Mostrando postagens com marcador data-folha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador data-folha. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pesquisas Vox Populi e Data Folha: Análise das Discrepâncias

Dentro daquilo que se convencionou chamar de sistema de poder, diversos atores ocupam seus espaços como forma de garantir a influência nas decisões da sociedade. Esta luta pela manutenção do "status quo", outrora através das armas (hoje, não de todo descartadas) e atualmente, nos regimes democráticos, através do dinheiro, da técnica (de propaganda, estatística, etc.), e lógico, do voto, traz lances interessantes, como no caso dos institutos de pesquisa eleitoral que apresentam resultados discrepantes, observando-se a metodologia empregada por cada um deles. Uma das melhores análises foi feita pelo blog do Nassif que faz uma abordagem acurada sobre a pesquisa Data-Folha. Tal instituto utiliza a técnica de abordagem nas ruas e pratica o descarte das respostas que não apresentam número de telefone ou outra forma de identificação que permita a validação das mesmas. A Vox Populi e o Ibope, para as eleições deste ano, utilizam a abordagem domiciliar, onde é desnecessário o número de telefone. Outro fato relevante é que o Data-Folha, embora tenha entrevistado um maior número de pessoas, não o fez no interior dos estados, mas apenas nas capitais. Paira (como sempre pairou) sobre tais institutos, a pecha da desconfiança, pois, como na maioria das coisas que envolvem poder e dinheiro hoje em dia, o que  menos se espera é o jogo limpo. E todos têm que estar atentos a tais movimentos para, pelo menos, não se deixar influenciar por erros premeditados.

Decifrando o Data-Folha
do Blog do Nassif
por Gunter Zibell


Mas então... Alguém notou que esta Datafolha de 23/07 é desfavorável para Serra se comparada com a de 01/07?
Sabemos que há as diferenças metodológicas do Datafolha. Uma ainda não comentada foi não fazer desta vez o cenário clássico (apenas 3 candidatos.) Os resultados 36 D/37 S/10 M não são plenamente comparáveis com os do Vox Populi (41 D/33 S/8 M) porque contam com 1% cada para PSTU e PSoL. Esses 2% não são prováveis para Serra. Seria mais prudente considerar os resultados para 2º turno e aí a diferença entre institutos, na conta “diferença entre candidaturas” cai de 9% para 7%.
Mais a mais, o fenômeno a ser medido é o mesmo, as trajetórias em direções opostas das candidaturas. Apenas os termômetros são diferentes.
Olhando somente as diferenças para 2º turno : na Vox de 26/06 Dilma (44) menos Serra (40) era 4%. Agora, Vox de 20/07, se fala em 8% (D = 46, S = 38). 4% de mudança em 24 dias.
Na Datafolha de 01/07 a diferença era 2% pró-Serra (este com 47%, Dilma com 45%) e agora (23/07) Dilma está 1% à frente (ela com 47%, Serra com 46%). 3% de mudança em 21 dias.
Não se fala, portanto, em “recuperação” da candidatura Serra. Ambas as pesquisas, dos dois institutos mais comentados, mostram Dilma subindo 2% nas 3 primeiras semanas de julho e Serra caindo 1 ou 2% no mesmo período. Se esta ou aquela pesquisa vai ajudar a angariar fundos de campanha ou estimular as militâncias não altera a realidade do cenário.
Vamos usar um gráfico conhecido (no caso já tinha pronto para 1º turno, mas isso não muda muito agora) e traçar uma seta envoltória para os pontos mais recentes (desde outubro) das duas campanhas em todos os institutos. Para tangenciar os pontos mais baixos de Serra e os mais altos de Dilma. A largura dessas setas é de 8%, ou seja, 4% a mais ou a menos em torno de uma média imaginária. Algo como uma margem de erro maior.
Tentando fazer mais simples as coisas: antes víamos as “bolinhas azuis” sempre acima das “bolinhas vermelhas” em distâncias que variavam; passamos para uma fase em que as bolinhas se misturam (maio, junho) e agora (desde 21/junho) em 4 das 6 vezes a bolinha vermelha fica acima da azul. Em nada mudando, é provável que daqui pra frente as bolinhas vermelhas ficarão mais frequentemente acima das azuis. O que importa é o caminho geral, não os desvios pontuais.

