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terça-feira, 25 de maio de 2010

Nassif: Pausa nas Sanções contra o Irã

A insistência neste assunto sobre o Irã é porque revela em todos os aspectos quais os interesses que estão em jogo na questão da diplomacia e como o Brasil se agiganta neste momento, ainda que parte de sua elite mantenha-se atrelada a um passado que sempre retratou o país como pequeno e dependente dos interesses de outros países, principalmente dos EUA. Não é à toa que os "embaixadores de pijama", em especial aqueles que fizeram parte de um outro governo, são sempre chamados para "debater" numa certa emissora, e baixar o sarrafo nos avanços da nossa chancelaria, mormente no caso do acordo com o Irã. Ao que parece, quebraram a cara (mais uma vez!). E agora?! É o mundo de um lado e os EUA, Israel, Alemanha e a grande(?) mídia brasileira do outro?! A que ponto chegamos...

Pausa nas Sanções contra o Irã
do blog do Nassif.

Por Tomás Rosa Bueno

Os EUA não acreditavam que a Turquia e o Brasil fossem capazes de fazer o Irã concordar com o acordo que *os Estados Unidos* tinham proposto no ano passado, e incentivaram os turcos e brasileiros a fazer papel de tontos indo ao Irã sem conseguir nada. Quando o acordo saiu, contra todas as expectativas deles, em vez de transformar o vexame em vitória dizendo que o Irã tinha sido forçado a aceitar uma proposta que afinal *os americanos* tinham feito, não, resolveram se fazer de espertos e durões e exigir mais. A Hllary mandou os negociadores dela abrirem as pernas para os russos e chineses concordarem com *qualquer* projeto de sanções contra o Irã, mesmo que não valesse nada, pra que ela pudesse sair por aí dizendo que “o Ocidente” tinha enviado um “recado inequívoco” ao Irã, e que o acordo BIT não valia nada.

Os russos e os chineses devem estar rindo dela até agora. Assinaram um papel sem valor, porque não só não tem nada significativo como sequer foi aprovado pelo CS, e em troca a Rússia conseguiu que os EUA tirassem da lista negra do Departamento de Estado três empresas russas, que vão agora poder entregar aos Irã os mísseis S-300 de que os iranianos precisavam para defender as instalações nucleares contra um possível ataque aéreo de Israel ou dos Estados Unidos, ou dos dois. E os chineses arrancaram dos americanos a promessa de que não vão ter mais de ficar ouvindo reclamações impertinentes e exigências descabidas sobre a taxa de câmbio do remimbi.

O Obama ainda mandou ao Golfo Pérsico um porta-aviões e seis mil marines, para reforçar o “recado inequívoco” ao Irã.

Não adiantou nada. A “comunidade internacional” que estaria majoritariamente contra os “párias” iranianos que só o Lula e o Erdogan “apoiavam” foi se desmiliguindo país a país. Os chineses que “apoiavam as sanções” declararam que davam preferência a uma solução negociada com base no acordo BIT, os russos alertaram os EUA e a UE contra sanções unilaterais “ilegais”, os 116 países do Movimento Não-Alinhado apoiaram o acordo, o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe apoiaram o acordo, a França desconversou (dizendo que o acordo era “bom”, mas “não trata todas as questões”; e o Sarkozy aproveitou pra falar dos Rafale com o Lula), os britânicos não disseram uma única palavra sobre o assunto, o Japão apoiou o acordo na cara da Hillary em Tóquio, a Índia, Portugal, Espanha, a Grécia, o Egito, a Jordânia, a Síria, a Indonésia, a Organização de Cooperação Islâmica, a África do Sul, (o rei d)a Noruega, os “stãs” todos da Ásia Central, a Armênia, a Nicarágua, El Salvador, o Vietnã e a Ucrânia, todos se alinharam no apoio ao acordo BIT. E o representante do Irã na AIEA, acompanhado dos representantes do Brasil e da Turquia, entregou hoje ao diretor da agência a carta em que o Irã se compromete oficialmente com os termos do acordo.

Os EUA, Israel e a Alemanha ficaram pendurados na brocha, clamando que “a comunidade internacional” estava atrás deles. Só se for atrás do couro dos três.
Resultado, segundo o Ha’aretz:

EUA vão examinar proposta iraniana de troca de combustível

Natasha Mozgovaya e DPA
Tags: Israel news Iran Iran nuclear US
Os Estados Unidos vão examinar a proposta iraniana de enviar urânio enriquecido à Turquia, e planejam consultar a França e a Rússia sobre os próximos passos a serem dados, informou na segunda-feira o Departamento de Estado americano.
O Irã, juntamente com o Brasil e a Turquia, entregou na manhã de segunda-feira ao órgão de vigilância nuclear da ONU sediado em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica, a carta que esboça o acordo que pretende aliviar preocupações sobre as atividades nucleares iranianas e afastar possíveis sanções.
[Resto da notícia, em inglês, aqui:http://tinyurl.com/iran-haaretz]
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Não podiam ter dito isto há uma semana? Não podiam ter-se poupado o vexame de comprar uma assinatura sem efeito num papel sem valor em troca de favores substanciais aos russos e chineses? Não podiam ter dado ao mundo uma demonstração de que de fato procuram uma saída pacífica para o problema que eles mesmos criaram?
Definitivamente, tem um bando de amadores no controle do maior arsenal nuclear do mundo.
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À uma da manhã aqui no sul gelado, o site noticioso chinês english.cri.cn deu a notícia: em uma declaração oficial sobre uma conversa telefônica entre o primeiro ministro turco Recep Erdogan e o presidente francês Nicolas Sarkozy, o Palais de l’Élysée anunciou que a França “vai dar um tempo ao diálogo” sobre a questão nuclear iraniana.
Ás cinco da manhã, outra boa notícia: mais um aliado de peso se somou ao Brasil: o México, que vai presidir o Conselho de Segurança em junho, mês que as sanções *seriam* votadas, se s EUA ainda tiverem a cara-de-pau de as submeter a votação, correndo o risco de um vexame.
A ministra de relações exteriores mexicana, Patricia Espinosa, ainda acrescentou que “a presença do presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva no Irã garante a seriedade da questão”. E isto que ela é ministra de um governo “de direita”.
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Definitivamente, as sanções estão mortas.

Leia mais no Nassif...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

BBC Brasil: Brasil é 'jogador intrigante' na diplomacia global, diz revista britânica

Da BBC Brasil
A revista Monocle, editada na Grã-Bretanha, traz na edição deste mês uma reportagem sobre os motivos do que chama de boom diplomático brasileiro, afirmando que o Brasil é “um jogador intrigante” na diplomacia global.

