sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Haiti e a Maldicao

Nao sei se e um problema de crenca ou descrenca. A verdade e que todas as vezes que nos deparamos com situacoes como estas, vem sempre aquela pergunta: onde estava Deus? Numa roda de amigos esta foi a questao levantada por um de nos. O porque de tanto sofrimento.
Considero-me crente, mas nao soube explicar exatamente o porque, nao a ponto de tocar o coracao ou a mente daquele meu amigo. Acredito que e porque a crenca (que ele denominou de "muleta") e algo muito particular, individual e soa estranho para aqueles que nao comungam ou nao as tem em comum.
Foram citados os filosofos iluministas, como Voltaire, e sua perplexidade em relacao ao terremoto de 1755 que devastou a cidade de Lisboa e o fato de ele ter ocorrido no Dia de Todos os Santos. E o fato da Sra. Zilda Arns, em plena acao de caridade, tenha perecido da forma como pereceu.
Outros, de corrente espiritualista, acreditam na questao da causa-efeito e do carma. Mais tarde, na televisao, vi duas pessoas comentando sobre esta questao (nao exatamente a do Haiti): o perecimento de pessoas inocentes ou de tantas pessoas, quaisquer que sejam as circunstancias.
A verdade e que nos incomodamos com aquilo que nao conseguimos explicar, principalmente frente a nossa finitude e a nossa fragilidade. Nos deixamos oprimir pela magnitude desse fenomeno que e a vida, que ao mesmo tempo nos deixa maravilhados e perplexos. Maravilhados com sua dimensao, beleza e complexidade. Perplexos com a nossa condicao de limitacao e impotencia, embora sejamos chamados constantemente a interagir com esta realidade.
E onde Deus? Tenho pra mim que nos momentos de angustia caimos na tentacao de simplificar aquilo que nao podemos ou nao temos condicao de entender. A proprio nocao de Deus e um misterio em si, porque encerra conceitos como onisciencia, onipresenca e onipotencia na ideia maior de imanencia. Sao conceitos que tocam muito de leve a nossa consciencia, assim mesmo em situacoes de maior sublimacao, que, no meu entender, acontecem numa oracao sincera ou quando conseguimos uma profunda contemplacao. Ou seja, sao experiencias individuais, bastante particulares, assim como e a vida de cada um.
Por isso, talvez o que valha nao seja tanto o corpo que ficou para tras, mas a vida que aquele corpo abrigou e a forma como ela interagiu neste mundo. A forma como se morre ainda nos impressiona, o que e natural, mas o que realmente importa e como se viveu. Certamente, assim como a Sra. Zilda Arns, muitos que ali estavam ajudando a tantos outros de modo algum podem ser considerados como malditos pela forma como morreram. Muito pelo contrario. E isto e a unica coisa que importa.

Cônsul haitiano afirma que "o africano em si tem maldição"

Castelo de Areia: Decisao do STJ suspende Acao contra Executivos da Camargo Correa


O Superior Tribunal de Justica - STJ, na figura do seu Presidente, o ministro Cesar Asfor Rocha, concedeu Habeas Corpus para suspender provisoriamente a Acao Penal movida contra executivos da empresa Camargo Correa. A tese juridica lastreia-se no fato de que a citada Acao toma como base Procedimento Criminal Diverso-PCD da Policia Federal, instaurado em face de denuncia anonima, o que afrontaria "normas processuais que regem as atividades investigatorias pre-processuais", alem de cuidar da banalizacao do afastamento de sigilos (no caso, os telefonicos), principalmente em casos de escutas por periodos prolongados, que, segundo a decisao, deu-se por prazo superior a 14 meses, "ainda que por periodos renovados". Em suma, considera ter havido constrangimento ilegal por tratar-se de procedimento em que se observam vicios insanaveis, ressaltando-se que o Habeas Corpus nao tem o poder de trancar a referida acao, mas de apenas suspende-la.
Com todo esse juridiques, embora bem fundamentado e construido o racioncinio (obvio, o cara e um ministro!), fica-se a impressao para o leigo que, como sempre, quem e rico nao vai para a cadeia. E claro que isto tem a ver com o acesso a Justica (que para quem tem dinheiro e sempre muito mais facil). Mas nao e so isto. O que se precebe e que o nosso "sistema juridico", para quem tem acesso a um bom advogado, ou banca de advogados, foi feito para dificultar condenacoes. Basta ver o tempo que toma um processo desse quilate. E ai vem a velha polemica de como combater a morosidade da Justica e seu sistema de recursos sem atropelar as garantias individuais. Voltando a decisao, tambem e certo que nao se trata de desqualificar toda e qualquer denuncia anonima a permitir a quebra de sigilo telefonico (lembrando-se que autorizado judicialmente), mas, a repulsa aos 14 meses, ainda que descontinuos, esta foi um pouco demais. Principalmente quando se verifica que o bem juridico tutelado leva em conta a protecao do patrimonio publico que, de forma nenhuma, pode estar em desnivel com as garantias processuais individuais. Nao sei, mas acho que a sociedade brasileira saiu perdendo com esta decisao. Como e provisoria, resta aguardar que, apos todos os recursos possiveis e imaginaveis, ao se alcancar o merito, seja realmente feita a justica. Claro que em obediencia ao que consta dos autos, senhores ministros!

Leia aqui a integra da decisao: HC 159.159-SP

Leia aqui sobre a operacao: Castelo de Areia

Haiti: Banco Mundial lidera doações; ONGs fazem apelo na web



Do Portal Terra
O Banco Mundial anunciou na noite de ontem que vai liberar US$ 100 milhões, a maior ajuda financeira até agora, para as vítimas do terremoto no Haiti, que pode ter matado cerca de 100 mil pessoas, segundo estimativas do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive. No comunicado, o Banco Mundial informa ainda que pretende criar um fundo para receber doações internacionais direcionadas ao Haiti. O aporte de US$ 100 milhões depende de aprovação do Conselho de Administração da organização.

Já a Cruz Vermelha desbloqueou US$ 500 mil de seu fundo de emergência para enviar ao Haiti, além de 40 t de remédios e material médico. A organização anunciou, no entanto, que necessita de ao menos US$ 10 milhões para dar início ao atendimento às 3 milhões de pessoas que acredita terem sido atingidas pela catástrofe. Para levantar a quantia, iniciou campanhas internacionais, como a que está sendo feita nos Estados Unidos, e já arrecadou US$ 2 milhões. No país, as doações de até US$ 10 são feitas pelo telefone celular.

Outras organizações estão contribuindo com alimentos, medicamentos ou mesmo mão de obra. O Programa Alimentar Mundial da ONU anunciou que fornecerá em breve 15 mil t de comida ao Haiti. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou especialistas para ajudar a lidar com os mortos e advertir sobre o risco da disseminação de doenças na condição em que o país se encontra.

ONGs que não possuem recursos próprios estão pedindo doações, especialmente em suas páginas na internet. Alimentos, água e remédios estão entre os itens de primeira necessidade para os atingidos pelo terremoto. A Oxfam América, a World Concern e a International Medical Corps, entre outras, estão apelando por doações imediatas em seus sites. Já organizações dedicadas à assistência médica, como a International Medical Corps e Partners in Health, estão se preparando para a ação no país com envio de pessoal e captação de material médico.

Base no México
A ONU e a Cruz Vermelha abriram hoje centros de abastecimento no México para receber ajuda humanitária e doações que serão enviadas ao Haiti. A pedido da embaixada do Haiti no México, o sistema das Nações Unidas "trabalha em coordenação com as autoridades do governo do México, incluindo a Defesa Civil e a Secretaria de Relações Exteriores, para dar assistência ao povo haitiano", diz um comunicado do escritório mexicano da ONU.

A ONU abriu um centro de abastecimento para reunir produtos de primeira necessidade em sua sede na Cidade do México. Já a Cruz Vermelha abriu 32 centros de abastecimento de ajuda humanitária no México, um para cada Estado do país. Além disso, o organismo de ajuda humanitária enviará 20 especialistas em desastres e dez mil rações de comida ao Haiti.

Países
O Brasil lidera a lista de países que já se comprometeram a fazer doações para ajudar na reconstrução do Haiti. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que a ajuda financeira às vítimas do terremoto no país pode chegar a US$ 15 milhões. Estados Unidos e Canadá também se comprometeram a ajudar. O primeiro deve enviar US$ 4,3 milhões e o segundo US$ 4,8 milhões. Alguns países da União Europeia, como Itália e Alemanha, devem fazer doações acima de US$ 1 milhão e a China, uma das maiores economias mundiais, também se comprometeu com US$ 1 milhão.

Personalidades
Personalidades internacionais também se mobilizaram para ajudar as vítimas do terremoto. O cantor americano Wyclef Jean, de origem haitiana, conclamou o exército dos Estados Unidos a liderar os esforços humanitários e exortou a comunidade internacional a "ajudar os haitianos de todas as maneiras possíveis". Ele também pediu doações à fundação Yele Haiti (www.yele.org), que criou em 2005 para apoiar projetos educativos, artísticos e esportivos no país.

O casal Brad Pitt e Angelina Jolie, um dos mais famosos de Hollywood, anunciou uma doação de US$ 1 milhão para ajudar os haitianos. O ciclista americano Lance Armstrong, heptacampeão do Tour de France, anunciou a doação de US$ 250 mil. O magnata americano Ted Turner se comprometeu a doar US$ 1 milhão para financiar ajuda humanitária e a reconstrução do país.

Outros astros expressaram solidariedade com o povo haitiano, em mensagens postadas no Twitter. "As pessoas no Haiti precisam de nossa ajuda e nossa atenção", escreveu o ator Ben Stiller, que inaugurou recentemente uma organização de caridade para financiar escolas no país. O casal de atores Demi Moore e Ashton Kutcher pediu às pessoas que façam doações à Unicef, assim como Nicole Ritchie, a filha do cantor Lionel Ritchie.

Onde obter informações

Informações sobre brasileiros no Haiti
O Ministério das Relações Exteriores instalou uma sala de crise sobre o Haiti. O gabinete ficará 24 horas em funcionamento. Informações podem ser obtidas junto ao Núcleo de Assistência a Brasileiros, nos seguintes telefones:

(0xx61) 3411.8803
(0xx61) 3411.8805
(0xx61) 3411.8808
(0xx61) 3411. 8817
(0xx61) 3411.9718
(0xx61) 8197.2284.

Busca por familiares
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) criou um site especial para ajudar milhares de pessoas no Haiti e no exterior a encontrar a familiares desaparecidos no devastador terremoto que assolou o país mais pobre das Américas na terça-feira.

