sexta-feira, 16 de julho de 2010

O PIG anseia por uma "Deepwater Horizon"

Pra quem não entendeu bem o título do post, a Deepwater Horizon foi a plataforma da British Petroleum que passou uns dois meses despejando, em média, 60 mil barris de petróleo no Golfo do México. E o PIG é aquele nosso velho "amigo", formado pelas grandes empresas de comunicação no Brasil (a saber: Globo, Folha de São Paulo, Veja, Estadão e suas subsidiárias e filiadas pelo país afora). Já imaginou a festa que o PIG faria se uma dessas plataformas da Petrobrás passasse pelo mesmo problema da BP? Será que a chiadeira se dá porque já prevêem que a riqueza do pré-sal não vai realmente ser administrada pelos seus protegidos?


Lula rebate “O Globo”, que quer fechar a Petrobras

Do blog do Planalto

Quinta-feira, 15 de julho de 2010 às 15:53

Segurando orgulhosamente um pequeno barril com amostra de petróleo retirado do Campo de Baleia Franca, primeiro poço do Pré-sal a entrar em produção no Brasil, o presidente Lula afirmou ser hoje um dia histórico para a Petrobras, para a tecnologia brasileira e para o País. “Esse pequeno barril simboliza a independência que o Brasil terá no futuro”, disse ele em curto discurso em Vitória (ES) após visitar a plataforma da Petrobras que fica a 85 quilômetros do litoral capixaba. O poço começará a produzir cerca de 13 mil barris de petróleo leve por dia – devendo chegar à produção de 20 mil barris por dia até o final deste ano.

Lula lembrou o dia em que diretores da Petrobras o avisaram sobre “um tal de Pré-sal”, há cinco anos, e frisou a importância da descoberta para a indústria brasileira, como a naval, a petroquímica e a de fertilizantes. O presidente voltou a falar sobre a polêmica que envolve as alterações no marco regulatório do petróleo no Brasil e os motivos que levaram o governo a propor essas mudanças, enviando projetos de lei ao Congresso. “Estamos investindo no futuro do Brasil”, afirmou. Ele lamentou que a discussão sobre a divisão dos royalties do Pré-sal tenha sido antecipada para antes das eleições, mas acredita num bom desfecho. “Chegaremos a um bom termo e o Brasil sairá ganhando com isso”, disse ele, aproveitando a ocasião para rebater as informações publicadas em um jornal brasileiro sobre países europeus que estão deixando de explorar petróleo no fundo do mar. “Tem que ver quais países europeus ainda tem petróleo no fundo do mar.”

Para Lula, certamente há quem defenda que o Brasil não explore o petróleo de sua camada pré-sal, deixando-a para outros – o que não vai acontecer, afirmou o presidente. O Brasil tem tecnologia e vai explorar o Pré-sal de maneira responsável, investindo o que for necessário para evitar desastres como o ocorrido no Golfo do México com um poço ultraprofundo da British Petroleum (BP), que explodiu e joga petróleo no mar há semanas. “Aquilo não foi um acidente, foi um desastre. A empresa quis fazer mais barato, botou menos do que devia botar”, afirmou.

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De O Globo:

O Brasil na contramão do mundo

por Danielle Nogueira e Ramona Ordoñez
15/07/2010

Depois dos Estados Unidos, ontem foi a vez de a Europa recomendar a suspensão temporária de novos projetos de exploração de petróleo e gás em águas profundas por causa do vazamento da BP no Golfo do México. O acidente, ocorrido em 20 de abril, já é o maior desastre ambiental da história da Indústria do petróleo. Na contramão, o Brasil acelera seus projetos e hoje o presidente Lula inaugura oficialmente a produção na camada pré-sal do Campo de Baleia Franca, no Sul do Espírito Santo. Ontem, o comissário de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, propôs a suspensão temporária de novos projetos de exploração no Mar do Norte, no Mar Negro e no Mediterrâneo.

