Do blog do Noblat
Marcos Coimbra
Pesquisas Discrepantes
Estamos vivendo uma fase de pesquisas discrepantes, após meses de convergência das que foram publicadas a respeito das próximas eleições presidenciais
Se as diferenças entre as pesquisas surpreendem até quem as faz, imaginem-se as pessoas que não estão familiarizadas com elas. Desde o jornalista especializado ao cidadão comum, a surpresa pode se tornar perplexidade.
Estamos vivendo uma fase de pesquisas discrepantes, após meses de convergência das que foram publicadas a respeito das próximas eleições presidenciais. O que parecia um consenso entre institutos e levantamentos tornou-se uma polêmica.
É curioso notar que quem é hoje demonizado era, até ontem, tratado com consideração. Os institutos, seus responsáveis e métodos de trabalho não eram questionados por ninguém nem no meio político, pelos partidários de Dilma ou Serra, nem pela imprensa, que informava os resultados de cada um com a imparcialidade possível. Agora, parece que todo mundo virou culpado de alguma coisa.
De fato, para quem tem o hábito de acompanhar as pesquisas brasileiras, as diferenças recentes podem soar estranhas. Estamos acostumados, depois de muitas eleições, a não ver maiores variações entre elas. Os institutos tendem a acertar (quase sempre) e a errar (de vez em quando) juntos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, variações como as dos últimos dias, de até 10 pontos percentuais entre um e outro instituto, são consideradas normais. Seria até ridículo o Partido Republicano entrar na Justiça contra alguém que fez uma pesquisa mostrando Obama na frente. Já na Argentina, todos diriam que são modestas, pois a regra, por lá, é de as pesquisas apresentarem diferenças abissais. Em poucos países do mundo se daria atenção a que estamos vendo por aqui e, certamente, não se especularia sobre se essas pesquisas provêm de algo escuso.
Todos sabem que há diferenças de metodologia entre os institutos brasileiros, que decorrem de suas opções técnicas e operacionais. Nenhuma é melhor que a outra, pois todas apresentam prós e contras. Não existe, em nenhum lugar do mundo, o manual da pesquisa perfeita, a ser obedecido por todos. É um sonho autoritário (e inviável) imaginar o dia em que só haverá uma metodologia, aplicada por um só instituto. Se chegasse, nenhum democrata teria o que comemorar.
Uma das melhores coisas das pesquisas é que elas são inteiramente francas sobre algo que as outras informações que o eleitorado recebe costumam não explicitar: que são falíveis. Quem lê uma pesquisa foi avisado de que ela pode errar e é alertado sobre quanto. É como fumar conhecendo o que está escrito no maço.
Ao avaliar as pesquisas, as margens de erro não são coisas para registrar e esquecer, mas para lembrar. Não é o mais provável, mas é perfeitamente possível, que 10 pontos de diferença entre Serra e Dilma (consideradas as margens) sejam 5 pontos, o mesmo que diz uma pesquisa cujo resultado é uma diferença de um ponto entre os dois. Politicamente, 10 pontos ou 1 fazem uma enorme diferença, mas podem não ser nada (ou quase nada) em termos estatísticos.
Quem analisar com mais cuidado as pesquisas de agora, vai perceber que são unânimes na caracterização das intenções espontâneas de voto. Na mais recente do Ibope, Dilma tem 15% e Serra 14%. Na Vox, Dilma 15%, Serra 12%. No Datafolha, Dilma 13%, Serra 12%. Na Sensus, Dilma 16%, Serra 14%. Em qualquer lugar do mundo, quem olhasse esses números diria que os institutos brasileiros estão inteiramente de acordo sobre o que pensam os eleitores mais definidos, os que tendem a ser mais politizados e interessados nas eleições.
Mas o mesmo consenso não acontece na caracterização das intenções de voto dos que só respondem em quem votariam depois de estimulados. As diferenças de metodologia explicam parte da discrepância (mesmo que, do ponto de vista estatístico, sequer se possa afirmar que ela existe).
O mais provável, contudo, é que elas variem apenas por não haver, ainda, suficiente cristalização das intenções de voto no universo do eleitorado. É o fenômeno que se quer retratar que é volátil, não que alguma pesquisa esteja certa e as outras erradas.