O endereço do site é: www.icrc.org/familylinks

Como ajudar

A ONG Viva Rio, que está no Haiti desde 2004 desenvolvendo projetos sociais ligados às áreas de segurança, desenvolvimento e meio ambiente, abriu uma conta para receber doações que serão usadas para compra de gêneros alimentícios, água e medicamentos.

De acordo com nota da ONG, os brasileiros que trabalham no Viva Rio no Haiti e os estudantes da Unicamp que faziam uma pesquisa de campo no país estão bem. A sede do projeto sofreu pequenas rachaduras e está abrigando milhares de vítimas. O complexo comunitário de 25 mil m² fica em Bel Air, um bairro pobre no centro da capital.

Os militares brasileiros que fazem parte da Missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah) estão trabalhando no atendimento às vítimas, e brigadistas treinados pelo Viva Rio estão se mobilizando para prestar auxílio aos desabrigados.

Confira a conta para doações:
Banco do Brasil
Agência 1769-8
Conta 5113-6


Cruz Vermelha
Banco HSB
Agência 1276
Conta 14526 – 84
Aos interessados em fazer depósito online, o CNPJ do Comitê Internacional da Cruz Vermelha é 04.359688/0001-51.

O G20 e Rodada de Doha













Do Portal Terra

Comércio exterior
G20 pode ajudar a concluir rodada de Doha, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ter reabilitado suas esperanças de conclusão da rodada de Doha ao constatar o consenso de líderes mundiais na conferência do clima em Copenhague.

O ministro aposta na força do grupo das vinte maiores economias do planeta, o G20, e na "vontade política" dos Estados Unidos para destravar o impasse entre nações ricas e em desenvolvimento.

"A maneira como se avançou em Copenhague mostra que é possível (...). Quando os líderes dos países mais importantes se sentam em torno de uma mesa para atacar os problemas, eles têm condição de resolver", disse o ministro.

"Concluir a rodada de Doha é inevitável, inexorável. A questão é em quanto tempo a gente conclui e qual custo a gente vai ter por adiar essa discussão."

Criada em 2001 para diminuir as barreiras comerciais no mundo, a rodada de Doha sobrevive até hoje sem consenso. Não há acordo em sua principal controvérsia: os subsídios agrícolas dados pelos países desenvolvidos.

A crise financeira internacional acabou jogando contra. As chances de sucesso nas negociações caíram dramaticamente no período mais agudo de retração mundial, sobretudo pelo temor dos EUA e da União Européia de que concessões na área agrícola estimulassem o desemprego.

"O presidente dos Estados Unidos, institucionalmente, é muito poderoso. Se houver vontade política, eu acho que é possível", afirmou Amorim.

"Os líderes do G20 poderiam nos ajudar a concluir a rodada de Doha mostrando vontade política", disse ele.

Câmbio
Amorim vê ainda outro papel do G20, o de estimular o fluxo de crédito no planeta.

"Acho que tem que continuar tendo o papel no sentido de aumentar o crédito sobretudo ao comércio entre os países em desenvolvimento", disse.

Por outro lado, não exerga com entusiasmo a possibilidade do grupo discutir regime cambial. Economias européias - como a França e outros países que adotam câmbio flutuante - reclamam que a China vem mantendo sua moeda artificialmente barata, tornando injusta a competição de preços.

"O G20 pode sempre discutir regime cambial, agora não sei se é melhor fazer isso informalmente, bilateralmente, em consultas, porque é uma questão muito delicada. Eu penso que ainda não estamos preparados (para discutir isso)."

Futuro governo
Amorim disse confiar na eleição da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao comando do país e na continuidade da política externa desenhada ao longo dos últimos sete anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Regente da diplomacia brasileira, afirma que o maior desafio do próximo governo é fortalecer a integração da América do Sul.

"Quem quer que seja eleito, vai ter que lidar com essa realidade muito importante, que se exprime por fatos", afirmou.

Recém-filiado ao PT, faz mistério sobre seu futuro político. Inicialmente, não pretende disputar cargo eletivo. "De qualquer forma, tenho até março para decidir". Para concorrer nas eleições de outubro, é preciso se desincompatibilizar do cargo até seis meses antes

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Zilda Arns, a Mae do Brasil


Do Observatorio da Imprensa

Por Frei Betto




Reproduzido da seção "Tendências/Debates" da Folha de S.Paulo, 14/1/2010; intertítulos do OI

Pode-se repetir que ninguém é insubstituível, mas a dra. Zilda Arns, vítima do terremoto que arruinou o Haiti, era, sim, uma pessoa imprescindível. Nela mostrava-se imperceptível a distância entre intenções e ações. Formada em medicina e movida por profundo espírito evangélico -era irmã do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo-, fundou a Pastoral da Criança, alarmada com o alto índice de mortalidade infantil no Brasil.

Em iniciativas de voluntariado podem-se mapear dois tipos de pessoas: as que, primeiro, agem, põem o bloco na rua e depois buscam os recursos, e as que se enredam no cipoal das fontes financiadoras e jamais passam da utopia à topia.

Zilda Arns arregaçou as mangas e, inspirada na pedagogia de Paulo Freire, encontrou, primeiro, recursos humanos capazes de mobilizar milhares de pessoas em prol da drástica redução da mortalidade infantil: mães e pais das crianças de 0 a seis anos atendidas pela pastoral transformados em agentes multiplicadores.

Ela, sim, fez o milagre da multiplicação dos pães, ou seja, da vida. Aonde chega a Pastoral da Criança, o índice de mortalidade infantil cai, no primeiro ano, no mínimo 20%. Seu método de atenção às gestantes pobres e às crianças desnutridas tornou-se paradigma mundial, adotado hoje em vários países da América Latina e da África. Por essa razão, ela estava no Haiti, onde pagou com a morte sua dedicação em salvar vidas.

Sem temor

Trabalhamos juntos no Fome Zero.

No lançamento do programa, em 2003, ela discordou de exigir dos beneficiários comprovantes de gastos em alimentos, de modo a garantir que o dinheiro não se destinasse a outras compras. Oded Grajew e eu a apoiamos: ressaltamos que apresentar comprovantes não era relevante, valia como forma de verificar resultados. Haveria que confiar na palavra dos beneficiários.

Em março de 2004, no momento em que o governo trocava o Fome Zero pelo Bolsa Família, ela me convocou a Curitiba, sede da Pastoral da Criança. Em reunião com José Tubino, da FAO, e dom Aloysio Penna, arcebispo de Botucatu (SP), que representava a CNBB, debatemos as mudanças na área social do governo. Expus as tensões internas na área social, sobretudo a decisão de acabar com os comitês gestores, pelos quais a sociedade civil atuava na gestão pública.

Zilda Arns temia que o Bolsa Família priorizasse a mera transferência de renda, submetendo-se à orientação que propõe tratar a pobreza com políticas compensatórias, sem tocar nas estruturas que promovem e asseguram a desigualdade social.

Acreditava que as políticas sociais do governo só teriam êxito consolidado se combinassem políticas de transferência de renda e mudanças estruturantes, ações emergenciais e educativas, como qualificação profissional.

Dias após a reunião, ela publicou, neste espaço da Folha, o artigo "Fôlego para o Fome Zero", no qual frisava que a política social "não deve estar sujeita à política econômica. É hora de mudar esse paradigma. É a política econômica que deve estar sujeita ao combate à fome e à miséria".

E alertava: "Erradicar os comitês gestores seria um grave erro, por destruir uma capilaridade popular que fortalece o empoderamento da sociedade civil; (...) por reforçar o poder de prefeitos e vereadores que nem sempre primam pela ética e pela lisura no trato com os recursos públicos. O governo não deve temer a parceria da sociedade civil, representada pelos comitês gestores".

Título eterno

O apelo da mãe da Pastoral da Criança não foi ouvido. Os comitês gestores foram erradicados e, assim, a participação da sociedade civil nas políticas sociais do governo. Apesar de tudo, o ministro Patrus Ananias logrou aprimorar o Bolsa Família e o índice de redução da miséria absoluta no país, conforme dados recentes do Ipea. Falta encontrar a porta de saída aos beneficiários, de modo a produzirem a própria renda.

Zilda Arns nos deixa, de herança, o exemplo de que é possível mudar o perfil de uma sociedade com ações comunitárias, voluntárias, da sociedade civil, ainda que o poder público e a iniciativa privada permaneçam indiferentes ou adotem simulacros de responsabilidade social.

Se milhares de jovens e adultos brasileiros sobreviveram às condições de pobreza em que nasceram, devem isso em especial à dra. Zilda Arns, que merece, sem exagero, o título perene de mãe da pátria.

[Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 65, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de A Mosca Azul - Reflexão sobre o Poder (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004)]

O Trem Bala Brasileiro


Do Portal R7

Licença ambiental do trem-bala deve sair em 2011

Maior parte dos estudos começará só quando o governo definir a malha ferroviária

A licença prévia ambiental que permitirá o início da construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) deve sair apenas em meados de 2011. Esta é a expectativa do superintendente-executivo da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Hélio Mauro França, que participa nesta quarta-feira (13), em São Paulo, de audiência pública sobre o projeto do TAV.

Ele explicou que a ANTT já deu entrada a alguns estudos de impacto ambiental que independem do traçado referencial do trem bala. Mas a maior parte dos estudos ambientais só poderá ser iniciada quando o governo definir a malha do TAV. O período de audiências públicas - que recomeçou esta semana com debates no Rio, São Paulo e tem encontros agendados em Campinas e Brasília nos dias 15 e 19, respectivamente - termina às 18 horas de 29 de janeiro.

França acredita que o edital tem condições de ser publicado em fevereiro, dependendo da aprovação do projeto pelo TCU (Tribunal de Contas da União). De acordo com ele, os estudos já estão com o TCU desde 3 de dezembro e, pelo prazo regimental, o tribunal teria 45 dias para dar seu parecer. Se essa expectativa for cumprida, a apresentação das propostas deve ocorrer no final de maio. França disse também que a ANTT espera que as desapropriações comecem no segundo semestre deste ano.

O prazo de construção do TAV vai depender do projeto que vencer a licitação. A expectativa é que o TAV seja construído em até cinco anos. Inicialmente, está previsto no projeto um traçado de 510,7 km de extensão, ligando as cidades de São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. O investimento previsto para a obra é de R$ 34,6 bilhões e prazo da concessão é de 40 anos.

