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sábado, 4 de setembro de 2010

O Recado de Lula para José Serra

Nenhum, mas nenhum dos candidatos têm a sabedoria de dizer a coisa certa no momento certo que o Lula tem. É impressionante! Pode-se até discordar, mas não se pode negar que ele é um grande comunicador. Sobre o vazamento da Receita o Lula contrapôs com argumentos como a tentativa de censura da internet por parte do Serra, completando que tanto ele, quanto o Candidato e quanto tantos jornalistas, hoje, já não estão mais imunes a críticas, sejam elas procedentes ou não, com o advento da internet, e que não seria ele que iria impor tal censura. E aproveitou ainda pra mandar o Serra ir para as ruas atrás de voto, que é a melhor maneira de exercer a democracia. Tipo de entrevista que você não vai ver no Jornal Nacional.




Nosso adversário deveria procurar um novo argumento. Não é possível que um homem que se diz tão preparado para presidir o país, um homem que se diz tão preparado para presidir os destinos de 190 milhões de habitantes quer que o presidente Lula censure a internet.
Ele não alertou, ele se queixou do que estava acontecendo com ele na internet. Como eu sou vitima disso há muito tempo, eu sempre achei… sabe que a internet livre tem coisa extraordinariamente séria e tem coisa que é leviana.
Até agora, não tem nada de mais que a internet publicou sobre a filha do Serra, não tem nada de mais. Tem insinuações como tem contra o presidente Lula, como tem contra a família do presidente Lula, como tem contra vocês jornalistas individualmente.
Hoje de vez em quando vocês escrevem um artigo que os internautas não gostam, vocês tomam cacete o dia inteiro e isso é uma democracia que nós precisamos aprender a respeitar. Querer que eu censure a internet não é meu papel e não vou censurar, porque briguei contra a censura a vida inteira.
Eu acho que o Serra, eu acho que o Serra precisa saber uma coisa… uma eleição a gente ganha ela convencendo os eleitores a votar na gente. Não é tentando convencer a Justica eleitoral a impugnar a adversária. Isso já aconteceu em outros tempos de ditadura militar, em tempo de democracia o seu Serra que vá para a rua, que melhore a qualidade do seu programa, que melhore a qualidade de seu programa, que faça proposta de coisas que ele quer fazer para o nosso país, que apresente soluções para o crescimento industrial.
Hoje ele deve tá com dor de cabeça porque o PIB parece que pelo IBGE vai crescer acima daquilo que os mais pessimistas previam que ia crescer, vai crescer 7 por cento. O Brasil… o Brasil… o Brasil… o Brasil… o Brasil vive um momento de ouro e eu não vou permitir que nenhuma coisa menor, nenhuma futrica menor, porque não tem nenhuma, nenhuma acusação grave contra o Serra ou contra qualquer coisa, tem as coisas da internet contra o Serra e contra todo mundo.
Então, o presidente da República tem coisa mais séria para cuidar ao invés de cuidar das dores de cotovelo do Serra.

domingo, 22 de agosto de 2010

O Atual Cenário Eleitoral

O texto é bastante lúcido e foi colocado como comentário a um post do blog do Nassif.

