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sexta-feira, 5 de março de 2010

Com Serra presente, milhares gritam em MG: Aécio presidente!

Do Terra Magazine
Por Bob Fernandes

Às 11h55, no primeiro ato inauguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, de Minas Gerais, presentes o governador José Serra e a cúpula do PSDB. Milhares de convidados atropelam o ritual tucano e gritam:

- Aécio presidente! Aécio presidente!.

Na sequência do coro, o badalar de sinos anuncia o início da cerimônia. A festa, numa manhã de chuva fina, se dá sob o vão livre projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Às 11h, ainda não havia começado. De três a seis mil presentes, segundo as estimativas variáveis de sempre. Em sucessivas camadas, os convidados, de acordo com a importância política e social. Nas primeiras filas, os poderes. Lá no fundo os operários da Cidade e o botons com a inscrição na camisa: "Eu construí".

No corredor, entre as duas fileiras de convidados com direito à proximidade do palco, manifestações. O prefeito de Duque de Caxias, Zito (PSDB-RJ), diz sobre Serra:

-Encontramos com ele, íamos almoçar e nada. O cara é gelado. Imagine quando era ministro.

Às 11h25, a profusão de telefonemas ligados embanana as linhas ligeira pane dos telefones.

Às 11h34, o cerimonial pede que se esvazie o corredor entre as duas filas de cadeiras, onde se sentam cerca de 500 convidados "vips". Vem a suplica: -Por favor, esvaziem o corredor, que o governador está vindo com o cortejo.

No palco, ao fundo, um telão eletrônico com a bandeira de Minas. Entre a platéia ecumênica, o vice-presidente José Alencar, o presidente do STF Gilmar Mendes, os senadores Eduardo Azeredo, Álvaro Dias, Tasso Jereissati, Pedro Simon, Wellington Salgado (vulgo Cabelo), os governadores Luiz Henrique, Teotônio Vilela Filho e Yeda Crusius, os deputados Michel Temer, José Anibal, Ronaldo Caiado, Rodrigo Maia, Henrique Alves e ACM Neto, grandes empresários, os ex-ministros Francelino Pereira (DEM) e Ibrahim Abi-Akel.

Os tucanos Aloysio Nunes Ferreira, vice-governador de São Paulo, e Geraldo Alckmin chegam juntos. Antonio Anastasia, o vice-governador mineiro e candidato de Aécio a sucede-lo, é recebido com uma explosão de palmas. O avanço desenfreado para abraços e apertos de mão dá mostras de seu prestígio na Cidade que ajudou a pensar e construir. De costas para Aloysio Nunes, o presidenciável Ciro Gomes troca figurinha com José Alencar.

O centro administrativo do governo mineiro foi projetado por Niemeyer. Até fim de outubro, mais de 16 mil servidores públicos atualmente distribuídos em 53 endereços de Belo Horizonte serão transferidos para a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves (veja aqui os detalhes).

A atriz Christiane Torloni, depois de rogar pela desocupação do corredor central, apresenta a cerimônia. Às 12h20, à capela, Fafá de Belém canta o Hino Nacional.

12h27. O governador Aécio Neves cumprimenta operários, põe um capacete e volta a ser saudado por novo coro de:

-Aécio presidente!. Aécio presidente!

Telão ao fundo mostra imagens do avô, Tancredo, nas campanhas pela eleição Diretas e na indireta, em 1984. No palco, Milton Nascimento entoa o hino daqueles tempos, "Coração de Estudante".

Extraordinários
Depois de saudar os "anônimos e anônimas como os verdadeiros donos da festa", senadores e deputados e governadores, Aécio Neves derrama-se em adjetivos para acarinhar José Alencar e Itamar Franco. De Serra, diz: -O governador de São Paulo José Serra, grande companheiro desta e de outras lutas.

Em seguida, saca adjetivos para "o amigo, companheiro extraordinário, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral". Do mesmo alforje de adjetivos tira um "extraodinário exemplo" para Ciro Gomes.

