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quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Crise Européia e uma Lembrança Distante

Quem viveu as décadas de 80 e 90 presenciou o Brasil sofrer com diversas crises financeiras e ir bater às portas do FMI. Tínhamos ódio daqueles senhores e senhoras que vinham ao país expor as condições de empréstimos - era como se a nossa soberania não valesse de nada. Fazíamos isto porque as contas públicas do país jamais fechavam e por isto nos endividávamos, buscando em organismos internacionais como o FMI ou instituições que formavam o Clube de Paris os subsídios necessários. Vivemos o período sob o signo do arrocho fiscal e da hiperinflação. Trocamos de moedas várias vezes e ainda por cima tivemos que reaprender a viver num regime democrático com todos os vícios trazidos de um longo período ditatorial. Com a tríade de governos Itamar-FHC-Lula, começamos a sair do fundo do poço, tendo sido necessário mais de vinte anos. O Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a valorização do salário mínimo, a orfeta de crédito, as políticas de inclusão social, o aumento do mercado interno e a diversificação dos parceiros comerciais, entre tantas outras medidas, transformaram o Brasil num país melhor. Agora vemos nossos irmãos europeus sofrerem com essas mesmas agruras, como no caso da Grécia e Irlanda, e ainda em menor grau, Portugal e Espanha. Passamos por situações semelhantes e sabemos quanto sofrimento esses ajustes trazem para a população. Só que agora estamos numa fase diferente, que nos permite olhar para o passado e contemplarmos esses fatos como uma lembrança distante, e que, Deus queira, jamais voltará. A seguir um excerto do Financial Times sobre a dívida da zona do euro e os temores que envolvem os mercados internacionais.

Temores da dívida da zona do euro se aprofundam
Do Financial Times
via Portal UOL.



David Oakley, Victor Mallet e Michael Mackenzie*
Em Londres (Reino Unido), Madri (Espanha) e Nova York (EUA)
Os mercados globais caíram nesta terça-feira (04) com o crescimento dos temores de que a crise da dívida da zona do euro está se aprofundando, assim como com as preocupações com a saúde da economia chinesa.
Uma grande venda de papéis nos mercados asiáticos, acelerada na Europa e nos Estados Unidos, ocorreu devido à maior preocupação de que o pacote internacional de resgate à Grécia, no valor de 110 bilhões de euros, não seria suficiente para impedir o contágio a outros mercados de dívida da zona do euro.
O euro caiu ao ponto mais baixo em um ano frente ao dólar, as ações europeias caíram para o ponto mais baixo em dois meses, enquanto os mercados de títulos das economias mais fracas da zona do euro caíram, à medida que investidores preocupados buscavam vender.

Nick Chamie, estrategista da RBC Capital Markets, disse: “É uma grande venda. Está ocorrendo por todo o globo e quase em todas as classes de ativos”.
O índice Vix, um termômetro da volatilidade do mercado de equity, atingiu seu nível mais alto em 11 semanas, diante da conversa de que a Espanha estava buscando empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) por causa da deterioração de suas finanças públicas.
José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro espanhol, negou furiosamente as sugestões de que a Espanha estava negociando um empréstimo de 280 bilhões de euros junto ao FMI como “insanidade completa”. O FMI também negou a negociação.
Falando de Bruxelas, Zapatero disse que era “simplesmente intolerável” que rumores como esse causem danos aos interesses da Espanha e possam aumentar o custo da tomada de dinheiro pelo Estado, por meio da emissão de títulos.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2010/05/05/temores-da-divida-da-zona-do-euro-se-aprofundam.jhtm

quinta-feira, 22 de abril de 2010

FMI eleva projeção de crescimento da economia brasileira

Da Agência Brasil
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento do Brasil em 2010 e 2011. Em relatório lançado hoje (19), o FMI estima crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010, um aumento de 0,8 ponto percentual em relação à previsão feita em janeiro, de 4,7%.

O fundo também reavaliou a projeção para 2011. Na análise anterior, a previsão era de que o Brasil chegaria a um crescimento de 3,7%. A nova estimativa aponta aumento de 4,1% no PIB. De acordo com o relatório World Economic Outlook, o crescimento brasileiro será consequência do forte consumo interno e do investimento privado.

O crescimento global também foi recalculado e deve chegar a 4,2%, 0,3 ponto percentual mais otimista que a previsão de janeiro. Segundo o FMI, a economia global está se recuperando da crise melhor que o esperado. Em grande parte, de acordo com o relatório, porque as maiores economias emergentes – como o Brasil, a Índia e a China – mantiveram crescimento e atraíram fluxo de capital das grandes economias.

Apesar dos avanços, o FMI alerta para o risco de superaquecimento das economias e recomenda cautela com a manutenção de políticas de estímulo, que podem levar a pressões inflacionárias.

