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quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Grande (?) Mìdia Brasileira e a Diplomacia do Oprimido

Fiz uma pequena adaptação ao título do texto do Leonardo Boff publicado no Tijolaço (do Brizola Neto), porque, no fundo, é isto que revela o autor: a diplomacia dos oprimidos como via predileta da nossa grande(?) mídia. Observem a cobertura em relação ao Irã e ao incidente com Israel e a Flotilha da Paz. Observem, principalmente, a posição dos EUA. Tudo se baseia num maniqueísmo em que há os bons e os maus, embora os bons possam dar alguns tropeços, matarem alguns inocentes (efeito colateral) e até serem repreendidos. Mas como supostamente teria dito Roosevelt: "Somoza may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch. ..."; este é o espírito da coisa, o resto são só interesses...

A saudade do servo na velha diplomacia brasileira – Leonardo Boff
Via Tijolaço

O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: “em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor”. Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e é exatamente isso que o faz oprimido. A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. O Globo fala em “suicídio diplomático”(24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais:”Sucursal do Império” pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, tem seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.

As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como é Hawai e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.

O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições .

O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.
A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula
Leonardo Boff é Teólogo e autor de Nossa ressurreição na morte, Vozes 2007

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um acordo e seis verdades

De José Luis Fiori
no Valor Econômico
Via clipping do MP


"A mediação bem sucedida de Lula com o Irã alçaria o Brasil no cenário mundial." O Globo, 16 de maio de 2010, p. 38.
Na terça feira, 18 de maio de 2010, foi assinado o Acordo Nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, que dispensa maiores apresentações. E como é sabido, quarenta e oito horas depois da assinatura do Acordo, os Estados Unidos propuseram ao Conselho de Segurança da ONU, uma nova rodada de sanções ao Irã, junto com a Inglaterra, França e Alemanha, e com o apoio discreto da China e da Rússia.

Apesar da rapidez dos acontecimentos, já é possível decantar algumas verdades no meio da confusão:

1) A iniciativa diplomática do Brasil e da Turquia não foi uma "rebelião da periferia", nem foi um desafio aberto ao poder americano. Neste momento, os dois países são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e desde o início contaram com o apoio e o estímulo de todos os cinco membros permanentes.
Além disso, as diplomacias brasileira e turca estiveram em contato permanente com os governos desses países durante a negociação. A Turquia pertence à OTAN, e abriga em seu território armas atômicas norte-americanas. E o presidente Lula recebeu carta de estímulo do presidente Barack Obama, duas semanas antes da assinatura da visita de Lula, e a secretária de Estado norte-americana declarou - na véspera do Acordo - que se tratava da "última esperança" de solucionar de forma diplomática a "questão nuclear iraniana".

2) O que provocou surpresa e irritação em alguns setores, portanto, não foram as negociações, nem os termos do acordo final, que já eram conhecidos. Foi o sucesso do presidente brasileiro que todos consideravam impossível ou muito improvável. Sua mediação viabilizou o acordo, e ao mesmo tempo descalçou a proposta de sanções articulada pela secretária de Estado americana depois de sucessivas concessões à Rússia e à China. E, além disso, criou uma nova realidade que já escapou ao controle dos Estados Unidos e seus aliados, e do Brasil e Turquia.

3) A reação americana contra o Acordo foi rápida e ágil, mas o preço que os Estados Unidos pagarão pela sua posição contra esta iniciativa pacifista será muito alto. Perdem autoridade moral dentro das Nações Unidas e perdem credibilidade entre seus aliados do Oriente Médio, com a exceção de Israel, por razões óbvias. E já agora, passe o que passe, o Brasil e a Turquia serão uma referência ética e pacifista, em todos os desdobramentos futuros deste contencioso.

4) Existe consenso que a estrutura de governança mundial estabelecida depois da II Guerra Mundial, e reformulada depois do fim da Guerra Fria, já não corresponde à configuração do poder mundial. Está em curso uma mudança na distribuição dos recursos do poder global, mas não se trata de um processo automático, e dependerá muito da capacidade estratégica e da ousadia dos governos envolvidos nesse processo de transformação. O Oriente Médio faz parte da zona de segurança e interesse imediato da Turquia, mas no caso do Brasil, foi a primeira vez que interveio numa negociação longe de sua zona imediata de interesse regional, envolvendo uma agenda nuclear, e todas as grandes potências do mundo. A mensagem foi clara: o Brasil quer ser uma potência global e usará sua influência para ajudar a moldar o mundo, além de suas fronteiras. E o sucesso do Acordo já consagrou uma nova posição de autonomia do Brasil, com relação aos Estados Unidos, Inglaterra e França e, também, com relação aos países do Bric.