Vejam o debate sobre o tema no Expressao Nacional da TV Camara:

Parte 1



Parte 2

A Polemica sobre o PNDH - 3


Mais uma vez o Azenha faz uma bela analise sobre as correntes politicas que se debatem tendo em vista a "polemica" gerada pelo PNDH-3. Vale a pena a leitura.

Do blog do Azenha.

O que aprendi na polêmica do PNDH
Atualizado em 14 de janeiro de 2010 às 01:35 | Publicado em 14 de janeiro de 2010 às 00:40

por Luiz Carlos Azenha

Definiu um leitor do Nassif que "a montanha pariu um rato". Seria uma boa imagem se, depois de tantos litros de tinta, tantas páginas de jornal, tantos minutos em emissoras de rádio e televisão dedicados à polêmica do Plano Nacional de Direitos Humanos não extraíssemos absolutamente nada.

Não foi o caso. Podemos dizer que a polêmica pariu uma tremenda discussão sobre Direitos Humanos e renovou o ímpeto daqueles que lutam para aprofundar a democracia brasileira e fazer valer direitos não apenas aos latifundiários da terra e do espaço eletromagnético. Um leitor do Viomundo -- a quem peço perdão antecipado por não ter anotado o nome -- apontou o nexo entre esses dois grupos por trás da polêmica.

Não é por acaso que, do lado de lá, sustentando a teoria doidivanas de que o PNDH representa algum tipo de "cobertura" a um "golpe autoritário" no Brasil, estavam os editorialistas da Folha, do Estadão, as páginas da revista Veja, o Ali Kamel, o Boris Casoy apud Ives Gandra Martins, a Confederação Nacional da Agricultura (da Kátia Abreu), a OAB paulista (a mesma do "Cansei"), setores conservadores da Igreja, o José Nêumanne, o Alexandre Garcia e uma infinidade de outros personagens menores.

O leitor Gustavo Paim Pamplona disse, em comentário, que o terremoto no Haiti -- e as trágicas mortes de Zilda Arns e dos militares brasileiros -- acabou abortando a primeira grande "crise" de 2010, que na verdade é mais uma de muitas. Quem é leitor do site acompanhou conosco o caos aéreo, a epidemia inexistente de febre amarela e a devastação da gripe suína, em que alguns ingredientes que vimos agora já estavam presentes: a desinformação acoplada a um discurso apocalíptico dos adversários do governo Lula.

Já dava para notar para onde caminharia a "crise", não fosse pelo infortúnio caribenho: iria bater às portas da Casa Civil e de Dilma Rousseff.

Há quem diga que foi tudo tramado por José Serra ou assessores dele: a crise perfeita. Presidente da República em férias, a musa da febre amarela vaza um relatório que ainda não tinha chegado ao Ministério da Defesa dando conta de que a FAB montou uma espécie de pódium aeronáutico com medalhinha de ouro para o jato sueco, medalhinha de prata para o jato americano e medalhinha de bronze para o jato francês, justamente o preferido do presidente da República.

Some-se a isso o descontentamento militar com detalhes do Plano Nacional dos Direitos Humanos, especificamente com o estabelecimento de uma comissão da verdade para apurar os crimes cometidos pela "repressão política" durante o regime militar. Eram esses os ingredientes do caldo cozido no fogo da mídia.

Resisto em acreditar em maquinações que requeiram a articulação de mais de meia dúzia de pessoas. Mas o "modo de operação" é razoavelmente conhecido: os jornais repercutem as notícias uns dos outros, que ganham perna nos telejornais e... vira uma bola de neve, especialmente atraente num ciclo de poucas notícias.

Vi isso ao vivo, nos tempos em que eu era repórter da TV Globo: sai na Veja, ganha pernas no Jornal Nacional de sábado, sai nos jornalões de domingo e segunda-feira tem "crise". Ou seja, é uma fórmula um tanto desgastada.

É importante considerar, nesse caso, que em um negócio bilionário como a compra de caças há sempre muito dinheiro de lobistas. Não é por acaso que tanto na Folha quanto no Estadão -- este em editorial -- se falou que a solução era "adiar" o negócio. A quem interessa "adiar"? A Washington, com certeza: os Estados Unidos não querem que o Brasil feche uma parceria estratégica com a França, injetando europeus militarmente no Hemisfério Sul, porque com isso perdem poder e dinheiro. Muito dinheiro.

É inegável que algum desconforto militar houve com o PNDH. Não no tom descrito pela musa da febre amarela, segundo o qual os militares temiam a "depredação" de instalações militares. Ela disse que os militares "imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora".

Era só o que faltava para o repertório de piadas brasileiras: sequestro relâmpago de tanque de guerra pelo MR8.

Que a jornalista tenha tido a coragem de escrever isso, mesmo atribuindo a uma fonte, no pé de uma reportagem sobre a crise -- uma das primeiras -- diz muito da qualidade da mídia brasileira, em que jornalistas são guiados, quando não cavalgados, pelas fontes.

Tem a má fé e tem a desinformação, o despreparo, a preguiça mental de repórteres e editores. Em tempos de internet, os PNDHs I, II e III estavam lá o tempo todo, para quem quisesse ler e entender. O próprio Viomundo foi um dos primeiros a falar disso, depois de ver no Paulo Henrique Amorim um vídeo com a votação em que a proposta para formar a Comissão da Verdade foi aprovada por 26 votos contra dois de representantes do Ministério da Defesa, na conferência nacional de Direitos Humanos de 2008, que rascunhou o PNDH III.

Foram dias até a mídia chegar -- graças à rádio CBN -- ao Paulo Sergio Pinheiro, organizador do PNDH II, que esclareceu o nexo entre a Conferência de Viena e o PNDH I, em 1996. O Brasil, junto com a Austrália, é que propôs o conceito dos planos nacionais. Há repórteres que até agora não entenderam o caráter meramente propositivo do plano, de definir diretrizes gerais. O fato de que o PNDH resulta de um decreto presidencial não o torna lei. Cada um daqueles pontos do plano, para se tornar lei, terá de fazer todo o trâmite legislativo no Congresso Nacional.

A falta desse entendimento ou a má fé -- é difícil dizer quando é preguiça e quando é malícia -- resultou em abordagens inacreditáveis, como a já famosa reportagem do Jornal da Band que junta tudo o que pode haver de pior no Jornalismo: deveria ser gravada e mostrada nas salas de aula pelos professores como exemplo de como não fazer.

Para uma aula nas sutilezas manipulativas do Ali Kamel, recomendo essa aqui. Também não é novidade. O Rodrigo Vianna foi o primeiro a denunciar isso e as provas, evidências e testemunhos só fazem crescer, como registra quase diariamente o Marco Aurélio Mello.

E tem também a grosseria pura e simples, em rede nacional de TV.

Esses três momentos da TV brasileira são a justificativa para a Conferência Nacional de Comunicação recém-realizada. Ajudam a explicar porque alguns empresários do setor evitaram a conferência: eles querem ter o direito eterno de usar um bem público do qual são concessionários para mentir, forjar, deturpar e distorcer informações, sem dar qualquer satisfação à sociedade.

Ao constatar isso, há quem queira reviver no Brasil de hoje os anos 60, trazendo de volta os antigos e mal resolvidos embates ideológicos. Há, aliás, um bom artigo do Rodrigo Vianna sobre o momento que vivemos.

Mas, francamente, acho contraproducente trazer de volta as memórias da rua Maria Antonia [quando os direitistas do Mackenzie enfrentavam os esquerdistas da Faculdade de Filosofia da USP], que pertencem a outro tempo. Há que se investigar o passado, punir os criminosos que cometeram seus crimes em nome e em defesa de um regime ilegítimo. Ponto.

De outra parte, se algumas centenas de brasileiros se engajarem na defesa dos princípios expressos no PNDH, a "crise militar" terá valido a pena. E a contribuição de todos vocês, que ajudaram a disseminar informação a respeito, foi e continua sendo valiosa. É um assunto muito importante para ficar nas mãos de poucos em Brasília.

Mais uma vez ficou provado que a mídia tem poder -- mas bem menos do que imagina. Eu diria até que cada vez menos aquele grupinho de editores do eixo Rio-Brasília-São Paulo pode manobrar a opinião pública. Das dezenas de reparos feitos ao PNDH, houve apenas uma "correção", acordada entre os ministros do governo Lula, muito embora há quem diga que a pequena mudança descaracterize o essencial, abrindo a possibilidade de equiparar torturadores aos que pegaram em armas contra o regime militar. A ver.

Mas é bom prestar atenção em duas coisas que a "crise do PNDH" deixou claro: dessa vez, o caldo da mídia foi engrossado por algumas organizações -- CNA, OAB-SP, setores da igreja, setores militares, a extrema-direita -- que ensaiaram uma coalizão conservadora que não havia mostrado o rosto em situações anteriores.

É importante que aqueles que se dizem de esquerda não contribuam com o crescimento e o fortalecimento dessa coalizão, com palavras e atos doidivanas. Na História brasileira, como destacou o Rodrigo Vianna, o PSD [antigo partido político, que ficava sempre entre a UDN e o PTB, uma espécie de centro político, hoje ocupado pelo PMDB] é o pêndulo: quem perde o centro, perde o poder. Quem perde a razão, também.

Leiam o livro "1964 -- A Conquista do Estado". Vale a pena.

As manifestações mais hidrófobas que vimos durante a "crise militar" mostram que os conservadores brasileiros estão perdendo a razão. Eles dispõem dos meios para propagar suas mensagens. Dispõem do oportunismo político de alguns. E dispõem de uma fatia da classe média urbana brasileira, pequena, que está absolutamente convencida de que tem um chavista no ralo do banheiro -- e a culpa é do Lula. Tenho uma vizinha, telespectadora assídua do JN, que está ameaçando o cãozinho de estimação com o grito: "Cuidado, o Vanucchi vem te pegar".

Disseminar informação de qualidade e um debate franco e honesto é a melhor forma de evitar o inchaço da legião de celerados. Descomprimir a imensa panela de pressão que é um país injusto como o Brasil requer paciência e cuidado, especialmente quando mudanças rápidas colocam em xeque um modelo concentrador de renda, de terra e de poder. Nesse contexto, Direitos Humanos representam uma ameaça por serem exatamente o que são: universais.

TERREMOTO NO HAITI: Sobe para 14 o Numero de Militares Mortos no Haiti













Do portal G1

Sobe para 14 o número de militares mortos por tremor no Haiti, diz Exército
Em nota, Exército confirma ainda que quatro estão desaparecidos.
País foi atingido por terremoto de magnitude 7 na terça-feira (12).

