Nenhum, mas nenhum dos candidatos têm a sabedoria de dizer a coisa certa no momento certo que o Lula tem. É impressionante! Pode-se até discordar, mas não se pode negar que ele é um grande comunicador. Sobre o vazamento da Receita o Lula contrapôs com argumentos como a tentativa de censura da internet por parte do Serra, completando que tanto ele, quanto o Candidato e quanto tantos jornalistas, hoje, já não estão mais imunes a críticas, sejam elas procedentes ou não, com o advento da internet, e que não seria ele que iria impor tal censura. E aproveitou ainda pra mandar o Serra ir para as ruas atrás de voto, que é a melhor maneira de exercer a democracia. Tipo de entrevista que você não vai ver no Jornal Nacional.
Nosso adversário deveria procurar um novo argumento. Não é possível que um homem que se diz tão preparado para presidir o país, um homem que se diz tão preparado para presidir os destinos de 190 milhões de habitantes quer que o presidente Lula censure a internet.
Ele não alertou, ele se queixou do que estava acontecendo com ele na internet. Como eu sou vitima disso há muito tempo, eu sempre achei… sabe que a internet livre tem coisa extraordinariamente séria e tem coisa que é leviana.
Até agora, não tem nada de mais que a internet publicou sobre a filha do Serra, não tem nada de mais. Tem insinuações como tem contra o presidente Lula, como tem contra a família do presidente Lula, como tem contra vocês jornalistas individualmente.
Hoje de vez em quando vocês escrevem um artigo que os internautas não gostam, vocês tomam cacete o dia inteiro e isso é uma democracia que nós precisamos aprender a respeitar. Querer que eu censure a internet não é meu papel e não vou censurar, porque briguei contra a censura a vida inteira.
Eu acho que o Serra, eu acho que o Serra precisa saber uma coisa… uma eleição a gente ganha ela convencendo os eleitores a votar na gente. Não é tentando convencer a Justica eleitoral a impugnar a adversária. Isso já aconteceu em outros tempos de ditadura militar, em tempo de democracia o seu Serra que vá para a rua, que melhore a qualidade do seu programa, que melhore a qualidade de seu programa, que faça proposta de coisas que ele quer fazer para o nosso país, que apresente soluções para o crescimento industrial.
Hoje ele deve tá com dor de cabeça porque o PIB parece que pelo IBGE vai crescer acima daquilo que os mais pessimistas previam que ia crescer, vai crescer 7 por cento. O Brasil… o Brasil… o Brasil… o Brasil… o Brasil vive um momento de ouro e eu não vou permitir que nenhuma coisa menor, nenhuma futrica menor, porque não tem nenhuma, nenhuma acusação grave contra o Serra ou contra qualquer coisa, tem as coisas da internet contra o Serra e contra todo mundo.
Então, o presidente da República tem coisa mais séria para cuidar ao invés de cuidar das dores de cotovelo do Serra.
Principais análises e notícias sobre politica, economia, relações internacionais, etc., etc.
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sábado, 4 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
As Entrevistas no Jonal da Globo
Diferentemente do estilo "hard talk" tentado no Jornal Nacional, no Jornal da Globo o Waack foi muito mais eficiente do que o Bonner. Não houve diferenças gritantes de tratamento, embora os temas abordados, por si só, já denotem outro tipo de abordagem. É verdade que o mensalão foi citado tanto na entrevista da Dilma, quanto na do Serra, mas se compararmos as três, a da Marina pôde ser muito mais propositiva do que a dos dois anteriores. A Dilma precisou se defender de questões como FARCs e mensalão, e o Serra aproveitou para lançar acusações infundadas baseadas numa "conveniente" indignação quanto a uma possível violação do sigilo fiscal da própria filha.Como a Dilma é "telhado" por ser governista, pro Serra ficou muito mais fácil partir para uma postura agressiva, inclusive estreando o episódio da Receita Federal. O que podemos tirar de tudo o que foi assistido? A Dilma defende, logicamente, a posição do governo, e ressaltou os avanços conseguidos na gestão Lula e que ela pretende continuar. A Marina trouxe proposições interessantes, mas não se aprofundou nos temas, até porque neste formato de entrevista o debate é muito mais opinativo do que explanador de idéias. Para ela é uma missão inglória falar de questões tão avançadas como o equilíbrio da equação sustentabilidade, produção capitalista e tamanho do Estado e fazer uma contraposição ao atual quadro de sucesso das políticas sociais e econômicas do governo. Aliás, neste último ponto ficou confuso se um Estado mais interventor era ou não necessário, ainda que ela tenha condenado o Estado, digamos, mastodôntico. Quanto ao Serra, de certa forma a entrevista serviu para o candidato inaugurar o estilo "tudo ou nada". Vai, mais uma vez, com a ajuda da velha mídia, reverberar até mais não poder a questão da Receita Federal, misturar com as "volúpias sardemberguianas" da ameaça ao estado democrático de direito, e, para fazer bastante marola, tentar cassar a candidatura da Dilma lá no TSE. É assim que o candidato vai querer reverter a tendência das pesquisas eleitorais. A tática do medo e a aposta na burrice do eleitorado brasileiro. Eles não cansam de ser repetitivos. Foi assim com a Roseana Sarney em 2002, com o Lula e o dinheiro do mensalão em 2006 e agora com este factóide muito mal explicado (e devem vir mais). Isto é que é proposição.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
José Serra no Jornal da Globo
Nesta entrevista o Serra foi questionado sobre sua campanha, a fato do abandono pelos aliados nos Estados, a utilização da figura do Lula. Defendeu a atuação da oposição de forma construtiva criticando o PT como responsável por uma oposição destrutiva quando fora do governo. O Waack falou sobre o mensalão em Brasília, aí o Serra desviou a conversa para citar a questão do sigilo fiscal da filha ter sido quebrado com o fito de ser divulgado em "blogs sujos" com objetivos político-eleitorais, responsabilizando a campanha da Dilma e afirmando que trata-se de mentira a justificativa da Receita Federal (só não disse porque). Falando sobre o mensalão, afirmou que foi menor que o do PT e que todos os envolvidos foram afastados, ao contrário do partido do governo. Disse que não privatizaria mais, e falou sobre a entrega dos Correios pelo governo para fins privados. Criticou a situação do câmbio e a taxa de juros, e o déficit fiscal. O Waack acusou a ausência de programa de governo do Serra, que entregou um trecho de seu discurso de campanha no TSE. O Serra se defende afirmando que o discurso traria o seu programa de governo, com uma série do que chamou "propostas tópicas". Falou de crescimento e aumento de oferta de emprego, reduzir a carga tributária (citando o impostômetro) e a taxa de investimento governamental, afirmando ser a do Brasil a menor do mundo, não havendo investimentos. Sobre a questão da relação com os Estados estrangeiros disse que iria pressionar a Bolívia sobre a questão das drogas, reafirmando que o governo boliviano seria cúmplice com o tráfico de drogas. Falando sobre a cracolândia disse que não poderia encarcerar drogados e criaria clínicas de reabilitação. Observando a entrevista vemos que a estratégia de questionar sobre programa de governo ficou em segundo plano - o próprio Waack questionou este fato. E isto foi bom para o Serra, que não tem muito o que dizer sobre este aspecto, facilitando a sua tática de ataques à campanha da Dilma, inclusive com denúncias sem provas.
Parte 1
Parte 2
Parte 1
Parte 2
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
O Início da Propaganda Eleitoral na TV
Com o resultado das últimas pesquisas eleitorais, e esta última da Vox Populi, que adotou o método de antecipação de tendências, a situação da oposição no âmbito nacional ficou mais difícil. A candidata Dilma Rousseff começa o guia com mais de 10 pontos percetuais à frente de José Serra, que hoje estaria abaixo dos 30% de intenções de voto. Ontem, 17/08, iniciou-se aquilo que poderia ser uma alento para esta situação, mas pelo que se viu das duas principais candidaturas, foi uma grande diferença de enfoque, com vantagem para o programa governista, por óbvio: a uma, porque o governo tem o que mostrar de positivo; e outra, porque trouxe o peso da aprovação popular do Lula para dentro da campanha da Dilma, a pedir voto para sua candidata. O Serra teve a bola levantada pelo JN na Rede Globo, que um pouco antes, na sua edição do mesmo dia, tratou do problema de saúde, asssunto abordado coincidentemente pelo programa oposicionista. Outro aspecto foi a tentativa de "popularizar" o nome do candidato associando-o à sucessão do Lula, e tranformando o José Serra em "Zé". A redução do léxico soou tão artificial quanto a favela que abre o programa. Pelo andar da carruagem vai ser muito difícil a mudança deste quadro e restará para oposição PSDB-DEM se reinventar, inclusive no que se refere a questões de conceito e métodos de fazer política, com todos os inconvenientes que é termos uma oposição fragilizada, sem discurso e sem proposições. É torcer para que o governo continue bem, mas, como somos demasiadamente humanos, e nenhum governo será sempre bom, torcemos também para o surgimento de uma oposição responsável e inteligente, papel que, infelizmente, o movimento que construiu a candidatura Serra não foi capaz de desempenhar durante todo este tempo.
Programa da Dilma Rousseff
Programa do José Serra
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Economist: A Vantagem da Mulher de Lula
É interessante ter uma leitura do país pelos olhos da mídia estrangeira. Digamos que é possível encontrar um certo distanciamento do provincianismo típico da nossa imprensa engajada, ainda que as semelhanças editorias sejam patentes e inevitáveis. A Economist lança mais um artigo sobre o Brasil, referente às eleições presidenciais, com suas impressões sobre os dois principais candidatos: Dilma Rousseff e José Serra. O artigo é direto e refere-se exclusivamente ao desempenho dos personagens bem como do seu currículo e patrimônio políticos. Serra, ex-Ministro, Prefeito e Governador; Dilma, burocrata, mas candidata do Presidente mais popular que o Brasil já teve. No final dá pra sentir um certo vaticínio da reportagem, que deixa escapar uma pequena decepção. Ainda bem que quem decide é o povo.
A campanha presidencial brasileira
Glória refletida
A lady do Lula está a caminho de herdar a presidência
Aug 12th 2010 | da revista britânica Economist
No papel, José Serra do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) , o maior partido de oposição do Brasil, deveria ser capaz de vencer a eleição presidencial de 3 de outubro sem suor. Ele teve muitos grandes cargos políticos em uma longa e bem sucedida carreira, inclusive como deputado, senador, ministro do Planejamento e depois da Saúde, e prefeito e agora governador de São Paulo, a maior cidade e o estado mais poderoso do Brasil. Ele está diante de uma neófita política: uma assessora e burocrata que era quase desconhecida há apenas alguns anos, que nunca antes disputou, muito menos venceu, uma eleição.