5) O acordo seguirá sendo a melhor chance para prevenir um conflito militar em todo o Oriente Médio. As sanções em discussão são fracas, já foram diluídas, não são totalmente obrigatórias, e não atingirão a capacidade de resistência iraniana. Pelo contrário, se foram aprovadas e aplicadas, liberarão automaticamente o governo do Irã de qualquer controle ou restrição, diminuirão o controle norte-americano e da AIEA, acelerarão o programa nuclear iraniano e aumentarão a probabilidade de um ataque israelense. Porque os Estados Unidos já estão envolvidos em duas guerras, e não é provável que a OTAN assuma diretamente esta nova frente de batalha, a despeito do anti-islamismo militante, dos atuais governos de direita, da Alemanha, França e Itália.

6) Por fim, o jornal "O Globo" foi quem acertou em cheio, ao prever - com perfeita lucidez - na véspera do Acordo, que o sucesso da mediação do presidente Lula com o Irã projetaria o Brasil, definitivamente, no cenário mundial. O que de fato aconteceu, estabelecendo uma descontinuidade definitiva com relação à política externa do governo FHC, que foi, ao mesmo tempo, provinciana e deslumbrada, e submissa aos juízos e decisões estratégicas das grandes potências.

 Leia mais no Clipping do Ministério do Planejamento.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nassif: Pausa nas Sanções contra o Irã

A insistência neste assunto sobre o Irã é porque revela em todos os aspectos quais os interesses que estão em jogo na questão da diplomacia e como o Brasil se agiganta neste momento, ainda que parte de sua elite mantenha-se atrelada a um passado que sempre retratou o país como pequeno e dependente dos interesses de outros países, principalmente dos EUA. Não é à toa que os "embaixadores de pijama", em especial aqueles que fizeram parte de um outro governo, são sempre chamados para "debater" numa certa emissora, e baixar o sarrafo nos avanços da nossa chancelaria, mormente no caso do acordo com o Irã. Ao que parece, quebraram a cara (mais uma vez!). E agora?! É o mundo de um lado e os EUA, Israel, Alemanha e a grande(?) mídia brasileira do outro?! A que ponto chegamos...

Pausa nas Sanções contra o Irã
do blog do Nassif.

Por Tomás Rosa Bueno

Os EUA não acreditavam que a Turquia e o Brasil fossem capazes de fazer o Irã concordar com o acordo que *os Estados Unidos* tinham proposto no ano passado, e incentivaram os turcos e brasileiros a fazer papel de tontos indo ao Irã sem conseguir nada. Quando o acordo saiu, contra todas as expectativas deles, em vez de transformar o vexame em vitória dizendo que o Irã tinha sido forçado a aceitar uma proposta que afinal *os americanos* tinham feito, não, resolveram se fazer de espertos e durões e exigir mais. A Hllary mandou os negociadores dela abrirem as pernas para os russos e chineses concordarem com *qualquer* projeto de sanções contra o Irã, mesmo que não valesse nada, pra que ela pudesse sair por aí dizendo que “o Ocidente” tinha enviado um “recado inequívoco” ao Irã, e que o acordo BIT não valia nada.

Os russos e os chineses devem estar rindo dela até agora. Assinaram um papel sem valor, porque não só não tem nada significativo como sequer foi aprovado pelo CS, e em troca a Rússia conseguiu que os EUA tirassem da lista negra do Departamento de Estado três empresas russas, que vão agora poder entregar aos Irã os mísseis S-300 de que os iranianos precisavam para defender as instalações nucleares contra um possível ataque aéreo de Israel ou dos Estados Unidos, ou dos dois. E os chineses arrancaram dos americanos a promessa de que não vão ter mais de ficar ouvindo reclamações impertinentes e exigências descabidas sobre a taxa de câmbio do remimbi.

O Obama ainda mandou ao Golfo Pérsico um porta-aviões e seis mil marines, para reforçar o “recado inequívoco” ao Irã.