Aliás, pesquisa certa ninguém sabe qual é. Só no dia 3 de outubro, teremos certeza sobre o que os eleitores, de fato, querem. Até lá, o máximo que podemos fazer são pesquisas bem feitas e isso todos tentam.
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
Principais análises e notícias sobre politica, economia, relações internacionais, etc., etc.
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domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Nassif: Para entender o Caso Data Folha
Os bastidores do caso Datafolha começam a aflorar.
Alguns dias antes do lançamento da candidatura José Serra, correu a informação de que o Instituto Sensus divulgaria sua pesquisa no mesmo dia. Poderia ser o anticlímax para Serra.
Dias antes, o Sensus passou a levar tiros da Folha, tentando desqualificar a pesquisa antes de saber o resultado. Um repórter foi incumbido de ouvir os donos do Instituto. Percebendo o jogo, ele informou que, devido às chuvas no Rio, os resultados sairiam após o dia do lançamento da candidatura Serra.
Em vão. Os tiros prosseguiram e a velha mídia começou a deixar pistas pelo caminho. O Datafolha preparou uma pesquisa de emergência, não programada. O Jornal Nacional anunciou que, dali para frente, só divulgaria resultados do IBOPE e do Datafolha.
Saiu o resultado do Datafolha, chamando a atenção geral, a ponto de ser colocado em dúvida pelos próprios jornalistas da Folha. Em vez de jogar com margens de erro em todos os estados, para beneficiar a candidatura Serra, o Datafolha jogou toda a variação no sul. E aí escancarou os erros cometidos, abrindo margem para fortes suspeitas de manipulação da pesquisa.
Foi o mais desgastante episódio na vida do instituto – que conquistou credibilidade nos anos 80 ao fazer o contraponto ao IBOPE.
Leia mais no blog do Nassif...
Alguns dias antes do lançamento da candidatura José Serra, correu a informação de que o Instituto Sensus divulgaria sua pesquisa no mesmo dia. Poderia ser o anticlímax para Serra.
Dias antes, o Sensus passou a levar tiros da Folha, tentando desqualificar a pesquisa antes de saber o resultado. Um repórter foi incumbido de ouvir os donos do Instituto. Percebendo o jogo, ele informou que, devido às chuvas no Rio, os resultados sairiam após o dia do lançamento da candidatura Serra.
Em vão. Os tiros prosseguiram e a velha mídia começou a deixar pistas pelo caminho. O Datafolha preparou uma pesquisa de emergência, não programada. O Jornal Nacional anunciou que, dali para frente, só divulgaria resultados do IBOPE e do Datafolha.
Saiu o resultado do Datafolha, chamando a atenção geral, a ponto de ser colocado em dúvida pelos próprios jornalistas da Folha. Em vez de jogar com margens de erro em todos os estados, para beneficiar a candidatura Serra, o Datafolha jogou toda a variação no sul. E aí escancarou os erros cometidos, abrindo margem para fortes suspeitas de manipulação da pesquisa.
Foi o mais desgastante episódio na vida do instituto – que conquistou credibilidade nos anos 80 ao fazer o contraponto ao IBOPE.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
Eduardo Guimarães: Ibope e Datafolha tentam suicídio
Do blog do Eduardo Guimarães
Fiz um gráfico (acima) com a evolução de Dilma e de Serra nos diversos institutos de pesquisa a partir de janeiro. Escolhi o cenário com Ciro Gomes e Marina Silva na disputa, pois é o cenário mais noticiado pela mídia e tido como mais provável.
Ao dispor os números dessa forma, confirma-se, sem dúvidas, a tendência de subida de Dilma e queda de Serra ao longo deste ano. Mas não é só.
O gráfico também revela que o Datafolha e o Ibope vêm correndo atrás do Sensus e do Vox Populi. Tentam ir para outro lado, mas são arrastados na direção dos concorrentes.
Em dois momentos da linha de tempo que tracei, primeiro o Ibope e depois o Datafolha tentam abrir a boca do jacaré (forma como os estatísticos vêm chamando a convergência das linhas dos gráficos de evolução das pesquisas), sendo corrigidos um pelo outro ou pelos outros dois institutos, mais adiante.
Notem que, em dois momentos, o Ibope, primeiro, e o Datafolha depois aumentam os percentuais de Serra e deprimem os de Dilma, mas são obrigados a ir na direção que Sensus e Vox Populi vêm sinalizando de forma inequívoca.