“Está claro que o Brasil se tornou um jogador intrigante no cenário diplomático mundial, flexionando seus joviais músculos e usando seus cotovelos para gentilmente cutucar as antigas potências, especialmente os Estados Unidos, para que saiam de seu caminho quando necessário”, diz o artigo "Um Ministério de Sol - Brasília", assinado pelo jornalista Andrew Tuck.

A revista diz que analistas ocidentais e brasileiros de classe média acham que o Brasil está se aproximando demais de países como o Irã, a Venezuela e a China, e ignorando tradicionais parceiros comerciais como os Estados Unidos e Israel.

Do outro lado, diz o artigo, há os que acreditam que o país está simplesmente buscando o respeito que “essa nação próspera e rica em recursos merece” e que a promoção de novas alianças é um “inovador contrapeso ao poder norte-americano”.

“O que todos têm certeza é que o Brasil quer ser ouvido e que a principal ambição do país é conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU”, afirma.

Desafios
Essa ambição, no entanto, deverá esbarrar em desafios no futuro, segundo analistas ouvidos pela reportagem.
Entre eles estariam as incertezas sobre os rumos da política externa brasileira quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixar o poder, a suspeita de que o Itamaraty só pode ser audacioso “enquanto a economia estiver forte” e a resistência de alguns países latino-americanos à expansão da influência do Brasil.

“Eles (alguns países latino-americanos) estão temerosos de que os Estados Unidos possam se retirar e deixar o Brasil liderar toda a política externa”, afirma Michael Shifter, presidente do Programa Andino no Diálogo Interamericano, uma organização com sede em Washington.
“Eles querem multiplicar suas opções, não querem ser submetidos aos desejos do Brasil”, diz.

A revista também fala sobre a influência cultural brasileira. “Diferente dos debates econômicos, envolver o público com a cultura brasileira não é tarefa difícil – da música ao futebol, o mundo está aberto ao poder suave do Brasil.”
“Colocando simplesmente, o mundo gosta dos brasileiros e do que eles representam.”

Estilo brasileiro
Segundo a Monocle, o estilo informal do presidente brasileiro pode ser visto como um trunfo. A revista cita, como exemplo, o fato de Lula ter substituído os tradicionais jantares de Estado por almoços no esquema self-service, um esquema que teria sido aceito sem problemas pelos chefes de Estado.

“É uma metáfora adequada para a nova diplomacia do governo: talvez problemática para os tradicionalistas, estranhamente inovadora para outros, certamente quebrando algumas regras”, diz.
“Mas tudo feito com um estilo brasileiro que, no final das contas, deveria deixar poucas pessoas se sentindo ameaçadas.”

Veja a edição da matéria (só para assinantes).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sanções contra o Irã: o Jogo de Interesses e a Moral dos Negócios

Essa questão do Irã provocou um fenômeno interessantes no Brasil. Hoje, a dita esquerda defende a posição brasileira de não aplicação das sanções em face dos interesses econômicos que o país tem naquela região, e a direita defende a moral antes dos negócios, uma vez que há "limites" para tudo e o Irã não é um país confiável, seja lá o que isso queira dizer. De fato, o Brasil, além da questão dos negócios, e segundo a linha adotada pela sua diplomacia, aproveitando a presidência rotativa no Conselho de Segurança da ONU, quer ter um protagonismo que vá além do alinhamento automático com os "interesses" outros, como o dos EUA liderando o bloco ocidental, que está de olho no controle das fontes de energia daquela região, bem como do processo de escoamento e distribuição, tanto para a Europa, quanto para a Ásia. Se o país não é alinhado e não deixa que empresas americanas "parceiras" atuem na região, tem que tomar. Mas pra isto é preciso um motivo, e o Ahmadinejad tem dado de sobra, principalmente quando toma uma postura belicosa em relação à Israel, no momento em que enriquece urânio a mais de 20% e, segundo a imprensa internacional, diz querer varrer aquele país do mapa. Há ainda a máquina de guerra americana que o Obama sabe muito bem que tem que alimentar. Entretanto o Irã não abre mão de sua soberania e, nas entrelinhas, deixa claro que quer ter uma bomba nuclear. Acredito que todo país que tem a capacidade de enriquecer urânio e construir um vetor para lançar uma bomba não vai querer abrir mão dessa possibilidade. E o Irã, ainda mais estando às turras com Israel (que tem a bomba) pensa desta forma. O jogo é intrincado e pesado. Há interesses econômicos e estratégicos bem definidos e, no final, pode prevalecer o interesse do bloco mais poderoso, uma vez que os EUA sozinho, embora pudessem em face de seu poder militar, não vai querer arcar com o custo político de uma invasão sem o aval de seus principais aliados. A questão é a China e a Rússia que fazem parte do CS com direito a veto. Ao Brasil cabe, neste momento, arrefecer os ânimos e, de alguma forma, embaralhar o jogo, trazendo a China, Índia e a Rússia para o lado dos que não querem as sanções, e, ao mesmo tempo, adiar o sonho iraniano de ter a bomba. Se conseguir, terá mantido seus interesses econômicos resguardados e se posicionado como um interlocutor de respeito e poder.

Brasil e Irã podem firmar parceria para a troca de tecnologia no setor de gás
Da Agência Brasil

Renata Giraldi*
Enviada Especial

Beirute (Líbano) – As relações entre o Brasil e o Irã podem se estreitar ainda mais no campo econômico para a troca de tecnologia na área de gás natural. Dono da segunda maior reserva de gás natural do mundo, estimada em 23 trilhões de metros cúbicos, o Irã fica atrás apenas da Rússia. O objetivo é aprender com os iranianos as formas de exploração, de transporte e de distribuição mais viáveis para a produção.

A Rússia, que detém a maior reserva de gás natural do mundo, reúne 44 trilhões de metros cúbicos nas suas terras. A América do Sul, como um todo, com concentrações na Bolívia e Venezuela, tem pouco mais de 11 trilhões de metros cúbicos nas suas reservas. Nesse cenário, as atenções se voltam para o Irã.

“Os iranianos são muito desenvolvidos, detêm imensa reserva e sabem como fazer para evitar desperdícios e gastos desnecessários na etapa do transporte, por exemplo. E isso nos interessa demais”, disse o gerente de Projetos da Secretaria de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Rafael Moreira. “Fiquei muito bem impressionado com o que vi no Irã. Eles conhecem o setor e sabem lidar com ele.”