Não adiantou nada. A “comunidade internacional” que estaria majoritariamente contra os “párias” iranianos que só o Lula e o Erdogan “apoiavam” foi se desmiliguindo país a país. Os chineses que “apoiavam as sanções” declararam que davam preferência a uma solução negociada com base no acordo BIT, os russos alertaram os EUA e a UE contra sanções unilaterais “ilegais”, os 116 países do Movimento Não-Alinhado apoiaram o acordo, o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe apoiaram o acordo, a França desconversou (dizendo que o acordo era “bom”, mas “não trata todas as questões”; e o Sarkozy aproveitou pra falar dos Rafale com o Lula), os britânicos não disseram uma única palavra sobre o assunto, o Japão apoiou o acordo na cara da Hillary em Tóquio, a Índia, Portugal, Espanha, a Grécia, o Egito, a Jordânia, a Síria, a Indonésia, a Organização de Cooperação Islâmica, a África do Sul, (o rei d)a Noruega, os “stãs” todos da Ásia Central, a Armênia, a Nicarágua, El Salvador, o Vietnã e a Ucrânia, todos se alinharam no apoio ao acordo BIT. E o representante do Irã na AIEA, acompanhado dos representantes do Brasil e da Turquia, entregou hoje ao diretor da agência a carta em que o Irã se compromete oficialmente com os termos do acordo.

Os EUA, Israel e a Alemanha ficaram pendurados na brocha, clamando que “a comunidade internacional” estava atrás deles. Só se for atrás do couro dos três.
Resultado, segundo o Ha’aretz:

EUA vão examinar proposta iraniana de troca de combustível

Natasha Mozgovaya e DPA
Tags: Israel news Iran Iran nuclear US
Os Estados Unidos vão examinar a proposta iraniana de enviar urânio enriquecido à Turquia, e planejam consultar a França e a Rússia sobre os próximos passos a serem dados, informou na segunda-feira o Departamento de Estado americano.
O Irã, juntamente com o Brasil e a Turquia, entregou na manhã de segunda-feira ao órgão de vigilância nuclear da ONU sediado em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica, a carta que esboça o acordo que pretende aliviar preocupações sobre as atividades nucleares iranianas e afastar possíveis sanções.
[Resto da notícia, em inglês, aqui:http://tinyurl.com/iran-haaretz]
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Não podiam ter dito isto há uma semana? Não podiam ter-se poupado o vexame de comprar uma assinatura sem efeito num papel sem valor em troca de favores substanciais aos russos e chineses? Não podiam ter dado ao mundo uma demonstração de que de fato procuram uma saída pacífica para o problema que eles mesmos criaram?
Definitivamente, tem um bando de amadores no controle do maior arsenal nuclear do mundo.
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À uma da manhã aqui no sul gelado, o site noticioso chinês english.cri.cn deu a notícia: em uma declaração oficial sobre uma conversa telefônica entre o primeiro ministro turco Recep Erdogan e o presidente francês Nicolas Sarkozy, o Palais de l’Élysée anunciou que a França “vai dar um tempo ao diálogo” sobre a questão nuclear iraniana.
Ás cinco da manhã, outra boa notícia: mais um aliado de peso se somou ao Brasil: o México, que vai presidir o Conselho de Segurança em junho, mês que as sanções *seriam* votadas, se s EUA ainda tiverem a cara-de-pau de as submeter a votação, correndo o risco de um vexame.
A ministra de relações exteriores mexicana, Patricia Espinosa, ainda acrescentou que “a presença do presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva no Irã garante a seriedade da questão”. E isto que ela é ministra de um governo “de direita”.
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Definitivamente, as sanções estão mortas.

Leia mais no Nassif...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Le Monde: O Sul emergente abre alas e pede passagem

Do blog do Azenha

Irã nuclear: o Sul emergente abre alas e pede passagem, na negociação
19/5/2010, “Opinion”, Le Monde, Paris
http://www.lemonde.fr/opinions/article/2010/05/19/nucleaire-iranien-le-sud-emergent-veut-sa-place-dans-la-negociation_1353888_3232.html
Tradução de Caia Fittipaldi

O Sul emergente já aparecera antes, em cena que provocou frisson e alarido no palco internacional, em domínios do meio ambiente e do comércio. Essa semana, inaugura nova etapa, importante sinal de o quanto aumenta o poder desses países.

