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sábado, 16 de julho de 2011

O Brasil sem Parar


Grandes desafios estao delineados no horizonte do pais. A comecar pelo combate a corrupcao e por uma reforma politica seria, para manter e dar sustentabilidade a um desenvolvimento constante e duradouro. Ha iniciativas importantes como o PAC e as parcerias publico-privadas, mas ha a necessidade, tambem, de que a sociedade tome conhecimento desses avancos de modo a que nao fiquemos com a sensacao de que tudo no Brasil esta fadado ao fracasso. Pelo contrario, o Brasil tem tudo para dar certo.

por Delfim Neto da Carta Capital
via Escrevinhador.

A situação da economia brasileira certamente não é a ideal, mas é muito melhor do que supõem os pessimistas de plantão, muitos deles a viver do substancial patrocínio de parte do sistema financeiro.
À semelhança dos primeiros meses do governo Lula, a presidenta Dilma precisou enfrentar as pressões de luminares do mercado financeiro que exigiam a radicalização das políticas fiscal e monetária para não perder o objetivo da meta inflacionária, mesmo que isso levasse a uma redução do crescimento econômico. Ela reagiu a essas pressões, deixando claro que o objetivo principal continuava a ser o crescimento, utilizando-se da comunicação de forma correta e convincente, da mesma forma que o fizeram seus principais auxiliares na área econômica, o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda.

Neste caso, o governo não apenas adotou as medidas prudenciais adequadas como usou os meios de divulgação para convencer os agentes que o alongamento de mais um ano, no objetivo de voltar à meta, dará maior segurança à política de controle da inflação. A importância disso reside no fato de que as expectativas que a sociedade forma em torno das políticas do Estado são fundamentais para se chegar ao resultado perseguido. A tentativa de um endurecimento monetário e fiscal, provavelmente, quebraria a confiança de trabalhadores e empresários no processo de crescimento, os primeiros reduzindo o consumo e os empresários, os investimentos.

Certamente a recusa em embarcar nessa “canoa furada” evitou um desastre de grandes proporções econômicas, gravíssimas tensões sociais e tremendas consequências políticas. Guardadas a devida distância e as diferenças abissais de comportamento dos governos nesses últimos cinco a dez anos “gloriosos” de desregulação (melhor dito, desregramento do capital), basta observar as prévias de violência nas reações de gregos, troianos e outros súditos do euro para entender do que nos livramos.
Infelizmente, o setor onde o governo está curiosamente omisso é na informação pública sobre o andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujas realizações, acredita-se, estariam destinadas a ser uma espécie de locomotiva da comunicação no governo Dilma. Não se trata de promover os investimentos do governo federal (que, enfim, não são tantos ou não se realizam nos prazos anunciados) nas áreas da infraestrutura de transportes ou de energia basicamente. O mínimo de atenção que se deve dar ao contribuinte é mostrar onde estão sendo gastos os seus impostos.

Há centenas de parcerias público-privadas (pequenas, médias e grandes) aonde o dinheiro da arrecadação vai sendo aplicado de forma produtiva e isso é ignorado pelos brasileiros, que, quando tomam conhecimento de alguma obra, é porque houve algum desvio de finalidade, algumas somente apenas tentativas ou a interrupção por causa de erros de programação ou retardo de liberação das verbas. E há os empreendimentos de grande porte que as pessoas gostariam de acompanhar, mas que são solenemente ignorados pelos meios de comunicação.

Um exemplo disso foi a divulgação extremamente modesta do– desvio do curso do Rio Madeira, onde se constrói a hidrelétrica de Santo Antônio, uma obra de grande envergadura e de fundamental importância para o desenvolvimento da Amazônia e, portanto, para o crescimento da economia brasileira. Apesar de contar com a presença da presidenta Dilma, numa demonstração da importância do empreendimento e de sua disposição de promover o aumento da oferta de energia, a divulgação foi apenas rotineira, perdendo-se a oportunidade de satisfazer o interesse dos brasileiros de todas- as demais regiões sobre o que se realiza neste imenso território nacional para acelerar o desenvolvimento.

Não se satisfaz a curiosidade- dos mais jovens que hoje demonstram um enorme apetite para conhecer melhor as regiões- brasileiras e que dispõem de acesso crescente e praticamente imediato à informação “em tempo real”, por seus telefones celulares, notebooks e dos mais modernos iPads, um meio de comunicação cuja propriedade se tornou um objeto de desejo dos mais cobiçados e que, apesar dos preços ainda fora do alcance da maioria, estão tendo o consumo aumentado de forma vertiginosa.
Com os abundantes recursos (materiais e humanos) disponíveis para a comunicação governamental, é quase inconcebível que sejam desperdiçadas tantas oportunidades para a divulgação de obras que efetivamente contribuem de forma marcante para o desenvolvimento brasileiro.

sábado, 20 de março de 2010

Painel Internacional: Reino Unido vive a sua própria tragédia grega e terá que fazer cortes orçamentários

Der Spiegel
Por Marco Evers

O déficit orçamentário da Grécia é absurdamente alto. Mas o do Reino Unido é ainda maior. O primeiro-ministro Gordon Brown terá uma tarefa bem definida neste ano eleitoral – e os cortes orçamentários que estão por vir serão dolorosos.