Em vez disso, o sr. Serra está lutando para se manter na disputa. Pesquisas o colocam de cinco a dez pontos atrás de Dilma Rousseff, a candidata do governista Partido dos Trabalhadores (PT). O problema não é a apresentação, embora o sr. Serra pareça maçante a não ser quando sorri, quando parece alarmante. A sra. Rousseff não tem nada de carismática e sua fraqueza é oferecer respostas de meia hora para perguntas de uma linha.
O problema do sr. Serra é que a sra. Rousseff é a sucessora escolhida de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente. Quatro-quintos dos brasileiros aprovam Lula e quase a metade diz que numa eleição presidencial votaria ou nele (se a Constituição não o impedisse de disputar um terceiro mandato consecutivo) ou no candidato dele. Desde que selecionou a sucessora, Lula a tem elevado aos céus (ela é “como Nelson Mandela”) e cruza o país com ela a tiracolo. Agora a maioria dos brasileiros sabe qual é a candidata do Lula — e cada vez mais brasileiros pretendem votar nela.
No dia 5 de agosto, o dia do primeiro debate televisionado entre os candidatos, uma empresa de pesquisas colocou a sra. Roussef com 41,6%, uma vantagem de dez pontos sobre o sr. Serra. Marina Silva do Partido Verde veio em terceiro com 9%. Excluindo as respostas inválidas, a sra. Rousseff está perto de vencer no primeiro turno. Essa pesquisa pode ser fora da média, mas outras dão a ela uma liderança crescente.
A sra. Rousseff parecia nervosa no debate e teve dificuldades para manter suas respostas curtas. O sr. Serra parecia melhor. Mas como o debate aconteceu ao mesmo tempo que uma importante partida de futebol, quase ninguém viu.
Mais preocupante para o sr. Serra, o debate demonstrou as dificuldades que ele vai enfrentar no resto da campanha. Provavelmente com razão, o sr. Serra decidiu que atacar um presidente tão popular quanto Lula não daria a ele muitos votos. Ele discorda da sra. Rousseff em algumas coisas, como a política externa e o papel do estado na economia. Mas ele concorda em outras. Ele foi obrigado a prometer continuidade de alguns dos programas de Lula, como o Bolsa Família, um empréstimo para famílias pobres. Enquanto isso, com a economia em forte crescimento, os brasileiros estão aproveitando a vida: “o fator do bem estar” agora faz parte da língua portuguesa.
Mas a estabilidade vende melhor para os governistas do que para os desafiantes. O slogan do sr. Serra, “Brasil pode mais”, exemplifica a dificuldade. Ele luta para capitalizar seu currículo. Ele é mais conhecido pelo papel que teve nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995-2002, os quais, apesar de algumas conquistas sólidas, são relembrados pelos brasileiros sem carinho.
“Para Dilma é simples: persuadir o povo de que ela representa Lula”, diz Rubens Figueiredo, um consultor político de São Paulo. “Mas Serra precisa relembrar as pessoas de que Lula não é o candidato — mas de um jeito que não seja oposição, preferivelmente sem nem mesmo mencionar Lula”.
A liderança da sra. Rousseff ainda não é insuperável. Se o sr. Serra conseguir evitar a vitória dela no primeiro turno, pode ter chance no segundo. E no Brasil sempre há a possibilidade de um escândalo ou de um desastre de campanha.
Mas ainda existem alguns votos que a sra. Rousseff pode conseguir por ser a mulher do Lula. Cerca de 8% dizem a pesquisadores que querem votar no candidato do presidente, mas não citam o nome dela.
Ela em breve terá mais oportunidades para reforçar essa ligação. A partir de 17 de agosto as estações de rádio e TV brasileiras são obrigadas a colocar anúncios políticos gratuitos, com mais tempo para os candidatos cujas alianças tem maior número de assentos no Congresso. Isso significa que a sra. Rousseff terá mais de dez minutos, três vezes por semana; o sr. Serra precisa se arranjar com pouco mais de sete minutos. Essa vantagem pode acabar sendo a decisiva.
A campanha presidencial brasileira
Glória refletida
A lady do Lula está a caminho de herdar a presidência
Aug 12th 2010 | da revista britânica Economist
No papel, José Serra do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) , o maior partido de oposição do Brasil, deveria ser capaz de vencer a eleição presidencial de 3 de outubro sem suor. Ele teve muitos grandes cargos políticos em uma longa e bem sucedida carreira, inclusive como deputado, senador, ministro do Planejamento e depois da Saúde, e prefeito e agora governador de São Paulo, a maior cidade e o estado mais poderoso do Brasil. Ele está diante de uma neófita política: uma assessora e burocrata que era quase desconhecida há apenas alguns anos, que nunca antes disputou, muito menos venceu, uma eleição.
Em vez disso, o sr. Serra está lutando para se manter na disputa. Pesquisas o colocam de cinco a dez pontos atrás de Dilma Rousseff, a candidata do governista Partido dos Trabalhadores (PT). O problema não é a apresentação, embora o sr. Serra pareça maçante a não ser quando sorri, quando parece alarmante. A sra. Rousseff não tem nada de carismática e sua fraqueza é oferecer respostas de meia hora para perguntas de uma linha.
O problema do sr. Serra é que a sra. Rousseff é a sucessora escolhida de Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente. Quatro-quintos dos brasileiros aprovam Lula e quase a metade diz que numa eleição presidencial votaria ou nele (se a Constituição não o impedisse de disputar um terceiro mandato consecutivo) ou no candidato dele. Desde que selecionou a sucessora, Lula a tem elevado aos céus (ela é “como Nelson Mandela”) e cruza o país com ela a tiracolo. Agora a maioria dos brasileiros sabe qual é a candidata do Lula — e cada vez mais brasileiros pretendem votar nela.
No dia 5 de agosto, o dia do primeiro debate televisionado entre os candidatos, uma empresa de pesquisas colocou a sra. Roussef com 41,6%, uma vantagem de dez pontos sobre o sr. Serra. Marina Silva do Partido Verde veio em terceiro com 9%. Excluindo as respostas inválidas, a sra. Rousseff está perto de vencer no primeiro turno. Essa pesquisa pode ser fora da média, mas outras dão a ela uma liderança crescente.
A sra. Rousseff parecia nervosa no debate e teve dificuldades para manter suas respostas curtas. O sr. Serra parecia melhor. Mas como o debate aconteceu ao mesmo tempo que uma importante partida de futebol, quase ninguém viu.
Mais preocupante para o sr. Serra, o debate demonstrou as dificuldades que ele vai enfrentar no resto da campanha. Provavelmente com razão, o sr. Serra decidiu que atacar um presidente tão popular quanto Lula não daria a ele muitos votos. Ele discorda da sra. Rousseff em algumas coisas, como a política externa e o papel do estado na economia. Mas ele concorda em outras. Ele foi obrigado a prometer continuidade de alguns dos programas de Lula, como o Bolsa Família, um empréstimo para famílias pobres. Enquanto isso, com a economia em forte crescimento, os brasileiros estão aproveitando a vida: “o fator do bem estar” agora faz parte da língua portuguesa.
Mas a estabilidade vende melhor para os governistas do que para os desafiantes. O slogan do sr. Serra, “Brasil pode mais”, exemplifica a dificuldade. Ele luta para capitalizar seu currículo. Ele é mais conhecido pelo papel que teve nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de 1995-2002, os quais, apesar de algumas conquistas sólidas, são relembrados pelos brasileiros sem carinho.
“Para Dilma é simples: persuadir o povo de que ela representa Lula”, diz Rubens Figueiredo, um consultor político de São Paulo. “Mas Serra precisa relembrar as pessoas de que Lula não é o candidato — mas de um jeito que não seja oposição, preferivelmente sem nem mesmo mencionar Lula”.
A liderança da sra. Rousseff ainda não é insuperável. Se o sr. Serra conseguir evitar a vitória dela no primeiro turno, pode ter chance no segundo. E no Brasil sempre há a possibilidade de um escândalo ou de um desastre de campanha.
Mas ainda existem alguns votos que a sra. Rousseff pode conseguir por ser a mulher do Lula. Cerca de 8% dizem a pesquisadores que querem votar no candidato do presidente, mas não citam o nome dela.
Ela em breve terá mais oportunidades para reforçar essa ligação. A partir de 17 de agosto as estações de rádio e TV brasileiras são obrigadas a colocar anúncios políticos gratuitos, com mais tempo para os candidatos cujas alianças tem maior número de assentos no Congresso. Isso significa que a sra. Rousseff terá mais de dez minutos, três vezes por semana; o sr. Serra precisa se arranjar com pouco mais de sete minutos. Essa vantagem pode acabar sendo a decisiva.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
As Entrevistas do JN
O que podemos dizer dessas entrevistas? Houve tratamento diferenciado ou não? É possível apontar algo relevante para influenciar na definicção do voto de uma pessoa?
Sinceramente, não acredito que tenha servido para muita coisa. Ainda que tenham aliviado pro Serra - e aí ficou feio para a emissora que já não goza de tanto prestígio -, o tempo fez com que a abordagem dos assuntos fossem superficiais.
Sobre o tratamento, o Serra foi menos interrompido e bem mais poupado. Essa exposição da emissora revela o esforço que está sendo feito para tentar melhorar a performance do candidato que corre o risco de começar o guia eleitoral pelo menos 10 pontos atrás de Dilma Rousseff. E assim podemos dizer que a emissora tem candidato definindo.
É interessante observar que, na entrevista da Dilma, a tática foi de tirá-la do sério, com perguntas sobre se maltratava colegas de trabalho ou se seria tutelada (fantoche) pelo Lula. O Bonner foi mais agressivo e a interrompeu constantemente. Com o Serra foi diferente. Ele teve tempo para divagar sobre as perguntas e muito pouco foi interrompido.
Um outro aspecto foi o do mensalão do PT, que esteve presente, tanto na entrevista da Marina, quanto na do Serra. Na deste último ficou a dívida sobre o mensalão mineiro e do DEM no Distrito Federal, bem como sobre a questão do José Roberto Arruda, que era o mais cotado para ser o vice do Serra na chapa presidencial.