Do ponto de vista de torcidas : se a Datafolha, pesquisa que aparentemente favorece Serra, em função de sua metodologia, já aponta 47% a 46% com pequena vantagem para Dilma no 2º turno, então as demais (sendo que sai uma Ibope agora dia 31/jul.) muito provavelmente apenas mostrarão essa diferença ampliada.
A única questão relevante é se Dilma “na média” chegará no dia 03/out. aos 43% necessários para a eleição se definir em um turno (43% = [100% - 14% de B/N/I] / 2 ). Sua média atual de 4 pesquisas é 39% (em maio era 36%, em março era 32%), a de Serra é 37% (em maio era 37,5%, em março 38,5%). O que temos de concreto é que Dilma cresce mais rápido (quase 2% ao mês) do que Serra decresce (cerca de 0,5% ao mês.) Isso significa que Dilma aproveita bem mais a redução no percentual de indecisos (cuja média passou de 21% em março para os atuais 14%.)
Se houvesse previsão de fato novo pró-Serra com a campanha, isso teria alguma relevância.
Mas já sabemos que se a coligação PSDB/DEM tivesse propostas sedutoras estas já teriam sido mostradas. Também sabemos que a “campanha do medo” pela mídia só prega para os mesmos convertidos (e em função justamente de ausência de programa competitivo.) Repetir factóides de 4 ou 8 anos atrás não dará certo, principalmente porque não se prova nenhum, o que passa a impressão de amadorismo (até para os fiéis desses partidos, o que pode decepcioná-los.)  
Também é sabido que o tempo de TV será favorável a Dilma. O envolvimento direto de Lula também. O maior conhecimento das candidaturas, idem. A participação dos candidatos a governador vai pesar algo. Talvez o movimento que possa recuperar as chances de Serra seja um desempenho muito melhor nos debates.