Na pesquisa Ibope feita entre 6 e 9 de fevereiro, o Ibope inverte a tendência verificada entre as pesquisas Vox Populi e Sensus, feitas entre 14 e 29 de janeiro, mas só para ser corrigido pelo Datafolha em pesquisa feita entre 24 e 25 de fevereiro, pesquisa que mostra, de novo, Serra caindo e Dilma, subindo.
Mais adiante na linha do tempo, no período de 25 a 26 de março, é a vez do Datafolha de tentar abrir a boca do jacaré. Mas, agora, quem desmentira o Ibope – que teve que se adequar – é desmentido por Vox Populi e Sensus poucos dias depois da aparente fraude que pode ter tentado praticar.
O gráfico mostra, portanto, uma espantosa resistência do Datafolha e do Ibope aos fatos. Está mais do que claro que, deliberadamente, tentam abrir a boca do jacaré, mas acabam tendo que fechá-la mais adiante ao serem desmentidos por outras pesquisas.
O Datafolha está em campo fazendo nova pesquisa meros 15 dias depois da última. Esse é um fato inédito em pesquisas eleitorais depois do ineditismo maior, de esse instituto ter passado a atacar os concorrentes como nunca antes na história deste país.
Nestas minhas cinco décadas de vida, é a primeira vez que vejo duas empresas de renome, que deveriam visar a qualidade do que fazem nem que fosse visando lucros, cometerem suicídio. E com requintes de crueldade, diga-se.
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Pesquisa Ibope em situação de "impugnada" no TSE e o Voto Espontâneo.
Depois que se viu, nas páginas amarelas da Veja, o diretor do IBOPE, o Sr. Augusto Montenegro, dizer com todas as letras que a ministra Dilma Rousseff não se elegeria, jogou-se uma sombra de suspeita sobre o instituto. Declaração não condizente com quem comanda um instituto de pesquisa. Agora, segundo página do TSE, a pesquisa divulgada pelo IBOPE encontra-se em situação de "impugnada" (http://www.tse.gov.br/sadAdmPesqEleConsulta/procPesquisa.jsp). É necessário que se vejam as razões e se elas serão aceitas pela Corte Eleitoral. Mas fica a anotação.
Mas há uma outra situação interessante: Observemos a questão da pesquisa espontânea. Notem a diferença entre os institutos Datafolha e CNI/IBOPE, tendo-se em mente que esta última foi realizada menos de 15 dias depois da do Datafolha. As tabelas foram retiradas do blog Tijolaço do Brizola Neto que arremata com o seguinte argumento:
O número de pessoas que, espontâneamente, dizem que “vão votar no Lula” pula para cima. Chega a 20%, o dobro do que diz o Datafolha ou, estatisticamente, uma diferença de 100%. Curioso é que as menções espontâneas a Dilma também crescem, atingindo 14%. A soma de Lula + Dilma dá 34%, contra 20% do Datafolha ou, se conderarmos também a referência ao “candidato do Lula, 24%.
Variar um, dois, três por cento – se os números são altos – é totalmente possível. Não foi essa a explicação que deram para finalmente reconhecerem que margem de erro não é um valor absoluto?
Mas como explicar uma variação destas na resposta espontânea em favor de Lula, que dobra? Ou da soma dos campos políticos, que varia quase 50% (24% Datafolha x 34% Ibope)?
Num país sério, a Justiça Eleitoral estaria auditando estas pesquisas. Mas não, os resultados saem uma semana depois, e uma semana depois você não pega nem tartaruga manca.
Não sei se este seria o motivo da impugnação da pesquisa do IBOPE, mas, infelizmente, fica a constatação de que até pesquisa eleitoral sofre da pecha de desonestidade neste país.
Atualização às 11h40 - A impugnação foi impetrada pelo PRTB por não ter, a pesquisa, incluído o candidato do partido, o Sr. Levy Fidelix, e foi indeferida pelo ministro auxiliar Aldir Passarinho Júnior.(Clique aqui para ir ao push do TSE - prot. 5429-2010)
Mas há uma outra situação interessante: Observemos a questão da pesquisa espontânea. Notem a diferença entre os institutos Datafolha e CNI/IBOPE, tendo-se em mente que esta última foi realizada menos de 15 dias depois da do Datafolha. As tabelas foram retiradas do blog Tijolaço do Brizola Neto que arremata com o seguinte argumento:O número de pessoas que, espontâneamente, dizem que “vão votar no Lula” pula para cima. Chega a 20%, o dobro do que diz o Datafolha ou, estatisticamente, uma diferença de 100%. Curioso é que as menções espontâneas a Dilma também crescem, atingindo 14%. A soma de Lula + Dilma dá 34%, contra 20% do Datafolha ou, se conderarmos também a referência ao “candidato do Lula, 24%.
