sábado, 13 de fevereiro de 2010

É CARNAVAL: A Criação do Frevo (Documentario Globonews)

Parte 1



Parte 2



Parte 3



Parte 4



Parte 5

Lula e Piñera analisam proposta conjunta de apoio ao Haiti

Renata Giraldi

Agência Brasil

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, deverão propor que os países próximos ao Haiti colaborem para instalar uma sede civil do poder em Porto Príncipe (capital haitiana) em apoio ao governo local. A proposta deverá ser apresentada por Lula e Piñera durante reunião com os chefes de Estado em Cancún, no México, nos próximos dias 22 e 23 – quando ocorre a série de encontros do Grupo do Rio.

A ideia surgiu ontem (12) durante conversa entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e Piñera, em Santiago (capital do Chile). A proposta de criar um centro de proteção civil como apoio para a sede de governo do presidente do Haiti, René Préval, é uma tentativa de colaborar na recomposição das instituições públicas haitianas - 13 prédios de ministérios foram destruídos em decorrência do terremoto do último dia 12.

Mesmo sem ter tomado posse, Piñera participará das reuniões do Grupo do Rio. O convite foi feito pela atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, em uma indicação de que a transição política no país será sem traumas. A eleição de Piñera, de centro-direita, pôs fim a duas décadas da esquerda no poder.

A parceria entre Lula e Piñera, para colaborar com o governo Préval, será uma demonstração para a comunidade internacional de que as divergências ideológicas não podem se sobrepor às ações conjuntas, afirmam os diplomatas que acompanham as negociações. Lula enviou Amorim a Santiago para informar que o Brasil quer ampliar as relações comerciais e políticas com o Chile.

Na conversa com Amorim, Piñera elogiou os programas esportivos desenvolvidos no Brasil. Segundo o chileno, ele quer contar com acordos bilaterais nessa área para estimular o esporte e hábitos saudáveis em seu país.
O terremoto no Haiti ocorreu há um mês, completado ontem (12). O Senado brasileiro aprovou o envio imediato de mais 900 militares, dos quais 750 pertencem ao Batalhão de Infantaria e 150 ao da Polícia do Exército. Esses homens, no entanto, ainda não chegaram ao Haiti. O Brasil vai dispor ainda de uma reserva de 400 homens que serão enviados em situação de revezamento. Atualmente há 1.266 militares brasileiros atuando no país.

Pelos dados oficiais do governo do Haiti, aproximadamente 230 mil pessoas morreram em consequência do terremoto. Os números, segundo especialistas, são semelhantes aos registrados no tsunâmi que atingiu a região do Oceano Índico em 2004 , quando houve 250 mil mortos.

No Haiti, as dificuldades podem se agravar com a chegada do período de chuva. A União Europeia sugeriu o envio de uma missão militar para estabelecer abrigos temporários para as pessoas que perderam suas casas.

Nova Direita cresce nos EUA

El Pais
Do Portal UOL

Antonio Caño

Em Washington o movimento conservador em ascensão rompeu os moldes do republicanismo e lembra o caráter racista e fanático do fascismo

Se alguém acredita que a dupla Bush-Cheney é a versão mais extrema do conservadorismo americano, é possível que logo comprove que está errado. O movimento conservador em desenvolvimento nos últimos meses nos EUA, alimentado pelo rancor de uma classe média empobrecida e pela ambição de uma nova classe política pós-partidária, rompeu os moldes do republicanismo tradicional e lembra o caráter racista, nacionalista e fanático do fascismo. Por enquanto só lhe falta o ingrediente da violência.

O último sinal de alarme foi a recente reunião do movimento Tea Party em Nashville (Tennessee), e o discurso de seu líder mais visível, Sarah Palin, que levou o populismo ao grau de elogiar a ignorância como mostra de autenticidade e de destacar como maior qualidade política de Scott Brown, o recém-eleito senador por Massachusetts, o fato de ser "simplesmente um homem com uma camionete".

Palin é aclamada por seus seguidores pela simplicidade de seu expediente acadêmico, uma simples graduação em jornalismo pela modesta Universidade de Wyoming, contra os títulos da Ivy League que Barack Obama acumula em Columbia e Harvard. O próprio Brown ganhou adeptos pela virilidade abertamente exibida na revista "Cosmopolitan", contra o refinamento pudico dos políticos tradicionais.
A nação dos Tea Party se mostra, com efeito, convencida de ter implementado uma revolução contra a oligarquia de Washington semelhante à que no século 18 expulsou os colonialistas britânicos. De repente, os republicanos com mais "pedigree" estão em perigo diante dessa onda. O governador da Flórida, Charlie Crist, um moderado que no ano passado gozava de 70% de popularidade, hoje se vê superado nas pesquisas por um jovem desconhecido ultrarreligioso chamado Marco Rubio. Até John McCain, o indiscutível vice-rei do Arizona, hoje está seriamente ameaçado por J. D. Hayworth, um charlatão de uma rádio local que, na definição do "New York Times", "todo dia ataca, e nem sempre nesta ordem, a imigração ilegal, a perda de patriotismo no país e tudo o que Obama faz".

Todas as manhãs surge entre as fileiras do Tea Party algum desconhecido que em meia hora da demagogia mais radical ganha 10 pontos nas pesquisas. "O movimento está amadurecendo", afirma Judson Phillips, um dos fundadores desse fenômeno. "As manifestações estavam bem para o ano passado, mas este ano é preciso mudar as coisas, este ano temos de ganhar."

Ganhar o quê? Para conduzir o país aonde? Alguns conservadores moderados e cultos, como Peggy Noonan ou David Brooks, afirmam que não há nada a temer, que esses grupos são enraizados nas tradições libertárias dos EUA e que sua contribuição servirá para dinamizar a vida política do país.

É possível. Certamente, a hostilidade que este movimento manifesta em relação a Obama não se afasta muito da que a esquerda exibiu contra Bush - devem-se lembrar as menções a seu vício em álcool ou sua suposta indigência intelectual - e cabe perfeitamente, portanto, no jogo da democracia.

Mas de um ponto de vista europeu, no que está acontecendo hoje nos EUA, se observa algo mais que isso. Um dos oradores em Nashville afirmou com convicção que "o nascimento de Cristo está melhor documentado que o de Obama". "É africano", gritou uma mulher da platéia. Por trás dessa campanha que nega ao presidente sua cidadania norte-americana, parece esconder-se tanto um sentimento ultranacionalista quanto uma rejeição a sua raça.

Ninguém fala nos EUA sobre esse último fator. Para os que apoiam Obama, pode parecer vantagismo recorrer ao grito de racismo cada vez que se critica o presidente. Seus inimigos, é claro, não admitem esse pecado, por mais que na reunião de Nashville se escutasse só uma voz negra, obviamente exibida para ocultar o caráter puramente branco do movimento. Esse novo conservadorismo reúne muito da frustração do homem branco acumulada desde a liberação feminina, os direitos civis, de todas as leis para a igualdade que foram reduzindo o poder do setor social eternamente dominante. Esse homem branco que tampouco se viu favorecido pelos bons contatos, as amizades úteis, o dinheiro fácil, e que foi engrossando nas últimas décadas uma classe média que foi o orgulho da nação nos anos 1950, mas que foi impiedosamente maltratada pela última revolução tecnológica e a recente crise econômica.

Essa classe média branca ferida dispara contra o que está mais perto: os imigrantes, as minorias raciais, os dirigentes políticos. Tenta reduzir a concorrência, que considera injusta, e pretende que os EUA sejam só para os verdadeiros americanos. Busca a salvação em novas doutrinas, e atende à voz maternal de Palin e aos alaridos patrióticos dos locutores de rádio. Glenn Beck ou Rush Limbaugh se transformam assim nos Walter Conkrite dos novos tempos.

Os conservadores americanos não creem que haja qualquer perigo. Confiam cegamente na força integradora dessa democracia e em sua capacidade indestrutível de conter qualquer ameaça. Mas, de uma óptica europeia, essa combinação de demagogia, racismo, nacionalismo e xenofobia, assumida por uma classe média ferida e agitada, é uma receita muito conhecida e ainda temida. É verdade que o novo movimento conservador americano se orgulha sua defesa da liberdade e ainda não parece compatível com um governo que não garantisse o respeito ao indivíduo. Mas o aroma de Nashville semeia dúvidas, traz más sensações, assusta.

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Vancouver 2010: Atleta da Georgia morre em Treino de Luge

Do Portal R7

O atleta georgiano Nodar Kumaritashvili, de 21 anos, que competia no luge, morreu nesta sexta-feira (12) ao sofrer um grave acidente durante o último treino antes do início dos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, no Canadá.

Ele descia a rampa a 144,3 km/h, segundo a cronometragem oficial, quando perdeu o controle do trenó e foi atirado para fora da rampa. Segundo informações do jornal Globe and Mail, Kumaritashvili atingiu uma das barras de metal que faz a sustentação da pista.



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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mauro Santayana no JB: A Intervencao e o Fim de um Desatino

Do Jornal do Brasil
Por Mauro Santayana


A intervenção federal no governo do Distrito Federal, solicitada ontem pelo procurador geral da República ao STF, poderá significar o início do necessário processo de reversão constitucional da autonomia do território. Como já está provado pela experiência, tratou-se de uma aberração a autonomia política da sede da República, concedida pelos constituintes de 1988, animados de uma liberalidade ingênua. Relembremos os argumentos irretorquíveis contra a desastrosa independência do Distrito Federal.

