Notou que a Velha Mídia já não se detém muito nos números do PIB ou do crescimento da econcomia brasileira? O foco agora é nos dossiês ou vazamentos da Receita Federal. Não que isto não seja notícia, tampouco que não seja importante num ano eleitoral. Mas foco por foco, este atende mais aos interesses do consórcio midiático-político em exaustão. Acontece que o fato da economia brasileira estar num momento ímpar da sua história deveria ser também motivo de louvor e atenção. Isto porque seria importante para a população em geral saber o porquê deste momento e como mantê-lo sem que caiamos no famoso e tenebroso "vôo de galinha". As informações do gráfico a seguir revelam o quanto o Brasil está bem na fita. Atrás apenas da China e da Índia, países com mais de "bilhão" de habitantes. O feito se torna mais espantoso quando nos apercebemos que nosso país está crescendo com distribuição de renda e preocupação com o meio ambiente. Mas tudo bem. O que a população não vê nos telejornais ou revistas ou jornalões ela sente no dia-a-dia. E aí vá explicar para a Oposição o porquê do Lula estar bem perto de eleger aquilo que eles chamaram de "poste".
Vá ao pdf do "Economia Brasileira em Perspectiva" do Minstério da Fazenda para saber mais.
Principais análises e notícias sobre politica, economia, relações internacionais, etc., etc.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Velhas Mìdias, Novas Mìdias: O Declínio do Império Global
A imprensa é antes de tudo um negócio. Mas, como todo negócio ela tem um produto, ou não? O produto é a credibilidade, a seriedade com que se produz uma matéria, com que se noticia um fato. A maneira como se trata a informação, com o mínimo de ruídos possível e o máximo de honestidade.
Partindo desta constatação fica fácil entender porque o negócio muitas vezes (senão a maioria das vezes) se coloca tão longe da questão da credibilidade. Há fatores que influenciam na maneira de se noticiar um fato, que vão do espectro econômico ao político. Esses ruídos, que deveriam ser mínimos, quando tornam-se indutores de matérias, passam a afetar o produto da imprensa, ameançando a sua credibilidade. Isso porque, apesar de se tolerar o viés ideológico de um determinado meio de comunicação, mesmo aqueles afinados com tal viés não dispensam a informação correta e honesta. Pelo menos os que se querem bem informar.
Por muito tempo os principais meios de comunicação ficaram restritos ao rádio, jornais/revistas e televisão. A escala de valores envolvidas para desenvolver tais meios era muito alta para o cidadão comum, e, com isto, tais meios sempre se concentraram nas mãos de poucos, que, assim, conseguiam o monopólio da informação, o que atribuía grande poder a tais pessoas. Isto porque a publicidade e a política sempre andaram de mãos dadas com a imprensa.
Aí surge a internet concentrando uma gama imensa de novas mídias, que vão de blogs a redes sociais, portais de informações a comunidades virtuais. Com um PC e pagando o preço de uma conexão você tem acesso a tudo isto. Dessa forma vai se quebrando o paradigma do monopólio da informação. E em conseqüência da relação poder econômico, poder político, informação. Um exemplo é o caso do derramamento de petróleo no Golfo do México por uma empresa privada e a impotência do governo dos EUA em resolver o problema que já se afigura como o maior desastre ambiental que a humanidade já produziu em todos os tempos. Você pode acompanhar em tempo real pela internet as imagens do poço a despejar os milhares de barris de petróleo no outrora mar azul da região. Na mídia tradicional, supondo que a empresa fosse uma grande anunciante de um meio de comunicação, esse meio teria "dificuldades" para divulgar tal informação.
Pois bem, com a quebra do monopólio e a busca por informações menos truncadas pelos interesses já referidos, as mídias tradicionais, ainda que migrem para as novas mídias na internet, perderam força porque passaram a ser contestadas por aqueles que se propuseram a fugir da lógica do "negócio". Em pouco tempo, deuses do olimpo da informação, articulistas sagrados e jamais contestados, que com suas penas eram capazes de destruir num átimo a reputação de alguém ou elevar um produto de qualidade duvidosa ao panteão do estado da arte, tiveram que abrir suas caixas de textos para comentários de leitores, que passaram de simples consumidores para interatores da informação. É como se um piloto de formula 1 tivesse que dirigir "no braço", sem os coquetéis eletrônicos daquelas máquinas. A velocidade com que circula a informação e o contra-ponto são agora elementos que conspiram contra a velha mídia e os seus monstros sagrados.
Evidente que a velha mídia ainda tem seu poder, e que pode levar os velhos vícios para o meio virtual, mas não mais impunemente. E quanto mais pessoas tiverem acesso a este meio é bem provável que a idéia da grande Ágora se torne realidade, não mais restrita a um grupo de pessoas, mas bastante ampla, abarcando a todos que desejam se bem informar.
No ensejo é sintomático observarmos a queda de audiência da TV Globo. A emissora teve no mês de maio a menor audiência da sua história na Grande São Paulo, o maior mercado do país: 16,3 pontos. A audiência caiu meio ponto em relação a abril e dois pontos em relação a setembro do ano passado. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na região. Os dados são da coluna Ooops!, do UOL.
Partindo desta constatação fica fácil entender porque o negócio muitas vezes (senão a maioria das vezes) se coloca tão longe da questão da credibilidade. Há fatores que influenciam na maneira de se noticiar um fato, que vão do espectro econômico ao político. Esses ruídos, que deveriam ser mínimos, quando tornam-se indutores de matérias, passam a afetar o produto da imprensa, ameançando a sua credibilidade. Isso porque, apesar de se tolerar o viés ideológico de um determinado meio de comunicação, mesmo aqueles afinados com tal viés não dispensam a informação correta e honesta. Pelo menos os que se querem bem informar.
Por muito tempo os principais meios de comunicação ficaram restritos ao rádio, jornais/revistas e televisão. A escala de valores envolvidas para desenvolver tais meios era muito alta para o cidadão comum, e, com isto, tais meios sempre se concentraram nas mãos de poucos, que, assim, conseguiam o monopólio da informação, o que atribuía grande poder a tais pessoas. Isto porque a publicidade e a política sempre andaram de mãos dadas com a imprensa.
Aí surge a internet concentrando uma gama imensa de novas mídias, que vão de blogs a redes sociais, portais de informações a comunidades virtuais. Com um PC e pagando o preço de uma conexão você tem acesso a tudo isto. Dessa forma vai se quebrando o paradigma do monopólio da informação. E em conseqüência da relação poder econômico, poder político, informação. Um exemplo é o caso do derramamento de petróleo no Golfo do México por uma empresa privada e a impotência do governo dos EUA em resolver o problema que já se afigura como o maior desastre ambiental que a humanidade já produziu em todos os tempos. Você pode acompanhar em tempo real pela internet as imagens do poço a despejar os milhares de barris de petróleo no outrora mar azul da região. Na mídia tradicional, supondo que a empresa fosse uma grande anunciante de um meio de comunicação, esse meio teria "dificuldades" para divulgar tal informação.