Do G1, em São Paulo*
O número de militares mortos no Haiti subiu para 14, segundo o Comando do Exército. Um tremor de magnitude 7 devastou a capital, Porto Príncipe, na terça-feira (12). O Brasil comanda uma missão de paz da Organização das Nações Unidas no país. Outra morte confirmada é a da fundadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns.

As informações sobre vítimas e danos ainda são desencontradas, e o tremor afetou a estrutura de telecomunicações do pais.

Nomes das vítimas

De acordo com o texto oficial, foram confirmados 14 óbitos, entre os militares. São eles:

- 1º Tenente Bruno Ribeiro Mário
- 2º Sargento Davi Ramos de Lima
- 2º Sargento Leonardo de Castro Carvalho
- 3º Sargento Rodrigo de Souza Lima
- Cabo Douglas Pedrotti Neckel
- Cabo Washington Luiz de Souza Seraphin
- Soldado Tiago Anaya Detimermani
- Soldado Antonio José Anacleto
- Soldado Felipe Gonçalves Julio
- Soldado Rodrigo Augusto da Silva (todos do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena-SP)
- Cabo Dirceu Fernandes Júnior
- Soldado Kleber da SIlva Santos (os dois últimos do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente-SP)
- Subtenente Raniel Batista de Carmagos (do 37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins-SP)
- Coronel Emilio Carlos Torres dos Santos (do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília-DF)

Outros quatro estão desaparecidos:

- Cel. João Eliseu Souza Zanin (do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília-DF)
- Ten. Cel. Marcus Vinicius Macedo Cysneiros (do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília-DF)
- Maj. Francisco Adolfo Vianna Martins Filho (do Departamento-Geral do Pessoal, sediado em Brasília-DF)
- Maj. Márcio Guimarães Martins (do Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista, sediada no Rio de Janeiro-RJ)

EUA podem perder Corrida Ambiental e Tecnologica para a China


O artigo de Thomas Friedman, publicado no New York Times, reflete a preocupacao dos americanos com os "negocios da China" em materia de energia. Com um mercado em expansao e com potencialidade de se multiplicar tendo em vista o tamanho da sua populacao, a China hoje investe em energias alternativas, que incluem a eolica e a nuclear. E onde o autor estimula o debate para que os EUA estreitem parecerias nesta seara, como forma de alavancar aliancas comerciais e estrategicas e de se espelhar mais contundentemente no desenvolvimento de tais fontes. A questao e: como fazer isto num pais que tem a industria belica e de petroleo dois poderosos clusters, capazes de influenciar profundamente na sua vida politica? E o Brasil? Um dos paises que mais investem em energia limpa, ate que ponto as politicas governamentais estao sendo eficientes para implantar matrizes energeticas alternativas como politica de Estado, ainda que tenhamos todo um pre-sal para explorar? Sera que isto vai retardar a implantacao de tais politicas?

EUA podem perder corrida ambiental e tecnológica para a China

Thomas L. Friedman
em Hong KongC.H. Tung, o primeiro chefe do executivo nomeado pela China após a transferência de soberania em 1997, fez um resumo de três frases da história econômica moderna do país: "A China estava dormindo durante a Revolução Industrial; estava começando a despertar durante a Revolução da Tecnologia da Informação e pretende participar integralmente da Revolução Verde."

Dá para ver. Visitando a China hoje, estou mais convencido do que nunca que, quando os historiadores olharem para o final da primeira década do século 21, vão dizer que a coisa mais importante a acontecer não foi a Grande Recessão, mas o Grande Salto Chinês. Os líderes em Pequim claramente compreendem que a revolução da Tecnologia Energética (TE) é tanto uma necessidade quanto uma oportunidade e não pretendem perdê-la.

Nós, por outro lado, vamos nos concentrar no Afeganistão.

Está certo, este foi um golpe baixo. Vamos então analisar o seguinte: Andy Grove, co-fundador da Intel, gostava de dizer que as empresas atingem "pontos de inflexão estratégicos", quando os fundamentos de um negócio mudam e então, ou a empresa faz uma decisão dura de investir em um momento difícil e assim assume um caminho mais promissor, ou não faz nada e murcha. O mesmo é verdade para os países.

Os EUA estão em tal ponto de inflexão estratégico. Ou instauramos um preço para as emissões de carbono e os incentivos corretos para assegurar que os EUA sejam o principal competidor/parceiro da China na revolução da TE, ou gradualmente vamos perder essa indústria para Pequim, e os bons empregos e a segurança energética irão com ela.

Será que o presidente Barack Obama vai terminar a reforma da saúde e depois colocar de lado a legislação pendente de energia -e o preço do carbono- que o Congresso já aprovou, para chegar ao meio do mandato sem que os republicanos gritem "novos impostos"? Ou vai aproveitar o momento antes das eleições legislativas do meio de seu mandato -possivelmente sua última oportunidade para reunir a maioria no Senado, inclusive alguns republicanos, para adotar um imposto sobre o carbono -e instalar um verdadeiro movimento americano para a inovação em energia limpa e em segurança energética?

Eu fiquei chocado quando soube do volume de projetos de energia eólica, solar, nuclear e de transporte de massa e de queima de carvão mais eficiente que brotaram na China apenas no ano passado.

Este foi o email de Bill Gross, que dirige a eSolar, uma empresa promissora de energia solar e térmica da Califórnia: No sábado, em Pequim, ele anunciou "o maior acordo solar térmico de todos os tempos. É de 2 gigawatt, US$ 5 bilhões (em torno de R$ 10 bilhões) para construir usinas na China usando nossa tecnologia da Califórnia. A China está sendo ainda mais agressiva do que os EUA. Pedimos um empréstimo para um projeto de 92 megawatt no Novo México e, em menos tempo do foi necessário para vencer o primeiro estágio da análise do pedido, a China assinou, aprovou e está pronta para iniciar a construção neste ano de um projeto 20 vezes maior!"

Sim, a mudança climática é uma preocupação para Pequim. Além disso, seus líderes sabem que o país está no meio da maior migração da população rural para centros urbanos na história da humanidade. Isso está criando um pico na demanda de energia, que a China está determinada a suprir com fontes mais limpas e produzidas no país, para que sua economia no futuro seja menos vulnerável a choques de fornecimento e não polua até a morte.

Só no último ano, apareceram tantos novos fabricantes de painéis de energia solar na China que o preço da energia solar caiu de US$ 0,59 por quilowatt hora para US$ 0,16, de acordo com Keith Bradsher, chefe do escritório do "The Times" em Hong Kong. Enquanto isso, a China na semana passada testou o trem bala mais rápido do mundo -350 km por hora- de Wuhan para Guangzhou. Como observou Bradsher, a China "quase terminou a construção da rota de trem de alta velocidade de Pequim a Xangai a um custo de US$ 23,5 bilhões (em torno de R$ 47 bilhões). Os trens vão cobrir o percurso de 1.120 km em apenas 5 horas, o que atualmente leva 12 horas. Em comparação, os trens da Amtrak exigem ao menos 18 horas para cobrir distância similar de Nova York a Chicago."

A China também está envolvida na expansão nuclear mais rápida do mundo. Deve construir 50 novos reatores nucleares até 2020; o resto do mundo combinado talvez construa 15.

"Até o final desta década, a China estará dominando a produção global de todo tipo de equipamento energético", disse Andrew Brandler, diretor executivo do CLP Group, o maior fornecedor de energia elétrica de Hong Kong.

No processo, a China também vai tornar as tecnologias energéticas mais baratas para si e para todos os outros. Até mesmo os especialistas chineses dizem que isso pode acontecer mais rápido e mais eficazmente se a China e os EUA trabalharem juntos -com os EUA se especializando em pesquisa e inovação, áreas que ainda são fracas na China, assim como em investimentos conjuntos e serviços para as tecnologias limpas, e a China se especializando em produção em massa.

Este é um ponto de inflexão estratégico. Está claro que os EUA se importam com a segurança energética, prosperidade econômica e qualidade do meio ambiente, precisam implementar um preço para o carbono de longo prazo que fomente e recompense a inovação em energia limpa. Não podemos nos dar ao luxo de cochilar com a China bem acordada e revigorada.

Tradução: Deborah Weinberg

Thomas L. Friedman
Colunista de assuntos internacionais do New York Times desde 1995, Friedman já ganhou três vezes o prêmio Pulitzer de jornalismo.

TERREMOTO NO HAITI: Impressoes sobre um Pais em Pedacos


Do blog do Azenha
Brasil: Amor e ódio no Haiti
Atualizado em 13 de janeiro de 2010 às 21:31 | Publicado em 09 de março de 2008 às 09:23



Deu vontade de chorar. O povo formou um cordão nas ruas de Porto Príncipe para aplaudir quem passava. Eu e o cinegrafista Lúcio Rodrigues acompanhávamos a comitiva do presidente Lula. Recebemos aplausos como se fossemos craques de futebol.

Naquele dia, a Seleção Brasileira faria um jogo contra o Haiti. Entrou em ação a chamada diplomacia do futebol. Descobri que os haitianos amam o Brasil como a um Eldorado distante; a nossa alegria de viver, exposta no futebol bonito de Ronaldinho, é compartilhada por eles como se fosse um anestésico para a miséria.

Nem na África fiquei tão impressionado com a desolação do cenário. De manhã, corpos aparecem jogados na rua. Citè Soleil, a Cidade do Sol, é o bairro mais populoso da capital do Haiti, um favelão como nunca vi igual. Os mais miseráveis comem bolos feitos de barro. As favelas brasileiras, na comparação, parecem bairros de classe média.

Há lixo nas ruas e o esgoto corre a céu aberto. O calor em Porto Príncipe é úmido e opressivo. Há grandes erosões causadas pela chuva. A cobertura vegetal foi devastada para produzir carvão e energia.

Não há luz no fim do túnel para o Haiti. O país tem algum potencial agrícola e ponto final. Não há petróleo, nem outras riquezas naturais. A população do Haiti é de 10 milhões de pessoas. Dos adultos, 75% estão desempregados.

O Brasil comanda a força de paz da ONU organizada para estabilizar o Haiti e garantir eleições. Também fomos ao palácio presidencial. Lula até que tentou, num discurso, destacar algum fato importante da História haitiana. "O Haiti aboliu a escravidão um século antes do Brasil", disse o presidente brasileiro. Foi o melhor que conseguiu encontrar.