A cidade, com seus apêndices urbanos, não é unidade clássica da Federação: os donos da cidade não são os cidadãos que nela vivem. Os donos da cidade são todos os cidadãos brasileiros, neles incluídos, é claro, os brasilienses. A cidade, como entidade política, não se pertence. Ela se integra no todo, representado pela União, por ser a sede dos três poderes do Estado nacional.

O episódio de ontem revelou desatino lógico assustador, o de a lei orgânica do Distrito Federal ser entendida, pelos que a aprovaram, como documento de valor constitucional. Uma lei orgânica municipal – e é disso que se trata – cuida das posturas da cidade, de seu código de obras, de sua rede viária e dos serviços municipais de educação e de saúde. A lei orgânica dos “deputados distritais” (como são identificados, no Distrito Federal, os vereadores), afirma-lhes a prerrogativa de conceder ou não licença ao Poder Judiciário para que promova ação penal contra o governador, por eventuais delitos. Daí a sábia indiferença do ministro Fernando Gonçalves diante do dispositivo, cuja aplicação era objeto de exame bizantino da Câmara Distrital. Só pode ser constitucional o que se inscreve em uma constituição, e lei orgânica não é constituição.

Não se trata de julgar, a priori, o comportamento do governador e dos demais implicados nos fatos arrolados na denúncia da procuradora da República. Isso caberá aos juízes, diante dos argumentos e das provas oferecidas pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela defesa dos acusados. O problema é mais profundo, é o do absoluto non sense dessa autonomia. Retomemos a crônica histórica. Com a independência, o Rio de Janeiro, que era a sede do governo do Vice-Reinado e, em seguida, do Reino Unido durante a presença da família real, passou a ser a sede do novo Império. A Câmara do Império promoveu, durante a Regência, o Ato Adicional de 1834, com o qual o Poder Legislativo do Império criou as assembleias provinciais e, sob o exemplo de Washington e do distrito de Columbia, transformou o Rio de Janeiro em município neutro – isto é, separado de todas as províncias. No Rio, por esse ato, mesmo depois de mitigado por Araújo Lima, não havia Poder Legislativo local, como nas províncias, mais tarde transformadas em estados.

Com a República, o município neutro se tornou Distrito Federal, isto é, território subordinado ao governo central, ou seja, a toda a Federação. Não tendo integrado uma província, como entidade de direito, nem integrando um estado, a cidade de Brasília dispõe de estatuto todo especial: pertence ao conjunto da República, mas não é membro da Federação exatamente como os outros. A boa lógica, como ocorre nas federações mais antigas, deveria considerar apenas os estados como unidades federativas, integradas, isso sim, de seus municípios históricos. A rigor, os estados deveriam ser federações de cidades, e a União, a confederação dos estados.

A natural sedução do poder levou intelectuais e altos servidores públicos residentes em Brasília a postular a autonomia plena da cidade. O Compromisso com a Nação, da Aliança Democrática, defendeu a “representação política de Brasília”, isto é, a eleição de três senadores e de deputados federais, conforme o quociente eleitoral da cidade. Era o que ocorria com o antigo Distrito Federal, o que seria respeitar o direito popular dos moradores de Brasília a votarem em seus delegados ao Congresso Nacional. É provável que o choque provocado pelos episódios atuais conduza o Congresso à reflexão, e uma emenda constitucional restitua o Distrito Federal ao povo brasileiro. Basta a vontade política do Parlamento.

Agencia Brasil: Lula pede que PF trate Arruda com cuidado e respeito

Palácio do Planalto evitou falar sobre a possibilidade de intervenção no governo do Distrito Federal

da Agência Brasil

Logo após a decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar a prisão preventiva do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), o diretor da Polícia Federal ligou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informando que já havia feito uma acordo para que o governador se entregasse. Na mesma ligação Lula reforçou a recomendação de tratar o assunto com muito cuidado e respeito.

De acordo com uma fonte do Palácio do Planalto, não houve nenhuma ligação de integrantes do governo Arruda para membros da Presidência da República. Diante da decisão de prisão do governador, o Planalto preferiu tratar o assunto com sobriedade. O presidente demonstrou a preocupação do Planalto em adotar uma postura de deixar a apuração dos fatos para a Justiça. De acordo com a fonte, Lula disse que ninguém está feliz com o que está acontecendo e que não convém tripudiar em cima da desgraça alheia.

O Palácio do Planalto evitou falar sobre a possibilidade de intervenção no governo do Distrito Federal. Hoje, o presidente manteve a agenda com os ministros e não chegou a discutir sobre a possibilidade de ter que indicar um interventor para o DF, caso o pedido de intervenção federal apresentado pelo procurador-geral da República, Luiz Fernando de Souza, seja aceito pelo Supremo Tribunal Federal.

Ele não discutiu esse assunto até porque o governador do estado ainda é Arruda, disse um interlocutor próximo ao presidente Lula. Ele disse ainda que Lula lamentou que o escândalo no Distrito Federal tenha ocorrido justamente quando Brasília completa 50 anos.

STF nega habeas corpus e Arruda continua preso

Governador afastado do DF vai continuar preso na Polícia Federal em Brasília


Do R7, com TV Record.

O STF (Supremo Tribunal Federal) negou nesta sexta-feira (12) o habeas corpus ao governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (em-DEM, sem partido). A informação foi confirmada por fontes do STF à TV Record. Com a decisão, Arruda vai continuar preso na sala que ocupa na superintendência da Polícia Federal do DF.

A decisão do Ministro Marco Aurélio Mello teve como base um pedido feito pelo advogado Nélio Machado, que defende Arruda. Mello resolveu por negar o pedido na manhã de hoje.

A prisão de Arruda foi decretada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) nesta quinta-feira (11). A decisão de prender Arruda foi tomada pelo relator do inquérito do mensalão do DEM no STJ, ministro Fernando Gonçalves, e referendada pela Corte Especial por maioria simples, com doze votos a favor e dois contra. Além da prisão, a decisão da Justiça também afasta Arruda do cargo de governador. De acordo com Machado, a decisão foi “injusta”.

Além de Arruda, os ministros do STJ também decretaram a prisão de Geraldo Naves (DEM), ex-deputado distrital, de Wellington Moraes, ex-secretário de Comunicação do DF, de Haroaldo de Carvalho, ex- diretor da CEB (Companhia Elétrica de Brasília), de Rodrigo Arantes, sobrinho e assessor direto do governador e de Antônio Bento da Silva, servidor aposentado do governo do DF.

Antônio Bento da Silva já estava preso desde o dia 4, quando foi flagrado entregando dinheiro ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. Rodrigo Arantes se entregou nesta madrugada e os outros três indiciados já comunicaram à Polícia Federal que se entregarão a qualquer momento nesta sexta-feira.

Na decisao, o Ministro arrematou:

Eis os tempos novos vivenciados nesta sofrida República. As instituições funcionam atuando a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário. Se, de um lado, o período revela abandono a princípios, perda de parâmetros, inversão de valores, o dito pelo não dito, o certo pelo errado e vice-versa, de outro, nota-se que certas práticas – repudiadas, a mais não poder, pelos contribuintes, pela sociedade – não são mais escamoteadas, elas vêm à balha para ensejar a correção de rumos, expungida a impunidade. Então, o momento é alvissareiro.

Indefiro a liminar. Outrora houve dias natalinos. Hoje avizinha-se a festa pagã do carnaval. Que não se repita a autofagia.

Clique aqui para ler a integra da decisao do Min. Marco Aurelio

EUA testam com sucesso arma aérea a laser




WASHINGTON (Reuters) - Uma arma aérea a laser abateu um míssil balístico no primeiro teste bem sucedido de um futurístico dispositivo de energia dirigida, disse a Agência de Defesa de Mísseis dos EUA na sexta-feira.


Em nota, a agência informou que o teste aconteceu às 20h44 de quinta-feira (2h44 de sexta-feira em Brasília) num campo de provas militares marítimas, na costa de Ventura, na Califórnia central.

"A Agência de Defesa de Mísseis demonstrou o uso potencial da energia dirigida para a defesa contras mísseis balísticos, quando a Plataforma de Testes Aerotransportada a Laser destruiu com sucesso um míssil balístico em ascensão", disse a nota.

O sistema a laser está sendo desenvolvido por empresas privadas (principalmente a Boeing) e pela própria Agência de Defesa de Mísseis. O equipamento fica em um Boeing 747 "Jumbo" adaptado, enquanto a Northrop Grumman fornece o laser de alta energia e a Lockheed Martin desenvolve os sistemas de feixe e disparo.
"Esta foi a primeira interceptação letal com energia dirigida e de uma plataforma aérea contra um alvo de míssil balístico de combustível líquido em ascensão", disse a agência.

A arma a laser já havia sido testada com sucesso em seu primeiro teste, em agosto, quando um Boeing 747-400F modificado decolou da Base Aérea Edwards e usou seus sensores de infravermelho para localizar um míssil lançado da ilha San Nicolas, também na Califórnia. Os sistemas da aeronave orientaram o laser a atingir o alvo, e depois confirmaram o acerto.