Produção de petróleo no pré-sal começa. Europa e EUA reconsideram

Um dia antes de o Brasil iniciar oficialmente a produção de petróleo na camada pré-sal do Campo de Baleia Franca, a 85 quilômetros da cidade de Anchieta, no sul do Espírito Santo, o comissário de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, propôs ontem uma suspensão temporária de novos projetos de exploração de petróleo e gás em águas profundas no Mar do Norte, no Mar Negro e no Mediterrâneo. A recomendação segue a proibição determinada nos Estados Unidos, em resposta ao vazamento iniciado em 20 de abril no poço do Golfo do México, operado pela BP. A Noruega, maior produtor europeu e que não integra o bloco, também proibiu a exploração em águas profundas do Mar do Norte.

- A indústria deve testar três vezes suas práticas, programas de treinamento e tecnologias. As empresas precisarão convencer os órgãos reguladores de que fizeram as verificações necessárias e reforçaram a segurança – disse Oettinger após encontro com representantes de 22 companhias petrolíferas em Bruxelas.

A suspensão proposta pelo comissário da UE ocorreria enquanto os órgãos reguladores americanos e da UE examinam o que causou o acidente da BP. A decisão, porém, cabe a cada um dos 27 Estados do bloco.

Já o comissário de Meio Ambiente da UE, Janez Potocnik, reconheceu que uma análise das regras ambientais do bloco revelou falhas.

- Parece que temos duas opções: ou aplicamos instrumentos específicos (para a perfuração offshore) ou ampliamos o escopo de nossas ferramentas já existentes – disse.

Na contramão da suspensão de novos projetos em águas profundas, o Brasil inicia oficialmente hoje a produção no pré-sal em reservas no Espírito Santo descobertas em dezembro de 2008. Segundo a Petrobras, o poço produzirá 13 mil barris de petróleo leve por dia e a previsão é que atinja a capacidade máxima, de 20 mil barris/dia, ainda este ano. O projeto adotará tecnologias pioneiras para operar nas condições geológicas do pré-sal.

Analistas divergem sobre suspensão

As opiniões sobre a paralisação temporária da exploração em águas profundas são divergentes. Há cerca de 15 dias, problemas operacionais durante a perfuração do segundo poço no pré-sal, na Bacia de Santos, levaram a seu fechamento.

Edmar de Almeida, do Grupo de Energia do Instituto de Economia da UFRJ, reconhece que houve falhas graves da BP, mas afirma que o Brasil deve manter seu programa no pré-sal.

- Risco sempre tem. Mas uma moratória é uma resposta política à pressão popular. Além disso, a produção nas bacias brasileiras não está caindo como na Europa. Estamos apenas no início da festa. Portanto, o Brasil não tem que entrar nessa onda. O que deve ser feito é investir em tecnologia para mitigar riscos – afirma.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, garantiu que as normas de segurança adotadas no Brasil estão entre as melhores do mundo e, portanto, não vê motivos para a suspensão de futuros projetos em águas profundas no país.

- A nossa legislação de segurança operacional é considerada uma das mais modernas do mundo. Soubemos dessa notícia pela imprensa (suspensão em outros países) e por enquanto não temos a intenção de adotar medida semelhante – afirmou Lima, completando que o acidente da BP, após a conclusão das investigações, também será levado em conta para aperfeiçoamento da legislação.

O professor do Instituto de Economia da UFRJ Hélder Queiroz criticou a falta de mais informações sobre as regras de segurança por parte da ANP e do Ministério de Minas e Energia.

- A ANP precisa mostrar à sociedade o que temos, e se vai ser preciso mudar algo ou não. E se for, quais medidas serão necessárias para reforçar – disse Queiroz.

Já a procuradora federal Telma Malheiros, responsável pela criação do escritório de licenciamento das atividades de petróleo e nuclear do Ibama – atual Coordenação de Petróleo e Gás do instituto -, defende que o Brasil altere seu modelo de gestão das bacias petrolíferas, de modo a incorporar a avaliação ambiental dessas bacias.

