domingo, 17 de julho de 2011

A Crise do Jornalismo - Rupert Murdoch e o "The News of the World"


Mídia e negocio. Jornalismo e, antes de tudo, negocio. Esses aforismos, em muitos casos, suplantam os preceitos de ética e moral que deveriam nortear o oficio de bem informar. Ocorre que interesses outros passaram a nortear tal função, sejam eles políticos, sejam econômicos. Alguns fatos sintomáticos: Ano passado a presidente da ANJ afirmou com todas as letras que, na falta de uma oposição forte, os jornais deveriam fazer as vezes da casa. Um pouco mais anteriormente, uma tentativa de golpe na Venezuela teve o apoio de grandes veículos de comunicação. Assim como o golpe de Honduras foi considerado por aqui como algo juridicamente correto, não faltando quem justificasse a legitimidade do ato em face da proximidade do Manuel Zelaya com o Hugo Chavez. Agora explode o escândalo do “The News of the World” do magnata das comunicações Rupert Murdoch, envolvendo chantagens e escutas ilegais.
Sabemos que não há inocentes em tudo isto. De fato, muitos paises adotam medidas de fiscalização e – suprema heresia aqui no Brasil –, controle da comunicação social. Esse fato do “The News of the World” tem levantado muitas criticas a OFCOM (Office of Comunications), que e um órgão de composição mista, formado também por membros da sociedade civil e funcionários públicos indicados pelo Estado britânico. La também existe a Press Complaints Commission (comissão de queixas sobre a imprensa), órgão formado pelos próprios jornais para se autorregular. Em Portugal e França temos a ERC e a CSA respectivamente. Na Argentina temos a Ley dos Médios e outros países também têm se empenhado em discutir com a sociedade civil uma forma de democratizar e fiscalizar as comunicações fazendo frente ao poder dos grupos de comunicação que se agigantaram – como o do Murdoch –, capazes de imporem seus interesses acima dos da sociedade. Alguém ouviu a Globo falar mal do Ricardo Teixeira no escândalo da venda de votos na FIFA? Na realidade a emissora teve a cara de pau de afirmar que a própria FIFA teria inocentado o gestor da CBF.
E bom ressaltar que toda vez que se fala em controle social dos meios de comunicação aqui no Brasil, convenientemente, os grande veículos se abespinham e partem para o contra-ataque, acusando a iniciativa de censura ou tentativa de cerceamento da liberdade de expressão. Será que na Inglaterra, França, Portugal e outros paises existe esta censura ou cerceamento?
Por fim, cito o Paulo Moreira Leite, que publicou no seu blog um excelente texto intitulado “A herança que chegou a todos nós”, e que afirmou:
"(...) Felizmente, não é em todo lugar que os repórteres contratam empresas de investigação para promover escutas telefônicas e bisbilhotar a saúde de crianças.
Nem todos os governos se curvam diante dos senhores da mídia de seus respectivos países.
Seria igualmente errado dizer que todas as empresas de comunicação aplicam os mesmos métodos e exibem a mesma falta de escrúpulos.
Mas é difícil negar que há um pouco de Robert Murdoch no pior do que a imprensa mundial exibe hoje, concorda?”

Tributo a Estrela - Milton Nascimento


Como apagar a estrela que bate no seu coração? Não há como. A estrela se foi, partiu pela manha, para ficar no firmamento a ser contemplada nas noites límpidas, daquilo que foi para sempre ser.

U2 - Guitarra e Voz

A inconfundivel voz do Bono Vox, a guitarra e o som. O U2 e realmente uma das melhores bandas de todos os tempos.

sábado, 16 de julho de 2011

A Crise da Divida Americana

Quem diria que veríamos os EUA as voltas com problemas de déficit publico destas proporções? E uma queda de braço entre Democratas e Republicanos, aqueles pelo aumento de impostos, e estes pelo corte de gastos públicos, onde, logicamente, os menos favorecidos sairão perdendo. Aumento de impostos para os mais ricos, nem pensar. Cortes no Medicare e Medicaid entre outros gastos públicos são defendidos com unhas e dentes pelos mercadistas e financistas. Provavelmente encontrarão um meio termo para este impasse, logicamente pendendo para o corte dos gastos públicos, mas o fato e que a economia americana so conseguiu gerar no ultimo mês 18 mil postos de trabalho. E muito pouco para o gigante. E um alerta suficiente para forçar, inclusive, cortes naquela que e considerada intrínseca na cultura dos americanos, a industria de guerra.

O texto a seguir e uma tradução livre do site Democracy Now, de uma pequena parte do artigo “U.S. Debt Default Looms as Talks Stall on Deficit Reduction: “We Are Playing with Fire””. O vídeo esta em inglês.



A discussão sobre um acordo de redução do déficit foi interrompida após cinco dias consecutivos de negociações entre republicanos e democratas. O objetivo e aumentar o teto da dívida americana para alem de US$ 14,3 trilhoes de dólares. Esta semana, a Standard and Poors se tornou a segunda das grandes agências de rating de crédito a colocar sob revisão a dívida dos EUA, citando um risco crescente de não pagamento. Os republicanos estão pressionando por cortes maciços de gastos, com muitos dos quais Obama se comprometeu, e os democratas dizem que querem aumentar os impostos sobre as empresas e famílias abastadas.

