Imaginem se Lula, na época em que era candidato, assumisse que iria "rever contratos" logo que fosse eleito. Seria um Deus nos acuda, não? Quando é o contrário, talvez um espaço aberto para futuras terceirizações ou privatizações, a conversa muda de rumo. Não se vê um piu da mídia engajada. Rever contratos é salutar, desde que se reveja para melhor. É bom ressaltar que foi com a revisão de contratos que o ex-Ministro da Saúde, Humberto Costa, descobriu o escândalo dos Vampiros, sendo responsabilizado pela mídia e depois inocentado na Justiça. E a questão do Mercosul, dando-se prioridade ao comércio com os países do eixo EUA-Europa, será que teríamos surfado nas ondas caudalosas da crise do subprime? Será que daí sairia o tão sonhado acordo com a ALCA que parte das elites deste país almejam? E outra, acreditar que o BNDES só deu prioridade a fusões é achar que somos todos alienados, haja vista os valores disponíveis para quem tivesse projeto e responsabilidade na condução das políticas públicas, bem como a quantidade de linhas de crédito que foram abertas para todos os setores produtivos. Não fosse assim não se teria aberto doze milhões de vagas pelo atual governo. Aliás, governo que, ao invés de ir comprar plataformas em Cingapura, resolveu reativar a indústria naval brasileira e construir aqui mesmo, com tecnologia nossa e por brasileiros, estimulando, inclusive, o desenvolvimento em regiões outrora desprovidas de qualquer política governamental neste sentido, como o Nordeste. Será que o Estado realmente está muito grande, ou foi uma necessidade? Por fim, contra a Belo Monte? Mas pra quem foi de um governo que permitiu que ocorresse um apagão das dimensões que ocorreu, tem que pensar muito para falar em política energética. Olha, acredito que a alternância no poder é algo bom, desde que não haja rompimentos profundos, criando-se uma rotina do tipo "um faz e outro desmancha". O atual governo criou ativos de Estado, que podem até ser modificados, mas como política de ordem pública, permanecerão, como no caso do bolsa família. É importante que o eleitor esteja atento para estes aspectos e faça uma boa reflexão na hora de votar.
Valor Econômico – 20/04/2010
César Felício, de Belo Horizonte
O Mercosul é uma barreira ao Brasil, o BNDES deveria dar prioridade a novos investimentos – deixando o fomento a fusões para épocas de crise – e todos os contratos da União estão sujeitos a revisão. O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, fez ontem na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) seu mais claro discurso sobre as mudanças que pretende adotar se for eleito. E ainda deu pistas de que terá o atual secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, na equipe. ” Muitos não acreditam, mas ele tem enorme sensibilidade social ” , disse.
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador de São Paulo José Serra, afirmou ontem a empresários reunidos na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) que, caso seja eleito, poderá promover uma revisão de todos contratos de empresas privadas com a União, nos moldes da que fez ao assumir o governo de São Paulo de 2007.
” Em São Paulo assumimos uma administração que já estava enxuta, mas renegociamos os contratos, reduzimos os valores e não diminuímos de forma alguma o funcionamento governamental ” , afirmou o tucano, referindo-se ao pacote de medidas que adotou no primeiro dia de seu governo estadual.
A renegociação de 2007, que envolveu contratos assinados pelo antecessor Geraldo Alckmin, também tucano, se deu em termos suaves, ao contrário da renegociação feita pelo tucano ao assumir a Prefeitura de São Paulo em 2005, sucedendo a petista Marta Suplicy. Na ocasião, o governo tucano acusou os antecessores de terem contratado despesas sem o empenho orçamentário correspondente e escalonou os pagamentos a fornecedores e prestadores de serviço. De acordo com Serra, a renegociação dos contratos virá junto com ” o corte das gorduras dos quadros comissionados ” , com o objetivo de diminuir o que chamou de ” rigidez fiscal ” .
Serra foi o segundo presidenciável a expor ideias de seu futuro programa de governo ao empresariado mineiro. A primeira foi Dilma Rousseff (PT) em 7 de abril. O tucano prometeu uma completa reformulação da estratégia comercial brasileira e chamou atenção para a reversão de expectativas em relação à balança comercial. No primeiro trimestre deste ano, o superávit ficou em US$ 895 milhões, ou 70% a menos que no mesmo período do ano passado.