A arma a laser visa a deter mísseis inimigos, permitindo que os militares dos EUA interceptem projéteis de todos os tipos usando a velocidade da luz, enquanto estiverem em ascensão.
"O uso revolucionário da energia dirigida é muito atraente para a defesa de mísseis, com o potencial de atacar vários alvos à velocidade da luz, a um alcance de centenas de quilômetros, e a um custo baixo por tentativa de interceptação em comparação às atuais tecnologias", disse a Agência de Defesa de Mísseis dos EUA.
(Reportagem de Jim Wolf e David Alexander)

Carta Maior: A Classe "C" vai ao Paraiso

Os resultados estão aí, brotando do fundo da sociedade brasileira: entre 2003 e 2005, 27 milhões de pessoas mudaram de patamar social no Brasil, ascendendo para uma condição social superior, mais digna e mais humana. Também a desigualdade regional foi atacada e recuou nos últimos cinco anos. O Nordeste cresceu a um ritmo “chinês” atingindo 7.7% ao ano. Mesmo sofrendo os efeitos da crise, o país foi capaz de oferecer oportunidades e esperança de vida melhor para 91 milhões de brasileiros. O artigo é de Francisco Carlos Teixeira.

Francisco Carlos Teixeira

“Vejam essa maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este Carnaval”
(Aquarela Brasileira, Silas de Oliveira, Império Serrano, 1964).

A Fundação Getúlio Vargas (Rio), através do seu Centro de Políticas Sociais, publicou uma recente pesquisa na qual vemos a chamada classe “C” – aquelas pessoas cujos lares recebem entre R$ 1.115 e R$ 4.807 por mês – tornarem-se 49.22% do total da população brasileira. Houve, na verdade, um salto fantástico: em 2003 eram 37.56% da população, passando em 2008, para 49.22% do total de brasileiros. Podemos acreditar que não fosse a crise econômica mundial de 2008/09 este coeficiente seria bem mais alto.

A luta contra as desigualdades
Qual o verdadeiro significado destes números? Simples e direto: a desigualdade social foi, em cinco anos, reduzida drasticamente. Mesmo com um crescimento baixo, mesmo sofrendo os efeitos da crise (nem ”marolinha”, nem tsumani!) o país foi capaz de oferecer oportunidades e esperança de vida melhor para 91 milhões de brasileiros. Para tornar mais claro o impacto podemos citar um jornal que não pode ser, de forma alguma, considerado “chapa-branca”, O GLOBO: “... essa migração em massas alterou o rumo da divisão historicamente desigual do bolo no Brasil...”.

Desde os anos '30, do século XX, quando a Questão Social deixou de ser caso de polícia e virou desafio do Estado, a discussão sobre os métodos de sanar as justiças sociais tem sido o centro do debate político no país. Durante os anos '30, de 1930 até 1945, Getúlio Vargas acreditou que o autoritarismo político, a repressão, e um jogo dual entre patrões e trabalhadores seriam o suficiente para alterar a injusta divisão social do país. Foram dados, então, passos enormes, se comparamos com o imobilismo e a repressão vigente na República Velha (1889-1930). Justiça do Trabalho, sindicalismo oficial, CLT forma passos de refundação da Questão Social no Brasil. Porém, o autoritarismo político, a perseguição da esquerda não varguista e o atrelamento ao Estado constituíam o lado quase oculto da “dádiva” varguista.

Após a estagnação de Dutra – de quem Pablo Neruda disse ter “ojos de cerdo” – voltou-se, ainda com Vargas, agora entre 1951-1954, para um modelo mais descomprimido de distribuição social. Ainda aí o Estado foi o agente básico da justiça social, estabelecendo o salário mínimo como referência de justiça (o então ministro do trabalho, Joao Goulart, dará um aumento de 100% do mínimo, despertando a ira da classe patronal. No Primeiro de Maio daquele fatídico ano de 1954 o salário mínimo era descongelado, para horror das associações patronais. Abriu-se aí a crise cujo desfecho será um tiro solitário num dos salões do Palácio do Catete, em agosto de 1954.

1954 contra 1964
Com um tiro no peito, Getulio adiou em 10 anos o golpe da UDN: os políticos de direita do país, cansados de perder as eleições e a escolha popular, e com calos nos dedos de tanto bater à porta dos quartéis (expressão do amigo, Marco Aurélio Garcia!) foram enfim atendidos. Deu-se, então, o Estado Novo da UDN. Uma “santa aliança”, quer dizer bendita pela Igreja organizada nas “Marchas da Família com Deus pela Liberdade ( ou seria pela Propriedade?)”, entre empresários, mídia, classe média (assustada, com a maré montante de um jovem proletariado urbano).

Desde 1964, todos se reuniram em torno da ditadura civil-militar (não podemos esquecer a participação, o apoio civil – os governadores eleitos do Rio, São Paulo e Minas Gerais eram as lideranças do Golpe - e das entidades ditas “de classe”, quer dizer patronais) ao regime que durou de 1964 até 1985.

Mesmo aí, as classes patronais ficaram insatisfeitas com os rumos da Questão Social: os sindicatos dos trabalhadores estavam amordaçados, suas direções presas, exiladas ou ainda pior... Arrocho salarial, reforma regressiva da CLT, fim da liberdade de expressão, etc... eram as marcas do novo regime. Mas, após o surto liberal – Roberto Campos, ex-embaixador nos EUA, assumiu o ministério do Planejamento e em nome do combate à inflação reduziu drasticamente os direitos dos trabalhadores! – os próprios militares foram tomados de uma febre nacionalista e desenvolvimentista.

Malgrado a repressão, brutal entre 1969 e 1978, anos de chumbo, anos de terror (onde mais uma vez os civis tiveram um papel central, como na Operação Oban), vários setores da ação do Estado foram fortalecidos e alguns programas sociais foram montados, tais como o Estatuto da Terra (1964 ) e o Funrural (1967). Trata-se, é claro, de medidas preventivas, visando esvaziar o movimento social, e não a fim de atendê-lo. Contudo, mesmo isso, migalhas da mesa do “Milagre Brasileiro”, era demais para as “classes patronais”.

Democratização e Imobilismo
Pegando carona, de forma imoral, posto que só elas lucrassem com a ditadura, estes mesmos setores embarcaram na luta pela democratização. Inscreveram, aí, ao lado das exigências básicas da população, uma enorme lista de ações que deveriam reduzir o Estado, transformá-lo em Estado Mínimo. Acusavam os militares de “estatismo”. Eram dados os exemplos de Thatcher ou Reagan, os teóricos da chamada Escola de Chicago, the chicago's boys, para “consertar” o país. Um país que nunca dera escola às suas crianças, onde a fome batia à porta de milhões (salve, salve, Betinho!), onde faltava água limpa e esgoto corrente, deveria ter seu Estado reduzido ao mínimo.

As exigências (neo)liberais, em tal contexto, assemelham-se, nos países pobres, ao genocídio puro e simples. O Consenso de Washington seria, em verdade, economizar em escolas, em merenda escolar, em estradas, em hospitais para, em fim, pagarmos a dívida sem risco para os fundos de pensões norte-americanos e europeus. Nossa elite aplaudiu. Aplaudiu a maior transferência de renda regressiva da história, canalizando o fruto do trabalho dos povos do hemisfério sul para as economias centrais do capitalismo.

Contudo o projeto de modernização autoritária e regressiva faliu. Deu-se a crise do petróleo. A crise da dívida externa. A crise dos preços das commodities – da re-inteiração da condição colonial. O movimento social, autônomo desde as greves do ABC, em 1980, fortemente ancorado numa opinião pública exigente e crítica baniu, em um final melancólico, o regime autoritário.

Esperanças e Frustrações
A redemocratização trouxe grandes esperanças. Principalmente a idéia generosa que os direitos cívicos não mais se resumiam em votar e ser votado, em poder exprimir sua crítica presa na garganta, em gritar o grito daqueles desde sempre sem voz. A redemocratização do Brasil, no início dos anos '80 do século XX – bem como de toda a América do Sul – exigia os direitos cívicos básicos e muito mais. Cidadania era, então, um conceito expandido, alargado para abranger educação, saúde, moradia, transporte e, mais além, igualdade social, racial, de gênero e de opção sexual.

Contudo, desde a reunião da Assembléia Nacional Constituinte, a direita tradicional e a nova direita liberal uniram-se, no chamado “Centrão”, para paralisar as reformas necessárias. E aí vivemos anos seguidos de incompetência – governos Sarney, Collor e Itamar – somados aos anos de reformas regressivas, na Era FHC. Esta se inicia, no próprio discurso de posse do Presidente FHC, prometendo encerrar a “Era Vargas”. Ora, o que seria a “Era Vargas”? Tratava-se, em verdade, de impor o Estado Mínimo, aceitar a captura do Estado pelos interesses privados, acobertados pela instituição de agências reguladoras, a ameaça de um Banco Central dito “independente” (mas, constituído de personagens saídos e chegados da grande banca) e a total ausência de qualquer política pública de desenvolvimento, emprego ou trabalho. O fundamentalismo monetário, o medo pânico de destruir uma arquitetura de controle da inflação tão frágil que qualquer solavanco de crescimento do PIB poderia derrubar o Plano Real. Era como o médico que para extinguir a febre mata o paciente. Acreditava-se que o país, para controlar a inflação, não poderia crescer. Inflação ou crescimento: este era o falso dilema do liberalismo.

Rompendo com o passado
A vitória do Partido dos Trabalhadores veio exatamente romper, como no caso do nó górdio, o dilema. A questão é: como crescer, como erradicar a desigualdade social, sem inflação? O papel do Estado como condutor do processo, a criação de políticas corretivas das desigualdades sociais e regionais, bem como olhar o povo como cidadão, e não como mão de obra fácil e disponível, eis a resposta proposta desde 2003. Tudo isso recusando o autoritarismo e o paternalismo. Não se tratava de “encerrar a Era Vargas”. Tratava-se de ir mais além!