Por Alexandre Tambelli
do blog do Nassif

Nassif!
    Nada é mais seguro do que se pautar pelos fatos concretos e pela verdade! O velho ditado e sempre atual diz: "contra fatos não há argumentos". O PT tem uma média histórica de 30% do eleitorado, fiel e de carteirinha, certo?(se fosse o contrário o PSOL, o PSTU, principalmente estes dois partidos, teriam crescido e não foi assim, como opções da esquerda e eles nem pontuam nas pesquisas.) O eleitor do PT continuou votando no PT, na sua grande maioria, e hoje,  creio eu, ampliou-se o número de simpatizantes do partido, certamente. Ninguém supõe que o eleitorado petista, por causa do suposto mensalão de 2005 mudaria seu voto para o DEM, PSDB ou PMDB e nem para o PCO, PCB, PSOL ou PSTU, certo?
     Será possível, que um grupo de pessoas que durante mais de 20 anos defendeu ideias de esquerda iria chegar ao poder e mudar de posição? Só mesmo a ingenuidade da esquerda mais radical para pensar assim. Fez o Governo LULA o que se pôde dentro da realidade do mundo atual. Um passo em falso quase derrubaram o LULA, imagina radicalizar para a esquerda, como pretende o PSOL de Plínio, sem sequer combinar com a população? LULA já estaria deposto do poder faz tempo. A extrema-esquerda quer fazer revolução, prega o Socialismo, porém, não se preocupa em dar um passo decisivo nesta direção, que seria, estar diretamente ligada com a Educação do povo, ai se o povo soubesse o que é Socialismo, teriamos a chance de implemetá-lo. Porém, sem conversar e ouvir o povo, tanto a extrema-esquerda, toda a direita, bem como a mídia ficaram para trás e sem credibilidade. O PlLÍNIO foi nos debates e não pontuou nas pesquisas, como isto foi possível? O SERRA com toda ajuda da mídia não sai dos 30% dos votos, por quê? A grande mídia achincalhando com o PT, a DILMA, o LULA e as esquerdas e seus partidários não conseguiu diminuir a popularidade do Governo LULA, que só tem 4% de notas vermelhas, como isto é possível?
     O Governo LULA com quase 80% de aprovação e a grande mídia querendo dizer que estava sob controle a vitória do SERRA? Ele só tinha uma vantagem sobre  a DILMA, era bem mais conhecido. A partir do momento que colou a imagem de DILMA no eleitorado como sendo a candidata do PT e de LULA de fato, inverteu-se o quadro, tudo dentro daquilo que a realidade mostra e que os honestos intelectualmente e lúcidos, sem partidarismo ou vontade própria de que seja outra a realidade (verdade) sabem.
     Primeiro ela ganhou os votos da esquerda moderada, do PT, PCdoB, PDT e PSB, o eleitorado LULISTA e chegou no eleitorado apartidário mas que quer continuar no caminho que o Brasil traça para seu futuro, com distribuição de renda, empregos em alta, obras de infraestrutura e consumo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Luis Nassif e os Desdobramentos das Pesquisas Eleitorais

O problema é que a oposição não encarou a realidade de frente. Esqueceu que o povo era um "detalhe" importante e que só mídia não ganha eleição. Mal comparando, é a mesma coisa que dizer que um time de futebol ganha uma campeonato apenas com a tradição. Taí a grande mídia batendo dia e noite no governo, muitas vezes de forma desonesta apelando para métodos pouco ortodoxos, e não tem quem baixe a aprovação do Lula. Aliás, ao que parece só tem contribuído para aumentá-la. Ok, as eleições ainda vão ocorrer e não foram ganhas por nenhum dos lados, portanto, ainda estão abertas as possibilidades. O que não nos impede de analisar a questão da fragilidade da oposição e seus possíveis desdobramentos pós-eleições. O texto é do Luis Nassif.