” Em relação à questão externa, nós temos reservas, mas os investidores olham para o estoque e o fluxo. Nós temos que nos antecipar aos acontecimentos ” , afirmou o tucano, propondo como saída para fomentar as exportações o fim do Mercosul da forma como opera hoje. Serra não disse qual seria em seu governo o destino do bloco após a completa reformulação que proporia. Mas afirmou que ” o Mercosul é uma barreira para o Brasil fazer acordos comerciais ” . Serra relembrou que, quando ministro da Saúde, não pode celebrar um acordo comercial entre Brasil e Índia porque teriam que ser estabelecidas compensações para Argentina, Uruguai e Paraguai. ” Ficar carregando esse Mercosul não faz sentido ” , comentou o tucano. Para Serra, ” a união aduaneira é uma farsa, exceto quando serve para atrapalhar".
O tucano propôs ainda o redirecionamento dos financiamentos do BNDES para a atração de novos investimentos. ” O BNDES teve uma boa atuação durante a crise econômica global, mas em situação normal não se justifica desembolsar bilhões para fomentar fusões. A prioridade deve ser para a formação de capital novo ” , afirmou o tucano, já nas suas considerações finais. Serra ainda prometeu um ” fast track ” ambiental, para licenciar investimentos de infraestrutura. ” A questão básica não é encontrar soluções, é a rapidez com que se faz isso ” disse.
Ele criticou, contudo, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujo leilão pode ocorrer hoje. ” Neste processo, houve tanta complicação ambiental e tanta falta de transparência que a gente sabe que vai haver problema ” , disse. Ao contrário do que Dilma fez há duas semanas, Serra procurou também dar uma coloração regional ao seu rol de propostas. Afirmou que é favorável a uma mudança constitucional para que os royalties sejam inteiramente destinados a investimentos em infraestrutura. E afirmou ser favorável à revisão dos valores pagos por mineradoras. ” O que Minas leva é uma ninharia É o mesmo caso do Pará ” , afirmou.
Serra deu pistas ainda sobre o que seria a sua equipe. Ele sinalizou que o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Machado Costa, que foi também presidente da Funasa durante o governo Fernando Henrique Cardoso e presidente da estatal de saneamento Copasa durante o primeiro mandato do mineiro Aécio Neves, sempre por indicação sua, participaria de uma gestão federal sob seu comando. ” Muitos não acreditam, mas ele tem enorme sensibilidade social ” , afirmou.
Da mesma forma como aconteceu em relação a Dilma, a elite do empresariado mineiro compareceu ao encontro. A lista dos presentes teve ligeiras variações entre o 7 de abril com a petista e o 19 de abril com o tucano. Presente no primeiro encontro, o presidente da Fiat e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, desta vez não foi visto na palestra. Mas o empreiteiro Murillo Mendes, do grupo Mendes Júnior, compareceu, ao contrário do ocorrido no evento da petista. Também estavam ontem, entre outros, Wilson Brumer (Usiminas), José Nogueira (DMA Supermercados), e Aguinaldo Diniz (Cedro Têxtil).
Futuro presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o presidente da Fiemg, Robson Braga de Andrade, apresentou uma pauta completa de reivindicações da indústria nacional. Pediu incentivos para a agregação de valor às exportações de commodities, desoneração de investimentos e a retirada de pauta de temas como o da redução da jornada de trabalho.
Pediu, explicitamente, a redução da atuação do Estado: ” Vamos ter uma política mais liberal ou mais nacionalista? Hoje as empresas brasileiras são valorizadas, o que é bom, mas por outro lado é muito grande a dependência do governo federal. O governo federal emite 40 milhões de pagamentos, entre contracheques, benefícios sociais, pensões e aposentadorias. ”
Ao apresentar Dilma, duas semanas atrás, Andrade foi sucinto. Limitou-se a lembrar que aquela era a primeira federação empresarial a ser visitada pela petista e que ela já havia estado na Fiemg em duas outras ocasiões como ministra de Estado.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Lula: sobre Soberania, Algodão, Empregos e Maquetes
Ao inaugurar a Termelétrica Euzébio Rocha, da Petrobrás, em Cubatão-SP, o presidente Lula, em seu discurso, abordou diversos assuntos, entre eles a questão do algodão com os EUA, a geração de empregos no país e ainda, alfinetando o possível candidato José Serra, mas sem citar nomes, o comportamento de políticos em ano eleitoral. No caso do José Serra, tratou-se de uma apresentação da maquete de uma ponte que, se construída, ligará as cidades de Santos e Guarujá. Neste ponto, segundo o Globo, o Presidente teria afirmado:
- Vou repetir porque estamos em ano eleitoral e tem gente inaugurando até maquete. Eu quero mostrar como as coisas são feitas nesse país porque tem muito político mentiroso, que diz que mata a cobra e mostra o pau. O fato de mostrar o pau não significa ter matado a cobra. Tem que matar a cobra a mostrar a cobra morta -Vá ao áudio no o Globo.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Criação de empregos tem melhor resultado para um mês de janeiro
Do Portal G1
País abriu 181.419 vagas formais no primeiro mês do ano.