Pois bem, com a quebra do monopólio e a busca por informações menos truncadas pelos interesses já referidos, as mídias tradicionais, ainda que migrem para as novas mídias na internet, perderam força porque passaram a ser contestadas por aqueles que se propuseram a fugir da lógica do "negócio". Em pouco tempo, deuses do olimpo da informação, articulistas sagrados e jamais contestados, que com suas penas eram capazes de destruir num átimo a reputação de alguém ou elevar um produto de qualidade duvidosa ao panteão do estado da arte, tiveram que abrir suas caixas de textos para comentários de leitores, que passaram de simples consumidores para interatores da informação. É como se um piloto de formula 1 tivesse que dirigir "no braço", sem os coquetéis eletrônicos daquelas máquinas. A velocidade com que circula a informação e o contra-ponto são agora elementos que conspiram contra a velha mídia e os seus monstros sagrados.
Evidente que a velha mídia ainda tem seu poder, e que pode levar os velhos vícios para o meio virtual, mas não mais impunemente. E quanto mais pessoas tiverem acesso a este meio é bem provável que a idéia da grande Ágora se torne realidade, não mais restrita a um grupo de pessoas, mas bastante ampla, abarcando a todos que desejam se bem informar.
No ensejo é sintomático observarmos a queda de audiência da TV Globo. A emissora teve no mês de maio a menor audiência da sua história na Grande São Paulo, o maior mercado do país: 16,3 pontos. A audiência caiu meio ponto em relação a abril e dois pontos em relação a setembro do ano passado. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na região. Os dados são da coluna Ooops!, do UOL.
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terça-feira, 13 de abril de 2010
EUA e Irã e o "pito" da grande(?) mídia no Brasil.
É impressionante! Enquanto o Brasil é tratado com todo o respeito no cenário internacional, ainda que matenha uma postura de independência em relação à questão das sanções ao Irã, aqui em "Pindorama" a grande (ou seria melhor "velha"?) mídia age como um bom e adestrado pitbull a defender com unhas e dentes que o Brasil apóie incondicionalmente a posição adotada pelos EUA contra o Irã, de modo a não se isolar no plano externo. Parece que nossos queridos empresários da informação têm saudades do chamado alinhamento automático, que evitava maiores contestações ou debates sobre os problemas no âmbito das relações internacionais, uma ideologia siamesa da Teoria da Dependência, que estudou as relação econômicas sob o binômio centro-periferia, e que moldou as relações políticas e sociais dos países chamados periféricos (em desenvolvimento) sob este prisma. Só que o mundo está mudando para uma multipolarização e não se pode mais chamar o Brasil de país periférico. A defesa do desenvolvimento de um programa nuclear pacífico e de intensas e insistentes tratativas diplomáticas parecem não combinar com o espírito do tempo, sabendo-se que, ao que parece, o mundo dito civilizado necessita sempre de guerras para "equacionar" seus desequilíbrios e dissabores, mas deveria ser festejada como uma iniciativa do Brasil contra as chamadas "soluções finais". Caberia ao Irã provar que quer utilizar o urânio para fins que não o de aplicações bélicas, mas aí se pergunta: se a Índia e o Paquistão e Israel têm armas nucleares, porque o Irã não pode ter? Ou, se é para aplicações outras, que tal destruir todas as ogivas existentes, incluindo a desses países? Claro que são questões bastante complexas, como complexa é a questão do Irã. O fato é que o Lula vem levando pito da mídia local por esta posição "meiga" em relação a questão iraniana, ainda que para ele o que valha sejam as relações comerciais e o respeito a autodeterminação dos povos. Mas a mídia não é daqui, porque seus interesses são outros...
Brasil e Turquia querem alternativa a sanções contra Irã
Da BBC Brasil
Brasil e Turquia vão aproveitar a Cúpula sobre Segurança Nuclear, que reúne representantes de 47 países em Washington, para discutir com outros líderes a busca de uma solução pacífica para a questão do programa nuclear iraniano, disse nesta segunda-feira o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, em uma reunião bilateral realizada na residência do embaixador brasileiro na capital americana.
"Eles conversaram sobre o Irã bastante longamente", disse Amorim. "Trocaram impressões sobre os esforços que ambos os países têm feito para encontrar uma solução pacífica e que dispense o uso de sanções para a questão nuclear iraniana."
"Devem aproveitar a ocasião para levantar a questão com outros líderes presentes", afirmou o ministro.
Amorim disse que vai se reunir com o ministro de Relações Exteriores turco para "discutir elementos que poderiam fazer parte de uma proposta que possa ser aceita tanto pelo Irã quanto por outros países".
Apesar de não dar detalhes de uma possível proposta, Amorim disse que um dos pontos a ser abordados é a questão do tempo para a troca de urânio por material enriquecido.
O Irã já rejeitou propostas de enviar seu urânio com baixo nível de enriquecimento a outros países, para então para ser enriquecido e transformado em combustível para reatores.
O ministro reafirmou que o Brasil defende uma solução diplomática para a questão e voltou a fazer comparações com o Iraque (acusado de ter armas de destruição em massa que nunca foram encontradas).
"Nossa percepcção (contra sanções) é baseada, entre outras coisas, na experiência prática do que ocorreu há poucos anos no Iraque", afirmou.
Conselho de Segurança
Brasil e Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ambos defendem o diálogo como melhor forma de resolver a questão do programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos e outros países têm aumentado a pressão para que o Conselho de Segurança aprove uma quarta rodada de sanções contra o Irã, por conta da recusa do governo iraniano em interromper seu programa de enriquecimento de urânio.
Esses países afirmam temer que o Irã planeje construir armas nucleares secretamente. O governo iraniano nega essas alegações e garante que seu pograma nuclear tem fins pacíficos, para uso medicinal e de geração de energia.
"Tanto o Brasil quanto a Turquia são países que não têm e não querem ter armas nucleares e que defendem a ideia de que o Irã, como outros países, pode ter programas para fins pacíficos mas, ao mesmo tempo, dando as garantias necessárias à comunidade internacional de que não há desvio dessas pesquisas ou desses desenvolvimentos para fins militares", disse Amorim.
China
Apesar de não constar da programação oficial da cúpula, a questão iraniana deve ser o principal assunto debatido nas reuniões bilaterais mantidas pelos líderes presentes em Washington até esta terça-feira.
Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, em um encontro bilateral.
A China mantém posição semelhante à do Brasil e defende a busca do diálogo como melhor forma de tratar da questão iraniana.
Nos últimos dias, porém, Pequim tem dado sinais de que poderia mudar de postura e apoiar uma nova rodada de sanções.
O governo chinês já havia aceitado "discutir" a questão e, na semana passada, enviou um representante a uma reunião em Nova York para tratar do tema.
A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e tem direito a veto. Os outros quatro - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia - já manifestaram apoio às novas sanções.