Legisladores dos EUA não conseguiram chegar a um acordo sobre a redução do déficit após cinco dias consecutivos de negociações. De acordo com assessores republicanos e democratas, o presidente Barack Obama concluiu as discussões quintas-feira, dizendo que ele quer um acordo no prazo de 24 a 36 horas. O presidente planeja uma entrevista coletiva para discutir a situação das negociações da dívida. As negociações até agora têm sido amargas, com legisladores republicanos culpando o presidente Barack Obama pelo impasse.

O Presidente da Câmara, o republicano John Boehner comentou: O fato é que os republicanos têm um plano. Apresentamos o nosso orçamento na primavera, delineando as nossas prioridades. Onde esta o plano do Presidente? Quando ele vai colocar suas cartas na mesa? Este aumento do limite de endividamento é um problema dele, e eu acho que é hora de ele levar o seu plano, colocando na mesa algo que o Congresso pode passar.

No começo das negociações, Boehner (Presidente da Câmara dos Deputados) disse que tinha chegado a um acordo com o presidente Barack Obama , mas depois recuou. Neste momento o Líder da Maioria, Eric Cantor, entrou em cena para levar as negociações. Os EUA devem elevar seu teto de endividamento de US$ 14,3 trilhoes para além 02 de agosto. Neste ínterim a Poors se tornou a segunda das grandes agências de classificação de crédito a colocar a dívida dos EUA sob revisão, citando um risco crescente de não pagamento. Outra agência de classificação, a Moodys, avisou um dia antes que poderia rebaixar a classificação da dívida americana.

Os republicanos estão pressionando por cortes de gastos maciços, e rejeitando pedido dos democratas para aumentar as receitas, em parte, aumentando os impostos sobre as empresas e famílias abastadas. Os líderes republicanos também começaram um debate interno sobre uma proposta da líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, sobre o aumento do limite da dívida, exigindo que o presidente Obama busque aprovação no Congresso para até US$ 2,5 trilhões em três parcelas. Os Republicanos dizem que o plano iria corroer a sua influência para garantir cortes nos gastos, enquanto os aliados dizem que pouparia os republicanos pela culpa de um padrão de crédito perigoso antes da eleições de 2012.

O Brasil sem Parar


Grandes desafios estao delineados no horizonte do pais. A comecar pelo combate a corrupcao e por uma reforma politica seria, para manter e dar sustentabilidade a um desenvolvimento constante e duradouro. Ha iniciativas importantes como o PAC e as parcerias publico-privadas, mas ha a necessidade, tambem, de que a sociedade tome conhecimento desses avancos de modo a que nao fiquemos com a sensacao de que tudo no Brasil esta fadado ao fracasso. Pelo contrario, o Brasil tem tudo para dar certo.

por Delfim Neto da Carta Capital
via Escrevinhador.

A situação da economia brasileira certamente não é a ideal, mas é muito melhor do que supõem os pessimistas de plantão, muitos deles a viver do substancial patrocínio de parte do sistema financeiro.
À semelhança dos primeiros meses do governo Lula, a presidenta Dilma precisou enfrentar as pressões de luminares do mercado financeiro que exigiam a radicalização das políticas fiscal e monetária para não perder o objetivo da meta inflacionária, mesmo que isso levasse a uma redução do crescimento econômico. Ela reagiu a essas pressões, deixando claro que o objetivo principal continuava a ser o crescimento, utilizando-se da comunicação de forma correta e convincente, da mesma forma que o fizeram seus principais auxiliares na área econômica, o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda.

Neste caso, o governo não apenas adotou as medidas prudenciais adequadas como usou os meios de divulgação para convencer os agentes que o alongamento de mais um ano, no objetivo de voltar à meta, dará maior segurança à política de controle da inflação. A importância disso reside no fato de que as expectativas que a sociedade forma em torno das políticas do Estado são fundamentais para se chegar ao resultado perseguido. A tentativa de um endurecimento monetário e fiscal, provavelmente, quebraria a confiança de trabalhadores e empresários no processo de crescimento, os primeiros reduzindo o consumo e os empresários, os investimentos.

Certamente a recusa em embarcar nessa “canoa furada” evitou um desastre de grandes proporções econômicas, gravíssimas tensões sociais e tremendas consequências políticas. Guardadas a devida distância e as diferenças abissais de comportamento dos governos nesses últimos cinco a dez anos “gloriosos” de desregulação (melhor dito, desregramento do capital), basta observar as prévias de violência nas reações de gregos, troianos e outros súditos do euro para entender do que nos livramos.
Infelizmente, o setor onde o governo está curiosamente omisso é na informação pública sobre o andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujas realizações, acredita-se, estariam destinadas a ser uma espécie de locomotiva da comunicação no governo Dilma. Não se trata de promover os investimentos do governo federal (que, enfim, não são tantos ou não se realizam nos prazos anunciados) nas áreas da infraestrutura de transportes ou de energia basicamente. O mínimo de atenção que se deve dar ao contribuinte é mostrar onde estão sendo gastos os seus impostos.

Há centenas de parcerias público-privadas (pequenas, médias e grandes) aonde o dinheiro da arrecadação vai sendo aplicado de forma produtiva e isso é ignorado pelos brasileiros, que, quando tomam conhecimento de alguma obra, é porque houve algum desvio de finalidade, algumas somente apenas tentativas ou a interrupção por causa de erros de programação ou retardo de liberação das verbas. E há os empreendimentos de grande porte que as pessoas gostariam de acompanhar, mas que são solenemente ignorados pelos meios de comunicação.

