A seguir um bom artigo do blog do Nassif, sobre a recente pesquisa Data-Folha, mais realista e menos apaixonado, levando em conta aspectos relevantes sem se deixar levar pelo clima de torcida que vem contaminando o debate eleitoral deste ano. A salientar a necessidade de se confirmar as tendências apontadas pelo instituto de pesquisas através de outros levantamentos (aguardemos a Vox Populi e a CNT/Senus) e as potencialidades de cada candidato. Há um aspecto importante nesta pesquisa: o índice da espontânea, que dá a Dilma 12% e a Serra 8%.
As Novas Etapas da Campanha Presidencial
Do blog Nassif
Por Marcos Doniseti
Nassif, escrevi um longo artigo onde procurei analisar o ciclo de crescimento de Dilma, que parece ter se esgotado neste primeiro momento, a se confiar nos resultados da mais recente pesquisa Datafolha.
No entanto, a pesquisa Datafolha ainda precisa ter os seus resultados confirmados por uma pesquisa mais confiável, devido aos fortes laços que unem Serra, o PSDB e a empresa proprietária do instituto, que é a ‘Folha da Manhã’ e que é, na prática, uma atividade participante da candidatura tucana à Presidência da República.
No entanto, caso o Datafolha esteja correto (algo que não podemos descartar, mesmo que o instituto tenha divulgado os números de uma maneira a beneficiar Serra, mas isso é algo de difícil comprovação), Dilma parece ter se estabilizado, ou melhor, esgotado o ciclo de crescimento pelo qual vinha passando , pelo menos, desde o início de 2009.
E Serra parece ter iniciado uma recuperação que, no entanto, não se sabe se irá continuar ou se terá fôlego curto.
Isto não impede, que Dilma possa, sim, retomar esse crescimento mais à frente, e nem que Serra volte a cair, mas isso vai exigir que a campanha de Dilma arregace as mangas e trabalhe duro, pois esta será a campanha eleitoral mais dura e agressiva desde a redemocratização, sem dúvida alguma.
Aquela idéia de que Dilma teria uma vitória fácil, no 1o. turno, parece que ficaram para trás depois do Datafolha. Os recentes casos da Eletronet e do Bancoop demonstram isso claramente.
Ainda penso que Dilma tem maiores chances de vitória (devido à popularidade imensa de Lula, ao bom ano que teremos para a economia do país), sim, mas se a sua campanha se acomodar, Serra poderá vencer a eleição, sem dúvida alguma.
Baseado nestas possibilidades abertas pela nova pesquisa Datafolha, escrevi um longo artigo onde procuro analisar os motivos do crescimento de Dilma, o possível esgotamento (neste momento) de seu crescimento, bem como da recuperação de Serra.
Vamos lá, então:
O ciclo de crescimento de Dilma se encerrou? A recuperação de Serra é para valer?
Entre Março de 2009 e Fevereiro deste ano a candidatura de Dilma passou por um ciclo de crescimento, como demonstram as várias pesquisas feitas no período.
Segundo o Datafolha, no período em questão, a candidatura de Dilma saiu de 11% em Março de 2009 (cenário com 4 candidatos) para 23% em Dezembro do ano passado e para 28% em Fevereiro. Agora, em Março, ficou em 27%, demonstrando estabilidade.
O que ocorreu, neste período de tempo, para que Dilma tivesse esse crescimento? Simplesmente, ela se tornou mais conhecida entre o eleitorado e uma parcela maior deste descobriu que ela era a candidata apoiada pelo Presidente Lula e que seria a candidata do PT à Presidência da República.
Na pesquisa Datafolha de Março de 2009 apenas 52% dos eleitores diziam conhecer Dilma e, nesta mesma pesquisa, ela tinha apenas 11% das intenções de voto (cenário com 4 candidatos).
Em Dezembro do ano passado, a pesquisa Datafolha constatou que 80% dos eleitores diziam conhecer Dilma e ela tinha 23% das intenções de voto. Esse índice subiu para 86% na pesquisa do final de Fevereiro, quando Dilma chegou a 28% na pesquisa Datafolha.
É bom esclarecer que o Datafolha considera que basta o eleitor dizer que ‘conhece mais ou menos’ ou ‘que ouviu falar’ do candidato para considerar que o mesmo é conhecido dos eleitores, o que é algo muito questionável, no mínimo.