Em dezembro, haviam sido fechados 415.192 postos de trabalho.
O Brasil criou, em janeiro de 2010, 181.419 vagas formais de emprego, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado é o melhor já registrado em um mês de janeiro desde o início da pesquisa do Ministério do Trabalho, em maio de 2000.
País abriu 181.419 vagas formais no primeiro mês do ano.
Em dezembro, haviam sido fechados 415.192 postos de trabalho.
Carolina Lauriano Do G1, no Rio
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Em 2009 o Emprego na Indústria teve a maior Queda da História
Do R7
Emprego na indústria tem maior queda da história

A indústria teve a maior queda histórica no nível do emprego no ano passado, com redução de 5,3% nos postos de trabalho na comparação com 2008, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse foi o menor resultado registrado desde o início da medição em 2002. O número de horas pagas também teve a maior redução na história – de 5,6% em 2009 frente ao ano anterior. Embora o resultado seja negativo, os analistas do IBGE apontam que a retomada no nível de produção industrial no final do ano passado já sinaliza uma retomada do setor em 2010.
O número de demissões superou o de admissões em 11 dos 18 setores pesquisados. Apenas a indústria de papel e gráfica registrou aumento no número de contratações - de 7,2% em 2009 na comparação com o ano anterior. Entre os setores que tiveram maior número de demissões estão: meios de transporte (-9,8%), máquinas e equipamentos (-8,6%), vestuário (-7,9%), produtos de metal(-9,1%) e madeira (-16,8%).
O fechamento de vagas foi mais intenso em São Paulo (-4,0%) e em Minas Gerais (-8,5%). Na indústria paulista, houve taxas negativas em 14 setores, com destaque para o fechamento de vagas em meios de transporte (-11,7%) e produtos de metal (-11,6%). Em Minas Gerais, a redução no número de pessoal ocupado atingiu 16 setores. As maiores baixas nas vagas foram nos setores de vestuário (-20,3%) e têxtil (-19,4%). Na comparação mês a mês, o emprego na indústria teve diminuição de 0,6% entre novembro e dezembro – o que demonstra a recuperação do setor após a crise financeira de 2008. O crescimento de 1,6% na produção, pelo terceiro trimestre consecutivo, refletiu no aumento de 2% no número de horas pagas no quarto trimestre.
Salários
Em dezembro, o valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria teve diminuição de 3,7% em relação ao mês anterior – após ter registrado queda de 0,4% em novembro. No entanto, na comparação com o mesmo período do ano passado, a redução é ainda maior – de 5% em relação a dezembro de 2008.
A principal contribuição negativa veio de São Paulo (-8,1%), por conta da queda na folha de pagamento no setor de em meios de transporte (-12,2%), produtos químicos (-21,6%) e produtos de metal (-15%).
Em seguida, vale citar Minas Gerais (-9,7%), em função de metalurgia básica (-19,2%), meios de transporte (-19,3%) e indústria extrativa (-21,2%); e Rio Grande do Sul (-12,5%), em razão de meios de transporte (-12,7%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-25,4%) e minerais não-metálicos (-23,7%).
Em sentido oposto, os maiores impactos positivos foram registrados na Bahia (4,4%) e no Ceará (8,1%), devido, respectivamente, ao aumento nos salários em meios de transporte (45,1%) e calçados e artigos de couro (28%).
Emprego na indústria tem maior queda da história
Fechamento no número de vagas foi mais intenso em São Paulo, com demissões em 14 setores, com destaque para meios de transporte
O número de demissões superou o de admissões em 11 dos 18 setores pesquisados. Apenas a indústria de papel e gráfica registrou aumento no número de contratações - de 7,2% em 2009 na comparação com o ano anterior. Entre os setores que tiveram maior número de demissões estão: meios de transporte (-9,8%), máquinas e equipamentos (-8,6%), vestuário (-7,9%), produtos de metal(-9,1%) e madeira (-16,8%).
