Mostrando postagens com marcador nordeste. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nordeste. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Energia Eólica e o Parque Industrial Nordestino

Do Valor Econômico
Via blog do Alê

Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.
Valor Econômico - Dono dos melhores ventos do país, o Nordeste respondeu por quase 90% dos projetos eólicos contratados no leilão anterior, realizado em dezembro. Dos projetos inscritos para o próximo leilão, a região voltou a predominar, com 78% do total. Na avaliação de especialistas, a proximidade entre o parque eólico e os centros de fabricação de equipamentos são um diferencial competitivo importante.

Isso porque as torres que sustentam os geradores de energia, por exemplo, podem chegar a 115 metros de altura e 100 toneladas, o que torna bastante complexa a logística nos casos em que as fábricas ficam distantes dos parques de geração.

Diante disso, muitas empresas estão se movimentando no sentido de fincar os pés no Nordeste. Se considerada a expectativa de que 3 mil megawatts (MW) sejam contratados em agosto, a região poderá receber investimentos de até R$ 11 bilhões somente com o próximo leilão. Somando os projetos contratados no Nordeste no ano passado, o valor passa a quase R$ 20 bilhões.

Apesar de os melhores ventos soprarem no Ceará e no Rio Grande do Norte, a maioria dos investimentos têm sido direcionados para Pernambuco, onde o governo trabalha para desenvolver um parque eólico no Complexo Portuário de Suape, a 60 quilômetros do Recife.

O local abriga hoje uma fábrica de aerogeradores e outra de torres eólicas, e deve receber em breve duas novas fabricantes de pás. No caso dos aerogeradores, a argentina Impsa investiu R$ 145 milhões em uma unidade com capacidade de 300 equipamentos por ano. Já a espanhola Gonvarri aplicou quase R$ 120 milhões para a produção anual de 1 mil torres.

Atualmente, o governo pernambucano acerta os últimos detalhes para anunciar a chegada da Aelis e da Tecsis, duas fabricantes de pás que devem investir algo próximo a R$ 100 milhões cada uma. Também está prestes a desembarcar, em Pernambuco, a sul-coreana Win&P, fabricante de torres. "A chegada das indústrias de pás será sensacional para o Estado, pois completará a cadeia produtiva, que é formada basicamente por torre, pá e aerogerador", avalia Pedro Cavalcanti, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica).

Cavalcanti conta que a preferência dos fabricantes por Pernambuco é explicada pelo desenvolvimento da infraestrutura ao redor do Porto de Suape. "O Estado não tem um belíssimo potencial eólico, mas conta com boa oferta de engenharia e de serviços, além de uma excelente localização geográfica", avalia.

Ainda assim, outros Estados da região também estão recebendo investimentos. A fabricante alemã de aerogeradores Führlander já se comprometeu a investir R$ 40 milhões em uma unidade no Complexo Portuário do Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza. Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.

Na Bahia, a Alston pretende inaugurar no ano que vem uma fábrica de aerogeradores no município de Camaçari, num investimento de R$ 50 milhões. Há ainda planos bastante avançados da dinamarquesa Vestas, também fabricante de aerogeradores. A empresa ainda avalia o local da fábrica, porém o Nordeste é "franco favorito", segundo afirmou um executivo que pediu para não ser identificado.

Além da proximidade com a maioria dos parques eólicos brasileiros, explica ele, a instalação das fábricas no Nordeste também torna mais eficiente a exportação dos equipamentos para a Europa.

Além da energia eólica, o Nordeste também pretende atrair outras empresas ligadas ao segmento de energia limpa. Está em negociações avançadas a construção, em Pernambuco, de uma fábrica de painéis solares da empresa suíça Oerlikon. A região também deverá receber duas das quatro novas usinas nucleares que o governo pretende construir no país.

