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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Criação de Empregos Formais no Brasil e a Redução da Pobreza

As informações foram da Folha de São Paulo (os gráficos do blog do Alê) e retratam o processo de criação de empregos e redução da pobreza no país. Segundo o economista Marcelo Neri da FGV-RJ, diferentemente da década de 70, o crescimento econômico vem acompanhado de um movimento de redução de desigualdade. Interessante observar que, na Folha. foi omitido o período pré e pós Plano Real. Porque será? É por isso que há razão quando o Lula diz que a imprensa deve ser livre mas deve ter coragem de declarar para quem torce. E eles têm esta coragem?

Folha de S. Paulo - Mantida a tendência de crescimento médio da economia no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil cortará à metade o número de pessoas pobres até 2014. O total deve cair de 29,9 milhões para cerca de 14,5 milhões, o equivalente a menos de 8% da população. Nos anos Lula, até a crise de 2009, o número de pobres (pessoas com renda familiar per capita mensal de até R$ 137,00) caiu 43%, de 50 milhões para 29,9 milhões.

Hoje, a velocidade da queda do número de pobres é ainda maior, de cerca de 10% ao ano, segundo cálculos do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV-Rio. "Estamos entrando em um processo de redução da desigualdade mais forte que no período de 2003 a 2008. O rápido crescimento no início do ano só reforça essa tendência", afirma Neri. O economista diz que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE) mostrou crescimento médio de 5,3% ao ano per capita real (além da inflação) no Brasil entre 2003 e 2008.

Outros especialistas ouvidos pela Folha concordam com essas previsões, consideradas realistas ante a tendência dos últimos anos. Consideram também viável o país manter um ritmo de crescimento até maior do que a média dos últimos anos. A previsão de crescimento para 2010, por exemplo, já varia de 6,5% a 7,5%.

Salário mínimo - A diminuição do número de pobres e a ascensão de 31,9 milhões de brasileiros às classes ABC entre 2003 e 2008 estiveram relacionadas, principalmente, ao aumento do emprego formal e da renda do trabalho, à política de valorização do salário mínimo e aos programas sociais, como o Bolsa Família. Para Lena Lavinas, especialista no assunto no Instituto de Economia da UFRJ, a pobreza no Brasil cai especialmente por conta da criação de vagas formais no mercado de trabalho.

"Cerca de 90% dos novos empregos formais nos últimos anos pagam até três salários mínimos (R$ 1.530,00). Isso favorece diretamente os mais vulneráveis", diz Lena. Além de criar quase 13 milhões de empregos formais (de 28,7 milhões para 41,5 milhões), o governo Lula patrocinou um aumento real (acima da inflação) de 53,6% para o valor do salário mínimo. Com isso, o piso básico no país voltou em 2010 próximo ao nível de 1986 -depois de atingir um fosso logo após o governo Collor (1990-92).

Pode de compra - Por conta dessa recuperação, os R$ 510 do mínimo de hoje (cerca de US$ 280) compram 2,2 cestas básicas, ante 1,4 no início do governo Lula. Nessa comparação, é o maior poder de compra desde 1979. Ademir Figueiredo, coordenador do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afirma que a recuperação do salário mínimo "foi o grande "programa social" de Lula". "Pois ele tem impacto direto sobre o crescimento da renda familiar."

A construção civil é exemplar dentro dessa tendência. Os salários no setor, que emprega mão de obra pouco escolarizada, aumentaram 19,5% acima da inflação no governo Lula. Já o emprego formal saltou de 1,5 milhão de vagas para 2,5 milhões. "As contratações devem crescer ainda mais por conta dos investimentos para diminuir o deficit habitacional, na infraestrutura e nos relacionados a Copa e Olimpíadas, que mal começaram", diz Ana Maria Castelo coordenadora de Projetos da Construção da FGV-SP. 