Ao passar pelo Irã, com a comitiva empresarial liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, Moreira conheceu as várias etapas de atividades da empresa estatal do Irã - a Iranian Gas Company – e conversou com diretores e técnicos. Segundo ele, a ideia é elaborar um relatório detalhado, a ser apresentado à Petrobras e demais empresas do setor, para a avaliação de um possível acordo de cooperação.

“A parceria pode ser interessante para que as empresas levem o conhecimento do que se faz no Irã para os novos leilões”, disse Moreira. “A forma como o Irã atua na área de gás natural permite que o país produza de seis a oito vezes mais do que se tem no Brasil, por exemplo”, acrescentou.

Apesar de deter a segunda maior reserva mundial, o Irã sofre com as restrições econômicas impostas pelos países alinhados aos Estados Unidos. Os principais parceiros comerciais dos iranianos são a China e a Índia. Por essa razão, há expectativa de que um eventual acordo com o Irã seja bem-sucedido.

*A repórter e o fotógrafo viajaram a convite do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Edição: Graça Adjuto

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Brasil e Turquia discutem Proposta Meio Termo para o caso Iraniano




Pra sair um pouco da unanimidade burra e colonizada da grande(?) mídia, é sempre bom ouvir o outro lado. 

Do blog do Planalto.

Brasil e Turquia estão convictos de que ainda há tempo para se encontrar uma solução pacífica e negociada com o Irã em relação ao seu programa nuclear e vão trabalhar juntos para elaborar uma proposta que seja aceita tanto pelos iranianos quanto pelos países ocidentais, informou ontem o ministro das Relações Exterior (MRE), Celso Amorim, em entrevista coletiva concedida ontem (12/4) em Washington, nos Estados Unidos, onde está juntamente com o presidente Lula para participar da Cúpula de Segurança Nuclear.



O ministro brasileiro afirmou também que Brasil e Turquia tem “alta respeitabilidade internacional” que garante legitimidade a qualquer ação que venha a ser aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, e por isso os dois países têm sido procurados pelos países que defendem sanções ao Irã para debater a questão.

Amorim lembrou que tanto a Turquia quanto o Brasil são países que não querem e não tem armas nucleares, e defendem a idéia de que todos os países do mundo, inclusive o Irã, têm o direito de ter programas nucleares para fins pacíficos -- desde que dêem as garantias necessárias à comunidade internacional de que não haverá desvio dessas pesquisas para fins militares.

http://blog.planalto.gov.br/brasil-e-turquia-discutem-proposta-meio-termo-para-caso-iraniano/

domingo, 28 de março de 2010

A guerra do ferro entre siderúrgicas e mineradoras, encabeçadas pela Vale

Do Le Monde
Alain Faujas

O julgamento, encerrado em Xangai na quarta-feira (24), de quatro executivos da mineradora Rio Tinto, acusados de “espionagem comercial” e de “corrupção”, é só um episódio da batalha que há mais de um ano ocorre entre as siderúrgicas de porte mundial e os três maiores produtores de ferro, a brasileira Vale e as anglo-australianas BHP-Billiton e Rio Tinto.

Na verdade, as siderúrgicas chinesas não são mais as únicas a denunciarem o monopólio dessas três gigantes e a pedir a intervenção de seu governo em suas negociações com as empresas mineradoras. Há alguns dias a associação das siderúrgicas europeias Eurofer pediu para que a Comissão Europeia a apoiasse diante desse “cartel” que pratica, segundo ela, um “abuso de posição dominante”, pois a Europa corre o risco de lhe ter imposta uma alta de 80% do preço do minério, em um mercado do aço que ainda sofre com a recessão.

Há décadas o ferro é alvo de um verdadeiro ritual. Todo outono siderúrgicas e mineradoras se encontram para discutir preços praticáveis durante um ano a partir de 1º de abril do ano seguinte. As negociações duram até que uma siderúrgica europeia ou japonesa entre em acordo com um fornecedor brasileiro ou australiano sobre as quantidades e os preços. Os outros participantes seguem esse contrato de referência. O mercado à vista, ou “spot”, até agora só representava 5% do bilhão de toneladas de ferro comercializado a cada ano no mundo. Esses preços garantidos têm a vantagem de dar uma visibilidade de um ano aos vendedores, que podem decidir os investimentos necessários, e aos compradores, que constroem sem riscos sua oferta comercial de aço.

“A China desequilibrou tudo”, comenta um analista europeu, “pois ela aumentou muito sua produção de aço em 2008-2009, em plena crise, e importou ferro em grande quantidade. As mineradoras não querem que o preço de referência continue sendo fixado contratualmente em US$ 60 a tonelada, sendo que o preço se aproxima dos US$ 140 no mercado spot, pois a China compra ali 70% de suas necessidades. Agora eles querem preços de mercado e, assim como para o carvão para caldeiras a vapor, eles querem trocar o preço anual por um preço trimestral indexado sobre o spot. A oferta é hoje limitada, pois as minas operam em capacidade máxima; a demanda de ferro continua forte. Em outras palavras, são as mineradoras que têm o controle, gostem os chineses e os europeus ou não”.

Estes últimos não veem as coisas dessa forma. “Nada justifica o aumento de preços em 80% apresentado pela Vale”, protesta Gordon Moffat, diretor-geral da Eurofer. “Nos cinco últimos anos, nossas empresas siderúrgicas sofreram aumentos anuais de 50% a 70%, devido à emergência da China e ao forte crescimento mundial. As mineradoras registraram então margens de 50%! Hoje, constatamos uma retomada de nossa produção de aço de somente 8,6% em relação a 2009, após uma queda de 35% no ano passado. Nossos preços ainda estão retraídos em 40%: a demanda das siderúrgicas é injustificada”.

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2010/03/25/a-guerra-do-ferro-entre-siderurgicas-e-mineradoras-encabecadas-pela-vale.jhtm

sábado, 27 de março de 2010

BBC Brasil: China ultrapassa EUA como maior investidor em energia limpa

A China ultrapassou os Estados Unidos em 2009 e se tornou o maior investidor em tecnologia de energias renováveis, segundo um relatório divulgado nos Estados Unidos.

Os pesquisadores do instituto americano Pew calculam que a China investiu US$ 34 bilhões (cerca de R$ 62 bilhões) em energia limpa no ano passado, quase o dobro do investimento realizado nos Estados Unidos.

O Brasil ficou em quinto lugar na lista entre os países do G20, tendo investido aproximadamente R$ 13,2 bilhões, atrás de China, EUA, Grã-Bretanha e Espanha.