domingo, 25 de abril de 2010

Marcos Coimbra: Da Discrepância entre as Pesquisas Eleitorais

Do blog do Noblat
Marcos Coimbra
Pesquisas Discrepantes


Estamos vivendo uma fase de pesquisas discrepantes, após meses de convergência das que foram publicadas a respeito das próximas eleições presidenciais
Se as diferenças entre as pesquisas surpreendem até quem as faz, imaginem-se as pessoas que não estão familiarizadas com elas. Desde o jornalista especializado ao cidadão comum, a surpresa pode se tornar perplexidade.
Estamos vivendo uma fase de pesquisas discrepantes, após meses de convergência das que foram publicadas a respeito das próximas eleições presidenciais. O que parecia um consenso entre institutos e levantamentos tornou-se uma polêmica.
É curioso notar que quem é hoje demonizado era, até ontem, tratado com consideração. Os institutos, seus responsáveis e métodos de trabalho não eram questionados por ninguém nem no meio político, pelos partidários de Dilma ou Serra, nem pela imprensa, que informava os resultados de cada um com a imparcialidade possível. Agora, parece que todo mundo virou culpado de alguma coisa.
De fato, para quem tem o hábito de acompanhar as pesquisas brasileiras, as diferenças recentes podem soar estranhas. Estamos acostumados, depois de muitas eleições, a não ver maiores variações entre elas. Os institutos tendem a acertar (quase sempre) e a errar (de vez em quando) juntos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, variações como as dos últimos dias, de até 10 pontos percentuais entre um e outro instituto, são consideradas normais. Seria até ridículo o Partido Republicano entrar na Justiça contra alguém que fez uma pesquisa mostrando Obama na frente. Já na Argentina, todos diriam que são modestas, pois a regra, por lá, é de as pesquisas apresentarem diferenças abissais. Em poucos países do mundo se daria atenção a que estamos vendo por aqui e, certamente, não se especularia sobre se essas pesquisas provêm de algo escuso.
Todos sabem que há diferenças de metodologia entre os institutos brasileiros, que decorrem de suas opções técnicas e operacionais. Nenhuma é melhor que a outra, pois todas apresentam prós e contras. Não existe, em nenhum lugar do mundo, o manual da pesquisa perfeita, a ser obedecido por todos. É um sonho autoritário (e inviável) imaginar o dia em que só haverá uma metodologia, aplicada por um só instituto. Se chegasse, nenhum democrata teria o que comemorar.
Uma das melhores coisas das pesquisas é que elas são inteiramente francas sobre algo que as outras informações que o eleitorado recebe costumam não explicitar: que são falíveis. Quem lê uma pesquisa foi avisado de que ela pode errar e é alertado sobre quanto. É como fumar conhecendo o que está escrito no maço.
Ao avaliar as pesquisas, as margens de erro não são coisas para registrar e esquecer, mas para lembrar. Não é o mais provável, mas é perfeitamente possível, que 10 pontos de diferença entre Serra e Dilma (consideradas as margens) sejam 5 pontos, o mesmo que diz uma pesquisa cujo resultado é uma diferença de um ponto entre os dois. Politicamente, 10 pontos ou 1 fazem uma enorme diferença, mas podem não ser nada (ou quase nada) em termos estatísticos.
Quem analisar com mais cuidado as pesquisas de agora, vai perceber que são unânimes na caracterização das intenções espontâneas de voto. Na mais recente do Ibope, Dilma tem 15% e Serra 14%. Na Vox, Dilma 15%, Serra 12%. No Datafolha, Dilma 13%, Serra 12%. Na Sensus, Dilma 16%, Serra 14%. Em qualquer lugar do mundo, quem olhasse esses números diria que os institutos brasileiros estão inteiramente de acordo sobre o que pensam os eleitores mais definidos, os que tendem a ser mais politizados e interessados nas eleições.
Mas o mesmo consenso não acontece na caracterização das intenções de voto dos que só respondem em quem votariam depois de estimulados. As diferenças de metodologia explicam parte da discrepância (mesmo que, do ponto de vista estatístico, sequer se possa afirmar que ela existe).
O mais provável, contudo, é que elas variem apenas por não haver, ainda, suficiente cristalização das intenções de voto no universo do eleitorado. É o fenômeno que se quer retratar que é volátil, não que alguma pesquisa esteja certa e as outras erradas.
Aliás, pesquisa certa ninguém sabe qual é. Só no dia 3 de outubro, teremos certeza sobre o que os eleitores, de fato, querem. Até lá, o máximo que podemos fazer são pesquisas bem feitas e isso todos tentam.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Nassif: Para entender o Caso Data Folha

Os bastidores do caso Datafolha começam a aflorar.

Alguns dias antes do lançamento da candidatura José Serra, correu a informação de que o Instituto Sensus divulgaria sua pesquisa no mesmo dia. Poderia ser o anticlímax para Serra.

Dias antes, o Sensus passou a levar tiros da Folha, tentando desqualificar a pesquisa antes de saber o resultado. Um repórter foi incumbido de ouvir os donos do Instituto. Percebendo o jogo, ele informou que, devido às chuvas no Rio, os resultados sairiam após o dia do lançamento da candidatura Serra.

Em vão. Os tiros prosseguiram e a velha mídia começou a deixar pistas pelo caminho. O Datafolha preparou uma pesquisa de emergência, não programada. O Jornal Nacional anunciou que, dali para frente, só divulgaria resultados do IBOPE e do Datafolha.

Saiu o resultado do Datafolha, chamando a atenção geral, a ponto de ser colocado em dúvida pelos próprios jornalistas da Folha. Em vez de jogar com margens de erro em todos os estados, para beneficiar a candidatura Serra, o Datafolha jogou toda a variação no sul. E aí escancarou os erros cometidos, abrindo margem para fortes suspeitas de manipulação da pesquisa.

Foi o mais desgastante episódio na vida do instituto – que conquistou credibilidade nos anos 80 ao fazer o contraponto ao IBOPE.