Afinal, será que um eleitor que diz conhecer Dilma ‘mais ou menos’ ou que ‘ouviu falar’ dela, tem conhecimento de fatos como o de que Dilma é a candidata do PT à Presidência da República e que será apoiada pelo Presidente Lula? É claro que não, pois se tivesse conhecimento disso, ele responderia que ‘conhece bem’ a ministra Dilma e não ‘mais ou menos’ ou que tenha apenas ‘ouvido falar’ dela.
Então, isso mostra que Dilma passou por um ciclo de maior exposição e de conhecimento de sua candidatura por parte dos eleitores e que isso gerou um sensível crescimento nas pesquisas. No Datafolha, Dilma saiu de 11% em Março de 2009 para 27% em Março de 2010 (cresceu 16 p.p.). No mesmo período de tempo, Serra caiu de 41% para 36% (queda de 5 p.p.).
E quais os fatores que contribuíram para esse maior conhecimento do eleitorado a respeito da candidatura de Dilma?
Em primeiro lugar, é claro, a intensa exposição que ela passou a ter ao viajar pelo Brasil inteiro ao lado do Presidente Lula.
Além disso, no final de 2009, o PT exibiu um programa nacional no qual Dilma e o Presidente Lula fizeram uma espécie de ‘bate-bola’ durante 10 minutos. E finalmente, em Fevereiro deste ano, Dilma teve uma grande exposição no Carnaval (seu desempenho durante o mesmo foi excelente, muito superior ao de Serra, que mal conseguiu disfarçar o constrangimento em meio à população) foi escolhida a candidata à Presidente pelo PT.
Depois destes fatos, que tiveram grande repercussão entre uma parcela significativa do eleitorado, Dilma cresceu nas pesquisas.
Porém, depois que foi escolhida a candidata do PT para a Presidência, não tivemos mais fatos de grande repercussão junto aos eleitores e que pudessem servir para que Dilma continuasse crescendo nas pesquisas.
Além do mais, nas últimas semanas, nós vimos o início de uma clara e nítida ofensiva midiática muito forte e violenta contra o governo Lula, Dilma e o PT, no qual tivemos o seguinte:
1) Capas da ‘Veja’ explorando o ‘caso’ Bancoop, que o PIG procurou relacionar com Dilma e com o PT, mesmo não havendo ligação alguma entre eles. Mas, a mentira foi difundida intensamente, seguindo os ensinamentos de Goebbels;
2) ‘Caso’ da Eletronet, no qual a Grande Mídia atacou o Zé Dirceu e fizeram de tudo para atingir o governo Lula, o PT e a candidatura de Dilma;
3) Propaganda maciça do governo do estado de SP na Mídia, dizendo que o estado de SP ‘está cada vez melhor’;
4) Ataques contra Lula e Dilma devido a uma suposta ‘campanha antecipada’ por parte da Grande Mídia. As multas aplicadas ao Presidente Lula pelo TSE podem ter reforçado junto a uma parte do eleitorado a idéia de que isso estava mesmo acontecendo. Mas, se isso não prejudicou Dilma, ajudar, também, não ajudou, certo?;
5) Forte crescimento da exposição de Serra na Mídia: lembram-se dele na praia, empurrando o carrinho de rodas de uma mulher? e da vez em que ele participou de um passei ciclístico? Bem ou mal, lá estava Serra, aparecendo de forma positiva na Grande Mídia, que o apóia totalmente, é claro.
Tudo isso ajuda a entender uma eventual estabilidade nas intenções de voto em Dilma e uma recuperação de Serra neste momento da campanha presidencial, que já está a pleno vapor entre os candidatos, a Mídia e os partidos, mas que ainda não chegou à maior parte do eleitorado. Tanto isso é verdade que o Datafolha constatou que, na pesquisa espontânea, 59% dos eleitores não apontam o nome de nenhum candidato para a Presidência da República. E eles, eleitores, não o fazem porque, de fato, sequer estão pensando no assunto, ainda!
A população vai começar a prestar atenção, mesmo, na campanha presidencial, depois da Copa do Mundo e, principalmente, após o início do horário eleitoral. Daí, sim, é que o eleitorado irá se definir com relação à disputa.
Mas, o fato é que esta ofensiva midiática (altamente negativa para a candidatura de Dilma, para o governo Lula e para o PT), ocorreu num momento em que a campanha de Dilma não criou fatos novos que tivessem maior repercussão junto ao eleitorado e que pudessem dar continuidade ao crescimento . E isso acontece desde que Dilma foi escolhida pelo PT como candidata à Presidente.
Portanto, sempre que Dilma cresceu nas pesquisas, isso foi precedido por alguns fatos positivos e que tiveram grande repercussão junto a uma parcela importante do eleitorado e que, até aquele momento, ainda não conhecia Dilma.