Enfim, infelizmente deu a lógica. Era o que se esperava da emissora, não iria ser diferente disto. Vamos ver se este esforço todo vai dar algum resultado nas próximas pesquisas de intenção de voto. Acredito que não. Nem tanto pela capacidade de penetração do programa da emissora, mas pelo fato de que ele já não é tão relevante para definir o voto do cidadão brasileiro.
Sinceramente, não acredito que tenha servido para muita coisa. Ainda que tenham aliviado pro Serra - e aí ficou feio para a emissora que já não goza de tanto prestígio -, o tempo fez com que a abordagem dos assuntos fossem superficiais.
Sobre o tratamento, o Serra foi menos interrompido e bem mais poupado. Essa exposição da emissora revela o esforço que está sendo feito para tentar melhorar a performance do candidato que corre o risco de começar o guia eleitoral pelo menos 10 pontos atrás de Dilma Rousseff. E assim podemos dizer que a emissora tem candidato definindo.
É interessante observar que, na entrevista da Dilma, a tática foi de tirá-la do sério, com perguntas sobre se maltratava colegas de trabalho ou se seria tutelada (fantoche) pelo Lula. O Bonner foi mais agressivo e a interrompeu constantemente. Com o Serra foi diferente. Ele teve tempo para divagar sobre as perguntas e muito pouco foi interrompido.
Um outro aspecto foi o do mensalão do PT, que esteve presente, tanto na entrevista da Marina, quanto na do Serra. Na deste último ficou a dívida sobre o mensalão mineiro e do DEM no Distrito Federal, bem como sobre a questão do José Roberto Arruda, que era o mais cotado para ser o vice do Serra na chapa presidencial.
Enfim, infelizmente deu a lógica. Era o que se esperava da emissora, não iria ser diferente disto. Vamos ver se este esforço todo vai dar algum resultado nas próximas pesquisas de intenção de voto. Acredito que não. Nem tanto pela capacidade de penetração do programa da emissora, mas pelo fato de que ele já não é tão relevante para definir o voto do cidadão brasileiro.
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
E o Bonner desencantou: A Entrevista de Serra no JN
Bem diferente o tratamento do Bonner com o Serra. Sem interrupções bruscas, cordial (no final até pediu desculpas por ter que interromper o candidato - que meigo!). É, parece que houve uma "evolução". Na verdade uma vergonha o tratamento diferenciado usado pelo Jornal Nacional. Mais uma vez o mensalão petista estava em evidência, juntamente com o da oposição (pra fazer o devido contraponto, e, claro, passando de raspão). Faltou o Arruda, faltou aprofundar mais na questão dos pedágios paulistas e do apoio do Bob Jefferson. Mas tem o tempo, não é? E o Serra falou em saúde, saúde e saúde. Mas seria muito esperar algo diferente da emissora. Vamos em frente.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Globonews e Eleições 2010
Um bom debate sobre as eleições 2010 com o jornalista da Revista Época, Paulo Moreira Leite e o cientista politico, Alberto Carlos Almeida. Tema central: a liderança e crescimento da candidatura Dilma Rousseff e os problemas enfrentados pela oposição nesta eleições. A avaliação do governo Lula, o momento econômico e as estratégias políticas das principais candidaturas. Muito bom.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A Pureza das Crianças e o Ato Falho de Campanha
Para as crianças, na sua pureza, vem à boca aquilo que está no coração. Neste caso o assessor teve que corrigir a "falha" quando da visita do candidato Serra àquela escola.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
O Espaço que lhe cabe neste Latifúndio
Restou para aquele que um dia foi considerado uma partido social democrata a extrema-direita do espectro político. E por que isto? Porque aquele que hoje se coloca como a principal figura da Oposição no Brasil, o candidato à Presidência da República, José Serra, foi empurrado para lá, principalmente pelas bandeiras sociais que foram efetivamente beneficiadas no governo Lula. Um pouco também, talvez, pelo temperamento do Candidato; outro porque foi o que sobrou das forças políticas vigentes que vão apoiá-lo até o fim, até porque não suportam o Lula no poder. Acham-no apenas uma farsa, uma vez que tudo que deu certo no seu governo é fruto da inércia das políticas implantadas pelo governo FHC. Interessante que, por este raciocínio, o FHC estaria elegendo o Lula indiretamente, e não o seu candidato, no caso, o Serra, que, embora não esteja na Presidência do país governa o Estado mais rico na nação. O que se vê é que o tom da campanha está cada vez mais agressivo e menos propositivo. A Dilma, o Lula o PT e as FARCs, e o dossiê, e a receita federal. A proposição? Fazer mais e melhor. O que esta estratégia tem de eficaz na elaboração ou modificação da convicção politica, desde os mais humildes até mesmo aqueles que se informam pelos veículos de comunicação alinhados com o PSDB? Esta pergunta faz sentido na medida em que as classes C, D e E têm melhorado o seu rendimento, o desemprego tem caído, e o salário mínimo combinado com programas de assistência como o Bolsa Família formam um sistema indutor do desenvolvimento social no país e os mais ricos e abastados, bem como o mercado financeiro, têm visto os seus ganhos não apenas manterem-se, mas se beneficiarem de uma economia mais equilibrada e em expansão. O que se pode concluir de tudo isto, olhando para o que indicam as últimas pesquisas de intenção de voto, é que a estratégia não está dando certo, e que, cada vez mais a Oposição está falando para uma fatia do eleitorado bem específica e inexpressiva. Neste sentido, não alcançando o desiderato de ocupar a mais alto cargo no Executivo nacional, restará para a mesma se reinventar, enterrando de vez o Serrismo e o Fernandismo e partindo para novas proposições, ocupando espaços que certamente serão abertos, mesmo porque ninguém se eterniza no poder. Pelo menos nos sistemas ditos democráticos.
por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior
E finalmente descortinou-se – sob os estarrecidos olhares dos eternos ingênuos – a verdade que todos, há muito tempo, já conheciam. A fluidez do processo político brasileiro, suas clivagens e crises que podem decorrer da percepção de resultados eleitorais adversos, levaram o candidato José Serra a revelar sua verdadeira natureza de classe. Reativando um surrado discurso udenista, o ex-presidente da UNE passou a endossar o protofascismo de sua base de sustentação. Mais que assegurar a adesão de eleitores da direita, pôs por terra uma tese que ganhava espaço na grande mídia e em conhecidos círculos acadêmicos.
A caracterização simplória do cenário político definia as próximas eleições mais como uma disputa por espaço eleitoral do que como polarização ideológica de projeto de país. Ressurgia, com endosso de algumas lideranças esquerdistas, a visão dos dois partidos hegemônicos (PT e PSDB) como agrupamentos politicamente inautênticos, sem verdadeiras raízes na estrutura social e sem diferenciação ideológica nítida. A distinção se daria apenas na maior ou menor capacidade de conseguir recursos, ganhos incrementais que ignoram modificações substantivas nos programas públicos. Nada mais falacioso. Nada mais revelador da fragilidade analítica dos que vêem no governo Lula uma continuidade pura e simples da gestão FHC. As sobejas dificuldades do candidato da direita, sua necessidade de marcar posição, desmentiram os estudos de encomenda.
Ao afirmar que “o PT é chavista, que mantém relação com as Farc, e prima por desrespeitar direitos humanos”, Serra incorporou a visão de mundo da nova direita. Um estrato que, ameaçado pela abrangente emergência social promovida nos últimos oito anos, destila raiva e ressentimento; típicos da intolerância retórica que o distingue. Impossibilitada de construir sua identidade pela inserção no processo produtivo, essa parcela da classe média forja a auto-imagem por diferenciação das classes fundamentais. Sabe que não é o que mira, mas não sobrevive sem o sentimento subjetivo de pertencer a uma elite idealizada. É nesse aspecto da nossa estrutura social que Índio e Serra passam a querer o mesmo apito. E a falar o mesmo dialeto.
As diatribes recentes do candidato tucano têm uma imensa serventia para os setores progressistas. Ao criticar as relações do governo petista com países sul-americanos e com a China, assegurando que “estamos fazendo filantropia com Paraguai e Uruguai e concessões excessivas ao país asiático”, Serra sinaliza que, no caso de uma eventual vitória em outubro, retomaria a política externa de subalternidade aos interesses estadunidenses. A volta da “diplomacia de pé de meia” não é uma questão menor nem uma mudança de rota desprezível.
A própria capacidade de o país de decidir soberanamente sobre seus destinos estará novamente em jogo. A orientação tendente a beneficiar o diálogo com os países vizinhos, superando assimetrias e promovendo uma autêntica integração, para ter continuidade e ser aprofundada, não pode conviver com a submissão vergonhosa ao imperialismo. O que está em jogo, neste momento, é a verdadeira segurança nacional.
Os inimigos dos reais interesses do país, ao contrário do que pretende a oposição e seu braço midiático, não são os governos de Evo Morales e de Hugo Chávez, a quem Serra, repetindo Uribe, acusa de “abrigar as Farc”. O que ameaça a nação brasileira é a humilhante prostração aos ditames de Washington. Em um país com instituições minimamente democráticas, Serra e seu vice têm como lugar certo a lata de lixo da história.
Quanto mais nos aproximamos de outubro, aumenta a urgência de ampla mobilização dos trabalhadores e demais setores populares em defesa das suas conquistas sociais e econômicas, alcançadas nos dois mandatos do presidente Lula. É bom lembrar que não se deve esperar da nova direita, que sustenta Serra, uma análise serena de um governo popular. Para ela é imperdoável que tenha havido um período tão rico em cidadania, tão pródigo em participação nos debates sobre problemas nacionais.
Jonathan Swift escreveu, certa vez, que se pode identificar um gênio pelo número de imbecis que lhe atravancam o caminho. Se o criador de Gulliver tiver razão, Lula e sua candidata, a ex-ministra Dilma Roussef, têm excelentes títulos para exigir que lhes reconheçam a genialidade. Com inveja, com rancor, com incompreensão, mobiliza-se contra eles o que há de pior na sociedade brasileira. E ainda há quem não veja diferença entre os atores.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
Gilson Caroni: Serra e Índio, qual o apito?
