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quinta-feira, 29 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Pesquisas Vox Populi e Data Folha: Análise das Discrepâncias
Dentro daquilo que se convencionou chamar de sistema de poder, diversos atores ocupam seus espaços como forma de garantir a influência nas decisões da sociedade. Esta luta pela manutenção do "status quo", outrora através das armas (hoje, não de todo descartadas) e atualmente, nos regimes democráticos, através do dinheiro, da técnica (de propaganda, estatística, etc.), e lógico, do voto, traz lances interessantes, como no caso dos institutos de pesquisa eleitoral que apresentam resultados discrepantes, observando-se a metodologia empregada por cada um deles. Uma das melhores análises foi feita pelo blog do Nassif que faz uma abordagem acurada sobre a pesquisa Data-Folha. Tal instituto utiliza a técnica de abordagem nas ruas e pratica o descarte das respostas que não apresentam número de telefone ou outra forma de identificação que permita a validação das mesmas. A Vox Populi e o Ibope, para as eleições deste ano, utilizam a abordagem domiciliar, onde é desnecessário o número de telefone. Outro fato relevante é que o Data-Folha, embora tenha entrevistado um maior número de pessoas, não o fez no interior dos estados, mas apenas nas capitais. Paira (como sempre pairou) sobre tais institutos, a pecha da desconfiança, pois, como na maioria das coisas que envolvem poder e dinheiro hoje em dia, o que menos se espera é o jogo limpo. E todos têm que estar atentos a tais movimentos para, pelo menos, não se deixar influenciar por erros premeditados.
Decifrando o Data-Folha
do Blog do Nassif
por Gunter Zibell
Decifrando o Data-Folha
do Blog do Nassif
por Gunter Zibell
Mas então... Alguém notou que esta Datafolha de 23/07 é desfavorável para Serra se comparada com a de 01/07?
Sabemos que há as diferenças metodológicas do Datafolha. Uma ainda não comentada foi não fazer desta vez o cenário clássico (apenas 3 candidatos.) Os resultados 36 D/37 S/10 M não são plenamente comparáveis com os do Vox Populi (41 D/33 S/8 M) porque contam com 1% cada para PSTU e PSoL. Esses 2% não são prováveis para Serra. Seria mais prudente considerar os resultados para 2º turno e aí a diferença entre institutos, na conta “diferença entre candidaturas” cai de 9% para 7%.
Mais a mais, o fenômeno a ser medido é o mesmo, as trajetórias em direções opostas das candidaturas. Apenas os termômetros são diferentes.
Olhando somente as diferenças para 2º turno : na Vox de 26/06 Dilma (44) menos Serra (40) era 4%. Agora, Vox de 20/07, se fala em 8% (D = 46, S = 38). 4% de mudança em 24 dias.
Na Datafolha de 01/07 a diferença era 2% pró-Serra (este com 47%, Dilma com 45%) e agora (23/07) Dilma está 1% à frente (ela com 47%, Serra com 46%). 3% de mudança em 21 dias.
Não se fala, portanto, em “recuperação” da candidatura Serra. Ambas as pesquisas, dos dois institutos mais comentados, mostram Dilma subindo 2% nas 3 primeiras semanas de julho e Serra caindo 1 ou 2% no mesmo período. Se esta ou aquela pesquisa vai ajudar a angariar fundos de campanha ou estimular as militâncias não altera a realidade do cenário.
Vamos usar um gráfico conhecido (no caso já tinha pronto para 1º turno, mas isso não muda muito agora) e traçar uma seta envoltória para os pontos mais recentes (desde outubro) das duas campanhas em todos os institutos. Para tangenciar os pontos mais baixos de Serra e os mais altos de Dilma. A largura dessas setas é de 8%, ou seja, 4% a mais ou a menos em torno de uma média imaginária. Algo como uma margem de erro maior.
Tentando fazer mais simples as coisas: antes víamos as “bolinhas azuis” sempre acima das “bolinhas vermelhas” em distâncias que variavam; passamos para uma fase em que as bolinhas se misturam (maio, junho) e agora (desde 21/junho) em 4 das 6 vezes a bolinha vermelha fica acima da azul. Em nada mudando, é provável que daqui pra frente as bolinhas vermelhas ficarão mais frequentemente acima das azuis. O que importa é o caminho geral, não os desvios pontuais.