Leia mais no blog do Nassif...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eduardo Guimarães: Ibope e Datafolha tentam suicídio



Do blog do Eduardo Guimarães

Fiz um gráfico (acima) com a evolução de Dilma e de Serra nos diversos institutos de pesquisa a partir de janeiro. Escolhi o cenário com Ciro Gomes e Marina Silva na disputa, pois é o cenário mais noticiado pela mídia e tido como mais provável.

Ao dispor os números dessa forma, confirma-se, sem dúvidas, a tendência de subida de Dilma e queda de Serra ao longo deste ano. Mas não é só.

O gráfico também revela que o Datafolha e o Ibope vêm correndo atrás do Sensus e do Vox Populi. Tentam ir para outro lado, mas são arrastados na direção dos concorrentes.

Em dois momentos da linha de tempo que tracei, primeiro o Ibope e depois o Datafolha tentam abrir a boca do jacaré (forma como os estatísticos vêm chamando a convergência das linhas dos gráficos de evolução das pesquisas), sendo corrigidos um pelo outro ou pelos outros dois institutos, mais adiante.

Notem que, em dois momentos, o Ibope, primeiro, e o Datafolha depois aumentam os percentuais de Serra e deprimem os de Dilma, mas são obrigados a ir na direção que Sensus e Vox Populi vêm sinalizando de forma inequívoca.

Na pesquisa Ibope feita entre 6 e 9 de fevereiro, o Ibope inverte a tendência verificada entre as pesquisas Vox Populi e Sensus, feitas entre 14 e 29 de janeiro, mas só para ser corrigido pelo Datafolha em pesquisa feita entre 24 e 25 de fevereiro, pesquisa que mostra, de novo, Serra caindo e Dilma, subindo.

Mais adiante na linha do tempo, no período de 25 a 26 de março, é a vez do Datafolha de tentar abrir a boca do jacaré. Mas, agora, quem desmentira o Ibope – que teve que se adequar – é desmentido por Vox Populi e Sensus poucos dias depois da aparente fraude que pode ter tentado praticar.

O gráfico mostra, portanto, uma espantosa resistência do Datafolha e do Ibope aos fatos. Está mais do que claro que, deliberadamente, tentam abrir a boca do jacaré, mas acabam tendo que fechá-la mais adiante ao serem desmentidos por outras pesquisas.

O Datafolha está em campo fazendo nova pesquisa meros 15 dias depois da última. Esse é um fato inédito em pesquisas eleitorais depois do ineditismo maior, de esse instituto ter passado a atacar os concorrentes como nunca antes na história deste país.

Nestas minhas cinco décadas de vida, é a primeira vez que vejo duas empresas de renome, que deveriam visar a qualidade do que fazem nem que fosse visando lucros, cometerem suicídio. E com requintes de crueldade, diga-se.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/

