Sempre achei a linguagem esportiva brasileira bem infantilizada. Talvez seja em virtude da nova abordagem que se impos em razao dos valores envolvidos nos negocios.
A Nova Era Dunga: O Fim do Besteirol Esportivo
Por Leandro Fortes
Foi na Copa do Mundo de 1986, no México, com Fernando Vanucci, então apresentador da TV Globo, que a cobertura esportiva brasileira abandonou qualquer traço de jornalismo para se transformar num evento circense, onde a palhaçada, o clichê e o trocadilho infame substituíram a informação, ou pelo menos a tornaram um elemento periférico. Vanucci, simpático e bonachão, criou um mote (“alô você!”) para tornar leve e informal a comunicação nos programas esportivos da Globo, mas acabou por contaminar, involuntariamente, todas as gerações seguintes de jornalistas com a falsa percepção de que a reportagem esportiva é, basicamente, um encadeamento de gracinhas televisivas a serem adaptadas às demais linguagens jornalísticas, a partir do pressuposto de que o consumidor de informações de esporte é, basicamente, um retardado mental. Por diversas razões, Vanucci deixou a Globo, mas a Globo nunca mais abandonou o estilo unidunitê-salamê-minguê nas suas coberturas esportivas, povoadas por sorridentes repórteres de camisa pólo colorida. Aliás, para ser justo, não só a Globo. Todas as demais emissoras adotaram o mesmo estilo, com igual ou menor competência, dali para frente.
Passados quase 25 anos, o estilo burlesco de se cobrir esporte no Brasil passou a ser uma regra, quando não uma doutrina, apoiado na tese de que, ao contrário das demais áreas de interesse humano, esporte é apenas uma brincadeira, no fim das contas. Pode ser, quando se fala de handebol, tênis de mesa e salto ornamental, mas não de futebol. O futebol, dentro e fora do país, mobiliza imensos contingentes populacionais e está baseado num fluxo de negócios que envolve, no todo, bilhões de reais. Ao lado de seu caráter lúdico, caminha uma identidade cultural que, no nosso caso, confunde-se com a própria identidade nacional, a ponto de somente ele, o futebol, em tempos de copa, conseguir agregar à sociedade brasileira um genuíno caráter patriótico. Basta ver os carros cobertos de bandeiras no capô e de bandeirolas nas janelas. É o momento em que mesmos os ricos, sempre tão envergonhados dos maus modos da brasilidade, passam a ostentar em seus carrões importados e caminhonetes motor 10.0 esse orgulho verde-e-amarelo de ocasião. Não é pouca coisa, portanto.
Na Copa de 2006, na Alemanha, essa encenação jornalística chegou ao ápice em torno da idolatria forçada em torno da seleção brasileira penta campeã do mundo, então comandada pelo gentil Carlos Alberto Parreira. Naquela copa, a dominação da TV Globo sobre o evento e o time chegou ao paroxismo. A área de concentração da seleção tornou-se uma espécie de playground particular dos serelepes repórteres globais, lá comandados pela esfuziante Fátima Bernardes, a produzir pequenos reality shows de dentro do ônibus do escrete canarinho. Na época, os repórteres da Globo eram obrigados a entrar ao vivo com um sorriso hiperplastificado no rosto, com o qual ficavam paralisados na tela, como em uma overdose de botox, durante aqueles segundos infindáveis de atraso de sinal que separam as transmissões intercontinentais. Quatro anos antes, Fátima Bernardes havia conquistado espaço semelhante na bem sucedida seleção de Felipão. Sob os olhos fraternais do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi eleita a musa dos jogadores, na Copa de 2002, no Japão. Dentro do ônibus da seleção. Alguém se lembra disso? Eu e a Globo lembramos, está aqui.
O estilo grosseiro e inflexível de Dunga desmoronou esse mundo colorido da Globo movido por reportagens engraçadinhas e bajulações explícitas confeitadas por patriotadas sincronizadas nos noticiários da emissora. Sem acesso direto, exclusivo e permanente aos jogadores e aos vestiários, a tropa de jornalistas enviada à África do Sul se viu obrigada a buscar informações de bastidores, a cavar fontes e fazer gelados plantões de espera com os demais colegas de outros veículos. Enfim, a fazer jornalismo. E isso, como se sabe, dá um trabalho danado. Esse estado de coisas, ao invés de se tornar um aprendizado, gerou uma reação rançosa e desproporcional, bem ao estilo dos meninos mimados que só jogam porque são donos da bola. Assim, o sorriso plástico dos repórteres e apresentadores se transformou em carranca e, as gracinhas, em um patético editorial.