Obama já disse que espera uma nova resolução com sanções contra o Irã dentro de "semanas", mas ainda não há previsão para votação no Conselho de Segurança.
Itália e Japão
O presidente Lula também manteve encontros bilaterais com os primeiros-ministros da Itália, Silvio Berlusconi, e do Japão, Yukio Hatoyama.
Com o líder japonês, Lula também discutiu a questão iraniana.
"Houve concordância bastante genérica em torno da importância do diálogo para resolver esse tipo de questão", disse Amorim.
Os dois líderes também falaram da necessidade de reforma no Conselho de Segurança, uma das ambições do Brasil que busca obter uma vaga permanente no conselho.
Com Berlusconi, Lula assinou um plano de ação estratégica, que prevê cooperação em vários campos, como área econômica, comercial, de saúde e encontros mais freuentes de ministros da Fazenda.
Segundo Amorim, também foi tratada da visita de Berlusconi ao Brasil, prevista para o final de junho, após a reunião do G20 no Canadá.
À noite, Lula participa de um jantar oferecido por Obama aos líderes presentes na Cúpula.
O encontro de dois dias na capital americana tem o objetivo de discutir ações conjuntas e individuais entre os países para impedir que material nuclear caia em poder de organizações terroristas.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100412_brasil_turquia_sancoes_ac_np.shtml
Brasil e Turquia querem alternativa a sanções contra Irã
Da BBC Brasil
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington
Brasil e Turquia vão aproveitar a Cúpula sobre Segurança Nuclear, que reúne representantes de 47 países em Washington, para discutir com outros líderes a busca de uma solução pacífica para a questão do programa nuclear iraniano, disse nesta segunda-feira o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, em uma reunião bilateral realizada na residência do embaixador brasileiro na capital americana.
"Eles conversaram sobre o Irã bastante longamente", disse Amorim. "Trocaram impressões sobre os esforços que ambos os países têm feito para encontrar uma solução pacífica e que dispense o uso de sanções para a questão nuclear iraniana."
"Devem aproveitar a ocasião para levantar a questão com outros líderes presentes", afirmou o ministro.
Amorim disse que vai se reunir com o ministro de Relações Exteriores turco para "discutir elementos que poderiam fazer parte de uma proposta que possa ser aceita tanto pelo Irã quanto por outros países".
Apesar de não dar detalhes de uma possível proposta, Amorim disse que um dos pontos a ser abordados é a questão do tempo para a troca de urânio por material enriquecido.
O Irã já rejeitou propostas de enviar seu urânio com baixo nível de enriquecimento a outros países, para então para ser enriquecido e transformado em combustível para reatores.
O ministro reafirmou que o Brasil defende uma solução diplomática para a questão e voltou a fazer comparações com o Iraque (acusado de ter armas de destruição em massa que nunca foram encontradas).
"Nossa percepcção (contra sanções) é baseada, entre outras coisas, na experiência prática do que ocorreu há poucos anos no Iraque", afirmou.
Conselho de Segurança
Brasil e Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ambos defendem o diálogo como melhor forma de resolver a questão do programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos e outros países têm aumentado a pressão para que o Conselho de Segurança aprove uma quarta rodada de sanções contra o Irã, por conta da recusa do governo iraniano em interromper seu programa de enriquecimento de urânio.
Esses países afirmam temer que o Irã planeje construir armas nucleares secretamente. O governo iraniano nega essas alegações e garante que seu pograma nuclear tem fins pacíficos, para uso medicinal e de geração de energia.
"Tanto o Brasil quanto a Turquia são países que não têm e não querem ter armas nucleares e que defendem a ideia de que o Irã, como outros países, pode ter programas para fins pacíficos mas, ao mesmo tempo, dando as garantias necessárias à comunidade internacional de que não há desvio dessas pesquisas ou desses desenvolvimentos para fins militares", disse Amorim.
China
Apesar de não constar da programação oficial da cúpula, a questão iraniana deve ser o principal assunto debatido nas reuniões bilaterais mantidas pelos líderes presentes em Washington até esta terça-feira.
Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, em um encontro bilateral.
A China mantém posição semelhante à do Brasil e defende a busca do diálogo como melhor forma de tratar da questão iraniana.
Nos últimos dias, porém, Pequim tem dado sinais de que poderia mudar de postura e apoiar uma nova rodada de sanções.
O governo chinês já havia aceitado "discutir" a questão e, na semana passada, enviou um representante a uma reunião em Nova York para tratar do tema.
A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e tem direito a veto. Os outros quatro - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia - já manifestaram apoio às novas sanções.
Obama já disse que espera uma nova resolução com sanções contra o Irã dentro de "semanas", mas ainda não há previsão para votação no Conselho de Segurança.
Itália e Japão
O presidente Lula também manteve encontros bilaterais com os primeiros-ministros da Itália, Silvio Berlusconi, e do Japão, Yukio Hatoyama.
Com o líder japonês, Lula também discutiu a questão iraniana.
"Houve concordância bastante genérica em torno da importância do diálogo para resolver esse tipo de questão", disse Amorim.
Os dois líderes também falaram da necessidade de reforma no Conselho de Segurança, uma das ambições do Brasil que busca obter uma vaga permanente no conselho.
Com Berlusconi, Lula assinou um plano de ação estratégica, que prevê cooperação em vários campos, como área econômica, comercial, de saúde e encontros mais freuentes de ministros da Fazenda.
Segundo Amorim, também foi tratada da visita de Berlusconi ao Brasil, prevista para o final de junho, após a reunião do G20 no Canadá.
À noite, Lula participa de um jantar oferecido por Obama aos líderes presentes na Cúpula.
O encontro de dois dias na capital americana tem o objetivo de discutir ações conjuntas e individuais entre os países para impedir que material nuclear caia em poder de organizações terroristas.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100412_brasil_turquia_sancoes_ac_np.shtml
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Nassif: Serra e o Fim da Era Paulista na Política
Belíssima análise do jornalista Luis Nassif sobre o serrismo, suas características, como funciona o mecanismo que se formou em torno do governador paulista, principalmente o apoio da velha mídia, sua personalidade e a encruzilhada política em que se encontra, mostrando que os rumos da oposição no país deverá mudar consideravelmente após às próximas eleições, dependendo dos resultados que sairão das urnas. Considerações bastante lúcidas, vale a pena ler.
Por Luis Nassif
Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?
Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.
Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para o aposentadoria ou para segundo plano. Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.
Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.
De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:
1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.
2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.
Hoje em dia, a liderança de Serra sobre seu governo é próxima a zero. Ele mantém o partido unido e a administração calada pelo medo, não pelas ideias ou pela liderança.
Há mágoas profundas do covismo, mágoas dos aliados do DEM – pela maneira como deserdou Kassab -, afastamento daqueles que poderiam ser chamados de serristas históricos – um grupo de técnicos de alto nível que, quando sobreveio a inércia do período FHC-Malan, julgou que Serra poderia ser o receptador de ideias modernizantes.