Um exemplo disso foi a divulgação extremamente modesta do– desvio do curso do Rio Madeira, onde se constrói a hidrelétrica de Santo Antônio, uma obra de grande envergadura e de fundamental importância para o desenvolvimento da Amazônia e, portanto, para o crescimento da economia brasileira. Apesar de contar com a presença da presidenta Dilma, numa demonstração da importância do empreendimento e de sua disposição de promover o aumento da oferta de energia, a divulgação foi apenas rotineira, perdendo-se a oportunidade de satisfazer o interesse dos brasileiros de todas- as demais regiões sobre o que se realiza neste imenso território nacional para acelerar o desenvolvimento.

Não se satisfaz a curiosidade- dos mais jovens que hoje demonstram um enorme apetite para conhecer melhor as regiões- brasileiras e que dispõem de acesso crescente e praticamente imediato à informação “em tempo real”, por seus telefones celulares, notebooks e dos mais modernos iPads, um meio de comunicação cuja propriedade se tornou um objeto de desejo dos mais cobiçados e que, apesar dos preços ainda fora do alcance da maioria, estão tendo o consumo aumentado de forma vertiginosa.
Com os abundantes recursos (materiais e humanos) disponíveis para a comunicação governamental, é quase inconcebível que sejam desperdiçadas tantas oportunidades para a divulgação de obras que efetivamente contribuem de forma marcante para o desenvolvimento brasileiro.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tupã e a Previsão do Tempo

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã. Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas. Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

Ao custo de R$ 50 milhões, dos quais R$ 15 milhões foram financiados pela FAPESP e R$ 35 milhões pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o sistema foi fabricado pela Cray, em Wisconsin, nos Estados Unidos.

O Tupã é capaz de realizar 205 operações de cálculos por segundo e processar em 1 minuto um conjunto de dados que um computador convencional demoraria mais de uma semana.

Com vida útil de seis anos, o equipamento permitirá ao Inpe gerar previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo.

A máquina também possibilitará melhorar as previsões ambientais e da qualidade do ar, gerando prognósticos de maior resolução – de 15 quilômetros – com até seis dias de antecedência, e prever com antecedência de pelo menos dois dias eventos climáticos extremos, como as chuvas intensas que abateram as cidades de Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) no início de 2010.

“Com o novo computador, conseguiremos rodar modelos meteorológicos mais sofisticados, que possibilitarão melhorar o nível de detalhamento das previsões climáticas no país”, disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação do Inpe e coodernador substituto do CPTEC, à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, no início de janeiro de 2011 começarão a ser rodados no supercomputador, em nível de teste, os primeiros modelos meteorológicos para previsão de tempo e de mudanças climáticas. E até o fim de 2011 será possível ter os primeiros resultados sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil com dados que não são levados em conta nos modelos internacionais.

Modelo climático brasileiro

De acordo com Gilberto Câmara, diretor do Inpe, o supercomputador foi o primeiro equipamento comprado pela instituição de pesquisa que dispensou a necessidade de financiamento estrangeiro.

“Todos os outros três supercomputadores do Inpe contaram com financiamento estrangeiro, que acaba custando mais caro para o Brasil. O financiamento da FAPESP e do MCT nos permitiu realizar esse investimento sem termos que contar com recursos estrangeiros”, afirmou.

O supercomputador será utilizado, além do Inpe, por outros grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climática (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.

Em seu discurso na inauguração, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou a importância do supercomputador para o avanço das pesquisas realizadas no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, que foi concebido para durar pelo menos dez anos, e para a criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).

“O modelo incorporará os elementos do sistema terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação e ciclos biogeoquímicos, entre outros), suas interações e de que modo está sendo perturbado por ações antropogênicas, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estudo, mudanças na vegetação e urbanização”, disse.

A construção do novo modelo envolve um grande número de pesquisadores do Brasil e do exterior, provenientes de diversas instituições. E se constitui em um projeto interdisciplinar de desenvolvimento de modelagem climática sem precedentes em países em desenvolvimento.

“Não tínhamos, no Brasil, a capacidade de criar um modelo climático global do ponto de vista brasileiro. Hoje, a FAPESP está financiando um grande programa de pesquisa para o desenvolvimento de um modelo climático brasileiro”, disse Brito Cruz.

Na avaliação dele, o supercomputador representará um avanço na pesquisa brasileira em previsão de tempo e mudanças climáticas globais, que são duas questões estratégicas para o país.

Impossibilitado de participar do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, gravou um vídeo, exibido na solenidade de inauguração do supercomputador, em que declarou o orgulho da instalação no Brasil do maior supercomputador do hemisfério Sul.

“Com esse supercomputador, o Brasil dá mais um passo para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente e entra no seleto grupo de países capazes de gerar cenários climáticos futuros”, disse.

Mais informações: www.inpe.br
Fonte: http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&view=article&id=19250:superprevisao-do-tempo-pergunte-ao-tupa&catid=56:ciia-e-tecnologia&Itemid=75

Agência FAPESP

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Casa Grande e a Senzala



O ENEM e o crédito fácil. O extremismo pós-eleições: o preconceito regional, de classe, raça, opção sexual. É a Casa-Grande estrebuchando no seu velho pensamento.