Do ponto de vista de torcidas : se a Datafolha, pesquisa que aparentemente favorece Serra, em função de sua metodologia, já aponta 47% a 46% com pequena vantagem para Dilma no 2º turno, então as demais (sendo que sai uma Ibope agora dia 31/jul.) muito provavelmente apenas mostrarão essa diferença ampliada.
A única questão relevante é se Dilma “na média” chegará no dia 03/out. aos 43% necessários para a eleição se definir em um turno (43% = [100% - 14% de B/N/I] / 2 ). Sua média atual de 4 pesquisas é 39% (em maio era 36%, em março era 32%), a de Serra é 37% (em maio era 37,5%, em março 38,5%). O que temos de concreto é que Dilma cresce mais rápido (quase 2% ao mês) do que Serra decresce (cerca de 0,5% ao mês.) Isso significa que Dilma aproveita bem mais a redução no percentual de indecisos (cuja média passou de 21% em março para os atuais 14%.)
Se houvesse previsão de fato novo pró-Serra com a campanha, isso teria alguma relevância.
Mas já sabemos que se a coligação PSDB/DEM tivesse propostas sedutoras estas já teriam sido mostradas. Também sabemos que a “campanha do medo” pela mídia só prega para os mesmos convertidos (e em função justamente de ausência de programa competitivo.) Repetir factóides de 4 ou 8 anos atrás não dará certo, principalmente porque não se prova nenhum, o que passa a impressão de amadorismo (até para os fiéis desses partidos, o que pode decepcioná-los.)
Também é sabido que o tempo de TV será favorável a Dilma. O envolvimento direto de Lula também. O maior conhecimento das candidaturas, idem. A participação dos candidatos a governador vai pesar algo. Talvez o movimento que possa recuperar as chances de Serra seja um desempenho muito melhor nos debates.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
A Dra. Cureau e as "Fartas Provas Documentais"
O comentário da vez na internet é o do desempenho da Procuradora da República junto ao TSE, Dra. Sandra Cureau. As sucessivas representações contra o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff chamaram a atenção, principalmente quando acompanhadas de declarações da emintente membro do MP Federal que, no mínimo, apresentam indícios de rigorismo desproporcional quando comparadas com as representações contra o candidato da Oposição, o governador José Serra.
Numa delas, assinada pela Procuradora, o Lula é acusado de fazer campanha da candidata ao elogiá-la num evento que reunia as centrais sindicais em São Paulo. O Lula, por pirraça, desculpou-se por ter elogiado Dilma em discurso, fazendo novo elogio. Numa outra cena, ao comentar sobre elogios a Serra, do governador em exercício por São Paulo, Alberto Goldman, deixou escapar o seguinte comentário: “Não pode, falando oficialmente como governador, dizer as coisas boas que Serra fez. Ele está indicando à população que Serra é a pessoa ideal para governar o país.”
Tenho a tendência de não acreditar que a Procuradora esteja fazendo jogo para cima da Dilma. Mas há dois aspectos a serem analisados: o primeiro refere-se a esta questão do que pode ou não ser dito pelos políticos. Fazer elogio a um candidato num evento pago pelo contribuinte ou no exercício de um mandato é errado? Deve a lei dizer o que deve ou não ser dito, quando e como? Uma coisa é se usar de todo um aparato pra fazer campanha fora de época, como shows (o showmício é proibido), sorteios, mensagens subliminares. Mas emitir uma opinião, dentro ou não do período eleitoral, é violar a liberdade de expressão? Se o Lula atrai votos "a rodo" é porque tem cacife para isto, fruto de uma administração que foi aprovada pela maioria da população brasileira. Se não atraísse certamente a Sra. Cureau não representaria. Fica aí a sensação de que querem calar o Presidente da República. E aí, admitindo que a Procuradora esteja atenta à lei (sujeita a ponderações interpretativas ou exercício de hermenêutica pelos Tribunais), no mínimo estará fazendo o jogo da Oposição, que é o de alijar o Presidente do processo... por delito de opinião!? Onde o ilícito eleitoral? Utilizar inaugurações ou eventos com centrais sindicais... mas se há o que inaugurar, ou se há identidade com as centrais, por que proibir? Onde há a desproporção se existe o reconhecimento, observando que se trata aqui de opinião, que, pelas representações são consideradas como propaganda irregular?
