e 1973, com os meninos do coral da Catedral de Ratisbona. O coral, fundado no ano de 975, foi dirigido, de 1964 a 1994, pelo padre Georg Ratzinger, irmão mais velho do papa. Georg não é pedófilo, mas exagerava nos corretivos, desferindo tapas no rosto das crianças.

O próprio papa Ratzinger se assustou quando foi veiculado que havia protegido, quando arcebispo de Munique (março de 1977 a fevereiro de 1982), um abade pedófilo. Este, removido da diocese de Essen para Munique, em janeiro de 1980. O abade deveria realizar terapia, mas acabou encaminhado a uma paróquia para desenvolver atividade pastoral, sem restrições.
Em 1986, quando Ratzinger já havia assumido (1981), a convite do papa Wojtyla, a Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício de triste memória, o abade pedófilo, por outros abusos sexuais, foi condenado pela Justiça alemã: 18 meses de cárcere, com suspensão condicional da execução da pena (sursis).

O clérigo Gerhard Gruber, então vigário-geral de Munique, assumiu a responsabilidade pelo sucedido e isentou Ratzinger. No ex-Santo Ofício, o atual papa não cobrou punição a nenhum padre pedófilo. Como Bento XVI e, diante dos escândalos, pregou a tolerância zero e transparência nas apurações sobre pedofilia e violências sexuais.
Algumas medidas serão anunciadas em breve pelo papa Ratzinger. Depois de ouvir reclamação da chanceler Angela Merkel, o papa, na Carta aos Irlandeses, deixará clara a obrigatoriedade da comunicação de ilícitos sexuais para as autoridades policiais, laicas e de a Igreja colaborar com as investigações.

A Igreja não é uma mera associação privada, como proclamam os democratas franceses de tradição jacobina. Como já frisaram pensadores liberais, a fé não é algo indiferente para o homem e, por isso, as religiões (todas) não são simples associações privadas. Só que tal status não serve para justificar que um religioso fique fora do alcance dos tribunais da Justiça laica, por fato tipificado como crime.
A notícia de crime de violência sexual para a polícia, informam os vaticanistas, só não será realizada se a vítima não quiser. Será deixada, assim, uma porta aberta para eventuais pressões e invocação do espírito cristão do perdão.

O instituto da prescrição canônica será mudado para as infrações graves, como a pedofilia. Atualmente, o prazo prescricional é de dez anos, a contar da data que a vítima completa 18 anos. Como se sabe, muitas vítimas só conseguem vencer barreiras psicológicas depois dos 40 anos e motivadas por um grande e recente escândalo.
A pedofilia perpetrada por integrantes da Igreja será, por determinação do papa Ratzinger, considerada imprescritível. A propósito, o fim da prescrição para pedófilos foi sugerido pelo monsenhor Charles Scicluna, acusador-geral nos procedimentos perante a Congregação da Doutrina da Fé. Em 2002 e logo após estourar o escândalo de Boston (EUA), onde 200 padres foram acusados de praticar pedofilia, o então papa Wojtyla deliberou que, caso a caso, se poderia, pela gravidade do ato, não se reconhecer a prescrição.

Com Ratzinger indignado e abatido, realizou-se o tradicional Congresso sobre Sacerdócio, organizado pela Congregação Vaticana para o Clero. O bispo de Regensburgo, Gerhard Ludwig Müller, falou sobre celibato, instituído na Igreja latina pelo Concílio de Trento de 1563, e abusos sexuais. E concluiu: “Não consigo estabelecer ligações entre o celibato e os casos de pedofilia ocorridos na Igreja. Os abusos sexuais sucedem em todos os segmentos, até nos não celibatários”.
O consagrado psiquiatra e neurologista alemão Marfed Lutz, da Universidade de Wuerz-burg, derrubou a polêmica tese do criminalista europeu Bill Marshall. Para o criminalista, a castidade não representa um fato natural e pode predispor a uma conduta desviante. Segundo Lutz, não há “déficit de intimidade” entre celibatários. Quem “consegue manter uma vida espiritual iluminada pela presença de Deus não padece de déficit afetivo”, frisou Lutz.
O referido congresso abriu caminho para Ratzinger fincar o pé no celibato, ou melhor, reafirmou o seu “valor sagrado, como autêntica profecia”.

