Não se ouve mais as vozes indignadas com a posição do Brasil no caso do golpe em Honduras. Muitos que naquele momento sequer aceitavam a existência de um golpe, hoje não sabem o que se passa com o pequeno país da América Central. Não sabem da crise instituicional e social ali instalada e o isolamento internacional a que o país está exposto. Este é o legado deixado pela quebra das regras da democracia, regras estas tão caras aos países latinos, a maioria com experiências de regimes de exceção sangrentos, que ceifaram a vida e os sonhos de muitos e que jamais serão devolvidos.
HONDURAS ESTÁ ISOLADA E EM CRISE
Por Mair Pena Neto
do Direto da Redação.
Milhares de manifestantes foram às ruas de Tegucigalpa no último dia 28 de junho para lembrar o primeiro ano do golpe de Estado no país, exigir a volta do ex-presidente Manuel Zelaya e pedir a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Ou seja, o país está diante das mesmas questões que existiam antes do golpe e sua situação só se agravou com o isolamento que vive agora.
Um golpe de Estado não se apaga da história. Mesmo que seja temporariamente vencedor, deixa sequelas na sociedade que não se resolvem de um estalo. Basta ver os fantasmas que nos atormentam até hoje e as questões mal resolvidas da ditadura militar no Brasil.
Os Estados Unidos tentaram fazer com que o golpe em Honduras não existisse reconhecendo o governo de Porfirio Lobo, eleito no final do ano passado num processo conduzido pelo governo golpista de Roberto Micheletti. Mas o governo de Lobo não foi reconhecido pela maioria dos países latino-americanos, e se encontra acuado, tanto à esquerda quanto à direita. A primeira não reconhece a legitimidade de seu governo, e a direita acha que faz concessões demais aos partidários de Zelaya.
Honduras vive um momento de fragilidade institucional e social. Os índices de criminalidade aumentaram e a violência política não parou com o fim do período repressivo do governo Micheletti. Perseguições políticas também continuam em curso e recentemente a Suprema Corte, que sustentou o golpe contra Zelaya, se recusou a readmitir quatro juízes que tinham se posicionado contra a quebra da ordem constitucional.
Porfírio Lobo reconhece que houve um golpe contra Zelaya e criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação, boicotada pelos aliados do ex-presidente e pelos movimentos de direitos humanos, que não acreditam em seu alcance. Lobo também tem falado na possibilidade de um referendo sobre uma Assembléia Nacional Constituinte, mas não tem força política para levá-lo adiante.
Neste cenário de instabilidade, o próprio Lobo já denunciou ameaças de golpe contra seu governo, que partem de setores que ele diz saber quais são. A única força política capaz de um novo golpe em Honduras seria a direita, mais uma vez com apoio do Poder Judiciário e de setores das Forças Armadas.
Honduras está paralisada, em crise econômica e política, suspensa da OEA e fora da Unasul enquanto Zelaya não voltar ao país sem sofrer qualquer constrangimento legal. A América Latina não tolera mais golpes de Estado típicos da época das repúblicas das bananas, mesmo que travestidos de uma suposta ordem legal, como tentaram fazer em Honduras.
O que aconteceu em Honduras não pode ser ignorado e a posição dos países latino-americanos tem sido exemplar no sentido profilático de evitar novos golpes no continente.
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sexta-feira, 9 de julho de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Chanceler sinaliza que “evolução” em Honduras pode levar a uma nova posição do Brasil
Agência Brasil
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sinalizou hoje (18) que os novos acontecimentos em Honduras podem levar o governo do Brasil a rever sua posição em relação ao país caribenho. Desde o golpe de Estado, em junho do ano passado, o governo brasileiro considerou ilegítimas as eleições, realizadas em junho, e que deram a vitória a Porfirio "Pepe" Lobo.
Amorim se referia aos esforços de Lobo para restabelecer a ordem no país e o acordo para que ex-presidente Manuel Zelaya, que havia sido deposto em junho, não sofresse ameaças ao deixar a Embaixada do Brasil no mês passado. Zelaya está provisoriamente na Costa Rica.