Ei-los ativos em terreno que, até agora, permanecia como quase-monopólio das tradicionais “grandes potências”: a proliferação nuclear no Oriente Médio – ou, em resumo, a relação de forças numa região-chave para Europa e Estados Unidos.

Os livros de História guardarão a data – 2ª-feira, 17 de maio –, em que Brasil e Turquia apresentaram à ONU acordo negociado com Teerã, sobre uma das facetas da questão nuclear iraniana.
Pense-se o que se pensar sobre o texto que resultou dessa mediação turco-brasileira, a própria mediação, em estratégia de mostrar fato consumado – não foi mediação solicitada –, muda consideravelmente o quadro mundial. Ela quebra de facto o domínio até agora reservado aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia.

Endereçada exatamente a esses, a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan é clara: nem pensem, em 2010, em porem-se a reinar só vocês, sobre uma ordem internacional na qual o peso das nações evolui a favor de países como os nossos (o Sul emergente estende-se do Egito à África do Sul, da Nigéria à Indonésia).

AMBIÇÕES POLÍTICAS LEGÍTIMAS
Para os que ainda não entenderam: Brasil e Turquia, segunda-feira passada, puseram os pontos nos “is”. São membros, sim, do grupo dito “5 +1”, ou “os Cinco” que, na ONU, discute a questão nuclear iraniana.
O grupo é constituído dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança acima citados, mais a Alemanha. Os cinco países acusam o Irã de descumprir compromissos internacionais e de ignorar várias Resoluções da ONU. Suspeitam que Teerã mantenha um programa de enriquecimento de urânio que parece ter uma única finalidade: militar.

As ambições políticas dos países do Sul são legítimas. Têm de ser acolhidas positivamente. Mas, no caso do dossiê iraniano, a desconfiança dos Cinco tem fundamento. Evidentemente, todos saudaram a iniciativa turco-brasileira como “um passo na direção certa”.

Simultaneamente, para marcar a desconfiança quanto à substância do acordo anunciado em Teerã, os Cinco já avisaram, na 3ª-feira, que manterão a pressão sobre o Irã. Trabalham agora num projeto de Resolução que prevê novas sanções contra a República Islâmica.

Têm razão. O documento turco-brasileiro propõe que uma parte – apenas uma parte – do urânio iraniano seja armazenada no exterior, em troca de combustível enriquecido só aproveitável para uso civil. Assim, não se impede o Irã de produzir o urânio mais potente de que carece para produzir arma nuclear.
Os iranianos já disseram, ontem: não pensam em suspender seu próprio programa de enriquecimento de urânio… Têm razão, pois, os Cinco, que exigem mais.

Leia mais no Azenha...

domingo, 16 de maio de 2010

Notícias sobre o Acordo com o Irã

Mais uma vez a grande(?) mídia vai tentar diminuir o papel do governo brasileiro no acordo. É tanto que a Globonews dá a notícia sob a ótica da importância do governo turco na negociação. Parecia até que o Lula tava alí só em missão comercial. No fim, porém, a reportagem se sai com um "Lula cancelou a entrevista coletiva que deveria conceder porque queria ter um resultado concreto para anunciar". Claro que o governo turco tem papel importante, até porque é na Turquia que provavelmente vai acontecer a troca pelo urânio enriquecido. Mas foi Lula que foi até o fim, conversando olho no olho com o Aiatolá Khamenei e com o Ahmadinejad. Se sair o acordo, como tudo indica que vai sair, tem o dedo do governo brasileiro. Tanto que o Chanceler turco apressou-se em ir à Teerã, não sem antes ter desistido, atendendo ao chamado da Secretária de Estado Hillary Clinton.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Brasil e Turquia discutem Proposta Meio Termo para o caso Iraniano




Pra sair um pouco da unanimidade burra e colonizada da grande(?) mídia, é sempre bom ouvir o outro lado. 

Do blog do Planalto.

Brasil e Turquia estão convictos de que ainda há tempo para se encontrar uma solução pacífica e negociada com o Irã em relação ao seu programa nuclear e vão trabalhar juntos para elaborar uma proposta que seja aceita tanto pelos iranianos quanto pelos países ocidentais, informou ontem o ministro das Relações Exterior (MRE), Celso Amorim, em entrevista coletiva concedida ontem (12/4) em Washington, nos Estados Unidos, onde está juntamente com o presidente Lula para participar da Cúpula de Segurança Nuclear.



