segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pesquisas Vox Populi e Data Folha: Análise das Discrepâncias

Dentro daquilo que se convencionou chamar de sistema de poder, diversos atores ocupam seus espaços como forma de garantir a influência nas decisões da sociedade. Esta luta pela manutenção do "status quo", outrora através das armas (hoje, não de todo descartadas) e atualmente, nos regimes democráticos, através do dinheiro, da técnica (de propaganda, estatística, etc.), e lógico, do voto, traz lances interessantes, como no caso dos institutos de pesquisa eleitoral que apresentam resultados discrepantes, observando-se a metodologia empregada por cada um deles. Uma das melhores análises foi feita pelo blog do Nassif que faz uma abordagem acurada sobre a pesquisa Data-Folha. Tal instituto utiliza a técnica de abordagem nas ruas e pratica o descarte das respostas que não apresentam número de telefone ou outra forma de identificação que permita a validação das mesmas. A Vox Populi e o Ibope, para as eleições deste ano, utilizam a abordagem domiciliar, onde é desnecessário o número de telefone. Outro fato relevante é que o Data-Folha, embora tenha entrevistado um maior número de pessoas, não o fez no interior dos estados, mas apenas nas capitais. Paira (como sempre pairou) sobre tais institutos, a pecha da desconfiança, pois, como na maioria das coisas que envolvem poder e dinheiro hoje em dia, o que  menos se espera é o jogo limpo. E todos têm que estar atentos a tais movimentos para, pelo menos, não se deixar influenciar por erros premeditados.

Decifrando o Data-Folha
do Blog do Nassif
por Gunter Zibell


Mas então... Alguém notou que esta Datafolha de 23/07 é desfavorável para Serra se comparada com a de 01/07?
Sabemos que há as diferenças metodológicas do Datafolha. Uma ainda não comentada foi não fazer desta vez o cenário clássico (apenas 3 candidatos.) Os resultados 36 D/37 S/10 M não são plenamente comparáveis com os do Vox Populi (41 D/33 S/8 M) porque contam com 1% cada para PSTU e PSoL. Esses 2% não são prováveis para Serra. Seria mais prudente considerar os resultados para 2º turno e aí a diferença entre institutos, na conta “diferença entre candidaturas” cai de 9% para 7%.
Mais a mais, o fenômeno a ser medido é o mesmo, as trajetórias em direções opostas das candidaturas. Apenas os termômetros são diferentes.
Olhando somente as diferenças para 2º turno : na Vox de 26/06 Dilma (44) menos Serra (40) era 4%. Agora, Vox de 20/07, se fala em 8% (D = 46, S = 38). 4% de mudança em 24 dias.
Na Datafolha de 01/07 a diferença era 2% pró-Serra (este com 47%, Dilma com 45%) e agora (23/07) Dilma está 1% à frente (ela com 47%, Serra com 46%). 3% de mudança em 21 dias.
Não se fala, portanto, em “recuperação” da candidatura Serra. Ambas as pesquisas, dos dois institutos mais comentados, mostram Dilma subindo 2% nas 3 primeiras semanas de julho e Serra caindo 1 ou 2% no mesmo período. Se esta ou aquela pesquisa vai ajudar a angariar fundos de campanha ou estimular as militâncias não altera a realidade do cenário.
Vamos usar um gráfico conhecido (no caso já tinha pronto para 1º turno, mas isso não muda muito agora) e traçar uma seta envoltória para os pontos mais recentes (desde outubro) das duas campanhas em todos os institutos. Para tangenciar os pontos mais baixos de Serra e os mais altos de Dilma. A largura dessas setas é de 8%, ou seja, 4% a mais ou a menos em torno de uma média imaginária. Algo como uma margem de erro maior.
Tentando fazer mais simples as coisas: antes víamos as “bolinhas azuis” sempre acima das “bolinhas vermelhas” em distâncias que variavam; passamos para uma fase em que as bolinhas se misturam (maio, junho) e agora (desde 21/junho) em 4 das 6 vezes a bolinha vermelha fica acima da azul. Em nada mudando, é provável que daqui pra frente as bolinhas vermelhas ficarão mais frequentemente acima das azuis. O que importa é o caminho geral, não os desvios pontuais.

Do ponto de vista de torcidas : se a Datafolha, pesquisa que aparentemente favorece Serra, em função de sua metodologia, já aponta 47% a 46% com pequena vantagem para Dilma no 2º turno, então as demais (sendo que sai uma Ibope agora dia 31/jul.) muito provavelmente apenas mostrarão essa diferença ampliada.
A única questão relevante é se Dilma “na média” chegará no dia 03/out. aos 43% necessários para a eleição se definir em um turno (43% = [100% - 14% de B/N/I] / 2 ). Sua média atual de 4 pesquisas é 39% (em maio era 36%, em março era 32%), a de Serra é 37% (em maio era 37,5%, em março 38,5%). O que temos de concreto é que Dilma cresce mais rápido (quase 2% ao mês) do que Serra decresce (cerca de 0,5% ao mês.) Isso significa que Dilma aproveita bem mais a redução no percentual de indecisos (cuja média passou de 21% em março para os atuais 14%.)
Se houvesse previsão de fato novo pró-Serra com a campanha, isso teria alguma relevância.
Mas já sabemos que se a coligação PSDB/DEM tivesse propostas sedutoras estas já teriam sido mostradas. Também sabemos que a “campanha do medo” pela mídia só prega para os mesmos convertidos (e em função justamente de ausência de programa competitivo.) Repetir factóides de 4 ou 8 anos atrás não dará certo, principalmente porque não se prova nenhum, o que passa a impressão de amadorismo (até para os fiéis desses partidos, o que pode decepcioná-los.)  
Também é sabido que o tempo de TV será favorável a Dilma. O envolvimento direto de Lula também. O maior conhecimento das candidaturas, idem. A participação dos candidatos a governador vai pesar algo. Talvez o movimento que possa recuperar as chances de Serra seja um desempenho muito melhor nos debates.


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