Outro dia almocei com um grande empresário, aliado de primeira hora de Serra. Cauteloso, leal, não avançou em críticas contra Serra. Ouviu as minhas e ponderou uma explicação que vale para todos, políticos, homens de negócio e pensadores: “As ideias têm que levar em conta a mudança das circunstâncias e do país”. Serra foi moderno quando parlamentar porque, em um período de desastre fiscal focou seu trabalho na responsabilidade fiscal.
No governo paulista, não conseguiu levantar uma bandeira modernizadora sequer. Pior: não percebeu que os novos tempos exigiam um compromisso férreo com o bem estar do cidadão e a inclusão social. Continuou preso ao modelito do administrador frio, ao mesmo tempo em que comprometia o aparato regulatório do Estado com concessões descabidas a concessionárias.
O castigo veio a cavalo. A decisão de desviar todos os recursos para o Rodoanel provocou o segundo maior desastre coletivo da moderna história do país, produzido por erros de gestão: o alagamento de São Paulo devido à interrupção das obras de desassoreamento do rio Tietê. O primeiro foi o “apagão” do governo FHC.
É bobagem taxar o PSDB histórico de golpista. Na origem, o partido conseguiu aglutinar quadros técnicos de alto nível, de pensamento de centro-esquerda e legalistas por excelência. E uma classe média que também combateu a ditadura, mas avessa a radicalizações ideológicas.
Ao encampar o estilo Maluf – virulência ideológica (através de seus comandados na mídia), insensibilidade social, (falsa) imagem de administrador frio e insensível, ênfase apenas nas obras de grande visibilidade, desinteresse em relação a temas centrais, como educação e segurança – Serra destruiu a solidariedade partidária criada duramente por lideranças como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta.
Quadros acadêmicos do PSDB, de alto nível, praticamente abandonaram o sonho de modernizar a política e ou voltaram para a Universidade ou para organizações civis que lhe abriram espaço.
O primeiro, a tendência de chamar a si todos os méritos, não admitir críticas e tratar todos subordinados com desprezo, inclusive proibindo a qualquer secretário sequer mostrar seu trabalho. Principalmente, a de exigir a cabeça de jornalistas que o criticavam.
O mal-estar na administração é geral. Em vez de um Estadista, passaram a ser comandados por um chefe de repartição que não admite o brilho de ninguém, nem lhes dá reconhecimento, não é eficiente e só joga para a torcida.
O segundo, a deslealdade. Duvido que exista no governo Serra qualquer estrela com luz própria que lhe deva lealdade. A estratégia política de FHC e Lula sempre foi a de agregar, aparar resistências, afagar o ego de aliados. A de Serra foi a do conflito maximizado não por posições políticas, mas pelo ego transtornado.
O uso do blogueiro terceirizado da Veja para ataques descabidos (pela virulência) contra Geraldo Alckmin, Chalita, Aécio, deixou marcas profundas no próprio partido.
Alckmin não lhe deve lealdade, assim como Aloizio Nunes – que está sendo rifado por Serra. Alberto Goldmann deve? Praticamente desapareceu sob o personalismo de Serra, assim como Guilherme Afif e Lair Krähenbühl – sujeito de tão bom nível que conseguiu produzir das poucas coisas decentes do malufismo e não se sujar.
No interior, há uma leva enorme de prefeitos esperando o último sopro de Serra para desvencilhar-se da presença incômoda do governador.
O que segura o serrismo, hoje em dia, é apenas o temor do espírito vingativo de Serra. E um grupo de pessoas que será varrido da vida pública com sua derrota por absoluta falta de opção. Mas que chora amargamente a aposta na pessoa errada.
Aliás, se Aécio Neves for esperto (e é), tratará de reasgatar esses quadros para o partido.
Saindo candidato a presidente e ficando claro que não terá chance de vitória, o PSDB paulista se bandeará na hora para o novo rei. Pelas possibilidades eleitorais, será Alckmin, político limitado, sem fôlego para inaugurar uma nova era. Por outro lado, o PT paulista também não logrou se renovar, abrir espaço para novos quadros, para novas propostas. Continua prisioneiro da polarização virulenta com o PSDB, sem ter conseguido desenvolver um discurso novo ou arregimentado novas alianças.
O resultado final será o fim da era paulista na política nacional, um modelo que se sustentou décadas graças ao movimento das diretas e à aliança com a velha mídia.
Acaba em um momento histórico, em que o desenvolvimento se interioriza e o monopólio da opinião começa a cair.
A história explica grande parte desse fim de período. Mas o desmonte teria sido menos traumático se conduzido por uma liderança menos deletéria que a de Serra.
Vá ao blog do Nassif
Por Luis Nassif
Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?
Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.
Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para o aposentadoria ou para segundo plano. Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.
Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.
De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:
1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.
2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.
O balanço que virá
O clima eleitoral de hoje, mais o poder remanescente de Serra, dificulta a avaliação isenta do seu governo. Esse quadro – que vou traçar agora – será de consenso no ano que vem, quando começar o balanço isento do seu governo, sem as paixões eleitorais e sem a obrigatoriedade da velha mídia de criar o seu campeão a fórceps. Aí se verá com mais clareza a falta de gestão, a ausência total do governador do dia-a-dia da administração (a não ser para inaugurações), a perda de controle sobre os esquemas de caixinha política.Hoje em dia, a liderança de Serra sobre seu governo é próxima a zero. Ele mantém o partido unido e a administração calada pelo medo, não pelas ideias ou pela liderança.
Há mágoas profundas do covismo, mágoas dos aliados do DEM – pela maneira como deserdou Kassab -, afastamento daqueles que poderiam ser chamados de serristas históricos – um grupo de técnicos de alto nível que, quando sobreveio a inércia do período FHC-Malan, julgou que Serra poderia ser o receptador de ideias modernizantes.
Outro dia almocei com um grande empresário, aliado de primeira hora de Serra. Cauteloso, leal, não avançou em críticas contra Serra. Ouviu as minhas e ponderou uma explicação que vale para todos, políticos, homens de negócio e pensadores: “As ideias têm que levar em conta a mudança das circunstâncias e do país”. Serra foi moderno quando parlamentar porque, em um período de desastre fiscal focou seu trabalho na responsabilidade fiscal.
No governo paulista, não conseguiu levantar uma bandeira modernizadora sequer. Pior: não percebeu que os novos tempos exigiam um compromisso férreo com o bem estar do cidadão e a inclusão social. Continuou preso ao modelito do administrador frio, ao mesmo tempo em que comprometia o aparato regulatório do Estado com concessões descabidas a concessionárias.
O castigo veio a cavalo. A decisão de desviar todos os recursos para o Rodoanel provocou o segundo maior desastre coletivo da moderna história do país, produzido por erros de gestão: o alagamento de São Paulo devido à interrupção das obras de desassoreamento do rio Tietê. O primeiro foi o “apagão” do governo FHC.
