O texto do Brizola Neto é impecável para retratar bem como funciona a mídia engajada, que, por ser engajada, não quer dizer que vá aceitar tudo do seu candidato. Saiu da cartilha, o "pau canta". Pode ser quem for. Mexer com o Banco Central e sua política financeira? A suma heresia. Aí o candidato experimentou um pouco daquilo que o Lula, e agora a Dilma, vêm experimentando de há muito tempo. Ora vejam só...
Do blog do Brizola Neto
A capa e o conteúdo do jornal O Globo de hoje revelaram a Serra o que um dia, num único jornal do sistema, pode fazer à sua candidatura. Não que seja diferente ao que fazem dúzias de vezes com Dilma, mas foi, como dizia uma música dos anos 60, “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.
Acostumado a mandar demitir repórteres com telefonemas, Serra perdeu a paciencia com “os comunistas do Dr. Roberto” do século 21. “Dos meus comunistas, cuido eu”, teria dito “o mais velho”, em plena ditadura, ao “ministro da justiça” (assim mesmo, entre aspas e em minúsculas) Armando Falcão. Embora não sejam mais comunistas e o Dr. Roberto não esteja mais aí, Serra mexeu num vespeiro, muito maior que o cada vez mais frágil jornal O Globo. Mexeu na Globo, no centro de comando da elite brasileira.
Embora a Miriam Leitão tenha ficado publicamente apatetada e se contido – a vingança, como dizia o personagem do Chico Anísio, “será maligna”. A edição do jornal impresso de hoje, que reproduzo aí ao lado, já mostra isso. A foto de um Serra que parece doente, alquebrado, sendo seguro na escada como um inválido que não se sustenta é o tipo de maldade atroz que ele, pela primeira vez, tem de encarar no jornal.
O título é de uma clareza solar. Traduzido, quer dizer: Serra, este é o Serra que queremos. Oposição, não pseudolulista. O império não quer almas pela metade, ele quer a vassalagem incondicional. Ele quer alguém que se ajoelhe em seu altar, renegue e maldiga sua fé passada e proclame sua conversão em alto e bom som, como fez FHC em 1995, ao dizer, já em seu discurso de posse, que vinha para destruir a “Era Vargas” e entregar, como nunca se entregara nem na ditadura, o Brasil aos grupos econômicos daqui e de fora.
Lá dentro do jornal, coube a Lord Merval Pereira colocar a coisa em letras explícitas: fala em ressurreição do ranzinza e de Serra ser o “centralizador” e “mais intervencionista do que Dilma”. Ao lado, seguia a ironia fotográfica, com uma grande foto de Dilma sorridente, ao lado de Antonio Palloci, o “homem de confiança” do mercado nos primeiros tempos do Governo Lula.
Serra tem sorte de que o Dr. Roberto não esteja mais aí, para não correr o risco de sofrer mais um dos “castigos” que gosta de impor aos “insolentes”: ser “demitido” com um telefonema.
Mas vai ter de fazer seus atos de contrição, ficar comportadinho e parar de achar que é alguém com direito a ter posições próprias e pessoais, mesmo que sob a fantasia que os marqueteiros lhe desenharam.
Serra tem que exorcizar de vez suas convicções do passado, sepultar o antigo Serra que pensava no papel do Estado, no desenvolvimento, que, inconformado com a morte que a traição lhe deu, brota em espasmos como o de ontem. Não se lhe exige apenas o papel de agente da direita, querem a conversão completa ao papel que assumiu. De Fausto não se queria parte, mas tudo.
Dante Aligheri escreveu na sua Divina Comédia que, nos umbrais do Inferno havia talhada uma frase: Abandona toda esperança, vós que entrais.
A gauchada, que não leu Dante, se expressa mais claramente: “não te fresqueia, guri”.
http://www.tijolaco.com/?p=14409
Principais análises e notícias sobre politica, economia, relações internacionais, etc., etc.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Eduardo Guimarães: Ibope e Datafolha tentam suicídio
Do blog do Eduardo Guimarães
Fiz um gráfico (acima) com a evolução de Dilma e de Serra nos diversos institutos de pesquisa a partir de janeiro. Escolhi o cenário com Ciro Gomes e Marina Silva na disputa, pois é o cenário mais noticiado pela mídia e tido como mais provável.
Ao dispor os números dessa forma, confirma-se, sem dúvidas, a tendência de subida de Dilma e queda de Serra ao longo deste ano. Mas não é só.
O gráfico também revela que o Datafolha e o Ibope vêm correndo atrás do Sensus e do Vox Populi. Tentam ir para outro lado, mas são arrastados na direção dos concorrentes.
Em dois momentos da linha de tempo que tracei, primeiro o Ibope e depois o Datafolha tentam abrir a boca do jacaré (forma como os estatísticos vêm chamando a convergência das linhas dos gráficos de evolução das pesquisas), sendo corrigidos um pelo outro ou pelos outros dois institutos, mais adiante.
Notem que, em dois momentos, o Ibope, primeiro, e o Datafolha depois aumentam os percentuais de Serra e deprimem os de Dilma, mas são obrigados a ir na direção que Sensus e Vox Populi vêm sinalizando de forma inequívoca.
Na pesquisa Ibope feita entre 6 e 9 de fevereiro, o Ibope inverte a tendência verificada entre as pesquisas Vox Populi e Sensus, feitas entre 14 e 29 de janeiro, mas só para ser corrigido pelo Datafolha em pesquisa feita entre 24 e 25 de fevereiro, pesquisa que mostra, de novo, Serra caindo e Dilma, subindo.
Mais adiante na linha do tempo, no período de 25 a 26 de março, é a vez do Datafolha de tentar abrir a boca do jacaré. Mas, agora, quem desmentira o Ibope – que teve que se adequar – é desmentido por Vox Populi e Sensus poucos dias depois da aparente fraude que pode ter tentado praticar.
O gráfico mostra, portanto, uma espantosa resistência do Datafolha e do Ibope aos fatos. Está mais do que claro que, deliberadamente, tentam abrir a boca do jacaré, mas acabam tendo que fechá-la mais adiante ao serem desmentidos por outras pesquisas.
O Datafolha está em campo fazendo nova pesquisa meros 15 dias depois da última. Esse é um fato inédito em pesquisas eleitorais depois do ineditismo maior, de esse instituto ter passado a atacar os concorrentes como nunca antes na história deste país.
Nestas minhas cinco décadas de vida, é a primeira vez que vejo duas empresas de renome, que deveriam visar a qualidade do que fazem nem que fosse visando lucros, cometerem suicídio. E com requintes de crueldade, diga-se.
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
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domingo, 4 de abril de 2010
Pesquisa Vox Populi x Data Folha
Por que tamanha disparidade entre os dois institutos? Sera que um e Serrista e o outro Dilmista? Ou um esta certo e o outro errado? Ou ambos certos ou errados? A verdade e que o Vox Populi manteve a tendencia de crescimento de Dilma e de estagnacao de Serra, embora este permaneca na frente. Uma outra duvida que se abate sobre a Datafolha e que o crescimento (para Serra) e a diminuicao (de Dilma) se deram numa intensidade muito grande num curto espaco de tempo, coincidentemente na epoca em que o candidato da oposicao resolveu sair de cima do muro e declarar sua candidatura no programa do Datena. Talvez para um reducao ou aumento de intencao de votos em tao pouco espaco de tempo a percepcao de toda uma populacao (que ainda nao esta antenada com as eleicoes) teria que se dar por um fato potencialmente grave, que alavancasse ou derrubasse as candidaturas. E isto nao aconteceu. Ou o requentado caso do Bancoop seria capaz de alavancar Serra e derrubar Dilma? Ou o Lula falando sobre as greves de fome em Cuba e pagando multa eleitoral teriam este mesmo efeito? ou as reiteradas manchetes depreciativas do o Globo seriam assim tao poderosas? Ou o factoide da Eletronet teria tido um efeito tao devastador nos coracoes e mentes dos brasileiros? Talvez entre os votos de opiniao, mas estes ja estao critalizados. Restam os "incautos" que ainda acreditam em jonaloes e revistoes que fazem as vezes dos partidos de oposicao. Mas o numero destes e cada vez menor. Nao e a toa que o proprio Datafolha, quando de sua divulgacao, apressou-se em explicar que aquela leitura poderia ser um retrato do momento, como a preparar o terreno para justificar uma possivel disparidade com uma outra pesquisa. Nao e a toa tambem que a Folha, mudando de estrategia, resolveu desqualificar a pesquisa Vox Populi, acreditando (ou querendo fazer acreditar) que algumas questoes da nova pesquisa induziam o eleitor a erro, como se se perguntar os cargos que os candidatos ja ocuparam, ou o fato de se colocar apenas a palavra "governador" ou "governador de Sao Paulo" antes do nomes de Jose Serra fossem suficientes para induzir ao erro ou a uma determinada resposta. E agora? Houve ou nao houve manipulacao?
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sábado, 27 de março de 2010
Para a Folha, pobres, Sul e estiagem levantaram Serra
Do Blog do Brizola Neto
Consegui ler a matéria da Folha, na edição para assinantes, sobre a pesquisa Datafolha. As justificativas para a recuperação de Serra e a “parada” de Dilma são as seguintes:
Eleitorado do Sul do país: “No Sul, que concentra 14% dos eleitores do país, Serra subiu dez pontos percentuais, de 38% para 48%. Dilma, que fez carreira política no Rio Grande do Sul, não se consolidou ainda entre os gaúchos e registrou uma queda de 24% para 20%. Os 28 pontos percentuais de diferença no Sul são a maior dianteira de Serra sobre Dilma no aspecto geográfico das intenções de voto do Datafolha.”
Os pobres: “Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos (R$ 1.020), ou 52% da amostra do Datafolha, Serra subiu de 30% para 35%. Dilma oscilou de 29% para 26% -apesar de um dos principais programas do governo Lula ser o Bolsa Família, que beneficia a população de baixa renda.
As mulheres: “Serra aumentou sua vantagem no eleitorado feminino. Em fevereiro, o tucano já liderava (33% a 24%). Agora, tem 15 pontos a mais (37% a 22%).”
Em outra matéria, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, aponta as razões para Serra ter crescido: “As entrevistas do atual levantamento foram efetuadas após Serra admitir sua candidatura na TV, em programa popular transmitido para todo o Brasil. No último mês as chuvas diminuíram em São Paulo e, em consequência, a exposição negativa do governo Serra. Isso o ajudou a reverter o desgaste, crescendo significativamente no sul do país e recuperando-se entre os menos escolarizados e com menor renda, onde o prestígio e o potencial de crescimento de Dilma continuam fortes.”
Acho pueris estas explicações. Nos dias da coleta dos dados, São Paulo estava inundada (quinta) ou sob alerta de temporal (sexta). E se a entrevista ao José Luís Datena tivesse esse enorme peso nacional, creio que o próprio Datena deveria se lançar candidato.
Seria mais interessante se o diretor do Datafolha explicasse a razão de suas pesquisas terem uma espécie de “amostra-sanfona” que se amplia ou se encolhe a cada edição, como registri no posta anterior.
Interessante é também o relato que faz o jornalista Fernando Rodrigues sobre a resposta espontânea dos eleitores:
“As curvas da pesquisa espontânea, quando o entrevistado diz em quem deseja votar sem ver uma lista de nomes, têm uma evolução discrepante do levantamento estimulado.
Diferentemente do que ocorreu na pesquisa em que o eleitor vê seu nome, em que está estabilizada, Dilma continuou sua curva ascendente no levantamento espontâneo. Tinha 8% em dezembro, passou a 10% em fevereiro e agora chegou a 12%.
Esse percentual a coloca à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (8%), que, até dezembro, liderava com folga a pesquisa espontânea. Isso mostra que a cada pesquisa o eleitor deixa de citar o nome do atual presidente porque vai percebendo que o petista não será candidato.Serra pontuou 8%, o mesmo percentual de dezembro.”
Vá ao blog do Brizola Neto...
Consegui ler a matéria da Folha, na edição para assinantes, sobre a pesquisa Datafolha. As justificativas para a recuperação de Serra e a “parada” de Dilma são as seguintes:
Eleitorado do Sul do país: “No Sul, que concentra 14% dos eleitores do país, Serra subiu dez pontos percentuais, de 38% para 48%. Dilma, que fez carreira política no Rio Grande do Sul, não se consolidou ainda entre os gaúchos e registrou uma queda de 24% para 20%. Os 28 pontos percentuais de diferença no Sul são a maior dianteira de Serra sobre Dilma no aspecto geográfico das intenções de voto do Datafolha.”
