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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ciro Gomes admite "desafio" de disputar governo de SP

Da Reuters

Brasília - O deputado Ciro Gomes (PSB) afirmou nesta quarta-feira (24), pela primeira vez de forma enfática, que poderá concorrer ao governo de São Paulo, apesar de manter sua disposição de disputar a Presidência da República.
"De repente, o projeto nacional que o presidente Lula representa precisaria ter como uma engrenagem modesta que eu aceitasse esse desafio (disputar São Paulo). Nesse caso, a serviço do Brasil, a serviço dessa fração de São Paulo eu não titubearia em ir", afirmou Ciro a jornalistas.
Ele ponderou, no enquanto, que um cenário em que seja forçado a concorrer em São Paulo é "quase impossível" e um "exagero".
As declarações foram feitas após reunião com dirigentes de partidos da base aliada do governo convocada para discutir seu futuro político. Representantes de PT, PDT, PCdoB e do PSB paulista disseram a Ciro que uma aliança potencial de 11 legendas poderia sustentar sua eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta tirá-lo da disputa presidencial para garantir espaço à pré-candidata do PT ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Ciro mudou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo em outubro do ano passado.
Lula deseja que a eleição de outubro seja um confronto entre o PT e o PSDB do governador de São Paulo, José Serra.
Mesmo com a troca de domicílio, o parlamentar vinha se colocando apenas como pré-candidato a presidente, o que ele reiterou na semana passada no programa de televisão do PSB.
"Estou decidido. Sou candidato à Presidência da República, mas só o tempo poderá afirmar se essa minha decisão vai se materializar", destacou Ciro nesta quarta. "Neste instante, não é possível afirmar senão que eu sou candidato a presidente do Brasil."
Para Ciro, que retornou em 2010 à cena política depois de passar as férias de janeiro no exterior, o primeiro movimento no xadrez político em São Paulo não deve ser dos partidos aliados a Lula.
"Há grande dúvida se o atual governador de São Paulo (José Serra, do PSDB) será mesmo candidato à Presidência da República ou não. Entre nós, a avaliação majoritária é que ele será candidato a presidente. A minha avaliação, minoritária, é de que ele não será e haverá uma grande mudança no quadro se ele não for."
O deputado vê risco na continuidade do governo Lula, pois as pesquisas mostram que a população ainda não reconhece a ministra Dilma como a candidata do presidente e que ela pode ter dificuldades em São Paulo, no Sul e no Centro-Oeste.
"Sou muito melhor candidato que qualquer um desses aí", disparou Ciro.
"Não é por nada não e isso não diminui nenhum deles, que são grandes quadros. A Dilma é extraordinária, mas é tão extraordinária, mas não tem, por exemplo, uma história de 20 eleições que eu tenho."
Em sondagem de intenção de voto para presidente divulgada este mês pelo Instituto Sensus, Ciro registrou queda, indo de 17,5% para 11,9% no principal cenário, em que Serra e Dilma aparecem emparelhados no topo. Pesquisa Ibope que veio a público dia 18, mostra Ciro com índice próximo ao do Sensus, com 11%.

Aliados comemoram

Mesmo que discretamente, os representantes dos partidos que conversaram nesta quarta com o deputado comemoraram o resultado da reunião.
"Ele deu um sinal. Ele afirma que é candidato a presidente, mas trabalha para que, se for dentro de um projeto nacional e se o projeto nacional não correr risco, ele não descarta se candidatar ao governo de São Paulo", comentou o presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva. "Ele abriu a possibilidade", acrescentou.
Sob a condição do anonimato, um aliado de Ciro comentou que a reunião comoveu o deputado. No entanto, disse, o parlamentar ainda teria dúvidas sobre as chances reais de o eleitorado paulista despejar votos em sua chapa.
Os partidos aliados marcaram mais duas reuniões com o parlamentar. A primeira ocorrerá na primeira quinzena de março, em São Paulo. A outra, em Brasília, está agendada para a primeira semana de abril. Ciro deve ter uma conversa, considerada definitiva, com o presidente Lula em meados de março.
O deputado recomendou que seus interlocutores coloquem "gelo nas veias" e tenham "paciência".
"Essa ansiedade é legítima, até porque o PT é um partido que tem condição de lançar um candidato e vencer as eleições sozinho (em SP)."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ricardo Noblat: A Sina da Formiga