Mesmo na sede do governo os apagões são freqüentes. Quando o cinegrafista Lúcio Rodrigues, desesperado, procurou água para beber, entrou de surpresa na cozinha. Encontrou um mordomo enchendo garrafinhas plásticas direto de uma pia cheia de água de origem duvidosa. A água foi servida aos convidados, no almoço oficial.

Depois da partida contra a seleção local, os jogadores brasileiros embarcaram em blindados para voltar ao aeroporto. Ronaldo aparece ao fundo, dando autógrafo para torcedores enlouquecidos. Eu dei uma de aparecido. E até o soldado da ONU, logo atrás, entra na fila dos autógrafos.

No estádio em que jogou a seleção brasileira, o gramado sintético providenciado pela FIFA transformou-se num forno que cozinhou os pés dos jogadores.
Perdi três quilos numa tarde. Passei mal quando voltei ao hotel.

Mil e duzentos soldados e fuzileiros navais brasileiros patrulham as ruas de Porto Príncipe. Um contingente de militares da Jordânia desembarcou para ajudar os brasileiros. Em julho de 2005, numa das primeiras ações ofensivas da ONU, 400 soldados invadiram Citè Soleil. Houve confronto com as gangues favoráveis a Aristide. O líder de uma delas foi morto. No ataque das forças da ONU também morreram sete civis, entre eles mulheres e crianças.

Os haitianos já não vêem com simpatia a presença dos soldados estrangeiros. A missão de paz deveria durar seis meses. Já foi prorrogada várias vezes.
Se o objetivo do governo Lula é ajudar a estabilizar o Haiti, é provável que a presença das tropas seja de longo prazo. O governo Bush terceirizou uma crise.
Retirou os fuzileiros navais que mantinha no Haiti e passou a missão adiante. O Brasil, que quer uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, decidiu segurar o rojão.

Assim como os Estados Unidos se meteram numa fria no Iraque, o Haiti está se tornando o atoleiro militar do Brasil. A organização Médicos Sem Fronteiras diz que, desde dezembro de 2004, atendeu a 1.132 haitianos feridos por armas de fogo. O trabalho sujo fica por conta da Guarda Nacional, que defende um governo incompetente e corrupto e age como um esquadrão da morte. As obras prometidas pela ONU para melhorar a qualidade de vida não se materializam.

Há pelo menos seis seqüestros-relâmpagos por dia em Porto Príncipe. Um bebê de um ano e dois meses já foi seqüestrado. Um verdureiro foi libertado depois que a família dele pagou o que os bandidos pediam: 30 dólares.

Por isso aquele jogo da Seleção ficou na memória como símbolo dos bons tempos. Nas 24 horas que passei no Haiti, eu me peguei sorrindo com as crianças, triste com a miséria, encantado com a alegria popular, orgulhoso dos dribles do Ronaldinho Gaúcho, feliz por ter nascido no Brasil e ao mesmo tempo arrasado com a falta de perspectiva para quem vive no Haiti.

Voltei a Nova York desidratado e festejei a existência de água corrente e energia elétrica. Como se fosse um milagre, elas estavam nas torneiras e tomadas de minha casa.

TERREMOTO NO HAITI: Relato de um Soldado Brasileiro ao resgatar Colega de Escombros em Porto Principe














Do UOL Notícias
Em São Paulo

Ricardo Couto, tenente da Polícia Militar pernambucana, contou pela internet como foi sua experiência durante e depois do terremoto que arrasou Porto Príncipe, a capital do Haiti. Ele faz parte da força de paz da ONU que está no país caribenho. Leia abaixo o relato resumido dele:

"Ontem, eu estava na base em Porto Príncipe quando por volta das 16h50 aconteceu o terremoto. Acreditem: nenhuma montanha russa, nenhum brinquedinho de gamestation poderá na minha vida superar a sensação que senti quando vi o mundo literalmente balançar na minha frente. Foi incrivelmente ridículo eu achar, em um primeiro momento, que estavam batendo com alguma coisa muito pesada no contêiner que eu estava. Paredes do contêiner viraram teto e vice -versa. Todas as coisas do escritório caiam em cima de mim, e comecei a tirar todos que ainda estavam lá dentro."


O tenente da PM Ricardo Couto está desde agosto no Haiti participando das tropas de paz


"Uma canadense estava colada ao chão de tanto medo. Tive que forçá-la a sair. Após isso, o tremor continuou e aumentou. De repente, ouvimos um barulho terrível que vinha do solo como se alguém estivesse jogando uma bomba na gente. Isso durou tempo suficiente para que toda a base fosse jogada de um lado para o outro bruscamente."

"Foi literalmente a pior sensação que já senti em minha vida, pois me senti totalmente inútil sem poder fazer nada diante da grandeza daquele fato. Após o choque, abrimos todos os procedimentos de segurança e liderei um comboio inteiro com o carro que estava sob minha responsabilidade em direção ao quartel do Comando Geral da Minustah [missão de estabilizadora das Nações Unidas no Haiti], porque até então existia uma boato que o prédio inteiro havia caído e que existiam muitos mortos nos escombros do edifício de seis andares. Quando fomos para o trânsito, o caos e o pânico estavam instalados. A população, em sua maioria estava nas ruas com medo de ficar em suas casas, tornando o trânsito por lá um verdadeiro inferno."

"Vi cenas que só vejo em filmes: crianças mortas nos braços de mães e pais que pediam ajuda quando viam nosso veículo, gente morta no meio da rua, casas completamente destruídas, lacerações gravíssimas, idosos necessitando de atenção médica urgente."

"Quando finalmente chegamos perto do hotel Christopher, sede da Minustah, tivemos que parar nosso comboio porque não tínhamos mais como passar pelos escombros. Então, decidi liderar o comboio a pé e me deparei com um pequeno holocausto haitiano. Não acreditava o que estava acontecendo: os seis andares cheios de pessoas haviam simplesmente sido reduzido a meros escombros que não chegavam à altura de um único andar."

"Em seguida soube que tinha um brasileiro a três ou quatro metros enterrado no chão dentro dos escombros. Ao tentar contato com a vítima soterrada até o pescoço com areia, pude perceber que na verdade era um oficial do exército brasileiro. Passamos quatros horas tentando tirá-lo como podíamos, sem meios, e para isso, tive que descer no meio dos escombros para ter acesso a uma pequena abertura que se encontrava em cima da cabeça dele, estando ele soterrado em posição fetal."

"Disse meu nome e, de imediato, ele começou a me chamar pedindo para que eu não o abandonasse. Falei que não se preocupasse pois só sairia dali de duas maneiras: com ele ou com ele!"

"Outro oficial estava soterrado, mas teve sorte e conseguiu ver uma luz e saiu por ela escavando com dificuldade. Ele me ajudou a tirar os materiais pra resgatá-lo juntamente com um contingente de excelentes soldados bolivianos, porém, como alguns já sabem, depois do terremoto, acontecem novos terremotos de grandeza menor que o primeiro e, quando eu estava dentro do buraco para tirá-lo, outros tremores aconteceram. Nessa hora, você só tem uma opção: rezar para não ser outra vítima."

"Depois de quatro horas e meia de muito trabalho em conjunto, conseguimos tirar o oficial do exército são e salvo de lá - tinha apenas escoriações na perna. Ele nasceu de novo naquele dia."

"A sensação de salvar uma pessoa nessa situação já é muito boa, mas imaginem quando essa pessoa se trata de um amigo e companheiro de farda em missão de paz? Nós nos abraçamos e choramos muito de alegria juntamente com todo o contingente boliviano. Foi realmente emocionante."

"Quando voltava para a base estava amanhecendo. Foi aí que vi realmente o que o terremoto tinha feito com o país. Foi simplesmente devastador. Não tenho palavras para descrever o que mais esse povo aguenta sofrer além de miséria, fome, violência."

"Não durmo há dois dias e meio e não lembro a última vez que me alimentei, porém não vou descansar enquanto não achar os corpos ou os sobreviventes de meus companheiros."

PAINEL INTERNACIONAL





No Brasil, lembranças dos anos de chumbo voltam ao primeiro plano

No Rio de JaneiroOs anos de chumbo em que a ditadura militar dominou (1964-1985) estão voltando à lembrança dos brasileiros. Vinte e cinco anos após o retorno da democracia, a vontade do governo de esclarecer os crimes cometidos pelos agentes do Estado divide a coalizão de centro-esquerda no poder e provoca uma tensão sem precedentes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os chefes das Forças Armadas.

A crise começou quando o presidente assinou, em 21 de dezembro de 2009, um decreto que lançava o 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos. Esse texto é uma longa lista que preconiza a adoção de cerca de 500 medidas e a votação de 27 novas leis que atingem todos os domínios. Ele deve ser apresentado ao Congresso no mais tardar em abril de 2010.

O documento contém duas diretrizes que os militares consideram inaceitáveis, pelo menos em seu enunciado: a criação de uma Comissão da Verdade encarregada de examinar os crimes perpetrados "no contexto da repressão política", uma invenção, segundo eles, "excessivamente insultuosa, agressiva e revanchista"; e a proposta de projetos de lei que pretendem "uma revogação dos textos contrários aos direitos humanos adotados entre 1964 e 1985" e que permanecem em vigor.

A expressão "repressão política", ressalta o Exército, significa que somente os atos cometidos pelas forças de ordem serão alvo dessa operação-verdade. Eles propõem substituí-la pelo termo "conflito político",o que permitiria examinar também as ações conduzidas pelos militantes de extrema esquerda que decidiram combater a ditadura à mão armada. Entre esses ativistas dos anos de chumbo estão, por exemplo, a ministra Dilma Rousseff, escolhida pelo presidente Lula para disputar sua sucessão em outubro.

Quanto à anulação de determinados textos, o exército teme que ela mire prioritariamente a Lei de Anistia votada em agosto de 1979. Ele lembra que a Constituição de 1988 consagrou a anistia e que revisar esta lei, ainda que parcialmente e de maneira retroativa, seria ilegal.

Para marcar bem sua determinação, os chefes das três Forças Armadas ameaçaram, no fim de dezembro, pedir demissão em conjunto, seguidos pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O presidente Lula, que não havia lido o texto detalhadamente, lhes prometeu modificá-lo. De volta das férias, na segunda-feira (11), ele ordenou a seus ministros que não se manifestassem mais sobre esse assunto. O chefe do Estado acredita que o destino da lei de anistia deve ser decidido pela justiça, e não pelo poder executivo. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recorreu à Suprema Corte, que deverá decidir se as torturas podem ou não ser anistiadas.