Os pobres: “Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos (R$ 1.020), ou 52% da amostra do Datafolha, Serra subiu de 30% para 35%. Dilma oscilou de 29% para 26% -apesar de um dos principais programas do governo Lula ser o Bolsa Família, que beneficia a população de baixa renda.
As mulheres: “Serra aumentou sua vantagem no eleitorado feminino. Em fevereiro, o tucano já liderava (33% a 24%). Agora, tem 15 pontos a mais (37% a 22%).”
Em outra matéria, o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, aponta as razões para Serra ter crescido: “As entrevistas do atual levantamento foram efetuadas após Serra admitir sua candidatura na TV, em programa popular transmitido para todo o Brasil. No último mês as chuvas diminuíram em São Paulo e, em consequência, a exposição negativa do governo Serra. Isso o ajudou a reverter o desgaste, crescendo significativamente no sul do país e recuperando-se entre os menos escolarizados e com menor renda, onde o prestígio e o potencial de crescimento de Dilma continuam fortes.”
Acho pueris estas explicações. Nos dias da coleta dos dados, São Paulo estava inundada (quinta) ou sob alerta de temporal (sexta). E se a entrevista ao José Luís Datena tivesse esse enorme peso nacional, creio que o próprio Datena deveria se lançar candidato.
Seria mais interessante se o diretor do Datafolha explicasse a razão de suas pesquisas terem uma espécie de “amostra-sanfona” que se amplia ou se encolhe a cada edição, como registri no posta anterior.
Interessante é também o relato que faz o jornalista Fernando Rodrigues sobre a resposta espontânea dos eleitores:
“As curvas da pesquisa espontânea, quando o entrevistado diz em quem deseja votar sem ver uma lista de nomes, têm uma evolução discrepante do levantamento estimulado.
Diferentemente do que ocorreu na pesquisa em que o eleitor vê seu nome, em que está estabilizada, Dilma continuou sua curva ascendente no levantamento espontâneo. Tinha 8% em dezembro, passou a 10% em fevereiro e agora chegou a 12%.
Esse percentual a coloca à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (8%), que, até dezembro, liderava com folga a pesquisa espontânea. Isso mostra que a cada pesquisa o eleitor deixa de citar o nome do atual presidente porque vai percebendo que o petista não será candidato.Serra pontuou 8%, o mesmo percentual de dezembro.”
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terça-feira, 23 de março de 2010
Uma visão dos EUA da Política Externa Brasileira
Saiu um artigo de Mark Weisbrot, diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (www.cepr.net), de Washington, na Folha de São Paulo, no domingo passado e que, pelo seu conteúdo, é de se estranhar ter passado "despercebido" ou sem repercussão mais ampla nos meios de comunicação da denominada grande mídia. De se estranhar porque para certos assuntos, o que sai num veículo é logo reverberado no outro até completar a cadeia de veiculação. Isto acontece, principalmente no que tange à política externa brasileira, que vem sendo muito criticada pela mídia tupiniquim em face de sua postura frente ao problema do Oriente Médio envolvendo o Irã e Israel.
Voltando ao artigo, talvez o seu conteúdo revele a solução para o mistério do desinteresse pelo encadeamento, uma vez que traz uma visão diametralmente oposta à que vem sendo adotada pelo editoriais dos grandes veículos de comunicação e uma crítica embasada a um recente artigo publicado na própria Folha, e de autoria do candidato José Serra. O ponto principal é a campanha dos EUA pela aplicação de sanções ao Irã, firmemente recusada pelo Brasil que prefere uma postura de conciliação no concerto das nações, sendo que o presidente Lula vem argumentando que a estratégia dos EUA seria contraproducente e incapaz de levar a uma solução pacífica na região.
Essa postura do Brasil vem sendo duramente criticada pelos opositores internos, conforme se depreende da leitura do artigo de autoria do candidato José Serra na Folha de São Paulo de 23.11.2009, e que parte de uma crítica contundente ao presidente Lula por ter recebido Ahmadinejad, cuja reeleição teria sido “notoriamente fraudulenta”, pelo teor repressivo do governo e pela negação do Holocausto. Weisbrot argumenta que a primeira acusação é inaceitável por quem tenha examinado as evidências. A vitória de Ahmadinejad por uma diferença de 11 milhões de votos teve apuração testemunhada por centenas de milhares de pessoas. Mais: os resultados corresponderam às pesquisas de intenção de voto e também de boca de urna.
O autor reconhece que o Irã tem um regime repressivo, mas não mais repressivo do que o de outros países da região apoiados pelos EUA, como o Egito (n.a.: presidido por Hosni Mubarak desde 14 de outubro de 1981), e de que quanto ao fato de que Ahmadinejad teria negado o Holocausto, Lula teria condenado veementemente tal afirmação, e que, sobre esta lógica, não poderia o presidente brasileiro receber a Secretária de Estado Hilary Clinton, por ser representante de um país que empreende uma guerra de ocupação no Iraque, que já vitimou mais de um milhão de pessoas, além das milhares de vítimas civis no Afeganistão.
Fala da dificuldade da equipe de Obama, assim como ocorreu com a de George Bush, de compreender os conceitos de mediação e de gerras desnecessárias da diplomacia brasileira, adotando sempre uma abordagem "Poderoso Chefão" nas relações internacionais.
Voltando ao artigo do Serra, Weisbrot critica a comparação feita entre o não reconhecimento por Lula do governo hondurenho após o golpe contra um presidente democraticamente eleito e a visita ao Irã de Ahmadinejad, observando que o golpe representa uma ameaça à democracia, enquanto o governo do Irã não representaria tal ameaça, além do que, o Brasil tem um papel regional importante pelo qual deve proceder à defesa intransigente da democracia no continente, em virtude dos acordos regionais e em respeito aos princípios que defendem a estabilidade na região.
Em suma, é uma visão de dentro dos EUA sobre a política externa brasileira em relação ao Oriente Médio, com um teor de defesa do diálogo e da conciliação, pontos que, no momento, e em face do embate de forças que acontece dentro e fora dos EUA, parecem não estar sendo prestigiados, inclusive por alguns atores aqui mesmo no Brasil.
O artigo na Folha, para assinantes.
Aqui para o artigo de José Serra.
Voltando ao artigo, talvez o seu conteúdo revele a solução para o mistério do desinteresse pelo encadeamento, uma vez que traz uma visão diametralmente oposta à que vem sendo adotada pelo editoriais dos grandes veículos de comunicação e uma crítica embasada a um recente artigo publicado na própria Folha, e de autoria do candidato José Serra. O ponto principal é a campanha dos EUA pela aplicação de sanções ao Irã, firmemente recusada pelo Brasil que prefere uma postura de conciliação no concerto das nações, sendo que o presidente Lula vem argumentando que a estratégia dos EUA seria contraproducente e incapaz de levar a uma solução pacífica na região.
Essa postura do Brasil vem sendo duramente criticada pelos opositores internos, conforme se depreende da leitura do artigo de autoria do candidato José Serra na Folha de São Paulo de 23.11.2009, e que parte de uma crítica contundente ao presidente Lula por ter recebido Ahmadinejad, cuja reeleição teria sido “notoriamente fraudulenta”, pelo teor repressivo do governo e pela negação do Holocausto. Weisbrot argumenta que a primeira acusação é inaceitável por quem tenha examinado as evidências. A vitória de Ahmadinejad por uma diferença de 11 milhões de votos teve apuração testemunhada por centenas de milhares de pessoas. Mais: os resultados corresponderam às pesquisas de intenção de voto e também de boca de urna.
O autor reconhece que o Irã tem um regime repressivo, mas não mais repressivo do que o de outros países da região apoiados pelos EUA, como o Egito (n.a.: presidido por Hosni Mubarak desde 14 de outubro de 1981), e de que quanto ao fato de que Ahmadinejad teria negado o Holocausto, Lula teria condenado veementemente tal afirmação, e que, sobre esta lógica, não poderia o presidente brasileiro receber a Secretária de Estado Hilary Clinton, por ser representante de um país que empreende uma guerra de ocupação no Iraque, que já vitimou mais de um milhão de pessoas, além das milhares de vítimas civis no Afeganistão.
Fala da dificuldade da equipe de Obama, assim como ocorreu com a de George Bush, de compreender os conceitos de mediação e de gerras desnecessárias da diplomacia brasileira, adotando sempre uma abordagem "Poderoso Chefão" nas relações internacionais.
Voltando ao artigo do Serra, Weisbrot critica a comparação feita entre o não reconhecimento por Lula do governo hondurenho após o golpe contra um presidente democraticamente eleito e a visita ao Irã de Ahmadinejad, observando que o golpe representa uma ameaça à democracia, enquanto o governo do Irã não representaria tal ameaça, além do que, o Brasil tem um papel regional importante pelo qual deve proceder à defesa intransigente da democracia no continente, em virtude dos acordos regionais e em respeito aos princípios que defendem a estabilidade na região.
Em suma, é uma visão de dentro dos EUA sobre a política externa brasileira em relação ao Oriente Médio, com um teor de defesa do diálogo e da conciliação, pontos que, no momento, e em face do embate de forças que acontece dentro e fora dos EUA, parecem não estar sendo prestigiados, inclusive por alguns atores aqui mesmo no Brasil.
O artigo na Folha, para assinantes.
Aqui para o artigo de José Serra.
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domingo, 14 de março de 2010
Marcos Coimbra: Dentro das Pesquisas
Do Estado de Minas
Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem (que Dilma é a candidata de Lula) são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem em regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais
Quem, como muitas pessoas na oposição, se assustou com os resultados da recente pesquisa do Datafolha cometeu, provavelmente, dois equívocos. De um lado, pode ter superestimado a gravidade da situação que descrevia para Serra naquele momento. De outro, no entanto, pode ter subestimado os problemas que ele deve enfrentar nos próximos meses.
O encurtamento da vantagem de Serra em relação a Dilma já era conhecido desde janeiro, por meio de pesquisas públicas realizadas pela Vox Populi e a Sensus. Além delas, havia outras, não destinadas à divulgação, que as corroboravam. O meio político já trabalhava, portanto, com um cenário de virtual empate entre eles. Na da Sensus, concluída na última semana do mês, a distância entre ambos havia ficado em cinco pontos percentuais. No fim de fevereiro, o Datafolha apontou quatro pontos, isto é, a mesma coisa.
A estabilidade nesse período era boa para Serra. Se considerarmos que as duas pesquisas são plenamente comparáveis, poderíamos dizer que ele caiu entre dezembro e janeiro, com algumas alterações na distribuição socioeconômica e geográfica de suas intenções de voto (nenhuma muito expressiva, no entanto). Mas esse desgaste não continuou nas semanas seguintes, pois um mês se passou sem mudança nos números.
Para quem, como ele, insiste em permanecer recluso e sem disposição de entrar em campo, não seria mal se as coisas estivessem assim. Sua vantagem, embora menor, permanecia, subindo significativamente quando Ciro Gomes saía da lista. Como a hipótese de só ficarem ele, Dilma e Marina parece provável, os oito pontos percentuais de frente eram reconfortantes (sempre lembrando que a ministra faz campanha e ele não).
Ou seja, as queixas unânimes de seus companheiros, insatisfeitos com sua opção de esperar o tempo certo, não seriam tão procedentes. Se o prejuízo estava contabilizado e parecia interrompido, não haveria por que pisar no acelerador. De pouco adiantaria, aliás, pois nada se compara ao poderio de comunicação de Lula e do governo federal. A ficar como Davi bradando contra Golias, quem sabe não seria mesmo melhor o silêncio em público (e a guerrilha no bastidor)?
Não tem razão, assim, quem olhou essa pesquisa e se desesperou. Se o que ela indicava fosse uma tendência, haveria muito que comemorar, no campo serrista, nos seus resultados.
O problema são as respostas a outras perguntas, além das de simples intenção de voto. Mais exatamente, as relativas ao nível de conhecimento dos candidatos, a dimensão crucial de uma eleição onde uma contendora fortíssima é ainda quase desconhecida por uma proporção muito grande do eleitorado.