Exemplos: Dilma cresceu em Dezembro, depois do programa nacional do PT que explorou intensamente a sua ligação com o Presidente Lula. Daí, ela saiu dos 16% de Agosto de 2009 para os 23% de Dezembro de 2009.
E Dilma voltou a crescer quando o PT lançou a sua candidatura presidencial e com o apoio declarado do Presidente Lula, o que aconteceu em Fevereiro. Depois disso, Dilma saiu dos 23% de Dezembro e foi para 28% no final de Fevereiro.
Assim, somando-se a ofensiva midiática extremamente agressiva contra o governo Lula, Dilma e o PT nas últimas semanas (‘casos’ Eletronet, Bancoop), mais o aumento da exposição de Serra na mídia (devido à propaganda maciça do governo de SP, programa do Datena) e o fato de que a campanha de Dilma não criou, em Março, nenhum fato que repercutisse junto ao eleitorado, ajudariam a explicar as razões desta estabilidade momentânea de Dilma e da recuperação parcial de Serra na pesquisa Datafolha.
Porém, como já ressaltei aqui, em outras mensagens, o Datafolha é um instituto que pertence à ‘Folha de S.Paulo’, jornal que está na linha de frente da campanha presidencial de Serra e o mesmo pode, muito bem, ter dado uma ‘forcinha’ para Serra nesta pesquisa.
Logo, a prudência recomenda aguardar uma próxima pesquisa do CNT/Sensus ou do Vox Populi para constatar se, de fato, Serra iniciou uma recuperação e se Dilma parou de crescer.
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domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Nassif: A Escandalização da Folha
O jornalista Luis Nassif é um dos poucos que teve a coragem de encarar de frente o esquema barra-pesada implantado pela Veja (Editora Abril) e por outros grupos poderosos de mídia, quando a tônica era dada pelos "neocons" da era "bushiana", em que se atirava primeiro para depois perguntar. Alvo de diversos processos impetrados por profissionais daquela Editora (especificamente da revista) em face da sua série "O Caso Veja", é um hoje um dos mais respeitados jornalistas, tendo em seu freqüentadíssimo blog (e bem) a representação de uma voz que busca fazer o bom jornalismo, apontando práticas no mínimo desidiosas de outros veículos, não com desqualificações espúrias, mas com argumentos bem apresentados, caminho que abre espaço para o debate de alto nível, e não a vala comum a que chegaram os "blogs de esgoto", que não admitem contestação ou qualquer outro tipo de manifestação que não siga a linha ideológica do blogueiro. Recentemente o jornalista debruçou-se sobre o caso Eletronet levantado pela Folha de São Paulo e a questão da banda larga no Brasil. E a Folha deu o troco. Confira o caso.
Na “denúncia” da Folha, sobre meu contrato com a EBC, uma demonstração do tipo de jornalismo menor a que Otavio Frias Filho levou o jornal. É um suicídio lento, sistemático, sem retorno.
O programa Projeto Brasil seria renovado com a TV Cultura. Não o foi devido a críticas que fiz a José Serra – conforme consta de respostas que dei ao jornal, sobre as razões de minha ida para a EBC e que foram suprimidas da matéria. Se a intenção fosse ser chapa branca, não faria as críticas merecidas à Sabesp e ao Serra.
Não há um elemento que caracterize irregularidade ou proteção no contrato. Os valores estão claros, dentro da lógica de qualquer programa de TV aberto ou fechado. Foram fixados com base no contrato inicial que mantive com a Fundação Padre Anchieta. E o programa tem importância estratégica para a TV Brasil, conforme se confere no comentário do diretor de programação Rogério Brandão, em email à Helena Chagas, diretora de jornalismo (clique aqui):
Maliciosamente a Folha pegou o contrato dele com Dirceu – passado a ela pelo próprio Nelson dos Santos - para afirmar que visava justamente aprovar o PNBL. A intenção era clara: como Dirceu é estigmatizado, o simples fato de se afirmar que seu lobby seria a favor do PNBL teria o efeito contrário: implodir o PNBL e beneficiar Nelson dos Santos.
Esse tema foi exposto no post “Eletronet: o lobby foi da Folha“. Em “O jogo em torno da Eletronet” avancei hipóteses sobre outros possíveis interesses do grupo em relação ao tema. Em “A falta de rumo do caso Folha-Eletronet” mostrei a tergiversação do jornal, tentando salvar a manobra mudando de direção, mas com os mesmos objetivos, de implodir o PNBL.