A orientação do fundo é que as políticas monetárias fiquem cada vez mais neutras. Segundo o relatório, o Brasil está mais próximo de uma política monetária desse tipo que países como Colômbia e México.

Edição: Nádia Franco

http://agenciabrasil.ebc.com.br/home;jsessionid=E27A3831C1B690587CBB7833E56E3797?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=4&_56_groupId=19523&_56_articleId=204460

quarta-feira, 24 de março de 2010

Finanças Mundiais: Estamos no Apocalipse?

O frágil arranjo pós-crise pode entrar em colapso

Finanças-zumbi, no pós-apocalipse
23/3/2010, David P. Goldman, “Spengler” , Asia Times Online (clique aqui para ver as figuras que acompanham o texto original)
David P Goldman é editor de First Things
Tradução da Caia Fittipaldi

Via blog do Azenha

Lá por 2014, disse John Lipsky do FMI dia 21 de março, a proporção entre a dívida bruta e o produto interno bruto dos países do Grupo dos 7 alcançará 100%, e os governos do mundo industrializado terão de carregar o peso da maior dívida desde o final da II Guerra Mundial.
Até aí, a má notícia; a notícia muito pior é que os governos estão fazendo chover dinheiro no sistema bancário mundial para financiar a expansão da dívida. Depois do grande ‘resgate’ dos bancos em 2008, o sistema bancário mundial foi, de fato, socializado, com recursos dirigidos para financiar as dívidas dos governos e afastados do financiamento para o setor privado.

Os governos evitaram um apocalipse financeiro em 2009 e ‘resgataram’ o sistema bancário. Mas quem resgatará os governos? Por enquanto, a resposta é que eles mesmos se resgatarão, à custa da economia privada. No mundo financeiro pós-apocalipse, os bancos privados estão convertidos em zumbis comedores de carne humana que canibalizam a economia privada para financiar os governos, com táticas jamais vistas desde a II Guerra Mundial.
A deriva do poder econômico na direção dos governos e seus agentes auxiliares, os grandes bancos, é coisa que jamais se viu no mundo em tempos de paz. E a intenção do governo Obama parece ser “não desperdiçar nenhuma crise”, nas palavras do principal assessor do presidente, Rahm Emanuel, em frase que ficou famosa.

O plano de saúde de Obama, de um trilhão de dólares, votado na Câmara de Deputados dia 21 de março, efetivamente estatizará um setor que representa 14% da economia dos EUA – estatização que se soma à estatização de facto do sistema bancário.
Os bancos norte-americanos reduziram a carteira de empréstimos em cerca de 350 bilhões de dólares – mais de 1/5 –, desde o início de 2009; e compraram 300 bilhões de bônus do Tesouro. Os bancos que mais compraram bônus do Tesouro dos EUA ao longo dos últimos sete meses foram os bancos globais sediados em Londres e nas ilhas Caimã: tomam empréstimos ao custo de 1/5 de ponto percentual e compram bônus do Tesouro dos EUA pelos quais pagam de 1% a 3%, dependendo do prazo.

É o famoso “carry trade”, pelo qual os bancos e hedge funds tomam empréstimos de curto prazo e juros muito baixos e emprestam com prazos médios e longos e juros mais altos. Funciona, enquanto os juros de curto prazo permaneçam extremamente baixos. No instante em que o custo do dinheiro tomado começar a aumentar, o “carry trade” negociado com bônus do Tesouro garantidos pelo governo dos EUA entrará em colapso.
Entre novembro e janeiro, último mês para o qual há dados do Tesouro, investidores privados (sobretudo bancos) compraram 60 bilhões em bônus do Tesouro e moeda por mês – cerca de 720 bilhões por ano, ou cerca da metade do total anualizado de todos os empréstimos tomados pelo governo dos EUA.
Observe-se que os bancos centrais do mundo não aumentaram significativamente a quantidade de bônus garantidos pelo governo dos EUA que possuem. Suas compras mantêm-se num patamar modesto de 20 bilhões de dólares/mês, ou 240 bilhões/ano.

O Tesouro dos EUA já é dependente dos bancos privados globais. Segundo dados do Tesouro, $108 bilhões dos $180 billhões de compras líquidas de bônus garantidos pelo Tesouro dos EUA, desde janeiro, foram compradas por bancos sediados em Londres e nas Ilhas Caimã.
O que mais chama a atenção é a disposição da finança mundial para financiar o déficit norte-americano com juros reais de menos de 0,5%. A taxa de juro real extremamente baixa implica expectativas de crescimento muito baixo nos próximos cinco anos. Trata-se de alguma coisa parecida à “década perdida” do Japão nos anos 90s, quando os bancos compravam bônus do Tesouro com taxas de menos de 1% com dinheiro “dado” pelo Banco Central.