Variar um, dois, três por cento – se os números são altos – é totalmente possível. Não foi essa a explicação que deram para finalmente reconhecerem que margem de erro não é um valor absoluto?
Mas como explicar uma variação destas na resposta espontânea em favor de Lula, que dobra? Ou da soma dos campos políticos, que varia quase 50% (24% Datafolha x 34% Ibope)?
Num país sério, a Justiça Eleitoral estaria auditando estas pesquisas. Mas não, os resultados saem uma semana depois, e uma semana depois você não pega nem tartaruga manca.
Não sei se este seria o motivo da impugnação da pesquisa do IBOPE, mas, infelizmente, fica a constatação de que até pesquisa eleitoral sofre da pecha de desonestidade neste país.
Atualização às 11h40 - A impugnação foi impetrada pelo PRTB por não ter, a pesquisa, incluído o candidato do partido, o Sr. Levy Fidelix, e foi indeferida pelo ministro auxiliar Aldir Passarinho Júnior.(Clique aqui para ir ao push do TSE - prot. 5429-2010)
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Ciro Gomes admite "desafio" de disputar governo de SP
Da Reuters
Brasília - O deputado Ciro Gomes (PSB) afirmou nesta quarta-feira (24), pela primeira vez de forma enfática, que poderá concorrer ao governo de São Paulo, apesar de manter sua disposição de disputar a Presidência da República.
"De repente, o projeto nacional que o presidente Lula representa precisaria ter como uma engrenagem modesta que eu aceitasse esse desafio (disputar São Paulo). Nesse caso, a serviço do Brasil, a serviço dessa fração de São Paulo eu não titubearia em ir", afirmou Ciro a jornalistas.
Ele ponderou, no enquanto, que um cenário em que seja forçado a concorrer em São Paulo é "quase impossível" e um "exagero".
As declarações foram feitas após reunião com dirigentes de partidos da base aliada do governo convocada para discutir seu futuro político. Representantes de PT, PDT, PCdoB e do PSB paulista disseram a Ciro que uma aliança potencial de 11 legendas poderia sustentar sua eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta tirá-lo da disputa presidencial para garantir espaço à pré-candidata do PT ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Ciro mudou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo em outubro do ano passado.
Lula deseja que a eleição de outubro seja um confronto entre o PT e o PSDB do governador de São Paulo, José Serra.
Mesmo com a troca de domicílio, o parlamentar vinha se colocando apenas como pré-candidato a presidente, o que ele reiterou na semana passada no programa de televisão do PSB.
"Estou decidido. Sou candidato à Presidência da República, mas só o tempo poderá afirmar se essa minha decisão vai se materializar", destacou Ciro nesta quarta. "Neste instante, não é possível afirmar senão que eu sou candidato a presidente do Brasil."
Para Ciro, que retornou em 2010 à cena política depois de passar as férias de janeiro no exterior, o primeiro movimento no xadrez político em São Paulo não deve ser dos partidos aliados a Lula.
"Há grande dúvida se o atual governador de São Paulo (José Serra, do PSDB) será mesmo candidato à Presidência da República ou não. Entre nós, a avaliação majoritária é que ele será candidato a presidente. A minha avaliação, minoritária, é de que ele não será e haverá uma grande mudança no quadro se ele não for."
O deputado vê risco na continuidade do governo Lula, pois as pesquisas mostram que a população ainda não reconhece a ministra Dilma como a candidata do presidente e que ela pode ter dificuldades em São Paulo, no Sul e no Centro-Oeste.
"Sou muito melhor candidato que qualquer um desses aí", disparou Ciro.
"Não é por nada não e isso não diminui nenhum deles, que são grandes quadros. A Dilma é extraordinária, mas é tão extraordinária, mas não tem, por exemplo, uma história de 20 eleições que eu tenho."