Para despertar o espírito corporativo interno, a matéria diz que minhas notas no caso Eletronet tentaram desqualificar jornalistas. Ora, é fato inédito o jornal se levantando em defesa de seus jornalistas. Nesta mesma semana, Otavinho conferiu a terceiro o direito de fuzilar dois jornalistas seus em plenas páginas do jornal, tratando-os como “delinquentes”. Todo jornalista da Folha sabe que, a qualquer momento, poderá ser o alvo da deslealdade de seu chefe, que age assim mesmo.
Quando percebeu que nem os jornalistas suportavam mais o amordaçamento total a que foram submetidos e começavam a pipocar aqui e ali matérias fora desse padrão suicida de manipulação, convocou Demétrio Magnolli para executar exemplarmente dois deles em praça pública: através da página 3 do jornal, em um artigo que os tratava como “meliantes”. A intenção foi, liquidando covardemente com dois deles (em um tema, cotas raciais, que não tem nenhuma relação com a guerra política empreendida pelo jornal), enquadrar os demais.
Quanto às minhas críticas ao Márcio Aith, jamais atacaria um colega por um erro de interpretação de matéria, ainda que grave. Há outras razões bem mais substantivas, sobre as quais Aith um dia poderá fornecer detalhes. Apenas adianto que ele foi testemunha de acusação contra mim em um caso – a série sobre a Veja – em que tinha sido minha fonte.
Já a Folha, em algum momento do futuro terá que se haver e prestar contas de seus próprios escândalos – inclusive com entes públicos -, que não são meros factóides, com os quais tentou me atingir.
Abaixo, o teor do email que recebi do repórter da Folha, seguido das minhas respostas. É um elemento bastante didático para as escolas de jornalismo, sobre como definir, primeiro, o alvo, e depois sair caçando qualquer coisa que possa ser utilizada contra ele. Depois das respostas, a matéria da Folha.
Peço aos colegas que espalhem essa resposta, especialmente em blogs que estão reproduzindo a matéria da Folha.
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Na “denúncia” da Folha, sobre meu contrato com a EBC, uma demonstração do tipo de jornalismo menor a que Otavio Frias Filho levou o jornal. É um suicídio lento, sistemático, sem retorno.
O programa Projeto Brasil seria renovado com a TV Cultura. Não o foi devido a críticas que fiz a José Serra – conforme consta de respostas que dei ao jornal, sobre as razões de minha ida para a EBC e que foram suprimidas da matéria. Se a intenção fosse ser chapa branca, não faria as críticas merecidas à Sabesp e ao Serra.
Não há um elemento que caracterize irregularidade ou proteção no contrato. Os valores estão claros, dentro da lógica de qualquer programa de TV aberto ou fechado. Foram fixados com base no contrato inicial que mantive com a Fundação Padre Anchieta. E o programa tem importância estratégica para a TV Brasil, conforme se confere no comentário do diretor de programação Rogério Brandão, em email à Helena Chagas, diretora de jornalismo (clique aqui):
O Brasilianas tem a cara da TV Pública! É um programa que estaria na PBS americana facilmente. Penso que com o tempo ele crescerá, e terá um papel relevante na grade. Nossa 2ª feira agora tem um concorrente à altura do Roda Viva.No próprio texto da matéria fica explícito o motivo da escandalização do factóide: o desmonte do falso escândalo que a Folha criou sobre a Eletronet. Fala em defesa de José Dirceu. Falso! Através de um expediente malicioso, foi a Folha quem fez o jogo do empresário que contratou Dirceu. Era interesse de Nelson implodir o Plano Brasileiro de Banda Larga porque, saindo, matava qualquer possibilidade de ressuscitar a falecida Eletronet e, com isso, de ele ganhar os tais R$ 200 milhões. Se contratou Dirceu para atuar no caso, seria justamente para implodir o PNBL.
Maliciosamente a Folha pegou o contrato dele com Dirceu – passado a ela pelo próprio Nelson dos Santos - para afirmar que visava justamente aprovar o PNBL. A intenção era clara: como Dirceu é estigmatizado, o simples fato de se afirmar que seu lobby seria a favor do PNBL teria o efeito contrário: implodir o PNBL e beneficiar Nelson dos Santos.
Esse tema foi exposto no post “Eletronet: o lobby foi da Folha“. Em “O jogo em torno da Eletronet” avancei hipóteses sobre outros possíveis interesses do grupo em relação ao tema. Em “A falta de rumo do caso Folha-Eletronet” mostrei a tergiversação do jornal, tentando salvar a manobra mudando de direção, mas com os mesmos objetivos, de implodir o PNBL.