De acordo com fontes do governo pernambucano, a Oerlikon está em fase final de análise da demanda potencial por seus painéis. A avaliação é de que a garantia de um mercado consumidor de 50 MW a 100 MW de energia solar já torna viável a abertura da fábrica. Quanto às usinas nucleares, ainda em fase de análises pelo governo, a região do Vale do São Francisco teria sido uma das que mais agradou à Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras no segmento.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

As Propostas Econômicas de José Serra

Imaginem se Lula, na época em que era candidato, assumisse que iria "rever contratos" logo que fosse eleito. Seria um Deus nos acuda, não? Quando é o contrário, talvez um espaço aberto para futuras terceirizações ou privatizações, a conversa muda de rumo. Não se vê um piu da mídia engajada. Rever contratos é salutar, desde que se reveja para melhor. É bom ressaltar que foi com a revisão de contratos que o ex-Ministro da Saúde, Humberto Costa, descobriu o escândalo dos Vampiros, sendo responsabilizado pela mídia e depois inocentado na Justiça. E a questão do Mercosul, dando-se prioridade ao comércio com os países do eixo EUA-Europa, será que teríamos surfado nas ondas caudalosas da crise do subprime? Será que daí sairia o tão sonhado acordo com a ALCA que parte das elites deste país almejam? E outra, acreditar que o BNDES só deu prioridade a fusões é achar que somos todos alienados, haja vista os valores disponíveis para quem tivesse projeto e responsabilidade na condução das políticas públicas, bem como a quantidade de linhas de crédito que foram abertas para todos os setores produtivos. Não fosse assim não se teria aberto doze milhões de vagas pelo atual governo. Aliás, governo que, ao invés de ir comprar plataformas em Cingapura, resolveu reativar a indústria naval brasileira e construir aqui mesmo, com tecnologia nossa e por brasileiros, estimulando, inclusive, o desenvolvimento em regiões outrora desprovidas de qualquer política governamental neste sentido, como o Nordeste. Será que o Estado realmente está muito grande, ou foi uma necessidade? Por fim, contra a Belo Monte? Mas pra quem foi de um governo que permitiu que ocorresse um apagão das dimensões que ocorreu, tem que pensar muito para falar em política energética. Olha, acredito que a alternância no poder é algo bom, desde que não haja rompimentos profundos, criando-se uma rotina do tipo "um faz e outro desmancha". O atual governo criou ativos de Estado, que podem até ser modificados, mas como política de ordem pública, permanecerão, como no caso do bolsa família. É importante que o eleitor esteja atento para estes aspectos e faça uma boa reflexão na hora de votar.

Valor Econômico – 20/04/2010
César Felício, de Belo Horizonte


O Mercosul é uma barreira ao Brasil, o BNDES deveria dar prioridade a novos investimentos – deixando o fomento a fusões para épocas de crise – e todos os contratos da União estão sujeitos a revisão. O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, fez ontem na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) seu mais claro discurso sobre as mudanças que pretende adotar se for eleito. E ainda deu pistas de que terá o atual secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, na equipe. ” Muitos não acreditam, mas ele tem enorme sensibilidade social ” , disse.

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo José Serra, afirmou ontem a empresários reunidos na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) que, caso seja eleito, poderá promover uma revisão de todos contratos de empresas privadas com a União, nos moldes da que fez ao assumir o governo de São Paulo de 2007.

” Em São Paulo assumimos uma administração que já estava enxuta, mas renegociamos os contratos, reduzimos os valores e não diminuímos de forma alguma o funcionamento governamental ” , afirmou o tucano, referindo-se ao pacote de medidas que adotou no primeiro dia de seu governo estadual.

A renegociação de 2007, que envolveu contratos assinados pelo antecessor Geraldo Alckmin, também tucano, se deu em termos suaves, ao contrário da renegociação feita pelo tucano ao assumir a Prefeitura de São Paulo em 2005, sucedendo a petista Marta Suplicy. Na ocasião, o governo tucano acusou os antecessores de terem contratado despesas sem o empenho orçamentário correspondente e escalonou os pagamentos a fornecedores e prestadores de serviço. De acordo com Serra, a renegociação dos contratos virá junto com ” o corte das gorduras dos quadros comissionados ” , com o objetivo de diminuir o que chamou de ” rigidez fiscal ” .