Os resultados estão aí, brotando do fundo da sociedade brasileira: entre 2003 e 2005, 27 milhões de pessoas mudaram de patamar social no Brasil, ascendendo para uma condição social superior, mais digna e mais humana. São novos consumidores, que exigem seus direitos sociais expandidos: “... os anos 2000 permitiram ao [novo] consumidor não só comprar, mas escolher o produto com que mais se idêntica” (O GLOBO, 7/02/2010). Também a desigualdade regional foi atacada e recuou nos últimos cinco anos: segundo Marcelo Néri, o Nordeste – aquele mesmo Nordeste de personagens como Baleia, de Graciliano Ramos ou do “lobisomem amarelo” (o homem atingido pelas doenças) de José Lins do Rego – cresceu a um ritmo “chinês” atingindo 7.7% ao ano.

Em suma: vivemos num país melhor, mais justo e menos desigual.

Francisco Carlos Teixeira Da Silva, professor da UFRJ, é autor, com Maria Yedda Linhares, de “Terra Prometida: uma história da questão agrária no Brasil”.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Governador Arruda se entrega à Polícia Federal

Do Portal R7

Maioria dos ministros do STJ decretou a prisão e afastamento do governador do DF.

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido) se entregou à Polícia Federal nesta quinta-feira (11). A informação foi confirmada nesta quinta-feira à reportagem do R7 pela assessoria de imprensa do órgão. A PF não soube dizer se as outras cinco pessoas que tiveram a prisão decretada estão na sede do órgão.


O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decretou a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). A decisão foi tomada pelo relator do inquérito do mensalão do DEM no STJ, ministro Fernando Gonçalves, e referendada pela Corte Especial por maioria simples, com doze votos a favor e dois contra. Além da prisão, a decisão da Justiça também afasta Arruda do cargo de governador.

Dois secretários do governo do Distrito Federal foram à superintendência da Polícia Federal após Arruda se entregar. São eles: o secretário de Transportes, Alberto Fraga, e o secretário de segurança, Walmir Lemos.

A decisão foi tomada com base em pedido feito pela subprocuradora Geral da República Raquel Dodge, que pediu a prisão preventiva de Arruda e mais cinco pessoas por tentativa de coação de testemunha no caso do mensalão do DEM, que investiga um suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Durante a sessão desta tarde que decidiu pela prisão, o ministro Nilson Naves ainda argumentou que seria inconstitucional afastar Arruda, pois a decisão caberia à Câmara Legislativa do DF. Um pedido de impeachment do governador está sob análise dos deputados distritais.

Além de Arruda, os ministros também decretaram a prisão de Geraldo Naves (DEM), do ex-deputado distrital, Wellington Moraes, do ex-secretário de Comunicação do DF, do diretor da CEB (Companhia Elétrica de Brasília), Haroaldo de Carvalho, de Rodrigo Arantes, sobrinho e assessor direto do governador e de Antônio Bento da Silva, servidor aposentado do governo do DF, que já está preso.

Eles são suspeitos de participar da tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. A tentativa foi flagrada em vídeo pela PF e, em depoimento, Bento disse que agiu em nome de Arruda. O servidor aposentado foi flagrado ao tentar entregar R$ 200 mil a Sombra.
De acordo com Gonçalves, a prisão preventiva será para garantir a ordem pública e a investigação do suposto esquema de corrupção no governo do DF.

Veja o vídeo em que um suposto emissário de Arruda tenta subornar Sombra:


No G1, a possibilidade do Habeas Corpus:



Do Blog do Nassif

O Degastado Padrao Kamel de Cobertura

Por Yuri
O William Boner e a Fátima Bernardes acabaram de noticiar que o presidente Lula ficou “abatido” com a prisão do gov. Arruda. A notícia foi em tom como se o governador fosse correligionário do presidente. Nem nos próprios DEMos (sic) colaram o Arruda como colaram no presidente Lula. Usaram aquela velha tática: Segundo assessores próximos ao presidente… Sem dar nomes, é claro.

Paris rejeita apelo do Brasil ao diálogo com Irã

E interessante observar os movimentos em torno deste assunto. Fontes, com a AIEA, confirmam que o enriquecimento do uranio no Ira e modesto. O Brasil defende o dialogo e um grupo de paises do primeiro mundo exigem um maior controle sobre o programa nuclear iraniano, pregando o endurecimento das relacoes com aquele pais. A questao e: ate que ponto esta politica independente do Brasil trara dividendos, principalmente para quem esta buscando um assento permanente no Conselho de Seguranca da ONU? Ainda que seja legitimo para um pais soberano dominar o cilco do uranio para fins pacificos, em termos de politica internacional, seria legitimo ao Ira, sabendo do esforco do Pres. Ahmadinejah em permanecer como um elemento de conflito numa regiao especialmente sensivel do planeta?

da Folha de S. Paulo, em Genebra
Luciana Coelho
A França minimizou ontem a posição brasileira sobre o programa nuclear do  Irã disse que continuará a "trabalhar com seus parceiros" para fortalecer as medidas que visam dissuadir Teerã da ideia de enriquecer urânio por conta própria.

Não ficou claro se o Brasil estaria ou não entre eles, já que os dois países estreitaram a aliança nos últimos meses e se dizem parceiros estratégicos.

Indagado durante entrevista coletiva transmitida pela internet sobre o que Paris pensava da posição do chanceler Celso Amorim e o que faria para persuadir o parceiro a aceitar punir Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Bernard Valero, evitou mencionar diretamente o país.

Mas refutou a ideia de Amorim de que deve haver mais tempo para o diálogo, sem sanções. Nos últimos dias, a Rússia, que compartilhava da mesma posição do Brasil, recuou.

"Até este momento, o Irã não respondeu às múltiplas ofertas de diálogo e cooperação que lhe foram colocadas", respondeu Valero. "Nessas condições, e segundo a abordagem dupla promovida pelo P5 +1 [China, Rússia, EUA, Reino Unido, França e Alemanha], que se baseia no diálogo e na firmeza, não nos resta outra opção hoje que não seja trabalhar com nossos parceiros para reforçar essas medidas."

Em Paris, a Chancelaria evita declarações sobre a divergência de opiniões, evidente. Em Genebra, porém, diplomatas afirmam que ela não está entre as preocupações centrais do governo francês, e os dois lados negam contatos.

O Brasil tem debatido a questão iraniana com os EUA, que lideram a pressão para a imposição de novas sanções. Mas Brasília mantém a posição de que é preciso mais tempo para o diálogo. Da forma como as coisas se delineiam hoje, apurou a Folha, o Brasil deve optar pela abstenção na votação no Conselho de Segurança.

UE concorda em ajudar Grécia, diz Fonte

Da Reuters

VIENA, 11 de fevereiro (Reuters) - Os ministros das finanças da zona do euro concordaram que os países da região tomarão uma "ação coordenada e determinada" para ajudar a Grécia, contando com a experiência do Fundo Monetário Internacional (FMI) em resolver crises, mas não com seu dinheiro, disse uma fonte do governo da região nesta quinta-feira.


O pacote de ajuda será condicional a um compromisso da Grécia de adotar mais medidas fiscais para resolver seus problemas, disse a fonte, que pediu anonimato já que os ministros concordaram em manter confidencial o resultado de uma teleconferência realizada na quarta-feira.

"A Comissão Europeia vai designar e coordenar um pacote, contando com a expertise do BCE (Banco Central Europeu) e do FMI", afirmou, acrescentando que os ministros concordaram de forma unânime em não pedir ajuda financeira do FMI.

"Os membros da zona do euro tomarão uma ação determinada e coordenada", acrescentou a fonte, citando o acordo dos ministros feito na teleconferência, que determinou as bases para a cúpula da UE desta quinta-feira.

O chanceler da Áustria, Werner Faymann, disse nesta manhã à rádio local ORF prever que o pacote para a Grécia seja uma combinação de envolvimento do FMI e dos países da UE.

"Não estamos falando de doação ou subsídios, estamos falando de empréstimos com juros que podemos fornecer a um país para evitar uma irritação nos mercados financeiros e crise com as quais ninguém pode mais lidar", afirmou.

"Ainda não sabemos como será organizado, mas eu espero uma cooperação entre os países (europeus) e o FMI."

Problema em linhas de transmissão deixa Região Nordeste sem luz por cerca de 30 minutos

Da Agencia Brasil

Um problema nas linhas de transmissão de energia elétrica que interligam as regiões Sudeste e Norte afetou hoje (10) toda a Região Nordeste, deixando parte das cidades locais sem luz por até 30 minutos.

Segundo a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), quando as linhas de transmissão se desligaram, por volta das 14h52 (horário de Brasília), a Região Nordeste estava sendo abastecida com cerca de 2.400 mil megawatts de energia.

De acordo com o superintendente de Operações da Chesf, João Henrique Franklin, ainda não é possível apontar nem as causas do problema, nem o local exato onde ele se originou, mas o Operador Nacional do Sistema (ONS) irá apurar o episódio.

Franklin disse que, embora o defeito não tenha surgido no Nordeste, os nove estados da região (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) foram afetados, devido ao fato de o sistema brasileiro ser todo interligado.