O assunto será tema de reunião – entre os dias 21 e 23 - do Grupo do Rio, em Cancún, no México. “Vamos ver como essas condições evoluem”, afirmou Amorim, ao participar de um debate sobre temas internacionais promovido pelo Congresso do PT em Brasília. Estavam presentes havia representantes de vários países. “Essas condições [em Honduras} não se fazem em um dia.”
As condições, mencionadas por Amorim referem-se às alternativas sugeridas pela comunidade internacional para que Honduras seja reintegrada à Organização dos Estados Americanos (OEA) e retome as relações políticas com o Brasil, o Chile, a Venezuela, a Bolívia, o Equador e a Argentina.
Para parte da comunidade internacional, “Pepe” Lobo deve garantir que serão arquivadas as denúncias contra Zelaya e seus correligionários e realizar esforços para a unidade nacional e a busca pela unidade interna pelas vias democráticas. Na prática, os países querem garantias de que não há riscos, nem ameaças de um novo golpe de Estado no país.
O golpe de Estado em Honduras, em 28 de junho de 2009, foi resultado de um conjunto de forças formado por integrantes das Forças Armadas, do Congresso Nacional e da Suprema Corte. O então presidente Zelaya foi deposto e deixou o país. Depois, em 21 de setembro, retornou a Honduras e ficou abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
O Brasil condenou o golpe, rechaçando o episódio como um atentado às forças democráticas. Para o governo brasileiro, as eleições que deram vitória a “Pepe” Lobo só poderiam ser reconhecidas como legítimas se tivessem ocorrido com a restituição de Zelaya ao poder. No entanto, isso não ocorreu, e o processo foi conduzido pelo então presidente Roberto Micheletti, apontado como golpista pelo governo brasileiro.
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sinalizou hoje (18) que os novos acontecimentos em Honduras podem levar o governo do Brasil a rever sua posição em relação ao país caribenho. Desde o golpe de Estado, em junho do ano passado, o governo brasileiro considerou ilegítimas as eleições, realizadas em junho, e que deram a vitória a Porfirio "Pepe" Lobo.
Amorim se referia aos esforços de Lobo para restabelecer a ordem no país e o acordo para que ex-presidente Manuel Zelaya, que havia sido deposto em junho, não sofresse ameaças ao deixar a Embaixada do Brasil no mês passado. Zelaya está provisoriamente na Costa Rica.
O assunto será tema de reunião – entre os dias 21 e 23 - do Grupo do Rio, em Cancún, no México. “Vamos ver como essas condições evoluem”, afirmou Amorim, ao participar de um debate sobre temas internacionais promovido pelo Congresso do PT em Brasília. Estavam presentes havia representantes de vários países. “Essas condições [em Honduras} não se fazem em um dia.”
As condições, mencionadas por Amorim referem-se às alternativas sugeridas pela comunidade internacional para que Honduras seja reintegrada à Organização dos Estados Americanos (OEA) e retome as relações políticas com o Brasil, o Chile, a Venezuela, a Bolívia, o Equador e a Argentina.
Para parte da comunidade internacional, “Pepe” Lobo deve garantir que serão arquivadas as denúncias contra Zelaya e seus correligionários e realizar esforços para a unidade nacional e a busca pela unidade interna pelas vias democráticas. Na prática, os países querem garantias de que não há riscos, nem ameaças de um novo golpe de Estado no país.
O golpe de Estado em Honduras, em 28 de junho de 2009, foi resultado de um conjunto de forças formado por integrantes das Forças Armadas, do Congresso Nacional e da Suprema Corte. O então presidente Zelaya foi deposto e deixou o país. Depois, em 21 de setembro, retornou a Honduras e ficou abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
O Brasil condenou o golpe, rechaçando o episódio como um atentado às forças democráticas. Para o governo brasileiro, as eleições que deram vitória a “Pepe” Lobo só poderiam ser reconhecidas como legítimas se tivessem ocorrido com a restituição de Zelaya ao poder. No entanto, isso não ocorreu, e o processo foi conduzido pelo então presidente Roberto Micheletti, apontado como golpista pelo governo brasileiro.
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