Em sondagem de intenção de voto para presidente divulgada este mês pelo Instituto Sensus, Ciro registrou queda, indo de 17,5% para 11,9% no principal cenário, em que Serra e Dilma aparecem emparelhados no topo. Pesquisa Ibope que veio a público dia 18, mostra Ciro com índice próximo ao do Sensus, com 11%.
"Ele deu um sinal. Ele afirma que é candidato a presidente, mas trabalha para que, se for dentro de um projeto nacional e se o projeto nacional não correr risco, ele não descarta se candidatar ao governo de São Paulo", comentou o presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva. "Ele abriu a possibilidade", acrescentou.
Sob a condição do anonimato, um aliado de Ciro comentou que a reunião comoveu o deputado. No entanto, disse, o parlamentar ainda teria dúvidas sobre as chances reais de o eleitorado paulista despejar votos em sua chapa.
Os partidos aliados marcaram mais duas reuniões com o parlamentar. A primeira ocorrerá na primeira quinzena de março, em São Paulo. A outra, em Brasília, está agendada para a primeira semana de abril. Ciro deve ter uma conversa, considerada definitiva, com o presidente Lula em meados de março.
O deputado recomendou que seus interlocutores coloquem "gelo nas veias" e tenham "paciência".
"Essa ansiedade é legítima, até porque o PT é um partido que tem condição de lançar um candidato e vencer as eleições sozinho (em SP)."
Brasília - O deputado Ciro Gomes (PSB) afirmou nesta quarta-feira (24), pela primeira vez de forma enfática, que poderá concorrer ao governo de São Paulo, apesar de manter sua disposição de disputar a Presidência da República.
"De repente, o projeto nacional que o presidente Lula representa precisaria ter como uma engrenagem modesta que eu aceitasse esse desafio (disputar São Paulo). Nesse caso, a serviço do Brasil, a serviço dessa fração de São Paulo eu não titubearia em ir", afirmou Ciro a jornalistas.
Ele ponderou, no enquanto, que um cenário em que seja forçado a concorrer em São Paulo é "quase impossível" e um "exagero".
As declarações foram feitas após reunião com dirigentes de partidos da base aliada do governo convocada para discutir seu futuro político. Representantes de PT, PDT, PCdoB e do PSB paulista disseram a Ciro que uma aliança potencial de 11 legendas poderia sustentar sua eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta tirá-lo da disputa presidencial para garantir espaço à pré-candidata do PT ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Ciro mudou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo em outubro do ano passado.
Lula deseja que a eleição de outubro seja um confronto entre o PT e o PSDB do governador de São Paulo, José Serra.
Mesmo com a troca de domicílio, o parlamentar vinha se colocando apenas como pré-candidato a presidente, o que ele reiterou na semana passada no programa de televisão do PSB.
"Estou decidido. Sou candidato à Presidência da República, mas só o tempo poderá afirmar se essa minha decisão vai se materializar", destacou Ciro nesta quarta. "Neste instante, não é possível afirmar senão que eu sou candidato a presidente do Brasil."
Para Ciro, que retornou em 2010 à cena política depois de passar as férias de janeiro no exterior, o primeiro movimento no xadrez político em São Paulo não deve ser dos partidos aliados a Lula.
"Há grande dúvida se o atual governador de São Paulo (José Serra, do PSDB) será mesmo candidato à Presidência da República ou não. Entre nós, a avaliação majoritária é que ele será candidato a presidente. A minha avaliação, minoritária, é de que ele não será e haverá uma grande mudança no quadro se ele não for."
O deputado vê risco na continuidade do governo Lula, pois as pesquisas mostram que a população ainda não reconhece a ministra Dilma como a candidata do presidente e que ela pode ter dificuldades em São Paulo, no Sul e no Centro-Oeste.
"Sou muito melhor candidato que qualquer um desses aí", disparou Ciro.
"Não é por nada não e isso não diminui nenhum deles, que são grandes quadros. A Dilma é extraordinária, mas é tão extraordinária, mas não tem, por exemplo, uma história de 20 eleições que eu tenho."
Em sondagem de intenção de voto para presidente divulgada este mês pelo Instituto Sensus, Ciro registrou queda, indo de 17,5% para 11,9% no principal cenário, em que Serra e Dilma aparecem emparelhados no topo. Pesquisa Ibope que veio a público dia 18, mostra Ciro com índice próximo ao do Sensus, com 11%.