Para despertar o espírito corporativo interno, a matéria diz que minhas notas no caso Eletronet tentaram desqualificar jornalistas. Ora, é fato inédito o jornal se levantando em defesa de seus jornalistas. Nesta mesma semana, Otavinho conferiu a terceiro o direito de fuzilar dois jornalistas seus em plenas páginas do jornal, tratando-os como “delinquentes”. Todo jornalista da Folha sabe que, a qualquer momento, poderá ser o alvo da deslealdade de seu chefe, que age assim mesmo.
Quando percebeu que nem os jornalistas suportavam mais o amordaçamento total a que foram submetidos e começavam a pipocar aqui e ali matérias fora desse padrão suicida de manipulação, convocou Demétrio Magnolli para executar exemplarmente dois deles em praça pública: através da página 3 do jornal, em um artigo que os tratava como “meliantes”. A intenção foi, liquidando covardemente com dois deles (em um tema, cotas raciais, que não tem nenhuma relação com a guerra política empreendida pelo jornal), enquadrar os demais.
Quanto às minhas críticas ao Márcio Aith, jamais atacaria um colega por um erro de interpretação de matéria, ainda que grave. Há outras razões bem mais substantivas, sobre as quais Aith um dia poderá fornecer detalhes. Apenas adianto que ele foi testemunha de acusação contra mim em um caso – a série sobre a Veja – em que tinha sido minha fonte.
Já a Folha, em algum momento do futuro terá que se haver e prestar contas de seus próprios escândalos – inclusive com entes públicos -, que não são meros factóides, com os quais tentou me atingir.
Abaixo, o teor do email que recebi do repórter da Folha, seguido das minhas respostas. É um elemento bastante didático para as escolas de jornalismo, sobre como definir, primeiro, o alvo, e depois sair caçando qualquer coisa que possa ser utilizada contra ele. Depois das respostas, a matéria da Folha.
Peço aos colegas que espalhem essa resposta, especialmente em blogs que estão reproduzindo a matéria da Folha.
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Nassif 2: o Lobby da Folha
Eletronet: O Lobby da Folha
Por Luis Nassif
Fecha-se o circuito de um dos grandes lobbies montados recentemente pela mídia.
Acompanhe:
1. A Folha, através do repórter Marcos Aith, traz a manchete bombástica de que um cliente de José Dirceu, Nelson dos Santos – sócio da massa falida da Eletronet – iria receber R$ 200 milhões do governo, caso saísse o Plano Nacional de Banda Larga, em cima da rede de fibras óticas da empresa – que o governo já tinha pegado de volta, sem nada pagar. Atribuiu a operação – que, segundo Aith, beneficiaria Nelson – ao lobby de José Dirceu.
2. No mesmo dia, aqui, se desmontou essa tese. Mostrou-se que, na verdade, governo e Nelson estavam em lados opostos. O governo retirando a rede da Eletronet, sem nada pagar; e Nelson querendo manter o controle da empresa.
3. A matéria era maliciosa e relacionava a caução que o governo teve que depositar no processo movido pelos credores (para poder ficar com a rede de fibras óticas) com os supostos benefícios ao Nelson. Ora, a ação era de credores querendo receber pelo que entregaram, não dos ex-acionistas. De que modo Nelson ganharia R$ 200 milhões? A matéria não explicava. E foi duramente cobrado do Aith, aqui, que mostrasse de que forma se daria o pagamento.
4. No dia seguinte, mudou totalmente o enfoque da matéria – mas sempre colocando a União como cúmplice do Nelson. Agora – na matéria do Aith – a Oi estava querendo adquirir as dívidas dos credores para poder assumir a rede da Eletronet. Do que se aproveitou Aith/Folha para relembrar o caso BrOi, Gamecorp, a assessoria do José Dirceu etc. A matéria foi abatida em pleno vôo por outra – esta, séria – do Estadão, informando que Nelson ganharia R$ 70 milhões, mas só na hipótese da Oi entrar. E a Oi não entrou justamente porque foi barrada pela Eletrobras, em função do PNBL. Ou seja, quem gorou a aventura do Nelson (que assumiu 51% da Eletronet por R$ 1,00) foi o PNBL – o oposto do que Aith/Folha falava. Nelson só ganharia se o plano gorasse.
5. Durante dois dias seguidos, Aith/Folha ficaram com a broxa na mão. Afinal, iriam deixar passar batido a barriga ou abririam as cartas sobre as fontes da informação.
Sem alternativa, na matéria de hoje Aith abre as cartas: a fonte da tal matéria era o próprio Nelson dos Santos.