Serra foi o segundo presidenciável a expor ideias de seu futuro programa de governo ao empresariado mineiro. A primeira foi Dilma Rousseff (PT) em 7 de abril. O tucano prometeu uma completa reformulação da estratégia comercial brasileira e chamou atenção para a reversão de expectativas em relação à balança comercial. No primeiro trimestre deste ano, o superávit ficou em US$ 895 milhões, ou 70% a menos que no mesmo período do ano passado.

” Em relação à questão externa, nós temos reservas, mas os investidores olham para o estoque e o fluxo. Nós temos que nos antecipar aos acontecimentos ” , afirmou o tucano, propondo como saída para fomentar as exportações o fim do Mercosul da forma como opera hoje. Serra não disse qual seria em seu governo o destino do bloco após a completa reformulação que proporia. Mas afirmou que ” o Mercosul é uma barreira para o Brasil fazer acordos comerciais ” . Serra relembrou que, quando ministro da Saúde, não pode celebrar um acordo comercial entre Brasil e Índia porque teriam que ser estabelecidas compensações para Argentina, Uruguai e Paraguai. ” Ficar carregando esse Mercosul não faz sentido ” , comentou o tucano. Para Serra, ” a união aduaneira é uma farsa, exceto quando serve para atrapalhar".

O tucano propôs ainda o redirecionamento dos financiamentos do BNDES para a atração de novos investimentos. ” O BNDES teve uma boa atuação durante a crise econômica global, mas em situação normal não se justifica desembolsar bilhões para fomentar fusões. A prioridade deve ser para a formação de capital novo ” , afirmou o tucano, já nas suas considerações finais. Serra ainda prometeu um ” fast track ” ambiental, para licenciar investimentos de infraestrutura. ” A questão básica não é encontrar soluções, é a rapidez com que se faz isso ” disse.

Ele criticou, contudo, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujo leilão pode ocorrer hoje. ” Neste processo, houve tanta complicação ambiental e tanta falta de transparência que a gente sabe que vai haver problema ” , disse. Ao contrário do que Dilma fez há duas semanas, Serra procurou também dar uma coloração regional ao seu rol de propostas. Afirmou que é favorável a uma mudança constitucional para que os royalties sejam inteiramente destinados a investimentos em infraestrutura. E afirmou ser favorável à revisão dos valores pagos por mineradoras. ” O que Minas leva é uma ninharia É o mesmo caso do Pará ” , afirmou.
Serra deu pistas ainda sobre o que seria a sua equipe. Ele sinalizou que o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Machado Costa, que foi também presidente da Funasa durante o governo Fernando Henrique Cardoso e presidente da estatal de saneamento Copasa durante o primeiro mandato do mineiro Aécio Neves, sempre por indicação sua, participaria de uma gestão federal sob seu comando. ” Muitos não acreditam, mas ele tem enorme sensibilidade social ” , afirmou.

Da mesma forma como aconteceu em relação a Dilma, a elite do empresariado mineiro compareceu ao encontro. A lista dos presentes teve ligeiras variações entre o 7 de abril com a petista e o 19 de abril com o tucano. Presente no primeiro encontro, o presidente da Fiat e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, desta vez não foi visto na palestra. Mas o empreiteiro Murillo Mendes, do grupo Mendes Júnior, compareceu, ao contrário do ocorrido no evento da petista. Também estavam ontem, entre outros, Wilson Brumer (Usiminas), José Nogueira (DMA Supermercados), e Aguinaldo Diniz (Cedro Têxtil).

Futuro presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o presidente da Fiemg, Robson Braga de Andrade, apresentou uma pauta completa de reivindicações da indústria nacional. Pediu incentivos para a agregação de valor às exportações de commodities, desoneração de investimentos e a retirada de pauta de temas como o da redução da jornada de trabalho.