Enquanto espera, o presidente deverá fazer uma arbitragem difícil entre as Forças Armadas, que ele sempre procurou não desagradar, e Paulo Vannuchi, o ministro encarregado da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), um amigo de trinta anos. Este último também ameaçou se demitir, caso o programa que ele apadrinhou fosse alterado para satisfazer o exército a ponto de se parecer com um "monstrengo político". "Ajustes podem ser feitos, mas há limites", ele disse.

O caso atrai a atenção para a exceção brasileira, único país pós-ditatorial da América do Sul a não ter pedido explicações a seus antigos opressores. A lei de 1979 protegeu os militares, os policiais e os opositores envolvidos na luta armada. E levou à libertação dos últimos detentos políticos e ao retorno de milhares de exilados.

Ao anistiar todos aqueles que haviam cometido, entre 1961 e 1979, "crimes políticos e conexos", a lei beneficiou ao mesmo tempo os perseguidores e os perseguidos, os prisioneiros e seus torturadores. Ela permitiu a estes últimos que escapassem da justiça. Votada seis anos antes do fim da ditadura, para a grande satisfação dos opositores da época que a saudaram como uma vitória, a anistia fora vista como o anúncio do retorno progressivo à democracia. Desde então, o país nunca realmente debateu as sequelas desse período.

Na Argentina e no Chile, onde reinaram ditaduras ainda mais ferozes, os governos posteriores consideraram como ilegítimas, em nome da justiça, as anistias decididas pelos militares, vendo-as como "auto-anistias". Na Argentina, onde a lei foi abolida, militares autores de crimes foram julgados e condenados. No Chile, a lei sobreviveu, mas criminosos também responderam à justiça.

No Brasil, cerca de 400 opositores da ditadura morreram ou desapareceram. Suas famílias, para quem o passado "não passa", exigem que sejam esclarecidas essas tragédias em nome do direito à verdade histórica. Elas exigem a abertura dos arquivos militares. O exército resiste, afirmando que estes foram queimados ou perdidos. Essas famílias criticam o presidente Lula por ele nunca ter aceitado recebê-las. Suas opiniões têm cada vez mais repercussão.

A forma como esse caso progredirá neste ano eleitoral, crucial para o governo, mostrará se o Brasil está pronto para encarar seu passado de frente, fortalecendo ainda mais sua democracia.

Tradução: Lana Lim

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Terremoto no Haiti: segundo Cruz Vermelha, 3 milhoes de pessoas foram afetadas.














Cruz Vermelha diz que terremoto afetou até 3 milhões de pessoas
da Associated Press, em Genebra
da Folha Online

A Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) estima que até 3 milhões de pessoas foram atingidas pelo terremoto devastador de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti nesta terça-feira. Ainda não há números do governo haitiano sobre mortos ou feridos, mas as autoridades locais temem que possam chegar aos milhares diante do estado de devastação. O Ministério de Defesa do Brasil confirma que ao menos quatro militares brasileiros morreram.
(...)

O Ministério da Defesa do Brasil confirmou nesta quarta-feira que uma das instalações da ONU, denominada "Ponto Forte 22", um sobrado de três andares, desabou completamente. As tropas brasileiras passaram a madrugada procurando por colegas desaparecidos sob os escombros. O Ministério confirmou há pouco quatro soldados mortos.

O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU, a Minustah, dos quais 250 são da engenharia do Exército. Os militares já tiveram participação no socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti.

A força foi trazida ao país depois de uma sangrenta rebelião em 2004, que seguiu décadas de violência e pobreza. A missão é liderada pelas tropas brasileiras.

Uma fonte militar, citada pela agência de notícias France Presse, disse que três soldados jordanianos da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) morreram no terremoto e outros 21 ficaram feridos.

Eles foram identificados como os majores Atta Issa Hussein e Ashraf Ali Jayus e o cabo Raed Faraj Kal-Khawaldeh. A mesma fonte afirmou que nenhum dos 21 feridos corre risco de morte.

A imprensa estatal chinesa informou que pelo menos oito soldados chineses foram soterrados, e que outros dez estão desaparecidos.

O chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou em pronunciamento nesta quarta-feira que um dos funcionários da embaixada do país no Haiti ficou gravemente ferido.

Jornalistas da agência Associated Press descrevem danos graves e generalizados pelas ruas, onde sangue e corpos podem ser vistos. Segundo a agência, dezenas de milhares de pessoas estão desabrigadas. A rede de TV CNN informou que possui imagens de mortos pelas ruas da capital haitiana, mas que são muito fortes para exibição.

(...)
Mesmo prédios importantes como o palácio presidencial e a sede da missão da ONU não resistiram e sofreram sérios danos. O subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Alain Le Roy, disse em um comunicado divulgado em Nova York que a sede da missão sofreu graves danos, juntamente com outras instalações das Nações Unidas e que um grande número de pessoas que trabalham para a organização continuava desaparecido.

Há relatos de casas que caíram de barrancos e de um hotel de luxo que teria desabado, soterrando 200 pessoas. Repórteres e testemunhas relatam grande destruição e cenas sangrentas na capital, Porto Príncipe.

As comunicações foram em grande parte interrompidas, tornando impossível obter um quadro completo sobre os danos, enquanto vários tremores que se seguiram ao grande sismo continuaram a assustar a população do país, onde muitas construções são precárias. A eletricidade foi cortada em alguns lugares.

Os embaixadores do Haiti no México e nos Estados Unidos informaram que o presidente René Préval está vivo, apesar do colapso do palácio presidencial

"A situação é muito grave", especialmente nos bairros mais populares, disse Manuel durante uma entrevista coletiva de no Ministério das Relações Exteriores do México, após conversar com o vice-chanceler mexicano, Salvador Beltrán.

A Morte de Zilda Arns


Do Portal G1
Zilda Arns Neumann, coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morreu no terremoto no Haiti, ocorrido nesta terça-feira (12). A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (13) pelo gabinete do senador Flávio José Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda, em Curitiba.

Ele irá acompanhar a missão brasileira que seguirá nesta manhã para o Haiti. "Ela faleceu mesmo. Ela estava junto com um tenente, e os dois foram atingidos e morreram", disse Flávio Arns ao G1.

Aqui mais cenas do Haiti apos o terremoto:

A Blogosfera e a Informacao


Ha uma parte da sociedade que acostumou-se a informacao pela blogosfera. Procura uma analise mais precisa e menos enviesada, onde possa haver interacao e livre expressao. Isso nos remete a questoes como engajamento e partidarismo. A diferenca em que na web voce faz sua propria rede de informacoes e nas midias tradicionais o alinhamento dos meios mais poderosos e a concentracao das midias nas maos de poucos tende a deturpar o sistema, levando a confusao entre interesses proprios e a arte de informar. O texto e de Carlos Castilho, do Observatorio da Imprensa.





Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia
Postado por Carlos Castilho em 11/1/2010 às 13:39:01


A polêmica sobre o 3º Programa de Defesa dos Direitos Humanos mostra que um novo processo político está ganhando corpo na sociedade brasileira diante das debilidades, indefinições e descrédito que afetam algumas instituições do Estado brasileiro.
O debate está passando ao largo de instituições como o Congresso nacional cujo descrédito abriu espaço político para a participação de novos atores como os weblogs, twitters e fóruns de discussão pela internet.
A discussão virtual está ganhando mais relevância diante do aumento do número de leitores de jornais que passam a ver a imprensa não como um facilitador ou mediador do debate, mas como parte interessada.
A opinião pública demonstra nítidos sinais de orfandade em matéria de espaços políticos convencionais, porque os partidos políticos foram transformados em agências de empregos públicos distribuídos por critérios eleitorais.
O debate sobre o Programa de Defesa dos Direitos Humanos é apenas a ponta de um iceberg que começa a ganhar corpo e cuja face visível é uma radicalização crescente dos segmentos mais conservadores, ao constatar que as instituições formais já não funcionam mais como escudo protetor de suas propostas.
O mundo da blogosfera mostra outra face. Nela os desiludidos da mídia convencional criam o seu próprio canal de publicação de idéias numa inédita convivência, nem sempre pacífica, com os blogs conservadores.
A polêmica, que pode ser acompanhada por meio de simples buscas sobre os principais temas em debate no Google ou no Twitter, mostra o surgimento da internet como um novo ambiente político onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público. É esta dupla funcionalidade que gera tanta participação, como pode ser visto até aqui no Observatório, nos comentários postados por leitores.
O debate sobre o ato falho de Boris Casoy, por exemplo, foi muito mais intenso na blogosfera do que na mídia convencional. É claro que a imprensa se deixou levar pelo corporativismo para minimizar o episódio, mas por outro lado, o patrulhamento blogueiro foi implacável com o infeliz comentário do apresentador do telejornal da Band.
Esta tendência à polarização deve ganhar novo combustível na medida em que a campanha eleitoral ganhar mais intensidade. Tudo indica que teremos dois espaços para o debate político:
1) O convencional, onde os segmentos mais conservadores devem predominar, porque é o que lhes resulta mais familiar e influenciável;

2) A Web é o outro espaço para interatividade política, onde é nítida uma maior movimentação dos setores mais liberais, e principalmente dos mais jovens.

Esta segmentação de espaços políticos é inédita em nossa história eleitoral já que pela primeira vez setores que nunca tiveram acesso direto à mídia tem agora a sua disposição uma plataforma barata para publicar idéias e propostas.
É possível prever que a grande batalha por corações e mentes nas próximas eleições presidenciais será travada na internet porque também os políticos convencionais pretendem usá-la em beneficio próprio.
Mas ela terá características bem diferentes das ocorridas na mídia tradicional em pleitos anteriores. O grande diferencial é a impossibilidade de monitorá-la, dado o seu caráter descentralizado e horizontal. Assim fica difícil dizer que tal candidato ou tal partido tem maioria das preferências na Web porque será impossível medir tendências como acontece com as pesquisas de opinião, tipo IBOPE ou DataFolha.
A fragmentação e dispersão dos atores políticos na Web, em especial na blogosfera, é uma porta aberta à radicalização, o que é um fator preocupante embora quase inevitável. Faz parte da alfabetização política na Web, assim como aconteceu no passado com os comentários agressivos e xenófobos em weblogs.
O importante é verificar que as regras do jogo político na Web não são as mesmas que vigoram no debate via jornais, rádios e televisão. Nestes, o público é um espectador, enquanto na Web, mesmo sendo ela privilégio de uma minoria de brasileiros, o cidadão comum é um protagonista, em termos de mídia. Isto faz muita diferença.