Qualquer repórter iniciante, mais que isso, qualquer pessoa medianamente inteligente e intelectualmente honesta se perguntaria porque uma fonte estaria lhe passando informações denunciando uma operação da qual supostamente ela seria beneficiária. Aith não é ingênuo, não é novato e não é despreparado. Mesmo assim, não perguntou.
Não há hipótese de Aith/Folha não saberem que as informações vindas de Nelson dos Santos se destinavam a melar o PNBL. E, sendo assim, seria impossível que o PNBL beneficiasse Nelson e a Eletronet. Então por que insistiram nesse falso escândalo? Aliás, pela própria declaração de Nelson – só agora revelada por Aith – se constata que o repórter já sabia das pendências entre governo e Eletronet antes de saírem as denúncias. Estava informado sobre o imbróglio jurídico e sobre a maneira como a lógica do PNBL contrariava os interesses de Nelson. E reportou justamente o contrário, fazendo o jogo da fonte.
A lógica final é simples.
1. Nelson só receberia R$ 70 milhões se não saísse o PNBL e ele pudesse negociar a Eletronet com as teles. Nesse caso, a candidata pagaria os credores (no lugar do governo pagar), a empresa sairia da falência e ele receberia R$ 70 milhões pela venda.
2. A única arma que ele tinha eram os recibos de pagamentos ao José Dirceu. A maneira que encontrou para torpedear o PNBL foi pegar os recibos do que pagou a José Dirceu, chamar o notório Aith e combinar uma matéria que diria que o pagamento foi para viabilizar o PNBL e beneficiar a ele, Nelson. Com essa jogada primária, pretendia inviablizar o PNBL e depois sair com a história de que o setor privado resolveu o problema, pagando as dívidas da Eletronet em lugar de gastar dinheiro público. E, aí, embolsaria algo entre R$ 70 milhões e R$ 200 milhões, pagos pela compradora.
A última matéria de Aith, em que a trama é deslindada, porque obrigado a abrir a fonte, é um fecho clássico para uma das grandes manobras de lobby contemporâneo.
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Por Luis Nassif
Fecha-se o circuito de um dos grandes lobbies montados recentemente pela mídia.
Acompanhe:
1. A Folha, através do repórter Marcos Aith, traz a manchete bombástica de que um cliente de José Dirceu, Nelson dos Santos – sócio da massa falida da Eletronet – iria receber R$ 200 milhões do governo, caso saísse o Plano Nacional de Banda Larga, em cima da rede de fibras óticas da empresa – que o governo já tinha pegado de volta, sem nada pagar. Atribuiu a operação – que, segundo Aith, beneficiaria Nelson – ao lobby de José Dirceu.
2. No mesmo dia, aqui, se desmontou essa tese. Mostrou-se que, na verdade, governo e Nelson estavam em lados opostos. O governo retirando a rede da Eletronet, sem nada pagar; e Nelson querendo manter o controle da empresa.
3. A matéria era maliciosa e relacionava a caução que o governo teve que depositar no processo movido pelos credores (para poder ficar com a rede de fibras óticas) com os supostos benefícios ao Nelson. Ora, a ação era de credores querendo receber pelo que entregaram, não dos ex-acionistas. De que modo Nelson ganharia R$ 200 milhões? A matéria não explicava. E foi duramente cobrado do Aith, aqui, que mostrasse de que forma se daria o pagamento.
4. No dia seguinte, mudou totalmente o enfoque da matéria – mas sempre colocando a União como cúmplice do Nelson. Agora – na matéria do Aith – a Oi estava querendo adquirir as dívidas dos credores para poder assumir a rede da Eletronet. Do que se aproveitou Aith/Folha para relembrar o caso BrOi, Gamecorp, a assessoria do José Dirceu etc. A matéria foi abatida em pleno vôo por outra – esta, séria – do Estadão, informando que Nelson ganharia R$ 70 milhões, mas só na hipótese da Oi entrar. E a Oi não entrou justamente porque foi barrada pela Eletrobras, em função do PNBL. Ou seja, quem gorou a aventura do Nelson (que assumiu 51% da Eletronet por R$ 1,00) foi o PNBL – o oposto do que Aith/Folha falava. Nelson só ganharia se o plano gorasse.
5. Durante dois dias seguidos, Aith/Folha ficaram com a broxa na mão. Afinal, iriam deixar passar batido a barriga ou abririam as cartas sobre as fontes da informação.
Sem alternativa, na matéria de hoje Aith abre as cartas: a fonte da tal matéria era o próprio Nelson dos Santos.