Na pesquisa do Datafolha (também nesse aspecto semelhante às demais), acertaram o nome da candidata de Lula 59% dos entrevistados. O que quer dizer que os restantes 41% não teriam qualquer razão para votar em Dilma.
Se alguém não sabe sequer que ela é a candidata de Lula, sabe o quê? Como poderia dizer que votaria em uma pessoa que desconhece completamente? Como pensaria em seu nome para o cargo mais importante do país?
Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem mais em cidades pequenas e nas regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais. São os que mais percebem que sua vida melhorou no período Lula e que, em função disso, estão mais satisfeitos com seu governo e mais dispostos a votar em quem ele indicar para continuar o que faz.
Segundo o Datafolha, o conhecimento de que Dilma é a candidata de Lula cresceu sete pontos (indo de 52% para 59%) entre dezembro e o fim de fevereiro. Nesse intervalo, no cenário com Ciro, ela subiu cinco pontos e Serra caiu cinco. São números tão parecidos que sugerem que a intenção de voto em Dilma cresce na razão direta do aumento de seu conhecimento, enquanto que com Serra a razão é inversa. Ele cai à medida que ela se torna conhecida.
Olhando para quem falta conhecê-la, a oposição tem todos os motivos para ficar (muito) preocupada com o que parece estar vindo pela frente.
Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem (que Dilma é a candidata de Lula) são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem em regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais
Quem, como muitas pessoas na oposição, se assustou com os resultados da recente pesquisa do Datafolha cometeu, provavelmente, dois equívocos. De um lado, pode ter superestimado a gravidade da situação que descrevia para Serra naquele momento. De outro, no entanto, pode ter subestimado os problemas que ele deve enfrentar nos próximos meses.
O encurtamento da vantagem de Serra em relação a Dilma já era conhecido desde janeiro, por meio de pesquisas públicas realizadas pela Vox Populi e a Sensus. Além delas, havia outras, não destinadas à divulgação, que as corroboravam. O meio político já trabalhava, portanto, com um cenário de virtual empate entre eles. Na da Sensus, concluída na última semana do mês, a distância entre ambos havia ficado em cinco pontos percentuais. No fim de fevereiro, o Datafolha apontou quatro pontos, isto é, a mesma coisa.
A estabilidade nesse período era boa para Serra. Se considerarmos que as duas pesquisas são plenamente comparáveis, poderíamos dizer que ele caiu entre dezembro e janeiro, com algumas alterações na distribuição socioeconômica e geográfica de suas intenções de voto (nenhuma muito expressiva, no entanto). Mas esse desgaste não continuou nas semanas seguintes, pois um mês se passou sem mudança nos números.
Para quem, como ele, insiste em permanecer recluso e sem disposição de entrar em campo, não seria mal se as coisas estivessem assim. Sua vantagem, embora menor, permanecia, subindo significativamente quando Ciro Gomes saía da lista. Como a hipótese de só ficarem ele, Dilma e Marina parece provável, os oito pontos percentuais de frente eram reconfortantes (sempre lembrando que a ministra faz campanha e ele não).
Ou seja, as queixas unânimes de seus companheiros, insatisfeitos com sua opção de esperar o tempo certo, não seriam tão procedentes. Se o prejuízo estava contabilizado e parecia interrompido, não haveria por que pisar no acelerador. De pouco adiantaria, aliás, pois nada se compara ao poderio de comunicação de Lula e do governo federal. A ficar como Davi bradando contra Golias, quem sabe não seria mesmo melhor o silêncio em público (e a guerrilha no bastidor)?
Não tem razão, assim, quem olhou essa pesquisa e se desesperou. Se o que ela indicava fosse uma tendência, haveria muito que comemorar, no campo serrista, nos seus resultados.
O problema são as respostas a outras perguntas, além das de simples intenção de voto. Mais exatamente, as relativas ao nível de conhecimento dos candidatos, a dimensão crucial de uma eleição onde uma contendora fortíssima é ainda quase desconhecida por uma proporção muito grande do eleitorado.
Na pesquisa do Datafolha (também nesse aspecto semelhante às demais), acertaram o nome da candidata de Lula 59% dos entrevistados. O que quer dizer que os restantes 41% não teriam qualquer razão para votar em Dilma.
Se alguém não sabe sequer que ela é a candidata de Lula, sabe o quê? Como poderia dizer que votaria em uma pessoa que desconhece completamente? Como pensaria em seu nome para o cargo mais importante do país?
Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem mais em cidades pequenas e nas regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais. São os que mais percebem que sua vida melhorou no período Lula e que, em função disso, estão mais satisfeitos com seu governo e mais dispostos a votar em quem ele indicar para continuar o que faz.
Segundo o Datafolha, o conhecimento de que Dilma é a candidata de Lula cresceu sete pontos (indo de 52% para 59%) entre dezembro e o fim de fevereiro. Nesse intervalo, no cenário com Ciro, ela subiu cinco pontos e Serra caiu cinco. São números tão parecidos que sugerem que a intenção de voto em Dilma cresce na razão direta do aumento de seu conhecimento, enquanto que com Serra a razão é inversa. Ele cai à medida que ela se torna conhecida.
Olhando para quem falta conhecê-la, a oposição tem todos os motivos para ficar (muito) preocupada com o que parece estar vindo pela frente.
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quinta-feira, 11 de março de 2010
A Indefinição de Serra e a Irrritação de Jarbas
Enquanto o palanque de Dilma Rousseff já está armando há muito tempo, Serra insiste em definir sua candidatura para o final de março e início de abril. Com isto deixa incertezas na oposição em alguns Estados e torna frágil a formação de alianças importantes na formação de candidaturas oposicionistas que têm como escopo principal a engenharia política formada pela cadeia de cargos que envolve o projeto da Presidência da República, e passa pelo Congresso Nacional e pelas câmaras legislativas. A angústia dos líderes é que não podem botar o bloco na rua além de verem a candidata do governo crescer cada vez mais nas pesquisas. Um dos mais ferrenhos críticos desta postura é o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, que faz oposição ao governo Lula e que tenta erguer um palanque oposicionista no seu Estado com alguma chance de enfrentar um aliado importante do Presidente, o governador Eduardo Campos. Recente fato ocorrido sobre uma reunião com o possível candidato à sucessão presidencial, Jarbas tornou pública toda a sua irritação. O texto e do Josias de Souza.
Da Folha On line
Por Josias de Souza
Jarbas se irrita com Serra e desiste de reunião em SP
Há sete dias, pelo telefone, Jarbas Vasconcelos e José Serra pré-agendaram uma reunião. Ocorreria nesta semana, em São Paulo. Não vai mais acontecer.
Irritado com Serra, um ‘quase-talvez-provável-futuro’ presidenciável do PSDB, Jarbas desistiu do encontro. Perdeu o interesse.
Conversariam sobre a montagem de um palanque oposicionista para Serra em Pernambuco, sob o comando de Jarbas, dissidente do PMDB.
Ao tomar conhecimento, pelos jornais, de que Serra se mantém aferrado à idéia de só virar candidato no início de abril, Jarbas decidiu imitá-lo.
Adiou, também ele, a decisão sobre sua candidatura ao governo pernambucano. Só vai se definir depois que Serra sair do armário.
Caprichoso, Jarbas optou por levar sua decisão ao conhecimento de Serra pela mesma via utilizada pelo tucanato: os jornais. Mandou distribuir uma nota. No texto, escreve:
“Não faz mais sentido me reunir, neste momento, com o governador para tratar do palanque dos partidos de oposição em Pernambuco”.
Por quê? “A prioridade escolhida por Serra é justamente a conclusão a contento da sua passagem pelo governo de São Paulo”.
Portanto, “vou aguardar a desincompatibilização e posterior lançamento da candidatura do governador Serra à Presidência da República”.
Algo “que deve ocorrer no início do próximo mês de abril, conforme também informou à imprensa o senador Sérgio Guerra”, presidente do PSDB.
A menção à entrevista de Guerra não foi gratuita. Jarbas estranhara o fato de não ter merecido do amigo, pernambucano como ele, a gentileza de um telefonema.
Na noite passada, informado acerca do teor da nota de Jarbas, Serra mandou a secretária tocar o telefone para o senador.
Jarbas participava de uma reunião na Comissão de Justiça do Senado. De volta ao gabinete, soube que Serra o procurara. Optou por não ligar de volta. Aguardava pelo telefonema de Serra havia seis dias.
Na última conversa, ocorrida na quinta-feira (4) da semana passada, Serra ficara de ligar no dia seguinte. Informaria dia e hora da reunião.
Não ligou na sexta. Nada no final de semana. Na segunda, nem sinal. Tampouco na terça. Só ligaria na quarta, assim mesmo depois da divulgação nota.
Para Jarbas, Serra erra ao adiar o anúncio da candidatura num instante em que a rival Dilma Rousseff achega-se a ele nas pesquisas.
Dissera o que pensa ao próprio Serra. Depois, publicamente. A despeito de tudo, Jarbas admite meter-se numa eleição que não precisaria disputar.
Senador até 2014, não tinha o mais remoto interesse em concorrer à cadeira de governador de Pernambuco, que já ocupou por dois mandatos.
A pedido de Serra, deve ir às urnas a contragosto, conectado ao "projeto nacional". Considera merecedor de um pingo de consideração. Daí a sua irritação.
Em privado, Jarbas desabafou com um amigo: “Não preciso do Serra pra nada!” Talvez devolva a ligação do governador nesta quinta (11). Na noite passada, a pressa já lhe fugira.
Da Folha On line
Por Josias de Souza
Jarbas se irrita com Serra e desiste de reunião em SP
Há sete dias, pelo telefone, Jarbas Vasconcelos e José Serra pré-agendaram uma reunião. Ocorreria nesta semana, em São Paulo. Não vai mais acontecer.
Irritado com Serra, um ‘quase-talvez-provável-futuro’ presidenciável do PSDB, Jarbas desistiu do encontro. Perdeu o interesse.
Conversariam sobre a montagem de um palanque oposicionista para Serra em Pernambuco, sob o comando de Jarbas, dissidente do PMDB.
Ao tomar conhecimento, pelos jornais, de que Serra se mantém aferrado à idéia de só virar candidato no início de abril, Jarbas decidiu imitá-lo.
Adiou, também ele, a decisão sobre sua candidatura ao governo pernambucano. Só vai se definir depois que Serra sair do armário.
Caprichoso, Jarbas optou por levar sua decisão ao conhecimento de Serra pela mesma via utilizada pelo tucanato: os jornais. Mandou distribuir uma nota. No texto, escreve:
“Não faz mais sentido me reunir, neste momento, com o governador para tratar do palanque dos partidos de oposição em Pernambuco”.
Por quê? “A prioridade escolhida por Serra é justamente a conclusão a contento da sua passagem pelo governo de São Paulo”.
Portanto, “vou aguardar a desincompatibilização e posterior lançamento da candidatura do governador Serra à Presidência da República”.
Algo “que deve ocorrer no início do próximo mês de abril, conforme também informou à imprensa o senador Sérgio Guerra”, presidente do PSDB.
A menção à entrevista de Guerra não foi gratuita. Jarbas estranhara o fato de não ter merecido do amigo, pernambucano como ele, a gentileza de um telefonema.
Na noite passada, informado acerca do teor da nota de Jarbas, Serra mandou a secretária tocar o telefone para o senador.
Jarbas participava de uma reunião na Comissão de Justiça do Senado. De volta ao gabinete, soube que Serra o procurara. Optou por não ligar de volta. Aguardava pelo telefonema de Serra havia seis dias.
Na última conversa, ocorrida na quinta-feira (4) da semana passada, Serra ficara de ligar no dia seguinte. Informaria dia e hora da reunião.
Não ligou na sexta. Nada no final de semana. Na segunda, nem sinal. Tampouco na terça. Só ligaria na quarta, assim mesmo depois da divulgação nota.
Para Jarbas, Serra erra ao adiar o anúncio da candidatura num instante em que a rival Dilma Rousseff achega-se a ele nas pesquisas.
Dissera o que pensa ao próprio Serra. Depois, publicamente. A despeito de tudo, Jarbas admite meter-se numa eleição que não precisaria disputar.
Senador até 2014, não tinha o mais remoto interesse em concorrer à cadeira de governador de Pernambuco, que já ocupou por dois mandatos.