Parte 1

Parte 2

sábado, 25 de setembro de 2010

Um Discurso Histórico de Lula

Foi em Campinas (21/09/2010) e mostra o porquê de Lula ser um político de envergadura. Foi a partir dele que iniciou a estratégia de polemização com a velha mídia, tirando o foco dos escândalos da Casa Civil  e da própria Dilma Rousseff e recrudescendo o discurso com o stablishmente midiático. Foi a partir dele também que a velha mídia aumentou o tom das críticas, acusando, inclusive, o Presidente de ter arroubos de autoritarismo e ser contra a livre expressão. É a partir deste fato político que alguns órgãos, outrora discretos, passarão a sair do armário, e assumir publicamente a candidatura de sua predileção (o caso do editorial do Estadão de 26/09/2010), como fizera a Carta Capital já em duas eleições. É possível afirmar que este discurso selou, simbolicamente, o destino do setembro negro (embora ainda se espere uma possível "bala de prata") promovido pelo consórcio midiático em torno da candidatura Serra, e, quem sabe, poderá ser considerado como um marco de uma nova era das comunicações no país.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Padrão Veja de Jornalismo e a Estratégia do Denuncismo

De há muito que a revista Veja tornou-se sinônimo de mal jornalismo para uma grande parcela da sociedade brasileira. De fato esta noção se deu, principalmente, após a cristalização da internet, hoje considerada a melhor opção para quem quer buscar informação de qualidade. Considero o Caso Veja do jornalista Luis Nassif o ponto de inflexão para se entender como funciona este tipo de mídia. A par dessas constatações é importante salientar que todo e qualquer órgão de imprensa tem direito a se posicionar no que se refere à sua opção política. O que não dá para aceitar é o jornalismo proselitista, que omite o maqueia informações, que apela para a desonestidade intelctual para impor suas escolhas amparadas nos interesses imediatos dos negócios, e que mistura notícia com opinião. Este caso da Ministra da Casa Civil é exemplar para que possamos entender como funciona este comportamento da velha mídia e os grupos políticos de poder e como a credibilidade de um órgão de imprensa pode ser prejudicada. O texto a seguir, do Alberto Dines no Observatório da Imprensa é bastante equilibrado e elucidativo sobre o tema.


CASO ERENICE GUERRA
O método Veja de jornalismo
Por Alberto Dines em 13/9/2010

Comentário para o programa radiofônico do OI, 13/9/2010
A revista Veja desenvolveu ultimamente um tipo de reportagem denuncista apoiada em misteriosos vazamentos, ilações, e não em investigações. Optou pelo gênero de jornalismo de cruzada (cruzading journalism), adjetivado, politizado, claramente engajado. Seus críticos sentem-se livres para reciprocar no mesmo tom, desconsiderando liminarmente o teor e a importância do que está sendo publicado.
A mais recente revelação do semanário, no último fim de semana, contém os velhos vícios e o mesmo estilo panfletário dos últimos tempos. Porém, algumas das suas revelações parecem consistentes: Israel Guerra, filho da atual ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, envolveu-se num esquema de favorecimentos em altas esferas da administração federal, especialmente nos Correios, em troca de "taxas de sucesso" (success fee), por intermédio de uma empresa de consultoria que tem o irmão como sócio.
Isto não significa que Erenice Guerra esteja implicada no esquema, embora tenha admitido que poderia ter encontrado os denunciantes-favorecidos em casa de familiares. E o fato de a ministra da Casa Civil ser amiga e ex-auxiliar da antecessora, a candidata Dilma Rousseff, não justifica sob hipótese alguma a menção do seu nome num ilícito praticado à sua revelia.
Contorcionismo editorial Veja também errou quando avisou que possuía a gravação dos depoimentos incriminadores, mas não os disponibilizou imediatamente em seu site.
Ficou claro também o acionamento do tradicional pool da grande imprensa: a manchete da Folha de S.Paulo no domingo (12/9) com desdobramentos das denúncias originais envolvendo além dos Correios, também a ANAC, evidencia que o jornal começou a investigar o assunto pelo menos um dia antes de a revista ir para as bancas.
A manchete da primeira página da Folha no domingo é uma exibição de contorcionismo para implicar a candidata do PT – "Filho do braço direito de Dilma atua como lobista".
Estado de S.Paulo e Globo também tiveram acesso prévio às investigações de Veja, mas certamente vão intervir no decorrer da semana.



http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=606IMQ022

sábado, 4 de setembro de 2010

O Recado de Lula para José Serra

Nenhum, mas nenhum dos candidatos têm a sabedoria de dizer a coisa certa no momento certo que o Lula tem. É impressionante! Pode-se até discordar, mas não se pode negar que ele é um grande comunicador. Sobre o vazamento da Receita o Lula contrapôs com argumentos como a tentativa de censura da internet por parte do Serra, completando que tanto ele, quanto o Candidato e quanto tantos jornalistas, hoje, já não estão mais imunes a críticas, sejam elas procedentes ou não, com o advento da internet, e que não seria ele que iria impor tal censura. E aproveitou ainda pra mandar o Serra ir para as ruas atrás de voto, que é a melhor maneira de exercer a democracia. Tipo de entrevista que você não vai ver no Jornal Nacional.