Onde os bancos estão obtendo dinheiro para emprestar ao governo dos EUA? Do próprio governo dos EUA. O Federal Reserve aumentou suas reservas para $1,4 trilhões desde o início da crise, alimentando com fundos o sistema bancário, fundos os quais os bancos imediatamente tornam a emprestar ao governo e que se somam a outros $300 bilhões de fundos adicionais liberados pela redução dos empréstimos para o setor privado.

A base monetária está crescendo em ritmo de 40% ao ano. Sob circunstâncias normais, bastaria para levar a inflação ao patamar de dois dígitos. Enquanto os bancos reduzem os empréstimos para o setor privado e compram bônus do Tesouro que substituem as taxas perdidas de juros, o resultado é a chamada “arapuca da liquidez” [ing. liquidity trap].

Com 20% de desemprego ou subemprego nos EUA, segundo pesquisa de fevereiro de 2010 em 20 mil famílias, os custos trabalhistas continuarão deprimidos. A inflação no preço das commodities não aparecerá facilmente manifesta na inflação nos preços ao consumidor.

Esse tipo de equilíbrio-zumbi manteve-se ‘estável’ durante vinte anos na economia moribunda do Japão; em teoria, o Tesouro dos EUA e o sistema financeiro podem permanecer indefinidamente nesse ‘equilíbrio’. Mas há mil e uma vias pelas quais pode acontecer de esse arranjo desabar.

Governos mais fracos, como Grécia ou Espanha, ou até o Reino Unido, podem romper a corrente. Fugir dos dólares norte-americanos, em resposta à inflação monetária, pode forçar o Federal Reserve a subir a taxa de juros. Os investidores podem tentar afrouxar o “carry trade”, o que provocará um estouro da manada em direção à porta de saída. O Japão conseguiu manter inflada essa bolha durante 20 anos. Mas o Japão podia apostar na força de seu sistema bancário doméstico sob a supervisão do Banco do Japão; os EUA dependem do status de reserva do dólar, o que faz cada vez menos sentido, se o Tesouro está inundando o mundo com papéis norte-americanos podres.

Jamais antes se viu coisa semelhante, e todos hesitam e ninguém quer arriscar previsões sobre arranjo tão absurdo e instável; e a lista de potenciais pontos de ruptura é infindável. Agora, quando todo mundo está comprando a dívida do governo dos EUA construída com dinheiro emprestado, nem o dinheiro faz sentido. Vai acabar mal – mas ainda é cedo demais para saber como e quando.

Leia também "As Cinco sequências da fase de deslocamente geopolítico global" na resistir.info...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Carta Capital: O Mundo Órfão

Interessante o artigo da Carta Capital assinado por Antonio Luiz Monteiro. Encerra uma análise bem abrangente sobre como é fragil o equilíbrio de forças que dominam o mundo e como este mesmo equilíbrio está ameaçado, observando-se a crise por que passa o capitalismo, o enfraquecimento do bloco europeu em face da crise financeira e a diminuição do poder político dos EUA o que não quer dizer de forma nenhuma o desaparecimento de tal poder, tampouco podendo-se desprezar o incontestável poder militar norte-americano, além do surgimento de novos atores como os BRICs, o papel da China, a questão do Paquistão e o controle do Taleban, bem como o fator Índia e o recrudescimento de extremismos o que pode levar mais uma vez a humanidade a colocar em prática a velha máxima da "ultima ratio regum" (o último argumento dos reis). Só que nesta altura dos acontecimentos não existirá mais uma guerra global sem efeitos devastadores, principalmente quando o prórpio meio ambiente já encontra-se tão afetado pelo comportamento humano. Até onde iremos ou até onde seremos capazes de ir para salvarmos a nós mesmos?

Da Carta Capital
Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

Se não caiu, está muito abalada a supremacia dos Estados Unidos – ou mesmo do conjunto do chamado Ocidente, dada a aguda fragilização econômica da União Europeia e sua crônica incapacidade política de atuar unificadamente como uma força estabilizadora global. Deveríamos saudar a oportunidade de uma abertura a um mundo novo ou nos preocupar com o risco de caminhar para o fim de qualquer mundo civilizado?

Não está escrito nas estrelas, mas sim nas projeções econômicas, que em mais alguns anos a produção dos BRIC ultrapassará a do G-7, e a China, a dos EUA. Isso em si não precisa ser ruim, mas, quando o poder econômico se desloca, entidades políticas e militares costumam se mover, seja para se opor à mudança na correlação de forças, seja para consolidá-la. E, como diz um velho provérbio do Quênia, quando os elefantes brigam, quem sofre é a grama.

Na última vez em que o centro de gravidade da geopolítica se deslocou, foram necessárias duas guerras mundiais para assentar um novo equilíbrio de poder. Desta vez, não só uma guerra mundial tem alta probabilidade de não deixar sobrar muita coisa para partilhar, como há razões para recear, vista a fragilidade do ambiente ante a depredação pela atividade humana, que a civilização se destrua por seu próprio funcionamento “normal”, sem necessidade de violência explícita. Nunca foi mais necessário um consenso sobre o futuro da humanidade, mas isso se tornou um sonho mais distante do que jamais foi desde a derrota do nazismo.