A pedido de Serra, deve ir às urnas a contragosto, conectado ao "projeto nacional". Considera merecedor de um pingo de consideração. Daí a sua irritação.
Em privado, Jarbas desabafou com um amigo: “Não preciso do Serra pra nada!” Talvez devolva a ligação do governador nesta quinta (11). Na noite passada, a pressa já lhe fugira.
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sexta-feira, 5 de março de 2010
Com Serra presente, milhares gritam em MG: Aécio presidente!
Do Terra Magazine
Por Bob Fernandes
Às 11h55, no primeiro ato inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, de Minas Gerais, presentes o governador José Serra e a cúpula do PSDB. Milhares de convidados atropelam o ritual tucano e gritam:
- Aécio presidente! Aécio presidente!.
Na sequência do coro, o badalar de sinos anuncia o início da cerimônia. A festa, numa manhã de chuva fina, se dá sob o vão livre projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
Às 11h, ainda não havia começado. De três a seis mil presentes, segundo as estimativas variáveis de sempre. Em sucessivas camadas, os convidados, de acordo com a importância política e social. Nas primeiras filas, os poderes. Lá no fundo os operários da Cidade e o botons com a inscrição na camisa: "Eu construí".
No corredor, entre as duas fileiras de convidados com direito à proximidade do palco, manifestações. O prefeito de Duque de Caxias, Zito (PSDB-RJ), diz sobre Serra:
-Encontramos com ele, íamos almoçar e nada. O cara é gelado. Imagine quando era ministro.
Às 11h25, a profusão de telefonemas ligados embanana as linhas ligeira pane dos telefones.
Às 11h34, o cerimonial pede que se esvazie o corredor entre as duas filas de cadeiras, onde se sentam cerca de 500 convidados "vips". Vem a suplica: -Por favor, esvaziem o corredor, que o governador está vindo com o cortejo.
No palco, ao fundo, um telão eletrônico com a bandeira de Minas. Entre a platéia ecumênica, o vice-presidente José Alencar, o presidente do STF Gilmar Mendes, os senadores Eduardo Azeredo, Álvaro Dias, Tasso Jereissati, Pedro Simon, Wellington Salgado (vulgo Cabelo), os governadores Luiz Henrique, Teotônio Vilela Filho e Yeda Crusius, os deputados Michel Temer, José Anibal, Ronaldo Caiado, Rodrigo Maia, Henrique Alves e ACM Neto, grandes empresários, os ex-ministros Francelino Pereira (DEM) e Ibrahim Abi-Akel.
Os tucanos Aloysio Nunes Ferreira, vice-governador de São Paulo, e Geraldo Alckmin chegam juntos. Antonio Anastasia, o vice-governador mineiro e candidato de Aécio a sucede-lo, é recebido com uma explosão de palmas. O avanço desenfreado para abraços e apertos de mão dá mostras de seu prestígio na Cidade que ajudou a pensar e construir. De costas para Aloysio Nunes, o presidenciável Ciro Gomes troca figurinha com José Alencar.
O centro administrativo do governo mineiro foi projetado por Niemeyer. Até fim de outubro, mais de 16 mil servidores públicos atualmente distribuídos em 53 endereços de Belo Horizonte serão transferidos para a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves (veja aqui os detalhes).
A atriz Christiane Torloni, depois de rogar pela desocupação do corredor central, apresenta a cerimônia. Às 12h20, à capela, Fafá de Belém canta o Hino Nacional.
12h27. O governador Aécio Neves cumprimenta operários, põe um capacete e volta a ser saudado por novo coro de:
-Aécio presidente!. Aécio presidente!
Telão ao fundo mostra imagens do avô, Tancredo, nas campanhas pela eleição Diretas e na indireta, em 1984. No palco, Milton Nascimento entoa o hino daqueles tempos, "Coração de Estudante".
Extraordinários
Depois de saudar os "anônimos e anônimas como os verdadeiros donos da festa", senadores e deputados e governadores, Aécio Neves derrama-se em adjetivos para acarinhar José Alencar e Itamar Franco. De Serra, diz: -O governador de São Paulo José Serra, grande companheiro desta e de outras lutas.
Em seguida, saca adjetivos para "o amigo, companheiro extraordinário, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral". Do mesmo alforje de adjetivos tira um "extraodinário exemplo" para Ciro Gomes.
Aécio Neves usa "extraordinário" também para qualificar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), com quem fez parceria em 2008 e, em sociedade com o Partido dos Trabalhadores, elegeu Márcio Lacerda (PSB). Pimentel é pré-candidato ao governo mineiro.
A festa chega ao fim. Sob aplausos, Aécio Neves conclui: - Minas é minha casa, minha causa, meu chão, minha pátria
Por Bob Fernandes
Às 11h55, no primeiro ato inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, de Minas Gerais, presentes o governador José Serra e a cúpula do PSDB. Milhares de convidados atropelam o ritual tucano e gritam:
- Aécio presidente! Aécio presidente!.
Na sequência do coro, o badalar de sinos anuncia o início da cerimônia. A festa, numa manhã de chuva fina, se dá sob o vão livre projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
Às 11h, ainda não havia começado. De três a seis mil presentes, segundo as estimativas variáveis de sempre. Em sucessivas camadas, os convidados, de acordo com a importância política e social. Nas primeiras filas, os poderes. Lá no fundo os operários da Cidade e o botons com a inscrição na camisa: "Eu construí".
No corredor, entre as duas fileiras de convidados com direito à proximidade do palco, manifestações. O prefeito de Duque de Caxias, Zito (PSDB-RJ), diz sobre Serra:
-Encontramos com ele, íamos almoçar e nada. O cara é gelado. Imagine quando era ministro.
Às 11h25, a profusão de telefonemas ligados embanana as linhas ligeira pane dos telefones.
Às 11h34, o cerimonial pede que se esvazie o corredor entre as duas filas de cadeiras, onde se sentam cerca de 500 convidados "vips". Vem a suplica: -Por favor, esvaziem o corredor, que o governador está vindo com o cortejo.
No palco, ao fundo, um telão eletrônico com a bandeira de Minas. Entre a platéia ecumênica, o vice-presidente José Alencar, o presidente do STF Gilmar Mendes, os senadores Eduardo Azeredo, Álvaro Dias, Tasso Jereissati, Pedro Simon, Wellington Salgado (vulgo Cabelo), os governadores Luiz Henrique, Teotônio Vilela Filho e Yeda Crusius, os deputados Michel Temer, José Anibal, Ronaldo Caiado, Rodrigo Maia, Henrique Alves e ACM Neto, grandes empresários, os ex-ministros Francelino Pereira (DEM) e Ibrahim Abi-Akel.
Os tucanos Aloysio Nunes Ferreira, vice-governador de São Paulo, e Geraldo Alckmin chegam juntos. Antonio Anastasia, o vice-governador mineiro e candidato de Aécio a sucede-lo, é recebido com uma explosão de palmas. O avanço desenfreado para abraços e apertos de mão dá mostras de seu prestígio na Cidade que ajudou a pensar e construir. De costas para Aloysio Nunes, o presidenciável Ciro Gomes troca figurinha com José Alencar.
O centro administrativo do governo mineiro foi projetado por Niemeyer. Até fim de outubro, mais de 16 mil servidores públicos atualmente distribuídos em 53 endereços de Belo Horizonte serão transferidos para a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves (veja aqui os detalhes).
A atriz Christiane Torloni, depois de rogar pela desocupação do corredor central, apresenta a cerimônia. Às 12h20, à capela, Fafá de Belém canta o Hino Nacional.
12h27. O governador Aécio Neves cumprimenta operários, põe um capacete e volta a ser saudado por novo coro de:
-Aécio presidente!. Aécio presidente!
Telão ao fundo mostra imagens do avô, Tancredo, nas campanhas pela eleição Diretas e na indireta, em 1984. No palco, Milton Nascimento entoa o hino daqueles tempos, "Coração de Estudante".
Extraordinários
Depois de saudar os "anônimos e anônimas como os verdadeiros donos da festa", senadores e deputados e governadores, Aécio Neves derrama-se em adjetivos para acarinhar José Alencar e Itamar Franco. De Serra, diz: -O governador de São Paulo José Serra, grande companheiro desta e de outras lutas.
Em seguida, saca adjetivos para "o amigo, companheiro extraordinário, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral". Do mesmo alforje de adjetivos tira um "extraodinário exemplo" para Ciro Gomes.
Aécio Neves usa "extraordinário" também para qualificar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), com quem fez parceria em 2008 e, em sociedade com o Partido dos Trabalhadores, elegeu Márcio Lacerda (PSB). Pimentel é pré-candidato ao governo mineiro.
A festa chega ao fim. Sob aplausos, Aécio Neves conclui: - Minas é minha casa, minha causa, meu chão, minha pátria
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quinta-feira, 4 de março de 2010
Serra convida, mas Aécio recusa vaga de vice na chapa
BRASÍLIA (Reuters) - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, formalizou o que há tempos já prometia: recusou o convite do governador de São Paulo, José Serra, para assumir a vaga de vice em sua chapa presidencial.
A informação foi dada à Reuters, na noite de quarta-feira, por um parlamentar do PSDB sob condição de anonimato.
Apesar da negativa de Aécio, a fonte afirmou que o mineiro se comprometeu a fazer o que for preciso para eleger o colega de legenda.
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, é crucial para os objetivos de Serra. Sem o engajamento de Aécio, a conquista do Estado é bastante difícil.
Segundo a fonte, a conversa teria ocorrido na noite de terça-feira, em Brasília. Na manhã de quarta-feira, os dois participaram da solenidade de homenagem a Tancredo Neves no Senado.
José Serra tem protelado o anúncio de sua pré-candidatura, mesmo diante da pressão dos partidos oposicionistas para que declare seu intenção de concorrer.
Os apelos cresceram após pesquisa do Datafolha mostrar crescimento da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e queda do tucano.
Sua resistência em antecipar a decisão acabou alimentando rumores na última semana de que poderia não se lançar à disputa. O convite a Aécio Neves, porém, indica que, ao menos, ele está se movimentando.
(Reportagem de Natuza Nery)
A informação foi dada à Reuters, na noite de quarta-feira, por um parlamentar do PSDB sob condição de anonimato.
Apesar da negativa de Aécio, a fonte afirmou que o mineiro se comprometeu a fazer o que for preciso para eleger o colega de legenda.
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, é crucial para os objetivos de Serra. Sem o engajamento de Aécio, a conquista do Estado é bastante difícil.
Segundo a fonte, a conversa teria ocorrido na noite de terça-feira, em Brasília. Na manhã de quarta-feira, os dois participaram da solenidade de homenagem a Tancredo Neves no Senado.
José Serra tem protelado o anúncio de sua pré-candidatura, mesmo diante da pressão dos partidos oposicionistas para que declare seu intenção de concorrer.
Os apelos cresceram após pesquisa do Datafolha mostrar crescimento da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e queda do tucano.
Sua resistência em antecipar a decisão acabou alimentando rumores na última semana de que poderia não se lançar à disputa. O convite a Aécio Neves, porém, indica que, ao menos, ele está se movimentando.
(Reportagem de Natuza Nery)
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segunda-feira, 1 de março de 2010
PT quer 500 mil "guerrilheiros virtuais" em ações pró-Dilma
Do Vermelho.org
O PT prepara uma operação de guerra na internet a fim de dar fôlego à campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ideia é municiar com textos, áudios e vídeos os 518.912 filiados que participaram, em novembro de 2009, das eleições internas do partido. Eles terão a missão de reproduzir e distribuir o material de propaganda em blogs e redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter e Google Buzz. Uma das prioridades do novo secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas (PR), a estratégia tenta transplantar para o mundo virtual a base social da legenda, considerada um dos trunfos na ofensiva para derrotar o PSDB na sucessão presidencial.
“O PT já conta com uma imensa base social, ao contrário dos tucanos. A nossa militância tem discurso e será estimulada a divulgá-lo”, diz Vargas. “Vamos trabalhar fortemente na internet. O Twitter, por exemplo, pauta a mídia e é um instrumento formador de opinião.” A direção nacional petista ainda não sabe como tirar o plano do papel. Nem sequer tem orçamento definido para tanto. O valor dependerá do desempenho na arrecadação de doações eleitorais. Há, no entanto, propostas à mesa. Vargas prevê a criação de milhares de comitês virtuais, que teriam a tarefa de adaptar o discurso nacional às realidades regionais.