domingo, 4 de abril de 2010

Pesquisa Vox Populi x Data Folha

Por que tamanha disparidade entre os dois institutos? Sera que um e Serrista e o outro Dilmista? Ou um esta certo e o outro errado? Ou ambos certos ou errados? A verdade e que o Vox Populi manteve a tendencia de crescimento de Dilma e de estagnacao de Serra, embora este permaneca na frente. Uma outra duvida que se abate sobre a Datafolha e que o crescimento (para Serra) e a diminuicao (de Dilma) se deram numa intensidade muito grande num curto espaco de tempo, coincidentemente na epoca em que o candidato da oposicao resolveu sair de cima do muro e declarar sua candidatura no programa do Datena. Talvez para um reducao ou aumento de intencao de votos em tao pouco espaco de tempo a percepcao de toda uma populacao (que ainda nao esta antenada com as eleicoes) teria que se dar por um fato potencialmente grave, que alavancasse ou derrubasse as candidaturas. E isto nao aconteceu. Ou o requentado caso do Bancoop seria capaz de alavancar Serra e derrubar Dilma? Ou o Lula falando sobre as greves de fome em Cuba e pagando multa eleitoral teriam este mesmo efeito? ou as reiteradas manchetes depreciativas do o Globo seriam assim tao poderosas? Ou o factoide da Eletronet teria tido um efeito tao devastador nos coracoes e mentes dos brasileiros? Talvez entre os votos de opiniao, mas estes ja estao critalizados. Restam os "incautos" que ainda acreditam em jonaloes e revistoes que fazem as vezes dos partidos de oposicao. Mas o numero destes e cada vez menor. Nao e a toa que o proprio Datafolha, quando de sua divulgacao, apressou-se em explicar que aquela leitura poderia ser um retrato do momento, como a preparar o terreno para justificar uma possivel disparidade com uma outra pesquisa. Nao e a toa tambem que a Folha, mudando de estrategia, resolveu desqualificar a pesquisa Vox Populi, acreditando (ou querendo fazer acreditar) que algumas questoes da nova pesquisa induziam o eleitor a erro, como se se perguntar os cargos que os candidatos ja ocuparam, ou o fato de se colocar apenas a palavra "governador" ou "governador de Sao Paulo" antes do nomes de Jose Serra fossem suficientes para induzir ao erro ou a uma determinada resposta. E agora? Houve ou nao houve manipulacao?

domingo, 28 de março de 2010

Reflexões sobre a Pesquisa Data-Folha

A seguir um bom artigo do blog do Nassif, sobre a recente pesquisa Data-Folha, mais realista e menos apaixonado, levando em conta aspectos relevantes sem se deixar levar pelo clima de torcida que vem contaminando o debate eleitoral deste ano. A salientar a necessidade de se confirmar as tendências apontadas pelo instituto de pesquisas através de outros levantamentos (aguardemos a Vox Populi e a CNT/Senus) e as potencialidades de cada candidato. Há um aspecto importante nesta pesquisa: o índice da espontânea, que dá a Dilma 12% e a Serra 8%.

As Novas Etapas da Campanha Presidencial
Do blog Nassif
Por Marcos Doniseti

Nassif, escrevi um longo artigo onde procurei analisar o ciclo de crescimento de Dilma, que parece ter se esgotado neste primeiro momento, a se confiar nos resultados da mais recente pesquisa Datafolha.

No entanto, a pesquisa Datafolha ainda precisa ter os seus resultados confirmados por uma pesquisa mais confiável, devido aos fortes laços que unem Serra, o PSDB e a empresa proprietária do instituto, que é a ‘Folha da Manhã’ e que é, na prática, uma atividade participante da candidatura tucana à Presidência da República.

No entanto, caso o Datafolha esteja correto (algo que não podemos descartar, mesmo que o instituto tenha divulgado os números de uma maneira a beneficiar Serra, mas isso é algo de difícil comprovação), Dilma parece ter se estabilizado, ou melhor, esgotado o ciclo de crescimento pelo qual vinha passando , pelo menos, desde o início de 2009.

E Serra parece ter iniciado uma recuperação que, no entanto, não se sabe se irá continuar ou se terá fôlego curto.

Isto não impede, que Dilma possa, sim, retomar esse crescimento mais à frente, e nem que Serra volte a cair, mas isso vai exigir que a campanha de Dilma arregace as mangas e trabalhe duro, pois esta será a campanha eleitoral mais dura e agressiva desde a redemocratização, sem dúvida alguma.

Aquela idéia de que Dilma teria uma vitória fácil, no 1o. turno, parece que ficaram para trás depois do Datafolha. Os recentes casos da Eletronet e do Bancoop demonstram isso claramente.

Ainda penso que Dilma tem maiores chances de vitória (devido à popularidade imensa de Lula, ao bom ano que teremos para a economia do país), sim, mas se a sua campanha se acomodar, Serra poderá vencer a eleição, sem dúvida alguma.

Baseado nestas possibilidades abertas pela nova pesquisa Datafolha, escrevi um longo artigo onde procuro analisar os motivos do crescimento de Dilma, o possível esgotamento (neste momento) de seu crescimento, bem como da recuperação de Serra.