O empresário diz que a autofalência da Eletronet não é culpa dos sócios privados. “O pedido de autofalência foi feito pela Lightpar [que representa o governo na empresa] e não pela AES [sócia majoritária na época]“, disse Santos à Folha antes da publicação da reportagem.Aí, o leitor mais desavisado perguntaria: mas a troco de quê o próprio Nelson faria uma denúncia sobre uma operação (o PNBL) que, segundo a própria matéria, o beneficiaria? Mania de suicídio?
Qualquer repórter iniciante, mais que isso, qualquer pessoa medianamente inteligente e intelectualmente honesta se perguntaria porque uma fonte estaria lhe passando informações denunciando uma operação da qual supostamente ela seria beneficiária. Aith não é ingênuo, não é novato e não é despreparado. Mesmo assim, não perguntou.
Não há hipótese de Aith/Folha não saberem que as informações vindas de Nelson dos Santos se destinavam a melar o PNBL. E, sendo assim, seria impossível que o PNBL beneficiasse Nelson e a Eletronet. Então por que insistiram nesse falso escândalo? Aliás, pela própria declaração de Nelson – só agora revelada por Aith – se constata que o repórter já sabia das pendências entre governo e Eletronet antes de saírem as denúncias. Estava informado sobre o imbróglio jurídico e sobre a maneira como a lógica do PNBL contrariava os interesses de Nelson. E reportou justamente o contrário, fazendo o jogo da fonte.
A lógica final é simples.
1. Nelson só receberia R$ 70 milhões se não saísse o PNBL e ele pudesse negociar a Eletronet com as teles. Nesse caso, a candidata pagaria os credores (no lugar do governo pagar), a empresa sairia da falência e ele receberia R$ 70 milhões pela venda.
2. A única arma que ele tinha eram os recibos de pagamentos ao José Dirceu. A maneira que encontrou para torpedear o PNBL foi pegar os recibos do que pagou a José Dirceu, chamar o notório Aith e combinar uma matéria que diria que o pagamento foi para viabilizar o PNBL e beneficiar a ele, Nelson. Com essa jogada primária, pretendia inviablizar o PNBL e depois sair com a história de que o setor privado resolveu o problema, pagando as dívidas da Eletronet em lugar de gastar dinheiro público. E, aí, embolsaria algo entre R$ 70 milhões e R$ 200 milhões, pagos pela compradora.
A última matéria de Aith, em que a trama é deslindada, porque obrigado a abrir a fonte, é um fecho clássico para uma das grandes manobras de lobby contemporâneo.
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Nassif 1: Nova denúncia da Folha é desmentida pelo Estadão
Na terça-feira, matéria de Márcio Aith, na Folha de São Paulo, denunciou que a decisão do governo de recuperar a rede de fibras óticas da Eletronet - massa falida administrada pela Justiça do Rio - permitiria a Nelson Santos, ex-acionista, receber R$ 200 milhões. E relacionava essa operação com a consultoria que lhe foi prestada por José Dirceu. Os fatos foram amplamente desmentidos no decorrer do dia. Matéria do Estadão acabou expondo o factóide. O blog do Nasif conta essa história.
Luis Nassif
Veja em que lamaçal se meteu a Folha.
Aqui, um resumo. Na sequência, a descrição:
1. Ontem matéria do notório Márcio Aith denunciou que a decisão do governo de recuperar a rede de fibras óticas da Eletronet – massa falida administrada pela Justiça do Rio – permitiria a Nelson Santos, ex-acionista, receber R$ 200 milhões. E relacionava essa operação com a consultoria que lhe foi prestada por José Dirceu.
2. Os fatos foram amplamente desmentidos no decorrer do dia. Mostrou-se que seria impossível qualquer pagamento a Nelson, já que o governo retomou a rede de fibras óticas da empresa e as pendências remanescentes são com os credores, não com os ex-acionistas.
Hoje, o notório Aith volta ao tema, não toca mais no assunto Nelson Santos. Substituiu o escândalo anterior por um novo: a operação, na verdade, destinava-se a permitir a Oi, em conluio com o governo, assumir a rede da Eletronet.
É outro factóide desmentido pelos fatos: o governo quer que a Telebras se incumba da rede de banda larga, contrariando os interesses das operadoras. Quais os dados objetivos que fundamentam a acusação de Aith? Nenhum. Ou melhor, uma tentativa da Oi de negociar com os credores da Eletronet. E que não deu certo, porque, segundo a OI, chegou-se a um «impasse comercial».
