No Jornal O Tempo
Via blog do Azenha
A hipótese da polícia mineira é que o cadáver de Elisa Samudio saciou cães rottweiler, modo macabro de deletar um corpo; e a abominável ação é de um bando cruel (mandante, intermediários e matador). E de estreito repertório intelectual, se não incinerou os ossos. Há exuberantes indícios de que tais brutamontes são sociopatas (psicopatas). Todavia, é antiético que psicólogos, psiquiatras e psicanalistas se encarapitem na mídia, como papagaios de piratas, chutando que fulano, sicrano ou beltrano é isso ou aquilo outro.
Nem todo homicida é sociopata. Nem todo sociopata mata, mas pode virar assassino se a lei não comparece para punir outros delitos, pois portam personalidades a quem só a lei dá limites: são devotos da transgressão e do banditismo e precisam da liberdade para o culto à marginalidade. O sociopata não é doente mental nem desprovido de razão — característica dos ditos “malucos”, “loucos de pedra”, “doidos varridos” ou que “rasgam dinheiro” –; logo, responde por seus crimes.
Se Eliza Samudio está morta, o Estado brasileiro deve ser responsabilizado, pois se omitiu quando instado por ela a proteger a sua vida! O inquérito em que acusa o alegado pai do seu filho de torturá-la de arma em punho só foi concluído quando “Inês já era morta”, em 6.7.2010, nove meses após a queixa! A lei, quando chamada, não compareceu para dar limites ao agressor. Ao contrário, acariciou sua onipotência.
Como uma juíza crê que, para não banalizar a Lei Maria da Penha, não deve aplicá-la quando o agressor não coabita com a violentada? O argumento dá um cordel de sentença de morte: “a ex-amante não poderia se beneficiar através de medidas protetivas, nem ‘tentar punir o agressor’, sob pena de banalizar a Lei Maria da Penha, cuja finalidade é proteger a família, seja proveniente de uma união estável ou de um casamento e não na relação puramente de caráter eventual e sexual”.
Quando uma mulher alega estar grávida de um homem, sem teste de paternidade, é moralmente insustentável dizer que não há vínculo entre eles, pois a ciência já descobriu, e faz tempo, que filho não é só da mãe! A palavra da mulher, até a “comprovação científica” da paternidade, tem de valer para fins de proteção de sua vida! No mesmo Rio de Janeiro, foram concedidas medidas protetivas da Lei Maria da Penha a uma atriz contra seu namorado, um ator, que até dormiu no xilindró por desrespeitar a sentença judicial! Por que uma mereceu crédito e a outra não? Meritíssima, data venia, o que banaliza uma lei é a não-aplicação dela, gerando o fenômeno da “lei que não pegou”. Está explícito que, embora a Lei Maria da Penha seja o que de melhor nós, as mulheres em luta, conquistamos, contém “furos”, por onde trafega o abuso de poder interpretativo.
Urge que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) encontre meios de blindar a Lei Maria da Penha, ao máximo, contra interpretações ao bel-prazer do juízo de valor conservador e machista de magistrados(as) e incluir elementos novos, científicos e consensuais, pertinentes às personalidades criminosas ou bandidas, já que “os transtornos de personalidade são intratáveis, incuráveis e irreversíveis”, mas há prevenção: “Investir em educação, em atendimento à primeira infância, na aplicação das leis e em contenção” (dr. João Augusto Figueiró, revista “Época”, 4.7.2005). A Lei Maria da Penha e a magistratura não podem se omitir diante de agressores. É estímulo homicida não punir delitos de quem exibe padrão sociopata!
Principais análises e notícias sobre politica, economia, relações internacionais, etc., etc.
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Designer critica logo da Copa 2014: "É uma porcaria"
Por Dayanne Sousa
do Terra Magazine
O logotipo da Copa do Mundo do Brasil não representa o país, sentencia o designer gráfico Alexandre Wollner. Autor de mais de 180 logotipos - entre eles alguns bem familiares, como o do Itaú ou da Papaiz - ele ficou bastante insatisfeito com a marca oficial da Copa de 2014. "É uma porcaria", lamenta.
A piada que ficou famosa no Twitter depois da divulgação do logo nesta quinta (8) comparou a marca com a silhueta do líder espírita Chico Xavier. Wollner também enxergou no desenho um rosto, mas fez uma crítica ainda mais ferrenha.