Nosso adversário deveria procurar um novo argumento. Não é possível que um homem que se diz tão preparado para presidir o país, um homem que se diz tão preparado para presidir os destinos de 190 milhões de habitantes quer que o presidente Lula censure a internet.
Ele não alertou, ele se queixou do que estava acontecendo com ele na internet. Como eu sou vitima disso há muito tempo, eu sempre achei… sabe que a internet livre tem coisa extraordinariamente séria e tem coisa que é leviana.
Até agora, não tem nada de mais que a internet publicou sobre a filha do Serra, não tem nada de mais. Tem insinuações como tem contra o presidente Lula, como tem contra a família do presidente Lula, como tem contra vocês jornalistas individualmente.
Hoje de vez em quando vocês escrevem um artigo que os internautas não gostam, vocês tomam cacete o dia inteiro e isso é uma democracia que nós precisamos aprender a respeitar. Querer que eu censure a internet não é meu papel e não vou censurar, porque briguei contra a censura a vida inteira.
Eu acho que o Serra, eu acho que o Serra precisa saber uma coisa… uma eleição a gente ganha ela convencendo os eleitores a votar na gente. Não é tentando convencer a Justica eleitoral a impugnar a adversária. Isso já aconteceu em outros tempos de ditadura militar, em tempo de democracia o seu Serra que vá para a rua, que melhore a qualidade do seu programa, que melhore a qualidade de seu programa, que faça proposta de coisas que ele quer fazer para o nosso país, que apresente soluções para o crescimento industrial.
Hoje ele deve tá com dor de cabeça porque o PIB parece que pelo IBGE vai crescer acima daquilo que os mais pessimistas previam que ia crescer, vai crescer 7 por cento. O Brasil… o Brasil… o Brasil… o Brasil… o Brasil vive um momento de ouro e eu não vou permitir que nenhuma coisa menor, nenhuma futrica menor, porque não tem nenhuma, nenhuma acusação grave contra o Serra ou contra qualquer coisa, tem as coisas da internet contra o Serra e contra todo mundo.
Então, o presidente da República tem coisa mais séria para cuidar ao invés de cuidar das dores de cotovelo do Serra.

Globonews, Receita Federal, Vazamentos e a Filha de Serra.

Muito difícil o trabalho da  Mônica Waldvogel. Primeiro porque tem que manter politizada a questão, e outra porque tem que fazê-lo desprezando o princípio da presunção de inocência. Aí convida três especialistas em direito pra tentar construir um consenso (ou mesmo um dissenso) que vá na linha da politização do escândalo, com foco em quê? Na responsabilidade da campanha da Dilma. E o que acontece? Mais uma vez quebra a cara. Desse jeito esse programa ainda sai do ar. Pra não deixar em branco o consenso se deu no fato da necessidade do controle social sobre a possibilidade do amparelhamento do Estado, contrapondo-se à chamada ditadura da maioria, observando-se que no Brasil já existe uma opinião pública crítica e uma imprensa livre, capazes de manter uma vigilância consistente sobre tais possibilidades, e que é assim que os regimes democráticos funcionam. Nessa linha de raciocínio é que a opinião pública vai concordar com a imprensa de que é preciso apurar o caso e exigir transparência da Receita Federal, mas também de que seria uma leviandade atribuir o fato, a priori, a uma manobra da campanha eleitoral da Dilma Rousseff. Não fosse assim as últimas pesquisas do IBOPE e do Data-Folha (dos dias 03 e 04 de setembro) refletiriam negativamente sobre as intenções de voto na Dilma, o que não foi o caso. Muito bom o programa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Do Ùltimo Segundo: Tracking Vox/Band/iG: Dilma tem 51% e Serra fica com 25%

Tradicionalmente usado pelos partidos políticos, levantamento será publicado diariamente pelo iG

Na primeira medição do tracking encomendado pelo iG e pela Band ao Instituto Vox Populi, a candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, aparece na liderança, com 51% das intenções de voto. O cenário, que daria à petista a vitória no primeiro turno, mostra o adversário tucano José Serra com 25%. A candidata do PV, Marina Silva, aparece em seguida, com 9%. Outros candidatos obtiveram, juntos, 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 4%, enquanto os indecisos ficaram em 11%.


O tracking, modalidade de pesquisa tradicionalmente utilizada pelas campanhas eleitorais para identificar tendências na definição do voto, será divulgado diariamente pelo iG. Apesar de o sistema ser utilizado há mais de uma década pelos partidos políticos e campanhas eleitorais, os dados tradicionalmente não entravam no rol de divulgação dos veículos de comunicação.
O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. Essa renovação permite identificar rapidamente as tendências de evolução das intenções de voto. A margem de erro do tracking é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
No tracking espontâneo, no qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 19%. Marina, nesse caso, tem 6%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é citado por 2% dos entrevistados. Brancos e nulos somaram 4%, não souberam ou não responderam 11%.