“Um desequilíbrio entre a produção e o consumo na região exigiu que o sistema de desligamento de cargas fosse acionado. As linhas de transmissão logo foram restabelecidas e, no máximo, em 30 minutos o problema estava solucionado em todas as localidades”, afirmou Franklin.

Perguntado se o problema de hoje foi semelhante ao ocorrido em novembro de 2009, quando uma falha em três linhas de transmissão acabou provocando um blecaute que atingiu quase todo o país, Franklin disse que, por enquanto, só se pode afirmar que em ambos os casos houve o desligamento das linhas de transmissão. “Só que ainda não sabemos o que provocou o desligamento de hoje”, concluiu o superintendente.

Novas Imagens dos ataques de 11/09 liberadas pelo Depto. de Policia de Nova York

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Brasil acelera Investimentos na Africa



Do Portal Uol - Noticias - Internacional
Brasil acelera investimento na África

Richard Lapper*
Em Johannesburgo (África do Sul)A Vale, a maior companhia mineradora brasileira, está se preparando para dar início a operações em Moçambique, enquanto a maior economia da América do Sul empenha-se mais na busca por recursos da África.

A remota cidade de Tete, na região central de Moçambique, fica sobre uma das maiores reservas mundiais de carvão. Neste momento em que trabalhadores migrantes e empreiteiras seguem para a região a fim de aproveitarem as oportunidades criadas por este empreendimento brasileiro multibilionário, Tete experimenta um boom econômico, e a sua infraestrutura não dá conta do fluxo constante de visitantes a negócios.


Caminhões trabalham na mina Casa de Pedra, em Congonhas do Campo, Minas Gerais. A mineradora Vale, detentora da mina, planeja grandes investimentos em Moçambique, na África

“Toda vez que vou para lá, as coisas ficam mais difíceis”, diz Antônio Coutinho, um banqueiro sul-africano que está ajudando a financiar um investimento que poderia transformar a economia de Moçambique, que ainda depende de ajuda externa. “Esta é uma cidade pequena que está tentando dar conta de uma expansão maciça. A situação deve ter sido semelhante em Johannesburgo durante a corrida do ouro”.

O envolvimento da Vale é uma evidência clara do interesse crescente do Brasil na África. Os vínculos comerciais chineses e indianos com o continente estão mais avançados e atraem maior atenção.

Mas a chegada do Brasil na África faz parte do mesmo padrão segundo o qual os parceiros ocidentais típicos do continente competem com uma gama de países emergentes por recursos e influência.

Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente brasileiro que assumiu o cargo em 2003, visitou a África seis vezes nos seus primeiros cinco anos no poder.

Impulsionado pela demanda brasileira por matérias primas, o comércio cresceu rapidamente, com as importações da África subindo de US$ 3 bilhões (R$ 5,54 bilhões) em 2000 para US$ 18,5 bilhões (R$ 34,15 bilhões) em 2008. A Nigéria e a Argélia – assim como Angola – são fontes fundamentais de petróleo importado. Os competitivos produtores brasileiros de alimentos encontraram mercados em países como o Egito, contribuindo para aumentar em oito vezes o valor das exportações de São Paulo para a África, de US$ 1 bilhão (R$ 1,85 bilhão) em 2000 para US$ 8 bilhões (R$ 14,77 bilhões) em 2008.

Em Moçambique, a Vale está trabalhando com a Odebrecht, uma companhia brasileira de construção, para explorar as reservas de carvão, construir uma usina de energia elétrica e infraestrutura ferroviária e portuária para transportar o minério negro para os mercados exportadores.

Em Moatize, o local da mina na qual as escavações terão início no final deste ano, a Vale calcula que o seu investimento inicial será de US$ 1,3 bilhão (948 milhões de euros, 831 milhões de libras esterlinas, R$ 2,4 bilhões). Especialistas afirmam que o total poderá ser várias vezes superior a essa quantia.

A Vale e a Odebrecht não são as únicas companhias brasileiras que atuam em Moçambique. Há dois meses, a CSN, uma siderúrgica brasileira, comprou 16,3% da Riversdale, uma companhia mineradora australiana, na qual a indiana Tata Steel também possui uma participação acionária substancial. Essa companhia também está planejando investir bilhões de dólares na área de Tete.

A Odebrecht tornou-se a maior empresa empregadora do setor privado em Angola, com atividades que incluem a produção de alimentos e etanol, escritórios, fábricas e supermercados. Os seus executivos têm acesso direto a José Eduardo do Santos, o presidente do país. A Petrobras, a companhia petrolífera estatal brasileira, também é ativa em Angola, utilizando os seus conhecimentos técnicos no setor de prospecção em águas profundas.

Lula ao lado do presidente moçambicano, Armando Guebuza, em Maputo, Moçambique, durante visita ao país em 16 de outubro de 2008. Segundo o jornal Financial Times, o presidente brasileiro acelerou a agenda de visitas ao continente africano, a fim de estabelecer novos tratados comerciais com as nações africanas



Conexões culturais e linguísticas contribuíram para tornar o modelo de desenvolvimento do Brasil especialmente atraente em Angola e Moçambique. Vínculos históricos com a África lusófona remontam a séculos.

Cerca de 1,4 milhão dos três milhões de escravos africanos enviados para o Brasil entre 1700 e 1850 vieram de Angola, e na década de 1820 colonos de Angola, Moçambique e outras colônias portuguesas inscreveram-se para integrar um Brasil que declarara recentemente a sua independência.

O sucesso mais recente do Brasil no combate à pobreza – por meio do pagamento de auxílios condicionados à frequência à escola ou a visitas a clínicas – atraiu interesse em ambos os países.

“Eles se identificam conosco porque nós passamos por problemas similares aos deles no passado e adaptamos com sucesso a tecnologia às circunstâncias locais”, afirma um diplomata brasileiro em Maputo, a capital de Moçambique. “Eles veem o Brasil como um modelo a ser imitado”.

Embora as companhias brasileiras tenham investido uma quantia modesta de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 18,5 bilhões) desde 2003, essa cifra provavelmente aumentará acentuadamente. O governo do Brasil está se empenhando em persuadir as companhias brasileiras a expandirem-se na África, especialmente depois que Lula da Silva assumiu a presidência em 2003.

A rede de embaixadas do Brasil no continente expandiu-se e dezenas de líderes empresariais acompanharam Lula da Silva em suas viagens. A fama do presidente na África é boa, tanto que em julho do ano passado a União Africana o nomeou convidado de honra na sua reunião na Líbia.

Analistas do Standard Bank em Johannesburgo argumentam que há um casamento harmônico entre os recursos brasileiros e a experiência do Brasil no setor alimentício e as oportunidades oferecidas por Angola. E eles dizem que a mudança climática poderia aumentar o valor dos investimentos do Brasil na África.

Como o clima mais quente reduziria a quantidade de terra cultivável no Brasil, os produtores de alimentos e etanol poderiam interessar-se mais por expandirem os seus negócios para a África, especialmente em países como Angola, onde a terra é abundante.

Para as multinacionais brasileiras, não há dúvida que as atrações são evidentes.

“O mais interessante em relação à África é que cedo ou tarde tudo isso se tornará realidade”, diz Roger Agnelli, presidente e diretor-executivo da Vale. “A África, juntamente com a América do Sul, representa o futuro dos recursos naturais do mundo”.

Construindo Brics

Na corrida pelos carimbos de passaporte, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, superou Hu Jintao, o presidente da China, tendo visitado 19 países africanos em oito viagens desde que assumiu o cargo em 2003.

Mas, em termos econômicos, a relação da África com a China continua sendo a mais significativa entre as nações emergentes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). O valor do comércio entre a África e a China saltou de US$ 4,1 bilhões (R$ 7,6 bilhões) em 1992 para US$ 107 bilhões (R$ 197,5 bilhões) em 2008, fazendo de Pequim o segundo maior parceiro comercial do continente depois dos Estados Unidos. Companhias chinesas têm investido agressivamente nos recursos naturais africanos, especialmente no petróleo.

Como bloco, o comércio do Bric com a África aumentou como proporção das transações comerciais do continente de 4,6% em 1993 para mais de 19% em 2008. Economistas do Standard Bank calculam que até 2030 quase 50% do comércio da África será feito com os Brics.

*Jonathan Wheatley, em São Paulo, e Jack Farchy, em Londres, contribuíram para esta matéria.

A Queda do Helicoptero da Record

Brasil e Lider Mundial em Energia Limpa












Quase metade das fontes no país são renováveis; mundo possui pouco mais de 10%.

Do R7.

Gasolina brasileira é mais cara que a americana

No Brasil, 46% das fontes de energia são renováveis, enquanto que a média mundial é de apenas 13%. Os dados estão no Boletim de Economia e Política Internacional do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça-feira (9). Os outros 54% das fontes de energia brasileira se concentram no uso do petróleo, gás natural, carvão mineral e urânio. Energia renovável é aquela originada de fontes naturais que possuem a capacidade de regeneração (renovação), ou seja, não se esgotam.

Segundo o relatório, o país só alcançou este estágio graças à produção de eletricidade por hidrelétricas, que corresponde a 15% do total de energia renovável, uso de lenha e carvão vegetal (comum nas termelétricas), com 12%, e, sobretudo, pela utilização de produtos da cana-de-açúcar, com 16%. Outras formas de energia renovável respondem por 3%.