Ao afirmar que “o PT é chavista, que mantém relação com as Farc, e prima por desrespeitar direitos humanos”, Serra incorporou a visão de mundo da nova direita. Um estrato que, ameaçado pela abrangente emergência social promovida nos últimos oito anos, destila raiva e ressentimento.por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior
E finalmente descortinou-se – sob os estarrecidos olhares dos eternos ingênuos – a verdade que todos, há muito tempo, já conheciam. A fluidez do processo político brasileiro, suas clivagens e crises que podem decorrer da percepção de resultados eleitorais adversos, levaram o candidato José Serra a revelar sua verdadeira natureza de classe. Reativando um surrado discurso udenista, o ex-presidente da UNE passou a endossar o protofascismo de sua base de sustentação. Mais que assegurar a adesão de eleitores da direita, pôs por terra uma tese que ganhava espaço na grande mídia e em conhecidos círculos acadêmicos.
A caracterização simplória do cenário político definia as próximas eleições mais como uma disputa por espaço eleitoral do que como polarização ideológica de projeto de país. Ressurgia, com endosso de algumas lideranças esquerdistas, a visão dos dois partidos hegemônicos (PT e PSDB) como agrupamentos politicamente inautênticos, sem verdadeiras raízes na estrutura social e sem diferenciação ideológica nítida. A distinção se daria apenas na maior ou menor capacidade de conseguir recursos, ganhos incrementais que ignoram modificações substantivas nos programas públicos. Nada mais falacioso. Nada mais revelador da fragilidade analítica dos que vêem no governo Lula uma continuidade pura e simples da gestão FHC. As sobejas dificuldades do candidato da direita, sua necessidade de marcar posição, desmentiram os estudos de encomenda.
Ao afirmar que “o PT é chavista, que mantém relação com as Farc, e prima por desrespeitar direitos humanos”, Serra incorporou a visão de mundo da nova direita. Um estrato que, ameaçado pela abrangente emergência social promovida nos últimos oito anos, destila raiva e ressentimento; típicos da intolerância retórica que o distingue. Impossibilitada de construir sua identidade pela inserção no processo produtivo, essa parcela da classe média forja a auto-imagem por diferenciação das classes fundamentais. Sabe que não é o que mira, mas não sobrevive sem o sentimento subjetivo de pertencer a uma elite idealizada. É nesse aspecto da nossa estrutura social que Índio e Serra passam a querer o mesmo apito. E a falar o mesmo dialeto.
As diatribes recentes do candidato tucano têm uma imensa serventia para os setores progressistas. Ao criticar as relações do governo petista com países sul-americanos e com a China, assegurando que “estamos fazendo filantropia com Paraguai e Uruguai e concessões excessivas ao país asiático”, Serra sinaliza que, no caso de uma eventual vitória em outubro, retomaria a política externa de subalternidade aos interesses estadunidenses. A volta da “diplomacia de pé de meia” não é uma questão menor nem uma mudança de rota desprezível.
A própria capacidade de o país de decidir soberanamente sobre seus destinos estará novamente em jogo. A orientação tendente a beneficiar o diálogo com os países vizinhos, superando assimetrias e promovendo uma autêntica integração, para ter continuidade e ser aprofundada, não pode conviver com a submissão vergonhosa ao imperialismo. O que está em jogo, neste momento, é a verdadeira segurança nacional.
Os inimigos dos reais interesses do país, ao contrário do que pretende a oposição e seu braço midiático, não são os governos de Evo Morales e de Hugo Chávez, a quem Serra, repetindo Uribe, acusa de “abrigar as Farc”. O que ameaça a nação brasileira é a humilhante prostração aos ditames de Washington. Em um país com instituições minimamente democráticas, Serra e seu vice têm como lugar certo a lata de lixo da história.
Quanto mais nos aproximamos de outubro, aumenta a urgência de ampla mobilização dos trabalhadores e demais setores populares em defesa das suas conquistas sociais e econômicas, alcançadas nos dois mandatos do presidente Lula. É bom lembrar que não se deve esperar da nova direita, que sustenta Serra, uma análise serena de um governo popular. Para ela é imperdoável que tenha havido um período tão rico em cidadania, tão pródigo em participação nos debates sobre problemas nacionais.
Jonathan Swift escreveu, certa vez, que se pode identificar um gênio pelo número de imbecis que lhe atravancam o caminho. Se o criador de Gulliver tiver razão, Lula e sua candidata, a ex-ministra Dilma Roussef, têm excelentes títulos para exigir que lhes reconheçam a genialidade. Com inveja, com rancor, com incompreensão, mobiliza-se contra eles o que há de pior na sociedade brasileira. E ainda há quem não veja diferença entre os atores.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
A Dra. Cureau e as "Fartas Provas Documentais"
O comentário da vez na internet é o do desempenho da Procuradora da República junto ao TSE, Dra. Sandra Cureau. As sucessivas representações contra o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff chamaram a atenção, principalmente quando acompanhadas de declarações da emintente membro do MP Federal que, no mínimo, apresentam indícios de rigorismo desproporcional quando comparadas com as representações contra o candidato da Oposição, o governador José Serra.
Numa delas, assinada pela Procuradora, o Lula é acusado de fazer campanha da candidata ao elogiá-la num evento que reunia as centrais sindicais em São Paulo. O Lula, por pirraça, desculpou-se por ter elogiado Dilma em discurso, fazendo novo elogio. Numa outra cena, ao comentar sobre elogios a Serra, do governador em exercício por São Paulo, Alberto Goldman, deixou escapar o seguinte comentário: “Não pode, falando oficialmente como governador, dizer as coisas boas que Serra fez. Ele está indicando à população que Serra é a pessoa ideal para governar o país.”
Tenho a tendência de não acreditar que a Procuradora esteja fazendo jogo para cima da Dilma. Mas há dois aspectos a serem analisados: o primeiro refere-se a esta questão do que pode ou não ser dito pelos políticos. Fazer elogio a um candidato num evento pago pelo contribuinte ou no exercício de um mandato é errado? Deve a lei dizer o que deve ou não ser dito, quando e como? Uma coisa é se usar de todo um aparato pra fazer campanha fora de época, como shows (o showmício é proibido), sorteios, mensagens subliminares. Mas emitir uma opinião, dentro ou não do período eleitoral, é violar a liberdade de expressão? Se o Lula atrai votos "a rodo" é porque tem cacife para isto, fruto de uma administração que foi aprovada pela maioria da população brasileira. Se não atraísse certamente a Sra. Cureau não representaria. Fica aí a sensação de que querem calar o Presidente da República. E aí, admitindo que a Procuradora esteja atenta à lei (sujeita a ponderações interpretativas ou exercício de hermenêutica pelos Tribunais), no mínimo estará fazendo o jogo da Oposição, que é o de alijar o Presidente do processo... por delito de opinião!? Onde o ilícito eleitoral? Utilizar inaugurações ou eventos com centrais sindicais... mas se há o que inaugurar, ou se há identidade com as centrais, por que proibir? Onde há a desproporção se existe o reconhecimento, observando que se trata aqui de opinião, que, pelas representações são consideradas como propaganda irregular?
A segunda questão trata das provas documentais baseadas em matérias jornalísticas. O interessante é que muitas (senão todas) as matérias - principalmente na nossa grande mídia - traz muito mais do que fatos, mas elementos opinativos em consonância com a linha editorial do órgão. Não é incomum que se utilize matérias jornalísticas em representações, principalmente para provar que houve o fato. A questão é quando os meios de comunicação passam a se utilizar deste expediente para pautar a Justiça (e o próprio MP). Neste raciocínio o Luiz Carlos Azenha, no seu blog, apresenta o seguinte argumento:
O que mais me chamou a atenção no comportamento dela, no entanto, é que Sandra Cureau parece ter embarcado naquela simbiose que vicia os recém-chegados ao palco: ela alimenta a mídia e ao mesmo tempo se alimenta da mídia, num círculo “perfeito” de manchetes que servem como “prova”, como demonstrou Miguel do Rosário no Óleo do Diabo:
Como disse, não há problema em se utilizar de matéria jornalísticas - elas serão ou não aceitas pelo Tribunal como capazes de provar o ilícito. O problema é quando isto se torna um jogo de retroalimentação entre os meios de comunicação e o órgão encarregado de fiscalizar as eleições. O perigo está em se fazer o jogo desses meios, que, todos sabem, aqui no Brasil, têm lado bem definido. E aí pode a Sra. Cureau estar endossando as palavras de uma executiva de um desses jornais engajados que disse que com uma oposição fraca a imprensa tem que fazer às vezes dos partidos políticos. Como não existem bobos neste jogo, infelizmente não é de todo incabível a suspeição sobre as intenções da Procuradora. Neste aspecto não devemos esquecer que a mesma teve, recentemente, uma Representação arquivada por apresentação de provas tardia num caso de propaganda irregular contra José Serra: Apresentação tardia de mídia que comprovaria propaganda antecipada acarreta no arquivamento de representação contra José Serra. É bom o MP ficar de olho.
Numa delas, assinada pela Procuradora, o Lula é acusado de fazer campanha da candidata ao elogiá-la num evento que reunia as centrais sindicais em São Paulo. O Lula, por pirraça, desculpou-se por ter elogiado Dilma em discurso, fazendo novo elogio. Numa outra cena, ao comentar sobre elogios a Serra, do governador em exercício por São Paulo, Alberto Goldman, deixou escapar o seguinte comentário: “Não pode, falando oficialmente como governador, dizer as coisas boas que Serra fez. Ele está indicando à população que Serra é a pessoa ideal para governar o país.”
Tenho a tendência de não acreditar que a Procuradora esteja fazendo jogo para cima da Dilma. Mas há dois aspectos a serem analisados: o primeiro refere-se a esta questão do que pode ou não ser dito pelos políticos. Fazer elogio a um candidato num evento pago pelo contribuinte ou no exercício de um mandato é errado? Deve a lei dizer o que deve ou não ser dito, quando e como? Uma coisa é se usar de todo um aparato pra fazer campanha fora de época, como shows (o showmício é proibido), sorteios, mensagens subliminares. Mas emitir uma opinião, dentro ou não do período eleitoral, é violar a liberdade de expressão? Se o Lula atrai votos "a rodo" é porque tem cacife para isto, fruto de uma administração que foi aprovada pela maioria da população brasileira. Se não atraísse certamente a Sra. Cureau não representaria. Fica aí a sensação de que querem calar o Presidente da República. E aí, admitindo que a Procuradora esteja atenta à lei (sujeita a ponderações interpretativas ou exercício de hermenêutica pelos Tribunais), no mínimo estará fazendo o jogo da Oposição, que é o de alijar o Presidente do processo... por delito de opinião!? Onde o ilícito eleitoral? Utilizar inaugurações ou eventos com centrais sindicais... mas se há o que inaugurar, ou se há identidade com as centrais, por que proibir? Onde há a desproporção se existe o reconhecimento, observando que se trata aqui de opinião, que, pelas representações são consideradas como propaganda irregular?