O fim das ideias
O Serra que emergiu governador decepcionou aliados históricos. Mostrou-se ausente da administração estadual, sem escrúpulos quando tornou-se o principal alimentador do macartismo virulento da velha mídia – usando a Veja e a Folha – e dos barra-pesadas do Congresso. Quando abriu mão dos quadros técnicos, perdeu o pé das ideias. Havia meia dúzia de intelectuais que o abastecia com ideias modernizantes. Sem eles, sua única manifestação “intelectual” foi o artigo para a Folha criticando a posição do Brasil em relação ao Irã – repetindo argumentos do seu blogueiro -, um horror para quem o imaginava um intelectual refinado.É bobagem taxar o PSDB histórico de golpista. Na origem, o partido conseguiu aglutinar quadros técnicos de alto nível, de pensamento de centro-esquerda e legalistas por excelência. E uma classe média que também combateu a ditadura, mas avessa a radicalizações ideológicas.
Ao encampar o estilo Maluf – virulência ideológica (através de seus comandados na mídia), insensibilidade social, (falsa) imagem de administrador frio e insensível, ênfase apenas nas obras de grande visibilidade, desinteresse em relação a temas centrais, como educação e segurança – Serra destruiu a solidariedade partidária criada duramente por lideranças como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta.
Quadros acadêmicos do PSDB, de alto nível, praticamente abandonaram o sonho de modernizar a política e ou voltaram para a Universidade ou para organizações civis que lhe abriram espaço.
O personalismo exacerbado
Principalmente, chamaram a atenção dois vícios seus, ambos frutos de um personalismo exacerbado – para o qual tantas e tantas vezes FHC tinha alertado.O primeiro, a tendência de chamar a si todos os méritos, não admitir críticas e tratar todos subordinados com desprezo, inclusive proibindo a qualquer secretário sequer mostrar seu trabalho. Principalmente, a de exigir a cabeça de jornalistas que o criticavam.
O mal-estar na administração é geral. Em vez de um Estadista, passaram a ser comandados por um chefe de repartição que não admite o brilho de ninguém, nem lhes dá reconhecimento, não é eficiente e só joga para a torcida.
O segundo, a deslealdade. Duvido que exista no governo Serra qualquer estrela com luz própria que lhe deva lealdade. A estratégia política de FHC e Lula sempre foi a de agregar, aparar resistências, afagar o ego de aliados. A de Serra foi a do conflito maximizado não por posições políticas, mas pelo ego transtornado.
O uso do blogueiro terceirizado da Veja para ataques descabidos (pela virulência) contra Geraldo Alckmin, Chalita, Aécio, deixou marcas profundas no próprio partido.
Alckmin não lhe deve lealdade, assim como Aloizio Nunes – que está sendo rifado por Serra. Alberto Goldmann deve? Praticamente desapareceu sob o personalismo de Serra, assim como Guilherme Afif e Lair Krähenbühl – sujeito de tão bom nível que conseguiu produzir das poucas coisas decentes do malufismo e não se sujar.
No interior, há uma leva enorme de prefeitos esperando o último sopro de Serra para desvencilhar-se da presença incômoda do governador.
O que segura o serrismo, hoje em dia, é apenas o temor do espírito vingativo de Serra. E um grupo de pessoas que será varrido da vida pública com sua derrota por absoluta falta de opção. Mas que chora amargamente a aposta na pessoa errada.
Aliás, se Aécio Neves for esperto (e é), tratará de reasgatar esses quadros para o partido.
Saindo candidato a presidente e ficando claro que não terá chance de vitória, o PSDB paulista se bandeará na hora para o novo rei. Pelas possibilidades eleitorais, será Alckmin, político limitado, sem fôlego para inaugurar uma nova era. Por outro lado, o PT paulista também não logrou se renovar, abrir espaço para novos quadros, para novas propostas. Continua prisioneiro da polarização virulenta com o PSDB, sem ter conseguido desenvolver um discurso novo ou arregimentado novas alianças.
O resultado final será o fim da era paulista na política nacional, um modelo que se sustentou décadas graças ao movimento das diretas e à aliança com a velha mídia.
Acaba em um momento histórico, em que o desenvolvimento se interioriza e o monopólio da opinião começa a cair.
A história explica grande parte desse fim de período. Mas o desmonte teria sido menos traumático se conduzido por uma liderança menos deletéria que a de Serra.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Serra reclama da TV Brasil
Na principal capital da America Latina, e uma das principais do mundo, cerca de 800 mil pessoas ficam sem agua, e a cada chuva ocorrem mortes em face de inundacoes e deslizamentos. E verdade que ocorreram precipitacoes incomuns (mas ja previstas), mas tambem e verdade que houve erros graves de gerenciamento dos recursos hidricos, tanto pela Prefeitura, quanto pelo Governo do Estado. A uma pergunta de um reporter da TV Brasil, o governador Jose Serra enxergou tratamento diferenciado, como se a emissora estivesse carregando nas tintas sobre a questao das inundacoes em Sao Paulo, e comentou que gostaria de ver a mesma abordagem em relacao a problemas de outras capitais do pais. O fato e que Serra conta com uma cobertura "light" da velha midia em Sao Paulo, de modo que o baronato midiatico tem procurado poupar o maximo o Governador, focando o problema com mais enfase em "Sao Pedro" e no habito de parte da populacao jogar lixo nos rios (esses pontos sao sempre os mais repetidos). Nao e de se estranhar que os reporteres das outras emissoras passassem a questionar quem questionou o Governador, e nao propriamente o Governador. O que demonstra que a bola foi levantada, pois trata-se de uma reclamacao de um possivel candidato a Presidencia da Republica contra uma emissora publica, idealizada pelo governo federal.
E este aqui e para lembrarmos que, se nao vivemos mais sob uma ditadura militar, temos um outro tipo de ditadura, que ainda mexe com mentes e coracoes deste pais.
E este aqui e para lembrarmos que, se nao vivemos mais sob uma ditadura militar, temos um outro tipo de ditadura, que ainda mexe com mentes e coracoes deste pais.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A Neurose da Velha Midia: O Bolsa Familia.
Redundancia se falar em velha midia e desonestidade quando nos referimos ao tema Bolsa Familia. Nao sei se este comportamento mesquinho, que volta e meia vem a tona, sempre no intuito de desqualificar o programa de qualquer forma, nem que seja pela utilizacao de dados errados, sem que se de espaco para que os responsaveis se manifestem - nao sei se se trata de cumprimento da "tarefa", ja que o preco ja foi pago. E triste e um desservico a nacao. E pra velha midia, o caminho sem volta da perda de credibilidade.
Do Observatorio da Imprensa
BOLSA FAMÍLIA E A MÍDIA
A cobertura (omissa) das políticas sociais
Por Ângela Carrato e João Mendes em 9/2/2010
Os leitores de Veja, O Globo e O Estado de S.Paulo se depararam, nos últimos dias, com uma série de matérias contendo dados equivocados e juízos de valor que não se sustentam em se tratando do Programa Bolsa Família, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em comum às três matérias, além dos equívocos, uma nítida tentativa de vincular o programa – que é referência nacional e internacional em redução de pobreza – com ações eleitoreiras e até mesmo com o que denominam de "terrorismo eleitoral".