Coluna Econômica - 18/08/2010
A grande tragédia política dessas eleições será o fim quase completo da frente PSDB-DEM, a única que poderia oferecer uma oposição consistente ao novo governo, que será empossado em 1º de janeiro de 2011.
Não existe governo, por mais virtuoso, que resista a um mandato sem oposição. E este é o risco que o Brasil corre, com os erros cometidos pela oposição nas atuais eleições. A avaliação é de João Francisco Meira, diretor-presidente do Instituto Vox Populi.
Em meados do ano passado, a partir de conversas com Meira e de reflexões próprias, parlamentares do DEM – como o ex-deputado Saulo Queiroz – alertaram para as dificuldades que haveria em uma provável candidatura José Serra. Estava claro para eles a quase impossibilidade de vitória de Serra, por um conjunto de fatores.
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O alerta de nada adiantou.
Em março, durante Congresso da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), Meira alertou mais uma vez que a eleição já estava decidida para Dilma Rousseff. Tanto o Vox Populi quanto o Instituto Sensus trabalhavam com modernas técnicas de pesquisa, visando antecipar tendências do eleitorado.
A metodologia era simples. Parte relevante do eleitorado não sabia ainda que Dilma era candidata de Lula. Mas certamente saberá no dia das eleições. A técnica consistia em antecipar aos pesquisados as informações. A partir daí, se chegaria a um resultado muito mais próximo do resultado final das urnas.
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No encontro, houve um forte questionamento do Instituto Datafolha, para quem pesquisas não deveriam antecipar tendência.
É uma bela discussão conceitual. O que interessa em uma pesquisa eleitoral: saber qual o resultado se a eleição fosse hoje ou tentar antecipar o resultado final da eleição? A fronteira da pesquisa de mercado é justamente antecipar tendências, explica Meira.
***
Nos meses seguintes, um inferno se abateu sobre os Institutos que seguiram essa nova metodologia – Sensus e Vox Populi. Foram atacados pelos jornais.
O momento mais dramático dessa história foi quando, estimulado pelas matérias da Folha, o PSDB entrou na justiça eleitoral exigindo a auditagem da pesquisa do Sensus. O Instituto amanheceu com um estatístico convocado em São Carlos, com a polícia, para garantir a vistoria, e com um repórter da Folha (empresa proprietária do Datafolha) para escandalizar o acontecimento.
Não se encontrou nenhuma irregularidade na pesquisa. Mais que isso, à medida que os dias iam passando, confirmava-se integralmente o acerto do Sensus e do Vox.
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O próximo desafio de Meira será produzir um trabalho acadêmico a respeito das conseqüências do viés das pesquisas. Em um primeiro momento, aumentou a desinformação da opinião pública. Agora, há muita gente perplexa com um resultado que já era previsível desde o ano passado.
Ao comprar a ideia de que Serra era competitivo, contra toda a evidência de um ano atrás, a oposição acabou indo para o caminho que Lula queria.
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Meira equipara esse episódio às grandes tragédias shakespeareanas, de desdobramentos terríveis quando se toma a decisão errada na política, na guerra e no amor. Os fatos acabam voltando no meio da sua testa, com fúria redobrada.
Se não se tivesse embarcado nessa armadilha das pesquisas com viés, a oposição teria tomado outro caminho. Constataria que Lula inaugurou um novo tempo na política brasileira e tentaria se adequar a esse novo cenário, pensando em um pacto progressista, que permitisse reformas estruturais do Judiciário, reforma fiscal, estrutura tributária. Não venceria as eleições, mas sairia preservada.
Em vez disso, queimaram-se as caravelas e se chegou ao final da tragédia, com a aniquilação quase completa da estrutura DEM-PSDB. Vai sobrar Aécio Neves, em Minas, Kátia Abreu em Tocantins, talvez Roseane Sarney (embora no PMDB) no Maranhão. Cesar Maia corre o risco de não se eleger, assim como Agripino Maia e outros caciques. A nova geração de centro-direita, esperança de um revigoramento da oposição, será arrasada nas eleições.
Levará no mínimo oito anos para se recompor a oposição, com todos os inconvenientes que trará para o aprimoramento democrático do país. O final da tragédia será em São Paulo. Geraldo Alckmin será eleito, possivelmente com folga. Mas há grande probabilidade de Serra perder no seu próprio estado, a partir do qual se produziu a fantasia que liquidou com a oposição em todo país.


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/desdobramentos-de-pesquisas-eleitorais#more