O crescimento mais espetacular ocorreu na Coreia do Sul, onde a capacidade instalada cresceu 250% nos últimos cinco anos.

Globalmente, o investimento mais do que dobrou nos últimos cinco anos, afirma o Pew, que concluiu que a recente crise econômica provocou apenas uma pequena queda nesses investimentos.

“Mesmo em meio a uma recessão global, o mercado de energia limpa passou por um crescimento impressionante”, afirma Phyllis Cuttino, diretora da campanha sobre mudanças climáticas da instituição.

“Os países estão disputando a liderança”, disse ela.

“Eles sabem que o investimento em energia limpa pode renovar suas bases manufatureiras e criar oportunidades de exportação, empregos e negócios.”

Os Estados Unidos ainda mantêm uma pequena liderança na capacidade total instalada, mas se a tendência continuar em 2010, a China deverá ultrapassar o país ainda neste ano.

Diversificando

A meta do governo chinês de ter 30GW de capacidade de energia renovável instalados até 2020 está para ser cumprida em breve com o uso apenas de energia eólica (do vento), e novas metas já estão sendo estabelecidas.

“O governo tomou a decisão estratégica de que diversificar suas fontes de energia deveria ser uma prioridade nacional”, comentou Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), que não participou da análise do Pew.

“Ela é agora líder na fabricação de células fotovoltaicas (de energia solar), e são fabricadas mais turbinas eólicas na China do que em qualquer outro país.”

Mas o uso de combustíveis fósseis na China também está em rápida expansão.

Até agora, as renováveis respondem por uma pequena parcela da energia consumida na China, mas a meta do país é que 15% de sua energia venham de fontes limpas até 2020.

A energia eólica foi o setor dominante na maioria dos países que realizaram altos investimentos em energias renováveis, com exceção da Espanha, Alemanha e Itália, onde a energia solar foi a campeã de investimentos.

Já os investimentos nos Estados Unidos caíram em 40% de 2008 para 2009.

O investimento da Espanha também caiu, por causa da recessão, depois de vários anos de rápido crescimento, motivado pelo desejo de diminuir as emissões dos gases causadores do efeito estufa para atingir as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto.

O Pew baseou sua análise com base nos dados da Bloomberg New Energy Finance, o grupo internacional de consultoria e análise.

terça-feira, 23 de março de 2010

Tempestade de areia atinge Pequim

 Da BBC Brasil

A capital chinesa, Pequim, foi atingida por uma forte tempestade de areia.
Esse tipo de tempestade ocorre quando ventos fortes movimentam a areia do deserto.
A desertificação do leste da Cjina e dos estepes da Mongólia tornaram as tempestades de primavera piores nos últimos anos, deixando a chuva e a neve amarelas.
O governo chinês vem gastando milhões de dólares em projetos para conter a expansão dos desertos.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Pepe Escobar: O Brasil interpõe-se entre Israel e Irã

"Nunca antes na história deste país". A frase bem conhecida e "patenteada" pelo Presidente Lula deve ser aplicada ao atual momento por que passa a diplomacia brasileira. Ao colocar o Brasil como protagonista importante de assuntos complexos como este, do Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e EUA, na posição de interlocutor privilegiado, capaz de falar firme e ponderadamente a favor de uma postura de não confrontação e de diálogo, o país passa a adquirir respeito da comunidade internacional, fazendo, juntamente com os outros BRICs, um contraponto ao stablishment mais radical, os senhores da guerra, que querem o confronto a qualquer custo. Deixou o Brasil de ser quase que um mero espectador, que não se metia em assuntos dos quais todo país de peso e importância geopolítica não poderia se furtar, se alinhando automaticamente com o bloco EUA-Europa, quase que pedindo desculpas em situações que exijiam um posicionamento mais claro. Nesse jogo de xadrez, torcemos pela paz, esperarando pelos próximos acontecimentos...

Do Asia Times
Via blog do Azenha
Por Pepe Escobar

Por falar em Via Dolorosa, Luiz Inacio Lula da Silva foi o primeiro presidente do Brasil a visitar oficialmente Israel. Louvado por seu carisma, habilidade e formidáveis capacidades de negociador – Obama, dos EUA, refere-se a ele como “O cara” –, mal sabia o presidente Lula que, para conseguir conversar seu anfitrião, essa semana, teria de passar a perna no próprio profeta Abraão em pessoa, nada mais, nada menos.
Ao fim e ao cabo, Lula não se deixou enrolar. Não fez concessões. E, diferente do vice-presidente dos EUA Joseph Biden, semana passada, conseguiu não ser humilhado publicamente pelos donos da casa.
Lula é homem habituado a enfrentar interlocutores duros. Avigdor Lieberman, ministro de Negócios Internacionais de Israel, boicotou seu discurso no Parlamento e o encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O motivo: Lula não visitou o túmulo do fundador do sionismo Theodor Herzl. Ora essa! Nem Nicolas Sarkozy da França, nem Silvio Berlusconi da Itália visitaram o tal túmulo, quando visitaram Israel.
Brasília – como Paris e Roma – sabe muito bem que visitar túmulos não é obrigatório em viagens presidenciais. Ainda assim, um coro dos colonos judeus sionistas fanáticos do partido Likud em Israel não mediu palavras para ‘diagnosticar’ que a não-visita feriria de morte a competência do governo do Brasil para atuar com o mediador no conflito Israel-Palestina.

Lula ovacionado
No Parlamento, Lula enfrentou tentativa de linchamento, inclusive por Netanyahu, por sua política de não-confrontação e de diálogo com o Irã. O presidente do Brasil nem piscou. Condenou, com igual peso, tanto o holocausto quanto o terrorismo; lembrou os donos da casa que o Brasil e a América Latina têm posição assumida contra as armas nucleares; insistiu nas vias do “diálogo” e da “compaixão” para superar o conflito no Oriente Médio; defendeu uma solução viável de dois Estados para Israel e Palestina. Nem por isso deixou de criticar as construções de casas exclusivas para judeus em Jerusalém Leste. Foi ovacionado. Segundo depoimento de deputados israelenses, “foi muito mais aplaudido que George W. Bush”.