 

As Entrevistas no Jonal da Globo

Diferentemente do estilo "hard talk" tentado no Jornal Nacional, no Jornal da Globo o Waack foi muito mais eficiente do que o Bonner. Não houve diferenças gritantes de tratamento, embora os temas abordados, por si só,  já denotem outro tipo de abordagem. É verdade que o mensalão foi citado tanto na entrevista da Dilma, quanto na do Serra, mas se compararmos as três, a da Marina pôde ser muito mais propositiva do que a dos dois anteriores. A Dilma precisou se defender de questões como FARCs e mensalão, e o Serra aproveitou para lançar acusações infundadas baseadas numa "conveniente" indignação quanto a uma possível violação do sigilo fiscal da própria filha.Como a Dilma é "telhado" por ser governista, pro Serra ficou muito mais fácil partir para uma postura agressiva, inclusive estreando o episódio da Receita Federal. O que podemos tirar de tudo o que foi assistido? A Dilma defende, logicamente, a posição do governo, e ressaltou os avanços conseguidos na gestão Lula e que ela pretende continuar. A Marina trouxe proposições interessantes, mas não se aprofundou nos temas, até porque neste formato de entrevista o debate é muito mais opinativo do que explanador de idéias. Para ela é uma missão inglória falar de questões tão avançadas como o equilíbrio da equação sustentabilidade, produção capitalista e tamanho do Estado e fazer uma contraposição ao atual quadro de sucesso das políticas sociais e econômicas do governo. Aliás, neste último ponto ficou confuso se um Estado mais interventor era ou não necessário, ainda que ela tenha condenado o Estado, digamos, mastodôntico. Quanto ao Serra, de certa forma a entrevista serviu para o candidato inaugurar o estilo "tudo ou nada". Vai, mais uma vez, com a ajuda da velha mídia, reverberar até mais não poder a questão da Receita Federal, misturar com as "volúpias sardemberguianas" da ameaça ao estado democrático de direito, e, para fazer bastante marola, tentar cassar a candidatura da Dilma lá no TSE. É assim que o candidato vai querer reverter a tendência das pesquisas eleitorais. A tática do medo e a aposta na burrice do eleitorado brasileiro. Eles não cansam de ser repetitivos. Foi assim com a Roseana Sarney em 2002, com o Lula e o dinheiro do mensalão em 2006 e agora com este factóide muito mal explicado (e devem vir mais). Isto é que é proposição.

Marina Silva no Jornal da Globo

A Marina, na primeira etapa da entrevista, falou do grau de conhecimento que alcançou com sua campanha, o fato de discutir o Brasil, de debater diversos problemas do país e quebrar a dicotomia que ocorreria se só existissem as duas campanhas principais. Falou sobre o desenvolvimento do Acre, como os problemas de esgoto, água encanada e analfabetismo e a existência de oligarquias que prejudicam o estado e aproveitou para exemplificar comparativamente com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com as questões de favelas e educação. Sobre o aborto defendeu a adoção de um plebiscito para que se busque um debate mais equilibrado sobre o tema. Perguntada sobre parceiros preferenciais na política externa declarou que os princípios é que devem nortear esta politica, como a paz das fronteiras, negociação, relação pacífica entre os povos, defesa da democracia. No caso do Irã disse que não daria "audiência" ao Ahmadinejah, chamando-o de ditador, embora não condenasse o diálogo, censurando o fato do Presidente do Irã ter dito que riscaria Israel do mapa. Falou sobre o ensino técnico e tecnológico, destacando que hoje o Brasil importa mão de obra especializada.
Na segunda etapa falou sobre a quetão da sustentabilidade e das tecnologias de produção de energia, redução de gastos públicos combinando eficiência na aplicabilidade dos tributos arrecadados com a diminuição do desperdício, afirmando que devemos ter um estado mobilizador, eficiente e transparente, o chamado "estado necessário", dizendo que limitaria o crescimento do gasto público à metade do crescimento do PIB. Exemplificou com a atuação que teve à frente do Ministério do Meio Ambiente, quando promoveu a diminuição de desmatamentos com um orçamento reduzido. Falou em combater a cultura do "produzir mais destruindo mais" e sobre o agronegócio, afirmando que a oposição meio ambiente x desenvolvimento deve ser modificada na produção de alimentos. Entrevista positiva, não calcada em cima de factóides, e, ainda que passível de muitas críticas, bastante propositiva.

Parte 1


Parte 2

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

José Serra no Jornal da Globo

Nesta entrevista o Serra foi questionado sobre sua campanha, a fato do abandono pelos aliados nos Estados, a utilização da figura do Lula. Defendeu a atuação da oposição de forma construtiva criticando o PT como responsável por uma oposição destrutiva quando fora do governo. O Waack falou sobre o mensalão em Brasília, aí o Serra desviou a conversa para citar a questão do sigilo fiscal da filha ter sido quebrado com o fito de ser divulgado em "blogs sujos" com objetivos político-eleitorais, responsabilizando a campanha da Dilma e afirmando que trata-se de mentira a justificativa da Receita Federal (só não disse porque). Falando sobre o mensalão, afirmou que foi menor que o do PT e que todos os envolvidos foram afastados, ao contrário do partido do governo. Disse que não privatizaria mais, e falou sobre a entrega dos Correios pelo governo para fins privados. Criticou a situação do câmbio e a taxa de juros, e o déficit fiscal. O Waack acusou a ausência de programa de governo do Serra, que entregou um trecho de seu discurso de campanha no TSE. O Serra se defende afirmando que o discurso traria o seu programa de governo, com uma série do que chamou "propostas tópicas". Falou de crescimento e aumento de oferta de emprego, reduzir a carga tributária (citando o impostômetro) e a taxa de investimento governamental, afirmando ser a do Brasil a menor do mundo, não havendo investimentos. Sobre a questão da relação com os Estados estrangeiros disse que iria pressionar a Bolívia sobre a questão das drogas, reafirmando que o governo boliviano seria cúmplice com o tráfico de drogas. Falando sobre a cracolândia disse que não poderia encarcerar drogados e criaria clínicas de reabilitação. Observando a entrevista vemos que a estratégia de questionar sobre programa de governo ficou em segundo plano - o próprio Waack questionou este fato. E isto foi bom para o Serra, que não tem muito o que dizer sobre este aspecto, facilitando a sua tática de ataques à campanha da Dilma, inclusive com denúncias sem provas.