Entre os produtos da cana, o destaque é a produção de etanol. O documento do Ipea destaca que “o etanol representa, hoje, mais de 90% do fornecimento mundial de biocombustíveis líquidos e é produzido, fundamentalmente, a partir da cana-de-açúcar e do milho”. A qualidade do álcool produzido no Brasil já atrai a atenção de empresas internacionais. Na semana passada, a Shell anunciou uma associação com a brasileira Cosan para expandir a oferta de etanol no mercado mundial.

A produção mundial de etanol cresceu quase quatro vezes entre 2000 e 2008, de acordo com o Ipea. O Brasil e os Estados Unidos são os principais produtores mundiais, seguidos por China, Índia e França. O comércio internacional de álcool representa pouco mais de 10% da produção. Só o Brasil responde por quase dois terços das vendas aos outros países (exportações). Em dez anos, a produção de etanol deve dobrar, projeta o Ipea.

O relatório indica que o crescimento da produção de cana-de-açúcar desde 2002 serve para suprir basicamente o consumo interno - embora as exportações estejam aumentando. Em 2003, o primeiro carro bicombustível foi colocado no mercado. Em 2006, os carros flex já correspondiam a 73% da frota brasileira. Em 2009, mais de 80% dos veículos produzidos no Brasil já eram movidos tanto a álcool como a gasolina.

Serra reclama da TV Brasil

Na principal capital da America Latina, e uma das principais do mundo, cerca de 800 mil pessoas ficam sem agua, e a cada chuva ocorrem mortes em face de inundacoes e deslizamentos. E verdade que ocorreram precipitacoes incomuns (mas ja previstas), mas tambem e verdade que houve erros graves de gerenciamento dos recursos hidricos, tanto pela Prefeitura, quanto pelo Governo do Estado. A uma pergunta de um reporter da TV Brasil, o governador Jose Serra enxergou tratamento diferenciado, como se a emissora estivesse carregando nas tintas sobre a questao das inundacoes em Sao Paulo, e comentou que gostaria de ver a mesma abordagem em relacao a problemas de outras capitais do pais. O fato e que Serra conta com uma cobertura "light" da velha midia em Sao Paulo, de modo que o baronato midiatico tem procurado poupar o maximo o Governador, focando o problema com mais enfase em "Sao Pedro" e no habito de parte da populacao jogar lixo nos rios (esses pontos sao sempre os mais repetidos). Nao e de se estranhar que os reporteres das outras emissoras passassem a questionar quem questionou o Governador, e nao propriamente o Governador. O que demonstra que a bola foi levantada, pois trata-se de uma reclamacao de um possivel candidato a Presidencia da Republica contra uma emissora publica, idealizada pelo governo federal.


E este aqui e para lembrarmos que, se nao vivemos mais sob uma ditadura militar, temos um outro tipo de ditadura, que ainda mexe com mentes e coracoes deste pais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Neurose da Velha Midia: O Bolsa Familia.

Redundancia se falar em velha midia e desonestidade quando nos referimos ao tema Bolsa Familia. Nao sei se este comportamento mesquinho, que volta e meia vem a tona, sempre no intuito de desqualificar o programa de qualquer forma, nem que seja pela utilizacao de dados errados, sem que se de espaco para que os responsaveis se manifestem - nao sei se se trata de cumprimento da "tarefa", ja que o preco ja foi pago. E triste e um desservico a nacao. E pra velha midia, o caminho sem volta da perda de credibilidade.

Do Observatorio da Imprensa

BOLSA FAMÍLIA E A MÍDIA
A cobertura (omissa) das políticas sociais

Por Ângela Carrato e João Mendes em 9/2/2010


Os leitores de Veja, O Globo e O Estado de S.Paulo se depararam, nos últimos dias, com uma série de matérias contendo dados equivocados e juízos de valor que não se sustentam em se tratando do Programa Bolsa Família, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em comum às três matérias, além dos equívocos, uma nítida tentativa de vincular o programa – que é referência nacional e internacional em redução de pobreza – com ações eleitoreiras e até mesmo com o que denominam de "terrorismo eleitoral".

A primeira matéria coube à revista Veja que, na edição 2149 (de 24/1/2010), sob o título de "Bolsa-Cabresto", publicou duas páginas onde, no lugar de informações para o leitor, lançou mão de dados equivocados, chegou a números fantasiosos e nem se deu ao trabalho de ouvir o MDS antes de publicar a sua "tese" sobre o assunto. Na segunda-feira (25/1), a Assessoria de Comunicação do MDS enviou à Veja uma nota de esclarecimento, na qual rebatia todos os pontos da matéria e solicitava que a revista a publicasse na próxima edição. Na terça-feira (26), a repórter de Veja que assina a matéria, Laura Diniz, fez contato com a Assessoria de Comunicação do MDS e solicitou mais alguns dados, no que foi prontamente atendida.

Na oportunidade, a assessora responsável direta pelo Programa Bolsa Família, jornalista Roseli Garcia, informou à repórter de Veja que o MDS havia enviado a nota de esclarecimento e que aguardava a publicação. Em resposta, ouviu que a nota estava "grande demais" e que "dificilmente seria publicada". Na noite de quarta-feira (27), a repórter encaminhou para o MDS um texto com a proposta de retificação por parte da revista Veja. A nota, num total de quatro linhas, nem de longe contemplava as correções apontadas pelo ministério na matéria publicada por Veja.

Diante disso, a Assessoria de Comunicação encaminhou, na quinta-feira, ao diretor de redação de Veja Eurípedes Alcântara e ao redator-chefe, Mario Sabino, uma mensagem contendo todo o ocorrido e solicitando, em respeito aos leitores e à verdade, a publicação da resposta na íntegra. Não recebemos retorno por parte dos dois dirigentes da revista. Aliás, as duas mensagens foram descartadas sem terem sido lidas. Na sequência, a repórter responsável pela matéria telefonou para Ascom/MDS solicitando uma diminuição no tamanho da nota. Atendendo a esse pedido, essa redução foi feita de forma a contemplar explicações mínimas que pudessem fazer o leitor entender o equívoco cometido pela revista. Essa nova nota foi encaminhada na noite de quinta-feira (28/1).

Na sexta-feira, a repórter liga novamente para Ascom/MDS dizendo que a carta "continuava grande demais" e que tinha preparado uma correção, pois considerava "melhor para o ministério" a retificação da revista do que a publicação da carta. A ela foi respondido que preferíamos a carta, por esclarecer melhor o caso aos leitores.

Veja optou pela correção que ela própria fez, publicada em corpo minúsculo sem ter respondido aos principais equívocos apontados pela Ascom/MDS. Além disso, em destaque, publicou duas cartas de leitores que continham críticas ao Programa Bolsa Família a partir de uma matéria repleta de erros. Vale dizer: amplificou, novamente, o próprio erro, sem aceitá-lo como tal.

Campeões da democracia

Já no dia 1º de fevereiro, o MDS é novamente surpreendido. Em editorial, intitulado "Bolsa Família e eleição" o jornal O Estado de S. Paulo, utilizando os mesmos argumentos usados na matéria da revista Veja, afirma que não haveria exclusão de beneficiários do programa em 2010. O que é um equívoco, pois já em fevereiro estão sendo cancelados 710 mil benefícios por falta de atualização cadastral. A Ascom/MDS encaminhou carta ao Estado de S. Paulo explicando que o editorial fazia uma análise equivocada da instrução operacional do MDS – que apenas detalha o trabalho as ser feito pelos gestores do Programa Bolsa Família em 2010 – idêntica à cometida pela revista Veja.

No dia seguinte, o jornal publicou a íntegra da carta e questionou o seu conteúdo, afirmando que o documento "não permite conhecer a fundo os critérios estabelecidos pelo programa, o erro não é do jornal, mas do Ministério". Como rege o bom jornalismo, se um documento não está claro, cabe ao jornalista estudar o assunto e informar de maneira clara aos seus leitores. Em outras palavras, faltou ao Estado de S.Paulo ater-se a uma regra básica no jornalismo: a apuração. Nesse ponto, aliás, O Estado de S.Paulo, O Globo e Veja se assemelham: estão deixando de apurar e publicando o que acreditam ser a verdade.

Na mesma segunda-feira (1/2), devido ao editorial de O Estado de S.Paulo, a Ascom/MDS foi procurada pela reportagem de O Globo. Todas as explicações dadas à Veja e ao Estado de S.Paulo foram repassadas a O Globo, mostrando os equívocos cometidos pelas duas outras publicações. Mas o jornal, lendo a instrução normativa – que trata apenas de procedimento em relação à atualização cadastral – encaminhada pelo MDS aos gestores, abordou outro aspecto também de forma incorreta. O Globo classificou essa norma, em manchete, como: "Governo faz ameaça eleitoral ao recadastrar Bolsa Família".

Mais uma vez a Ascom/MDS encaminhou carta ao jornal, que foi utilizada na matéria do dia seguinte em texto intitulado "Tiroteio com o Bolsa Família". Neste texto, o jornal utiliza as declarações de parlamentares de partidos da oposição ao governo para sustentar a polêmica criada pelo próprio veículo.

O assunto repercutiu em vários veículos nacionais e também na imprensa regional, criando uma situação no mínimo curiosa para quem é leitor atento ou para aqueles que se interessam pelo comportamento de parte da mídia brasileira. Nos dias atuais, a mídia tem deixado de lado o papel clássico de informar, interpretar e opinar (nos espaços devidos) para, ela própria, tornar-se a origem da informação e, não raro, ator no cenário político nacional.