- Olha bem para o desenho: é uma cara com a mão no rosto dizendo "que vergonha". Sabe quando você fala "que vergonha" e põe a mão no rosto?
O objetivo do logo é representar a taça da Copa usando mãos que se entrelaçam. A escolha, porém, foi cercada de polêmica. A ADG (Associação dos Designers Gráficos do Brasil) publicou uma nota em que disse que foi excluída do processo pela Fifa. Além disso, o júri que elegeu o vencedor não foi composto por especialistas, mas tinha a modelo Gisele Bündchen, o escritor Paulo Coelho e a cantora Ivete Sangalo.
Para Wollner, o processo foi antiético:
- É isso que é a falta de ética. Não respeitam os profissionais, o profissionalismo.
Leia a entrevista na íntegra.
Terra Magazine - O que você achou do logotipo da Copa 2014?
Alexandre Wollner - É uma porcaria. Uma porcaria e uma coisa muito antiética. E as pessoas que estão reclamando participam também de coisas antiéticas. Só porque não participaram estão brigando com todo mundo. Aqui no Brasil não tem condição nenhuma de, profissionalmente, falar o que é design. Tudo isso são oportunistas, é publicidade!
Você está falando da crítica sobre quem foram os jurados que escolheram o logo?
Você imagina o júri que escolheu... Que é isso? Não tem o que se comentar. Já houve concursos semelhantes que muitos profissionais participaram com um prêmio assim de R$ 15 mil. Eu tenho certeza que esse prêmio aqui foi uma barra de chocolate suíço. É uma coisa só pra aparecer, uma coisa de prestígio.
Muita gente criticou. O logo ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter porque muita gente não gostou mesmo. Por que você acha que teve essa rejeição?
Não se pode gostar de uma coisa dessa. Você pode ver. Olha bem para o desenho: é uma cara com a mão no rosto dizendo "que vergonha". Sabe quando você fala "que vergonha" e põe a mão no rosto? O desenho foi aleatório.
Falando de design, o que é que um logotipo tem que representar? Como é a pesquisa para criar um logo como esse?
Tem que respeitar a cultura do país que está representando. Se não respeitar, não tem significado nenhum. A cultura do país tem que ser feita pelo país, pelos profissionais do país. Pode ser que tenha sido feito por um brasileiro, mas não foi feito por especialistas, gente que faz a representação visual do país.
Você gostou do logotipo desta Copa, da África?
Também foi ruim. Não sobrevive, fica efêmera. Acabou a Copa e você nem vai lembrar mais. Uma simbologia não fica só no sinal, ela fica em tudo: na comunicação, nos equipamentos que você produz. Nessa Copa da África, os edifícios dos estádios são maravilhosos, mas você não vê nenhum sinal em volta. Fica uma coisa parada.
Então que outras criações você acha interessantes?
A única Olimpíada que deu resultado e que mudou a nossa cultura foi a Olimpíada de Munique de 1972, que resultou nos pictogramas que hoje são usados (em 72, ficaram famosos os desenhos que representavam a silhueta de vários atletas praticando esportes olímpicos). Em todo lugar, em todo o mundo se usa a mesma coisa. Foi usado em São Francisco, foi usado no Japão. Foi distorcido um pouco na Espanha. Mas já deu um significado de representação cultural de um país. Foi a primeira Olimpíada em que decidiram não usar a bandeira. Não adianta usar a bandeira da Alemanha porque não é só a Olimpíada da Alemanha, é do mundo todo.
Falando nisso, esse nosso logo é verde e amarelo, as cores da bandeira.
Não precisaria ser verde e amarelo. Poderia ser laranja, preto... O país vai patrocinar, mas o país não vai ser o vencedor da Copa. Pode ser que seja, pode ser que não seja. Só com verde amarelo é fácil. Qualquer coisa faz verde e amarelo. Verde e amarelo é um dos elementos do sinal do Brasil, mas não é o sinal do Brasil.
Então você acha que não houve bons designers participando do concurso?