O Início da Propaganda Eleitoral na TV

Com o resultado das últimas pesquisas eleitorais, e esta última da Vox Populi, que adotou o método de antecipação de tendências, a situação da oposição no âmbito nacional ficou mais difícil. A candidata Dilma Rousseff começa o guia com mais de 10 pontos percetuais à frente de José Serra, que hoje estaria abaixo dos 30% de intenções de voto. Ontem, 17/08, iniciou-se aquilo que poderia ser uma alento para esta situação, mas pelo que se viu das duas principais candidaturas, foi uma grande diferença de enfoque, com vantagem para o programa governista, por óbvio: a uma, porque o governo tem o que mostrar de positivo; e outra, porque trouxe o peso da aprovação popular do Lula para dentro da campanha da Dilma, a pedir voto para sua candidata. O Serra teve a bola levantada pelo JN na Rede Globo, que um pouco antes, na sua edição do mesmo dia, tratou do problema de saúde, asssunto abordado coincidentemente pelo  programa oposicionista. Outro aspecto foi a tentativa de "popularizar" o nome do candidato associando-o à sucessão do Lula, e tranformando o José Serra em "Zé". A redução do léxico soou tão artificial quanto a favela que abre o programa. Pelo andar da carruagem vai ser muito difícil a mudança deste quadro e restará para oposição PSDB-DEM se reinventar, inclusive no que se refere a questões de conceito e métodos de fazer política, com todos os inconvenientes que é termos uma oposição fragilizada, sem discurso e sem proposições. É torcer para que o governo continue bem, mas, como somos demasiadamente humanos, e nenhum governo será sempre bom, torcemos também para o surgimento de uma oposição responsável e inteligente, papel que, infelizmente, o movimento que construiu a candidatura Serra não foi capaz de desempenhar durante todo este tempo.

Programa da Dilma Rousseff


Programa do José Serra

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E o Bonner desencantou: A Entrevista de Serra no JN

Bem diferente o tratamento do Bonner com o Serra. Sem interrupções bruscas, cordial (no final até pediu desculpas por ter que interromper o candidato - que meigo!). É, parece que houve uma "evolução". Na verdade uma vergonha o tratamento diferenciado usado pelo Jornal Nacional. Mais uma vez o mensalão petista estava em evidência, juntamente com o da oposição (pra fazer o devido contraponto, e, claro, passando de raspão). Faltou o Arruda, faltou aprofundar mais na questão dos pedágios paulistas e do apoio do Bob Jefferson. Mas tem o tempo, não é? E o Serra falou em saúde, saúde e saúde. Mas seria muito esperar algo diferente da emissora. Vamos em frente.

Entrevista com Marina Silva no JN

Marina conseguiu "domesticar" melhor o processo da entrevista e o Bonner ficou mais delicado.
Agora, esta história de que vai colocar apenas os melhores técnicos nos postos chave da República, aí fica difícil acreditar.
A saia justa foi a questão do "mensalão". Se for para o plano puramente ético a Marina tinha que ter saído imediatamente do governo ou simplesmente não ter entrado na política nacional. Talvez ela tivesse sido mais sincera se explanasse alguma idéia do que fazer contra a cultura do caixa dois neste país. Ficou no genérico combate à corrupção.
Explanou bem suas idéias ambientais e foi segura.

 

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Globonews e Eleições 2010

Um bom debate sobre as eleições 2010 com o jornalista da Revista Época, Paulo Moreira Leite e o cientista politico, Alberto Carlos Almeida. Tema central: a liderança e crescimento da candidatura Dilma Rousseff e os problemas enfrentados pela oposição nesta eleições. A avaliação do governo Lula, o momento econômico e as estratégias políticas das principais candidaturas. Muito bom.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pesquisas Vox Populi e Data Folha: Análise das Discrepâncias

Dentro daquilo que se convencionou chamar de sistema de poder, diversos atores ocupam seus espaços como forma de garantir a influência nas decisões da sociedade. Esta luta pela manutenção do "status quo", outrora através das armas (hoje, não de todo descartadas) e atualmente, nos regimes democráticos, através do dinheiro, da técnica (de propaganda, estatística, etc.), e lógico, do voto, traz lances interessantes, como no caso dos institutos de pesquisa eleitoral que apresentam resultados discrepantes, observando-se a metodologia empregada por cada um deles. Uma das melhores análises foi feita pelo blog do Nassif que faz uma abordagem acurada sobre a pesquisa Data-Folha. Tal instituto utiliza a técnica de abordagem nas ruas e pratica o descarte das respostas que não apresentam número de telefone ou outra forma de identificação que permita a validação das mesmas. A Vox Populi e o Ibope, para as eleições deste ano, utilizam a abordagem domiciliar, onde é desnecessário o número de telefone. Outro fato relevante é que o Data-Folha, embora tenha entrevistado um maior número de pessoas, não o fez no interior dos estados, mas apenas nas capitais. Paira (como sempre pairou) sobre tais institutos, a pecha da desconfiança, pois, como na maioria das coisas que envolvem poder e dinheiro hoje em dia, o que  menos se espera é o jogo limpo. E todos têm que estar atentos a tais movimentos para, pelo menos, não se deixar influenciar por erros premeditados.