A segunda questão trata das provas documentais baseadas em matérias jornalísticas. O interessante é que muitas (senão todas) as matérias - principalmente na nossa grande mídia - traz muito mais do que fatos, mas elementos opinativos em consonância com a linha editorial do órgão. Não é incomum que se utilize matérias jornalísticas em representações, principalmente para provar que houve o fato. A questão é quando os meios de comunicação passam a se utilizar deste expediente para pautar a Justiça (e o próprio MP). Neste raciocínio o Luiz Carlos Azenha, no seu blog, apresenta o seguinte argumento:
O que mais me chamou a atenção no comportamento dela, no entanto, é que Sandra Cureau parece ter embarcado naquela simbiose que vicia os recém-chegados ao palco: ela alimenta a mídia e ao mesmo tempo se alimenta da mídia, num círculo “perfeito” de manchetes que servem como “prova”, como demonstrou Miguel do Rosário no Óleo do Diabo:
Como disse, não há problema em se utilizar de matéria jornalísticas - elas serão ou não aceitas pelo Tribunal como capazes de provar o ilícito. O problema é quando isto se torna um jogo de retroalimentação entre os meios de comunicação e o órgão encarregado de fiscalizar as eleições. O perigo está em se fazer o jogo desses meios, que, todos sabem, aqui no Brasil, têm lado bem definido. E aí pode a Sra. Cureau estar endossando as palavras de uma executiva de um desses jornais engajados que disse que com uma oposição fraca a imprensa tem que fazer às vezes dos partidos políticos. Como não existem bobos neste jogo, infelizmente não é de todo incabível a suspeição sobre as intenções da Procuradora. Neste aspecto não devemos esquecer que a mesma teve, recentemente, uma Representação arquivada por apresentação de provas tardia num caso de propaganda irregular contra José Serra: Apresentação tardia de mídia que comprovaria propaganda antecipada acarreta no arquivamento de representação contra José Serra. É bom o MP ficar de olho.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Marília Gabriela substitui Heródoto Barbeiro no Roda Viva da TV Cultura
Evidente que a Marília é uma profissional competente e vai dar o recado dela. Mas, quem mandou o Heródoto reclamar dos pedágios do Serra?!
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
O Vice de Serra e o Caso da Merenda Escolar
Parece que as coisas não estão boas pro lado da Coligação Oposicionista à Presidência da República. Depois de toda a novela envolvendo o nome de Álvaro Dias, Senador pelo Paraná, passando por cima do DEM, e com o intuito de tentar barrar uma aliança do PDT do irmão do Senador, o Osmar Dias, com o PT e o PMDB naquele Estado, o DEM, no grito, indica o deputado Índio da Costa, um político desconhecido, mas que já surge trazendo polêmica levantada por integrante do próprio partido. Segundo a vereadora pelo PSDB no Rio de Janeiro, Andrea Gouvêia Vieira, que foi relatora da CPI que investigou fraudes na merenda escolar quando Indio era secretário municipal do Rio, em 2005, o vice de Serra teria favorecido determinada empresa no processo de licitação para aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar no município. A CPI concluiu que a “a forma como foi conduzido o procedimento de licitação causou prejuízo para a Administração Municipal. Os objetivos traçados não foram alcançados, o modelo adotado foi equivocado e o grau de competitividade foi muito baixo.” Abaixo a entrevista da vereadora ao o Globo.
Do o Globo
A vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira, inconformada com a indicação de Indio da Costa para vice, pedirá licença e viajará
RIO - José Serra perderá uma aliada no Rio. A vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira disse que pedirá licença e viajará, inconformada com a indicação de Indio da Costa para vice. Andrea foi relatora da CPI que investigou fraudes na merenda escolar quando Indio era secretário municipal do Rio, em 2005.
A senhora poderia resumir a conclusão da CPI da Merenda?
ANDREA GOUVÊA VIEIRA: Houve um direcionamento claro. Na licitação para a compra de gêneros alimentícios para a merenda, a cidade foi dividida em nove áreas (2005). Ganhava cada área aquele que oferecesse mais desconto nos 49 produtos básicos. A Comercial Milano ficou com quase tudo. Acertou todas as suas apostas. Como ela poderia saber que descontos os outros concorrentes ofereceram?
A CPI desconfiou de algum tipo de informação privilegiada?
ANDREA: A empresa sabia até as áreas onde ninguém apresentou propostas. Isso só foi possível porque ela teve acesso prévio às ofertas dos concorrentes.
Existiu envolvimento de Indio da Costa, então secretário municipal de Administração?
ANDREA: Foi uma ação entre amigos.
Como vereadora, como a senhora avalia a gestão de Indio da Costa na secretaria?
ANDREA: Quando ele foi secretário de Administração, não havia pregão presencial e muito menos o eletrônico. Só depois da CPI, passaram a tomar esse cuidado.
E agora, irá apoiá-lo?
ANDREA: Se eu já tinha dificuldade com a candidatura do Cesar Maia, a situação agora ficou esdrúxula. Como o ex-prefeito é candidato ao Senado, não preciso pedir voto ou mesmo votar nele. Mas com o Indio como vice de Serra, é diferente. Não dá para separar o voto. Prefiro, então, pedir licença e viajar.
A indicação de Indio para vice foi uma surpresa entre os aliados do Rio?
ANDREA: O problema é o Serra não consultar. Márcio Fortes e Luiz Paulo Correa da Rocha estão pasmos. Foi um golpe de mestre do Rodrigo Maia. Como ele concorrerá a deputado disputando mais ou menos o mesmo voto do Indio, conseguiu tirá-lo do seu caminho ao empurrá-lo para Serra, que cedeu por estar exausto.
Serra escolheu mal?
ANDREA: Péssimo. A gente desconfia de quem põe uma faixa e sai por ai dizendo que é ficha limpa. Já pensou se, depois de eleito, o Serra sofre algum problema e o Índio vira presidente?
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/06/30/a-vereadora-tucana-andrea-gouvea-vieira-inconformada-com-indicacao-de-indio-da-costa-para-vice-pedira-licenca-viajara-917032555.asp
Do o Globo
A vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira, inconformada com a indicação de Indio da Costa para vice, pedirá licença e viajará
Publicada em 30/06/2010 às 23h15m
Chico OtávioA senhora poderia resumir a conclusão da CPI da Merenda?
ANDREA GOUVÊA VIEIRA: Houve um direcionamento claro. Na licitação para a compra de gêneros alimentícios para a merenda, a cidade foi dividida em nove áreas (2005). Ganhava cada área aquele que oferecesse mais desconto nos 49 produtos básicos. A Comercial Milano ficou com quase tudo. Acertou todas as suas apostas. Como ela poderia saber que descontos os outros concorrentes ofereceram?
A CPI desconfiou de algum tipo de informação privilegiada?
ANDREA: A empresa sabia até as áreas onde ninguém apresentou propostas. Isso só foi possível porque ela teve acesso prévio às ofertas dos concorrentes.
Existiu envolvimento de Indio da Costa, então secretário municipal de Administração?
ANDREA: Foi uma ação entre amigos.
Como vereadora, como a senhora avalia a gestão de Indio da Costa na secretaria?
ANDREA: Quando ele foi secretário de Administração, não havia pregão presencial e muito menos o eletrônico. Só depois da CPI, passaram a tomar esse cuidado.
E agora, irá apoiá-lo?
ANDREA: Se eu já tinha dificuldade com a candidatura do Cesar Maia, a situação agora ficou esdrúxula. Como o ex-prefeito é candidato ao Senado, não preciso pedir voto ou mesmo votar nele. Mas com o Indio como vice de Serra, é diferente. Não dá para separar o voto. Prefiro, então, pedir licença e viajar.
A indicação de Indio para vice foi uma surpresa entre os aliados do Rio?
ANDREA: O problema é o Serra não consultar. Márcio Fortes e Luiz Paulo Correa da Rocha estão pasmos. Foi um golpe de mestre do Rodrigo Maia. Como ele concorrerá a deputado disputando mais ou menos o mesmo voto do Indio, conseguiu tirá-lo do seu caminho ao empurrá-lo para Serra, que cedeu por estar exausto.
Serra escolheu mal?
ANDREA: Péssimo. A gente desconfia de quem põe uma faixa e sai por ai dizendo que é ficha limpa. Já pensou se, depois de eleito, o Serra sofre algum problema e o Índio vira presidente?
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/06/30/a-vereadora-tucana-andrea-gouvea-vieira-inconformada-com-indicacao-de-indio-da-costa-para-vice-pedira-licenca-viajara-917032555.asp
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
A Novela sobre a escolha do Vice por José Serra
De todas as análises esta foi a mais interessante sobre a novela da escolha do vice na chapa do candidato José Serra. Foi realmente uma bola fora da campanha oposicionista. Mas fazer o quê?! Quem tem Bob Jefferson como aliado não precisa de inimigos. De uma só vez, via twitter, conseguiu abrir uma crise no coração da campanha, um racha com o DEM e um racha no Paraná, onde o irmão do Álvaro Dias, o Osmar Dias, vai ter que escolher entre um palanque para Dilma ou se entregar docilmente à já capenga candidatura oposicionista. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Do blog
Na Prática a Teoria é Outra.
Ontem a campanha de 2o10 teve seu lance mais baixo, e foi gol contra. Serra deveria anunciar o vice essa semana. Havia um boato sobre Álvaro Dias, outro sobre uma vice mulher (talvez Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo). Serra não havia divulgado ainda por algum motivo. Provavelmente ainda estava negociando com as partes.
Mas eis que o supremo palhaço Roberto Jefferson lança Álvaro Dias no Twitter na hora do jogo do Brasil. Com isso conseguiu: a) destruir qualquer impacto de mídia do lançamento, b) talvez abortar outras possíveis candidaturas e c) com certeza, abortar a oferta que o Serra teria feito ao DEM como compensação pela perda do vice.
Eu duvido que tenha sido inocente. Jefferson precisa oferecer algo ao PTB. Ele entregou o tempo de TV do partido a Serra, mas grande parte do partido quer continuar com o governo. O que ele pode oferecer a esses caras? Na última semana, já tinha dito que poderia indicar um vice do PTB (o que tenho certeza que nunca foi possível). Jefferson resolveu rifar o DEM para ocupar esse espaço.