O gráfico que saiu foi este:















Aí o Alê trouxe os seguintes:








quinta-feira, 10 de junho de 2010

O "Pibão" Brasileiro e a Cultura do Subdesenvolvimento

Nos últimos dias, após a divulgação do "pibão" brasileiro crescendo à taxa chinesa de 9,3% (ainda que em cima de uma base de comparação fraca), vimos muitos jornalistas e economistas afirmarem que o Brasil não tolera esse ritmo de crescimento. Entre os muitos "temores" estariam a falta de poupança e de investimentos internos (?!?!). Ora, mas segundo dados obtidos na página do IBGE, foi justamente o contrário o que aconteceu: há informação de que a poupança interna aumentou, bem como a taxa de investimentos no Brasil. Aí o Sardemberg (lá da CBN) sai com esta:

"Não é bom e não é um problema só brasileiro. O país quando ele cresce além das suas possibilidades o que acontece? Começa a faltar estrada, começa a faltar porto, começa a entupir os aeroportos, começa a faltar mão de obra, começa a faltar matéria prima, etc. O correto para os bancos centrais, para os governos é não deixar a coisa estourar nesse ponto, é tomar medidas preventivas quando a economia ameaça crescer mais do que pode, que é o caso do Brasil e até o caso da China, que está crescendo mais do que pode lá no esquema deles, né?"

Profundo! Lembra um pouco a lógica de que só se deve distribuir renda depois que o bolo cresce. Existe sim problemas de infra-estrutura, capacitação de mão-de-obra, transportes, energia, comunicações, pesquisa tecnológica, etc. Mas, ao invés de se pensar que isto tem que ser resolvido primeiro para que se possa crescer a taxas mais robustas, creio que o mais correto é enxergar em tais deficiências oportunidades para novos empreendimentos que venham a alavancar de vez a economia do país. A relação tem que ser de paridade e não de sucessividade. Com toda a prudência não se pode permitir que uma política de juros elevados venha a prejudicar o crescimento do Brasil. A não ser que se dê prioridade apenas aos rentistas, o que seria um verdadeiro absurdo!

Essa linha de raciocínio (a do medo do pibão), lembra também aquela que, após trazermos a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, nos dizia: o Brasil é um país de corruptos, não seremos capazes de realizar tais eventos! Oras, só seremos capazes de realizá-los se acabarmos com a corrupção? E não há corrupção em outros países que já realizaram copas ou olimpíadas? Devemos sim combatê-la, refreá-la, controlá-la. Mas isto não pode nos impedir de realizar sonhos, de darmos passos cada vez mais largos no caminho de um país mais justo e mais desenvolvido.

Esse fenômeno interessante é bem analisado pelo Samuel Pinheiro Guimarães (Ministro Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos) num longo mas profundo texto publicado na Carta Maior, que revela que metas de crescimento (sem se descuidar da inflação) devem ser almejadas como forma de tirar o Brasil da esfera do subdesenvolvimento.

Samuel Pinheiro Guimarães: Crescer a 7%
Do site da Carta Maior

Se o objetivo central da sociedade brasileira for vencer o subdesenvolvimento, a economia terá de crescer a taxas mais elevadas do que as que têm ocorrido no passado recente, enquanto que as políticas de distribuição de renda terão de ser mais vigorosas para incorporar ao sistema econômico e social moderno as imensas massas que se encontram em situação de grave pobreza: cerca de 60 milhões de brasileiros. caso se deseje manter o Brasil como país pobre e subdesenvolvido, basta crescer a taxas modestas, obedecendo a todas as metas e a supostos potenciais máximos de crescimento, e, assim, lograr manter a economia estável porém miserável. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pobres fortaleceram economia brasileira, diz Lula ao receber prêmio da ONU por combate à fome

Do Portal UOL


Após receber o prêmio da ONU “Campeão do Mundo na Batalha Contra a Fome”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (10) que foi o consumo das classes menos favorecidas um dos responsáveis pelo fortalecimento da economia nacional, que se descolou do cenário internacional e sofreu menos com os efeitos da crise econômica mundial.

“A classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais que as classes A e B do Sul e Sudeste, ou seja, os pobres foram à luta para comprar. (...) O que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente. E os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média e compraram coisas que só parte da classe media podia comprar”, destacou o presidente, durante a abertura da reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar.