Cogita, ainda, montar estruturas físicas que seriam usadas pelos filiados para inundar as redes sociais de elogios a Dilma e críticas ao concorrente da oposição na disputa pela Presidência da República — provavelmente, o governador de São Paulo, José Serra. “A guerra de guerrilha na internet é a informação e a contrainformação”, afirma Vargas. A menção do deputado à contrainformação não é à toa. O páreo presidencial deste ano tende a ser acirrado e de baixo nível, segundo governistas e oposicionistas.
Marqueteiro de Lula e de Dilma, João Santana manterá a linha “paz e amor” na propaganda da ministra. Reforçará as realizações da gestão petista, comparando-a com os oitos anos de mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, e apresentará propostas para acelerar o ritmo da suposta herança bendita deixada pelo atual presidente.
Em outubro do ano passado, o PT lançou um novo portal na internet, com emissora de rádio e canal de televisão. O projeto custou cerca de R$ 600 mil ao partido. Além disso, há previsão de um custo mensal de R$ 60 mil com a manutenção do espaço virtual. Segundo o deputado federal André Vargas (PR), 30 mil pessoas assistiram a trechos do discurso de Dilma Rousseff em 20 de fevereiro, quando a ministra foi aclamada candidata da sigla à Presidência da República. O dado seria uma das provas do acerto da legenda ao apostar na rede mundial de computadores.
PSDB também investe pesado na internet
Não apenas o PT, mas também o PSDB está se armando para uma verdadeira "guerra virtual" na campanha presidencial de 2010.
Embora a candidatura de José Serra ainda não tenha sido formalizada, a estrutura de pré-campanha que o PSDB está montando tem a cara e a chancela, em todas as áreas, do governador de São Paulo.
Sem uma militância organizada e engajada como a do PT, o PSDB aposta numa estratégia de comunicação on-line --a cargo da Loops Mobilização Social-- e já convidou um especialista em marketing digital para a coordenação das ações dos tucanos na internet.
Os dois foram avalizados por Serra. Além do desafio de mobilização de militantes para um partido nascido da vida parlamentar, a Loops se dedicará à captação de doações e ao monitoramento de informações divulgadas na internet, com especial atenção na conversação no ambiente das redes sociais.
Recém-criada por quatro jovens --entre eles, Arnon de Mello, filho do senador Fernando Collor--, a Loops vai atuar sob a coordenação do empresário Sérgio Caruso, da agência Sinc.
A Loops já tem experiência em trabalhos com partidos políticos, pois trabalhou para o PV em 2008 e também deve cuidar da estratégia de mobilização na web da campanha de Fernando Gabeira ao governo do Rio.
Segundo o secretário-geral do PSDB, Eduardo Jorge Caldeira Pereira, Caruso deverá "gerenciar o projeto de atuação na internet". O PSDB não informou o valor dos contratos.
Há um mês, o partido exibe, em caráter experimental, um blog com munição para militantes. Batizado de "Brasil é com S", oferece argumentos para o debate político.
Isso explica, em boa medida, a preocupação quase nula com o visual: o blog prioriza conteúdo informativo sobre os governos Serra, em São Paulo, e, na esfera federal, FHC e Lula. Os textos são publicados na página em categorias como "Bolsa Família" e "Mensalão".
Desde o ano passado, o PSDB leva ao ar o site "Gente que Mente", sob a responsabilidade da jornalista Cila Schulman. Secretária de comunicação dos governos de Jaime Lerner, no Paraná, Schulman também foi contratada pelo PSDB --o domínio de internet está registrado em nome do próprio partido, o que é bastante raro.Essas contratações aconteceram à revelia do jornalista Luiz Gonzalez, cotado para assumir a coordenação de comunicação da campanha de Serra.
Em agosto de 2009, o PSDB já havia feito um outro investimento alto na comunicação online, com a criação do site tucano.org.br, mas parece que a iniciativa ainda não gerou os frutos que o partido esperava ( leia mais em PSDB paulista lança 'megaportal' para ajudar Serra em 2010 ).
Da redação, com informações do Correio Braziliense
O PT prepara uma operação de guerra na internet a fim de dar fôlego à campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A ideia é municiar com textos, áudios e vídeos os 518.912 filiados que participaram, em novembro de 2009, das eleições internas do partido. Eles terão a missão de reproduzir e distribuir o material de propaganda em blogs e redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter e Google Buzz. Uma das prioridades do novo secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas (PR), a estratégia tenta transplantar para o mundo virtual a base social da legenda, considerada um dos trunfos na ofensiva para derrotar o PSDB na sucessão presidencial.
“O PT já conta com uma imensa base social, ao contrário dos tucanos. A nossa militância tem discurso e será estimulada a divulgá-lo”, diz Vargas. “Vamos trabalhar fortemente na internet. O Twitter, por exemplo, pauta a mídia e é um instrumento formador de opinião.” A direção nacional petista ainda não sabe como tirar o plano do papel. Nem sequer tem orçamento definido para tanto. O valor dependerá do desempenho na arrecadação de doações eleitorais. Há, no entanto, propostas à mesa. Vargas prevê a criação de milhares de comitês virtuais, que teriam a tarefa de adaptar o discurso nacional às realidades regionais.
Cogita, ainda, montar estruturas físicas que seriam usadas pelos filiados para inundar as redes sociais de elogios a Dilma e críticas ao concorrente da oposição na disputa pela Presidência da República — provavelmente, o governador de São Paulo, José Serra. “A guerra de guerrilha na internet é a informação e a contrainformação”, afirma Vargas. A menção do deputado à contrainformação não é à toa. O páreo presidencial deste ano tende a ser acirrado e de baixo nível, segundo governistas e oposicionistas.
Marqueteiro de Lula e de Dilma, João Santana manterá a linha “paz e amor” na propaganda da ministra. Reforçará as realizações da gestão petista, comparando-a com os oitos anos de mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, e apresentará propostas para acelerar o ritmo da suposta herança bendita deixada pelo atual presidente.
Em outubro do ano passado, o PT lançou um novo portal na internet, com emissora de rádio e canal de televisão. O projeto custou cerca de R$ 600 mil ao partido. Além disso, há previsão de um custo mensal de R$ 60 mil com a manutenção do espaço virtual. Segundo o deputado federal André Vargas (PR), 30 mil pessoas assistiram a trechos do discurso de Dilma Rousseff em 20 de fevereiro, quando a ministra foi aclamada candidata da sigla à Presidência da República. O dado seria uma das provas do acerto da legenda ao apostar na rede mundial de computadores.
PSDB também investe pesado na internet
Não apenas o PT, mas também o PSDB está se armando para uma verdadeira "guerra virtual" na campanha presidencial de 2010.
Embora a candidatura de José Serra ainda não tenha sido formalizada, a estrutura de pré-campanha que o PSDB está montando tem a cara e a chancela, em todas as áreas, do governador de São Paulo.
Sem uma militância organizada e engajada como a do PT, o PSDB aposta numa estratégia de comunicação on-line --a cargo da Loops Mobilização Social-- e já convidou um especialista em marketing digital para a coordenação das ações dos tucanos na internet.
Os dois foram avalizados por Serra. Além do desafio de mobilização de militantes para um partido nascido da vida parlamentar, a Loops se dedicará à captação de doações e ao monitoramento de informações divulgadas na internet, com especial atenção na conversação no ambiente das redes sociais.
Recém-criada por quatro jovens --entre eles, Arnon de Mello, filho do senador Fernando Collor--, a Loops vai atuar sob a coordenação do empresário Sérgio Caruso, da agência Sinc.
A Loops já tem experiência em trabalhos com partidos políticos, pois trabalhou para o PV em 2008 e também deve cuidar da estratégia de mobilização na web da campanha de Fernando Gabeira ao governo do Rio.
Segundo o secretário-geral do PSDB, Eduardo Jorge Caldeira Pereira, Caruso deverá "gerenciar o projeto de atuação na internet". O PSDB não informou o valor dos contratos.
Há um mês, o partido exibe, em caráter experimental, um blog com munição para militantes. Batizado de "Brasil é com S", oferece argumentos para o debate político.
Isso explica, em boa medida, a preocupação quase nula com o visual: o blog prioriza conteúdo informativo sobre os governos Serra, em São Paulo, e, na esfera federal, FHC e Lula. Os textos são publicados na página em categorias como "Bolsa Família" e "Mensalão".
Desde o ano passado, o PSDB leva ao ar o site "Gente que Mente", sob a responsabilidade da jornalista Cila Schulman. Secretária de comunicação dos governos de Jaime Lerner, no Paraná, Schulman também foi contratada pelo PSDB --o domínio de internet está registrado em nome do próprio partido, o que é bastante raro.Essas contratações aconteceram à revelia do jornalista Luiz Gonzalez, cotado para assumir a coordenação de comunicação da campanha de Serra.
Em agosto de 2009, o PSDB já havia feito um outro investimento alto na comunicação online, com a criação do site tucano.org.br, mas parece que a iniciativa ainda não gerou os frutos que o partido esperava ( leia mais em PSDB paulista lança 'megaportal' para ajudar Serra em 2010 ).
Da redação, com informações do Correio Braziliense
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Ricardo Noblat: A Sina da Formiga
Do O Globo
Era um inferno. Sempre que passava por ali, o elefante esmagava a entrada do formigueiro. Então as formigas decidiram reagir.
Um dia, aos milhares, saltaram sobre o elefante e começaram a picá-lo. Com um abanão das orelhas, o elefante livrou-se delas. Restou uma agarrada ao seu pescoço.
“Esgana o bicho, esgana”, gritavam as outras em coro.
O elefante da história está mais para Lula, aprovado por oito entre 10 brasileiros, assim como as formigas estão mais para a oposição – PSDB, PPS, DEM em fase terminal e uma fatia do PMDB.
Quem será a formiga que insiste inutilmente em esganar o elefante? Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado?
Ora, Arthur anda sumido desde que perdeu a batalha pelo afastamento de José Sarney da presidência do Senado. Há duas semanas, voou para um café da manhã com Barack Obama em Washington. Imaginava trocar idéias com ele. Havia dois mil convidados.
O Amazonas de Arthur é fortaleza do lulismo. Ele pretende se reeleger. Sabe como é...
A formiguinha suicida seria José Agripino Maia, líder do DEM no Senado?
Agripino anda muito ocupado com o escândalo que engoliu o único governador do seu partido, José Roberto Arruda, do Distrito Federal, preso numa cela da Polícia Federal, em Brasília. O escândalo ainda ameaça engolir o vice Paulo Octávio, do DEM.
E Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB?
Poupemos Guerra. O coração dele bate acelerado diante da demora do governador José Serra, de São Paulo, em se declarar candidato à vaga de Lula. E bate aflito diante do risco do próprio Guerra não se reeleger senador por Pernambuco. É uma carga dupla e bastante pesada.
De Aécio Neves, outra estrela do infausto formigueiro, diga-se que jamais aprovaria o plano de um ataque em massa ao elefante.
Se dependesse dele, o formigueiro simplesmente teria mudado de endereço para escapar de eventuais danos. Como não o levaram em conta, mergulhou terra à dentro e foi cuidar de sua vida.
Tudo deu certo para Lula desde que se elegeu presidente em 2002. Seu governo sobreviveu ao explosivo escândalo do mensalão. A economia cresceu. Milhões de brasileiros ascenderam à classe C. A maioria dos partidos se rendeu aos seus encantos. E o PT à candidata que ele sacou do bolso.
Dizem que a próxima será a primeira eleição em 21 anos onde os brasileiros estarão impedidos de votar em Lula. De fato, é verdade. Mas na prática, não.
Dilma só existe como candidata porque Lula a inventou. Nada mais direto, pois, do que o apelo que orientará sua campanha: votar em Dilma significa votar em Lula.
Caberá à oposição separar os dois – fácil, não?
A ela caberá também a difícil tarefa de vender Serra como o melhor candidato pós-Lula. Melhor até mesmo do que Dilma, a quem Lula escolheu. E logo quem?
E logo Serra que concorreu contra Lula em 2002. Se Serra tivesse vencido não haveria Lula presidente por duas vezes. Oh, céus!