Aécio Neves usa "extraordinário" também para qualificar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), com quem fez parceria em 2008 e, em sociedade com o Partido dos Trabalhadores, elegeu Márcio Lacerda (PSB). Pimentel é pré-candidato ao governo mineiro.

A festa chega ao fim. Sob aplausos, Aécio Neves conclui: - Minas é minha casa, minha causa, meu chão, minha pátria

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nassif: O Jogo para conquistar Aécio


Do blog do Nassif

O jogo para colocar o Aécio Neves de vice de José Serra já transbordou para o ridículo. A última é que Aécio analisará as pesquisas em abril. Se Serra tiver decolado, ele aceitará a vice.

Ora, se Serra tiver decolado, Aécio será jogado ao mar. A pressão para que se candidate agora é para salvar uma candidatura ameaçada. E, se Serra naufragar, no dia 15 de novembro o PSDB cairá no colo de Aécio, colocando fim à fase FHC-Serra.

É esse o jogo por trás dessa movimentação toda para cooptar Aécio, na qual todas as armas estão sendo empregadas, desde as suposições fantasiosas do Estadão até o uso reiterado, por Serra, dos mesmíssimos blogueiros barras-pesadas para ataques contra o adversário-aliado.
Aliás, Serra não se emenda. O uso desses assassinos de reputação já lhe custou desgaste interno no próprio PSDB, pelas baixarias perpetradas contra Geraldo Alckmin, contra o Gabriel Chalitta e contra o próprio Aécio.

Do Estadão

Aécio espera pesquisas de abril para definir se aceita ser vice de Serra
Se avaliar que paulista sustenta dianteira, é provável que abrace a causa; do contrário, investirá na eleição mineira

Ana Paula Scinocca e Julia Duailibi

Cotado para ser vice na chapa do PSDB que disputará a Presidência, o governador mineiro, Aécio Neves, tomará uma decisão entre a abril e maio deste ano e, até essa data, pretende ponderar o desempenho de José Serra nas pesquisas de intenção de voto, dizem aliados. Se avaliar que o paulista sustenta a dianteira, é provável que abrace a causa. Do contrário, se dedicará à eleição em Minas.

Aécio diz que não está nos seus planos compor a vice. A cautela, no entanto, baseia-se no temor de que o favoritismo de Serra seja recall das eleições passadas e a tendência do governador seria perder espaço para os demais candidatos. Para os aliados de Aécio, ele não pretende entrar num projeto que, além de não ser seu, tem chances de derrota.

A cúpula do PSDB está convencida de que a chapa puro-sangue é a forma de vencer a candidatura governista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Ter um bom desempenho em Minas, dizem os caciques, seria a única forma de compensar a provável derrota no Nordeste. “Serra será candidato em qualquer circunstância, mas sabe que com Aécio a vitória fica mais próxima”, afirmou um líder do partido.

Mas, enquanto Aécio caminha cautelosamente e pondera as chances de vitória do projeto tucano, os caciques do PSDB avaliam que a união entre os governadores seria o ingrediente que falta para abrir uma dianteira maior entre Serra e Dilma. Parte do PSDB sustenta a avaliação de que a consolidação do nome da ministra junto ao eleitorado, o ambiente econômico e a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são fatores suficientes para Aécio decidir a favor da composição.

O governador de Minas vem repetindo publicamente de forma sistemática que pretende disputar o Senado e se dedicar à eleição de seu vice, Antonio Anastasia, no Estado. “No Nordeste a vantagem do PT é esmagadora, seja com qualquer candidato. Mas em uma chapa Serra-Aécio levaríamos vantagem nos maiores colégios eleitorais do País de maneira a equilibrar e até ficarmos com vantagem”, observou um importante líder dos tucanos. São Paulo e Minas são os dois maiores colégios eleitorais no País. No terceiro, o Estado do Rio, os tucanos acreditam também ter vantagem em relação ao PT, se tiverem na disputa “a dupla do Sudeste”.

“Há um compromisso no PSDB, inclusive do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de não tratar disso agora”, afirmou ontem o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), na tentativa de pôr um fim na discussão.

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