Mais uma vez, o presidente frisou que a soberania de uma nação só se conquista com a independência alimentar e que não se arrepende de ter alocado dinheiro aos mais pobres porque os programas assistenciais, na visão dele, não desestimulam os cidadãos a trabalhar, mas lhe dão força para trilhar suas vidas.
“Quem tem fome não pensa. A dor de estômago é maior do que muita gente imagina. E pessoa que têm fome não viram guerreiro, viram pedinte. A fome não faz guerreiro, faz o ser humano subserviente, humilhado e sem força para brigar contra seus algozes”, exemplificou.

Em seu discurso de improviso, Lula ressaltou que um dos “milagres” que aconteceram no Brasil, durante sua gestão, foi aumentar o valor do salário mínimo, que antes equivalia a 1,4 cesta básica e, atualmente, é avaliado em 2,4 cestas básicas. O presidente afirmou ainda que a “inflação está totalmente controlada”.
"Precisamos garantir a cada cidadão do país que ele possa ter o café da manhã, o almoço e o jantar de cada dia", continua Lula. "Se os dirigentes políticos no mundo não estiverem, cotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em piores situações em seu Estado, em seu país, fica mais difícil tomar decisão em benefício dos mais pobres. A verdade é que normalmente somos eleitos pelos mais pobres, mas quando ganhamos as eleições quem tem acesso aos gabinetes são os mais ricos."

Lula destacou a necessidade de reforma do Comitê de Segurança Alimentar, para que se torne mais representativo e que a cooperação com os países africanos deve ser ampliada após a aprovação do projeto de lei que deve encaminhar ao Congresso, permitindo que a Embrapa realize projetos países estrangeiros.
O mandatário defendeu ainda que os países mais ricos contribuam para melhoria na qualidade de vida e invistam em agricultura nos países africanos, pois, assim, eles passaram a ser “um mercado extraordinário de consumidores” para quem dispõe de produtos de alta tecnologia.

Cooperação Brasil-África
Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a Reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, no Itamaraty, pode levar à execução de medidas que reduzam as dificuldades enfrentadas pelos países em desenvolvimento no mercado externo.
“Esta aproximação nos tornará mais fortes para enfrentar as distorções no comércio internacional”, afirmou ele, referindo-se à existência de barreiras comerciais e imposições de subsídios principalmente sobre os produtos agropecuários.

Em seguida, Amorim afirmou que é um grande orgulho “copatrocinar” um evento como esse. “A África sempre esteve no nosso coração e no nosso espírito. Hoje temos grandes investimentos na África”. O chanceler lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou mais de 20 países africanos em busca de ampliar relações multilaterais.

Participam da reunião hoje, no Itamaraty, representantes dos países africanos, ministros e especialistas. Eles discutirão alternativas para a promoção da agricultura, da segurança alimentar e do desenvolvimento rural a fim de intensificar a cooperação entre o Brasil e os países africanos.

De acordo com o Itamaraty, a cooperação técnica com a África tem aumentado nos últimos anos. Apenas os países africanos recebem atualmente cerca de 60% dos recursos da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Há 50 projetos na área de segurança alimentar operados pela ABC, em 18 países africanos.

Fome Zero na África
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, elogiou hoje (10) o programa Fome Zero. Segundo ele, o programa deve ser exportado para os países africanos com o objetivo de garantir a segurança alimentar e a qualidade de vida para quem vive nesses países. De acordo com Diouf, a FAO garante os financiamentos e a tecnologia necessários para a execução dos projetos.

“A intenção de executar versões do Fome Zero é importante para o desenvolvimento e levar adiante a experiência e a tecnologia desse programa para avançar nos projetos de segurança alimentar”, disse Diouf, que participa da Reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, no Itamaraty.

De acordo com o diretor-geral da FAO, programas como o Fome Zero são um exemplo para o resto do mundo. “Essa iniciativa tem reduzido a pobreza e estimulado uma série de ações. Já reduziu em 28% a fome, de 2004 a 2006”, disse ele.
*Com informações da Agência Brasil

Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/2010/05/10/pobres-fortaleceram-economia-brasileira-diz-lula-ao-receber-premio-da-onu-por-combate-a-fome.jhtm

quarta-feira, 24 de março de 2010

Finanças Mundiais: Estamos no Apocalipse?