No caso do Programa Bolsa Família, as informações e a análise apresentadas pela mídia foram equivocadas e funcionaram como retroalimentação. Num dia um veículo publica algo equivocado. Não retifica o erro. No dia seguinte, outro veículo, tomando o que foi publicado como verdade, amplifica o erro. No terceiro dia, um novo veículo entra "na roda" e assim a "polêmica" está criada. Para confirmar os pressupostos da mídia, políticos de oposição são entrevistas e ganham destaque.

Essa situação em si é extremamente preocupante para o futuro das instituições e para a própria democracia no Brasil, porque deixa a parte atingida, no caso o agente público, sem condição para restabelecer a verdade. A preocupação torna-se maior ainda quando se sabe do papel central que a mídia tem na sociedade contemporânea.

No caso brasileiro, a censura oficial à imprensa foi abolida há décadas e a liberdade de informação e expressão encontra-se consagradas na Constituição de 1988. Mas, infelizmente, o que se percebe é que o poder de censura, que nos governos autoritários estava nas mãos do Estado, migrou para as mãos de um reduzido número de empresas e de articulistas que se auto-intitulam os porta-vozes da verdade e os campeões da democracia. Essa situação torna-se ainda mais difícil quando dentro dos grandes grupos midiáticos prevalecem as velhas ideologias do liberalismo do século 18 e 19.

Leia mais no O.I.

Em 2009 o Emprego na Indústria teve a maior Queda da História

Do R7
Emprego na indústria tem maior queda da história

Getty images
Fechamento no número de vagas foi mais intenso em São Paulo, com demissões em 14 setores, com destaque para meios de transporte
A indústria teve a maior queda histórica no nível do emprego no ano passado, com redução de 5,3% nos postos de trabalho na comparação com 2008, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse foi o menor resultado registrado desde o início da medição em 2002. O número de horas pagas também teve a maior redução na história – de 5,6% em 2009 frente ao ano anterior. Embora o resultado seja negativo, os analistas do IBGE apontam que a retomada no nível de produção industrial no final do ano passado já sinaliza uma retomada do setor em 2010.
O número de demissões superou o de admissões em 11 dos 18 setores pesquisados. Apenas a indústria de papel e gráfica registrou aumento no número de contratações - de 7,2% em 2009 na comparação com o ano anterior. Entre os setores que tiveram maior número de demissões estão: meios de transporte (-9,8%), máquinas e equipamentos (-8,6%), vestuário (-7,9%), produtos de metal(-9,1%) e madeira (-16,8%).

O fechamento de vagas foi mais intenso em São Paulo (-4,0%) e em Minas Gerais (-8,5%). Na indústria paulista, houve taxas negativas em 14 setores, com destaque para o fechamento de vagas em meios de transporte (-11,7%) e produtos de metal (-11,6%). Em Minas Gerais, a redução no número de pessoal ocupado atingiu 16 setores. As maiores baixas nas vagas foram nos setores de vestuário (-20,3%) e têxtil (-19,4%). Na comparação mês a mês, o emprego na indústria teve diminuição de 0,6% entre novembro e dezembro – o que demonstra a recuperação do setor após a crise financeira de 2008. O crescimento de 1,6% na produção, pelo terceiro trimestre consecutivo, refletiu no aumento de 2% no número de horas pagas no quarto trimestre.

Salários
Em dezembro, o valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria teve diminuição de 3,7% em relação ao mês anterior – após ter registrado queda de 0,4% em novembro. No entanto, na comparação com o mesmo período do ano passado, a redução é ainda maior – de 5% em relação a dezembro de 2008.
A principal contribuição negativa veio de São Paulo (-8,1%), por conta da queda na folha de pagamento no setor de em meios de transporte (-12,2%), produtos químicos (-21,6%) e produtos de metal (-15%).
Em seguida, vale citar Minas Gerais (-9,7%), em função de metalurgia básica (-19,2%), meios de transporte (-19,3%) e indústria extrativa (-21,2%); e Rio Grande do Sul (-12,5%), em razão de meios de transporte (-12,7%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-25,4%) e minerais não-metálicos (-23,7%).
Em sentido oposto, os maiores impactos positivos foram registrados na Bahia (4,4%) e no Ceará (8,1%), devido, respectivamente, ao aumento nos salários em meios de transporte (45,1%) e calçados e artigos de couro (28%).

Irã inicia Enriquecimento de Urânio a 20%

Do Ùltimo Segundo

Cientistas iranianos iniciaram nesta terça-feira o processo de enriquecimento de urânio a 20% na usina nuclear de Natanz, na região central do país, informou a televisão estatal.


O processo teve início no começo da manhã na presença de inspetores internacionais, explicou a emissora oficial em árabe "Alalam".
"O Irã já processa urânio para enriquecê-lo até 20% em Natanz na presença de inspetores internacionais", declarou uma fonte do organismo iraniano de energia atômica citada pelo canal televisivo.
A decisão do Irã de enriquecer urânio a 20% anunciada no domingo passado pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, após meses de infrutíferas negociações com países do Ocidente, multiplicaram as suspeitas sobre o programa nuclear do Irã.
Países como Estados Unidos, Israel, França, Alemanha e Reino Unido acusam Teerã de esconder um projeto de natureza clandestina e aplicações bélicas cujo objetivo seria a aquisição de um arsenal nuclear, o que o Irã desmente.
O conflito se agravou no final do ano passado depois que Teerã rejeitou uma proposta de Washington, Paris e Moscou para enviar seu urânio a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter seu reator nuclear civil na capital em operação.
O Irã afirma ser a favor da troca, mas exige que esta se produza em seu território e se faça de maneira escalonada, condições que a outra parte não aceita.
As autoridades iranianas afirmam que precisam de 120 quilos de urânio enriquecido para manter o reator em operação e exigiu isso da Agência Internacional de Energia Atômica, como é direito do Irã por ser signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Segundo as autoridades iranianas, o reator do país foi criado para produzir isótopos para o tratamento de câncer. 


Vá ao infográfico... 

O PV e a Realpolitik

Muitos acusam o PT de ter se entregue muito facilmente ao jogo do poder, fazendo alianças espúrias com personagens que representam o que de mais atrasado existe na política brasileira. Decepcionaram-se pelo fato de, não com uma certa inocência, terem sempre encarado o Partido dos Trabalhadores como um "baluarte da decência e da ética", e assim, jamais poderiam admitir a possibilidade de tais alianças. Esqueceram que, sob este ponto de vista, o PT ou qualquer outro partido jamais chegariam ao poder ou, no mínimo, permaneceria nele, a não ser que o exercece por outros meios que não fosse o da nossa imperfeita democracia. A verdade é que no mundo da "realpolitik", em face do nosso sistema político e da nossa cultura política, essas alianças são necessárias e representam, ainda que a contragosto, o que temos de representações populares legítimas, mesmo que exercidas por oligarcas tacanhos ou marginais travestidos de políticos, que ali chegaram por força das urnas. Resta-nos torcer para que a maturidade política de nossas instituições e da população expurguem esses elementos e tornem o sistema político mais palatável, por ser mais identificado com o interesse público e de toda uma nação. Mas a decepção foi maior e levou muitos dos eleitores de opinião para alternativas como a Marina Silva, recém saída do PT e hoje no PV. Mas, ora vejam só, até o PV de Marina Silva tem projeto de poder e a sua realpolitik.

Do Portal UOL

Gabeira fecha acordo com DEM e PSDB para enfrentar Cabral
SERGIO TORRES
da Folha de S.Paulo, no Rio

PV, PSDB, DEM e PPS formalizaram acordo ontem para ter o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) como o candidato da aliança ao governo do Rio. O ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, deverá concorrer ao Senado.
A decisão sobre a chapa foi tomada à tarde em reunião de lideranças locais dos quatro partidos no apartamento do ex-governador Marcello Alencar (PSDB), no Rio.
Ficou acertado que Gabeira terá um tucano como candidato a vice-governador, possivelmente o ex-deputado federal Márcio Fortes. O DEM indicará um candidato ao Senado. O PPS, o outro.
Gabeira disse à Folha, por telefone, que desistiu de concorrer ao Senado porque a coalizão não tinha outra alternativa para disputar a sucessão do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB).
"Ficou difícil para mim sair de uma eleição [para prefeito do Rio, em 2008] com 1,5 milhão de votos e apoiar qualquer candidato. Disse aos partidos coligados que se sentissem confortáveis, pois eu sairia para disputar o governo", afirmou.
Cesar Maia representou o DEM no encontro. Prefeito do Rio por três mandatos, ele, desde o início das discussões repetia não ter interesse em concorrer ao governo estadual -queria o Senado.
O outro concorrente ao Senado pela aliança ainda não foi indicado pelo PPS. A ex-deputada Denise Frossard é o nome com maior visibilidade no partido.
Na eleição para o governo estadual, Gabeira, além de Cabral Filho, enfrentará o ex-governador Anthony Garotinho, já lançado candidato por seu partido, o PR. Assim como Cabral, Garotinho afirma que vai apoiar Dilma Rousseff (PT) ao Planalto.