Salários
Em dezembro, o valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria teve diminuição de 3,7% em relação ao mês anterior – após ter registrado queda de 0,4% em novembro. No entanto, na comparação com o mesmo período do ano passado, a redução é ainda maior – de 5% em relação a dezembro de 2008.
A principal contribuição negativa veio de São Paulo (-8,1%), por conta da queda na folha de pagamento no setor de em meios de transporte (-12,2%), produtos químicos (-21,6%) e produtos de metal (-15%).
Em seguida, vale citar Minas Gerais (-9,7%), em função de metalurgia básica (-19,2%), meios de transporte (-19,3%) e indústria extrativa (-21,2%); e Rio Grande do Sul (-12,5%), em razão de meios de transporte (-12,7%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-25,4%) e minerais não-metálicos (-23,7%).
Em sentido oposto, os maiores impactos positivos foram registrados na Bahia (4,4%) e no Ceará (8,1%), devido, respectivamente, ao aumento nos salários em meios de transporte (45,1%) e calçados e artigos de couro (28%).
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Bovespa cai 4% na semana por temor com EUA e zona do euro
Por Aluísio Alves
SÃO PAULO (Reuters) - Já pessimista com a debilidade fiscal na Europa, o investidor viu em números do frágil mercado de trabalho dos EUA a senha para continuar vendendo ações na Bovespa, que teve a segunda queda forte seguida.
O Ibovespa ainda desmanchou boa parte das perdas doa dia, antes de fechar em baixa de 1,83 por cento, a 62.762 pontos. O giro financeiro foi de 8,8 bilhões de reais, o maior para pregões regulares desde 28 de outubro.
Na semana, a perda foi de 4 por cento.
Dados de emprego no mercado de trabalho norte-americano mostraram um corte inesperado de 20 mil vagas em janeiro, mas também a queda da taxa de desemprego. Os números sugeriram interpretações distintas, mas num momento já ruim das bolsas prevaleceram as pessimistas.
Além disso, o medo crescente de que déficits em países da zona do euro levem a cortes em ratings soberanos seguiu pesando sobre os negócios. O índice europeu de ações caiu de novo, marcado a pior semana em 11 meses.
"Isso está levantando temores cada vez maiores quanto à sustentabilidade do euro", disse o gerente de pesquisa da Planner Corretora, Ricardo Tadeu Martins.
Esse cenário pouco amistoso novamente favoreceu os vendidos, investidores que apostam na queda dos papéis no mercado de opções, que tem exercício na próxima segunda-feira.
O papel preferencial da Petrobras, também acusando a queda de quase 3 por cento do barril do petróleo, caiu 2,4 por cento, a 31,52 reais. A preferencial da Vale encolheu 1,1 por cento, para 40,80 reais.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O Discurso do Estado da Uniao de Barack Obama
No seu discurso do Estado da Uniao, em que apresenta as propostas de governo e prioridades a nacao via Congresso Americano, o Presidente dos EUA, Barack Obama, deu o tom das iniciativas que deverao nortear as acoes durante o seu mandato para este ano, sendo destaque a necessidade urgente de geracao de empregos e uma nova postura perante o sistema financeiro e os grandes investidores, bem diferente da adotada pelos Republicanos que priorizaram os cortes de impostos para os mais ricos, quando no final do discurso ele pontuou: "Continuaremos cortando impostos para as famílias de classe média - mas não para as companhias petrolíferas, não para os bancos de Wall Street, não para quem ganha mais de 250 mil dólares por ano. Não podemos pagar por isso". E isso que os americanos chamam de "guinada a esquerda"...
WASHINGTON, EUA — Em seu primeiro discurso do Estado da União, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que a criação de empregos será sua prioridade número um em 2010, numa tentativa de reacender a confiança da população em sua promessa de mudanças, após seu primeiro ano na Casa Branca.
Obama admitiu que seu governo sofreu alguns revezes ao longo de 2009 - alguns merecidos, ponderou. Falando num tom confiante, entretanto, prometeu: "nós não vamos desistir. Eu não desisto, vamos começar do zero", referindo-se às diferentes crises que enfrenta dentro e fora dos Estados Unidos.