Vamos lá, então:

O ciclo de crescimento de Dilma se encerrou? A recuperação de Serra é para valer?

Entre Março de 2009 e Fevereiro deste ano a candidatura de Dilma passou por um ciclo de crescimento, como demonstram as várias pesquisas feitas no período.

Segundo o Datafolha, no período em questão, a candidatura de Dilma saiu de 11% em Março de 2009 (cenário com 4 candidatos) para 23% em Dezembro do ano passado e para 28% em Fevereiro. Agora, em Março, ficou em 27%, demonstrando estabilidade.

O que ocorreu, neste período de tempo, para que Dilma tivesse esse crescimento? Simplesmente, ela se tornou mais conhecida entre o eleitorado e uma parcela maior deste descobriu que ela era a candidata apoiada pelo Presidente Lula e que seria a candidata do PT à Presidência da República.

Na pesquisa Datafolha de Março de 2009 apenas 52% dos eleitores diziam conhecer Dilma e, nesta mesma pesquisa, ela tinha apenas 11% das intenções de voto (cenário com 4 candidatos).

Em Dezembro do ano passado, a pesquisa Datafolha constatou que 80% dos eleitores diziam conhecer Dilma e ela tinha 23% das intenções de voto. Esse índice subiu para 86% na pesquisa do final de Fevereiro, quando Dilma chegou a 28% na pesquisa Datafolha.

É bom esclarecer que o Datafolha considera que basta o eleitor dizer que ‘conhece mais ou menos’ ou ‘que ouviu falar’ do candidato para considerar que o mesmo é conhecido dos eleitores, o que é algo muito questionável, no mínimo.

Afinal, será que um eleitor que diz conhecer Dilma ‘mais ou menos’ ou que ‘ouviu falar’ dela, tem conhecimento de fatos como o de que Dilma é a candidata do PT à Presidência da República e que será apoiada pelo Presidente Lula? É claro que não, pois se tivesse conhecimento disso, ele responderia que ‘conhece bem’ a ministra Dilma e não ‘mais ou menos’ ou que tenha apenas ‘ouvido falar’ dela.

Então, isso mostra que Dilma passou por um ciclo de maior exposição e de conhecimento de sua candidatura por parte dos eleitores e que isso gerou um sensível crescimento nas pesquisas. No Datafolha, Dilma saiu de 11% em Março de 2009 para 27% em Março de 2010 (cresceu 16 p.p.). No mesmo período de tempo, Serra caiu de 41% para 36% (queda de 5 p.p.).

E quais os fatores que contribuíram para esse maior conhecimento do eleitorado a respeito da candidatura de Dilma?

Em primeiro lugar, é claro, a intensa exposição que ela passou a ter ao viajar pelo Brasil inteiro ao lado do Presidente Lula.

Além disso, no final de 2009, o PT exibiu um programa nacional no qual Dilma e o Presidente Lula fizeram uma espécie de ‘bate-bola’ durante 10 minutos. E finalmente, em Fevereiro deste ano, Dilma teve uma grande exposição no Carnaval (seu desempenho durante o mesmo foi excelente, muito superior ao de Serra, que mal conseguiu disfarçar o constrangimento em meio à população) foi escolhida a candidata à Presidente pelo PT.

Depois destes fatos, que tiveram grande repercussão entre uma parcela significativa do eleitorado, Dilma cresceu nas pesquisas.

Porém, depois que foi escolhida a candidata do PT para a Presidência, não tivemos mais fatos de grande repercussão junto aos eleitores e que pudessem servir para que Dilma continuasse crescendo nas pesquisas.