A segunda questão trata das provas documentais baseadas em matérias jornalísticas. O interessante é que muitas (senão todas) as matérias - principalmente na nossa grande mídia - traz muito mais do que fatos, mas elementos opinativos em consonância com a linha editorial do órgão. Não é incomum que se utilize matérias jornalísticas em representações, principalmente para provar que houve o fato. A questão é quando os meios de comunicação passam a se utilizar deste expediente para pautar a Justiça (e o próprio MP). Neste raciocínio o Luiz Carlos Azenha, no seu blog, apresenta o seguinte argumento:
O que mais me chamou a atenção no comportamento dela, no entanto, é que Sandra Cureau parece ter embarcado naquela simbiose que vicia os recém-chegados ao palco: ela alimenta a mídia e ao mesmo tempo se alimenta da mídia, num círculo “perfeito” de manchetes que servem como “prova”, como demonstrou Miguel do Rosário no Óleo do Diabo:
Como disse, não há problema em se utilizar de matéria jornalísticas - elas serão ou não aceitas pelo Tribunal como capazes de provar o ilícito. O problema é quando isto se torna um jogo de retroalimentação entre os meios de comunicação e o órgão encarregado de fiscalizar as eleições. O perigo está em se fazer o jogo desses meios, que, todos sabem, aqui no Brasil, têm lado bem definido. E aí pode a Sra. Cureau estar endossando as palavras de uma executiva de um desses jornais engajados que disse que com uma oposição fraca a imprensa tem que fazer às vezes dos partidos políticos. Como não existem bobos neste jogo, infelizmente não é de todo incabível a suspeição sobre as intenções da Procuradora. Neste aspecto não devemos esquecer que a mesma teve, recentemente, uma Representação arquivada por apresentação de provas tardia num caso de propaganda irregular contra José Serra: Apresentação tardia de mídia que comprovaria propaganda antecipada acarreta no arquivamento de representação contra José Serra. É bom o MP ficar de olho.
Numa delas, assinada pela Procuradora, o Lula é acusado de fazer campanha da candidata ao elogiá-la num evento que reunia as centrais sindicais em São Paulo. O Lula, por pirraça, desculpou-se por ter elogiado Dilma em discurso, fazendo novo elogio. Numa outra cena, ao comentar sobre elogios a Serra, do governador em exercício por São Paulo, Alberto Goldman, deixou escapar o seguinte comentário: “Não pode, falando oficialmente como governador, dizer as coisas boas que Serra fez. Ele está indicando à população que Serra é a pessoa ideal para governar o país.”
Tenho a tendência de não acreditar que a Procuradora esteja fazendo jogo para cima da Dilma. Mas há dois aspectos a serem analisados: o primeiro refere-se a esta questão do que pode ou não ser dito pelos políticos. Fazer elogio a um candidato num evento pago pelo contribuinte ou no exercício de um mandato é errado? Deve a lei dizer o que deve ou não ser dito, quando e como? Uma coisa é se usar de todo um aparato pra fazer campanha fora de época, como shows (o showmício é proibido), sorteios, mensagens subliminares. Mas emitir uma opinião, dentro ou não do período eleitoral, é violar a liberdade de expressão? Se o Lula atrai votos "a rodo" é porque tem cacife para isto, fruto de uma administração que foi aprovada pela maioria da população brasileira. Se não atraísse certamente a Sra. Cureau não representaria. Fica aí a sensação de que querem calar o Presidente da República. E aí, admitindo que a Procuradora esteja atenta à lei (sujeita a ponderações interpretativas ou exercício de hermenêutica pelos Tribunais), no mínimo estará fazendo o jogo da Oposição, que é o de alijar o Presidente do processo... por delito de opinião!? Onde o ilícito eleitoral? Utilizar inaugurações ou eventos com centrais sindicais... mas se há o que inaugurar, ou se há identidade com as centrais, por que proibir? Onde há a desproporção se existe o reconhecimento, observando que se trata aqui de opinião, que, pelas representações são consideradas como propaganda irregular?