O ministro brasileiro afirmou também que Brasil e Turquia tem “alta respeitabilidade internacional” que garante legitimidade a qualquer ação que venha a ser aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, e por isso os dois países têm sido procurados pelos países que defendem sanções ao Irã para debater a questão.

Amorim lembrou que tanto a Turquia quanto o Brasil são países que não querem e não tem armas nucleares, e defendem a idéia de que todos os países do mundo, inclusive o Irã, têm o direito de ter programas nucleares para fins pacíficos -- desde que dêem as garantias necessárias à comunidade internacional de que não haverá desvio dessas pesquisas para fins militares.

http://blog.planalto.gov.br/brasil-e-turquia-discutem-proposta-meio-termo-para-caso-iraniano/

terça-feira, 13 de abril de 2010

EUA e Irã e o "pito" da grande(?) mídia no Brasil.

É impressionante! Enquanto o Brasil é tratado com todo o respeito no cenário internacional, ainda que matenha uma postura de independência em relação à questão das sanções ao Irã, aqui em "Pindorama" a grande (ou seria melhor "velha"?) mídia age como um bom e adestrado pitbull a defender com unhas e dentes que o Brasil apóie incondicionalmente a posição adotada pelos EUA contra o Irã, de modo a não se isolar no plano externo. Parece que nossos queridos empresários da informação têm saudades do chamado alinhamento automático, que evitava maiores contestações ou debates sobre os problemas no âmbito das relações internacionais, uma ideologia siamesa da Teoria da Dependência, que estudou as relação econômicas sob o binômio centro-periferia, e que moldou as relações políticas e sociais dos países chamados periféricos (em desenvolvimento) sob este prisma. Só que o mundo está mudando para uma multipolarização e não se pode mais chamar o Brasil de país periférico. A defesa do desenvolvimento de um programa nuclear pacífico e de intensas e insistentes tratativas diplomáticas parecem não combinar com o espírito do tempo, sabendo-se que, ao que parece, o mundo dito civilizado necessita sempre de guerras para "equacionar" seus desequilíbrios e dissabores, mas deveria ser festejada como uma iniciativa do Brasil contra as chamadas "soluções finais". Caberia ao Irã provar que quer utilizar o urânio para fins que não o de aplicações bélicas, mas aí se pergunta: se a Índia e o Paquistão e Israel têm armas nucleares, porque o Irã não pode ter? Ou, se é para aplicações outras, que tal destruir todas as ogivas existentes, incluindo a desses países? Claro que são questões bastante complexas, como complexa é a questão do Irã. O fato é que o Lula vem levando pito da mídia local por esta posição "meiga" em relação a questão iraniana, ainda que para ele o que valha sejam as relações comerciais e o respeito a autodeterminação dos povos. Mas a mídia não é daqui, porque seus interesses são outros...

Brasil e Turquia querem alternativa a sanções contra Irã
Da BBC Brasil
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington

Brasil e Turquia vão aproveitar a Cúpula sobre Segurança Nuclear, que reúne representantes de 47 países em Washington, para discutir com outros líderes a busca de uma solução pacífica para a questão do programa nuclear iraniano, disse nesta segunda-feira o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, em uma reunião bilateral realizada na residência do embaixador brasileiro na capital americana.

"Eles conversaram sobre o Irã bastante longamente", disse Amorim. "Trocaram impressões sobre os esforços que ambos os países têm feito para encontrar uma solução pacífica e que dispense o uso de sanções para a questão nuclear iraniana."

"Devem aproveitar a ocasião para levantar a questão com outros líderes presentes", afirmou o ministro.

Amorim disse que vai se reunir com o ministro de Relações Exteriores turco para "discutir elementos que poderiam fazer parte de uma proposta que possa ser aceita tanto pelo Irã quanto por outros países".

Apesar de não dar detalhes de uma possível proposta, Amorim disse que um dos pontos a ser abordados é a questão do tempo para a troca de urânio por material enriquecido.