Pediu, explicitamente, a redução da atuação do Estado: ” Vamos ter uma política mais liberal ou mais nacionalista? Hoje as empresas brasileiras são valorizadas, o que é bom, mas por outro lado é muito grande a dependência do governo federal. O governo federal emite 40 milhões de pagamentos, entre contracheques, benefícios sociais, pensões e aposentadorias. ”

Ao apresentar Dilma, duas semanas atrás, Andrade foi sucinto. Limitou-se a lembrar que aquela era a primeira federação empresarial a ser visitada pela petista e que ela já havia estado na Fiemg em duas outras ocasiões como ministra de Estado.

sábado, 27 de março de 2010

Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste

Do Ùltimo Segundo

Abastecimento de água no Sertão, energia limpa e fábricas mais produtivas que as chinesas geram bons empregos e revertem migraçao

Alexa Salomão e Gustavo Poloni, enviados do iG ao Nordeste | 25/03/2010 06:28

No começo de abril, 60 operários darão início a uma obra num terreno de 220 hectares em Tauá, município de 17 mil habitantes localizado no sertão cearense. O trabalho promete ser duro. Distante 340 quilômetros do mar, Tauá ganhou fama por ser o lugar com a maior incidência de sol entre os 184 municípios do estado. Por causa dessa peculiaridade, em pouco tempo a cidade será conhecida também por abrigar a maior fazenda de energia solar da América do Sul, a segunda maior do mundo. A produção começa até o final do ano, mas a princípio será modesta: apenas 1 megawatt, suficiente para abastecer duas mil pessoas. Até 2013, esse número deverá chegar a 50 MW, gerando energia capaz de iluminar uma cidade de 100 mil habitantes. Idealizada pela MPX, do grupo EBX, do empresário Eike Batista, o projeto piloto da fazenda vai atrair investimentos de US$ 250 milhões para a região. Mais importante, vai ajudar a consolidar o Ceará como a capital nacional da energia limpa e referência internacional em crescimento econômico sustentável.

A fazenda Bons Ventos, em Aracati: 75 torres usam a força dos ventos para produzir 150 MW num dos cartões postais do Estado do Ceará
Essa é a nova face do desenvolvimento nordestino. Indicadores macroeconômicos mostram nos últimos anos que a região tornou-se um dos mais dinâmicos pólos de investimentos e de consumo do País, movido principalmente pelo aumento da renda. Segundo o IBGE, o rendimento médio do nordestino aumentou 77% entre 2003 e 2008, enquanto o aumento médio da renda no Brasil foi de 60% no período. As pesquisas e seus números, no entanto, não captam que as transformações locais vão muito além do clichê divulgado no Sudeste que fala do aumento nas vendas de potes de margarina e de iogurte e da ridícula caricatura da troca do jegue pela moto como veículo de transporte. A emergente economia nordestina é marcada pela criatividade, pela inovação e pela geração de novas tecnologias. Ao contrário do senso comum, que acredita ser o dinamismo monopólio do Sul, ilhas de excelência pipocam na região e colocam a economia local em linha com o que há de mais moderno no mundo e, em alguns casos, à frente do resto do Brasil. O parque de energia solar que brota sob o sol escaldante do sertão cearense é apenas um dos sinais de que Nordeste não apenas cresce, moderniza-se.

A equipe de reportagem do iG percorreu 1.500 quilômetros de estradas e nove cidades para ver de perto o que está ocorrendo no Nordeste. Ao longo das próximas semanas, apresenta uma série de reportagens que mostra as particularidades do crescimento econômico nordestino. Será uma viagem marcada por contrastes inesperados. Enquanto o resto do Brasil investe em térmicas movidas a óleo diesel, fonte poluidora de energia, a região semi-árida, pouco apropriada para hidrelétricas, firma-se como produtor de energias limpas graças ao aproveitamento não apenas do sol, ma também das marés e principalmente dos ventos. Parques de energia eólica desenham uma nova paisagem em praias do Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. A expansão acelerada das fazendas de ventos estimula a criação de uma nova indústria de fornecedores de equipamentos, como a Tecnomaq, empresa 100% cearense. A produção de torres tornou-se um segmento tão pujante que a estimativa é que neste ano o setor ultrapasse a indústria automotiva e torne-se o maior consumidor de chapas de aço do país. "O Nordeste passa por um novo ciclo de desenvolvimento”, diz Luiz Eduardo Aquilar, presidente da Bons Ventos, hoje o maior parque eólico do país, localizado em Aracati, no Ceará. “A região deixou de ser apenas um local de sol e turismo e recebe investimentos que vão diminuir a desigualdade com o Sul e o Sudeste.”