O DEM, onde tem gente muito mais puta velha (no bom sentido) que Jefferson, partiu pra porrada, e um movimento que já vinha se delineando ganhou força: Ronaldo Caiado, que havia muito se irritava com a coordenação do DEM, saiu propondo o racha. Eu não sei se sai o racha. Mas o que Caiado fez foi já se posicionar para a luta pela liderança da oposição depois da derrota no final do ano. Caso se confirme a provável derrota da oposição, o DEM vai colocar a culpa no PSDB, o Caiado vai colocar a culpa na turma do DEM que se colou demais nos tucanos.
Dias tem uma vantagem óbvia como vice: tira do páreo (provavelmente) o irmão Osmar no Paraná, que devia apoiar a Dilma. Foi uma jogada defensiva, porque se o Serra começa a cair no Sul muito rápido, a eleição acaba por WO.
Mas Amorim teria sido uma jogada ofensiva, tentando ganhar espaço no Rio. Por bizarro que possa parecer, o principal problema de Amorim seria a péssima campanha do Mengão esse ano. Para um candidato que diz que vai manter tudo de bom e melhorar, a vice que pegou o Flamengo Campeão Brasileiro e, pelo menos até agora, entregou esse desastre, seria meio esquisito.
De qualquer maneira, Serra tinha uma rara oportunidade de gerar um fato importante, e Jefferson lhe roubou a oportunidade. Tenho certeza de que contará com a infinita gratidão de todos os envolvidos por isso.
Do blog
Na Prática a Teoria é Outra.
Ontem a campanha de 2o10 teve seu lance mais baixo, e foi gol contra. Serra deveria anunciar o vice essa semana. Havia um boato sobre Álvaro Dias, outro sobre uma vice mulher (talvez Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo). Serra não havia divulgado ainda por algum motivo. Provavelmente ainda estava negociando com as partes.
Mas eis que o supremo palhaço Roberto Jefferson lança Álvaro Dias no Twitter na hora do jogo do Brasil. Com isso conseguiu: a) destruir qualquer impacto de mídia do lançamento, b) talvez abortar outras possíveis candidaturas e c) com certeza, abortar a oferta que o Serra teria feito ao DEM como compensação pela perda do vice.
Eu duvido que tenha sido inocente. Jefferson precisa oferecer algo ao PTB. Ele entregou o tempo de TV do partido a Serra, mas grande parte do partido quer continuar com o governo. O que ele pode oferecer a esses caras? Na última semana, já tinha dito que poderia indicar um vice do PTB (o que tenho certeza que nunca foi possível). Jefferson resolveu rifar o DEM para ocupar esse espaço.
O DEM, onde tem gente muito mais puta velha (no bom sentido) que Jefferson, partiu pra porrada, e um movimento que já vinha se delineando ganhou força: Ronaldo Caiado, que havia muito se irritava com a coordenação do DEM, saiu propondo o racha. Eu não sei se sai o racha. Mas o que Caiado fez foi já se posicionar para a luta pela liderança da oposição depois da derrota no final do ano. Caso se confirme a provável derrota da oposição, o DEM vai colocar a culpa no PSDB, o Caiado vai colocar a culpa na turma do DEM que se colou demais nos tucanos.
Dias tem uma vantagem óbvia como vice: tira do páreo (provavelmente) o irmão Osmar no Paraná, que devia apoiar a Dilma. Foi uma jogada defensiva, porque se o Serra começa a cair no Sul muito rápido, a eleição acaba por WO.
Mas Amorim teria sido uma jogada ofensiva, tentando ganhar espaço no Rio. Por bizarro que possa parecer, o principal problema de Amorim seria a péssima campanha do Mengão esse ano. Para um candidato que diz que vai manter tudo de bom e melhorar, a vice que pegou o Flamengo Campeão Brasileiro e, pelo menos até agora, entregou esse desastre, seria meio esquisito.
De qualquer maneira, Serra tinha uma rara oportunidade de gerar um fato importante, e Jefferson lhe roubou a oportunidade. Tenho certeza de que contará com a infinita gratidão de todos os envolvidos por isso.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Dilma ultrapassa Serra em MG
A informação é do jornal o Tempo sobre pesquisa do instituto Sensus.
Ultrapassagem
Hélio Costa tem 29 pontos de vantagem sobre Anastasia
Pelo levantamento, tucano ainda sofre com alto índice de desconhecimento
Da Redação
O senador Hélio Costa (PMDB) lidera com folga a corrida para o governo de Minas, com 29 pontos percentuais à frente do governador e candidato à reeleição Antonio Anastasia (PSDB). É o que indica a nova pesquisa realizada pelo instituto Sensus que foi encomendada pelo Partido da República (PR).
De acordo com o levantamento, o peemedebista tem 49,5% das intenções de voto contra 20,7% do tucano. O candidato do PV, deputado José Fernando Aparecido, aparece com 3,9%, enquanto outros 25,9% seguem indecisos, pretendem votar em branco ou anular. A margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
A comparação com a sondagem anterior, publicada no mês passado, revela que a distância entre os principais candidatos ao Palácio Tiradentes aumentou. Há um mês, o senador tinha 35,3% da preferência do eleitorado, e o governador, 22,7%. Ou seja, enquanto Hélio Costa cresceu 14,2 pontos, Anastasia perdeu dois pontos.
O senador também lidera a pesquisa na categoria espontânea e na simulação de segundo turno.
No primeiro caso, em que a lista de nomes não é apresentada ao eleitor, o candidato da base aliada do presidente Lula foi mencionado por 21,1% dos entrevistados. O postulante do ex-governador Aécio Neves foi lembrado por 12,2%. Porém, mais da metade do eleitorado (56,6%) continua indecisa ou promete votar em branco ou anular o voto.
Já na projeção para uma disputa em segundo turno, a vitória seria de 54,6% do peemedebista sobre 22,3% do tucano.
Limite. O Sensus também questionou o eleitor sobre o limite de sua intenção de voto. Nos quesitos, os resultados também foram negativos para Anastasia. Ele tem os maiores índices de rejeição e de desconhecimento. Dos entrevistados, 36,2% disseram que não conhecem o governador. Outros 19,3% informaram que não votariam no tucano, valor apenas 3,9 pontos acima da rejeição de Hélio Costa.
O senador do PMDB é o único candidato em quem votariam 27,3% dos entrevistados. Já o governador é a única opção de 16%. Das pessoas entrevistadas, 41,9% afirmaram que podem votar em Costa, enquanto 19,3% consideram a opção de votar em Anastasia.
Dados técnicos
Coleta. O instituto Sensus realizou 1.500 entrevistas em 53 município de Minas Gerais nos dias 10 e 11 de junho. Os números de registro da pesquisa são 34.286/2010, no TRE-MG, e 14.772/2010, no TSE.
De acordo com o levantamento, o peemedebista tem 49,5% das intenções de voto contra 20,7% do tucano. O candidato do PV, deputado José Fernando Aparecido, aparece com 3,9%, enquanto outros 25,9% seguem indecisos, pretendem votar em branco ou anular. A margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
A comparação com a sondagem anterior, publicada no mês passado, revela que a distância entre os principais candidatos ao Palácio Tiradentes aumentou. Há um mês, o senador tinha 35,3% da preferência do eleitorado, e o governador, 22,7%. Ou seja, enquanto Hélio Costa cresceu 14,2 pontos, Anastasia perdeu dois pontos.
O senador também lidera a pesquisa na categoria espontânea e na simulação de segundo turno.
No primeiro caso, em que a lista de nomes não é apresentada ao eleitor, o candidato da base aliada do presidente Lula foi mencionado por 21,1% dos entrevistados. O postulante do ex-governador Aécio Neves foi lembrado por 12,2%. Porém, mais da metade do eleitorado (56,6%) continua indecisa ou promete votar em branco ou anular o voto.
Já na projeção para uma disputa em segundo turno, a vitória seria de 54,6% do peemedebista sobre 22,3% do tucano.
Limite. O Sensus também questionou o eleitor sobre o limite de sua intenção de voto. Nos quesitos, os resultados também foram negativos para Anastasia. Ele tem os maiores índices de rejeição e de desconhecimento. Dos entrevistados, 36,2% disseram que não conhecem o governador. Outros 19,3% informaram que não votariam no tucano, valor apenas 3,9 pontos acima da rejeição de Hélio Costa.
O senador do PMDB é o único candidato em quem votariam 27,3% dos entrevistados. Já o governador é a única opção de 16%. Das pessoas entrevistadas, 41,9% afirmaram que podem votar em Costa, enquanto 19,3% consideram a opção de votar em Anastasia.
Dados técnicos
Coleta. O instituto Sensus realizou 1.500 entrevistas em 53 município de Minas Gerais nos dias 10 e 11 de junho. Os números de registro da pesquisa são 34.286/2010, no TRE-MG, e 14.772/2010, no TSE.
Dilma Rousseff tem 37% contra 32% de José Serra
A nova pesquisa Sensus também traz os números da disputa presidencial. Ela mostra a consolidação da candidata do PT, Dilma Rousseff, sobre seu principal adversário, José Serra, do PSDB. Dilma aparece com 37,3% contra 32,1% de Serra. Considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais, a petista mantém a dianteira – mesmo que por dois décimos – em sua pior estimativa contra a melhor do tucano.
A candidata do PV, Marina Silva, aparece com 7,3%. Outros 20,6% dos entrevistados disseram que vão votar em branco ou nulo ou se disseram indecisos. Os demais oito concorrentes à Presidência não ultrapassaram a marca de um ponto.
O levantamento anterior, de maio, apontava empate técnico entre Dilma e Serra. A diferença ntre eles, que era de um ponto percentual em favor da ex-ministra, cresceu para 5,2.
Provando que a população já conhece sua candidatura, a petista lidera também no cenário espontâneo. Ela recebeu menção de 24,3% dos eleitores contra 18% de Serra e 4,2% de Marina. No entanto, 44,5% disseram estar indecisos ou pretendem votar em branco ou nulo.
Na simulação de segundo turno, porém, o tucano mantém a liderança, mas com valor inferior à margem de erro. Ele aparece com 41,7% e a petista, com 40,5%. (Da Redação).
A candidata do PV, Marina Silva, aparece com 7,3%. Outros 20,6% dos entrevistados disseram que vão votar em branco ou nulo ou se disseram indecisos. Os demais oito concorrentes à Presidência não ultrapassaram a marca de um ponto.