O Irã já rejeitou propostas de enviar seu urânio com baixo nível de enriquecimento a outros países, para então para ser enriquecido e transformado em combustível para reatores.

O ministro reafirmou que o Brasil defende uma solução diplomática para a questão e voltou a fazer comparações com o Iraque (acusado de ter armas de destruição em massa que nunca foram encontradas).

"Nossa percepcção (contra sanções) é baseada, entre outras coisas, na experiência prática do que ocorreu há poucos anos no Iraque", afirmou.

Conselho de Segurança

Brasil e Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança das Nações Unidas e ambos defendem o diálogo como melhor forma de resolver a questão do programa nuclear iraniano.

Os Estados Unidos e outros países têm aumentado a pressão para que o Conselho de Segurança aprove uma quarta rodada de sanções contra o Irã, por conta da recusa do governo iraniano em interromper seu programa de enriquecimento de urânio.

Esses países afirmam temer que o Irã planeje construir armas nucleares secretamente. O governo iraniano nega essas alegações e garante que seu pograma nuclear tem fins pacíficos, para uso medicinal e de geração de energia.

"Tanto o Brasil quanto a Turquia são países que não têm e não querem ter armas nucleares e que defendem a ideia de que o Irã, como outros países, pode ter programas para fins pacíficos mas, ao mesmo tempo, dando as garantias necessárias à comunidade internacional de que não há desvio dessas pesquisas ou desses desenvolvimentos para fins militares", disse Amorim.

China

Apesar de não constar da programação oficial da cúpula, a questão iraniana deve ser o principal assunto debatido nas reuniões bilaterais mantidas pelos líderes presentes em Washington até esta terça-feira.

Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, em um encontro bilateral.

A China mantém posição semelhante à do Brasil e defende a busca do diálogo como melhor forma de tratar da questão iraniana.

Nos últimos dias, porém, Pequim tem dado sinais de que poderia mudar de postura e apoiar uma nova rodada de sanções.

O governo chinês já havia aceitado "discutir" a questão e, na semana passada, enviou um representante a uma reunião em Nova York para tratar do tema.

A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e tem direito a veto. Os outros quatro - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia - já manifestaram apoio às novas sanções.

Obama já disse que espera uma nova resolução com sanções contra o Irã dentro de "semanas", mas ainda não há previsão para votação no Conselho de Segurança.

Itália e Japão

O presidente Lula também manteve encontros bilaterais com os primeiros-ministros da Itália, Silvio Berlusconi, e do Japão, Yukio Hatoyama.

Com o líder japonês, Lula também discutiu a questão iraniana.

"Houve concordância bastante genérica em torno da importância do diálogo para resolver esse tipo de questão", disse Amorim.

Os dois líderes também falaram da necessidade de reforma no Conselho de Segurança, uma das ambições do Brasil que busca obter uma vaga permanente no conselho.

Com Berlusconi, Lula assinou um plano de ação estratégica, que prevê cooperação em vários campos, como área econômica, comercial, de saúde e encontros mais freuentes de ministros da Fazenda.

Segundo Amorim, também foi tratada da visita de Berlusconi ao Brasil, prevista para o final de junho, após a reunião do G20 no Canadá.

À noite, Lula participa de um jantar oferecido por Obama aos líderes presentes na Cúpula.

O encontro de dois dias na capital americana tem o objetivo de discutir ações conjuntas e individuais entre os países para impedir que material nuclear caia em poder de organizações terroristas.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100412_brasil_turquia_sancoes_ac_np.shtml

segunda-feira, 1 de março de 2010

Internacional: Pesquisadores apontam grandes cidades como zonas propensas a terremotos e novas tragédias

Do New York Times
(Portal UOL)

Andrew C. Revkin

Em Istambul (Turquia)Enquanto investiga as ruas desta ampla megacidade, Mustafa Erdik, o diretor de um instituto de engenharia de terremotos daqui, diz que às vezes se sente como um médico diagnosticando uma ala lotada de hospital.

Não se trata tanto do lado moderno da cidade, onde duas Torres Trump reluzentes e um imenso terminal de aeroporto foram construídos para suportar um grande terremoto, que é considerado inevitável nas próximas poucas décadas. Erdik também não agoniza a respeito dos monumentos antigos de Istambul, cujas paredes de vários metros de espessura já suportaram mais de uma dúzia de golpes sísmicos potentes ao longo dos últimos dois milênios.