A liderança moral que Washington chegou a ter sobre a aliança ocidental, forjada durante a Guerra Fria, conservada nos anos 90 por hábito ou falta de opção, dissolveu-se no Iraque. De maneira demasiado óbvia, a aventura atendeu a interesses econômicos e estratégicos dos EUA e Reino Unido com o falso pretexto de combater uma ameaça terrorista internacional e desperdiçou a oportunidade de estabilizar o Afeganistão.

O Taleban voltou a controlar grande parte do país, enquanto os governos europeus que se dispuseram a acompanhar os EUA se desgastaram inutilmente e agora se recusam a apoiá-los no esforço para recuperar o controle do país para o governo notoriamente corrupto de Hamid Karzai, reeleito por um processo admitidamente fraudulento.

Países que apostaram na exacerbação militarista do poderio estadunidense agem como quem desconfia que apostou no cavalo errado. Os países da Ásia Central que chegaram a se aproximar do Ocidente agora voltam a forjar laços estratégicos com Rússia, China e Irã. Os governos pró-ocidentais criados pelas chamadas “revoluções coloridas” deram-se mal: o da Geórgia, incentivado pelos EUA a desafiar Putin, foi surrado em batalha e perdeu território, o da Ucrânia levou ao desastre econômico e os eleitores o substituíram por um mais simpático a Moscou.

Na América Latina, pode-se dizer que a influência dos EUA voltou a ser contestada como não havia sido desde a Segunda Guerra Mundial. Contrariando os prognósticos de The Economist, a mudança de governo em Washington pouco fez para reverter o enfraquecimento de sua influência na região. China e Rússia continuam a fazer acordos comerciais e militares naquilo que a revista britânica chama de backyard (quintal) dos EUA, a Unasul combate a interferência de Washington na política interna de países sul-Americanos e o Grupo do Rio lança os alicerces de uma Comunidade Latino-americana capaz de substituir a OEA em muitas de suas funções, se não em todas. O périplo latino de Hillary Clinton em 2010 foi tão vazio de resultados quanto o de Bush júnior em 2005. Se foi recebida com menos protestos, é que as esquerdas deixaram de se preocupar tanto com os Estados Unidos.

Na África, a influência tradicional das ex-metrópoles europeias e a mais recente dos EUA também começa a se evaporar, graças à disposição da China de investir nesses países sem exigir, via FMI, que seus governos desmantelem seus precários aparelhos de Estado e exponham seus camponeses e fazendeiros à concorrência desleal da agricultura subsidiada dos países ricos.

No Extremo Oriente, o Japão, encerrado o longo monopólio do poder pelo decadente e corrupto Partido Liberal-Democrático, também começa a se afastar dos EUA – mais visivelmente pressionando o Pentágono para abandonar sua base em Okinawa – e a cortejar a China, seu tradicional rival, com o objetivo de construir um bloco asiático.

A predominância financeira, resgatada da crise de Bretton Woods pela política de Paul Volcker, está se esvaziando rapidamente, sem que haja espaço para a repetição da manobra. O FMI, símbolo do antigo consenso ocidental, consumiu sua credibilidade na crise asiática de 1997, quando se aproveitou das dificuldades dos países vitimados por ataques especulativos para impor, de maneira demasiado descarada, os interesses financeiros e comerciais dos Estados Unidos e a ideologia neoliberal em voga. Para não mais dependerem da boa vontade da agência de Washington, os países periféricos acumularam reservas de maneira obsessiva, a ponto de se tornar banqueiros do Ocidente e ser chamados, em 2009, a socorrer a entidade. Hoje, os países da Zona do Euro que enfrentam, pela primeira vez, dificuldades financeiras fogem do FMI como o diabo da cruz. França e Alemanha falam em criar um Fundo Monetário Europeu e países asiáticos cogitam de algo semelhante.

Mas não é só a discórdia entre as potências ocidentais: é também o consenso das elites dentro de cada país, principalmente os EUA. Outrora, republicanos e democratas se revezavam sem traumas. A alternância de poder era parte do jogo e não impedia que os partidos negociassem propostas e fizessem concessões mútuas.

Nos últimos anos, isso mudou. Desde os tempos de Ronald Reagan, o ambiente político vinha-se crispando pela aliança do neoliberalismo yuppie com o fundamentalismo cristão dos grotões dos EUA, mas desde a eleição de Barack Obama o problema cresceu de maneira exponencial. Aos efeitos da crise acrescentaram-se rancores racistas e xenófobos à mistura já explosiva e uma crescente infantilização e vulgarização do discurso político. Um número muito multiplicado de canais de comunicação (incluídos os da internet) compete por uma atenção pública limitada e dessensibilizada e tenta conquistá-la com as afirmações mais chocantes e os insultos mais estridentes e grosseiros.