Aliados comemoram
Mesmo que discretamente, os representantes dos partidos que conversaram nesta quarta com o deputado comemoraram o resultado da reunião."Ele deu um sinal. Ele afirma que é candidato a presidente, mas trabalha para que, se for dentro de um projeto nacional e se o projeto nacional não correr risco, ele não descarta se candidatar ao governo de São Paulo", comentou o presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva. "Ele abriu a possibilidade", acrescentou.
Sob a condição do anonimato, um aliado de Ciro comentou que a reunião comoveu o deputado. No entanto, disse, o parlamentar ainda teria dúvidas sobre as chances reais de o eleitorado paulista despejar votos em sua chapa.
Os partidos aliados marcaram mais duas reuniões com o parlamentar. A primeira ocorrerá na primeira quinzena de março, em São Paulo. A outra, em Brasília, está agendada para a primeira semana de abril. Ciro deve ter uma conversa, considerada definitiva, com o presidente Lula em meados de março.
O deputado recomendou que seus interlocutores coloquem "gelo nas veias" e tenham "paciência".
"Essa ansiedade é legítima, até porque o PT é um partido que tem condição de lançar um candidato e vencer as eleições sozinho (em SP)."
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
IBOPE: Dilma diminui vantagem de Serra nas intenções de voto
Do Portal UOL
São Paulo, 17 fev (EFE).- A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possível candidata do PT para as eleições presidenciais de outubro, diminuiu ainda mais a vantagem do governador paulista José Serra, do PSDB, revelou hoje uma pesquisa de intenções de voto.
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) em uma pesquisa encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, indicou que Dilma passou de 17% a 25%, enquanto Serra caiu de 38% para 36%. A variação deixa o governador "tecnicamente estável" segundo a margem de erro.
Na terceira posição apareceu o deputado cearense Ciro Gomes, do PSB, com 11% das intenções, seguido da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, do PV, com 8%.
Ciro Gomes perdeu dois pontos percentuais, enquanto Marina Silva aumentou dois pontos em relação à pesquisa anterior realizada em dezembro.
Pela margem de erro, de dois pontos percentuais da enquete, Ciro Gomes e Marina Silva ficaram na mesma posição.
A percentagem de votos brancos foi de 11% e o de eleitores ainda indecisos foi de 9%.
Na simulação de um eventual segundo turno, Serra aparece com o 47% das intenções de voto, enquanto Dilma, favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 33%.
A pesquisa foi realizada nos dias 6 e 7 de fevereiro com 2.002 eleitores em 144 municípios de todo o país e um nível de confiança de 95%.
Prevê-se que o PT eleja Dilma Rousseff como sua candidata à Presidência, em um ato previsto para o próximo sábado, no quarto congresso do partido, que começa amanhã.
São Paulo, 17 fev (EFE).- A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possível candidata do PT para as eleições presidenciais de outubro, diminuiu ainda mais a vantagem do governador paulista José Serra, do PSDB, revelou hoje uma pesquisa de intenções de voto.
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) em uma pesquisa encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, indicou que Dilma passou de 17% a 25%, enquanto Serra caiu de 38% para 36%. A variação deixa o governador "tecnicamente estável" segundo a margem de erro.
Na terceira posição apareceu o deputado cearense Ciro Gomes, do PSB, com 11% das intenções, seguido da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, do PV, com 8%.
Ciro Gomes perdeu dois pontos percentuais, enquanto Marina Silva aumentou dois pontos em relação à pesquisa anterior realizada em dezembro.
Pela margem de erro, de dois pontos percentuais da enquete, Ciro Gomes e Marina Silva ficaram na mesma posição.
A percentagem de votos brancos foi de 11% e o de eleitores ainda indecisos foi de 9%.
Na simulação de um eventual segundo turno, Serra aparece com o 47% das intenções de voto, enquanto Dilma, favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 33%.
A pesquisa foi realizada nos dias 6 e 7 de fevereiro com 2.002 eleitores em 144 municípios de todo o país e um nível de confiança de 95%.
Prevê-se que o PT eleja Dilma Rousseff como sua candidata à Presidência, em um ato previsto para o próximo sábado, no quarto congresso do partido, que começa amanhã.
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