Sua maior preocupação é com as dezenas de milhares de prédios por toda a cidade, erguidos com pressa, despreparados e não inspecionados, à medida que a população saltava de 1 milhão para 10 milhões em apenas 50 anos, o que alguns sismólogos chamam de “escombros à espera”.

“Os terremotos sempre encontram o ponto mais fraco”, disse Erdik, um professor da Universidade de Bogazici daqui.

Istambul é uma das várias cidades ameaçadas por terremotos no mundo em desenvolvimento onde as populações cresceram mais rapidamente do que a capacidade de fornecer moradias seguras, as deixando propensas a um desastre de um tamanho que poderia, em alguns casos, ultrapassar a devastação causada pelo terremoto do mês passado no Haiti.

Roger Bilham, um sismólogo da Universidade do Colorado que passou décadas estudando grandes terremotos ao redor do mundo, incluindo o recente sismo no Haiti, disse que a crescente população urbana do planeta, projetada para aumentar em mais 2 bilhões de pessoas até meados do século, exigindo 1 bilhão de moradias, enfrenta “uma arma de destruição em massa não reconhecida: as moradias”.

Sem grandes esforços para mudar as práticas de construção e educar as pessoas, de prefeitos a pedreiros, sobre formas simples de reforçar as estruturas, ele disse, a tragédia do Haiti quase certamente será superada em algum momento deste século, quando um grande terremoto atingir Karachi, no Paquistão; Katmandu, no Nepal; Lima, no Peru; ou qualquer uma de uma longa lista de grandes cidades pobres que inevitavelmente enfrentarão grandes terremotos.

Em Teerã, a capital do Irã, Bilham calculou que 1 milhão de pessoas poderiam morrer em um terremoto previsto, semelhante em intensidade ao do Haiti, que o governo haitiano estima que matou 230 mil pessoas. (Alguns geólogos iranianos pressionam seu governo há décadas para mudar a capital, devido ao ninho de falhas geológicas ao seu redor.)

Quanto a Istambul, um estudo liderado por Erdik mapeou uma situação na qual um terremoto poderia matar de 30 mil a 40 mil pessoas e ferir gravemente 120 mil.

A cidade está repleta de prédios com falhas gritantes, como andares térreos com paredes ou colunas removidas para abrir espaço para vitrines de lojas, ou uma sucessão de acréscimos de novos andares ilegais a cada período eleitoral, com base na suposição de que as autoridades locais farão vista grossa. Em muitos prédios, os andares superiores se equilibram precariamente sobre a calçada, tirando proveito de um velho processo de permissão que rege apenas a base do prédio.

Repetindo a posição de outros engenheiros e planejadores que tentam reduzir a vulnerabilidade de Istambul, Erdik disse que a melhor esperança, considerando a escala do problema, seria a de um progresso econômico acontecer rápido o suficiente a ponto dos proprietários de imóveis substituírem os piores imóveis, já existentes, antes do chão tremer.

“Se o sismo nos der algum tempo, nós podemos reduzir as perdas com a simples rotatividade”, disse Erdik. “Se acontecer amanhã, haverá um número imenso de mortes.”

Mas quando um terremoto potente ocorreu a 80 quilômetros de distância em 1999, matando mais de 18 mil pessoas, incluindo 1.000 nos arredores de Istambul, a cidade foi lembrada de que o tempo pode não estar ao seu lado. Aquele terremoto ocorreu na falha Anatólia Norte, que passa sob o Mar de Mármara, a poucos quilômetros da zona sul densamente povoada da cidade.

A falha, que é muito semelhante à de San Andreas na Califórnia, parece ter um padrão de sismos sucessivos, o que significa que um provavelmente ocorrerá no trecho próximo de Istambul, disse Tom Parsons, que estudou a falha para o Levantamento Geológico dos Estados Unidos.

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2010/02/25/pesquisadores-apontam-grandes-cidades-como-zonas-propensas-a-terremotos-e-novas-tragedias.jhtm

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Erros diplomáticos de Israel provocam alarme










Financial Times

À primeira vista, a morte violenta de um dirigente do Hamas em Dubai, no mês passado, pareceria ter pouco em comum com a altura dos sofás no Ministério das Relações Exteriores de Israel. Ou as recentes ameaças do ministro das Relações Exteriores de Israel contra o presidente da Síria. Ou a recusa rude de um alto funcionário israelense em receber um grupo de legisladores americanos na semana passada.