Votações no Congresso, mesmo sobre reformas modestas e nomeação de funcionários, são bloqueadas pela oposição ou se dividem por linhas estritamente partidárias e tratadas como questões de vida ou morte. Nem se fala mais de um plano universal da saúde pública. A mera proposta de regulamentação e generalização dos planos de saúde privados é enfrentada por políticos e comunicadores conservadores como se fosse um projeto de abolição da propriedade privada e do capitalismo, às vezes com estas exatas palavras. Ao mesmo tempo que a tentativa de limitar os custos públicos da saúde é histericamente denunciada, pelos mesmos personagens, como um “tribunal da morte” destinado a eliminar os improdutivos.

Se isso se dá no mainstream, na corrente principal da política, mais assustador ainda é o que se passa nas margens. Segundo o Southern Poverty Law Center (SPLC, uma ONG que monitora supremacistas brancos e similares) os grupos de direita “patriótica”, que veem o governo federal como inimigo, saltaram de 149 grupos em 2008 para 512 em 2009 e suas milícias armadas, de 42 para 127. Os grupos “nativistas”, que perseguem e intimidam imigrantes, passaram de 173 para 309. Os abertamente racistas cresceram de 926 para 932, apesar do colapso de uma rede neonazista de 35 grupos, cujo líder, Bill White, foi preso (por incitação à violência) em outubro de 2008. No conjunto, esses extremistas cresceram de 1.248 para 1.753 grupos.

Não é de admirar quando um comunicador como Glenn Beck, da Fox News, dá repercussão a teorias sobre uma conspiração do governo para implantar um regime totalitário. É o medo e o ódio como substitutos da ação comunicativa racional proposta por Jürgen Habermas, que neste início de século se mostra uma utopia mais distante da realidade que as do marxismo à moda antiga.

Na Europa, a modalidade mais comum de expressão da ira política é a xenofobia, exposta em manifestações que vão do referendo suíço que proibiu a construção de mesquitas à legalização, na Itália, de bandos de “vigilantes” formados para intimidar imigrantes. A inquietação com a crise econômica, com a falta de perspectivas pessoais ou coletivas e com o questionamento do senso comum hegemônico (“crucifixo é normal, lenço na cabeça é aberrante”, por exemplo) é deslocada para a humilhação dos ainda mais fracos.

Nessa forma, além de inofensivas para os poderes econômicos e financeiros, a ira e a violência são facilmente manipuláveis por políticos e por grupos criminosos. A presença das três máfias italianas – que, juntas, movimentam 100 bilhões de euros anuais, ou 5% do PIB – por trás das agressões em massa contra os roma em Nápoles e os africanos na Calábria não é casual. Desloca para bodes expiatórios a inquietação com sua crescente influência no Estado, com o despejo de lixo tóxico, com o monopólio mafioso de certos setores da economia sul-italiana. Mas não só: o crescimento do crime organizado é um fenômeno cada vez mais globalizado, com extensões na América Latina, África, Europa Oriental, Rússia e Oriente, movimentando 1 trilhão de dólares por ano. A guerra no Afeganistão e a aliança de Karzai com produtores e traficantes de ópio proporcionaram-lhe ainda mais combustível.

O que se vê no Ocidente, de forma mais aguda nos EUA, não é apenas uma crise econômica, mas também uma crise de autoridade. Uma crise de hegemonia, no sentido gramsciano. Depois de décadas de “pensamento único” perdeu-se a capacidade de definir um consenso e fazer dele o senso comum dos formadores de opinião. Nessas condições, como dizia Antonio Gramsci, as máscaras de normalidade e civilização não se sustentam e o recurso à força bruta, ultima ratio regum (último argumento dos reis) é inevitável.

Enquanto extremistas se multiplicam, também os governos tendem a transformar o estado de exceção em regra, como mostrou o filósofo italiano Giorgio Agamben. Nos EUA, a maioria democrata, liderada por Obama, acaba de prorrogar por mais um ano (por 315 votos a 97, em 25 de fevereiro), sem modificações, o chamado Patriot Act, o pacote imposto por Bush júnior logo após o 11 de Setembro, que dá ao governo poderes para vigilância telefônica de cidadãos, invasão de residências e arquivos por mera suspeita de terrorismo.

A isso pode-se somar um “Ato de interrogatório, detenção e processo de beligerantes inimigos” proposto pelos senadores John McCain (republicano) e Joseph- Lieberman (ex-democrata independente) após o fracassado atentado de um nigeriano contra um avião que pousava em Detroit no Natal de 2009. A proposta permite às Forças Armadas deter cidadãos e estrangeiros sem julgamento, indefinidamente, por suspeita de atividade terrorista.