O desenvolvimento com preocupação ambiental, baseado em novas tecnologias, desponta em vários outros segmentos. A fábrica de calçados mais produtiva e ecologicamente correta do País não está no Rio Grande do Sul, o maior pólo calçadista brasileiro. Fica em Sobral, no Ceará. Lá a Grendene, fabricante com sede em Farroupilha, na serra gaúcha, instalou uma fábrica cujos índices de produção superam os dos fabricantes chineses, considerados os mais ágeis do mundo. “A fábrica de Sobral é mais uma prova de que os tempos de atraso do Nordeste ficaram para trás”, afirma Nelson José Rossi, gerente-geral da fábrica da Grendene. O mais importante centro de desenvolvimento de softwares do País, segundo a consultoria ATKearney, não fica em São Paulo. Está no Recife, capital de Pernambuco. O Porto Digital, grupo de 135 empresas de tecnologia espalhados em 12 prédios históricos situados na área do antigo porto, tornou-se referência para empresas como a Microsoft e fonte de inspiração para universitários locais que sonham abrir seu próprio negócio. “Somos pobres e não podemos nos dar ao luxo de exportar cérebros e conhecimento”, diz Francisco Saboya, diretor presidente do Porto Digital. “Criamos uma alternativa para preservá-los”.

A 40 quilômetros da capital pernambucana, outro porto se descola da média nacional. O Porto de Suape, em Ipojuca, recebe os mais modernos empreendimentos brasileiros na área de infraestrutura. É lá _e não no polo naval do Rio de Janeiro_ que está em fase final de instalação o Atlântico Sul, o mais moderno estaleiro das Américas. Entre seus equipamentos de última geração estão dois superguindastes Golias, legítimos colossos com 100 metros de altura, o equivalente a prédios de 30 andares, e capacidade para içar 1,5 mil toneladas. Com eles o Atlântico Sul ganha não apenas força, mas velocidade para montar os navios e fazer frente aos concorrentes coreanos, hoje os fabricantes mais eficientes dessa indústria. Os quase 4 mil trabalhadores responsáveis por essa façanha serão predominantemente nordestinos porque o estaleiro optou por capacitar a mão-de-obra local. “Estamos assistindo a uma mudança de paradigma”, diz Sidnei Aires, vice-presidente do complexo industrial portuário de Suape. “Onde havia lavradores, pescadores e cortadores de cana agora temos operários com capacete e macacão: criamos um mercado de trabalho mais especializado.”
Por onde se vai na região, é nítido o movimento de valorização do profissional local. Quando comparado ao Sudeste e a Sul, o Nordeste de maneira geral ainda tem níveis de escolaridade e de qualificação profissional abaixo dos índices nacionais. Em média, o nordestino tem menos de seis anos de estudo, enquanto a média de permanência nos bancos escolares no Brasil é de sete anos. Mas gente talentosa, competente e bem formada desponta em diferentes frentes. Um dos destaques do mais recente Prêmio Finep de Inovação é o engenheiro naval maranhense José Luiz Mattos, criador de um sistema de drenagem para porões de navios petroleiros e de minérios. A participação de nordestinos no prêmio multiplicou por 10 desde o início da década e eles já somam 22% dos inscritos. “Um numero cada vez maior de empresas nordestinas incorpora o investimento em inovação ao seu dia a dia”, diz Vera Maria, coordenadora nacional do Prêmio Finep de Inovação. “Essa prática tem elevado a competitividade das empresas locais.”