No momento mais difícil da luta contra Adolf Hitler, o Ministério da Informação britânico – que existiu durante a Segunda Guerra Mundial – encomendou um pôster especial. Com o objetivo de promover a calma no cenário interno, ele mostrava a coroa do rei George VI contra um fundo vermelho, com as palavras “Mantenham a Calma e Sigam em Frente” impressas abaixo da imagem.
A situação jamais se tornou suficientemente desesperadora para justificar o uso do pôster, e os milhões de cópias impressas foram arquivados sem nunca terem sido utilizados. Dez anos atrás, um vendedor de livros descobriu uma única cópia e a pendurou na parede da sua loja. Isso poderia muito bem ter sido o fim da história do pôster, mas o país deparou-se subitamente com crises múltiplas: ataques terroristas, uma crise no setor bancário e, finalmente, a crise econômica e de crédito.

O pôster de um vermelho vivo está atualmente dependurado nas paredes dos gabinetes de vários diretores e membros do parlamento, em quarteis militares e dormitórios de estudantes. Ministérios inteiros o estão utilizando para estimular a moral, e versões emolduradas do pôster estariam até adornando as paredes de 10 Downing Street (residência e gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido) e do Palácio de Buckingham.

Só que desta vez não está sendo fácil manter a calma e seguir em frente. A libra esterlina anda mal das pernas. A economia está mergulhada na pior crise desde 1931, e o país por muito pouco não despencou em uma recessão profunda. Os especuladores estão apostando que não haverá uma recuperação econômica. A instabilidade no setor financeiro tem provocado um impacto mais severo nas finanças do governo do Reino Unido do que nas de outros países industrializados. O déficit orçamentário de Londres chegará a 186 bilhões de libras esterlinas (205 bilhões de euros, US$ 280 bilhões, R$ 494,5 bilhões) neste ano – o que representa 12,9% do produto interno bruto do país.

Ninguém sabe como resolver o problema
Este país, que já foi chamado de “Cool Britannia” (termo usado de meados até o final da década de noventa para descrever a cultura moderna do Reino Unido), está imerso em uma série crise, com um rombo no orçamento ainda maior do que o déficit orçamentário da Grécia, que atualmente é de 12,2%. E ninguém sabe como resolver o problema.

De fato, esse problema tornou-se tão preocupante que a Comissão Europeia disse na quarta-feira (17/03) a Londres que se empenhasse mais em enxugar o seu orçamento, segundo uma cópia de um relatório que foi vazado para a agência de notícias “Reuters” no início desta semana. “A estratégia fiscal delineada no programa de convergência do Reino Unido não prevê a correção do déficit excessivo até o ano fiscal de 2014/2015, conforme recomendado pelo conselho”, afirmou a Comissão Europeia na sua declaração.
Para tornar as coisas ainda mais complicadas, os britânicos irão às urnas daqui a algumas semanas, provavelmente em 6 de maio. O próximo primeiro-ministro terá uma tarefa definida pela frente: reduzir o déficit orçamentário maciço, reestruturar a indústria bancária e reorientar eficientemente a economia. E ele terá que fazer isso tudo com um orçamento limitado.

Ambos os candidatos darão aos eleitores motivos para que estes questionem as suas qualificações para implementar as medidas que se fazem necessárias. O atual primeiro-ministro, Gordon Brown, 59, quando ocupava o seu antigo cargo de chancellor of the exchequer (cargo equivalente ao do Ministro da Fazenda brasileiro) no governo do seu predecessor, Tony Blair, gabava-se de ter acabado para sempre com as oscilações da economia. Entretanto, mal ele recebeu o cargo de Blair e a economia do país despencou.
Brown foi ridicularizado na imprensa, enfrentou revoltas no seu partido e o desprezo da população. Mas ele foi persistente. O primeiro-ministro engoliu as críticas e gradualmente construiu a reputação de um gerente de crise capaz, pelo menos durante a crise econômica global. Pesquisas realizadas nos últimos anos demonstram que, embora poucos britânicos o apreciem, uma quantidade cada vez maior de eleitores está disposta a votar nele mesmo assim.

Impostos e taxas mais elevados
Parte da imagem robusta de Brown deve-se primariamente ao seu adversário conservador, David Cameron, 43, que faz parte da arrogante classe alta, e cuja atuação como assessor especial do chancellor of the exchequer, durante a queda da libra esterlina em 1992, é considerada a sua única experiência em lidar com dificuldades econômicas. Além do mais, os seus colegas de partido questionam as qualificações de George Osborne, 38, o chancellor of the exchequer designado por Cameron.