terça-feira, 23 de março de 2010

Uma visão dos EUA da Política Externa Brasileira

Saiu um artigo de Mark Weisbrot, diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (www.cepr.net), de Washington, na Folha de São Paulo, no domingo passado e que, pelo seu conteúdo, é de se estranhar ter passado "despercebido" ou sem repercussão mais ampla nos meios de comunicação da denominada grande mídia. De se estranhar porque para certos assuntos, o que sai num veículo é logo reverberado no outro até completar a cadeia de veiculação. Isto acontece, principalmente no que tange à política externa brasileira, que vem sendo muito criticada pela mídia tupiniquim em face de sua postura frente ao problema do Oriente Médio envolvendo o Irã e Israel.

Voltando ao artigo, talvez o seu conteúdo revele a solução para o mistério do desinteresse pelo encadeamento, uma vez que traz uma visão diametralmente oposta à que vem sendo adotada pelo editoriais dos grandes veículos de comunicação e uma crítica embasada a um recente artigo publicado na própria Folha, e de autoria do candidato José Serra. O ponto principal é a campanha dos EUA pela aplicação de sanções ao Irã, firmemente recusada pelo Brasil que prefere uma postura de conciliação no concerto das nações, sendo que o presidente Lula vem argumentando que a estratégia dos EUA seria contraproducente e incapaz de levar a uma solução pacífica na região.

Essa postura do Brasil vem sendo duramente criticada pelos opositores internos, conforme se depreende da leitura do artigo de autoria do candidato José Serra na Folha de São Paulo de 23.11.2009,  e que parte de uma crítica contundente ao presidente Lula por ter recebido Ahmadinejad, cuja reeleição teria sido “notoriamente fraudulenta”, pelo teor repressivo do governo e pela negação do Holocausto. Weisbrot argumenta que a primeira acusação é inaceitável por quem tenha examinado as evidências. A vitória de Ahmadinejad por uma diferença de 11 milhões de votos teve apuração testemunhada por centenas de milhares de pessoas. Mais: os resultados corresponderam às pesquisas de intenção de voto e também de boca de urna.

O autor reconhece que o Irã tem um regime repressivo, mas não mais repressivo do que o de outros países da região apoiados pelos EUA, como o Egito (n.a.: presidido por Hosni Mubarak desde 14 de outubro de 1981), e de que quanto ao fato de que Ahmadinejad teria negado o Holocausto, Lula teria condenado veementemente tal afirmação, e que, sobre esta lógica, não poderia o presidente brasileiro receber a Secretária de Estado Hilary Clinton, por ser representante de um país que empreende uma guerra de ocupação no Iraque, que já vitimou mais de um milhão de pessoas, além das milhares de vítimas civis no Afeganistão.

Fala da dificuldade da equipe de Obama, assim como ocorreu com a de George Bush, de compreender os conceitos de mediação e de gerras desnecessárias da diplomacia brasileira, adotando sempre uma abordagem "Poderoso Chefão" nas relações internacionais.

Voltando ao artigo do Serra, Weisbrot critica a comparação feita entre o não reconhecimento por Lula do governo hondurenho após o golpe contra um presidente democraticamente eleito e a visita ao Irã de Ahmadinejad, observando que o golpe representa uma ameaça à democracia, enquanto o governo do Irã não representaria tal ameaça, além do que, o Brasil tem um papel regional importante pelo qual deve proceder à defesa intransigente da democracia no continente, em virtude dos acordos regionais e em respeito aos princípios que defendem a estabilidade na região.

Em suma, é uma visão de dentro dos EUA sobre a política externa brasileira em relação ao Oriente Médio, com um teor de defesa do diálogo e da conciliação, pontos que, no momento, e em face do embate de forças que acontece dentro e fora dos EUA, parecem não estar sendo prestigiados, inclusive por alguns atores aqui mesmo no Brasil.

O artigo na Folha, para assinantes.

Aqui para o artigo de José Serra.