Na área financeira, ganha projeção uma jovem de 26 anos filha de agricultores. Lilian Prado ajudou a criar e dirige a Acreditar, instituição de microfinanças especializa na concessão de crédito para jovens e mulheres. A sede da empresa fica em Glória do Goitá, município pernambucano com 30 mil habitantes, metade deles vivendo na zona rural. A Acreditar investe em pequenos negócios para evitar o êxodo de pequenos agricultores para os centros urbanos do Sudeste por falta de trabalho no Nordeste, antigo problema para as comunidades locais. Seu trabalho ganhou projeção nacional. O Itaú Unibanco se inspirou na história da instituição para redigir um manual de como montar uma empresa de microfinanças. “Lilian está se projetando nacionalmente como empreendedora social”, diz Denise Gibran Nogueira, gerente de sustentabilidade do Itaú Unibanco. “E, a Acreditar, inspirando a criação de outras instituições de microcrédito no Sul e no Sudeste.”

O projeto que mais bem sintetiza o frenesi gerado pela mudança em curso é a transposição do Rio São Francisco. Quase 5 mil máquinas e 10 mil operários trabalham na terraplenagem, abertura e concretagem dos canais que vão irrigar com a água do São Francisco rios intermitentes espalhados por 60 municípios. A obra, polêmica e arrojada, vai garantir água o ano inteiro para 12 milhões de nordestinos que hoje convivem com deficiências no abastecimento. Nesse batalhão de operários anônimos trabalha o topógrafo Áureo Araújo da Silva. Natural de Petrolândia, Pernambuco, ele deixou o Nordeste há 15 anos em busca de emprego e melhores condições de vida. Morou em São Paulo e no Rio de Janeiro. Há dois anos, recebeu convite para trabalhar nas obras de transposição e se mudou de volta para a cidade natal. “Fui embora porque aqui não tinha emprego, não tinha futuro”, diz Silva. “Agora a realidade é outra e sei que meu lugar é aqui.”

 http://economia.ig.com.br/grandes+obras+abrem+caminho+do+novo+nordeste/n1237558616503.html

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nassif: O Jogo para conquistar Aécio


Do blog do Nassif

O jogo para colocar o Aécio Neves de vice de José Serra já transbordou para o ridículo. A última é que Aécio analisará as pesquisas em abril. Se Serra tiver decolado, ele aceitará a vice.

Ora, se Serra tiver decolado, Aécio será jogado ao mar. A pressão para que se candidate agora é para salvar uma candidatura ameaçada. E, se Serra naufragar, no dia 15 de novembro o PSDB cairá no colo de Aécio, colocando fim à fase FHC-Serra.

É esse o jogo por trás dessa movimentação toda para cooptar Aécio, na qual todas as armas estão sendo empregadas, desde as suposições fantasiosas do Estadão até o uso reiterado, por Serra, dos mesmíssimos blogueiros barras-pesadas para ataques contra o adversário-aliado.
Aliás, Serra não se emenda. O uso desses assassinos de reputação já lhe custou desgaste interno no próprio PSDB, pelas baixarias perpetradas contra Geraldo Alckmin, contra o Gabriel Chalitta e contra o próprio Aécio.

Do Estadão

Aécio espera pesquisas de abril para definir se aceita ser vice de Serra
Se avaliar que paulista sustenta dianteira, é provável que abrace a causa; do contrário, investirá na eleição mineira

Ana Paula Scinocca e Julia Duailibi

Cotado para ser vice na chapa do PSDB que disputará a Presidência, o governador mineiro, Aécio Neves, tomará uma decisão entre a abril e maio deste ano e, até essa data, pretende ponderar o desempenho de José Serra nas pesquisas de intenção de voto, dizem aliados. Se avaliar que o paulista sustenta a dianteira, é provável que abrace a causa. Do contrário, se dedicará à eleição em Minas.