A primeira matéria coube à revista Veja que, na edição 2149 (de 24/1/2010), sob o título de "Bolsa-Cabresto", publicou duas páginas onde, no lugar de informações para o leitor, lançou mão de dados equivocados, chegou a números fantasiosos e nem se deu ao trabalho de ouvir o MDS antes de publicar a sua "tese" sobre o assunto. Na segunda-feira (25/1), a Assessoria de Comunicação do MDS enviou à Veja uma nota de esclarecimento, na qual rebatia todos os pontos da matéria e solicitava que a revista a publicasse na próxima edição. Na terça-feira (26), a repórter de Veja que assina a matéria, Laura Diniz, fez contato com a Assessoria de Comunicação do MDS e solicitou mais alguns dados, no que foi prontamente atendida.
Na oportunidade, a assessora responsável direta pelo Programa Bolsa Família, jornalista Roseli Garcia, informou à repórter de Veja que o MDS havia enviado a nota de esclarecimento e que aguardava a publicação. Em resposta, ouviu que a nota estava "grande demais" e que "dificilmente seria publicada". Na noite de quarta-feira (27), a repórter encaminhou para o MDS um texto com a proposta de retificação por parte da revista Veja. A nota, num total de quatro linhas, nem de longe contemplava as correções apontadas pelo ministério na matéria publicada por Veja.
Diante disso, a Assessoria de Comunicação encaminhou, na quinta-feira, ao diretor de redação de Veja Eurípedes Alcântara e ao redator-chefe, Mario Sabino, uma mensagem contendo todo o ocorrido e solicitando, em respeito aos leitores e à verdade, a publicação da resposta na íntegra. Não recebemos retorno por parte dos dois dirigentes da revista. Aliás, as duas mensagens foram descartadas sem terem sido lidas. Na sequência, a repórter responsável pela matéria telefonou para Ascom/MDS solicitando uma diminuição no tamanho da nota. Atendendo a esse pedido, essa redução foi feita de forma a contemplar explicações mínimas que pudessem fazer o leitor entender o equívoco cometido pela revista. Essa nova nota foi encaminhada na noite de quinta-feira (28/1).
Na sexta-feira, a repórter liga novamente para Ascom/MDS dizendo que a carta "continuava grande demais" e que tinha preparado uma correção, pois considerava "melhor para o ministério" a retificação da revista do que a publicação da carta. A ela foi respondido que preferíamos a carta, por esclarecer melhor o caso aos leitores.
Veja optou pela correção que ela própria fez, publicada em corpo minúsculo sem ter respondido aos principais equívocos apontados pela Ascom/MDS. Além disso, em destaque, publicou duas cartas de leitores que continham críticas ao Programa Bolsa Família a partir de uma matéria repleta de erros. Vale dizer: amplificou, novamente, o próprio erro, sem aceitá-lo como tal.
Campeões da democracia
Já no dia 1º de fevereiro, o MDS é novamente surpreendido. Em editorial, intitulado "Bolsa Família e eleição" o jornal O Estado de S. Paulo, utilizando os mesmos argumentos usados na matéria da revista Veja, afirma que não haveria exclusão de beneficiários do programa em 2010. O que é um equívoco, pois já em fevereiro estão sendo cancelados 710 mil benefícios por falta de atualização cadastral. A Ascom/MDS encaminhou carta ao Estado de S. Paulo explicando que o editorial fazia uma análise equivocada da instrução operacional do MDS – que apenas detalha o trabalho as ser feito pelos gestores do Programa Bolsa Família em 2010 – idêntica à cometida pela revista Veja.
No dia seguinte, o jornal publicou a íntegra da carta e questionou o seu conteúdo, afirmando que o documento "não permite conhecer a fundo os critérios estabelecidos pelo programa, o erro não é do jornal, mas do Ministério". Como rege o bom jornalismo, se um documento não está claro, cabe ao jornalista estudar o assunto e informar de maneira clara aos seus leitores. Em outras palavras, faltou ao Estado de S.Paulo ater-se a uma regra básica no jornalismo: a apuração. Nesse ponto, aliás, O Estado de S.Paulo, O Globo e Veja se assemelham: estão deixando de apurar e publicando o que acreditam ser a verdade.
Na mesma segunda-feira (1/2), devido ao editorial de O Estado de S.Paulo, a Ascom/MDS foi procurada pela reportagem de O Globo. Todas as explicações dadas à Veja e ao Estado de S.Paulo foram repassadas a O Globo, mostrando os equívocos cometidos pelas duas outras publicações. Mas o jornal, lendo a instrução normativa – que trata apenas de procedimento em relação à atualização cadastral – encaminhada pelo MDS aos gestores, abordou outro aspecto também de forma incorreta. O Globo classificou essa norma, em manchete, como: "Governo faz ameaça eleitoral ao recadastrar Bolsa Família".
Mais uma vez a Ascom/MDS encaminhou carta ao jornal, que foi utilizada na matéria do dia seguinte em texto intitulado "Tiroteio com o Bolsa Família". Neste texto, o jornal utiliza as declarações de parlamentares de partidos da oposição ao governo para sustentar a polêmica criada pelo próprio veículo.
O assunto repercutiu em vários veículos nacionais e também na imprensa regional, criando uma situação no mínimo curiosa para quem é leitor atento ou para aqueles que se interessam pelo comportamento de parte da mídia brasileira. Nos dias atuais, a mídia tem deixado de lado o papel clássico de informar, interpretar e opinar (nos espaços devidos) para, ela própria, tornar-se a origem da informação e, não raro, ator no cenário político nacional.
No caso do Programa Bolsa Família, as informações e a análise apresentadas pela mídia foram equivocadas e funcionaram como retroalimentação. Num dia um veículo publica algo equivocado. Não retifica o erro. No dia seguinte, outro veículo, tomando o que foi publicado como verdade, amplifica o erro. No terceiro dia, um novo veículo entra "na roda" e assim a "polêmica" está criada. Para confirmar os pressupostos da mídia, políticos de oposição são entrevistas e ganham destaque.
Essa situação em si é extremamente preocupante para o futuro das instituições e para a própria democracia no Brasil, porque deixa a parte atingida, no caso o agente público, sem condição para restabelecer a verdade. A preocupação torna-se maior ainda quando se sabe do papel central que a mídia tem na sociedade contemporânea.
No caso brasileiro, a censura oficial à imprensa foi abolida há décadas e a liberdade de informação e expressão encontra-se consagradas na Constituição de 1988. Mas, infelizmente, o que se percebe é que o poder de censura, que nos governos autoritários estava nas mãos do Estado, migrou para as mãos de um reduzido número de empresas e de articulistas que se auto-intitulam os porta-vozes da verdade e os campeões da democracia. Essa situação torna-se ainda mais difícil quando dentro dos grandes grupos midiáticos prevalecem as velhas ideologias do liberalismo do século 18 e 19.