Parte 1



Parte 2

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dilma no Jornal da Globo

A Dilma está mais a vontade nesta forma de sabatina. Os apresentadores insistiram na possibilidade de nomes num futuro governo, principalmente no que se refere ao nome de José Dirceu. A Ministra se esquivou e, corretamente, afirmou qua não discutiria nomes em respeito aos eleitores, até porque não estaria eleita. Neste ponto citou o fato de que um ex-Presidente (sem nomear FHC), sentou antes da hora na cadeira de um governo e terminou por não se eleger. Interessante o colóquio entre ela e o William Waack ali na altura dos 4min30s da primeira parte do vídeo (acho que o Waack levou um "punch"). Falou do vazamento da Receita Federal e ponderou que não há provas contra a sua campanha, além de lembrar que a própria candidatura oposicionista estaria envolvida com vazamentos e grampos, lembrando alguns casos conhecidos e esquecidos da velha mídia. Outra questão, levantada pelo Waack, foi a afirmação do Presidente Lula, ao comparar presos de consciência em Cuba com bandidos do PCC em São Paulo, contra a qual a candidata contra-argumentou com o fato de que o Presidente fora um dos colaboradores nas tratativas que resultaram na soltura de presos políticos naquele país. Quanto às FARCs, saiu-se muito bem defendendo a importância do diálogo e que o próprio Ministro da Defesa da Colômbia dialogou com a organização criminosa. Falou da ocupação de cargos no governo por técnicos e não-técnicos, investimentos públicos. Aos 4min25s da segunda parte perdeu a paciência com os números apresentados pela Cristiane Pelajo, embora tenha admitido que os investimentos públicos ainda estão aquém do desejado. Interessante como ela se sai bem nesta questão de números, mas muito mais como técnica. Neste ponto ela vai falar para um público bem restrito. Coisas como ajuste fiscal e redução de gastos. Muito boa a entrevista.

Parte 1


Parte 2

O Crescimento do PIB Brasileiro e o Porquê da Oposição estar Atônita.

Notou que a Velha Mídia já não se detém muito nos números do PIB ou do crescimento da econcomia brasileira? O foco agora é nos dossiês ou vazamentos da Receita Federal. Não que isto não seja notícia, tampouco que não seja importante num ano eleitoral. Mas foco por foco, este atende mais aos interesses do consórcio midiático-político em exaustão. Acontece que o fato da economia brasileira estar num momento ímpar da sua história deveria ser também motivo de louvor e atenção. Isto porque seria importante para a população em geral saber o porquê deste momento e como mantê-lo sem que caiamos no famoso e tenebroso "vôo de galinha". As informações do gráfico a seguir revelam o quanto o Brasil está bem na fita. Atrás apenas da China e da Índia, países com mais de "bilhão" de habitantes. O feito se torna mais espantoso quando nos apercebemos que nosso país está crescendo com distribuição de renda e preocupação com o meio ambiente. Mas tudo bem. O que a população não vê nos telejornais ou revistas ou  jornalões ela sente no dia-a-dia. E aí vá explicar para a Oposição o porquê do Lula estar bem perto de eleger aquilo que eles chamaram de "poste".



Vá ao pdf do "Economia Brasileira em Perspectiva" do Minstério da Fazenda para saber mais.

sábado, 28 de agosto de 2010

A Crise de 2008: Lula, o PSDB e a Grande Mídia.

Como sabemos a crise financeira de 2008 foi o marco que abalou os alicerces do mercado, sustentado na tese da auto-regulação e tendo como bandeira o neoliberalismo, termo que ficou conhecido a partir dos governos Reagan, nos EUA e Tatcher, na Grã Bretanha, tendo como pano de fundo a teoria do Estado Mínimo, necessário para resguardar os interesses do mercado e deixar de ser empecilho para a livre iniciativa. Com esta doutrina na cabeça a oposição brasileira e sua infantaria, representada pela velha mídia, bombardearam o Presidente Lula quando este afirmou que no Brasil a crise seria como uma "marolinha", que não cortaria gastos, e que manteria investimentos. Esta posição otimista sofreu duros ataques dos que mantinha a mentalidade na "mão invisível do mercado" e todos pagaram para ver. Sabem o que aconteceu? O Brasil foi o último país a sentir os efeitos da crise e um dos primeiros a sair dela, como reconhecem todos os analistas financeiros e políticos, e hoje, com um PIB beirando os 7% ao ano e gerando mais de um milhão de empregos. Depois perguntam porque o Lula transfere tantos votos...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Caso Lula x Frias Filho (Folha de São Paulo)

Esta versão está no blog do Nassif, contada por Ricardo Kotscho, jornalista muito próximo do Presidente. Refere-se ao almoço na casa dos Frias, donos do grupo Folha, episódio citado por Lula no comício de Campo Grande.