O levantamento anterior, de maio, apontava empate técnico entre Dilma e Serra. A diferença ntre eles, que era de um ponto percentual em favor da ex-ministra, cresceu para 5,2.
Provando que a população já conhece sua candidatura, a petista lidera também no cenário espontâneo. Ela recebeu menção de 24,3% dos eleitores contra 18% de Serra e 4,2% de Marina. No entanto, 44,5% disseram estar indecisos ou pretendem votar em branco ou nulo.
Na simulação de segundo turno, porém, o tucano mantém a liderança, mas com valor inferior à margem de erro. Ele aparece com 41,7% e a petista, com 40,5%. (Da Redação).
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sábado, 5 de junho de 2010
E os Dossiês voltaram...
Toda vez que temos a disputa presidencial, começam a surgir os famosos dossiês. Agora é o referente à filha do José Serra, de uma suposta relação comercial com a irmã do Daniel Dantas nos porões das privatizações nos anos FHC. Como de costume, entram em cena os aloprados do PT, as levantadas de bola nos jornalões paulistas e o "grand finale" na capa da revista Veja. É um roteiro que já está ficando cansativo, onde a grande(?) mídia engajada costuma criar factóides em torno de verdades que incomodam, além, é claro, de revelar as brigas surdas que envolve as candidaturas. O texto do Leandro Fortes, da Carta Capital, busca colocar um pouco de luz neste imbróglio todo, onde sobra de tudo: de ameaças de processos até discursos indignados dos supostos "atingidos". Interessante que ninguém parece disposto a discutir o conteúdo do suposto dossiê...
O dossiê do dossiê do dossiê...
Por Leandro Fortes.
No modorrento feriado de Corpus Christi, os leitores dos jornais foram inundados com informações sobre uma trama que envolveria a fabricação de dossiês contra o candidato tucano à Presidência, José Serra, produzidos por gente ligada ao comitê da adversária Dilma Rousseff. O time de espiões teria sido montado pelo jornalista Luiz Lanzetta, dono da agência Lanza, responsável pela contratação de funcionários para a área de comunicação da campanha petista. O primeiro desses documentos seria um relatório sobre as ligações de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Uma história tão antiga quanto os dinossauros e já relatada inúmeras vezes na última década, inclusive por CartaCapital.
A notícia sobre o suposto dossiê, que ninguém sabe dizer se existe de fato, veio a público em uma reportagem confusa da revista Veja e ganhou lentamente as páginas dos jornais durante a semana até ser brindada com uma forte rea-ção do PSDB e de Serra. Na quarta-feira 2, o pré-candidato tucano acusou Dilma Rousseff de estar por trás da “baixaria” e cobrou explicações. A petista disse que a acusação era uma “falsidade” e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, informou que a cúpula da legenda havia decidido interpelar Serra na Justiça por conta das declarações.
Os boatos sobre a fábrica de dossiês parecem ser fruto de uma disputa interna entre dois grupos petistas interessados em comandar a estrutura de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, um ligado a Lanzetta, outro ao deputado estadual Rui Falcão. A origem dessa confusão era, porém, desconhecida do público, até agora. CartaCapital teve acesso a parte do tal “dossiê” que gerou toda essa especulação. Trata-se, na verdade, de um livro ainda não publicado com 14 capítulos intitulado Os Porões da Privataria, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC. Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário.
É essa a origem das informações sobre a existência do tal “dossiê” contra a filha de Serra. E a razão de os tucanos terem lançado um ataque preventivo às informações que constam do livro. De fato, Ribeiro Jr. dedicou-se a apurar os negócios de Verônica. Repórter experiente com passagens em várias redações da imprensa brasileira, Ribeiro Jr. iniciou as apurações a pedido do seu último empregador, o Grupo Diá-rios Associados, que congrega, entre outros, os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O livro narra, por exemplo, supostos benefícios obtidos por Marin Preciado em instituições financeiras públicas, entre elas o Banco do Brasil, na época em que outro ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, trabalhava lá. Para quem não se lembra, Oliveira ficou famoso após a divulgação de sua famosa frase “no limite da irresponsabilidade” no conjunto dos grampos do BNDES.
Em uma entrevista que será usada como peça de divulgação do livro e à qual CartaCapital teve acesso, Ribeiro Jr. afirma que a investigação que desaguou no livro começou há dois anos. À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.”
A ligação feita entre o nome de Ribeiro Jr. e o anunciado esquema de espionagem do comitê de Dilma deveu-se a um encontro entre ele e Lanzetta, em Brasília, no qual se especulou sobre sua contratação para a equipe de comunicação da campanha petista. Vencedor de três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog, entre muitos outros, Ribeiro Jr., 47 anos, é conhecido por desencavar boas histórias. Herdeiro de uma pizzaria e uma fazenda em Campo Grande (MS) e ocupado com a finalização do livro, o jornalista recusou o convite.
Na entrevista de divulgação do livro, Ribeiro Jr. afirma que a obra estabelece a ligação de diversos tucanos com as privatizações e desnuda inúmeras ações com empresas offshore para fazer entrar no Brasil dinheiro oriundo de paraísos fiscais. “São operações complicadas e necessitam ser explicadas com cuidado para os brasileiros perceberem o quanto foram lesados e em quanto mais poderão ser.”
A aproximação entre Ribeiro Jr. e Lanzetta, contudo, teria sido suficiente para que grupos interessados em ganhar espaço na campanha petista desencadeassem uma onda de boatos sobre a formação de um time de contraespionagem para produzir dossiês contra os tucanos. Diante do precedente dos “aloprados” do PT, a mídia embarcou com entusiasmo na versão depois assumida com tanto vigor pelos próceres tucanos. É mais um não fato da campanha.
O mesmo fenômeno envolveu o ex--delegado federal Onésimo de Souza, especialista em contraespionagem que chegou a oferecer serviços ao PT de vigilância e rastreamento de escutas telefônicas. Como cobrou caro demais, acabou descartado, mas foi apontado como futuro integrante da tal equipe de arapongas de Dilma Rousseff.
Por ordem da pré-candidata, qualquer assunto relativo a dossiê e afins está proibido no comitê de campanha instalado numa casa do Lago Sul de Brasília. Dilma se diz “estarrecida” com as acusações veiculadas, primeiro, na revista Veja e, em seguida, por diversos outros veículos - sempre com foco na suposta espionagem, nunca no conteúdo do suposto dossiê. Aos auxiliares, a petista mandou avisar que não aceitará, “em hipótese alguma”, a confecção de dossiês durante a campanha e demitirá sumariamente quem se envolver com tal expediente.
O dossiê do dossiê do dossiê...
Por Leandro Fortes.
No modorrento feriado de Corpus Christi, os leitores dos jornais foram inundados com informações sobre uma trama que envolveria a fabricação de dossiês contra o candidato tucano à Presidência, José Serra, produzidos por gente ligada ao comitê da adversária Dilma Rousseff. O time de espiões teria sido montado pelo jornalista Luiz Lanzetta, dono da agência Lanza, responsável pela contratação de funcionários para a área de comunicação da campanha petista. O primeiro desses documentos seria um relatório sobre as ligações de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Uma história tão antiga quanto os dinossauros e já relatada inúmeras vezes na última década, inclusive por CartaCapital.
A notícia sobre o suposto dossiê, que ninguém sabe dizer se existe de fato, veio a público em uma reportagem confusa da revista Veja e ganhou lentamente as páginas dos jornais durante a semana até ser brindada com uma forte rea-ção do PSDB e de Serra. Na quarta-feira 2, o pré-candidato tucano acusou Dilma Rousseff de estar por trás da “baixaria” e cobrou explicações. A petista disse que a acusação era uma “falsidade” e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, informou que a cúpula da legenda havia decidido interpelar Serra na Justiça por conta das declarações.
Os boatos sobre a fábrica de dossiês parecem ser fruto de uma disputa interna entre dois grupos petistas interessados em comandar a estrutura de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, um ligado a Lanzetta, outro ao deputado estadual Rui Falcão. A origem dessa confusão era, porém, desconhecida do público, até agora. CartaCapital teve acesso a parte do tal “dossiê” que gerou toda essa especulação. Trata-se, na verdade, de um livro ainda não publicado com 14 capítulos intitulado Os Porões da Privataria, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC. Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário.
É essa a origem das informações sobre a existência do tal “dossiê” contra a filha de Serra. E a razão de os tucanos terem lançado um ataque preventivo às informações que constam do livro. De fato, Ribeiro Jr. dedicou-se a apurar os negócios de Verônica. Repórter experiente com passagens em várias redações da imprensa brasileira, Ribeiro Jr. iniciou as apurações a pedido do seu último empregador, o Grupo Diá-rios Associados, que congrega, entre outros, os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O livro narra, por exemplo, supostos benefícios obtidos por Marin Preciado em instituições financeiras públicas, entre elas o Banco do Brasil, na época em que outro ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, trabalhava lá. Para quem não se lembra, Oliveira ficou famoso após a divulgação de sua famosa frase “no limite da irresponsabilidade” no conjunto dos grampos do BNDES.
Em uma entrevista que será usada como peça de divulgação do livro e à qual CartaCapital teve acesso, Ribeiro Jr. afirma que a investigação que desaguou no livro começou há dois anos. À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.”
A ligação feita entre o nome de Ribeiro Jr. e o anunciado esquema de espionagem do comitê de Dilma deveu-se a um encontro entre ele e Lanzetta, em Brasília, no qual se especulou sobre sua contratação para a equipe de comunicação da campanha petista. Vencedor de três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog, entre muitos outros, Ribeiro Jr., 47 anos, é conhecido por desencavar boas histórias. Herdeiro de uma pizzaria e uma fazenda em Campo Grande (MS) e ocupado com a finalização do livro, o jornalista recusou o convite.
Na entrevista de divulgação do livro, Ribeiro Jr. afirma que a obra estabelece a ligação de diversos tucanos com as privatizações e desnuda inúmeras ações com empresas offshore para fazer entrar no Brasil dinheiro oriundo de paraísos fiscais. “São operações complicadas e necessitam ser explicadas com cuidado para os brasileiros perceberem o quanto foram lesados e em quanto mais poderão ser.”
A aproximação entre Ribeiro Jr. e Lanzetta, contudo, teria sido suficiente para que grupos interessados em ganhar espaço na campanha petista desencadeassem uma onda de boatos sobre a formação de um time de contraespionagem para produzir dossiês contra os tucanos. Diante do precedente dos “aloprados” do PT, a mídia embarcou com entusiasmo na versão depois assumida com tanto vigor pelos próceres tucanos. É mais um não fato da campanha.