Leia mais no O.I.
Do Observatorio da Imprensa
BOLSA FAMÍLIA E A MÍDIA
A cobertura (omissa) das políticas sociais
Por Ângela Carrato e João Mendes em 9/2/2010
Os leitores de Veja, O Globo e O Estado de S.Paulo se depararam, nos últimos dias, com uma série de matérias contendo dados equivocados e juízos de valor que não se sustentam em se tratando do Programa Bolsa Família, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em comum às três matérias, além dos equívocos, uma nítida tentativa de vincular o programa – que é referência nacional e internacional em redução de pobreza – com ações eleitoreiras e até mesmo com o que denominam de "terrorismo eleitoral".
A primeira matéria coube à revista Veja que, na edição 2149 (de 24/1/2010), sob o título de "Bolsa-Cabresto", publicou duas páginas onde, no lugar de informações para o leitor, lançou mão de dados equivocados, chegou a números fantasiosos e nem se deu ao trabalho de ouvir o MDS antes de publicar a sua "tese" sobre o assunto. Na segunda-feira (25/1), a Assessoria de Comunicação do MDS enviou à Veja uma nota de esclarecimento, na qual rebatia todos os pontos da matéria e solicitava que a revista a publicasse na próxima edição. Na terça-feira (26), a repórter de Veja que assina a matéria, Laura Diniz, fez contato com a Assessoria de Comunicação do MDS e solicitou mais alguns dados, no que foi prontamente atendida.
Na oportunidade, a assessora responsável direta pelo Programa Bolsa Família, jornalista Roseli Garcia, informou à repórter de Veja que o MDS havia enviado a nota de esclarecimento e que aguardava a publicação. Em resposta, ouviu que a nota estava "grande demais" e que "dificilmente seria publicada". Na noite de quarta-feira (27), a repórter encaminhou para o MDS um texto com a proposta de retificação por parte da revista Veja. A nota, num total de quatro linhas, nem de longe contemplava as correções apontadas pelo ministério na matéria publicada por Veja.
Diante disso, a Assessoria de Comunicação encaminhou, na quinta-feira, ao diretor de redação de Veja Eurípedes Alcântara e ao redator-chefe, Mario Sabino, uma mensagem contendo todo o ocorrido e solicitando, em respeito aos leitores e à verdade, a publicação da resposta na íntegra. Não recebemos retorno por parte dos dois dirigentes da revista. Aliás, as duas mensagens foram descartadas sem terem sido lidas. Na sequência, a repórter responsável pela matéria telefonou para Ascom/MDS solicitando uma diminuição no tamanho da nota. Atendendo a esse pedido, essa redução foi feita de forma a contemplar explicações mínimas que pudessem fazer o leitor entender o equívoco cometido pela revista. Essa nova nota foi encaminhada na noite de quinta-feira (28/1).
Na sexta-feira, a repórter liga novamente para Ascom/MDS dizendo que a carta "continuava grande demais" e que tinha preparado uma correção, pois considerava "melhor para o ministério" a retificação da revista do que a publicação da carta. A ela foi respondido que preferíamos a carta, por esclarecer melhor o caso aos leitores.
Veja optou pela correção que ela própria fez, publicada em corpo minúsculo sem ter respondido aos principais equívocos apontados pela Ascom/MDS. Além disso, em destaque, publicou duas cartas de leitores que continham críticas ao Programa Bolsa Família a partir de uma matéria repleta de erros. Vale dizer: amplificou, novamente, o próprio erro, sem aceitá-lo como tal.
Campeões da democracia
Já no dia 1º de fevereiro, o MDS é novamente surpreendido. Em editorial, intitulado "Bolsa Família e eleição" o jornal O Estado de S. Paulo, utilizando os mesmos argumentos usados na matéria da revista Veja, afirma que não haveria exclusão de beneficiários do programa em 2010. O que é um equívoco, pois já em fevereiro estão sendo cancelados 710 mil benefícios por falta de atualização cadastral. A Ascom/MDS encaminhou carta ao Estado de S. Paulo explicando que o editorial fazia uma análise equivocada da instrução operacional do MDS – que apenas detalha o trabalho as ser feito pelos gestores do Programa Bolsa Família em 2010 – idêntica à cometida pela revista Veja.
No dia seguinte, o jornal publicou a íntegra da carta e questionou o seu conteúdo, afirmando que o documento "não permite conhecer a fundo os critérios estabelecidos pelo programa, o erro não é do jornal, mas do Ministério". Como rege o bom jornalismo, se um documento não está claro, cabe ao jornalista estudar o assunto e informar de maneira clara aos seus leitores. Em outras palavras, faltou ao Estado de S.Paulo ater-se a uma regra básica no jornalismo: a apuração. Nesse ponto, aliás, O Estado de S.Paulo, O Globo e Veja se assemelham: estão deixando de apurar e publicando o que acreditam ser a verdade.
Na mesma segunda-feira (1/2), devido ao editorial de O Estado de S.Paulo, a Ascom/MDS foi procurada pela reportagem de O Globo. Todas as explicações dadas à Veja e ao Estado de S.Paulo foram repassadas a O Globo, mostrando os equívocos cometidos pelas duas outras publicações. Mas o jornal, lendo a instrução normativa – que trata apenas de procedimento em relação à atualização cadastral – encaminhada pelo MDS aos gestores, abordou outro aspecto também de forma incorreta. O Globo classificou essa norma, em manchete, como: "Governo faz ameaça eleitoral ao recadastrar Bolsa Família".
Mais uma vez a Ascom/MDS encaminhou carta ao jornal, que foi utilizada na matéria do dia seguinte em texto intitulado "Tiroteio com o Bolsa Família". Neste texto, o jornal utiliza as declarações de parlamentares de partidos da oposição ao governo para sustentar a polêmica criada pelo próprio veículo.
O assunto repercutiu em vários veículos nacionais e também na imprensa regional, criando uma situação no mínimo curiosa para quem é leitor atento ou para aqueles que se interessam pelo comportamento de parte da mídia brasileira. Nos dias atuais, a mídia tem deixado de lado o papel clássico de informar, interpretar e opinar (nos espaços devidos) para, ela própria, tornar-se a origem da informação e, não raro, ator no cenário político nacional.
No caso do Programa Bolsa Família, as informações e a análise apresentadas pela mídia foram equivocadas e funcionaram como retroalimentação. Num dia um veículo publica algo equivocado. Não retifica o erro. No dia seguinte, outro veículo, tomando o que foi publicado como verdade, amplifica o erro. No terceiro dia, um novo veículo entra "na roda" e assim a "polêmica" está criada. Para confirmar os pressupostos da mídia, políticos de oposição são entrevistas e ganham destaque.