Mas, como mostraram este e outros atentados, força e vigilância são substitutas muito ineficientes do consenso e hegemonia de tempos normais. Na vida real, os agentes dos serviços secretos e da chamada inteligência estão longe de corresponder à mitologia dos espiões do cinema. Como foi dito em Crise de Inteligência (CartaCapital 582), o inchaço desmedido de listas de suspeitos e motivos para suspeição cria embaraços e humilhações para inocentes, serve de pretexto para perseguir ativistas, intelectuais e críticos do governo ou do sistema, alimenta o ego de funcionários arrogantes, mas não consegue prevenir as verdadeiras ameaças ou levar à captura de terroristas realmente perigosos. Tentar controlar tudo é não controlar nada.

Crianças de 5 anos, senhoras idosas e veteranos são detidos em aeroportos porque na lista “No Fly” do FBI tem algum homônimo suspeito de atividades terroristas que pode ser um cantor britânico que promove o Islã (Cat Stevens), um jurista estadunidense que criticou o presidente (Walter Murphy), um jornalista colombiano simpático a Chávez (Hernando Calvo) ou um estadista que um dia apoiou a luta armada contra um governo racista (Nelson Mandela). O resultado é uma sensação de medo e ansiedade que tanto amplifica o impacto político do terrorismo quanto gera rancor e a desconfiança contra a interferência do governo, mesmo quando defende medidas de interesse popular, como a regulamentação dos bancos e a reforma da saúde.

A falta de consenso interno reduz a eficácia da ação internacional dos EUA. Mesmo que a supremacia mundial seja do interesse tanto de democratas quanto de republicanos e as ações imperialistas no exterior não estejam sendo seriamente questionadas, sua capacidade de honrar promessas e ameaças está comprometida, como se não bastassem os limites já postos pela crise econômica e pelo comprometimento militar no Iraque e Afeganistão.

As dificuldades com obstruções no Congresso impediram os EUA de terem papel construtivo na Conferência de Copenhague, deteriorando suas relações com a Europa. Obama sacrificou sua política latino-americana e cedeu aos golpistas de Honduras para desembaraçar a nomeação de um funcionário de segundo escalão. Pior, reduziram Washington à inércia no conflito palestino-israelense, depois de ter prometido uma nova era no relacionamento com o mundo árabe, no momento em que, também no campo internacional, a crise da hegemonia empurra o conflito para a ultima ratio regum, com todos os agravantes da tecnologia bélica do século XXI.

No ano fiscal encerrado em setembro, a DSCA – agência do Departamento de Defesa dos EUA responsável por exportações de armas – anunciou orgulhosamente que vendera 37,9 bilhões de dólares, ante um recorde anterior de 36,4 bilhões em 2008 e esperava mais 38,4 bilhões em 2010. Isso enquanto o Departamento de Estado queixava-se da “corrida armamentista” promovida pela Venezuela ao comprar armas da Rússia, segunda maior fornecedora. De 17 bilhões em 2001 (6 bilhões dos EUA), as vendas globais de armas a países periféricos passaram de 40 bilhões em 2007 (12 bilhões dos EUA) e 42 bilhões em 2008 (30 bilhões dos EUA). Apesar da crise ou por causa dela?

No Oriente Médio, Israel, organizações palestinas e Irã são exemplos de abandono progressivo das expectativas de soluções negociadas dentro de um acordo hegemônico. Tel-Aviv constrange aliados e enfurece inimigos com seus abusos em Gaza, Jerusalém, Cisjordânia e Dubai e intimida com projetos macarthistas suas próprias ONGs pacifistas, acusadas de dar munição às acusações de violações de direitos humanos pelo Exército israelense. Não mostra preocupação com o desgaste de sua imagem e da autoridade moral de seus defensores. Há motivos para recear que busca conscientemente alimentar uma radicalização palestina que dê pretextos para anexar de vez os territórios ocupados e expulsar os nativos incômodos.

A crescente agressividade verbal do Irã – que, ao contrário de Israel, ainda não detém armas nucleares, capacidade para produzi-las ou pretensões territoriais – é embasada menos em poderio bélico real- do que pela crise de hegemonia que impede o Ocidente de isolá-lo de fato, apesar das exigências de Tel-Aviv. O Irã melhora suas relações com Turquia, Síria, China, Rússia e Ásia Central e faz crescer seu prestígio ante o mundo árabe com desafios verbais a Washington e Tel-Aviv, apostando em que não se expõe a um ataque real.- Pode, claro, ser um erro de cálculo. Como também pode ser um erro a aposta dos estrategistas dos EUA de forçar o Paquistão a lutar contra o Taleban, com o risco de um fiasco que desprestigie seu precário governo civil a ponto de inspirar um golpe que pode, de fato, pôr um arsenal nuclear considerável nas mãos de fundamentalistas mais fanáticos que os do Irã.