- O Brasil não deveria autorizar novos projetos de exploração em águas profundas enquanto não tiver uma avaliação estratégica ambiental de suas bacias. Só assim teremos um mapeamento com áreas onde a atividade petrolífera não pode ser conduzida pelo elevado risco que um vazamento poderia provocar. E essa exigência deve ser imposta pelo governo.

Radicalmente contrário à exploração do pré-sal, o diretor de campanhas do Greenpeace, Sergio Leitão, frisa que o Brasil vai na contramão dos esforços mundiais para reduzir as emissões de CO2. Para ele, os bilhões que serão investidos no pré-sal deveriam ser aplicados em pesquisas para desenvolver energias alternativas.

A indignação de Lula


Lula chama de vergonhosa reportagem de O Globo sobre pré-sal
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a manchete da primeira página de O Globo desta quinta-feira (15/07). Para ele, a reportagem é uma "vergonha" e demonstra que os repórteres "não conhecem a Petrobras".
A matéria intitulada "O Brasil na contramão do mundo" afirma que o País avança na produção de petróleo em águas profundas, enquanto EUA e União Europeia suspenderam esse tipo de exploração.
"Eu não gosto de citar manchete não, mas a manchete dizer que 'a Europa está parando de tirar petróleo do fundo do mar...' Eles não têm! Isso aqui, essa manchete aqui é vergonha, o eles deveriam estar fazendo nessa manchete era criticando a incompetência dos Estados Unidos em não ter terminado ainda o vazamento de óleo que já dura mais de 60 dias. Então, significa que eles nem conhecem a Petrobras, porque se conhecessem não fariam uma manchete dessa", afirmou Lula em entrevista nesta quinta-feira, sobre o início das explorações na camada pré-sal.

Energia Eólica e o Parque Industrial Nordestino

Do Valor Econômico
Via blog do Alê

Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.
Valor Econômico - Dono dos melhores ventos do país, o Nordeste respondeu por quase 90% dos projetos eólicos contratados no leilão anterior, realizado em dezembro. Dos projetos inscritos para o próximo leilão, a região voltou a predominar, com 78% do total. Na avaliação de especialistas, a proximidade entre o parque eólico e os centros de fabricação de equipamentos são um diferencial competitivo importante.

Isso porque as torres que sustentam os geradores de energia, por exemplo, podem chegar a 115 metros de altura e 100 toneladas, o que torna bastante complexa a logística nos casos em que as fábricas ficam distantes dos parques de geração.

Diante disso, muitas empresas estão se movimentando no sentido de fincar os pés no Nordeste. Se considerada a expectativa de que 3 mil megawatts (MW) sejam contratados em agosto, a região poderá receber investimentos de até R$ 11 bilhões somente com o próximo leilão. Somando os projetos contratados no Nordeste no ano passado, o valor passa a quase R$ 20 bilhões.

Apesar de os melhores ventos soprarem no Ceará e no Rio Grande do Norte, a maioria dos investimentos têm sido direcionados para Pernambuco, onde o governo trabalha para desenvolver um parque eólico no Complexo Portuário de Suape, a 60 quilômetros do Recife.

O local abriga hoje uma fábrica de aerogeradores e outra de torres eólicas, e deve receber em breve duas novas fabricantes de pás. No caso dos aerogeradores, a argentina Impsa investiu R$ 145 milhões em uma unidade com capacidade de 300 equipamentos por ano. Já a espanhola Gonvarri aplicou quase R$ 120 milhões para a produção anual de 1 mil torres.

Atualmente, o governo pernambucano acerta os últimos detalhes para anunciar a chegada da Aelis e da Tecsis, duas fabricantes de pás que devem investir algo próximo a R$ 100 milhões cada uma. Também está prestes a desembarcar, em Pernambuco, a sul-coreana Win&P, fabricante de torres. "A chegada das indústrias de pás será sensacional para o Estado, pois completará a cadeia produtiva, que é formada basicamente por torre, pá e aerogerador", avalia Pedro Cavalcanti, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica).