Dunga será demitido da seleção, vença ou perca o mundial. Os interesses comerciais da TV Globo e da CBF estão, é claro, muito acima de sua rabugice fronteiriça e de sua saudável disposição de não se submeter à vontade de jornalistas acostumados a abrir caminho com um crachá na mão. Mas poderá nos deixar de herança o fim de uma era medíocre da crônica esportiva, agora defrontada com um fenômeno com o qual ela pensava não mais ter que se debater: o jornalismo.
Principais análises e notícias sobre politica, economia, relações internacionais, etc., etc.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Velhas Mìdias, Novas Mìdias: O Declínio do Império Global
A imprensa é antes de tudo um negócio. Mas, como todo negócio ela tem um produto, ou não? O produto é a credibilidade, a seriedade com que se produz uma matéria, com que se noticia um fato. A maneira como se trata a informação, com o mínimo de ruídos possível e o máximo de honestidade.
Partindo desta constatação fica fácil entender porque o negócio muitas vezes (senão a maioria das vezes) se coloca tão longe da questão da credibilidade. Há fatores que influenciam na maneira de se noticiar um fato, que vão do espectro econômico ao político. Esses ruídos, que deveriam ser mínimos, quando tornam-se indutores de matérias, passam a afetar o produto da imprensa, ameançando a sua credibilidade. Isso porque, apesar de se tolerar o viés ideológico de um determinado meio de comunicação, mesmo aqueles afinados com tal viés não dispensam a informação correta e honesta. Pelo menos os que se querem bem informar.
Por muito tempo os principais meios de comunicação ficaram restritos ao rádio, jornais/revistas e televisão. A escala de valores envolvidas para desenvolver tais meios era muito alta para o cidadão comum, e, com isto, tais meios sempre se concentraram nas mãos de poucos, que, assim, conseguiam o monopólio da informação, o que atribuía grande poder a tais pessoas. Isto porque a publicidade e a política sempre andaram de mãos dadas com a imprensa.
Aí surge a internet concentrando uma gama imensa de novas mídias, que vão de blogs a redes sociais, portais de informações a comunidades virtuais. Com um PC e pagando o preço de uma conexão você tem acesso a tudo isto. Dessa forma vai se quebrando o paradigma do monopólio da informação. E em conseqüência da relação poder econômico, poder político, informação. Um exemplo é o caso do derramamento de petróleo no Golfo do México por uma empresa privada e a impotência do governo dos EUA em resolver o problema que já se afigura como o maior desastre ambiental que a humanidade já produziu em todos os tempos. Você pode acompanhar em tempo real pela internet as imagens do poço a despejar os milhares de barris de petróleo no outrora mar azul da região. Na mídia tradicional, supondo que a empresa fosse uma grande anunciante de um meio de comunicação, esse meio teria "dificuldades" para divulgar tal informação.
Pois bem, com a quebra do monopólio e a busca por informações menos truncadas pelos interesses já referidos, as mídias tradicionais, ainda que migrem para as novas mídias na internet, perderam força porque passaram a ser contestadas por aqueles que se propuseram a fugir da lógica do "negócio". Em pouco tempo, deuses do olimpo da informação, articulistas sagrados e jamais contestados, que com suas penas eram capazes de destruir num átimo a reputação de alguém ou elevar um produto de qualidade duvidosa ao panteão do estado da arte, tiveram que abrir suas caixas de textos para comentários de leitores, que passaram de simples consumidores para interatores da informação. É como se um piloto de formula 1 tivesse que dirigir "no braço", sem os coquetéis eletrônicos daquelas máquinas. A velocidade com que circula a informação e o contra-ponto são agora elementos que conspiram contra a velha mídia e os seus monstros sagrados.
Evidente que a velha mídia ainda tem seu poder, e que pode levar os velhos vícios para o meio virtual, mas não mais impunemente. E quanto mais pessoas tiverem acesso a este meio é bem provável que a idéia da grande Ágora se torne realidade, não mais restrita a um grupo de pessoas, mas bastante ampla, abarcando a todos que desejam se bem informar.
No ensejo é sintomático observarmos a queda de audiência da TV Globo. A emissora teve no mês de maio a menor audiência da sua história na Grande São Paulo, o maior mercado do país: 16,3 pontos. A audiência caiu meio ponto em relação a abril e dois pontos em relação a setembro do ano passado. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na região. Os dados são da coluna Ooops!, do UOL.
Partindo desta constatação fica fácil entender porque o negócio muitas vezes (senão a maioria das vezes) se coloca tão longe da questão da credibilidade. Há fatores que influenciam na maneira de se noticiar um fato, que vão do espectro econômico ao político. Esses ruídos, que deveriam ser mínimos, quando tornam-se indutores de matérias, passam a afetar o produto da imprensa, ameançando a sua credibilidade. Isso porque, apesar de se tolerar o viés ideológico de um determinado meio de comunicação, mesmo aqueles afinados com tal viés não dispensam a informação correta e honesta. Pelo menos os que se querem bem informar.