Tempestade de areia atinge Pequim

 Da BBC Brasil

A capital chinesa, Pequim, foi atingida por uma forte tempestade de areia.
Esse tipo de tempestade ocorre quando ventos fortes movimentam a areia do deserto.
A desertificação do leste da Cjina e dos estepes da Mongólia tornaram as tempestades de primavera piores nos últimos anos, deixando a chuva e a neve amarelas.
O governo chinês vem gastando milhões de dólares em projetos para conter a expansão dos desertos.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Uri Avnery: A Arma do Juízo Final

Da Agência Carta Maior
Por Uri Avnery

A arma do juízo final

Não há pior pesadelo para os judeus norte-americanos do que serem acusados de pôr a segurança de Israel acima da segurança dos EUA. Se Obama decidir reagir e ativar sua arma do juízo final – a acusação de que Israel põe em risco a vida de soldados dos EUA – as consequências serão catastróficas para Israel.
Já é lugar comum que, quem não aprende com a história, está condenado a repetir erros.

Há 1942 anos, os judeus revoltaram-se contra o Império Romano na província chamada Palestina. Considerado em retrospectiva, parece loucura. A Palestina era parte pequena e insignificante do império planetário que acabava de impor uma derrota acachapante ao poder rival – o Império dos Partos (a Pérsia) – e vencera também uma grande rebelião na Britânia. Que chances teria a revolta dos judeus?

Sabe Deus o que passaria pela cabeça dos Zelotes. Mataram os líderes moderados, que alertavam contra provocar o império, e ganharam prestígio entre a população judaica local. Confiavam em Deus. Talvez confiassem também nos judeus de Roma e acreditassem que a influência deles sobre o Senado conseguiria segurar o imperador, Nero. Talvez tivessem ouvido dizer que Nero estava enfraquecido, a beira de ser derrubado.

Sabe-se como acabou: depois de três anos de luta, os rebeldes foram esmagados, Jerusalém caiu e o templo foi reduzido a cinzas. Os últimos Zelotes suicidaram-se, em Massada.

Os sionistas bem que tentaram aprender com a história. Agiram de modo racional, não provocaram as grandes potências, trabalharam para obter o que fosse possível em cada caso. Fizeram concessões e cada concessão serviu-lhe de base para andar adiante. Inteligentemente usaram o radicalismo de seus adversários e conquistaram a simpatia do mundo.

Mas desde o início da ocupação, a mente dos sionistas parece mergulhada em trevas. O culto de Massada tornou-se dominante. Promessas divinas voltam a desempenhar função importante no discurso público em Israel. Partes significativas do público seguem hoje os novos zelotes.

E a fase seguinte também já começa a repetir-se: os líderes de Israel estão começando a rebelar-se contra a nova Roma.

O que começou como insulto ao vice-presidente dos EUA já se converte agora em algo muito maior. O camundongo pariu um elefante.

Nos últimos tempos, o governo de ultra direita em Jerusalém começou a tratar o presidente Obama com mal disfarçado desprezo. Os medos que ainda havia em Jerusalém no começo de seu governo dissiparam-se. Para eles, Obama é uma pantera negra de papel. Até desistiu de exigir verdadeiro congelamento das construções nas colônias. Cada vez que lhe cuspiram na cara, Obama comentou que começava a chover.

Agora, ostensivamente de repente, a paciência esgotou-se. Obama, seu vice-presidente e seus principais assessores condenam, cada dia com mais severidade, o governo de Netanyahu. A secretária de Estado Hillary Clinton impôs um ultimato: Netanyahu tem de por fim a toda e qualquer construção nas colônias, também em Jerusalém Leste; tem de começar a negociar os problemas centrais do conflito, inclusive Jerusalém Leste, e mais.

Surpresa total em Israel. Foi como se Obama cruzasse o Rubicão, quase como o exército egípcio cruzou o canal de Suez em 1973. Netanyahu deu ordem para mobilizar todas as reservas de Israel nos EUA e avançar todos os blindados diplomáticos. Todas as organizações de judeus nos EUA receberam ordens de unir-se à campanha. O AIPAC fez soar as cornetas de chifre de carneiro e ordenou que seus soldados, no Senado e na Câmara, atacassem a Casa Branca.

Parecia que ia começar a batalha decisiva. Os líderes israelenses tinham certeza de que derrotariam Obama. Mas então, de repente, ouviu-se um som estranho: o som da arma do juízo final. O homem que decidiu ativá-la é inimigo de novo tipo, que ainda não se vira em Israel.