O Reino Unido tem pela frente tempos difíceis. Tão difíceis, de fato, que nenhum dos partidos ousou dizer em voz alta aquilo que muitos dos seus membros já sabem. No mínimo, os britânicos podem esperar aumentos de impostos e taxas. “Teremos que fazer muitos sacrifícios”, avisa o economista Carl Emmerson, do independente Instituto para Estudos Fiscais, em Londres. “Os cortes no orçamento serão mais drásticos do que aqueles implementados no governo da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher”.
Mais drásticos do que os de Thatcher. Estas palavras ainda hoje provocam um instinto de fuga – fuga para longe dos conservadores. Na década de oitenta, foram montadas nas ruas barricadas em chamas, e a polícia entrou em confronto com manifestantes. Foi uma época que os britânicos não esqueceram.

Leia mais: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2010/03/18/reino-unido-vive-a-sua-propria-tragedia-grega-e-tera-que-fazer-cortes-orcamentarios.jhtm

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Egoísmo dos Bancos

O texto é de Thomas Friedman, colunista de assuntos internacionais do New York Times, e revela seu apoio às políticas de Barack Obama para evitar que novos "incidentes" como o de 2008 voltem a ocorrer no sistema financeiro americano.

 

 

Somente adultos, por favor


Thomas L. Friedman
Talvez seja só eu, mas nas últimas semanas achei a política americana particularmente irritante. Nossa economia ainda está muito frágil, mas não daria para perceber isso pela forma que a classe política está agindo. Somos como um paciente que acaba de sair da UTI e está sentando na cama pela primeira vez quando, subitamente, todos os médicos e enfermeiros começam a discutir ao lado da cama. Um deles joga um estetoscópio para longe; outro ameaça desligar todos os monitores a não ser que as contas do hospital sejam pagas até o meio dia; e o tempo todo o paciente está pensando: “Vocês estão loucos? Estou apenas começando a me recuperar. Vocês não entendem como seria fácil eu ter uma recaída? Não há adultos aqui?”
Algumas vezes você se pergunta: será que estamos em casa sozinhos? Obviamente as elites políticas e financeiras a quem damos autoridade frequentemente agem com base em interesses pessoais. Mas ainda temos muito que avançar para sairmos da bagunça em que entramos e, se nossas elites não se comportarem com maior senso de bem comum, podemos ver nossa economia dar outro mergulho com salto mortal.
Dov Seidman, diretor executivo da LRN, que ajuda empresas a construírem culturas éticas, gosta de falar em dois tipos de valores: “valores de ocasião” e “valores sustentáveis”. Os líderes, empresas ou indivíduos guiados por valores de ocasião agem conforme o momento, não importa os interesses maiores de suas comunidades. Um banqueiro que assina uma hipoteca para alguém que sabe que não poderá pagar a dívida no longo prazo está agindo com valores de ocasião, dizendo: “Não estarei mais aqui quando a conta aparecer.”
As pessoas inspiradas por valores sustentáveis agem de forma exatamente oposta, dizendo: “Nunca vou embora. Estarei sempre aqui. Portanto, preciso me comportar de uma forma que sustente meus empregados, meus clientes, meus fornecedores, meu ambiente, meu país e as futuras gerações.”
Ultimamente, vimos uma explosão de pessoas pensando apenas em valores de ocasião. Em geral, apóio as propostas que o presidente Barack Obama expôs na semana passada para impedir os bancos de se tornarem grandes demais para falirem e para proteger os contribuintes dos bancos que entram em colapso especulando excessivamente e que depois esperam que livremos a cara deles. Mas a forma como o presidente revelou suas propostas –“Se esses sujeitos querem briga, essa briga estou disposto a ter”- me fez sentir como se ele estivesse procurando uma forma de falar mal dos bancos logo após a perda dos democratas em Massachusetts, para marcar alguns pontos políticos baratos no lugar de iniciar uma discussão nacional séria sobre uma questão incrivelmente complexa.
Obama é tão melhor quando ele pega uma questão quente e enrolada, como direitos civis ou reforma bancária, e fala ao país como a um adulto. Ele é tão melhor quando nos deixa mais inteligentes do que raivosos. Entrar em guerra com os bancos para tirar um rápido prazer de popularidade após uma perda eleitoral só vai funcionar contra ele e contra nós. Vai fazer os bancos emprestarem ainda menos e retardar ainda mais a recuperação.
Isso dito, uma parte de mim não culpa o presidente. O comportamento de alguns importantes bancos de Wall Street, particularmente do Goldman Sachs, foi extremamente egoísta. Os contribuintes norte-americanos seguraram o Goldman ao salvarem um de seus maiores devedores, a AIG. Em qualquer cálculo justo, o Tesouro americano deveria ter uma fatia do Goldman hoje. Por anos, o Goldman foi o exemplo maior de bancos que se comportavam com base em valores de ocasião –explorando o que quer que uma ocasião ou regra permitissem.
Obama também tentou criar uma comissão bipartidária para criar um plano para reduzir a dívida nacional –um plano que causaria dor aos dois partidos cortando alguns programas e aumentando alguns impostos. Contudo, o líder republicano, senador Mitch McConnnell, disse que o partido não ia cooperar com qualquer comissão que propusesse o aumento de impostos. E alguns democratas liberais rejeitaram cortar seus programas favoritos. Isso é que é altruísmo pelo país.

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