3. Aí a reportagem do Estadão driblou o controle do aquário e mostrou a razão do impasse comercial: a tentativa da OI foi vetada pela Eletrobras, controlada pelo governo. Com isso, impediu-se a OI de assumir a empresa e o Nelson de embolsar R$ 70 milhões.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
José Dirceu teria sido contratado por parceira da nova Telebrás

Do Portal Terra
O ex-ministro José Dirceu teria recebido mais de R$ 600 mil do grupo Star Overseas Ventures, dono de uma das empresas que fornecerão a estrutura de fibras óticas da nova Telebrás, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estatal Telebrás, responsável pela telefonia pública no Brasil, será reativada para um grande projeto de banda larga no País. Nesse projeto, as redes de transmissão da Eletronet serão utilizadas, segundo afirmou o ministro do Planejamento Paulo Bernardo na última sexta.
De acordo com a reportagem, o dinheiro foi pago a Dirceu pelo empresário Nelson dos Santos, dono do grupo Star Overseas, que contratou o ex-ministro entre 2007 e 2009. Nelson teria comprado a empresa Eletronet, falida em 2003, por apenas R$ 1 em 2005. A empresa teria uma rede de 16 mil km em cabos de fibra ótica, mas as dívidas alcançavam R$ 800 milhões. A contratação de José Dirceu por Santos teria ocorrido logo antes das decisões de reativar a Eletronet, com o governo bancando o resgate da rede sem a necessidade da contrapartida do empresário, segundo o jornal. Nelson dos Santos negou à reportagem relação entre a contratação de Dirceu e um possível lobby quanto à participação da Eletronet na nova Telebrás.
Do blog do José Dirceu
Folha joga sujo para atacar plano de banda larga do governo e me atingir
Fui surpreendido hoje com a manchete de 1ª página da Folha de S.Paulo (“Nova Telebrás beneficia cliente de Dirceu”), extraída da reportagem “Dirceu recebe de empresa por trás da Telebrás”, preparada sob encomenda para atingir dois objetivos:
1) atacar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) do governo federal;
2) levantar suspeitas sobre minha participação em uma disputa que corre na Justiça do Rio de Janeiro, entre os credores da empresa Eletronet, seus sócios privados e o governo, pelo controle do ativo de 16 mil km de fibras ópticas.
Uma disputa, repito, judicial, sobre a qual nem eu, nem qualquer cidadão tem condições de interferir. Exista ou não o PNBL e a reorganização da Telebrás, os credores, os proprietários da Eletronet e o governo federal terão que responder pelos passivos e ativos da Eletronet. E cada um poderá ser prejudicado ou beneficiado.
Há que se lembrar que já existe liminar favorável ao governo, concedida pela Justiça do Rio determinando a reintegração de posse de parte dos ativos da Eletronet (as fibras “apagadas” ou não utilizadas atualmente) a empresas do grupo Eletrobrás. Logo, sugerir que minha atuação na consultoria que dei sobre rumos da economia na América Latina tenha algo a ver com uma possível decisão que não cabe ao governo, mas ao Poder Judiciário, é uma ilação descabida e irresponsável do jornal.
Ligar meu nome ao PNBL e a um suposto favorecimento de um dos proprietários da Eletronet apenas porque dei consultoria a ele é típico da Folha, que já vinha atacando o Plano com a teoria conspiratória de que o vazamento de informações privilegiadas sobre ele tem feito subir os preços das ações da Telebrás. O jornal já vinha insinuando que haveria cumplicidade de ONGs e mesmo de membros do governo.
Agora me acusa de estar por trás da criação da Telebrás e, pior, favorecendo uma empresa privada para a qual dei consultoria legal e registrada em contrato. Saí do governo há quase cinco anos. Não tenho impedimento para dar consultorias e não há nada que me ligue a qualquer intervenção ou ação do Executivo federal. Os responsáveis pela ação judicial e pelo PNBL são testemunhas de minha não participação ou intervenção na definição da política da União.
Como em todas as questões importantes do país, manifesto minha posição publicamente em meu blog ou na imprensa. A Folha esconde que meu primeiro comentário no blog é uma reprodução de um post de um site especializado e que o segundo é um artigo de opinião, que não contém nada de comprometedor. Mais do que isso, a Folha finge não entender que minhas opiniões manifestadas no blog e no artigo são contrárias aos interesses das empresas privadas envolvidas no caso Eletronet, e favoráveis à política do governo.
Lamento mais uma vez que meu nome seja envolvido em suspeições e reservo-me o direito de me defender e de não recuar de minha atuação, seja como advogado, seja como militante político.
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