O ex-metalúrgico que chegou ao lugar antes privativo dos verdadeiros donos do poder deixou de pertencer à categoria dos homens comuns – embora daí extraia sua força.
Foi promovido nos últimos oito anos à condição de mito. E como tal deverá ser encarado pelas futuras gerações. É improvável que alguém como ele reprise sua trajetória.
A oposição se propõe a derrotar um mito. E tentará fazê-lo sem reunir sua força máxima.
Serra está pronto para conversar com Aécio sobre a vaga de vice em sua chapa. Quanto a isso, há duas coisas mais ou menos certas. Serra oferecerá a vaga a Aécio. E Aécio a recusará.
Descarte-se a hipótese de Serra sugerir: “Bem, nesse caso, você sai para presidente com meu apoio e eu irei disputar um novo mandato de governador”.
Aécio tem a resposta na ponta da língua: “Agora, é tarde. Quis ser candidato. Sugeri a realização de prévias dentro do partido. Não fui ouvido. Serei candidato ao Senado”.
E aí, José?
Aí José só vencerá a eleição se Dilma conseguir perder para ela mesma.
Possível, é, embora...
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/02/22/sina-de-formiga-268279.asp
Era um inferno. Sempre que passava por ali, o elefante esmagava a entrada do formigueiro. Então as formigas decidiram reagir.
Um dia, aos milhares, saltaram sobre o elefante e começaram a picá-lo. Com um abanão das orelhas, o elefante livrou-se delas. Restou uma agarrada ao seu pescoço.
“Esgana o bicho, esgana”, gritavam as outras em coro.
O elefante da história está mais para Lula, aprovado por oito entre 10 brasileiros, assim como as formigas estão mais para a oposição – PSDB, PPS, DEM em fase terminal e uma fatia do PMDB.
Quem será a formiga que insiste inutilmente em esganar o elefante? Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado?
Ora, Arthur anda sumido desde que perdeu a batalha pelo afastamento de José Sarney da presidência do Senado. Há duas semanas, voou para um café da manhã com Barack Obama em Washington. Imaginava trocar idéias com ele. Havia dois mil convidados.
O Amazonas de Arthur é fortaleza do lulismo. Ele pretende se reeleger. Sabe como é...
A formiguinha suicida seria José Agripino Maia, líder do DEM no Senado?
Agripino anda muito ocupado com o escândalo que engoliu o único governador do seu partido, José Roberto Arruda, do Distrito Federal, preso numa cela da Polícia Federal, em Brasília. O escândalo ainda ameaça engolir o vice Paulo Octávio, do DEM.
E Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB?
Poupemos Guerra. O coração dele bate acelerado diante da demora do governador José Serra, de São Paulo, em se declarar candidato à vaga de Lula. E bate aflito diante do risco do próprio Guerra não se reeleger senador por Pernambuco. É uma carga dupla e bastante pesada.
De Aécio Neves, outra estrela do infausto formigueiro, diga-se que jamais aprovaria o plano de um ataque em massa ao elefante.
Se dependesse dele, o formigueiro simplesmente teria mudado de endereço para escapar de eventuais danos. Como não o levaram em conta, mergulhou terra à dentro e foi cuidar de sua vida.
Tudo deu certo para Lula desde que se elegeu presidente em 2002. Seu governo sobreviveu ao explosivo escândalo do mensalão. A economia cresceu. Milhões de brasileiros ascenderam à classe C. A maioria dos partidos se rendeu aos seus encantos. E o PT à candidata que ele sacou do bolso.
Dizem que a próxima será a primeira eleição em 21 anos onde os brasileiros estarão impedidos de votar em Lula. De fato, é verdade. Mas na prática, não.
Dilma só existe como candidata porque Lula a inventou. Nada mais direto, pois, do que o apelo que orientará sua campanha: votar em Dilma significa votar em Lula.
Caberá à oposição separar os dois – fácil, não?
A ela caberá também a difícil tarefa de vender Serra como o melhor candidato pós-Lula. Melhor até mesmo do que Dilma, a quem Lula escolheu. E logo quem?
E logo Serra que concorreu contra Lula em 2002. Se Serra tivesse vencido não haveria Lula presidente por duas vezes. Oh, céus!
O ex-metalúrgico que chegou ao lugar antes privativo dos verdadeiros donos do poder deixou de pertencer à categoria dos homens comuns – embora daí extraia sua força.
Foi promovido nos últimos oito anos à condição de mito. E como tal deverá ser encarado pelas futuras gerações. É improvável que alguém como ele reprise sua trajetória.
A oposição se propõe a derrotar um mito. E tentará fazê-lo sem reunir sua força máxima.
Serra está pronto para conversar com Aécio sobre a vaga de vice em sua chapa. Quanto a isso, há duas coisas mais ou menos certas. Serra oferecerá a vaga a Aécio. E Aécio a recusará.
Descarte-se a hipótese de Serra sugerir: “Bem, nesse caso, você sai para presidente com meu apoio e eu irei disputar um novo mandato de governador”.
Aécio tem a resposta na ponta da língua: “Agora, é tarde. Quis ser candidato. Sugeri a realização de prévias dentro do partido. Não fui ouvido. Serei candidato ao Senado”.
E aí, José?
Aí José só vencerá a eleição se Dilma conseguir perder para ela mesma.
Possível, é, embora...
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Nassif: Serra e o Fim da Era Paulista na Política
Belíssima análise do jornalista Luis Nassif sobre o serrismo, suas características, como funciona o mecanismo que se formou em torno do governador paulista, principalmente o apoio da velha mídia, sua personalidade e a encruzilhada política em que se encontra, mostrando que os rumos da oposição no país deverá mudar consideravelmente após às próximas eleições, dependendo dos resultados que sairão das urnas. Considerações bastante lúcidas, vale a pena ler.
Por Luis Nassif
Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?
Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.
Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para o aposentadoria ou para segundo plano. Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.
Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.
De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:
1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.
2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.
Hoje em dia, a liderança de Serra sobre seu governo é próxima a zero. Ele mantém o partido unido e a administração calada pelo medo, não pelas ideias ou pela liderança.
Há mágoas profundas do covismo, mágoas dos aliados do DEM – pela maneira como deserdou Kassab -, afastamento daqueles que poderiam ser chamados de serristas históricos – um grupo de técnicos de alto nível que, quando sobreveio a inércia do período FHC-Malan, julgou que Serra poderia ser o receptador de ideias modernizantes.
Outro dia almocei com um grande empresário, aliado de primeira hora de Serra. Cauteloso, leal, não avançou em críticas contra Serra. Ouviu as minhas e ponderou uma explicação que vale para todos, políticos, homens de negócio e pensadores: “As ideias têm que levar em conta a mudança das circunstâncias e do país”. Serra foi moderno quando parlamentar porque, em um período de desastre fiscal focou seu trabalho na responsabilidade fiscal.
No governo paulista, não conseguiu levantar uma bandeira modernizadora sequer. Pior: não percebeu que os novos tempos exigiam um compromisso férreo com o bem estar do cidadão e a inclusão social. Continuou preso ao modelito do administrador frio, ao mesmo tempo em que comprometia o aparato regulatório do Estado com concessões descabidas a concessionárias.
O castigo veio a cavalo. A decisão de desviar todos os recursos para o Rodoanel provocou o segundo maior desastre coletivo da moderna história do país, produzido por erros de gestão: o alagamento de São Paulo devido à interrupção das obras de desassoreamento do rio Tietê. O primeiro foi o “apagão” do governo FHC.
É bobagem taxar o PSDB histórico de golpista. Na origem, o partido conseguiu aglutinar quadros técnicos de alto nível, de pensamento de centro-esquerda e legalistas por excelência. E uma classe média que também combateu a ditadura, mas avessa a radicalizações ideológicas.
Ao encampar o estilo Maluf – virulência ideológica (através de seus comandados na mídia), insensibilidade social, (falsa) imagem de administrador frio e insensível, ênfase apenas nas obras de grande visibilidade, desinteresse em relação a temas centrais, como educação e segurança – Serra destruiu a solidariedade partidária criada duramente por lideranças como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta.
Quadros acadêmicos do PSDB, de alto nível, praticamente abandonaram o sonho de modernizar a política e ou voltaram para a Universidade ou para organizações civis que lhe abriram espaço.
O primeiro, a tendência de chamar a si todos os méritos, não admitir críticas e tratar todos subordinados com desprezo, inclusive proibindo a qualquer secretário sequer mostrar seu trabalho. Principalmente, a de exigir a cabeça de jornalistas que o criticavam.
O mal-estar na administração é geral. Em vez de um Estadista, passaram a ser comandados por um chefe de repartição que não admite o brilho de ninguém, nem lhes dá reconhecimento, não é eficiente e só joga para a torcida.
O segundo, a deslealdade. Duvido que exista no governo Serra qualquer estrela com luz própria que lhe deva lealdade. A estratégia política de FHC e Lula sempre foi a de agregar, aparar resistências, afagar o ego de aliados. A de Serra foi a do conflito maximizado não por posições políticas, mas pelo ego transtornado.
O uso do blogueiro terceirizado da Veja para ataques descabidos (pela virulência) contra Geraldo Alckmin, Chalita, Aécio, deixou marcas profundas no próprio partido.
Alckmin não lhe deve lealdade, assim como Aloizio Nunes – que está sendo rifado por Serra. Alberto Goldmann deve? Praticamente desapareceu sob o personalismo de Serra, assim como Guilherme Afif e Lair Krähenbühl – sujeito de tão bom nível que conseguiu produzir das poucas coisas decentes do malufismo e não se sujar.
No interior, há uma leva enorme de prefeitos esperando o último sopro de Serra para desvencilhar-se da presença incômoda do governador.
O que segura o serrismo, hoje em dia, é apenas o temor do espírito vingativo de Serra. E um grupo de pessoas que será varrido da vida pública com sua derrota por absoluta falta de opção. Mas que chora amargamente a aposta na pessoa errada.
Aliás, se Aécio Neves for esperto (e é), tratará de reasgatar esses quadros para o partido.
Saindo candidato a presidente e ficando claro que não terá chance de vitória, o PSDB paulista se bandeará na hora para o novo rei. Pelas possibilidades eleitorais, será Alckmin, político limitado, sem fôlego para inaugurar uma nova era. Por outro lado, o PT paulista também não logrou se renovar, abrir espaço para novos quadros, para novas propostas. Continua prisioneiro da polarização virulenta com o PSDB, sem ter conseguido desenvolver um discurso novo ou arregimentado novas alianças.
O resultado final será o fim da era paulista na política nacional, um modelo que se sustentou décadas graças ao movimento das diretas e à aliança com a velha mídia.
Acaba em um momento histórico, em que o desenvolvimento se interioriza e o monopólio da opinião começa a cair.
A história explica grande parte desse fim de período. Mas o desmonte teria sido menos traumático se conduzido por uma liderança menos deletéria que a de Serra.
Vá ao blog do Nassif
Por Luis Nassif
Por que José Serra vacila tanto em anunciar-se candidato?
Para quem acompanha a política paulista com olhos de observador e tem contatos com aliados atuais e ex-aliados de Serra, a razão é simples.
Seu cálculo político era o seguinte: se perde as eleições para presidente, acaba sua carreira política; se se lança candidato a governador, mas o PSDB consegue emplacar o candidato a presidente, perde o partido para o aliado. Em qualquer hipótese, iria para o aposentadoria ou para segundo plano. Para ele só interessava uma das seguintes alternativas: ele presidente ou; ele governador e alguém do PT presidente. Ou o PSDB dava certo com ele; ou que explodisse, sem ele.
Esta foi a lógica que (des)orientou sua (in)decisão e que levou o partido a esse abraço de afogado. A ideia era enrolar até a convenção, lá analisar o que lhe fosse melhor.
De lá para cá, muita água rolou. Agora, as alternativas são as seguintes:
1. O xeque que recebeu de Aécio Neves (anunciando a saída da disputa para candidato a presidente) demoliu a estratégia inicial de Serra. Agora, se desiste da presidência e sai candidato a governador, leva a pecha de medroso e de sujeito que sacrificou o partido em nome de seus interesses pessoais.