Por Der Steppenwolf
Livro: Do Golpe ao Planalto – Ricardo Kotscho
Capítulo: Rumo à Vitória 2000 – 2002 - página 225
(...)
O único problema mais sério que tivemos no relacionamento com a imprensa ao longo da campanha aconteceu por culpa minha. Lula já havia mantido encontros e participado de almoços com os dirigentes dos principais meios de comunicação, mas resistia a atender ao convite da Folha para o tradicional almoço com os diretores, editores e repórteres especiais. Quase toda semana, "seu" Frias ou alguém a seu pedido repetia o convite, que eu voltava a levar a Lula. Este alegava que noutras ocasiões tinha ficado contrariado com a maneira pouco cortês como fora tratado no jornal. Tanto insisti, que ele acabou me autorizando a marcar o almoço. Impôs, no entanto, que o número de participantes fosse reduzido, para que pudesse conversar melhor com o "seu" Frias.
Em razão de algum mal-estar ocorrido em almoços anteriores, dos quais não participei, o clima já não pareceu muito amigável desde o momento em que "seu" Frias recebeu Lula e José Alencar. Otávio Frias Filho ficou calado, enquanto Lula não parava de falar dos seus planos para o país e da importância de ter um vice como Alencar. Assim que os comensais sentaram à mesa, Frias Filho disparou a primeira pergunta: se Lula se sentia em condições de governar o país, mesmo sem ter se preparado para isso, não sabendo nem falar inglês. O candidato fez uma expressão de incredulidade, olhou prá mim como quem diz: "E eu tinha que ouvir isso?", engoliu em seco e deu uma resposta até tranqüila diante daquela situação constrangedora.
Como se tivessem sido ensaiadas, as perguntas seguiram no mesmo tom hostil ao convidado até que, já quase na hora em que seria servida a sobremesa, alguém quis saber como ele se sentia ao aceitar uma aliança com Paulo Maluf. O argumento era que, se o PL apoiava Maluf na eleição para governador de São Paulo, o candidato do PT a presidente também estaria se aliado ao político que mais combatera durante toda a história do partido. Não havia porém, nenhuma aliança em São Paulo entre o PP e o PT, que disputava a mesma eleição tendo como candidato o deputado federal José Genoíno. Foi a gota d'água. Lula não respondeu; levantou-se, dirigiu-se a "seu" Frias e comunicou: "O senhor me desculpe, mas não posso mais ficar aqui. Vou embora. Não posso aceitar isso, em nome da minha dignidade."
Ficou todo mundo paralisado. "Seu" Frias levantou-se também. Antes de sair, Lula ainda disse a Otavinho, o único que permaneceu na sala:"Eu não tenho culpa se você está nervoso porque teu candidato vai mal nas pesquisas". Para ele, a Folha estava apoiando José Serra. Pegando no braço do candidato, "seu" Frias o acompanhou até o elevador e depois até o carro, no estacionamento, com os outros todos caminhando atrás. "Nunca tinha acontecido isso antes na nossa casa", lamentou.
(...)

Mentes Colonizadas

Este episódio já foi bastante comentado na blogosfera. O filho do dono da Folha de São Paulo, ao receber o Presidente Lula para um almoço oferecido pela instituição, tratou-o de forma desrespeitosa, desqualificando-o por não saber falar inglês. O que retrata que parte de nossa elite tem uma mente colonizada, subdesenvolvida, incapaz de perceber a diferença entre um simples Presidente e um Estadista. O primeiro é um gerentão, que administra as coisas para o bem ou para o mal; o segundo vai além da mera adminstração dos negócios de Estado. Enxerga além, possui grande habilidade e tirocínio, sabedoria para tratar das coisas relativas ao bem estar da população, bem como das relações com outras nações. Lula fez isto sem falar inglês. E os que o antecederam? Estes que sabiam falar inglês e até outros idiomas? De fato o episódio carrega em si uma grande conotação de preconceito e orgulho por parte desses empresários de comunicação, que sempre estiveram atrelados ao poder, dele se beneficiando e influenciando, com o intuito de garantir seus próprios interesses. O povo? Ora o povo!

Do blog do Azenha


Otavinho, para Lula: “Como é que o senhor vai governar o Brasil se não fala inglês?”

Em comício no MS, Lula ataca diretor da ‘Folha de S. Paulo’
24 de agosto de 2010 • 23h33 • atualizado em 25 de agosto de 2010 às 02h30
Claudio Leal
Direto de Campo Grande (MS)
no Terra
No comício em Campo Grande (MS), na noite desta terça-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou o publisher da Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, por um episódio ocorrido em 2002, quando foi cobrado, em almoço no jornal paulista, por não falar inglês. Em elevados decibéis, ao lado dos candidatos Dilma Rousseff e Zeca do PT, Lula criticou os que o viam como “cidadão de segunda classe ou verdadeiro vira-lata”.
“Me lembro como se fosse hoje, quando eu estava almoçando com a Folha de São Paulo. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: “O senhor fala em inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?”… E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!”, alvejou. A plateia o interrompeu, com gritos e aplausos. “Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!”.
“Houve uma hora em que eu fiquei chateado e me levantei da mesa e falei: eu não vim aqui pra dar entrevista, eu vim aqui pra almoçar… Levantei, parei o almoço… E fui embora”, prosseguiu. “Quando terminou o meu mandato, Zeca… terminei sem precisar ter almoçado com nenhum jornal! Nunca faltei com o respeito com a imprensa… E vocês sabem o que já fizeram comigo…”, encerrou o presidente.