A segunda questão trata das provas documentais baseadas em matérias jornalísticas. O interessante é que muitas (senão todas) as matérias - principalmente na nossa grande mídia - traz muito mais do que fatos, mas elementos opinativos em consonância com a linha editorial do órgão. Não é incomum que se utilize matérias jornalísticas em representações, principalmente para provar que houve o fato. A questão é quando os meios de comunicação passam a se utilizar deste expediente para pautar a Justiça (e o próprio MP). Neste raciocínio o Luiz Carlos Azenha, no seu blog, apresenta o seguinte argumento:
O que mais me chamou a atenção no comportamento dela, no entanto, é que Sandra Cureau parece ter embarcado naquela simbiose que vicia os recém-chegados ao palco: ela alimenta a mídia e ao mesmo tempo se alimenta da mídia, num círculo “perfeito” de manchetes que servem como “prova”, como demonstrou Miguel do Rosário no Óleo do Diabo:
Como disse, não há problema em se utilizar de matéria jornalísticas - elas serão ou não aceitas pelo Tribunal como capazes de provar o ilícito. O problema é quando isto se torna um jogo de retroalimentação entre os meios de comunicação e o órgão encarregado de fiscalizar as eleições. O perigo está em se fazer o jogo desses meios, que, todos sabem, aqui no Brasil, têm lado bem definido. E aí pode a Sra. Cureau estar endossando as palavras de uma executiva de um desses jornais engajados que disse que com uma oposição fraca a imprensa tem que fazer às vezes dos partidos políticos. Como não existem bobos neste jogo, infelizmente não é de todo incabível a suspeição sobre as intenções da Procuradora. Neste aspecto não devemos esquecer que a mesma teve, recentemente, uma Representação arquivada por apresentação de provas tardia num caso de propaganda irregular contra José Serra: Apresentação tardia de mídia que comprovaria propaganda antecipada acarreta no arquivamento de representação contra José Serra. É bom o MP ficar de olho.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O PIG anseia por uma "Deepwater Horizon"
Pra quem não entendeu bem o título do post, a Deepwater Horizon foi a plataforma da British Petroleum que passou uns dois meses despejando, em média, 60 mil barris de petróleo no Golfo do México. E o PIG é aquele nosso velho "amigo", formado pelas grandes empresas de comunicação no Brasil (a saber: Globo, Folha de São Paulo, Veja, Estadão e suas subsidiárias e filiadas pelo país afora). Já imaginou a festa que o PIG faria se uma dessas plataformas da Petrobrás passasse pelo mesmo problema da BP? Será que a chiadeira se dá porque já prevêem que a riqueza do pré-sal não vai realmente ser administrada pelos seus protegidos?
Lula rebate “O Globo”, que quer fechar a Petrobras
Do blog do Planalto
Quinta-feira, 15 de julho de 2010 às 15:53
Segurando orgulhosamente um pequeno barril com amostra de petróleo retirado do Campo de Baleia Franca, primeiro poço do Pré-sal a entrar em produção no Brasil, o presidente Lula afirmou ser hoje um dia histórico para a Petrobras, para a tecnologia brasileira e para o País. “Esse pequeno barril simboliza a independência que o Brasil terá no futuro”, disse ele em curto discurso em Vitória (ES) após visitar a plataforma da Petrobras que fica a 85 quilômetros do litoral capixaba. O poço começará a produzir cerca de 13 mil barris de petróleo leve por dia – devendo chegar à produção de 20 mil barris por dia até o final deste ano.