Estimativa recente de especialistas do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, citada na revista Scientific American Brasil de fevereiro, indica que uma guerra nuclear limitada à Índia e Paquistão, além de matar diretamente 20 milhões nos dois países, provocaria a morte por inanição de 1 bilhão em todo o mundo, por danos causados ao clima e à camada de ozônio. E nem se fala ainda do risco de os elefantes mais crescidos – EUA, China e Rússia – rolarem na grama, pesadelo que na ausência de consensos pode rapidamente passar da categoria do impensável à de risco real.

Além dos desentendimentos presentes sobre Taiwan e bases militares na Ásia e Europa, é visível que, mais cedo ou mais tarde, China e EUA terão de rediscutir a relação e fazer uma nova partilha de influência e recursos estratégicos em escala global. O novo poder tentará aumentar sua fatia. Se isso se fizer sem confronto aberto, será possível dizer que a humanidade conseguiu evitar o mal maior, mesmo que leve apenas a um consenso sobre o risco de mútua destruição e um equilíbrio do terror similar ao da Guerra Fria.

Leia mais na Carta Capital...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

UE concorda em ajudar Grécia, diz Fonte

Da Reuters

VIENA, 11 de fevereiro (Reuters) - Os ministros das finanças da zona do euro concordaram que os países da região tomarão uma "ação coordenada e determinada" para ajudar a Grécia, contando com a experiência do Fundo Monetário Internacional (FMI) em resolver crises, mas não com seu dinheiro, disse uma fonte do governo da região nesta quinta-feira.


O pacote de ajuda será condicional a um compromisso da Grécia de adotar mais medidas fiscais para resolver seus problemas, disse a fonte, que pediu anonimato já que os ministros concordaram em manter confidencial o resultado de uma teleconferência realizada na quarta-feira.

"A Comissão Europeia vai designar e coordenar um pacote, contando com a expertise do BCE (Banco Central Europeu) e do FMI", afirmou, acrescentando que os ministros concordaram de forma unânime em não pedir ajuda financeira do FMI.

"Os membros da zona do euro tomarão uma ação determinada e coordenada", acrescentou a fonte, citando o acordo dos ministros feito na teleconferência, que determinou as bases para a cúpula da UE desta quinta-feira.

O chanceler da Áustria, Werner Faymann, disse nesta manhã à rádio local ORF prever que o pacote para a Grécia seja uma combinação de envolvimento do FMI e dos países da UE.

"Não estamos falando de doação ou subsídios, estamos falando de empréstimos com juros que podemos fornecer a um país para evitar uma irritação nos mercados financeiros e crise com as quais ninguém pode mais lidar", afirmou.

"Ainda não sabemos como será organizado, mas eu espero uma cooperação entre os países (europeus) e o FMI."

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FHC e a Lógica "Ricuperiana"

Após o artigo da Folha de São Paulo, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso caracteriza a ministra Dilma Rousseff de ventrilocada pelo Lula e, por óbvio, também, defende o seu governo - já que a oposição não o faz -, ministros do governo sairam a campo para fazer o contraponto aos argumentos, confirmando que a tônica das eleições será mesmo a polarização PT-PSDB e que caminha-se para a inevitável comparação com os anos de FHC. Seria burrice se asssim não fosse, uma vez que os índices econômicos e sociais de hoje são bem melhores do que os daquela época. É bom salientar que no artigo do FHC ficou de fora a questão cambial e a desvalorização do Real, bem como o processo de privatizações que tanta polêmica causa até hoje. É a lógica "ricuperiana": aquilo que é bom a gente publica, o que é ruim a gente omite. Em um novo artigo na FSP, do jornalista Gustavo Patu, podemos encontrar uma análise mais séria e lúcida sobre o tema.

FHC cita méritos e omite erros
Tucano propõe comparação bizantina entre o seu programa de obras e o PAC

GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Não é difícil, para FHC, listar corretamente méritos de seu governo negados pela retórica palanqueira de Lula. Mais complicado é revisitar o período sem provocar a lembrança de erros e deficiências, também reais, que contribuíram para afastar os tucanos do Planalto.
"Sem medo do passado" é o título do artigo que o ex-presidente escreveu em defesa de seus dois mandatos. Se não há mesmo medo, as entrelinhas deixam transparecer que persiste, pelo menos, desconforto. Omissões e meias verdades contrastam com a defesa, alardeada no texto, de uma "política mais consciente e benéfica para todos".
Em exatas 998 palavras e cifras que descem a minúcias, não há uma única menção, no exemplo mais flagrante, ao crescimento econômico -goste-se ou não, o indicador mais universalmente utilizado para mensurar o sucesso das administrações nacionais.
No mais perto que chega do tema, FHC propõe uma comparação bizantina entre o seu programa de obras Avança Brasil e o PAC petista, ambos conhecidos pela discrepância entre metas e realizações. E, claro, sem falar na crise de abastecimento de energia elétrica.
A renda nacional cresceu à média de 2,2% ao ano sob FHC e deve encerrar o período lulista com taxa anual de 3,7%, se confirmadas as expectativas dos analistas. Mais importante politicamente, o primeiro começou seu governo com expansão acelerada e terminou em estagnação, enquanto o segundo obteve o resultado inverso.
Nos últimos anos, os tucanos, com boa dose de razão, vinham atribuindo a vantagem de Lula à sorte de governar em um período de rara prosperidade internacional, livre das turbulências financeiras da década passada. Essa argumentação perdeu charme, no entanto, com o colapso global do final de 2008, do qual o Brasil saiu com perspectivas de rápida recuperação.
No artigo do ex-presidente, a única razão apresentada para a crise herdada por Lula é o temor provocado nos credores e investidores "por anos de "bravata" do PT e dele próprio" -nada se diz sobre a escalada das dívidas interna e externa nos anos anteriores, consequência de políticas do primeiro mandato tucano, corrigidas tardiamente no segundo.
Dólar barato e gasto público sem amarras sustentaram a popularidade inicial de FHC e garantiram sua reeleição no primeiro turno, mas levaram o endividamento público de menos de 30% para quase 50% do Produto Interno Bruto.

Câmbio e superavit
As medidas de ajuste adotadas a partir de 1999 -câmbio flutuante e metas de superavit fiscal- foram mantidas pelos petistas, como gostam de lembrar os tucanos. Mas tampouco o crédito, nesse caso, cabe à gestão FHC: tratou-se de uma imposição do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Não por acaso, os indicadores mais palpáveis de melhora social do texto do ex-presidente estão circunscritos a seu primeiro governo. É o caso da queda aguda da pobreza, do aumento do rendimento médio mensal dos trabalhadores, do reajuste mais generoso do salário mínimo.
O artigo dribla o inconveniente com saltos nas datas. Recorda-se, por exemplo, que, "com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total" e depois menciona-se a taxa de 18% registrada em 2007, já sob o governo Lula. Não se menciona que, após a queda brusca do primeiro ano, a pobreza permaneceu nos mesmos patamares no restante do governo tucano.
Iniciativas celebradas do segundo mandato geraram mais frutos sociais, econômicos e políticos para Lula que para FHC. Além das correções da política econômica, o exemplo clássico é a criação do Bolsa Escola, depois ampliado e rebatizado como Bolsa Família.


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FMI preve que o Brasil puxara crescimento da America Latina em 2010




Washington, 26 jan (EFE).- A força da recuperação da economia brasileira após a crise já em 2009, antes de muitos outros países da América Latina, é um dos fatores que contribuirão para o crescimento da região em 2010, disse nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo a entidade, a América Latina terá um ano melhor que o previsto, com crescimento de 3,7%, graças ao aumento da demanda interna e à aceleração econômica no resto do mundo.
Além disso, o FMI demonstrou aceitar os controles estatais sobre capitais, como os impostos criados pelo Governo brasileiro, em postura diferente do ceticismo inicial demonstrado pelo organismo em relação à utilidade deste tipo de medida.
De acordo com o fundo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançará 4,7% neste ano, o que representa uma grande revisão em alta contra o índice de 3,5% previsto em outubro.
Em 2011, entretanto, a previsão é de que o crescimento da economia brasileira desacelerará devido em parte ao fim gradual das iniciativas de estímulo do Governo e ficará em 3,7% - ainda assim, 0,2 ponto percentual acima do cálculo anterior.
"A maior parte da América Latina se recupera bem, embora a uma taxa menor do que a Ásia", afirmou Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, em entrevista coletiva.
A entidade também prevê que o crescimento latino-americano terá sustentação, dado que a demanda interna é "bastante enérgica", explicou Jörg Decressin, chefe de Estudos Econômicos Mundiais do departamento de análise do FMI.
A aceleração econômica no resto do mundo também ajudará a América Latina, já que poderá aumentar suas exportações, disse Decressin.
O FMI subiu sua previsão de crescimento para região em 0,8 ponto percentual para este ano. A taxa de 3,7%, entretanto, ainda fica abaixo dos 4,1% previstos pela Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Para 2011, o fundo prevê um crescimento de 3,8%, um décimo acima do cálculo de outubro.
Esses números estão muito atrás dos da Ásia, onde o crescimento da China voltará a bater nos dois dígitos, ao alcançar 10% neste ano, e a Índia avançará 7,7%.
O vigor da Ásia beneficia especialmente o Cone Sul, que é um importante fornecedor de matérias-primas.
Além do Brasil, outra economia que contribui para essa melhora na perspectiva de crescimento para 2010 é a do México, que finalmente deixou sua recessão profunda para trás, segundo o FMI.

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