O profeta tropical
Nem que encarnasse o Abraão dos Abraões, Lula conseguiria convencer os sionistas fanáticos e seus lugares-tenentes. Mas, sim, Lula disse ao jornal israelense Ha’aretz o que os atores mais sérios no Oriente Médio já sabem mas não dizem; o “processo de paz” está sem rumo; não há outra alternativa além de incluir novos mediadores na mesa de negociação – parceiros novos, como o Brasil.
O mesmo se aplica à discussão do dossiê iraniano: “Os líderes mundiais com os quais conversei creem que temos de agir rapidamente, ou Israel atacará o Irã.” Lula está convencido de que novas sanções contra o programa nuclear iraniano serão contraproducentes. E suas palavras ecoaram pelo planeta: “Não podemos permitir que aconteça no Irã o que aconteceu no Iraque. Antes de novas sanções, temos de tentar, por todos os meios possíveis, construir a paz no Oriente Médio”.
A visão oficial do governo do Brasil – que ecoa e é ouvida em praticamente toda a comunidade internacional (vale dizer, não só no clube exclusivo de Washington e entre os suspeitos europeus de sempre) – é que nada, até agora, foi satisfatoriamente discutido com o Irã, sobre seu dossiê nuclear. Lula foi muito firme e claro: o Irã tem, sim, direito de desenvolver um programa nuclear para fins pacíficos nos termos admitidos pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear do qual o país é signatário.
O Brasil ocupa hoje um dos assentos do Conselho de Segurança da ONU. Como a China, o país também não aprova e não apoiará novas sanções que os EUA querem impor ao Irã – e diga o que disser o secretário de Estado Robert Gates, que anda espalhando boatos de que os EUA já teriam os votos necessários para aprovar uma quarta rodada de sanções, porque a Arábia Saudita teria afinal convencido a China. A China jamais votará contra seus próprios interesses de segurança nacional – e o Irã é, sim, assunto de segurança nacional para os chineses.
Em maio, Lula estará em Teerã e, outra vez, reunir-se-á com o presidente Mahmud Ahmadinejad. Os sionistas linha-dura estão – como é rotina – fumegando.
Lula sabe muito bem que as chamadas “sanções espertas” [ing. smart sanctions], que visam principalmente o Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos [ing. Islamic Revolutionary Guards Corps (IRGC)] – que controla o centro do poder econômico e político no Irã – também afetarão milhões de civis conectados às empresas e negócios controladas pelo IRGC, ou seja, imporá novos sofrimentos à população em geral, que já paga o alto preço imposto pelas atuais sanções. O IRGC controla pelo menos 60 portos no Golfo Persa. Impedir que a Ásia negocie c om o Irã implica bloqueio naval. E bloqueio naval é declaração de guerra.

Não pressionar o Irã
Lula chega ao Oriente Médio em conjuntura muito especial: no momento em que o governo de Netanyahu decidiu construir mais casas exclusivas para judeus em Jerusalém Leste e na Cisjordânia, mesmo ao preço de perder o apoio crucial dos EUA no front iraniano.
Ironicamente, o Brasil pode estar começando a seduzir o establishment israelense, mas mais no front econômico, que no front geopolítico.
Israel assinou um acordo de livre-comércio [ing. “free-trade agreement” (FTA)] com o Mercosul[2] – o quinto maior bloco em termos de produto interno bruto. O acordo não agradou aos palestinos, para quem o FTA que foi assinado fortalecerá o complexo industrial-militar de Israel.
E é nesse momento que o Brasil diz bem claramente que defende um Estado palestino viável, nos limites das fronteiras demarcadas em 1967. Esse acordo de livre-comércio implica uma cláusula estratégica: permite transferir tecnologia de armas aos países-membro do Mercosul. As armas que fazem a repressão em Gaza estarão, em pouco tempo, disponíveis na América Latina.
Num front paralelo, ao elogiar o papel do Brasil como mediador, o presidente Shimon Peres sugeriu pessoalmente a Lula que o Brasil fizesse coincidir, em território brasileiro, duas visitas: do presidente da Síria Bashar al-Assad e a de Netanyahu. Assad visitará o Brasil ainda esse ano; e, na semana corrente, Netanyahu também aceitou convite para visitar o Brasil. Uma reunião tropical, informal, entre Síria e Israel, poderia criar a circunstância ideal para começar a quebrar o gelo. Lula e Netanyahu organizaram um sistema bilateral de encontro entre chefes de Estado e principais ministros a cada dois anos.
Mas… e quanto aos EUA, em tudo isso? Há vigente hoje um acordo estratégico entre EUA e Brasil, pelo qual estão previstos dois encontros de nível ministerial (ministérios de Relações Exteriores) por ano, um nos EUA, outro no Brasil.
O ministro brasileiro de Relações Exteriores chanceler Celso Amorim tem excelentes relações com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Em recente visita ao Brasil, Clinton insistiu muito fortemente para que Lula e Amorim apoiassem nova rodada de sanções contra o Irã. Os brasileiros recusaram polidamente e firmemente.
À Clinton restou a alternativa de reclamar, em conferência de imprensa, que o Irã estaria “usando” o Brasil, a Turquia e a China para escapar das sanções. Amorim, por sua vez, sempre lembra o desastre iraquiano: “Eu era embaixador na ONU nos dias críticos das decisões sobre o Iraque. E o que nós vimos lá foi um enorme erro.”
Lula foi meridianamente claro e específico: “Não é inteligente empurrar o Irã contra a parede. Quero para o Irã o que quero para o Brasil: usar a energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã for além disso, então não aceitaremos.” Exatamente a posição dos chineses.
Lula e Obama deram sinais de estar em sincronia sobre o Irã, desde o encontro que tiveram durante uma reunião dos Grupo dos 8+5 em Aquila, Itália, há nove meses. Então, Obama chegou a encorajar o diálogo Brasília-Teerã, desde que o Brasil pressionasse o Irã a aceitar o compromisso de manter seu programa nuclear estritamente para finalidades pacíficas. Foi exatamente o que Lula disse a Ahmadinejad quando se encontraram no Brasil. O que mudou foi a posição do governo de Obama, o qual, depois daqueles dias endureceu muito.
Os diplomatas brasileiros insistem que Ahmadinejad jamais fechou a porta a negociações. Em encontros diplomáticos bilaterais discretos, funcionários dos EUA admitem a diplomatas brasileiros que Ahmadinejad não é, de modo algum, intransigente; como tampouco é intransigente o Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei. Em discurso de 19 de fevereiro no batizado de um destróier iraniano, Khamenei mais uma vez negou que o Irã esteja trabalhando para ter armas atômicas; e destacou que as armas atômicas são ilegais, nos termos da lei islâmica, porque sempre mataram grande número de civis inocentes.
O problema, se não foi inventado, foi, no mínimo, muito aumentado pela mídia dos EUA e Europa. Por causa disso, a própria Clinton, em momento de rara sinceridade, durante viagem à América Latina, teve de admitir que as sanções ainda demorariam “vários meses” para ser implantadas, se o forem.
Mesmo antes da visita de Clinton, o ministro das Relações Exteriores do Irã Manouchehr Mottaki já admitira a jornalistas brasileiros, sem pedir sigilo, que o Brasil poderia ser uma “ponte” entre o Irã e a frente EUA-União Europeia, por causa da “posição realista” do governo e da diplomacia brasileira. Mottaki não vê o Brasil como “mediador”. Prefere falar de “um facilitador de consultas”, uma vez que Teerã entende que nenhum outro país deva falar pelos interesses iranianos.
Brasília tampouco pediu para mediar coisa alguma. Mottaki informou que ele próprio tem “trabalhado substancialmente, fazendo diplomacia telefônica” com o chanceler Amorim. Teerã evidentemente vê os benefícios de estabelecer um canal de diálogo com o ocidente industrializado mediante um país em desenvolvimento.