Lula lembrou o dia em que diretores da Petrobras o avisaram sobre “um tal de Pré-sal”, há cinco anos, e frisou a importância da descoberta para a indústria brasileira, como a naval, a petroquímica e a de fertilizantes. O presidente voltou a falar sobre a polêmica que envolve as alterações no marco regulatório do petróleo no Brasil e os motivos que levaram o governo a propor essas mudanças, enviando projetos de lei ao Congresso. “Estamos investindo no futuro do Brasil”, afirmou. Ele lamentou que a discussão sobre a divisão dos royalties do Pré-sal tenha sido antecipada para antes das eleições, mas acredita num bom desfecho. “Chegaremos a um bom termo e o Brasil sairá ganhando com isso”, disse ele, aproveitando a ocasião para rebater as informações publicadas em um jornal brasileiro sobre países europeus que estão deixando de explorar petróleo no fundo do mar. “Tem que ver quais países europeus ainda tem petróleo no fundo do mar.”
Para Lula, certamente há quem defenda que o Brasil não explore o petróleo de sua camada pré-sal, deixando-a para outros – o que não vai acontecer, afirmou o presidente. O Brasil tem tecnologia e vai explorar o Pré-sal de maneira responsável, investindo o que for necessário para evitar desastres como o ocorrido no Golfo do México com um poço ultraprofundo da British Petroleum (BP), que explodiu e joga petróleo no mar há semanas. “Aquilo não foi um acidente, foi um desastre. A empresa quis fazer mais barato, botou menos do que devia botar”, afirmou.
******
De O Globo:
O Brasil na contramão do mundo
por Danielle Nogueira e Ramona Ordoñez
15/07/2010
Depois dos Estados Unidos, ontem foi a vez de a Europa recomendar a suspensão temporária de novos projetos de exploração de petróleo e gás em águas profundas por causa do vazamento da BP no Golfo do México. O acidente, ocorrido em 20 de abril, já é o maior desastre ambiental da história da Indústria do petróleo. Na contramão, o Brasil acelera seus projetos e hoje o presidente Lula inaugura oficialmente a produção na camada pré-sal do Campo de Baleia Franca, no Sul do Espírito Santo. Ontem, o comissário de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, propôs a suspensão temporária de novos projetos de exploração no Mar do Norte, no Mar Negro e no Mediterrâneo.
Produção de petróleo no pré-sal começa. Europa e EUA reconsideram
Um dia antes de o Brasil iniciar oficialmente a produção de petróleo na camada pré-sal do Campo de Baleia Franca, a 85 quilômetros da cidade de Anchieta, no sul do Espírito Santo, o comissário de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, propôs ontem uma suspensão temporária de novos projetos de exploração de petróleo e gás em águas profundas no Mar do Norte, no Mar Negro e no Mediterrâneo. A recomendação segue a proibição determinada nos Estados Unidos, em resposta ao vazamento iniciado em 20 de abril no poço do Golfo do México, operado pela BP. A Noruega, maior produtor europeu e que não integra o bloco, também proibiu a exploração em águas profundas do Mar do Norte.
- A indústria deve testar três vezes suas práticas, programas de treinamento e tecnologias. As empresas precisarão convencer os órgãos reguladores de que fizeram as verificações necessárias e reforçaram a segurança – disse Oettinger após encontro com representantes de 22 companhias petrolíferas em Bruxelas.
A suspensão proposta pelo comissário da UE ocorreria enquanto os órgãos reguladores americanos e da UE examinam o que causou o acidente da BP. A decisão, porém, cabe a cada um dos 27 Estados do bloco.
Já o comissário de Meio Ambiente da UE, Janez Potocnik, reconheceu que uma análise das regras ambientais do bloco revelou falhas.
- Parece que temos duas opções: ou aplicamos instrumentos específicos (para a perfuração offshore) ou ampliamos o escopo de nossas ferramentas já existentes – disse.
Na contramão da suspensão de novos projetos em águas profundas, o Brasil inicia oficialmente hoje a produção no pré-sal em reservas no Espírito Santo descobertas em dezembro de 2008. Segundo a Petrobras, o poço produzirá 13 mil barris de petróleo leve por dia e a previsão é que atinja a capacidade máxima, de 20 mil barris/dia, ainda este ano. O projeto adotará tecnologias pioneiras para operar nas condições geológicas do pré-sal.