Essa situação em si é extremamente preocupante para o futuro das instituições e para a própria democracia no Brasil, porque deixa a parte atingida, no caso o agente público, sem condição para restabelecer a verdade. A preocupação torna-se maior ainda quando se sabe do papel central que a mídia tem na sociedade contemporânea.
No caso brasileiro, a censura oficial à imprensa foi abolida há décadas e a liberdade de informação e expressão encontra-se consagradas na Constituição de 1988. Mas, infelizmente, o que se percebe é que o poder de censura, que nos governos autoritários estava nas mãos do Estado, migrou para as mãos de um reduzido número de empresas e de articulistas que se auto-intitulam os porta-vozes da verdade e os campeões da democracia. Essa situação torna-se ainda mais difícil quando dentro dos grandes grupos midiáticos prevalecem as velhas ideologias do liberalismo do século 18 e 19.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Trabalho em Equipe
Ideia muito bem bolada do Blog do Eduardo Guimaraes
Domingo, 31 de janeiro de 2010, às 20h31m
E ...
Clique aqui para ir ao Blog do Eduardo Guimaraes.
Domingo, 31 de janeiro de 2010, às 20h31m
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Novas e Velhas midias: a Luta pelo Poder.
Nao e segredo para ninguem que a velha midia (grupos Globo, Folha de Sao Paulo, Estado de Sao Paulo, Abril e congeneres) tem um lado, ainda que nao estejam muito preocupados em declina-lo. Isto fica bem patente quando se trata da abordagem politica, qualquer que seja o assunto. O lulismo nao lhes cabe bem, e pouco palatavel ao "gosto refinado" com que sempre foram acostumados a sorver o naco de poder que lhes cabia. O "mainstream" nao suporta a ideia de que um operario tenha feito o trabalho que, certamente de uma forma bem diferente, caberia aqueles que representam. Isto fez com que um outro grupo, estranho a este - acostumado ao exercicio do poder central do pais, e a influenciar intimamente os seus designios -, ocupasse o Planalto e, por consequencia, toda uma estrutura que antes lhes era favoravel e confiavel. Com efeito o paradigma de poder no pais, sobre um determinado aspecto, sofreu uma enorme mudanca. Assim e que, empurrada para a "oposicao", a velha midia, na inapetencia da verdadeira oposicao em levantar grandes temas relevantes para a nacao, em formar seu discurso com um projeto claro que pudesse cativar e avancar na parte do eleitorado que hoje vota no Lula ou em quem ele indicar, ocupou um espaco que devia ser, naturalmente, de competencia dos partidos politicos, de modo que o oficio de bem informar ficou em um plano invertido para dar lugar ao oficio do proselitismo difarcado, seja pela omissao descarada, seja pela manipulacao de informacoes, seja pela utilizacao de termos ou tecnicas que diminuam ou detratem a imagem do Presidente e daqueles que o cercam ou o apoiam. Nao que uma empresa de comunicacao nao possa ter suas preferencias. Mas isso e um assunto que deveria ficar restrito aos editoriais, de modo a que o publico tivesse acesso as noticias daquele orgao, sabendo qual sua preferencia politica. Seria mais honesto. De qualquer modo hoje se sabe por vias transversas.
De fato isto e um fenomeno mundial, como ressaltou Bernard Cassen, no seu texto "Midias viraram Arma Ideologica e Politica", quando ressalta que os meios de comunicacao deixam de lado a informação e se transformam em “arma ideológica e política, abandonando toda a fachada do pluralismo”. Cita tambem a situacao da Venezuela, destacando que “oitenta por cento das mídias venezuelanas são privadas e em guerra aberta ao governo. Não fazem informação, fazem guerra”.
Essas constatacoes ficaram mais evidentes com o acesso a internet, que diminuiu em muito o poder dos articulistas dos grandes jornais e canais de televisao, ainda que estes tenham migrado para os portais homonimos. Isto porque na web quem faz a rede de noticias e o internauta, e, com a abertura das caixas de comentarios, ficou mais dificil a manutencao de posicoes fundadas em argumentos frageis ou pouco confiaveis.
Mas a velha midia insiste em enveredar pelo mesmo comportamento que lhe batizou com a alcunha, tratando o seu publico como se so ela continuasse a ter a exclusividade da informacao e da constatacao. E o caso agora da pesquisa Vox Populi, que, fora da blogosfera, e da cobertura da Band, quase nao teve repercussao. Verdade que e uma pesquisa com possiveis candidatos e que ninguem esta obrigado a divulgar resultado algum, mas, ate o mundo mineral (com a licenca do Mino Carta) sabe que, se o desempenho de um dos possiveis candidatos fosse outro, sem a menor sombra de duvida a cobertura seria bem diferente.
Mas, de fato, a velha midia tem experiencia de sobra para saber que este comportamento e a unica forma que tem para tentar influir no sistema politico, seja nos eleitores mais ingenuos, seja nos proprios partidos que sao por ela apoiados, ainda que estejam jogando pelo ralo a credibilidade. Porque a blogosfera e a web nao tem, ainda, a penetracao na sociedade brasileira para deixar patente e claro para a maior parte da populacao a sabujice que impera nestes meios de comunicacao. E nao se trata apenas de acesso a banda larga ou inclusao digital. Tem que haver tambem a educacao politica. Entretanto, a fama precede o ator, e, para a populacao, ainda que alguem seja fanatico pelos "big brothers" da vida, sabe-se bem quem a Rede Globo ou a Veja apoiam ou querem ver pelas costas. O problema e de vulnerabilidade e de maturidade politica, que so fica menos evidente quando se tem emprego e dinheiro no bolso.
A verdade e que as velhas midias tem a tarefa ingloria de brigar contra os fatos reais de um governo que, ainda que envolvido nos velhos problemas do sistema politico brasileiro, melhorou a vida de toda a populacao, que tem tido, justamente, mais emprego, dinheiro no bolso, acesso ao credito e uma vida mais digna.
Ha um outro aspecto importante a se destacar. Nos estados mais conservadores e mais ricos do pais (do sul e sudeste), principalmente Sao Paulo, a velha midia tem conseguido, com algumas interrupcoes, ajudar a manter no poder aqueles a quem apoiam. De fato e para este publico que ela se dirige com mais afinco, com maior empenho, porque e nesta regiao onde se concentram seus maiores interesses. Nao que nunca tiveram no resto do pais - algumas tem alcance ate fora do pais - mas e porque as disparidades regionais combatidas com sucesso, favorecem o governo, principalmente no norte-nordeste.
Por fim, e possivel concluir que as novas midias tem, de alguma forma, contribuido para a formacao de uma consciencia politica que, ainda sem a penetracao desejada, tem se espalhado por setores mais politizados da sociedade, nao deixando que a velha midia, com efeito ainda muito poderosa, fique a falar sozinha, mesmo que sob o olhar desconfiado da nacao. Tem, para isso, a tarefa facilitada pelo desempenho de um governo que teve a sensatez de fazer o bolo crescer e distribuir as fatias para todos enquanto este mesmo bolo crescia.
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