2. Se sai candidato a presidente, no dia seguinte o serrismo acaba.
O balanço que virá
O clima eleitoral de hoje, mais o poder remanescente de Serra, dificulta a avaliação isenta do seu governo. Esse quadro – que vou traçar agora – será de consenso no ano que vem, quando começar o balanço isento do seu governo, sem as paixões eleitorais e sem a obrigatoriedade da velha mídia de criar o seu campeão a fórceps. Aí se verá com mais clareza a falta de gestão, a ausência total do governador do dia-a-dia da administração (a não ser para inaugurações), a perda de controle sobre os esquemas de caixinha política.Hoje em dia, a liderança de Serra sobre seu governo é próxima a zero. Ele mantém o partido unido e a administração calada pelo medo, não pelas ideias ou pela liderança.
Há mágoas profundas do covismo, mágoas dos aliados do DEM – pela maneira como deserdou Kassab -, afastamento daqueles que poderiam ser chamados de serristas históricos – um grupo de técnicos de alto nível que, quando sobreveio a inércia do período FHC-Malan, julgou que Serra poderia ser o receptador de ideias modernizantes.
Outro dia almocei com um grande empresário, aliado de primeira hora de Serra. Cauteloso, leal, não avançou em críticas contra Serra. Ouviu as minhas e ponderou uma explicação que vale para todos, políticos, homens de negócio e pensadores: “As ideias têm que levar em conta a mudança das circunstâncias e do país”. Serra foi moderno quando parlamentar porque, em um período de desastre fiscal focou seu trabalho na responsabilidade fiscal.
No governo paulista, não conseguiu levantar uma bandeira modernizadora sequer. Pior: não percebeu que os novos tempos exigiam um compromisso férreo com o bem estar do cidadão e a inclusão social. Continuou preso ao modelito do administrador frio, ao mesmo tempo em que comprometia o aparato regulatório do Estado com concessões descabidas a concessionárias.
O castigo veio a cavalo. A decisão de desviar todos os recursos para o Rodoanel provocou o segundo maior desastre coletivo da moderna história do país, produzido por erros de gestão: o alagamento de São Paulo devido à interrupção das obras de desassoreamento do rio Tietê. O primeiro foi o “apagão” do governo FHC.
O fim das ideias
O Serra que emergiu governador decepcionou aliados históricos. Mostrou-se ausente da administração estadual, sem escrúpulos quando tornou-se o principal alimentador do macartismo virulento da velha mídia – usando a Veja e a Folha – e dos barra-pesadas do Congresso. Quando abriu mão dos quadros técnicos, perdeu o pé das ideias. Havia meia dúzia de intelectuais que o abastecia com ideias modernizantes. Sem eles, sua única manifestação “intelectual” foi o artigo para a Folha criticando a posição do Brasil em relação ao Irã – repetindo argumentos do seu blogueiro -, um horror para quem o imaginava um intelectual refinado.É bobagem taxar o PSDB histórico de golpista. Na origem, o partido conseguiu aglutinar quadros técnicos de alto nível, de pensamento de centro-esquerda e legalistas por excelência. E uma classe média que também combateu a ditadura, mas avessa a radicalizações ideológicas.
Ao encampar o estilo Maluf – virulência ideológica (através de seus comandados na mídia), insensibilidade social, (falsa) imagem de administrador frio e insensível, ênfase apenas nas obras de grande visibilidade, desinteresse em relação a temas centrais, como educação e segurança – Serra destruiu a solidariedade partidária criada duramente por lideranças como Mário Covas, Franco Montoro e Sérgio Motta.
Quadros acadêmicos do PSDB, de alto nível, praticamente abandonaram o sonho de modernizar a política e ou voltaram para a Universidade ou para organizações civis que lhe abriram espaço.
O personalismo exacerbado
Principalmente, chamaram a atenção dois vícios seus, ambos frutos de um personalismo exacerbado – para o qual tantas e tantas vezes FHC tinha alertado.O primeiro, a tendência de chamar a si todos os méritos, não admitir críticas e tratar todos subordinados com desprezo, inclusive proibindo a qualquer secretário sequer mostrar seu trabalho. Principalmente, a de exigir a cabeça de jornalistas que o criticavam.
O mal-estar na administração é geral. Em vez de um Estadista, passaram a ser comandados por um chefe de repartição que não admite o brilho de ninguém, nem lhes dá reconhecimento, não é eficiente e só joga para a torcida.
O segundo, a deslealdade. Duvido que exista no governo Serra qualquer estrela com luz própria que lhe deva lealdade. A estratégia política de FHC e Lula sempre foi a de agregar, aparar resistências, afagar o ego de aliados. A de Serra foi a do conflito maximizado não por posições políticas, mas pelo ego transtornado.
O uso do blogueiro terceirizado da Veja para ataques descabidos (pela virulência) contra Geraldo Alckmin, Chalita, Aécio, deixou marcas profundas no próprio partido.
Alckmin não lhe deve lealdade, assim como Aloizio Nunes – que está sendo rifado por Serra. Alberto Goldmann deve? Praticamente desapareceu sob o personalismo de Serra, assim como Guilherme Afif e Lair Krähenbühl – sujeito de tão bom nível que conseguiu produzir das poucas coisas decentes do malufismo e não se sujar.
No interior, há uma leva enorme de prefeitos esperando o último sopro de Serra para desvencilhar-se da presença incômoda do governador.
O que segura o serrismo, hoje em dia, é apenas o temor do espírito vingativo de Serra. E um grupo de pessoas que será varrido da vida pública com sua derrota por absoluta falta de opção. Mas que chora amargamente a aposta na pessoa errada.
Aliás, se Aécio Neves for esperto (e é), tratará de reasgatar esses quadros para o partido.
Saindo candidato a presidente e ficando claro que não terá chance de vitória, o PSDB paulista se bandeará na hora para o novo rei. Pelas possibilidades eleitorais, será Alckmin, político limitado, sem fôlego para inaugurar uma nova era. Por outro lado, o PT paulista também não logrou se renovar, abrir espaço para novos quadros, para novas propostas. Continua prisioneiro da polarização virulenta com o PSDB, sem ter conseguido desenvolver um discurso novo ou arregimentado novas alianças.
O resultado final será o fim da era paulista na política nacional, um modelo que se sustentou décadas graças ao movimento das diretas e à aliança com a velha mídia.
Acaba em um momento histórico, em que o desenvolvimento se interioriza e o monopólio da opinião começa a cair.
A história explica grande parte desse fim de período. Mas o desmonte teria sido menos traumático se conduzido por uma liderança menos deletéria que a de Serra.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Serra reclama da TV Brasil
Na principal capital da America Latina, e uma das principais do mundo, cerca de 800 mil pessoas ficam sem agua, e a cada chuva ocorrem mortes em face de inundacoes e deslizamentos. E verdade que ocorreram precipitacoes incomuns (mas ja previstas), mas tambem e verdade que houve erros graves de gerenciamento dos recursos hidricos, tanto pela Prefeitura, quanto pelo Governo do Estado. A uma pergunta de um reporter da TV Brasil, o governador Jose Serra enxergou tratamento diferenciado, como se a emissora estivesse carregando nas tintas sobre a questao das inundacoes em Sao Paulo, e comentou que gostaria de ver a mesma abordagem em relacao a problemas de outras capitais do pais. O fato e que Serra conta com uma cobertura "light" da velha midia em Sao Paulo, de modo que o baronato midiatico tem procurado poupar o maximo o Governador, focando o problema com mais enfase em "Sao Pedro" e no habito de parte da populacao jogar lixo nos rios (esses pontos sao sempre os mais repetidos). Nao e de se estranhar que os reporteres das outras emissoras passassem a questionar quem questionou o Governador, e nao propriamente o Governador. O que demonstra que a bola foi levantada, pois trata-se de uma reclamacao de um possivel candidato a Presidencia da Republica contra uma emissora publica, idealizada pelo governo federal.
E este aqui e para lembrarmos que, se nao vivemos mais sob uma ditadura militar, temos um outro tipo de ditadura, que ainda mexe com mentes e coracoes deste pais.
E este aqui e para lembrarmos que, se nao vivemos mais sob uma ditadura militar, temos um outro tipo de ditadura, que ainda mexe com mentes e coracoes deste pais.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
CNT/SENSUS: Dilma empata com Serra, com a presenca de Ciro
Do Portal G1
Dilma empata com Serra em cenário com Ciro na disputa, diz CNT/Sensus
No 1º cenário, Serra sobe de 31,8%, em novembro de 2009, para 33,2%.
Dilma foi de 21,7% a 27,8%; Ciro Gomes (PSB) caiu de 17,5% para 11,9%.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, José Serra, na inauguração de laboratório em Campinas. (Foto: Arquivo/Márcio Fernandes/AE)
Na corrida eleitoral pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está tecnicamente empatada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quando o deputado Ciro Gomes (PSB) está na disputa, mostra pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira (1º).
Dilma cresceu pelo menos cinco pontos percentuais nos dois cenários testados pela pesquisa. O governador de São Paulo ainda lidera nas duas pesquisas estimuladas, mas a margem entre os dois diminuiu. Ela já passou o governador na pesquisa espontânea.
No primeiro cenário, Serra cresce de 31,8%, em novembro de 2009, para 33,2% em janeiro deste ano; Dilma subiu de 21,7% para 27,8%; Ciro Gomes (PSB),caiu de 17,5% para 11,9%; e Marina Silva (PV) subiu de 5,9% para 6,8%. Houve queda no total de pessoas que votam nulo ou branco (de 11,1% para 10,5%). A diferença entre os dois primeiros colocados, que era de 10,1%, caiu para 5,4%. Como a margem de erro está em 3%, os dois estão tecnicamente empatados. “Há uma intersecção da margem de erro”, disse Ricardo Guedes, do Instituto Sensus.
No segundo cenário, em que Ciro está fora da disputa, Serra fica praticamente estável, crescendo 0,2 pontos percentuais, com 40,7% em janeiro. Dilma cresce cinco pontos percentuais entre novembro e janeiro, e registra 28,5% nesta última pesquisa. Marina também cresce, de 8,1% para 9,5%, Brancos e nulos caíram de 13,8% para 11,4%.
Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada nenhuma lista de candidatos ao entrevistado, o presidente Lula –que não pode se candidatar- registra 18,7%; logo depois, pela primeira vez, vem Dilma, com 9,5%, acompanhada de Serra, com 9,3%.
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), tem 2,1%; Marina, 1,6%; e Ciro, 1,2%. Outros candidatos registram todos 1,9%, e o total de brancos e nulos chega a 2,6%. Os que não souberam ou não responderam chegam a 53,1%.
Prestem atencao na espontanea: A Pesquisa CNT Sensus quis saber em quem o eleitor brasileiro votaria (em votação espontânea) para Presidente da República em 2010: Lula, 18,7%; Dilma Rousseff, 9,5%; José Serra, 9,3%; Aécio Neves, 2,1%; Marina Silva, 1,6%; Ciro Gomes, 1,2%; outros, 1,9%; branco e nulo, 2,6%.
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Dilma empata com Serra em cenário com Ciro na disputa, diz CNT/Sensus
No 1º cenário, Serra sobe de 31,8%, em novembro de 2009, para 33,2%.
Dilma foi de 21,7% a 27,8%; Ciro Gomes (PSB) caiu de 17,5% para 11,9%.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, José Serra, na inauguração de laboratório em Campinas. (Foto: Arquivo/Márcio Fernandes/AE)
Na corrida eleitoral pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está tecnicamente empatada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quando o deputado Ciro Gomes (PSB) está na disputa, mostra pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira (1º).
Dilma cresceu pelo menos cinco pontos percentuais nos dois cenários testados pela pesquisa. O governador de São Paulo ainda lidera nas duas pesquisas estimuladas, mas a margem entre os dois diminuiu. Ela já passou o governador na pesquisa espontânea.
No primeiro cenário, Serra cresce de 31,8%, em novembro de 2009, para 33,2% em janeiro deste ano; Dilma subiu de 21,7% para 27,8%; Ciro Gomes (PSB),caiu de 17,5% para 11,9%; e Marina Silva (PV) subiu de 5,9% para 6,8%. Houve queda no total de pessoas que votam nulo ou branco (de 11,1% para 10,5%). A diferença entre os dois primeiros colocados, que era de 10,1%, caiu para 5,4%. Como a margem de erro está em 3%, os dois estão tecnicamente empatados. “Há uma intersecção da margem de erro”, disse Ricardo Guedes, do Instituto Sensus.