Decifrando o Data-Folha
do Blog do Nassif
por Gunter Zibell


Mas então... Alguém notou que esta Datafolha de 23/07 é desfavorável para Serra se comparada com a de 01/07?
Sabemos que há as diferenças metodológicas do Datafolha. Uma ainda não comentada foi não fazer desta vez o cenário clássico (apenas 3 candidatos.) Os resultados 36 D/37 S/10 M não são plenamente comparáveis com os do Vox Populi (41 D/33 S/8 M) porque contam com 1% cada para PSTU e PSoL. Esses 2% não são prováveis para Serra. Seria mais prudente considerar os resultados para 2º turno e aí a diferença entre institutos, na conta “diferença entre candidaturas” cai de 9% para 7%.
Mais a mais, o fenômeno a ser medido é o mesmo, as trajetórias em direções opostas das candidaturas. Apenas os termômetros são diferentes.
Olhando somente as diferenças para 2º turno : na Vox de 26/06 Dilma (44) menos Serra (40) era 4%. Agora, Vox de 20/07, se fala em 8% (D = 46, S = 38). 4% de mudança em 24 dias.
Na Datafolha de 01/07 a diferença era 2% pró-Serra (este com 47%, Dilma com 45%) e agora (23/07) Dilma está 1% à frente (ela com 47%, Serra com 46%). 3% de mudança em 21 dias.
Não se fala, portanto, em “recuperação” da candidatura Serra. Ambas as pesquisas, dos dois institutos mais comentados, mostram Dilma subindo 2% nas 3 primeiras semanas de julho e Serra caindo 1 ou 2% no mesmo período. Se esta ou aquela pesquisa vai ajudar a angariar fundos de campanha ou estimular as militâncias não altera a realidade do cenário.
Vamos usar um gráfico conhecido (no caso já tinha pronto para 1º turno, mas isso não muda muito agora) e traçar uma seta envoltória para os pontos mais recentes (desde outubro) das duas campanhas em todos os institutos. Para tangenciar os pontos mais baixos de Serra e os mais altos de Dilma. A largura dessas setas é de 8%, ou seja, 4% a mais ou a menos em torno de uma média imaginária. Algo como uma margem de erro maior.
Tentando fazer mais simples as coisas: antes víamos as “bolinhas azuis” sempre acima das “bolinhas vermelhas” em distâncias que variavam; passamos para uma fase em que as bolinhas se misturam (maio, junho) e agora (desde 21/junho) em 4 das 6 vezes a bolinha vermelha fica acima da azul. Em nada mudando, é provável que daqui pra frente as bolinhas vermelhas ficarão mais frequentemente acima das azuis. O que importa é o caminho geral, não os desvios pontuais.

Do ponto de vista de torcidas : se a Datafolha, pesquisa que aparentemente favorece Serra, em função de sua metodologia, já aponta 47% a 46% com pequena vantagem para Dilma no 2º turno, então as demais (sendo que sai uma Ibope agora dia 31/jul.) muito provavelmente apenas mostrarão essa diferença ampliada.
A única questão relevante é se Dilma “na média” chegará no dia 03/out. aos 43% necessários para a eleição se definir em um turno (43% = [100% - 14% de B/N/I] / 2 ). Sua média atual de 4 pesquisas é 39% (em maio era 36%, em março era 32%), a de Serra é 37% (em maio era 37,5%, em março 38,5%). O que temos de concreto é que Dilma cresce mais rápido (quase 2% ao mês) do que Serra decresce (cerca de 0,5% ao mês.) Isso significa que Dilma aproveita bem mais a redução no percentual de indecisos (cuja média passou de 21% em março para os atuais 14%.)
Se houvesse previsão de fato novo pró-Serra com a campanha, isso teria alguma relevância.
Mas já sabemos que se a coligação PSDB/DEM tivesse propostas sedutoras estas já teriam sido mostradas. Também sabemos que a “campanha do medo” pela mídia só prega para os mesmos convertidos (e em função justamente de ausência de programa competitivo.) Repetir factóides de 4 ou 8 anos atrás não dará certo, principalmente porque não se prova nenhum, o que passa a impressão de amadorismo (até para os fiéis desses partidos, o que pode decepcioná-los.)  
Também é sabido que o tempo de TV será favorável a Dilma. O envolvimento direto de Lula também. O maior conhecimento das candidaturas, idem. A participação dos candidatos a governador vai pesar algo. Talvez o movimento que possa recuperar as chances de Serra seja um desempenho muito melhor nos debates.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Eleições 2010: Começou a Guerra!