David Petraeus é o oficial mais popular do exército dos EUA. General de quatro estrelas, filho de um capitão do mar holandês que emigrou para os EUA quando seu país foi ocupado pelos nazistas e lá viveu toda a vida, desde a infância. Foi “distinguished cadet” na academia militar de West Point e primeiro colocado na Escola de Alto Comando do Exército. Como comandante em combate, só colheu elogios. Escreveu sua tese de doutoramento (sobre as lições do Vietnã) em Princeton e trabalhou como professor-assistente na cátedra de Relações Internacionais na Academia Militar dos EUA.

No Iraque, comandou as forças em Mossul, a cidade mais problemática de todo o país. Concluiu que, para derrotar aqueles inimigos, os EUA tinham de conquistar corações e mentes da população civil, ganhar aliados locais e gastar mais dinheiro que munição. A população local conhecia-o como “Rei David”. Seu sucesso foi considerado tão significativo, que seus métodos incorporaram-se à doutrina oficial do exército dos EUA.

Sua estrela ascendeu rapidamente. Foi nomeado comandante das forças da coalizão no Iraque e logo se tornou chefe do Comando Central do exército dos EUA, que cobre todo o Oriente Médio exceto Israel e Palestina (os quais ‘pertencem’ ao comando norte-americano na Europa).

Quando Petraeus fala, o povo dos EUA ouve. Como pensador de questões militares, não tem rivais.

Essa semana, Petraeus enviou mensagem claríssima: depois de examinar os problemas de sua Área de Responsabilidade [ing. Area Of Responsibility, AOR] – que inclui, além de outros setores, o Afeganistão, o Paquistão, o Irã, o Iraque e o Iêmen – chegou ao que chamou de “causas de raiz da instabilidade” na região. O primeiro item dessa lista é o conflito Israel-Palestina.

No relatório que Petraeus encaminhou ao Comitê das Forças Armadas, lê-se:

“As intermináveis hostilidades entre Israel e alguns de seus vizinhos implicam desafios específicos à nossa habilidade para obter avanço no rumo de nossos interesses na AOR. (...) O conflito fomenta o sentimento anti-norte-americano, porque se percebe que os EUA favorecem Israel. A fúria dos árabes motivada pela questão palestina limita a força e a profundidade das parcerias que os EUA construam com governos e povos na AOR e enfraquece a legitimidade de regimes moderados no mundo árabe. Simultaneamente, al-Qaeda e outros grupos militantes exploram essa fúria e assim mobilizam apoios. O conflito [Israel-Palestina] também faz crescer a influência do Irã no mundo árabe, mediante seus clientes, o Hizbollah libanês e o Hamás.”

Como se não bastasse, Petraeus enviou seus oficiais para que apresentasse essas conclusões ao Conselho dos Comandantes do Estado-Maior.

Em outras palavras: a paz entre palestinos e israelenses não é questão específica de dois grupos, mas assunto que envolve o superior interesse nacional dos EUA. Isso significa que os EUA têm de alterar o apoio cego que tem dado ao governo israelense e deve impor a Solução de Dois Estados.

O argumento, como tal, não é novo. Muitos especialistas já disseram aproximadamente a mesma coisa. (Imediatamente depois dos ataques de 11/9, escrevi também nessa direção e previ que os EUA teriam de mudar suas políticas. Daquela vez, nada aconteceu.) Mas agora, a mesma ideia aparece em documento oficial redigido pelo comandante norte-americano responsável.

O governo Netanyahu imediatamente entrou em modo de redução de danos. Os porta-vozes disseram que Petraeus tenta impor sua visão estreita; que nada entende de questões políticas; que o argumento é falho. Nem por isso conseguiram impedir que, em Jerusalém, muitos começassem a suar frio.

Todos sabemos que o lobby pró-Israel domina sem limites o sistema político nos EUA. Isso, ou quase isso. Todos os políticos e altos funcionários norte-americanos morrem de medo dele. O menor desvio do roteiro prescrito pelo AIPAC, implica suicídio político.

Mas há um ponto fraco na armadura desse Golias político. Como Aquiles no calcanhar, esse descomunal lobby pró-Israel tem um ponto vulnerável o qual, se atingido, pode neutralizar todo o seu poder.