O frágil arranjo pós-crise pode entrar em colapso

Finanças-zumbi, no pós-apocalipse
23/3/2010, David P. Goldman, “Spengler” , Asia Times Online (clique aqui para ver as figuras que acompanham o texto original)
David P Goldman é editor de First Things
Tradução da Caia Fittipaldi

Via blog do Azenha

Lá por 2014, disse John Lipsky do FMI dia 21 de março, a proporção entre a dívida bruta e o produto interno bruto dos países do Grupo dos 7 alcançará 100%, e os governos do mundo industrializado terão de carregar o peso da maior dívida desde o final da II Guerra Mundial.
Até aí, a má notícia; a notícia muito pior é que os governos estão fazendo chover dinheiro no sistema bancário mundial para financiar a expansão da dívida. Depois do grande ‘resgate’ dos bancos em 2008, o sistema bancário mundial foi, de fato, socializado, com recursos dirigidos para financiar as dívidas dos governos e afastados do financiamento para o setor privado.

Os governos evitaram um apocalipse financeiro em 2009 e ‘resgataram’ o sistema bancário. Mas quem resgatará os governos? Por enquanto, a resposta é que eles mesmos se resgatarão, à custa da economia privada. No mundo financeiro pós-apocalipse, os bancos privados estão convertidos em zumbis comedores de carne humana que canibalizam a economia privada para financiar os governos, com táticas jamais vistas desde a II Guerra Mundial.
A deriva do poder econômico na direção dos governos e seus agentes auxiliares, os grandes bancos, é coisa que jamais se viu no mundo em tempos de paz. E a intenção do governo Obama parece ser “não desperdiçar nenhuma crise”, nas palavras do principal assessor do presidente, Rahm Emanuel, em frase que ficou famosa.

O plano de saúde de Obama, de um trilhão de dólares, votado na Câmara de Deputados dia 21 de março, efetivamente estatizará um setor que representa 14% da economia dos EUA – estatização que se soma à estatização de facto do sistema bancário.
Os bancos norte-americanos reduziram a carteira de empréstimos em cerca de 350 bilhões de dólares – mais de 1/5 –, desde o início de 2009; e compraram 300 bilhões de bônus do Tesouro. Os bancos que mais compraram bônus do Tesouro dos EUA ao longo dos últimos sete meses foram os bancos globais sediados em Londres e nas ilhas Caimã: tomam empréstimos ao custo de 1/5 de ponto percentual e compram bônus do Tesouro dos EUA pelos quais pagam de 1% a 3%, dependendo do prazo.

É o famoso “carry trade”, pelo qual os bancos e hedge funds tomam empréstimos de curto prazo e juros muito baixos e emprestam com prazos médios e longos e juros mais altos. Funciona, enquanto os juros de curto prazo permaneçam extremamente baixos. No instante em que o custo do dinheiro tomado começar a aumentar, o “carry trade” negociado com bônus do Tesouro garantidos pelo governo dos EUA entrará em colapso.
Entre novembro e janeiro, último mês para o qual há dados do Tesouro, investidores privados (sobretudo bancos) compraram 60 bilhões em bônus do Tesouro e moeda por mês – cerca de 720 bilhões por ano, ou cerca da metade do total anualizado de todos os empréstimos tomados pelo governo dos EUA.
Observe-se que os bancos centrais do mundo não aumentaram significativamente a quantidade de bônus garantidos pelo governo dos EUA que possuem. Suas compras mantêm-se num patamar modesto de 20 bilhões de dólares/mês, ou 240 bilhões/ano.

O Tesouro dos EUA já é dependente dos bancos privados globais. Segundo dados do Tesouro, $108 bilhões dos $180 billhões de compras líquidas de bônus garantidos pelo Tesouro dos EUA, desde janeiro, foram compradas por bancos sediados em Londres e nas Ilhas Caimã.
O que mais chama a atenção é a disposição da finança mundial para financiar o déficit norte-americano com juros reais de menos de 0,5%. A taxa de juro real extremamente baixa implica expectativas de crescimento muito baixo nos próximos cinco anos. Trata-se de alguma coisa parecida à “década perdida” do Japão nos anos 90s, quando os bancos compravam bônus do Tesouro com taxas de menos de 1% com dinheiro “dado” pelo Banco Central.