O mesmo fenômeno envolveu o ex--delegado federal Onésimo de Souza, especialista em contraespionagem que chegou a oferecer serviços ao PT de vigilância e rastreamento de escutas telefônicas. Como cobrou caro demais, acabou descartado, mas foi apontado como futuro integrante da tal equipe de arapongas de Dilma Rousseff.
Por ordem da pré-candidata, qualquer assunto relativo a dossiê e afins está proibido no comitê de campanha instalado numa casa do Lago Sul de Brasília. Dilma se diz “estarrecida” com as acusações veiculadas, primeiro, na revista Veja e, em seguida, por diversos outros veículos - sempre com foco na suposta espionagem, nunca no conteúdo do suposto dossiê. Aos auxiliares, a petista mandou avisar que não aceitará, “em hipótese alguma”, a confecção de dossiês durante a campanha e demitirá sumariamente quem se envolver com tal expediente.
domingo, 16 de maio de 2010
Eleições 2010: Nova Pesquisa Vox Populi na Band
Não entendo como que um veículo como a Rede Globo, que queira se mostrar sério, não divulga pesquisa feita pelo Vox Populi e pela Sensus. Ou será que no Brasil apenas o IBOPE e o Data-Folha podem ser considerados institutos confiáveis, ainda que mudem de metodologia de colheita de dados sem a menor cerimônia, criticando, inclusive, os outros institutos pela sua metodologia, e ainda que o Presidente de um deles tenha dado declarações já há alguns meses afirmando que a Dilma não iria emplacar. Aí fica difícil.
Do eBand
Dilma passa Serra nas pesquisas eleitorais
Gisiela Klein
gklein@band.com.br
A pré-candidata do PT às eleições presidenciais, Dilma Rousseff, aparece pela primeira vez à frente do pré-candidato tucano José Serra. Pesquisa Vox Populi, divulgada neste sábado, mostra que a petista tem 38% das intenções de voto contra 35% de Serra. Como a margem de erro é de 2.2 pontos percentuais, os pré-candidatos estão tecnicamente empatados.
A pesquisa estimulada apresentou a 2 mil eleitores de 117 municípios os nomes de Dilma, Serra e Marina Silva (PV). As entrevistas foram realizadas entre os dias 8 e 13 de maio e a pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes.
As pessoas que ainda não sabem em quem votar ou que não responderam somam 11% e votos brancos ou nulos chegam a 8%. Nesta pesquisa, Marina Silva tem 8% das intenções de voto.
Analisando os dados por região, percebe-se que Dilma tem mais força no Nordeste, onde consegue 45% dos votos. Já na região Sul, a petista fica com 30%. Serra está em situação oposta, com 45% dos votos no Sul e 30% no Nordeste.
Se dividirmos os eleitores entre mulheres e homens, Dilma tem mais votos de homens (42%) e menos de mulheres (34%). Já a situação de Serra é mais equilibrada: 35% dos seus votos são de mulheres e 34% de homens.
Em outro questionário, onde aparecem também os chamados “candidatos nanicos”, Dilma aparece com 37% dos votos, Serra com 34% e Marina com 7%. Os demais não somam sequer 1%.
A pesquisa Vox Populi/Bandeirantes foi registrada junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no dia 7 de maio, com o protocolo de número 11.266/2010.
Clique aqui para ir ao pdf da pesquisa completa.
http://www.band.com.br/jornalismo/eleicoes2010/conteudo.asp?ID=302623
Do eBand
Dilma passa Serra nas pesquisas eleitorais
Gisiela Klein
gklein@band.com.br
A pré-candidata do PT às eleições presidenciais, Dilma Rousseff, aparece pela primeira vez à frente do pré-candidato tucano José Serra. Pesquisa Vox Populi, divulgada neste sábado, mostra que a petista tem 38% das intenções de voto contra 35% de Serra. Como a margem de erro é de 2.2 pontos percentuais, os pré-candidatos estão tecnicamente empatados.
A pesquisa estimulada apresentou a 2 mil eleitores de 117 municípios os nomes de Dilma, Serra e Marina Silva (PV). As entrevistas foram realizadas entre os dias 8 e 13 de maio e a pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes.
As pessoas que ainda não sabem em quem votar ou que não responderam somam 11% e votos brancos ou nulos chegam a 8%. Nesta pesquisa, Marina Silva tem 8% das intenções de voto.
Analisando os dados por região, percebe-se que Dilma tem mais força no Nordeste, onde consegue 45% dos votos. Já na região Sul, a petista fica com 30%. Serra está em situação oposta, com 45% dos votos no Sul e 30% no Nordeste.
Se dividirmos os eleitores entre mulheres e homens, Dilma tem mais votos de homens (42%) e menos de mulheres (34%). Já a situação de Serra é mais equilibrada: 35% dos seus votos são de mulheres e 34% de homens.
Em outro questionário, onde aparecem também os chamados “candidatos nanicos”, Dilma aparece com 37% dos votos, Serra com 34% e Marina com 7%. Os demais não somam sequer 1%.
A pesquisa Vox Populi/Bandeirantes foi registrada junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no dia 7 de maio, com o protocolo de número 11.266/2010.
Clique aqui para ir ao pdf da pesquisa completa.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Painel RBS com José Serra
1º Bloco
2º Bloco
3º Bloco
2º Bloco
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Nassif: A Desconstrução dos Candidatos
Por aleXandre
O excelente Carlos Lindenberg jamais conseguiria emprego no eixo Folhaglobestadão:Do Jornal Hoje, de Belo Horizonte
Tem algo estranho nesta campanhaHá alguma coisa estranha nesta fase da pré-campanha eleitoral. A candidata do PT, Dilma Rousseff, fala uma coisa, e o que vai ao ar é outra. E o que ela não falou vira verdade. Já com o candidato José Serra, do PSDB, acontece o contrário. Ele comete uma gafe, e o que prevalece é a versão maquiada dessa gafe, quando todos correm a acudi-lo. Faz algum tempo, Dilma veio a Belo Horizonte e disse aqui que não via nada de estranho se alguém votasse nela e no governador Antonio Anastasia, até porque ninguém tem o controle do voto do eleitor. Ficou a versão de que Dilma defendeu, em Belo Horizonte, o voto ‘Dilmasia’, uma heresia para os seus críticos. Mas Dilma não defendeu o voto ‘Dilmasia’, brincou com ele e até disse que, talvez, ficasse melhor o ‘Anastadilma’. Uma brincadeira que foi transformada em verdade – e olha que, ao lado dela, estavam dois pretendentes do PT ao Palácio da Liberdade, que, se fosse verdade, seriam os primeiros a reagir.
Pois bem. Neste final de semana passado, o ex-governador José Serra estava em Santa Catarina, numa festa religiosa, e, ao falar sobre o tabagismo, talvez estimulado pelo ambiente, disse que o “fumante é um homem sem Deus”. Ah, pra quê! Antes mesmo que a bobagem dita pelo presidenciável caísse no conhecimento geral, correram todos – os mesmos que crucificaram Dilma – a explicar que não foi bem assim, que o ex-governador foi mal- interpretado e até providenciaram para os arautos mais fiéis uma degravação do que Serra teria dito. Duas bobagens, a rigor, tanto a de Serra como a Dilma, se verdadeiras. Mas aí o que não foi dito ficou como dito, e o que teria sido dito passou como não dito.
(...)
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Nassif: Pacto de Limpeza na Blogosfera
Do blog do Nassif
A esta altura do campeonato deve ter caído a ficha dos candidatos sobre o desgaste de imagem provocado pela permissividade com o baixo mundo da blogosfera. Um blog ou Twitter com baixarias – seja de que lado for – depõe profundamente contra os candidatos.
O próprio José Serra – o primeiro a estimular, dentro do PSDB, o apoio aos blogs de esgoto – deve estar reavaliando essa loucura de montar redes de baixarias contra adversários. Embora não esteja institucionalizado na campanha da Dilma Rousseff, também há blogs de baixarias praticando difamação, e usando o nome da candidata.
Não confundir (em ambos os lados) com blogs satíricos ou críticos, ainda que exacerbados. O que diferencia blogs de esgoto de blogs satíricos é o uso reiterado da difamação.
A benevolência com eles se deve à síndrome dos “radicais porém sinceros” que acomete toda liderança. Não se quer perder o apoio de ninguém e, com isso, acaba-se abrindo espaço para o rebotalho, expulsando os aliados de nível que não querem ser confundidos com o lixo. E transformando a campanha em um festival de baixarias.
O desmonte dessa estratégia do ex-Graeff – que apenas cumpre ordens, cá para nós – é um bom momento para ambas as campanhas reavaliarem procedimentos na Internet. Não apenas desmanchando esse exército das sombras, como desautorizando peremptoriamente blogs que, a pretexto de defender um candidato ou outro, pratiquem a difamação.
Leia mais no blog do Nassif...
A esta altura do campeonato deve ter caído a ficha dos candidatos sobre o desgaste de imagem provocado pela permissividade com o baixo mundo da blogosfera. Um blog ou Twitter com baixarias – seja de que lado for – depõe profundamente contra os candidatos.
O próprio José Serra – o primeiro a estimular, dentro do PSDB, o apoio aos blogs de esgoto – deve estar reavaliando essa loucura de montar redes de baixarias contra adversários. Embora não esteja institucionalizado na campanha da Dilma Rousseff, também há blogs de baixarias praticando difamação, e usando o nome da candidata.
Não confundir (em ambos os lados) com blogs satíricos ou críticos, ainda que exacerbados. O que diferencia blogs de esgoto de blogs satíricos é o uso reiterado da difamação.
A benevolência com eles se deve à síndrome dos “radicais porém sinceros” que acomete toda liderança. Não se quer perder o apoio de ninguém e, com isso, acaba-se abrindo espaço para o rebotalho, expulsando os aliados de nível que não querem ser confundidos com o lixo. E transformando a campanha em um festival de baixarias.
O desmonte dessa estratégia do ex-Graeff – que apenas cumpre ordens, cá para nós – é um bom momento para ambas as campanhas reavaliarem procedimentos na Internet. Não apenas desmanchando esse exército das sombras, como desautorizando peremptoriamente blogs que, a pretexto de defender um candidato ou outro, pratiquem a difamação.
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