FHC e a Lógica "Ricuperiana"

Após o artigo da Folha de São Paulo, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso caracteriza a ministra Dilma Rousseff de ventrilocada pelo Lula e, por óbvio, também, defende o seu governo - já que a oposição não o faz -, ministros do governo sairam a campo para fazer o contraponto aos argumentos, confirmando que a tônica das eleições será mesmo a polarização PT-PSDB e que caminha-se para a inevitável comparação com os anos de FHC. Seria burrice se asssim não fosse, uma vez que os índices econômicos e sociais de hoje são bem melhores do que os daquela época. É bom salientar que no artigo do FHC ficou de fora a questão cambial e a desvalorização do Real, bem como o processo de privatizações que tanta polêmica causa até hoje. É a lógica "ricuperiana": aquilo que é bom a gente publica, o que é ruim a gente omite. Em um novo artigo na FSP, do jornalista Gustavo Patu, podemos encontrar uma análise mais séria e lúcida sobre o tema.

FHC cita méritos e omite erros
Tucano propõe comparação bizantina entre o seu programa de obras e o PAC

GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Não é difícil, para FHC, listar corretamente méritos de seu governo negados pela retórica palanqueira de Lula. Mais complicado é revisitar o período sem provocar a lembrança de erros e deficiências, também reais, que contribuíram para afastar os tucanos do Planalto.
"Sem medo do passado" é o título do artigo que o ex-presidente escreveu em defesa de seus dois mandatos. Se não há mesmo medo, as entrelinhas deixam transparecer que persiste, pelo menos, desconforto. Omissões e meias verdades contrastam com a defesa, alardeada no texto, de uma "política mais consciente e benéfica para todos".
Em exatas 998 palavras e cifras que descem a minúcias, não há uma única menção, no exemplo mais flagrante, ao crescimento econômico -goste-se ou não, o indicador mais universalmente utilizado para mensurar o sucesso das administrações nacionais.
No mais perto que chega do tema, FHC propõe uma comparação bizantina entre o seu programa de obras Avança Brasil e o PAC petista, ambos conhecidos pela discrepância entre metas e realizações. E, claro, sem falar na crise de abastecimento de energia elétrica.
A renda nacional cresceu à média de 2,2% ao ano sob FHC e deve encerrar o período lulista com taxa anual de 3,7%, se confirmadas as expectativas dos analistas. Mais importante politicamente, o primeiro começou seu governo com expansão acelerada e terminou em estagnação, enquanto o segundo obteve o resultado inverso.
Nos últimos anos, os tucanos, com boa dose de razão, vinham atribuindo a vantagem de Lula à sorte de governar em um período de rara prosperidade internacional, livre das turbulências financeiras da década passada. Essa argumentação perdeu charme, no entanto, com o colapso global do final de 2008, do qual o Brasil saiu com perspectivas de rápida recuperação.
No artigo do ex-presidente, a única razão apresentada para a crise herdada por Lula é o temor provocado nos credores e investidores "por anos de "bravata" do PT e dele próprio" -nada se diz sobre a escalada das dívidas interna e externa nos anos anteriores, consequência de políticas do primeiro mandato tucano, corrigidas tardiamente no segundo.
Dólar barato e gasto público sem amarras sustentaram a popularidade inicial de FHC e garantiram sua reeleição no primeiro turno, mas levaram o endividamento público de menos de 30% para quase 50% do Produto Interno Bruto.

Câmbio e superavit
As medidas de ajuste adotadas a partir de 1999 -câmbio flutuante e metas de superavit fiscal- foram mantidas pelos petistas, como gostam de lembrar os tucanos. Mas tampouco o crédito, nesse caso, cabe à gestão FHC: tratou-se de uma imposição do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Não por acaso, os indicadores mais palpáveis de melhora social do texto do ex-presidente estão circunscritos a seu primeiro governo. É o caso da queda aguda da pobreza, do aumento do rendimento médio mensal dos trabalhadores, do reajuste mais generoso do salário mínimo.
O artigo dribla o inconveniente com saltos nas datas. Recorda-se, por exemplo, que, "com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total" e depois menciona-se a taxa de 18% registrada em 2007, já sob o governo Lula. Não se menciona que, após a queda brusca do primeiro ano, a pobreza permaneceu nos mesmos patamares no restante do governo tucano.
Iniciativas celebradas do segundo mandato geraram mais frutos sociais, econômicos e políticos para Lula que para FHC. Além das correções da política econômica, o exemplo clássico é a criação do Bolsa Escola, depois ampliado e rebatizado como Bolsa Família.


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dirigismo Estatal

Com a antecipação do processo eleitoral, a difusão inicial do programa da candidata do governo que fala numa posição mais incisiva do Estado como elemento fomentador do desenvolvimento economico e social, surgiram vozes a creditar a tal programa o sentido a ser tomado pela candidata caso seja eleita, e que envereda pelo dirigismo estatal, com um intervenção sem precedentes, principalmente no campo econômico. Esta é a principal crítica que a oposição faz. Uma das vozes que se apresentam é a do economista e ex-Ministro da Fazenda do governo Sarney, Maílson da Nóbrega, que escreveu um artigo sobre o assunto na revista Veja. Note-se que ao final do artigo o autor credita ao governo FHC a estrutura de um estado ideal e ao governo Lula e um possível governo Dilma, a estrutura de um estado burocrático e paternalista. Não estaria o autor se apressando em confirmar o mantra que será utilizado sem se analisar a fundo o programa de governo apresentado pela possível candidata?

Do clipping do Ministério do Planejamento.

"A crise demandou maiores gastos públicos e vai gerar uma nova regulação do sistema financeiro, mas não a ressurreição dos mortos do velho intervencionismo"

O atual governo adora falar em "estado forte". A ministra Dilma Rousseff, que almeja a Presidência, quer um "estado forte", mote também presente nos preparativos de sua campanha. Ela critica o "estado mínimo". Lula faz o mesmo desde o primeiro mandato, como no discurso de Ouro Preto em 21 de abril de 2003.
Ali, o presidente aludiu a duas ideias que "revelaram sua inconsistência e estão sendo superadas em boa parte do mundo". E sentenciou: "A primeira é que o Estado nacional deve ser mínimo e, em consequência, fraco; a segunda é que tudo pode ser deixado por conta do mercado, que resolve automaticamente todos os problemas".
A primeira afirmação não se comprova. O "estado mínimo" é proposta apenas de libertários quem têm fé cega no mercado. É o caso do deputado republicano Ron Paul, que em livro recente (End the Fed) prega a extinção do banco central americano. O padrão-ouro voltaria. A emissão de moeda seria tarefa do mercado.
A segunda afirmação é falsa. Ninguém com tutano crê que o mercado resolve tudo. Equivaleria a abolir o estado. Isso era ideia de anarquistas e de Karl Marx. Os primeiros consideravam o estado criador de problemas e desnecessário. Para Marx, assim que a luta de classes terminasse e elas desaparecessem, o estado perderia a razão de existir.
A proposta de um estado mínimo jamais vingou. Mesmo na Inglaterra de Margaret Thatcher, que promoveu profunda reforma do estado, os gastos sociais se expandiram. O estado de bem-estar social continuou grande e importante, e sobreviveu à restauração do ideário liberal pelos conservadores britânicos.
"Estado forte" e "estado fraco" podem ter distintos significados. No Haiti, o estado é fraco para exercer funções básicas, como se viu no recente terremoto. Era forte para oprimir na ditadura de François Duvalier (1957-1971), quando os tontons macoutes intimidavam ou matavam. O estado totalitário é forte na capacidade de tiranizar.
O estado moderno resultou da Paz de Vestfália, o período que se seguiu aos tratados europeus de 1648 e ao consequente fim da Guerra dos Trinta Anos. Detém o monopólio da violência e do poder de tributar, e tornou-se norma na Europa (e depois no mundo).
Esse estado tem soberania sobre o território. Garante a ordem, a segurança e o respeito ao direito de propriedade e aos contratos. Defende a concorrência no mercado. Regula o sistema financeiro, os monopólios e os oligopólios. É relevante na educação, na ciência e na tecnologia. É o verdadeiro estado forte, base do capitalismo contemporâneo. Mais tarde, tornou-se fundamental na área social, particularmente em previdência e saúde.
No século XIX, a Inglaterra, beneficiária dessa realidade, rompeu a estagnação malthusiana. Enriqueceu rapidamente. A Europa continental buscou o mesmo via intervenção estatal. Empresas estatais, crédito oficial, protecionismo e investimentos em infraestrutura reproduziram o papel exercido naturalmente pelas instituições inglesas. No século XX, foi a vez da América Latina e da Ásia.
Essa ação promoveu desenvolvimento, mas teve seus defeitos. Em muitos países, burocratas foram capturados pelos segmentos beneficiados. Surgiu um capitalismo de compadres, enquanto políticas industriais davam poder de mercado às empresas eleitas, prejudicando a produção e os consumidores.
O desafio era saber quando rever a ação do estado e atribuir a liderança ao mercado. Assim o fizeram a Alemanha, o Japão e o Chile. Em outros lugares, grupos de interesse e visões ideológicas inibiram a mudança, em prejuízo do ritmo de desenvolvimento.
O Brasil chegou a esse ponto por volta dos anos 1980 e começou a revisão, que se acelerou após o Plano Real. A colheita dos respectivos frutos se iniciou com Fernando Henrique e se ampliou na era Lula, mas este praticamente interrompeu o processo.
O estado forte de Lula e Dilma seria aquele em que a burocracia escolhe os vencedores e lhes concede privilégios, em nome de um nacionalismo démodé e do "desenvolvimentismo". Para eles, a crise atual justificaria a volta do dirigismo estatal.
A crise demandou maiores gastos públicos e vai gerar uma nova regulação do sistema financeiro, mas não a ressurreição dos mortos do velho intervencionismo.