Analistas divergem sobre suspensão
As opiniões sobre a paralisação temporária da exploração em águas profundas são divergentes. Há cerca de 15 dias, problemas operacionais durante a perfuração do segundo poço no pré-sal, na Bacia de Santos, levaram a seu fechamento.
Edmar de Almeida, do Grupo de Energia do Instituto de Economia da UFRJ, reconhece que houve falhas graves da BP, mas afirma que o Brasil deve manter seu programa no pré-sal.
- Risco sempre tem. Mas uma moratória é uma resposta política à pressão popular. Além disso, a produção nas bacias brasileiras não está caindo como na Europa. Estamos apenas no início da festa. Portanto, o Brasil não tem que entrar nessa onda. O que deve ser feito é investir em tecnologia para mitigar riscos – afirma.
O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, garantiu que as normas de segurança adotadas no Brasil estão entre as melhores do mundo e, portanto, não vê motivos para a suspensão de futuros projetos em águas profundas no país.
- A nossa legislação de segurança operacional é considerada uma das mais modernas do mundo. Soubemos dessa notícia pela imprensa (suspensão em outros países) e por enquanto não temos a intenção de adotar medida semelhante – afirmou Lima, completando que o acidente da BP, após a conclusão das investigações, também será levado em conta para aperfeiçoamento da legislação.
O professor do Instituto de Economia da UFRJ Hélder Queiroz criticou a falta de mais informações sobre as regras de segurança por parte da ANP e do Ministério de Minas e Energia.
- A ANP precisa mostrar à sociedade o que temos, e se vai ser preciso mudar algo ou não. E se for, quais medidas serão necessárias para reforçar – disse Queiroz.
Já a procuradora federal Telma Malheiros, responsável pela criação do escritório de licenciamento das atividades de petróleo e nuclear do Ibama – atual Coordenação de Petróleo e Gás do instituto -, defende que o Brasil altere seu modelo de gestão das bacias petrolíferas, de modo a incorporar a avaliação ambiental dessas bacias.
- O Brasil não deveria autorizar novos projetos de exploração em águas profundas enquanto não tiver uma avaliação estratégica ambiental de suas bacias. Só assim teremos um mapeamento com áreas onde a atividade petrolífera não pode ser conduzida pelo elevado risco que um vazamento poderia provocar. E essa exigência deve ser imposta pelo governo.
Radicalmente contrário à exploração do pré-sal, o diretor de campanhas do Greenpeace, Sergio Leitão, frisa que o Brasil vai na contramão dos esforços mundiais para reduzir as emissões de CO2. Para ele, os bilhões que serão investidos no pré-sal deveriam ser aplicados em pesquisas para desenvolver energias alternativas.
A indignação de Lula
Lula chama de vergonhosa reportagem de O Globo sobre pré-sal
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a manchete da primeira página de O Globo desta quinta-feira (15/07). Para ele, a reportagem é uma "vergonha" e demonstra que os repórteres "não conhecem a Petrobras".
A matéria intitulada "O Brasil na contramão do mundo" afirma que o País avança na produção de petróleo em águas profundas, enquanto EUA e União Europeia suspenderam esse tipo de exploração.
"Eu não gosto de citar manchete não, mas a manchete dizer que 'a Europa está parando de tirar petróleo do fundo do mar...' Eles não têm! Isso aqui, essa manchete aqui é vergonha, o eles deveriam estar fazendo nessa manchete era criticando a incompetência dos Estados Unidos em não ter terminado ainda o vazamento de óleo que já dura mais de 60 dias. Então, significa que eles nem conhecem a Petrobras, porque se conhecessem não fariam uma manchete dessa", afirmou Lula em entrevista nesta quinta-feira, sobre o início das explorações na camada pré-sal.