Do O Globo

Era um inferno. Sempre que passava por ali, o elefante esmagava a entrada do formigueiro. Então as formigas decidiram reagir.
Um dia, aos milhares, saltaram sobre o elefante e começaram a picá-lo. Com um abanão das orelhas, o elefante livrou-se delas. Restou uma agarrada ao seu pescoço.
“Esgana o bicho, esgana”, gritavam as outras em coro.
O elefante da história está mais para Lula, aprovado por oito entre 10 brasileiros, assim como as formigas estão mais para a oposição – PSDB, PPS, DEM em fase terminal e uma fatia do PMDB.
Quem será a formiga que insiste inutilmente em esganar o elefante? Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado?
Ora, Arthur anda sumido desde que perdeu a batalha pelo afastamento de José Sarney da presidência do Senado. Há duas semanas, voou para um café da manhã com Barack Obama em Washington. Imaginava trocar idéias com ele. Havia dois mil convidados.
O Amazonas de Arthur é fortaleza do lulismo. Ele pretende se reeleger. Sabe como é...
A formiguinha suicida seria José Agripino Maia, líder do DEM no Senado?
Agripino anda muito ocupado com o escândalo que engoliu o único governador do seu partido, José Roberto Arruda, do Distrito Federal, preso numa cela da Polícia Federal, em Brasília. O escândalo ainda ameaça engolir o vice Paulo Octávio, do DEM.
E Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB?
Poupemos Guerra. O coração dele bate acelerado diante da demora do governador José Serra, de São Paulo, em se declarar candidato à vaga de Lula. E bate aflito diante do risco do próprio Guerra não se reeleger senador por Pernambuco. É uma carga dupla e bastante pesada.
De Aécio Neves, outra estrela do infausto formigueiro, diga-se que jamais aprovaria o plano de um ataque em massa ao elefante.
Se dependesse dele, o formigueiro simplesmente teria mudado de endereço para escapar de eventuais danos. Como não o levaram em conta, mergulhou terra à dentro e foi cuidar de sua vida.
Tudo deu certo para Lula desde que se elegeu presidente em 2002. Seu governo sobreviveu ao explosivo escândalo do mensalão. A economia cresceu. Milhões de brasileiros ascenderam à classe C. A maioria dos partidos se rendeu aos seus encantos. E o PT à candidata que ele sacou do bolso.
Dizem que a próxima será a primeira eleição em 21 anos onde os brasileiros estarão impedidos de votar em Lula. De fato, é verdade. Mas na prática, não.
Dilma só existe como candidata porque Lula a inventou. Nada mais direto, pois, do que o apelo que orientará sua campanha: votar em Dilma significa votar em Lula.
Caberá à oposição separar os dois – fácil, não?
A ela caberá também a difícil tarefa de vender Serra como o melhor candidato pós-Lula. Melhor até mesmo do que Dilma, a quem Lula escolheu. E logo quem?
E logo Serra que concorreu contra Lula em 2002. Se Serra tivesse vencido não haveria Lula presidente por duas vezes. Oh, céus!
O ex-metalúrgico que chegou ao lugar antes privativo dos verdadeiros donos do poder deixou de pertencer à categoria dos homens comuns – embora daí extraia sua força.
Foi promovido nos últimos oito anos à condição de mito. E como tal deverá ser encarado pelas futuras gerações. É improvável que alguém como ele reprise sua trajetória.
A oposição se propõe a derrotar um mito. E tentará fazê-lo sem reunir sua força máxima.
Serra está pronto para conversar com Aécio sobre a vaga de vice em sua chapa. Quanto a isso, há duas coisas mais ou menos certas. Serra oferecerá a vaga a Aécio. E Aécio a recusará.
Descarte-se a hipótese de Serra sugerir: “Bem, nesse caso, você sai para presidente com meu apoio e eu irei disputar um novo mandato de governador”.
Aécio tem a resposta na ponta da língua: “Agora, é tarde. Quis ser candidato. Sugeri a realização de prévias dentro do partido. Não fui ouvido. Serei candidato ao Senado”.
E aí, José?
Aí José só vencerá a eleição se Dilma conseguir perder para ela mesma.
Possível, é, embora...

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/02/22/sina-de-formiga-268279.asp

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Em discurso de pré-candidata, Dilma minimiza críticas ao “inchaço da máquina”

Da Agência Brasil

Brasília – Visivelmente emocionada, trajando uma roupa vermelha, a cor do PT, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, assumiu neste sábado (20) o posto de pré-candidata à Presidência da República, tarefa que chamou de “honrosa”.

“Recebo com humildade essa tarefa que vocês estão me conferindo, mas com coragem e determinação. Jamais pensei que a vida me reservaria tal desafio”, disse a ministra.
E com firmeza, Dilma procurou passar uma mensagem de confiança, lembrando que o equilíbrio macroeconômico e a redução da vulnerabilidade externa foram marcas da política econômica do governo Lula. A pré-candidata, por outro lado, minimizou as críticas ao “inchaço da máquina estatal”.

“Alguns falam todos os dias do inchaço da máquina estatal. Nós vamos continuar valorizando o servidor público. Vamos continuar reaparelhando o Estado, recompondo sua capacidade de planejamento.”
Além disso, a ministra atribuiu à resistência dos brasileiros a interrupção do processo de privatização levado a cabo nos anos 90. “Aqui no Brasil o desastre só não foi maior como em outros países porque os brasileiros resistiram e conseguiram impedir a privatização parcial ou integral da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica.”

Dilma lembrou ainda os anos da ditadura militar, em que atuou na luta armada, e ressaltou que o governo Lula promoveu o fortalecimento da democracia. “Com serena convicção digo que nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão”, afirmou.