Os BRICs como a nova superpotência
A estratégia do presidente Lula de tentar posicionar-se como uma “ponte” é especialmente bem-vinda, uma vez que o dossiê iraniano está chegando a fase crucial, na qual as facções mais linha-dura do bloco EUA-UE-Israel estão fazendo de tudo para desmentir e apagar qualquer prova (mesmo dos serviços de inteligência) de que o Irã não está construindo bomba alguma; e já houve tentativas sistemáticas de ‘corrigir’ informes de inteligência para que sirvam como ‘prova’ do oposto do que de fato comprovam (ecos do Iraque?).
A entrada de Lula nesse cenário e arena também implica maior destaque para os BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China), que já atuam como uma nova superpotência – ante uma ‘dominação’ cada vez mais desorientada e sem rumo, dos EUA. Nenhum dos BRICs é favorável ao isolamento do Irã; muito mais contrários são, é claro, a qualquer ataque ao Irã. E assim continuará, enquanto acreditarem que o Irã realmente não está próximo de construir sua bomba atômica, como o comprovam montanhas de evidências; nesse caso, um ataque ao Irã terá o efeito altamente indesejável de acelerar a proliferação nuclear no Golfo Persa.
Os BRICs também sabem que EUA e Irã podem, sim, se entender bem e bem rapidamente, mesmo nas questões mais espinhosas. Por exemplo, sobre o Afeganistão.
Só resta, pois, sobre a mesa, a estratégia do elefante na loja de porcelanas, de Israel. É hora de os BRICs pagarem para ver o jogo de Israel.
Se o governo de Netanyahu pode humilhar Obama e Biden no que digam sobre expansão de colônias exclusivas para judeus em Jerusalém Leste e na Cisjordânia, é razoável assumir que ignorará todas as súplicas do comandante do Estado-maior do Exército dos EUA Mike Mullen, que já disse repetidas vezes que qualquer ataque contra o Irã criará “problemas grandes, grandes, muito grandes, para todos nós”.
Israel (e também Washington) pode estar querendo apenas uma mudança de regime no Irã – que, sim, pode ser bem útil e necessária. Para isso, pode usar armas atômicas táticas e destruir as instalações nucleares do Irã. É possível que Israel esteja pronta para declarar outra guerra preventiva (conceito e ideia desenvolvidos em Israel e completamente encampados pelo governo de George W Bush). Claro que os israelenses contam com apoio logístico e político dos EUA.
Lula não avançou até tão longe. Mas o posicionamento do governo Lula do Brasil contêm embriões de todas essas espinhosas questões com as quais os BRICs devem fazer frente a Israel. Então, sim, quando isso acontecer, todo o planeta saberá que rabo, afinal, está mesmo sacudindo o cachorro.

Pepe Escobar[1] é autor de Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War [O Globalistão: Como o mundo globalizado está se dissolvendo em guerra líquida] (Nimble Books, 2007) e Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge [O blues da Zona Vermelha: instantâneos de Bagdá sob ataque]. Acaba de lançar Obama does Globalistan [Obama cria globalistões] (Nimble Books, 2009).

terça-feira, 9 de março de 2010

Irã espera que China resista a pressão por sanções

No tabuleiro de xadrez que é a política internacional, o lance agora é do Irã que apela para aliados regionais, como a China, a manutenção de posturas independentes em relação a pressões do Ocidente, liderado pelos EUA e Israel, que não vêem com bons olhos um país islâmico dominar o círculo do urânio, inclusive teconologia de lançamento de vetores com alcances cada vez maiores. Principalmente quando este país diz, por intermédio de seu representante, que quer varrer Israel do mapa e nega a existência do holocausto judeu na segunda guerra. Apesar de critérios compensatórios serem elementos importantes nestas relações, eles não são tão simples de se entender e, normalmente vêm combinados com outros fatores, que podem ser políticos e econômicos e aí, com relação à China, vai na conta dos EUA o apoio ao Tibet e a Taiwan e a crítica permanente à violação dos direitos humanos no país comunista. Não se pode esquecer que o Irã é fornecedor de petróleo para a China e uma peça importante para impedir uma presença mais efetiva dos EUA naquela região. Mas os EUA também têm seus alidados...

TEERÃ (Reuters) - O governo do Irã disse nesta terça-feira esperar que a China não ceda às pressões por novas sanções contra a República Islâmica por seu programa nuclear que os EUA e seus aliados esperam aprovar no Conselho de Segurança da ONU.

"A China é um grande país que goza de poder suficiente para tomar suas próprias decisões independentemente de ser pressionado pela América", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã Ramin Mehmanparast numa entrevista coletiva em Teerã.
"Claro que as nossas expectativas de um país tão grande... são que eles adotem suas políticas internacionais de forma independente e apenas observem seus próprios interesses nacionais", acrescentou o porta-voz, citando a relação próxima entre Irã e China.
O Ministério do Exterior da China disse no domingo que novas sanções contra o Irã não resolveriam o impasse sobre o programa nuclear do país, que o Ocidente afirma ter como propósito a construção de armas nucleares. Teerã alega que seu interesse é apenas gerar eletricidade.
Os Estados Unidos e outras potências ocidentais querem que a China aprove uma resolução da ONU impondo novas sanções ao Irã, que é um importante fornecedor de petróleo para a China. O governo de Pequim já demonstrou outras vezes ser contra as sanções.
O esboço de um documento proposto pelo Ocidente pede o bloqueio de mais contas iranianas no exterior, mas não inclui medidas contra as indústrias de petróleo e gás do país.
A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança de ONU que têm direito a de veto.
(Reportagem de Reza Derakhshi)

terça-feira, 2 de março de 2010

China mantém abordagem diplomática ao Irã

Da Reuters

Por Chris Buckley
PEQUIM (Reuters) - A China reiterou que a diplomacia é a melhor forma de resolver o impasse em torno do programa nuclear iraniano, enquanto diplomatas dos EUA chegavam a Pequim para discutir as ambições nucleares de Teerã e da Coreia do Norte.