Lula rebate “O Globo”, que quer fechar a Petrobras
Do blog do Planalto
Quinta-feira, 15 de julho de 2010 às 15:53
Segurando orgulhosamente um pequeno barril com amostra de petróleo retirado do Campo de Baleia Franca, primeiro poço do Pré-sal a entrar em produção no Brasil, o presidente Lula afirmou ser hoje um dia histórico para a Petrobras, para a tecnologia brasileira e para o País. “Esse pequeno barril simboliza a independência que o Brasil terá no futuro”, disse ele em curto discurso em Vitória (ES) após visitar a plataforma da Petrobras que fica a 85 quilômetros do litoral capixaba. O poço começará a produzir cerca de 13 mil barris de petróleo leve por dia – devendo chegar à produção de 20 mil barris por dia até o final deste ano.
Lula lembrou o dia em que diretores da Petrobras o avisaram sobre “um tal de Pré-sal”, há cinco anos, e frisou a importância da descoberta para a indústria brasileira, como a naval, a petroquímica e a de fertilizantes. O presidente voltou a falar sobre a polêmica que envolve as alterações no marco regulatório do petróleo no Brasil e os motivos que levaram o governo a propor essas mudanças, enviando projetos de lei ao Congresso. “Estamos investindo no futuro do Brasil”, afirmou. Ele lamentou que a discussão sobre a divisão dos royalties do Pré-sal tenha sido antecipada para antes das eleições, mas acredita num bom desfecho. “Chegaremos a um bom termo e o Brasil sairá ganhando com isso”, disse ele, aproveitando a ocasião para rebater as informações publicadas em um jornal brasileiro sobre países europeus que estão deixando de explorar petróleo no fundo do mar. “Tem que ver quais países europeus ainda tem petróleo no fundo do mar.”
Para Lula, certamente há quem defenda que o Brasil não explore o petróleo de sua camada pré-sal, deixando-a para outros – o que não vai acontecer, afirmou o presidente. O Brasil tem tecnologia e vai explorar o Pré-sal de maneira responsável, investindo o que for necessário para evitar desastres como o ocorrido no Golfo do México com um poço ultraprofundo da British Petroleum (BP), que explodiu e joga petróleo no mar há semanas. “Aquilo não foi um acidente, foi um desastre. A empresa quis fazer mais barato, botou menos do que devia botar”, afirmou.
******
De O Globo:
O Brasil na contramão do mundo
por Danielle Nogueira e Ramona Ordoñez
15/07/2010
Depois dos Estados Unidos, ontem foi a vez de a Europa recomendar a suspensão temporária de novos projetos de exploração de petróleo e gás em águas profundas por causa do vazamento da BP no Golfo do México. O acidente, ocorrido em 20 de abril, já é o maior desastre ambiental da história da Indústria do petróleo. Na contramão, o Brasil acelera seus projetos e hoje o presidente Lula inaugura oficialmente a produção na camada pré-sal do Campo de Baleia Franca, no Sul do Espírito Santo. Ontem, o comissário de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, propôs a suspensão temporária de novos projetos de exploração no Mar do Norte, no Mar Negro e no Mediterrâneo.
Produção de petróleo no pré-sal começa. Europa e EUA reconsideram
Um dia antes de o Brasil iniciar oficialmente a produção de petróleo na camada pré-sal do Campo de Baleia Franca, a 85 quilômetros da cidade de Anchieta, no sul do Espírito Santo, o comissário de Energia da União Europeia, Guenther Oettinger, propôs ontem uma suspensão temporária de novos projetos de exploração de petróleo e gás em águas profundas no Mar do Norte, no Mar Negro e no Mediterrâneo. A recomendação segue a proibição determinada nos Estados Unidos, em resposta ao vazamento iniciado em 20 de abril no poço do Golfo do México, operado pela BP. A Noruega, maior produtor europeu e que não integra o bloco, também proibiu a exploração em águas profundas do Mar do Norte.
- A indústria deve testar três vezes suas práticas, programas de treinamento e tecnologias. As empresas precisarão convencer os órgãos reguladores de que fizeram as verificações necessárias e reforçaram a segurança – disse Oettinger após encontro com representantes de 22 companhias petrolíferas em Bruxelas.