Aécio diz que não está nos seus planos compor a vice. A cautela, no entanto, baseia-se no temor de que o favoritismo de Serra seja recall das eleições passadas e a tendência do governador seria perder espaço para os demais candidatos. Para os aliados de Aécio, ele não pretende entrar num projeto que, além de não ser seu, tem chances de derrota.

A cúpula do PSDB está convencida de que a chapa puro-sangue é a forma de vencer a candidatura governista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Ter um bom desempenho em Minas, dizem os caciques, seria a única forma de compensar a provável derrota no Nordeste. “Serra será candidato em qualquer circunstância, mas sabe que com Aécio a vitória fica mais próxima”, afirmou um líder do partido.

Mas, enquanto Aécio caminha cautelosamente e pondera as chances de vitória do projeto tucano, os caciques do PSDB avaliam que a união entre os governadores seria o ingrediente que falta para abrir uma dianteira maior entre Serra e Dilma. Parte do PSDB sustenta a avaliação de que a consolidação do nome da ministra junto ao eleitorado, o ambiente econômico e a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva são fatores suficientes para Aécio decidir a favor da composição.

O governador de Minas vem repetindo publicamente de forma sistemática que pretende disputar o Senado e se dedicar à eleição de seu vice, Antonio Anastasia, no Estado. “No Nordeste a vantagem do PT é esmagadora, seja com qualquer candidato. Mas em uma chapa Serra-Aécio levaríamos vantagem nos maiores colégios eleitorais do País de maneira a equilibrar e até ficarmos com vantagem”, observou um importante líder dos tucanos. São Paulo e Minas são os dois maiores colégios eleitorais no País. No terceiro, o Estado do Rio, os tucanos acreditam também ter vantagem em relação ao PT, se tiverem na disputa “a dupla do Sudeste”.

“Há um compromisso no PSDB, inclusive do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de não tratar disso agora”, afirmou ontem o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), na tentativa de pôr um fim na discussão.

Leia mais no blog do Nassif...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Serra vai usar Parabolica no Nordeste

Do Portal Uol

Assim que confirmar o nome tucano para concorrer à Presidência em outubro (possivelmente o governador de São Paulo, José Serra), uma das principais missões do PSDB será popularizar o candidato fora das regiões Sul e Sudeste. Os números indicam que a tarefa não será fácil, em especial no Nordeste.

Silvania Lima dos Santos e o marido José Carlos Barros acreditam que número de propagandas aumentou e mostram "avanços" em São Paulo

A cidade de Boca da Mata (68 km de Maceió) é tomada por parabólicas

Segundo pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2009, o Nordeste é a única região onde a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), está a frente de Serra na corrida presidencial: 31% x 28%. Outro dado da pesquisa aponta que o governador paulista é conhecido por 93% dos brasileiros, mas, no Nordeste, esse índice cai para 88% (menor índice do país).

Para "encurtar" a distância entre Serra e os eleitores do Nordeste, a popularização das antenas parabólicas se tornou um canal de comunicação relevante entre o governo paulista, comandando por Serra, e os eleitores da região. É que algumas emissoras retransmitem não apenas os programas das emissoras "cabeças de rede" de São Paulo para o Nordeste, mas também os comerciais institucionais do governo estadual.

Em entrevista ao UOL Notícias, o governador de Alagoas (único tucano a liderar um Estado no Nordeste), Teotônio Vilela Filho, afirma que "a parabólica ajuda" a popularizar o presidenciável José Serra em uma região dominada por petistas e aliados. O governador acredita que as propagandas do governo de São Paulo retransmitidas na região ajudam a "divulgar o talento de Serra como gestor" aos nordestinos. "Ele está fazendo em São Paulo uma administração prodigiosa. Quanto mais pessoas souberem do talento que ele tem como homem público, mais popular e mais querido ele será como candidato a presidente", declarou.

As parabólicas se tornaram um fenômeno no interior nordestino por conta da falta de emissoras locais. O sinal da parabólica chega a 22% dos domicílios nordestinos, atingindo cerca de 3,5 milhões de famílias. Os dados são do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação, com dados de 2008.

Leia mais...