Não é o designer que tem que fazer. Ele tem que participar, inclusive como coordenador. Mas não é só designer que aparece. Aparece estilista de uniformes, aparece a publicidade. E o designer deveria coordenar essas coisas. Não é só fazer a marquinha. É um complexo muito maior. Uma coisa muito profissional que aqui no Brasil não tem essa cultura. Então ganham as agências de publicidade, que estão destruindo todas as marcas.
Eu gostaria que você falasse um pouco mais sobre o que você chamou de falta de ética. A ADG (Associação dos Designers Gráficos do Brasil) reclamou que havia um combinado com a Fifa e que não foi respeitado.
É essa que é a falta de ética. Não respeitam os profissionais, o profissionalismo. E quem dirige os profissionais também não se manifesta. Isso deveria ter sido feito com mais responsabilidade, porque é importante.
do Terra Magazine
O logotipo da Copa do Mundo do Brasil não representa o país, sentencia o designer gráfico Alexandre Wollner. Autor de mais de 180 logotipos - entre eles alguns bem familiares, como o do Itaú ou da Papaiz - ele ficou bastante insatisfeito com a marca oficial da Copa de 2014. "É uma porcaria", lamenta.
A piada que ficou famosa no Twitter depois da divulgação do logo nesta quinta (8) comparou a marca com a silhueta do líder espírita Chico Xavier. Wollner também enxergou no desenho um rosto, mas fez uma crítica ainda mais ferrenha.
- Olha bem para o desenho: é uma cara com a mão no rosto dizendo "que vergonha". Sabe quando você fala "que vergonha" e põe a mão no rosto?
O objetivo do logo é representar a taça da Copa usando mãos que se entrelaçam. A escolha, porém, foi cercada de polêmica. A ADG (Associação dos Designers Gráficos do Brasil) publicou uma nota em que disse que foi excluída do processo pela Fifa. Além disso, o júri que elegeu o vencedor não foi composto por especialistas, mas tinha a modelo Gisele Bündchen, o escritor Paulo Coelho e a cantora Ivete Sangalo.
Para Wollner, o processo foi antiético:
- É isso que é a falta de ética. Não respeitam os profissionais, o profissionalismo.
Leia a entrevista na íntegra.
Terra Magazine - O que você achou do logotipo da Copa 2014?
Alexandre Wollner - É uma porcaria. Uma porcaria e uma coisa muito antiética. E as pessoas que estão reclamando participam também de coisas antiéticas. Só porque não participaram estão brigando com todo mundo. Aqui no Brasil não tem condição nenhuma de, profissionalmente, falar o que é design. Tudo isso são oportunistas, é publicidade!
Você está falando da crítica sobre quem foram os jurados que escolheram o logo?
Você imagina o júri que escolheu... Que é isso? Não tem o que se comentar. Já houve concursos semelhantes que muitos profissionais participaram com um prêmio assim de R$ 15 mil. Eu tenho certeza que esse prêmio aqui foi uma barra de chocolate suíço. É uma coisa só pra aparecer, uma coisa de prestígio.
Muita gente criticou. O logo ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter porque muita gente não gostou mesmo. Por que você acha que teve essa rejeição?
Não se pode gostar de uma coisa dessa. Você pode ver. Olha bem para o desenho: é uma cara com a mão no rosto dizendo "que vergonha". Sabe quando você fala "que vergonha" e põe a mão no rosto? O desenho foi aleatório.
Falando de design, o que é que um logotipo tem que representar? Como é a pesquisa para criar um logo como esse?
Tem que respeitar a cultura do país que está representando. Se não respeitar, não tem significado nenhum. A cultura do país tem que ser feita pelo país, pelos profissionais do país. Pode ser que tenha sido feito por um brasileiro, mas não foi feito por especialistas, gente que faz a representação visual do país.
Você gostou do logotipo desta Copa, da África?
Também foi ruim. Não sobrevive, fica efêmera. Acabou a Copa e você nem vai lembrar mais. Uma simbologia não fica só no sinal, ela fica em tudo: na comunicação, nos equipamentos que você produz. Nessa Copa da África, os edifícios dos estádios são maravilhosos, mas você não vê nenhum sinal em volta. Fica uma coisa parada.
Então que outras criações você acha interessantes?