Cavalcanti conta que a preferência dos fabricantes por Pernambuco é explicada pelo desenvolvimento da infraestrutura ao redor do Porto de Suape. "O Estado não tem um belíssimo potencial eólico, mas conta com boa oferta de engenharia e de serviços, além de uma excelente localização geográfica", avalia.

Ainda assim, outros Estados da região também estão recebendo investimentos. A fabricante alemã de aerogeradores Führlander já se comprometeu a investir R$ 40 milhões em uma unidade no Complexo Portuário do Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza. Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.

Na Bahia, a Alston pretende inaugurar no ano que vem uma fábrica de aerogeradores no município de Camaçari, num investimento de R$ 50 milhões. Há ainda planos bastante avançados da dinamarquesa Vestas, também fabricante de aerogeradores. A empresa ainda avalia o local da fábrica, porém o Nordeste é "franco favorito", segundo afirmou um executivo que pediu para não ser identificado.

Além da proximidade com a maioria dos parques eólicos brasileiros, explica ele, a instalação das fábricas no Nordeste também torna mais eficiente a exportação dos equipamentos para a Europa.

Além da energia eólica, o Nordeste também pretende atrair outras empresas ligadas ao segmento de energia limpa. Está em negociações avançadas a construção, em Pernambuco, de uma fábrica de painéis solares da empresa suíça Oerlikon. A região também deverá receber duas das quatro novas usinas nucleares que o governo pretende construir no país.

De acordo com fontes do governo pernambucano, a Oerlikon está em fase final de análise da demanda potencial por seus painéis. A avaliação é de que a garantia de um mercado consumidor de 50 MW a 100 MW de energia solar já torna viável a abertura da fábrica. Quanto às usinas nucleares, ainda em fase de análises pelo governo, a região do Vale do São Francisco teria sido uma das que mais agradou à Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras no segmento.

A Originalidade da Veja

Na sua cruzada contra as "hostes petistas", a Veja (cada vez menos levada a sério) é sempre original.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Análise: Hipólito e o Mingau das Seguradoras

Do blog do Nassif


Acabei de ouvir o comentário da Lúcia Hipólito na CNB. É sobre a criação de uma nova seguradora pelo governo federal. É uma lição exemplar de como pegar qualquer tema técnico, complexo, bater no liquidificador e transformar em um mingau sem substância alguma.
A lógica da seguradora é simples de entender. E, entendendo, até de criticar.

Há grandes obras de infra-estrutura em andamento. Ponto central para sua viabilização é o seguro que dê garantias para as grandes obras públicas.

Como são valores expressivos, significa riscos excessivos para as seguradoras. Na falta de um mercado segurador maduro para essas obras, nos últimos anos foram criados diversos fundos garantidores para suprir a falta de seguros. Esses fundos não podem fazer resseguros (isto é, repassar parte dos riscos) nem captar recursos para garantir o valor assegurado.

A nova seguradora englobará todos os fundos garantidores, poderá montar parcerias com o setor privado, fazer resseguros etc. Enfim, há uma justificativa racional para sua criação.
A partir desse entendimento, pode-se discutir se o setor privado teria condições de preencher esse vácuo, se haveria destinação melhor para os fundos garantidores.

Aí você liga a CBN e ouve mais ou menos o seguinte da comentarista Hipólito:
" A criação dessa seguradora demonstra a falta de apreço de Lula por sua sucessora. Se ele tivesse certeza de que a oposição venceria, teria lógica deixar essa bomba para o sucessor". Como se essa seguradora fosse uma herança maldita e não uma peça essencial para viabilizar grandes obras de infraestrutura. Reforça com a ideia de que a seguradora vai "engessar" o próximo governo. Usa o termo "engessar" sem nenhum discernimento sobre valores, natureza do gastos nem nada.

* "É uma falta de respeito com Dilma, porque mostra que ela não tem nenhuma iniciativa". Como se o papel de Estado fosse gregoriano: no dia 31 de dezembro para tudo e começa de novo. E como se obras portentosas, como grandes hidrelétricas, correndo contra o tempo, devessem se submeter ao calendário eleitoral.