Você pode até dizer que não gosta de um candidato porque "não vai com a cara dele"; ou porque, pra você, ele é antipático, ou mesmo tem "cara de ladrão". Isto é uma questão sua, de foro íntimo e ninguém está obrigado, no seu voto, a desfiar um rosário de motivos políticos com base em teses sociológicas. Cada um está em seu momento, tem suas próprias razões, sejam elas de que natureza for, e, numa democracia, nada mais apropriado do que o "one man, one vote".

O problema é quando o jogo político pesa e você passa a ser uma presa fácil arrastada pelas mentiras perpetradas por aqueles que, ao invés de utilizarem de honestidade, passam a distorcer a realidade, ou mesmo mentir, para fazer proselitismo velado sobre uma determinada opção política em nome de seus próprios interesses. Se o fizessem abertamente, sem distorções, nada de mais. Mas o fazem deliberadamente, passando por cima de tudo e de todos. O que menos querem é o debate político de alto nível, mas apenas desqualificar o outro, tratando os eleitores como perfeitos trouxas. Pra vocês verem o nível do que será as eleições este ano: outro dia recebi um email sobre a questão do auxílio-reclusão, apresentado em tom de indignação, como se fosse uma figura criada por este governo, alcunhada de "Bolsa-marginal" ou "Bolsa-bandido".  Figura esta prevista desde o governo de Juscelino Kubtschek e hoje na própria Constituição no seu art. 201, IV.

Existem outros sendo espalhados pela internet, como o da Dilma “terrorista”. Segundo esse, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”. Tem também o do "filho encrenqueiro". De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil. Hoaxs deste tipo serão utilizados cada vez mais para desqualificar o atual governo e sua candidata.

Mas hoaxs sem fonte ou de fontes duvidosas espalhados por email não têm, nem de longe, o mesmo poder que uma emissora de televisão ou uma revista de grande circulação. Com a divulgação de pesquisas desfavoráveis ao candidato desse grupo de poder as estratégias foram lançadas. Segundo Mauro Carrara, no seu "Tempestade no Cerrado" (publicado no vermelho.org -http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=125750&id_secao=1), esses são os passos:

1)    Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
2)     Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
3)     Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
4)     Elevar o tom de voz nos editoriais.
5)     Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.
6)     Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.
7)     Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
8)     Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Há até quem defenda que este tipo de atitude é legítima num regime dito democrático. O problema é que o diabo está nas entrelinhas. Pior do que uma mentira escancarada é uma mentira escondida e travestida de verdade. E o que vale pra um vale pro outro. Assim, também é legítimo desmascarar mentiras, ainda que você não concorde ou nem venha a votar alinhado com o governo. O jogo deveria ser este, mas parece que com regras claras, para parte da sociedade brasileira e da grande mídia, não haveria possibilidade de vitória. Eu duvido, mas é uma questão de cultura e de comportamento, muitas vezes criticadas por aqueles mesmos que atacam a desfassatez da classe política. No final só sobram o preconceito e a mentira.

Será que o brasileiro vai decidir quem será o próximo ou próxima presidente com base nesses valores? Espero que não.

Querem saber o que eles realmente sentem pelo Lula?