Boa ilustração desse fenômeno é o caso Jonathan Pollard (relacionados a eventos ocorridos em 1983-1984). Esse judeu-norte-americano era empregado de uma importante agência de serviços de inteligência e espionava para Israel. Para os israelenses, era herói nacional, um judeu que cumpria seus deveres de judeu. Mas para a comunidade de inteligência dos EUA, não passava de um traidor que pôs em risco a vida de vários agentes norte-americanos. Não satisfeitos com as penalidades de rotina, os EUA induziram a corte de justiça a condená-lo à morte [1]. Desde então, todos os presidentes dos EUA têm recusado os repetidos pedidos do governo de Israel para que a sentença seja comutada. Até agora, nenhum presidente norte-americano atreveu-se a confrontar os altos setores da inteligência dos EUA, para os quais Pollard é criminoso e merece a sentença de morte.

O aspecto mais significativo desse caso faz lembrar o famoso comentário de Sherlock Holmes, sobre cachorros que não latiram certa noite. No caso Pollard, o AIPAC não latiu. Silêncio. Toda a comunidade dos judeus norte-americanos manteve-se (e assim continua até hoje, 25 anos depois!) calada. O AIPAC jamais defendeu Pollard.

Por quê? Porque a maioria dos judeus norte-americanos está sempre disposta a fazer absolutamente tudo – tudo! – pelo governo de Israel. Com uma única exceção: jamais farão coisa alguma que dê a impressão de ferir a segurança dos EUA. Basta que suba a bandeira da segurança, e todos os judeus, como todos os norte-americanos, perfilam-se e batem continência. A espada de Dâmocles da suspeita de deslealdade pende sobre as cabeças dos judeus norte-americanos. Não há pior pesadelo para eles do que serem acusados de pôr a segurança de Israel acima da segurança dos EUA. Exatamente por isso, é vitalmente importante para os judeus norte-americanos repetirem eternamente, sem descanso, o mantra que reza que os interesses de Israel são idênticos aos interesses dos EUA.

E então, agora, aparece o mais importante general do exército dos EUA e diz que não está sendo bem assim. Que, hoje, a política do atual governo de Israel está, sim, fazendo aumentar o risco de vida que os soldados norte-americanos enfrentam no Iraque e no Afeganistão.

Por enquanto, o assunto tem aparecido só marginalmente, em comentários de especialistas e não está, ainda, na grande mídia. Mas a espada já saiu da bainha – e os judeus norte-americanos já tremem, hoje, só de ouvir o rugido ainda distante desse terremoto.

Essa semana, um cunhado de Netanyahu usou a versão israelense de nossa arma do juízo final. Declarou que Obama seria “antissemita”. O jornal oficial do partido Shas garante que Obama, de fato, é muçulmano. Representam a direita radical e seus aliados; já escreveram que “Hussein Obama, negro que odeia judeus, tem de ser derrotado nas próximas eleições parlamentares e, depois, na próxima eleição presidencial.”

(Importante pesquisa feita em Israel e publicada ontem mostra que os israelenses não acreditam nessas insinuações: a vasta maioria entende que Obama dá tratamento justo a Israel. De fato, os números de aprovação de Obama são mais altos que os de Netanyahu.)

Mas se Obama decidir reagir e ativar sua arma do juízo final – a acusação de que Israel põe em risco a vida dos soldados dos EUA – as consequências serão catastróficas para Israel.

Por hora, parece ter sido disparado um tiro que os destróiers dão para ‘acordar’ a marujada e sinalizar para que outro navio faça o que foi instruído a fazer. O aviso é bem claro. Ainda que a crise atual amaine, não há dúvida de que voltará a incendiar-se outras e outras vezes, enquanto perdurar no poder, em Israel, a atual coalizão de governo.

Quando o filme Hurt Locker foi premiado no concurso Oscar-2010, todo o público norte-americano estava unido na preocupação com a vida dos seus soldados no Oriente Médio. Se esse público convencer-se de que Israel o está apunhalando pelas costas, será desastre completo para Netanyahu. E não só para ele.

Nota
[1] Para conhecer esse lado da história, ver “Why Pollard Should Never Be Released (The Traitor)”, The New Yorker Magazine, 18/1/1999, pp. 26-33, em http://www.freerepublic.com/focus/fr/576453/posts .

A defesa de Pollard está claramente exposta em http://www.jonathanpollard.org/ .

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1269137362

Tradução: Caia Fitipaldi

Uri Avnery é jornalista, membro fundador do Gush Shalom (Bloco da Paz israelense).