* "É uma maneira de dar munição para a oposição", completa a analista. Como se ela própria não estivesse transformando uma medida tecnicamente defensável em munição política, com essa risível preocupação com os eventuais danos que o anúncio poderá provocar na candidatura oficial.

Fátima Oliveira: A lei “acariciou a onipotência” do goleiro Bruno

No Jornal O Tempo
Via blog do Azenha


A hipótese da polícia mineira é que o cadáver de Elisa Samudio saciou cães rottweiler, modo macabro de deletar um corpo; e a abominável ação é de um bando cruel (mandante, intermediários e matador). E de estreito repertório intelectual, se não incinerou os ossos. Há exuberantes indícios de que tais brutamontes são sociopatas (psicopatas). Todavia, é antiético que psicólogos, psiquiatras e psicanalistas se encarapitem na mídia, como papagaios de piratas, chutando que fulano, sicrano ou beltrano é isso ou aquilo outro.

Nem todo homicida é sociopata. Nem todo sociopata mata, mas pode virar assassino se a lei não comparece para punir outros delitos, pois portam personalidades a quem só a lei dá limites: são devotos da transgressão e do banditismo e precisam da liberdade para o culto à marginalidade. O sociopata não é doente mental nem desprovido de razão — característica dos ditos “malucos”, “loucos de pedra”, “doidos varridos” ou que “rasgam dinheiro” –; logo, responde por seus crimes.

Se Eliza Samudio está morta, o Estado brasileiro deve ser responsabilizado, pois se omitiu quando instado por ela a proteger a sua vida! O inquérito em que acusa o alegado pai do seu filho de torturá-la de arma em punho só foi concluído quando “Inês já era morta”, em 6.7.2010, nove meses após a queixa! A lei, quando chamada, não compareceu para dar limites ao agressor. Ao contrário, acariciou sua onipotência.
Como uma juíza crê que, para não banalizar a Lei Maria da Penha, não deve aplicá-la quando o agressor não coabita com a violentada? O argumento dá um cordel de sentença de morte: “a ex-amante não poderia se beneficiar através de medidas protetivas, nem ‘tentar punir o agressor’, sob pena de banalizar a Lei Maria da Penha, cuja finalidade é proteger a família, seja proveniente de uma união estável ou de um casamento e não na relação puramente de caráter eventual e sexual”.

Quando uma mulher alega estar grávida de um homem, sem teste de paternidade, é moralmente insustentável dizer que não há vínculo entre eles, pois a ciência já descobriu, e faz tempo, que filho não é só da mãe! A palavra da mulher, até a “comprovação científica” da paternidade, tem de valer para fins de proteção de sua vida! No mesmo Rio de Janeiro, foram concedidas medidas protetivas da Lei Maria da Penha a uma atriz contra seu namorado, um ator, que até dormiu no xilindró por desrespeitar a sentença judicial! Por que uma mereceu crédito e a outra não? Meritíssima, data venia, o que banaliza uma lei é a não-aplicação dela, gerando o fenômeno da “lei que não pegou”. Está explícito que, embora a Lei Maria da Penha seja o que de melhor nós, as mulheres em luta, conquistamos, contém “furos”, por onde trafega o abuso de poder interpretativo.

Urge que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) encontre meios de blindar a Lei Maria da Penha, ao máximo, contra interpretações ao bel-prazer do juízo de valor conservador e machista de magistrados(as) e incluir elementos novos, científicos e consensuais, pertinentes às personalidades criminosas ou bandidas, já que “os transtornos de personalidade são intratáveis, incuráveis e irreversíveis”, mas há prevenção: “Investir em educação, em atendimento à primeira infância, na aplicação das leis e em contenção” (dr. João Augusto Figueiró, revista “Época”, 4.7.2005). A Lei Maria da Penha e a magistratura não podem se omitir diante de agressores. É estímulo homicida não punir delitos de quem exibe padrão sociopata!