O subsecretário de Estado James Steinberg é a principal autoridade dos EUA a visitar Pequim desde a onda de atritos entre os dois países por causa de questões relativas a censura na Internet, comércio, venda de armas a Taiwan e liberdades no Tibet.

Washington e outros governos ocidentais querem o apoio da China para novas sanções da ONU ao Irã, por causa das suspeitas de que o país estaria desenvolvendo armas nucleares -- intenção que Teerã nega reiteradamente possuir.

Dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, a China é o mais resistente ao uso de sanções contra o Irã, argumentando que a diplomacia poderia resolver a questão.
Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, sugeriu na terça-feira que Pequim vai levar o tempo que for necessário na negociação. "Acreditamos que ainda há margem para esforços diplomáticos, e que as partes envolvidas devem intensificar esses esforços", afirmou Qin a jornalistas.

Analistas e autoridades estrangeiras dizem que a China irá resistir a eventuais sanções que ameacem a oferta de petróleo e os investimentos chineses no Irã, mas a maioria acredita que Pequim aceitaria sanções mais "engessadas", com efeito mais simbólico do que prático.

O Irã foi no ano passado a terceira principal fonte de petróleo importado para a China.
De acordo com Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado, Steinberg deve discutir também a questão da Coreia do Norte, cujo arsenal nuclear alarma os vizinhos do regime comunista e também os EUA.
Os cinco países envolvidos nas negociações nucleares com Pyongyang tentam retomar o processo, abandonado por iniciativa norte-coreana há um ano. Em geral, a Coreia do Norte impõe condições para retomar o diálogo, em especial o fim das sanções da ONU e uma negociação direta com Washington para a assinatura de um tratado que paz que substitua o armistício que encerrou a Guerra da Coreia (1950-53).

Washington espera que a visita de Steinberg e do diretor de assuntos asiáticos do Conselho de Segurança Nacional, Jeffrey Bader, leve a uma melhora nas relações sino-americanas.
"Passamos por um caminho um pouco acidentado, e acho que há um interesse tanto dentro dos Estados Unidos quanto na China de normalizar as coisas assim que possível", disse Crowley a jornalistas.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Brasil acelera Investimentos na Africa



Do Portal Uol - Noticias - Internacional
Brasil acelera investimento na África

Richard Lapper*
Em Johannesburgo (África do Sul)A Vale, a maior companhia mineradora brasileira, está se preparando para dar início a operações em Moçambique, enquanto a maior economia da América do Sul empenha-se mais na busca por recursos da África.

A remota cidade de Tete, na região central de Moçambique, fica sobre uma das maiores reservas mundiais de carvão. Neste momento em que trabalhadores migrantes e empreiteiras seguem para a região a fim de aproveitarem as oportunidades criadas por este empreendimento brasileiro multibilionário, Tete experimenta um boom econômico, e a sua infraestrutura não dá conta do fluxo constante de visitantes a negócios.


Caminhões trabalham na mina Casa de Pedra, em Congonhas do Campo, Minas Gerais. A mineradora Vale, detentora da mina, planeja grandes investimentos em Moçambique, na África

“Toda vez que vou para lá, as coisas ficam mais difíceis”, diz Antônio Coutinho, um banqueiro sul-africano que está ajudando a financiar um investimento que poderia transformar a economia de Moçambique, que ainda depende de ajuda externa. “Esta é uma cidade pequena que está tentando dar conta de uma expansão maciça. A situação deve ter sido semelhante em Johannesburgo durante a corrida do ouro”.

O envolvimento da Vale é uma evidência clara do interesse crescente do Brasil na África. Os vínculos comerciais chineses e indianos com o continente estão mais avançados e atraem maior atenção.

Mas a chegada do Brasil na África faz parte do mesmo padrão segundo o qual os parceiros ocidentais típicos do continente competem com uma gama de países emergentes por recursos e influência.

Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente brasileiro que assumiu o cargo em 2003, visitou a África seis vezes nos seus primeiros cinco anos no poder.

Impulsionado pela demanda brasileira por matérias primas, o comércio cresceu rapidamente, com as importações da África subindo de US$ 3 bilhões (R$ 5,54 bilhões) em 2000 para US$ 18,5 bilhões (R$ 34,15 bilhões) em 2008. A Nigéria e a Argélia – assim como Angola – são fontes fundamentais de petróleo importado. Os competitivos produtores brasileiros de alimentos encontraram mercados em países como o Egito, contribuindo para aumentar em oito vezes o valor das exportações de São Paulo para a África, de US$ 1 bilhão (R$ 1,85 bilhão) em 2000 para US$ 8 bilhões (R$ 14,77 bilhões) em 2008.

Em Moçambique, a Vale está trabalhando com a Odebrecht, uma companhia brasileira de construção, para explorar as reservas de carvão, construir uma usina de energia elétrica e infraestrutura ferroviária e portuária para transportar o minério negro para os mercados exportadores.

Em Moatize, o local da mina na qual as escavações terão início no final deste ano, a Vale calcula que o seu investimento inicial será de US$ 1,3 bilhão (948 milhões de euros, 831 milhões de libras esterlinas, R$ 2,4 bilhões). Especialistas afirmam que o total poderá ser várias vezes superior a essa quantia.

A Vale e a Odebrecht não são as únicas companhias brasileiras que atuam em Moçambique. Há dois meses, a CSN, uma siderúrgica brasileira, comprou 16,3% da Riversdale, uma companhia mineradora australiana, na qual a indiana Tata Steel também possui uma participação acionária substancial. Essa companhia também está planejando investir bilhões de dólares na área de Tete.

A Odebrecht tornou-se a maior empresa empregadora do setor privado em Angola, com atividades que incluem a produção de alimentos e etanol, escritórios, fábricas e supermercados. Os seus executivos têm acesso direto a José Eduardo do Santos, o presidente do país. A Petrobras, a companhia petrolífera estatal brasileira, também é ativa em Angola, utilizando os seus conhecimentos técnicos no setor de prospecção em águas profundas.