Além do mais, nas últimas semanas, nós vimos o início de uma clara e nítida ofensiva midiática muito forte e violenta contra o governo Lula, Dilma e o PT, no qual tivemos o seguinte:

1) Capas da ‘Veja’ explorando o ‘caso’ Bancoop, que o PIG procurou relacionar com Dilma e com o PT, mesmo não havendo ligação alguma entre eles. Mas, a mentira foi difundida intensamente, seguindo os ensinamentos de Goebbels;

2) ‘Caso’ da Eletronet, no qual a Grande Mídia atacou o Zé Dirceu e fizeram de tudo para atingir o governo Lula, o PT e a candidatura de Dilma;

3) Propaganda maciça do governo do estado de SP na Mídia, dizendo que o estado de SP ‘está cada vez melhor’;

4) Ataques contra Lula e Dilma devido a uma suposta ‘campanha antecipada’ por parte da Grande Mídia. As multas aplicadas ao Presidente Lula pelo TSE podem ter reforçado junto a uma parte do eleitorado a idéia de que isso estava mesmo acontecendo. Mas, se isso não prejudicou Dilma, ajudar, também, não ajudou, certo?;

5) Forte crescimento da exposição de Serra na Mídia: lembram-se dele na praia, empurrando o carrinho de rodas de uma mulher? e da vez em que ele participou de um passei ciclístico? Bem ou mal, lá estava Serra, aparecendo de forma positiva na Grande Mídia, que o apóia totalmente, é claro.

Tudo isso ajuda a entender uma eventual estabilidade nas intenções de voto em Dilma e uma recuperação de Serra neste momento da campanha presidencial, que já está a pleno vapor entre os candidatos, a Mídia e os partidos, mas que ainda não chegou à maior parte do eleitorado. Tanto isso é verdade que o Datafolha constatou que, na pesquisa espontânea, 59% dos eleitores não apontam o nome de nenhum candidato para a Presidência da República. E eles, eleitores, não o fazem porque, de fato, sequer estão pensando no assunto, ainda!

A população vai começar a prestar atenção, mesmo, na campanha presidencial, depois da Copa do Mundo e, principalmente, após o início do horário eleitoral. Daí, sim, é que o eleitorado irá se definir com relação à disputa.

Mas, o fato é que esta ofensiva midiática (altamente negativa para a candidatura de Dilma, para o governo Lula e para o PT), ocorreu num momento em que a campanha de Dilma não criou fatos novos que tivessem maior repercussão junto ao eleitorado e que pudessem dar continuidade ao crescimento . E isso acontece desde que Dilma foi escolhida pelo PT como candidata à Presidente.

Portanto, sempre que Dilma cresceu nas pesquisas, isso foi precedido por alguns fatos positivos e que tiveram grande repercussão junto a uma parcela importante do eleitorado e que, até aquele momento, ainda não conhecia Dilma.

Exemplos: Dilma cresceu em Dezembro, depois do programa nacional do PT que explorou intensamente a sua ligação com o Presidente Lula. Daí, ela saiu dos 16% de Agosto de 2009 para os 23% de Dezembro de 2009.

E Dilma voltou a crescer quando o PT lançou a sua candidatura presidencial e com o apoio declarado do Presidente Lula, o que aconteceu em Fevereiro. Depois disso, Dilma saiu dos 23% de Dezembro e foi para 28% no final de Fevereiro.

Assim, somando-se a ofensiva midiática extremamente agressiva contra o governo Lula, Dilma e o PT nas últimas semanas (‘casos’ Eletronet, Bancoop), mais o aumento da exposição de Serra na mídia (devido à propaganda maciça do governo de SP, programa do Datena) e o fato de que a campanha de Dilma não criou, em Março, nenhum fato que repercutisse junto ao eleitorado, ajudariam a explicar as razões desta estabilidade momentânea de Dilma e da recuperação parcial de Serra na pesquisa Datafolha.

Porém, como já ressaltei aqui, em outras mensagens, o Datafolha é um instituto que pertence à ‘Folha de S.Paulo’, jornal que está na linha de frente da campanha presidencial de Serra e o mesmo pode, muito bem, ter dado uma ‘forcinha’ para Serra nesta pesquisa.

Logo, a prudência recomenda aguardar uma próxima pesquisa do CNT/Sensus ou do Vox Populi para constatar se, de fato, Serra iniciou uma recuperação e se Dilma parou de crescer.

Leia mais no blog do Nassif...