A única Olimpíada que deu resultado e que mudou a nossa cultura foi a Olimpíada de Munique de 1972, que resultou nos pictogramas que hoje são usados (em 72, ficaram famosos os desenhos que representavam a silhueta de vários atletas praticando esportes olímpicos). Em todo lugar, em todo o mundo se usa a mesma coisa. Foi usado em São Francisco, foi usado no Japão. Foi distorcido um pouco na Espanha. Mas já deu um significado de representação cultural de um país. Foi a primeira Olimpíada em que decidiram não usar a bandeira. Não adianta usar a bandeira da Alemanha porque não é só a Olimpíada da Alemanha, é do mundo todo.
Falando nisso, esse nosso logo é verde e amarelo, as cores da bandeira.
Não precisaria ser verde e amarelo. Poderia ser laranja, preto... O país vai patrocinar, mas o país não vai ser o vencedor da Copa. Pode ser que seja, pode ser que não seja. Só com verde amarelo é fácil. Qualquer coisa faz verde e amarelo. Verde e amarelo é um dos elementos do sinal do Brasil, mas não é o sinal do Brasil.
Então você acha que não houve bons designers participando do concurso?
Não é o designer que tem que fazer. Ele tem que participar, inclusive como coordenador. Mas não é só designer que aparece. Aparece estilista de uniformes, aparece a publicidade. E o designer deveria coordenar essas coisas. Não é só fazer a marquinha. É um complexo muito maior. Uma coisa muito profissional que aqui no Brasil não tem essa cultura. Então ganham as agências de publicidade, que estão destruindo todas as marcas.
Eu gostaria que você falasse um pouco mais sobre o que você chamou de falta de ética. A ADG (Associação dos Designers Gráficos do Brasil) reclamou que havia um combinado com a Fifa e que não foi respeitado.
É essa que é a falta de ética. Não respeitam os profissionais, o profissionalismo. E quem dirige os profissionais também não se manifesta. Isso deveria ter sido feito com mais responsabilidade, porque é importante.
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Hondura pós-Golpe: Isolada e em Crise
Não se ouve mais as vozes indignadas com a posição do Brasil no caso do golpe em Honduras. Muitos que naquele momento sequer aceitavam a existência de um golpe, hoje não sabem o que se passa com o pequeno país da América Central. Não sabem da crise instituicional e social ali instalada e o isolamento internacional a que o país está exposto. Este é o legado deixado pela quebra das regras da democracia, regras estas tão caras aos países latinos, a maioria com experiências de regimes de exceção sangrentos, que ceifaram a vida e os sonhos de muitos e que jamais serão devolvidos.
HONDURAS ESTÁ ISOLADA E EM CRISE
Por Mair Pena Neto
do Direto da Redação.
Milhares de manifestantes foram às ruas de Tegucigalpa no último dia 28 de junho para lembrar o primeiro ano do golpe de Estado no país, exigir a volta do ex-presidente Manuel Zelaya e pedir a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Ou seja, o país está diante das mesmas questões que existiam antes do golpe e sua situação só se agravou com o isolamento que vive agora.
Um golpe de Estado não se apaga da história. Mesmo que seja temporariamente vencedor, deixa sequelas na sociedade que não se resolvem de um estalo. Basta ver os fantasmas que nos atormentam até hoje e as questões mal resolvidas da ditadura militar no Brasil.
Os Estados Unidos tentaram fazer com que o golpe em Honduras não existisse reconhecendo o governo de Porfirio Lobo, eleito no final do ano passado num processo conduzido pelo governo golpista de Roberto Micheletti. Mas o governo de Lobo não foi reconhecido pela maioria dos países latino-americanos, e se encontra acuado, tanto à esquerda quanto à direita. A primeira não reconhece a legitimidade de seu governo, e a direita acha que faz concessões demais aos partidários de Zelaya.
Honduras vive um momento de fragilidade institucional e social. Os índices de criminalidade aumentaram e a violência política não parou com o fim do período repressivo do governo Micheletti. Perseguições políticas também continuam em curso e recentemente a Suprema Corte, que sustentou o golpe contra Zelaya, se recusou a readmitir quatro juízes que tinham se posicionado contra a quebra da ordem constitucional.