Lula ao lado do presidente moçambicano, Armando Guebuza, em Maputo, Moçambique, durante visita ao país em 16 de outubro de 2008. Segundo o jornal Financial Times, o presidente brasileiro acelerou a agenda de visitas ao continente africano, a fim de estabelecer novos tratados comerciais com as nações africanas



Conexões culturais e linguísticas contribuíram para tornar o modelo de desenvolvimento do Brasil especialmente atraente em Angola e Moçambique. Vínculos históricos com a África lusófona remontam a séculos.

Cerca de 1,4 milhão dos três milhões de escravos africanos enviados para o Brasil entre 1700 e 1850 vieram de Angola, e na década de 1820 colonos de Angola, Moçambique e outras colônias portuguesas inscreveram-se para integrar um Brasil que declarara recentemente a sua independência.

O sucesso mais recente do Brasil no combate à pobreza – por meio do pagamento de auxílios condicionados à frequência à escola ou a visitas a clínicas – atraiu interesse em ambos os países.

“Eles se identificam conosco porque nós passamos por problemas similares aos deles no passado e adaptamos com sucesso a tecnologia às circunstâncias locais”, afirma um diplomata brasileiro em Maputo, a capital de Moçambique. “Eles veem o Brasil como um modelo a ser imitado”.

Embora as companhias brasileiras tenham investido uma quantia modesta de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 18,5 bilhões) desde 2003, essa cifra provavelmente aumentará acentuadamente. O governo do Brasil está se empenhando em persuadir as companhias brasileiras a expandirem-se na África, especialmente depois que Lula da Silva assumiu a presidência em 2003.

A rede de embaixadas do Brasil no continente expandiu-se e dezenas de líderes empresariais acompanharam Lula da Silva em suas viagens. A fama do presidente na África é boa, tanto que em julho do ano passado a União Africana o nomeou convidado de honra na sua reunião na Líbia.

Analistas do Standard Bank em Johannesburgo argumentam que há um casamento harmônico entre os recursos brasileiros e a experiência do Brasil no setor alimentício e as oportunidades oferecidas por Angola. E eles dizem que a mudança climática poderia aumentar o valor dos investimentos do Brasil na África.

Como o clima mais quente reduziria a quantidade de terra cultivável no Brasil, os produtores de alimentos e etanol poderiam interessar-se mais por expandirem os seus negócios para a África, especialmente em países como Angola, onde a terra é abundante.

Para as multinacionais brasileiras, não há dúvida que as atrações são evidentes.

“O mais interessante em relação à África é que cedo ou tarde tudo isso se tornará realidade”, diz Roger Agnelli, presidente e diretor-executivo da Vale. “A África, juntamente com a América do Sul, representa o futuro dos recursos naturais do mundo”.

Construindo Brics

Na corrida pelos carimbos de passaporte, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, superou Hu Jintao, o presidente da China, tendo visitado 19 países africanos em oito viagens desde que assumiu o cargo em 2003.

Mas, em termos econômicos, a relação da África com a China continua sendo a mais significativa entre as nações emergentes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). O valor do comércio entre a África e a China saltou de US$ 4,1 bilhões (R$ 7,6 bilhões) em 1992 para US$ 107 bilhões (R$ 197,5 bilhões) em 2008, fazendo de Pequim o segundo maior parceiro comercial do continente depois dos Estados Unidos. Companhias chinesas têm investido agressivamente nos recursos naturais africanos, especialmente no petróleo.

Como bloco, o comércio do Bric com a África aumentou como proporção das transações comerciais do continente de 4,6% em 1993 para mais de 19% em 2008. Economistas do Standard Bank calculam que até 2030 quase 50% do comércio da África será feito com os Brics.

*Jonathan Wheatley, em São Paulo, e Jack Farchy, em Londres, contribuíram para esta matéria.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Brasil se descola da China e afirma que não corre risco de superinflação




Do Portal UOL

O ministro da Fazenda Guido Mantega descartou nesta sexta-feira em Davos que existam pressões inflacionárias no Brasil, como ocorre na China, e assegurou que o país está em processo de crescimento sustentável com controle fiscal e monetário.

"O Brasil está tendo um processo de crescimento sustentável, porque são mantidos os fundamentos, cuidamos muito da questão monetária e da questão fiscal", afirmou Mantega em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial.

"Não temos maiores preocupações" a respeito da inflação, disse o ministro, lembrando que a alta do índice de preços ao consumidor foi de 4,31% em 2009, e que a projeção para 2010 é de 4,5%.

A questão da inflação está se tornando um problema para outros grandes países emergentes, particularmente a China.

A economia chinesa vem crescendo a ritmo fenomenal (10,9% do PIB no quarto trimestre de 2009), mas o aumento dos preços imobiliários e dos títulos financeiros despertou temores inflacionários que já forçaram o governo a cortar o crédito bancário para frear o consumo excessivo.

No caso do Brasil, estima-se que a economia tenha registrado crescimento nulo em 2009, e que poderá crescer entre 5 e 6% este ano.

"Nós temos um crescimento equilibrado entre demanda e investimentos. Por isso chegamos à conclusão de que o crescimento é sustentável e que terá continuidade nos próximos anos", indicou Mantega, que participou nesta sexta-feira junto com outros membros da delegação brasileira de um almoço organizado para discutir perspectivas econômicas do Brasil.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

PIB dos Emergentes vai passar o dos Desenvolvidos


















Do Portal R7
Os sete principais em desenvolvimento devem superar as atuais potências


O PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) total dos sete maiores países emergentes (E7) superará em 2020 o do G7 dos países mais industrializados - impulsionado principalmente pela China, que tirará o lugar dos Estados Unidos como primeira economia mundial - informou a consultora PricewaterhouseCoopers em um relatório divulgado nesta quinta-feira (21) .

- O motor do fortalecimento do E7 é o rápido crescimento da China. Apesar de esperarmos que este crescimento se desacelere progressivamente nos próximos 20 anos, a China provavelmente destronará os Estados Unidos e ocupará o lugar de primeira economia mundial por volta de 2020.

O peso relativo do "E7" (China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia) na economia mundial provavelmente deve superar também em 2020 o d G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Canadá).

A PwC assinala que, em 2000, o PIB do G7 era o dobro do PIB do E7. Mas, durante a última década, os emergentes se aproximaram dos desenvolvidos e o processo acelerou com a crise econômica.

A distância entre o G7 e o E7 se reduzirá a 35% este ano e desaparecerá totalmente no final da década, segundo os cálculos da consultora.

A tendência continuará durante a década seguinte e espera-se que em 2030 a classificação das dez maiores economias mundiais seja ocupada na seguinte ordem: China, Estados Unidos, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Alemanha, México, França e Grã-Bretanha.