Comparacoes das Aeronaves do Projeto FX/2


O artigo e da BBC Brasil e traz comparacoes de dados tecnicos feitas sobre os tres modelos, dentre os quais um sera escolhido pelo Brasil.








Entenda: analistas comparam aspectos técnicos de caças na lista do Brasil
O francês Rafale é o mais caro, mas também o melhor para defender os céus do Brasil, diz analista
Três tipos de caça disputam a preferência do governo brasileiro para estar entre as aeronaves de combate da Força Aérea. O objetivo desse processo de renovação é a compra imediata de 36 jatos. Nos próximos anos, o país deve aumentar as compras para chegar até 120 unidades.

Os modelos que continuam no páreo são: o Rafale, produzido pela francesa Dassault; o sueco Gripen NG, cuja fabricante é a Saab; e finalmente o FA-18 Super Hornet, da americana Boeing.

A BBC Brasil ouviu analistas para entender melhor as vantagens e desvantagens dos três modelos.

O reitor do Royal Air Force College (Faculdade da Força Aérea britânica), Joel Hayward, e o analista de aviação da consultoria Jane's, Craig Caffrey, acreditam que as três aeronaves têm capacidades similares.

Mas Hayward vê no Rafale a melhor aeronave para defender os céus brasileiros, enquanto Caffrey crê que o Gripen pode oferecer a melhor oportunidade de desenvolvimento da indústria aeroespacial do país.

Performance e poderio bélico

Os três caças portam bombas de precisão guiada e avançados mísseis para atingir alvos no ar

Craig Caffrey, analista de aviação da consultoria Jane's
Segundo os especialistas ouvidos, os três modelos são bastante parecidos.

"Nenhum dos três caças tem alguma grande vantagem de desempenho em relação aos demais", diz Caffrey. O Rafale e o FA-18 voam a uma velocidade máxima de 2 mil quilômetros por hora, enquanto o Gripen chega a 1500. Todos os três superam os 3 mil quilômetros de autonomia.

No quesito capacidade de carga bélica (mísseis e bombas que podem carregar), todos são semelhantes também. "Os três caças portam bombas de precisão guiada e avançados mísseis para atingir alvos no ar", explica Caffrey.

Mas o Gripen tem uma vantagem e uma desvantagem nesse quesito. Por ser o menor, o caça sueco pode transportar 6,5 toneladas desse tipo de material, enquanto o francês leva oito e o americano 9,5 toneladas. "Porém ele está sendo desenvolvido para portar uma maior variedade de armamentos do que os outros dois", diz Caffrey.

O fato de o sueco ter apenas um motor contra dois dos concorrentes é visto com reticência por alguns pilotos. Mas Caffrey explica que os motores modernos são extremamente confiáveis. "A Força Aérea Sueca opera a primeira geração do Gripen desde 1997 e estou certo de que eles nunca perderam um caça por causa de problemas no motor", comenta o analista.

Joel Hayward concorda, dizendo que os monomotores são tão confiáveis quanto os demais. Para o reitor do Royal Air Force College, o que realmente deve pesar nessa questão de performance é a função que o caça irá desempenhar.

"Se o objetivo primordial do governo brasileiro é patrulhar a faixa de mar do pré-sal e a Amazônia, ou seja, lidar com alvos no solo, qualquer uma das três aeronaves é perfeitamente capaz. Mas se o país quer estar preparado para se defender de ataques aéreos de outras nações sul-americanas, o modelo francês é certamente o mais adequado", diz Hayward.

O reitor explica que o Rafale tem maior agilidade nas manobras e seus avionics (conjunto de instrumentos de pilotagem e combate) são os mais avançados.

Transferência de tecnologia

O Brasil colocou a transferência de tecnologia como critério essencial nessa negociação. Hayward explica a importância desse aspecto:

"É como quando você compra um computador. Se você não domina os códigos-fonte do processador, será sempre dependente dos avanços que o fabricante conseguir, o que certamente terá um custo alto. Mas se você tem os códigos, pode desenvolver o equipamento por sua própria conta".

Todos os três fabricantes prometem transferir integralmente a tecnologia. Mas na prática pode não ser bem assim. "É muito comum que na hora de vender o produto, as empresas prometam transferir completamente a tecnologia de seus caças. No entanto, depois do contrato assinado, muitas vezes as coisas não transcorrem tão bem", comenta Hayward. Por isso ele crê que a boa relação diplomática entre Brasil e França deve pesar, já que ela pode garantir o cumprimento do contrato.

Os especialistas avisam que também é preciso considerar o grau de desenvolvimento atual de cada aeronave, pois isso indica o quanto o modelo ainda poderá ser explorado pelo Brasil.

Para Caffrey, o FA-18 talvez ofereça a maior garantia de desenvolvimento, porque a Marinha americana ainda vai utilizá-lo por muitos anos e, portanto, investir nele. Quanto ao Gripen NG, que é a nova geração do Gripen original, é o que promete o maior desenvolvimento tecnológico futuro por ser o mais novo.

"Se o Gripen for o escolhido, então o Brasil poderia se tornar um parceiro nos estágios finais do programa de desenvolvimento do caça. Nenhum dos demais concorrentes pode oferecer esse grau de envolvimento", diz Caffrey. Mas Hayward observa que, ao contrário dos rivais, essa nova geração do Gripen ainda não foi testada em combate.

Preço


Supondo uma transferência total de tecnologia e preços semelhates para os três, eu ficaria com o Rafale da França por ser o melhor caça.

Joel Hayward, reitor do Royal Air Force College
Um último fator que também pode ser decisivo é o custo das aeronaves. O pacote completo do Gripen deve sair por R$ 5 bilhões, enquanto o do FA-18 custaria R$ 8 bilhões e o do Rafale por R$ 10 bilhões. Além disso, o custo operacional de cada aeronave também varia. Cada hora de vôo do modelo sueco custa US$ 4 mil, incluindo combustível e manutenção, enquanto para os demais esse valor chegaria a US$ 14 mil.

"Supondo uma transferência total de tecnologia e preços semelhantes para os três, eu ficaria com o Rafale da França por ser o melhor caça. Mas se houver realmente uma diferença brutal de preço, aí eu poderia mudar de idéia, pois com os mesmos recursos o Brasil compraria muito mais aeronaves", completa Hayward.

Essa pode ter sido a interpretação da FAB. Em um extenso relatório, a Aeronáutica classificou o Gripen como a melhor opção, levando em conta a performance, o preço e o potencial de transferência de tecnologia.

O poder executivo brasileiro, porém, já havia declarado em setembro do ano passado que o Rafale é o favorito, principalmente porque Brasil e França assinaram uma parceria estratégica no setor militar. Por se tratar de um assunto de segurança nacional, quem dará a palavra final é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Terremoto de Magnitude 7 atinge o Haiti


Do Ultimo Segundo

WASHINGTON - Um forte tremor de magnitude 7 atingiu o litoral do Haiti nesta terça-feira, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Serviços de comunicação foram destruídos e há falta de energia em algumas regiões.

O Palácio Nacional, o Parlamento, a Catedral e vários outros prédios de Porto Príncipe, capital do Haiti, caíram. Segundo o embaixador haitiano nos Estados Unidos, Raymond Alcide Joseph, o presidente René Préval, e a primeira-dama, Elisabeth Debrosse Delatour, estão a salvo.

O epicentro do tremor foi localizado dentro do território haitiano, a cerca de 16 quilômetros da capital, e teve profundidade de apenas 10 quilômetros. Este tremor maior foi seguido por outros dois, de magnitudes de 5,9 e 5,5.

Um alerta de tsunami para partes do Caribe, incluindo o Haiti, a República Dominicana, Cuba e Bahamas, chegou a ser emitido, mas já foi retirado.

Relatos de danos e vítimas

Um funcionário local para o programa norte-americano Food for the Poor informou ter visto a queda de um prédio de cinco andares em Porto Príncipe, disse à Reuters a porta-voz do grupo, Kathy Skipper.

Outra funcionária do grupo disse haver mais casas destruídas do que erguidas na rua Delmas, uma importante avenida da cidade. "As pessoas estão gritando 'Jesus, Jesus' e correndo em todas as direções", disse o repórter da Reuters.

Karel Zelenka, representante de uma entidade católica na capital, relatou a amigos americanos pouco antes de o telefone falhar que "deve haver milhares de pessoas mortas". "Ele contou que foi um desastre e caos total e que havia nuvens de poeira ao redor de Porto Príncipe", disse uma porta-voz do grupo.

Ajuda internacional

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, disse à rede de notícias CNN que os tremores foram "uma catástrofe de grandes proporções".

Joseph afirmou ainda que conversou com um assessor do governo do Haiti que descreveu cenas de "caos e devastação".

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu para que os funcionários do governo se preparem para prestar assistência humanitária e disse que está "monitorando de perto a situação" e que o país "está pronto para ajudar o povo do Haiti".

Soldados brasileiros no Haiti

O Haiti é o país mais pobre do Ocidente. Com 8,5 milhões de habitantes, o país tem 80% de sua população vivendo com menos de dois dólares por dia, ou seja, abaixo do nível da pobreza.

O Brasil comanda cerca de 7.000 soldados da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, enviada ao país em 2004, e tem 1.266 homens na região.

Em nota, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu que os militares brasileiros no país façam tudo o que for possível para ajudar os haitianos. Segundo ele, o terremoto causou danos em instalações usadas para brasileiros, mas um balanço do prejuízo só será feito na quarta-feira.

Um porta-voz do Itamaraty disse à BBC Brasil que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação no Haiti.

Segundo o Itamaraty, "o presidente disse estar bastante preocupado com a situação dramática do país".

Tremor sentido em Cuba

O terremoto de terça-feira que abalou o Haiti foi sentido também em toda a região leste de Cuba, mas não há até agora informações sobre vítimas ou danos.

Funcionários do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente na segunda maior cidade do país, Santiago de Cuba, disseram que o abalo foi sentido "em toda a região oriental", mas que até o momento não se tem detalhes sobre as consequências.

O Observatório do Centro Nacional de Pesquisas Sismológicas ainda está processando os dados recolhidos para fornecer mais informações.

Empregados do Arcebispado católico de Santiago contaram que na cidade foi sentido um tremor leve, porém prolongado.