Em um longo discurso de 68 minutos, pontuado por entusiasmados aplausos, o presidente expôs seus planos e prioridades para 2010, pediu colaboração entre republicanos e democratas para avançar reformas e dedicou grande parte do tempo à economia e a questões domésticas, afirmando que sua missão agora é ajudar a classe média alquebrada pela crise.
Além disso, fez uma avaliação de sua própria performance à frente do governo, que em um ano deixou de ser aprovada pela maioria dos americanos para afundar em níveis preocupantes de popularidade abaixo de 50%. No entanto, pediu apoio para levar adiante iniciativas arriscadas politicamente, como a reforma da saúde.
"Fiz minha campanha com uma promessa de mudança - uma mudança na qual podemos acreditar, dizia o slogan", disse Obama, evocando os dias de sua histórica campanha eleitoral.
"Neste exato momento, eu sei que muitos americanos não têm certeza se ainda podem acreditar em mudanças - ou, pelo menos, se eu serei capaz de fazê-las", estimou, acrescentando, em tom lacônico: "as mudanças não vieram rápido o suficiente".
No entanto, indicou, "nunca estive tão esperançoso sobre o futuro dos EUA quanto estou hoje. Apesar de nossas dificuldades, nossa união é forte. Nós não desistimos. Nós não deixamos o medo ou as divisões deprimirem nosso espírito".
Obama listou uma série de propostas e iniciativas, mas o ambiente político nos Estados Unidos este ano - com as eleições legislativas de novembro - é tão tenso, que dificilmente será possível contar com o apoio necessário para levar adiante tantas promessas.
Falando sobre a polêmica reforma do sistema de saúde que tenta aprovar no Congresso - uma semana depois de ter perdido a maioria democrata no Senado -, Obama prometeu não "abandonar" sua luta para concretizar a iniciativa.
"Depois de quase um século de governos democratas e republicanos, estamos muito próximos de conseguir" aprovar a reforma da saúde.
Ao mesmo tempo, afirmou que as ações de seu governo evitaram que o país afundasse em uma depressão semelhante à da década de 30.
"Quando cheguei ao governo, no meio desta crise, percebi que se nçao agíssemos poderíamos enfrentar outra recessão. E nós agimos imediatamente", disse Obama. "Há dois milhões de americanos trabalhando agora, que não estariam trabalhando" se não fosse pelo pacote aprovado pelo governo para reativar a economia.
Obama também falou sobre o resgate de vários bancos de investimento, responsabilizados pelo quase colapso do sistema financeiro.
"Nossa tarefa mais urgente ao assumir o governo era ajudar os mesmos bancos que haviam criado essa crise", disse. "Eu odiei isso, você odiou isso, mas quando eu concorri à presidência, prometi que não faria apenas o que fosse popular, mas também o que fosse necessário".
O presidente pediu ao Congresso que aprove "sem demora" uma outra lei, anunciada na noite desta quarta-feira, para estimular a criação de empregos, e afirmou que se o projeto apresentado não for forte o suficiente para recuperar o mercado de trabalho - que perdeu sete milhões de empregos nos últimos dois anos - ele o vetará até que o texto esteja de acordo com as necessidades do país.
"Os empregos precisam ser nosso foco número um em 2010", declarou Obama, anunciando que destinará 30 bilhões de dólares do dinheiro devolvido pelos bancos resgatados pelo governo no auge da crise, em 2008, para financiar crédito para as pequenas empresas, incentivando assim a criação de novos postos de trabalho.
Obama disse também que o país precisa dobrar o volume de exportações nos próximos cinco anos, o que abriria cerca de duas milhões de novas vagas. No entanto, entre tantos pedidos feitos ao Congresso, a análise de eventuais novos acordos comerciais não estava entre eles.
Obama só falou de política externa nos últimos minutos de seu discurso, claramente dominado pelas preocupações econômicas do governo, e não entrou em muitos detalhes. Rapidamente, alertou que o Irã enfrentará "crescentes consequências" se insistir em avançar seu programa nuclear.
Além disso, indicou que a Coreia do Norte estava cada vez mais isolada devido à insistência de manter armas nucleares.
Obama pediu à população que apóie as forças dos Estados Unidos no Afeganistão, e destacou que as tropas de combate americanas que ainda estão no Iraque voltarão para casa até o fim de agosto de 2010.
(...)
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