Por muito tempo os principais meios de comunicação ficaram restritos ao rádio, jornais/revistas e televisão. A escala de valores envolvidas para desenvolver tais meios era muito alta para o cidadão comum, e, com isto, tais meios sempre se concentraram nas mãos de poucos, que, assim, conseguiam o monopólio da informação, o que atribuía grande poder a tais pessoas. Isto porque a publicidade e a política sempre andaram de mãos dadas com a imprensa.
Aí surge a internet concentrando uma gama imensa de novas mídias, que vão de blogs a redes sociais, portais de informações a comunidades virtuais. Com um PC e pagando o preço de uma conexão você tem acesso a tudo isto. Dessa forma vai se quebrando o paradigma do monopólio da informação. E em conseqüência da relação poder econômico, poder político, informação. Um exemplo é o caso do derramamento de petróleo no Golfo do México por uma empresa privada e a impotência do governo dos EUA em resolver o problema que já se afigura como o maior desastre ambiental que a humanidade já produziu em todos os tempos. Você pode acompanhar em tempo real pela internet as imagens do poço a despejar os milhares de barris de petróleo no outrora mar azul da região. Na mídia tradicional, supondo que a empresa fosse uma grande anunciante de um meio de comunicação, esse meio teria "dificuldades" para divulgar tal informação.
Pois bem, com a quebra do monopólio e a busca por informações menos truncadas pelos interesses já referidos, as mídias tradicionais, ainda que migrem para as novas mídias na internet, perderam força porque passaram a ser contestadas por aqueles que se propuseram a fugir da lógica do "negócio". Em pouco tempo, deuses do olimpo da informação, articulistas sagrados e jamais contestados, que com suas penas eram capazes de destruir num átimo a reputação de alguém ou elevar um produto de qualidade duvidosa ao panteão do estado da arte, tiveram que abrir suas caixas de textos para comentários de leitores, que passaram de simples consumidores para interatores da informação. É como se um piloto de formula 1 tivesse que dirigir "no braço", sem os coquetéis eletrônicos daquelas máquinas. A velocidade com que circula a informação e o contra-ponto são agora elementos que conspiram contra a velha mídia e os seus monstros sagrados.
Evidente que a velha mídia ainda tem seu poder, e que pode levar os velhos vícios para o meio virtual, mas não mais impunemente. E quanto mais pessoas tiverem acesso a este meio é bem provável que a idéia da grande Ágora se torne realidade, não mais restrita a um grupo de pessoas, mas bastante ampla, abarcando a todos que desejam se bem informar.
No ensejo é sintomático observarmos a queda de audiência da TV Globo. A emissora teve no mês de maio a menor audiência da sua história na Grande São Paulo, o maior mercado do país: 16,3 pontos. A audiência caiu meio ponto em relação a abril e dois pontos em relação a setembro do ano passado. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na região. Os dados são da coluna Ooops!, do UOL.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
E a Globo tirou o Vídeo do ar
Do Portal Uol
A TV Globo tirou do ar o jingle da comemoração dos 45 anos da emissora, veiculado desde ontem à noite. Em nota, a emissora afirma que o filme foi criado em novembro de 2009, quando “não existiam nem candidaturas muito menos slogans”.
“Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada”, diz nota da Central Globo de Comunicação. “Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.
A página da emissora que mostrava a propaganda também saiu do ar. Quem clica nela recebe a seguinte informação: página não encontrada.
A medida acontece logo depois de integrantes da pré-campanha da petista Dilma Rousseff criticaram a propaganda.
Na avaliação de Marcelo Branco, um dos responsáveis pela campanha de Dilma na internet, o jingle embute, de forma disfarçada, propaganda favorável ao tucano José Serra.
“Eu e toda a rede [vimos essa alusão]“, escreveu Branco no Twitter em resposta ao comentário de que estaria enxergando na peça mensagem subliminar de apoio ao tucano.
De acordo com Branco, que corrobora tese difundida em sites de apoio ao PT, a mensagem estaria embutida no “45″, o número do PSDB, e em frases do jingle como “todos queremos mais”, o que seria, de acordo com os petistas, referência ao slogan “o Brasil pode mais” dito por Serra no lançamento de sua pré-candidatura.
Em seu blog, o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, escreve: “Denúncia: Lema de Serra “inspira” jingle da Rede Globo
No jingle aparecem atores, jornalistas e apresentadores da emissora comemorando os 45 anos da TV, que serão completados na próxima segunda feira.
Em determinado trecho da peça, os atores falam: “Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais.”
Com RANIER BRAGON, da Sucursal de Brasília
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