Onde os bancos estão obtendo dinheiro para emprestar ao governo dos EUA? Do próprio governo dos EUA. O Federal Reserve aumentou suas reservas para $1,4 trilhões desde o início da crise, alimentando com fundos o sistema bancário, fundos os quais os bancos imediatamente tornam a emprestar ao governo e que se somam a outros $300 bilhões de fundos adicionais liberados pela redução dos empréstimos para o setor privado.

A base monetária está crescendo em ritmo de 40% ao ano. Sob circunstâncias normais, bastaria para levar a inflação ao patamar de dois dígitos. Enquanto os bancos reduzem os empréstimos para o setor privado e compram bônus do Tesouro que substituem as taxas perdidas de juros, o resultado é a chamada “arapuca da liquidez” [ing. liquidity trap].

Com 20% de desemprego ou subemprego nos EUA, segundo pesquisa de fevereiro de 2010 em 20 mil famílias, os custos trabalhistas continuarão deprimidos. A inflação no preço das commodities não aparecerá facilmente manifesta na inflação nos preços ao consumidor.

Esse tipo de equilíbrio-zumbi manteve-se ‘estável’ durante vinte anos na economia moribunda do Japão; em teoria, o Tesouro dos EUA e o sistema financeiro podem permanecer indefinidamente nesse ‘equilíbrio’. Mas há mil e uma vias pelas quais pode acontecer de esse arranjo desabar.

Governos mais fracos, como Grécia ou Espanha, ou até o Reino Unido, podem romper a corrente. Fugir dos dólares norte-americanos, em resposta à inflação monetária, pode forçar o Federal Reserve a subir a taxa de juros. Os investidores podem tentar afrouxar o “carry trade”, o que provocará um estouro da manada em direção à porta de saída. O Japão conseguiu manter inflada essa bolha durante 20 anos. Mas o Japão podia apostar na força de seu sistema bancário doméstico sob a supervisão do Banco do Japão; os EUA dependem do status de reserva do dólar, o que faz cada vez menos sentido, se o Tesouro está inundando o mundo com papéis norte-americanos podres.

Jamais antes se viu coisa semelhante, e todos hesitam e ninguém quer arriscar previsões sobre arranjo tão absurdo e instável; e a lista de potenciais pontos de ruptura é infindável. Agora, quando todo mundo está comprando a dívida do governo dos EUA construída com dinheiro emprestado, nem o dinheiro faz sentido. Vai acabar mal – mas ainda é cedo demais para saber como e quando.

Leia também "As Cinco sequências da fase de deslocamente geopolítico global" na resistir.info...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Brasil se descola da China e afirma que não corre risco de superinflação




Do Portal UOL

O ministro da Fazenda Guido Mantega descartou nesta sexta-feira em Davos que existam pressões inflacionárias no Brasil, como ocorre na China, e assegurou que o país está em processo de crescimento sustentável com controle fiscal e monetário.

"O Brasil está tendo um processo de crescimento sustentável, porque são mantidos os fundamentos, cuidamos muito da questão monetária e da questão fiscal", afirmou Mantega em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial.

"Não temos maiores preocupações" a respeito da inflação, disse o ministro, lembrando que a alta do índice de preços ao consumidor foi de 4,31% em 2009, e que a projeção para 2010 é de 4,5%.

A questão da inflação está se tornando um problema para outros grandes países emergentes, particularmente a China.

A economia chinesa vem crescendo a ritmo fenomenal (10,9% do PIB no quarto trimestre de 2009), mas o aumento dos preços imobiliários e dos títulos financeiros despertou temores inflacionários que já forçaram o governo a cortar o crédito bancário para frear o consumo excessivo.

No caso do Brasil, estima-se que a economia tenha registrado crescimento nulo em 2009, e que poderá crescer entre 5 e 6% este ano.

"Nós temos um crescimento equilibrado entre demanda e investimentos. Por isso chegamos à conclusão de que o crescimento é sustentável e que terá continuidade nos próximos anos", indicou Mantega, que participou nesta sexta-feira junto com outros membros da delegação brasileira de um almoço organizado para discutir perspectivas econômicas do Brasil.