No segundo cenário, em que Ciro está fora da disputa, Serra fica praticamente estável, crescendo 0,2 pontos percentuais, com 40,7% em janeiro. Dilma cresce cinco pontos percentuais entre novembro e janeiro, e registra 28,5% nesta última pesquisa. Marina também cresce, de 8,1% para 9,5%, Brancos e nulos caíram de 13,8% para 11,4%.
Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada nenhuma lista de candidatos ao entrevistado, o presidente Lula –que não pode se candidatar- registra 18,7%; logo depois, pela primeira vez, vem Dilma, com 9,5%, acompanhada de Serra, com 9,3%.
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), tem 2,1%; Marina, 1,6%; e Ciro, 1,2%. Outros candidatos registram todos 1,9%, e o total de brancos e nulos chega a 2,6%. Os que não souberam ou não responderam chegam a 53,1%.
Prestem atencao na espontanea: A Pesquisa CNT Sensus quis saber em quem o eleitor brasileiro votaria (em votação espontânea) para Presidente da República em 2010: Lula, 18,7%; Dilma Rousseff, 9,5%; José Serra, 9,3%; Aécio Neves, 2,1%; Marina Silva, 1,6%; Ciro Gomes, 1,2%; outros, 1,9%; branco e nulo, 2,6%.
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Serra vai usar Parabolica no Nordeste
Do Portal Uol
Assim que confirmar o nome tucano para concorrer à Presidência em outubro (possivelmente o governador de São Paulo, José Serra), uma das principais missões do PSDB será popularizar o candidato fora das regiões Sul e Sudeste. Os números indicam que a tarefa não será fácil, em especial no Nordeste.
Silvania Lima dos Santos e o marido José Carlos Barros acreditam que número de propagandas aumentou e mostram "avanços" em São Paulo
A cidade de Boca da Mata (68 km de Maceió) é tomada por parabólicas
Segundo pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2009, o Nordeste é a única região onde a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está a frente de Serra na corrida presidencial: 31% x 28%. Outro dado da pesquisa aponta que o governador paulista é conhecido por 93% dos brasileiros, mas, no Nordeste, esse índice cai para 88% (menor índice do país).
Para "encurtar" a distância entre Serra e os eleitores do Nordeste, a popularização das antenas parabólicas se tornou um canal de comunicação relevante entre o governo paulista, comandando por Serra, e os eleitores da região. É que algumas emissoras retransmitem não apenas os programas das emissoras "cabeças de rede" de São Paulo para o Nordeste, mas também os comerciais institucionais do governo estadual.
Em entrevista ao UOL Notícias, o governador de Alagoas (único tucano a liderar um Estado no Nordeste), Teotônio Vilela Filho, afirma que "a parabólica ajuda" a popularizar o presidenciável José Serra em uma região dominada por petistas e aliados. O governador acredita que as propagandas do governo de São Paulo retransmitidas na região ajudam a "divulgar o talento de Serra como gestor" aos nordestinos. "Ele está fazendo em São Paulo uma administração prodigiosa. Quanto mais pessoas souberem do talento que ele tem como homem público, mais popular e mais querido ele será como candidato a presidente", declarou.
As parabólicas se tornaram um fenômeno no interior nordestino por conta da falta de emissoras locais. O sinal da parabólica chega a 22% dos domicílios nordestinos, atingindo cerca de 3,5 milhões de famílias. Os dados são do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, com dados de 2008.
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Assim que confirmar o nome tucano para concorrer à Presidência em outubro (possivelmente o governador de São Paulo, José Serra), uma das principais missões do PSDB será popularizar o candidato fora das regiões Sul e Sudeste. Os números indicam que a tarefa não será fácil, em especial no Nordeste.
Silvania Lima dos Santos e o marido José Carlos Barros acreditam que número de propagandas aumentou e mostram "avanços" em São Paulo
A cidade de Boca da Mata (68 km de Maceió) é tomada por parabólicas
Segundo pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2009, o Nordeste é a única região onde a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está a frente de Serra na corrida presidencial: 31% x 28%. Outro dado da pesquisa aponta que o governador paulista é conhecido por 93% dos brasileiros, mas, no Nordeste, esse índice cai para 88% (menor índice do país).
Para "encurtar" a distância entre Serra e os eleitores do Nordeste, a popularização das antenas parabólicas se tornou um canal de comunicação relevante entre o governo paulista, comandando por Serra, e os eleitores da região. É que algumas emissoras retransmitem não apenas os programas das emissoras "cabeças de rede" de São Paulo para o Nordeste, mas também os comerciais institucionais do governo estadual.
Em entrevista ao UOL Notícias, o governador de Alagoas (único tucano a liderar um Estado no Nordeste), Teotônio Vilela Filho, afirma que "a parabólica ajuda" a popularizar o presidenciável José Serra em uma região dominada por petistas e aliados. O governador acredita que as propagandas do governo de São Paulo retransmitidas na região ajudam a "divulgar o talento de Serra como gestor" aos nordestinos. "Ele está fazendo em São Paulo uma administração prodigiosa. Quanto mais pessoas souberem do talento que ele tem como homem público, mais popular e mais querido ele será como candidato a presidente", declarou.
As parabólicas se tornaram um fenômeno no interior nordestino por conta da falta de emissoras locais. O sinal da parabólica chega a 22% dos domicílios nordestinos, atingindo cerca de 3,5 milhões de famílias. Os dados são do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, com dados de 2008.
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Saiu a Vox Populi...Dilma sobe 9 Pontos e vai a 27, Serra cai 5 e tem 34.
Depois do conta-gotas desde o inicio da semana, quando a Band divulgou a pesquisa por alguns Estados, saiu nesta sexta, no fim do dia, o resultado geral.Do Portal Terra.
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera a corrida presidencial com 34% das intenções de voto, seguido da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 27%, segundo pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pela TV Bandeirantes. Dilma tem nove pontos a mais do que o registrado no último levantamento do instituto, sendo que Serra caiu cinco pontos. O deputado federal Ciro Gomes (PSB) somou 11%, seguido da senadora Marina Silva (PV), com 6%. Brancos e nulos ficaram em 10%, sendo que 12% não sabem ou não opinaram. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 23 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 14 a 17 de janeiro, O levantamento, que tem margem de erro de três pontos percentuais, foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 1057/2010. A pesquisa, divulgada no Jornal da Band desta sexta-feira, é a primeira do ano eleitoral.
No cenário sem Ciro, Serra oscila para 38%, e Dilma, para 29%. Marina fica com 8%. Brancos e nulos somaram 12% e 13% não sabem ou não opinaram.
Em pesquisa encomendada pela revista IstoÉ, e divulgada em 19 de dezembro, Serra obteve 39% das intenções de voto contra 18% de Dilma. Ciro Gomes somava 17%, e Marina teve 8% da preferência.
A nova pesquisa da Vox Populi também simulou um possível segundo turno entre Serra e Dilma. O tucano somou 46% contra 35% de Dilma. Os brancos e nulos ficaram em 10%, sendo que 9% estão indecisos ou não opinaram.
Do blog de Fernando Rodrigues
Dilma sobe menos se Ciro sai da disputa, diz Vox Populi
Pesquisa eleitoral Vox Populi indica que por enquanto não se comprova a tese governista de que menos postulantes favoreceriam a pré-candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff.
Quando Ciro está entre os possíveis candidatos, Dilma Rousseff sobe 9 pontos percentuais em relação ao que tinha em dezembro na pesquisa Vox Populi. Se o candidato do PSB é retirado da lista de candidatos, Dilma sobe 8 pontos no mesmo levantamento.
Eis os dados:
Cenário com Ciro em 11-14.dez.2009 e em 14-17.jan.2010
José Serra (PSDB) – 39% > 34% (caiu 5 pontos)
Dilma Rousseff (PT) – 18% > 27% (subiu 9 pontos)
Ciro Gomes (PSB) – 17% > 11% (caiu 6 pontos)
Marina Silva (PV) – 8% > 6% (caiu 2 pontos)
Indecisos, brancos e nulos – 18% > n.d. (variação?)
Cenário sem Ciro em 11-14.dez.2009 e em 14-17.jan.2010
José Serra (PSDB) – 46% > 38% (caiu 8 pontos)
Dilma Rousseff (PT) – 21% > 29% (subiu 8 pontos)
Marina Silva (PV) – 11% > 8% (caiu 2 pontos)
Indecisos, brancos e nulos – 23% > n.d. (variação?)
A pesquisa Vox Populi entrevistou 2.000 pessoas em todas as regiões do Brasil e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Não foram divulgados no início da noite de sexta-feira (29.jan.2010) os percentuais de indecisos, brancos e nulos pelo contratante do levantamento, a TV Bandeirantes.
Como os dados à disposição, a pesquisa Vox Populi de janeiro na comparação com a dezembro indica o seguinte:
· Ciro Gomes fora da disputa não favorece necessariamente e integralmente a Dilma Rousseff. Aparentemente, uma parte das intenções do pré-candidato do PSB acabam desaguando na categoria de indecisos, brancos e nulos;
· Dilma está crescendo e José Serra está caindo;
· Marina Silva e Ciro Gomes estão em queda.
É claro que também pode-se argumentar que esse levantamento do Vox Populi apresenta altas de 8 e 9 pontos para Dilma nos 2 cenários. E que Serra cai 5 a 8 pontos. É verdade. Mas essa tendência já estava detectada em outros levantamentos, sobretudo no Datafolha de dezembro.
A grande dúvida agora é se a saída de Ciro Gomes favorece ou não a pré-candidata do PT. De acordo com esse levantamento do Vox Populi, não fica claro se a desistência de Ciro de fato fará com que todos os votos dele migrem para Dilma. Pode ser que isso ocorra mais adiante. Por enquanto, não está claro esse cenário –a saída do postulante do PSB parece apenas confundir os eleitores, com mais gente ficando indecisa.
Outra conta possível é somar os percentuais. Sem Ciro, a conta Serra + Marina dá 46% contra 29% de Dilma. Com Ciro, o cenário Serra + Marina fica com 40% contra Dilma + Ciro somando 38%.
Até às 23 horas desta sexta (29/01), apesar de a pesquisa ter saído às 19 horas na Band, G1, Estadão, Veja e IG não haviam noticiado. UOL, Terra e R7 noticiaram. Isso porque desde dezembro a diferenca caiu 14 pontos! Muito estranho...
Em tempo: no Blog do Nassif o leitor Vander Fagundes elaborou uma tabela muito interessante, com a media das principais pesquisas eleitorais por instituto para a proxima eleicao. Cliquem na tabela para ve-la ampliada.

Clique aqui para ir ao Blog do Nassif
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
O empate de Serra e Dilma no Rio

Vox Populi: Dilma e Serra empatados no Rio
Do Vermelho, via blog do Fernando Rodrigues
Pesquisa Vox Populi sobre intenção de votos para presidente aponta empate técnico entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) no Estado do Rio de Janeiro. O tucano está com 27% entre os eleitores fluminenses. A petista tem 26%. Ciro Gomes (PSB) obtém 14%. Marina Silva tem 9%. Os dados completos devem ser divulgados nesta segunda-feira (25.jan) pela TV Bandeirantes.
O Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás de São Paulo (1º) e Minas Gerais (2º). A antecipação dos dados da pesquisa Vox Populi para o Rio está no site da TV Bandeirantes.
No mesmo cenário pesquisado pelo Vox Populi, mas com metodologia diferente, o Datafolha havia apurado (de 14 a 18.dez.2009) os seguintes resultados: Serra com 29%, Dilma com 21%, Ciro com 14% e Marina com 12% –margem de erro de 3 pontos percentuais.
A pesquisa Vox Populi está sendo bancada pela TV Bandeirantes. A coordenação do levantamento foi da estatística Maria Cecília Sacramento Souza. Foram entrevistadas 2.000 pessoas em todas as regiões brasileiras nos dias 14 a 17 de janeiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Não foi divulgado a margem de erro específica para o Estado do Rio de Janeiro.
Desde o dia 19 deste mês a pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e aguarda decurso do prazo legal de 5 dias (que vence neste domingo, 24.jan) para poder ser divulgada na íntegra.
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sábado, 23 de janeiro de 2010
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