Cliquem aqui para ir ao monitor de terremotosApolo 11
Ou aqui para o USGS:USGS

A Geopolitica na Eurasia



O texto foi publicado pela Agencia Carta Maior e traz consideracoes sobre a geopolitica na Eurasia e as novas relacoes de forca que ali se desenham, tendo como atores principais a China, Russia e o Ira. Quais as conclusoes que dai podemos tirar tendo em vista os interesses ocidentais, a frente os EUA e sua busca por isolar o Ira, bem como a questao dos recursos energeticos e a capacidade de exploracao e distribuicao, principalmente do gas na regiao.

Rússia, China e Irã redesenham o mapa energético

Gasoduto conectando norte do Irã e Turcomenistão assinala a constituição de um novo padrão de cooperação energética em plano regional que dispensa negócios com "as grandes do petróleo". A Rússia tradicionalmente dá o primeiro passo; China e Irã seguem a trilha já aberta. Rússia, Irã e Turcomenistão são donos, respectivamente, da primeira, segunda e terceira maiores reservas mundiais de gás. E a China, nesse século, será consumidora por excelência. Todo esse arranjo regional terá profundas consequências sobre a estratégia global dos EUA. O artigo é de M. K. Bhadrakumar.

M. K. Bhadrakumar - Asia Times

A inauguração do gasoduto Dauletabad-Sarakhs-Khangiran anteontem (06/01), conectando o norte do Irã, região do mar Cáspio, com os vastos campos de gás do Turcomenistão, talvez passe sem ser noticiada na cacofonia da mídia ocidental, para a qual o regime islâmico de Teerã estaria vivendo um momento de “apocalipse now”.

O evento, contudo, é uma mensagem com poderoso significado para a segurança da região. No período de três semanas, o Turcomenistão comprometeu com China, Rússia e Irã, todas as suas exportações de gás. Assim sendo, não há qualquer necessidade urgente dos gasodutos que EUA e União Europeia têm oferecido. Estaremos ouvindo os primeiros acordes de uma sinfonia Rússia-China-Irã?

O gasoduto turcomano de 182 quilômetros começa a bombear modestos 8 bilhões de metros cúbicos (bmc) [ing. billion cubic meters (bcm)] de gás turcomano. Mas tem capacidade para bombear anualmente 20 bmc – com o que serão atendidas todas as necessidades da região do Cáspio iraniano, e Teerã poderá dirigir para a exportação toda a produção dos campos do sul do país.

Os interesses dos dois lados estão em perfeita harmonia: Ashgabat consegue um mercado cativo, na porta ao lado; o norte do Irã pode consumir sem medo de racionamentos de inverno; Teerã passa a gerar excedentes para exportar; o Turcomenistão pode buscar vias de exportação para o mercado mundial, via Irã; e o Irã pode aspirar a extrair vantagens de sua excelente localização geográfica, como eixo para as exportações turcomanas.

Estamos assistindo a constituição de um novo padrão de cooperação energética em plano regional que dispensa negócios com "as grandes do petróleo". A Rússia tradicionalmente dá o primeiro passo; China e Irã seguem a trilha já aberta. Rússia, Irã e Turcomenistão são donos, respectivamente, da primeira, segunda e terceira maiores reservas mundiais de gás. E a China, nesse século, será consumidora por excelência. Todo esse arranjo regional terá profundas consequências sobre a estratégia global dos EUA.

O gasoduto turcomano-iraniano ri-se da política dos EUA para o Irã. Os EUA ameaçam o Irã com novas sanções e bradam que o Irã estaria “cada vez mais isolado”. Mas o jato presidencial de Mahmud Ahmadinejad voa para a Ásia Central, pousa no tapete vermelho de Ashgabat para ser acolhido pelo presidente Gurbanguly Berdymukhammedov do Turcomenistão e... forma-se novo eixo econômico. A diplomacia de coerção e ameaças de Washington não funcionou. O Turcomenistão, com PIB de US$18,3 bilhões, desafiou a única superpotência (PIB de $14,2 trilhões) – e, ainda melhor, fez a coisa parecer rotina.

Há também subtramas. Teerã anuncia negociações com Ancara para transportar o gás turcomano até a Turquia pelos já existentes 2.577 quilômetros de gasoduto que ligam Tabriz, no noroeste do Irã, e Ancara. De fato, a diplomacia turca segue orientação de política exterior independente. A Turquia também aspira a operar como eixo de distribuição para fornecer energia para a Europa. A Europa pode estar perdendo a batalha pelo estabelecimento de acesso direto ao Cáspio.

Em segundo lugar, a Rússia não dá sinais de qualquer incômodo por a China aproveitar-se da energia gerada na Ásia Central. As importações europeias de energia russa caíram, e os produtores de energia na Ásia Central têm batido às portas do mercado consumidor chinês. Do ponto de vista dos russos, as importações chinesas não privarão a Rússia nem da energia de que precisa para consumo, nem da que precisa para exportar. A Rússia já está implantada com suficiente profundidade no setor energético da Ásia Central e do Cáspio, para saber que não enfrentará racionamentos de energia.

O que realmente interessa à Rússia é não comprometer seu papel de maior fornecedor de energia para a Europa. En quanto os países da Ásia Central não precisarem de novos gasodutos transcaspianos financiados pelos EUA, tudo continuará perfeitamente bem do ponto de vista dos russos.

Em recente visita a Ashgabat, o presidente russo Dmitry Medvedev normalizou os contatos energéticos entre Rússia e Turcomenistão. A restauração desses laços é importante conquista política para os dois países. Primeiro, porque depois do reaquecimento dessas relações, o Turcomenistão manterá suprimento anual de 30 bcm de gás para a Rússia. Segundo, nas palavras do presidente Medvedev, "Pela primeira vez na história das relações Rússia-Turcomenistão, o gás será negociado por preços absolutamente alinhados com as condições do mercado europeu.” Analistas russos dizem que a [empresa] Gazprom acabará por descobrir que comprar gás turcomano é mau negócio; e que, se Moscou escolheu pagar preço mais alto, é, sobretudo, porque decidiu não deixar para trás nenhum gás que possa ser distribuído para outros consumidores, sobretudo pelos gasodutos alternativos do Projeto Nabucco financiado pelos EUA

Em terceiro lugar, ao contrário da propaganda ocidental, o Turcomenistão não vê o gasoduto chinês como substituto para a [empresa] Gazprom. A política de preços da Rússia assegura que, do ponto de vista do Turcomenistão, a Gazprom continua a ser consumidor insubstituível. O preço do gás turcomano de exportação para a China ainda está sendo negociado e simplesmente não pode alcançar a oferta russa.

Em quarto, Rússia e Turcomenistão reiteraram seu compromisso com o Gasoduto Cáspio Costeiro [ing. Caspian Coastal Pipeline] (que corre ao longo da costa leste do Cáspio, para a Rússia) com capacidade para 30 bcm. Evidentemente, a Rússia espera obter gás adicional da Ásia Central, do Turcomenistão (e do Cazaquistão).

Em quinto, Moscou e Ashgabat concordaram em construir juntos um gasoduto leste-oeste conectando todos os campos turcomanos de gás a uma única rede, de modo que os gasodutos que andam em direção à Rússia, Irã e China possam receber gás de todos os campos.

De fato, contra o pano de fundo da intensificação dos movimentos dos EUA em direção à Ásia Central, a visita de Medvedev a Ashgabat tem impacto sobre toda a segurança regional. Na conferência conjunta de imprensa com Medvedev, Berdymukhammedov disse que as posições de Turcomenistão e Rússia nos processos regionais, particularmente na região da Ásia Central e do Cáspio, são em geral idênticas. Sublinhou que os dois países entendem que a segurança de um não pode ser obtida à custa do outro. Medvedev concordou que havia semelhança ou unanimidade entre os dois países nas questões relacionadas à segurança, e confirmou a disposição para agirem juntos.

A diplomacia dos EUA para o gasoduto no Cáspio, que visava a passar ao largo da Rússia, deslocar a China e isolar o Irã fracassou. A Rússia planeja agora duplicar o gás importado do Azerbaijão, cortando ainda mais os esforços ocidentais para conquistar Baku como fornecedor para o Projeto Nabucco. Em linha com a Rússia, o Irã também está emergindo como consumidor do gás do Azerbaijão. Em dezembro, o Azerbaijão firmou acordo para fornecer gás ao Irã através dos 1.400 quilômetros do gasoduto de Kazi-Magomed-Astara.

O “grande quadro” mostra que as correntes Sul e Norte Russas – que fornecem gás para o sul e o norte da Europa – estão ganhando força irreversível. Os obstáculos que havia na Corrente do Norte foram superados quando a Dinamarca (em outubro), a Finlândia e a Suécia (em novembro) e a Alemanha (em dezembro) aprovaram o projeto do ponto de vista ambiental. Na próxima primavera, o gasoduto começará a ser construído.

O projeto conjunto para que a Gazprom, a alemã E.ON Ruhrgas e a BASF-Wintershall construam o gasoduto de $12 bilhões, e a empresa de transporte Gasunie evita as rotas de passagem da era soviética via Ucrânia, Polônia e Belarus e parte do porto russo de Vyborg, no noroeste da Rússia, para o porto alemão de Greifswald, em rota de 1.220 km que cruza o Mar Báltico. A primeira perna do projeto, com capacidade para transportar anualmente 27,5 bmc de gás, estará pronta no próximo ano; e até 2012 a capacidade estará duplicada. Essa Corrente Norte afetará profundamente a geopolítica da Eurásia, as equações transatlânticas e os laços que aproximam Rússia e Europa.

Não há dúvidas de que 2009 foi ano de fortes emoções na “guerra da energia”. Com o gasoduto chinês inaugurado pelo presidente Hu Jintao dia 14 de dezembro; com o terminal petroleiro próximo ao porto de Nakhodka, no extremo oriente da Rússia inaugurado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin dia 27 de dezembro (que será alimentado pelo oleoduto-gigante de $22 bilhões, desde os novos campos da Sibéria e alcança os mercados do Pacífico asiático); e com o gasoduto iraniano que Ahmadinejad inaugurou anteontem, dia 6 de janeiro – não há dúvidas de que o mapa energético da Eurásia e do Cáspio foi virtualmente redesenhado.

O ano novo de 2010 começa com uma questão fascinante: Rússia, China e Irã saberão operar em movimentos coordenados ou, pelo menos, saberão harmonizar seus interesses concorrentes?

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://www.atimes.com/atimes/Central_Asia/LA08Ag01.html

M. K. Bhadrakumar é diplomata de carreira do Departamento de Relações Exteriores da Índia. Já trabalhou como diplomata na União Soviética, Coréia do Sul, Paquistão, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.

Tradução: Caia Fitipaldi