Mas há um tema que os liga: todos falam da capacidade de Israel de irritar seus vizinhos, antagonizar seus aliados e aprofundar o isolamento do país. Em um momento em que Israel já está diplomaticamente na defensiva por todo o mundo e cambaleando da reação negativa internacional contra a guerra na Faixa de Gaza no ano passado, é um hábito que está começando a alarmar muitas pessoas, inclusive dentro do próprio Israel.

Há, é claro, uma boa chance de que o assassinato de Mahmoud al Mabhouh nunca seja conclusivamente ligado ao serviço secreto de Israel. Mas a suposição predominante de que os assassinos foram de fato enviados pelo Mossad –utilizando passaportes britânicos, irlandeses, alemães e franceses para a viagem– já estremeceu os laços de Israel com esses países aliados europeus.

Israel não tem relacionamento oficial com Dubai que poderia estragar. Mas o emirado é um dos países árabes considerados “moderados” por Israel, e forma um bloco potencialmente importante na aliança contra o Irã. Em outras palavras, não é um campo de batalha ideal para a guerra secreta de Israel contra os militantes palestinos.

A aliança estratégica crucial de Israel com a Turquia, por sua vez, está abalada pelo recente caso “Sofagate”. Em uma ação que enfureceu tanto o governo quanto a opinião pública turca, o embaixador turco foi instruído pelo vice-ministro das Relações Exteriores de Israel a se sentar em um sofá baixo, em uma aparente tentativa de humilhar o emissário diante da mídia israelense. Danny Ayalon foi posteriormente forçado a pedir desculpas, mas há pouca dúvida de que o episódio causou um dano duradouro a uma das alianças mais importantes de Israel.

O incidente não foi um caso isolado. Sob Avigdor Lieberman, o ministro das Relações Exteriores e líder do partido de extrema direita Yisrael Beiteinu, Israel parece ter abraçado uma escola de diplomacia que gosta de fala rude e gestos provocadores. Em sua mais recente explosão, Lieberman alertou o presidente sírio de que ele e sua família seriam derrubados do poder caso ocorra outra guerra entre os dois países.

Isso ocorreu após outra decisão igualmente danosa na semana passada, desta vez por parte de Ayalon, de se recusar a se encontrar com uma delegação visitante de legisladores americanos. Isso ocorreu porque os legisladores –representando a maior e mais importante aliado de Israel– viajavam com um grupo de lobby judeu de esquerda, visto por alguns membros da direita de Israel como críticos demais da política israelense.

Alguns israelenses estão claramente desesperados com esta série de gols contras diplomáticos. É um desdobramento ainda mais enigmático dado que Israel está plenamente ciente dos riscos que corre com uma reação negativa internacional. Muitos israelenses estão convencidos de que seu país é vítima de uma campanha de “deslegitimização” comandada por grupos palestinos e ativistas anti-Israel de todo o mundo. Eles ficaram profundamente enfurecidos com os esforços, mais notadamente no Reino Unido, de processar políticos e soldados israelenses por supostos crimes de guerra. Eles temem pedidos de boicote. E rejeitam firmemente a onda de condenação internacional e protestos provocada pela guerra do ano passado na Faixa de Gaza.

Por trás de tudo isso há o medo de que Israel no final será tratado como um Estado pária, como a África do Sul da época do apartheid, com todas as consequências que poderiam resultar: nenhum cantor israelense no concurso anual da canção Eurovision, nenhuma laranja de Jaffa nos pratos europeus e nenhum apoio europeu e americano às políticas israelenses na ONU.

É um cenário que permanece fantasioso. O apoio a Israel é sólido nos Estados Unidos e entre a maioria dos governos europeus.

Mas Israel teme, acertadamente, que está perdendo a solidariedade de grande parte da opinião pública ocidental. O cultivo cuidadoso dos laços diplomáticos de Israel com seus aliados não é tema para manchetes dramáticas. Mas os laços servem mais aos interesses de longo prazo do Estado judeu do que um militante palestino morto em um quarto de hotel em Dubai.

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2010/02/25/erros-diplomaticos-de-israel-provocam-alarme.jhtm