Porfírio Lobo reconhece que houve um golpe contra Zelaya e criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação, boicotada pelos aliados do ex-presidente e pelos movimentos de direitos humanos, que não acreditam em seu alcance. Lobo também tem falado na possibilidade de um referendo sobre uma Assembléia Nacional Constituinte, mas não tem força política para levá-lo adiante.
Neste cenário de instabilidade, o próprio Lobo já denunciou ameaças de golpe contra seu governo, que partem de setores que ele diz saber quais são. A única força política capaz de um novo golpe em Honduras seria a direita, mais uma vez com apoio do Poder Judiciário e de setores das Forças Armadas.
Honduras está paralisada, em crise econômica e política, suspensa da OEA e fora da Unasul enquanto Zelaya não voltar ao país sem sofrer qualquer constrangimento legal. A América Latina não tolera mais golpes de Estado típicos da época das repúblicas das bananas, mesmo que travestidos de uma suposta ordem legal, como tentaram fazer em Honduras.
O que aconteceu em Honduras não pode ser ignorado e a posição dos países latino-americanos tem sido exemplar no sentido profilático de evitar novos golpes no continente.
HONDURAS ESTÁ ISOLADA E EM CRISE
Por Mair Pena Neto
do Direto da Redação.
Milhares de manifestantes foram às ruas de Tegucigalpa no último dia 28 de junho para lembrar o primeiro ano do golpe de Estado no país, exigir a volta do ex-presidente Manuel Zelaya e pedir a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Ou seja, o país está diante das mesmas questões que existiam antes do golpe e sua situação só se agravou com o isolamento que vive agora.
Um golpe de Estado não se apaga da história. Mesmo que seja temporariamente vencedor, deixa sequelas na sociedade que não se resolvem de um estalo. Basta ver os fantasmas que nos atormentam até hoje e as questões mal resolvidas da ditadura militar no Brasil.
Os Estados Unidos tentaram fazer com que o golpe em Honduras não existisse reconhecendo o governo de Porfirio Lobo, eleito no final do ano passado num processo conduzido pelo governo golpista de Roberto Micheletti. Mas o governo de Lobo não foi reconhecido pela maioria dos países latino-americanos, e se encontra acuado, tanto à esquerda quanto à direita. A primeira não reconhece a legitimidade de seu governo, e a direita acha que faz concessões demais aos partidários de Zelaya.
Honduras vive um momento de fragilidade institucional e social. Os índices de criminalidade aumentaram e a violência política não parou com o fim do período repressivo do governo Micheletti. Perseguições políticas também continuam em curso e recentemente a Suprema Corte, que sustentou o golpe contra Zelaya, se recusou a readmitir quatro juízes que tinham se posicionado contra a quebra da ordem constitucional.
Porfírio Lobo reconhece que houve um golpe contra Zelaya e criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação, boicotada pelos aliados do ex-presidente e pelos movimentos de direitos humanos, que não acreditam em seu alcance. Lobo também tem falado na possibilidade de um referendo sobre uma Assembléia Nacional Constituinte, mas não tem força política para levá-lo adiante.
Neste cenário de instabilidade, o próprio Lobo já denunciou ameaças de golpe contra seu governo, que partem de setores que ele diz saber quais são. A única força política capaz de um novo golpe em Honduras seria a direita, mais uma vez com apoio do Poder Judiciário e de setores das Forças Armadas.
Honduras está paralisada, em crise econômica e política, suspensa da OEA e fora da Unasul enquanto Zelaya não voltar ao país sem sofrer qualquer constrangimento legal. A América Latina não tolera mais golpes de Estado típicos da época das repúblicas das bananas, mesmo que travestidos de uma suposta ordem legal, como tentaram fazer em Honduras.
O que aconteceu em Honduras não pode ser ignorado e a posição dos países latino-americanos tem sido exemplar no sentido profilático de evitar novos golpes no continente.
Nassif: Pedágio derruba mais um Jornalista da TV Cultura
Do blog do Nassif
Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.
Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.
Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.
Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.
Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.
Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.
Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.
Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.
Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.
Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.
Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.
Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
Marília Gabriela substitui Heródoto Barbeiro no Roda Viva da TV Cultura
Evidente que a Marília é uma profissional competente e vai dar o recado dela. Mas, quem mandou o Heródoto reclamar dos pedágios do Serra?!
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terça-feira, 6 de julho de 2010
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