A suspensão proposta pelo comissário da UE ocorreria enquanto os órgãos reguladores americanos e da UE examinam o que causou o acidente da BP. A decisão, porém, cabe a cada um dos 27 Estados do bloco.
Já o comissário de Meio Ambiente da UE, Janez Potocnik, reconheceu que uma análise das regras ambientais do bloco revelou falhas.
- Parece que temos duas opções: ou aplicamos instrumentos específicos (para a perfuração offshore) ou ampliamos o escopo de nossas ferramentas já existentes – disse.
Na contramão da suspensão de novos projetos em águas profundas, o Brasil inicia oficialmente hoje a produção no pré-sal em reservas no Espírito Santo descobertas em dezembro de 2008. Segundo a Petrobras, o poço produzirá 13 mil barris de petróleo leve por dia e a previsão é que atinja a capacidade máxima, de 20 mil barris/dia, ainda este ano. O projeto adotará tecnologias pioneiras para operar nas condições geológicas do pré-sal.
Analistas divergem sobre suspensão
As opiniões sobre a paralisação temporária da exploração em águas profundas são divergentes. Há cerca de 15 dias, problemas operacionais durante a perfuração do segundo poço no pré-sal, na Bacia de Santos, levaram a seu fechamento.
Edmar de Almeida, do Grupo de Energia do Instituto de Economia da UFRJ, reconhece que houve falhas graves da BP, mas afirma que o Brasil deve manter seu programa no pré-sal.
- Risco sempre tem. Mas uma moratória é uma resposta política à pressão popular. Além disso, a produção nas bacias brasileiras não está caindo como na Europa. Estamos apenas no início da festa. Portanto, o Brasil não tem que entrar nessa onda. O que deve ser feito é investir em tecnologia para mitigar riscos – afirma.
O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, garantiu que as normas de segurança adotadas no Brasil estão entre as melhores do mundo e, portanto, não vê motivos para a suspensão de futuros projetos em águas profundas no país.
- A nossa legislação de segurança operacional é considerada uma das mais modernas do mundo. Soubemos dessa notícia pela imprensa (suspensão em outros países) e por enquanto não temos a intenção de adotar medida semelhante – afirmou Lima, completando que o acidente da BP, após a conclusão das investigações, também será levado em conta para aperfeiçoamento da legislação.
O professor do Instituto de Economia da UFRJ Hélder Queiroz criticou a falta de mais informações sobre as regras de segurança por parte da ANP e do Ministério de Minas e Energia.
- A ANP precisa mostrar à sociedade o que temos, e se vai ser preciso mudar algo ou não. E se for, quais medidas serão necessárias para reforçar – disse Queiroz.
Já a procuradora federal Telma Malheiros, responsável pela criação do escritório de licenciamento das atividades de petróleo e nuclear do Ibama – atual Coordenação de Petróleo e Gás do instituto -, defende que o Brasil altere seu modelo de gestão das bacias petrolíferas, de modo a incorporar a avaliação ambiental dessas bacias.
- O Brasil não deveria autorizar novos projetos de exploração em águas profundas enquanto não tiver uma avaliação estratégica ambiental de suas bacias. Só assim teremos um mapeamento com áreas onde a atividade petrolífera não pode ser conduzida pelo elevado risco que um vazamento poderia provocar. E essa exigência deve ser imposta pelo governo.
Radicalmente contrário à exploração do pré-sal, o diretor de campanhas do Greenpeace, Sergio Leitão, frisa que o Brasil vai na contramão dos esforços mundiais para reduzir as emissões de CO2. Para ele, os bilhões que serão investidos no pré-sal deveriam ser aplicados em pesquisas para desenvolver energias alternativas.
A indignação de Lula
Lula chama de vergonhosa reportagem de O Globo sobre pré-sal
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a manchete da primeira página de O Globo desta quinta-feira (15/07). Para ele, a reportagem é uma "vergonha" e demonstra que os repórteres "não conhecem a Petrobras".
A matéria intitulada "O Brasil na contramão do mundo" afirma que o País avança na produção de petróleo em águas profundas, enquanto EUA e União Europeia suspenderam esse tipo de exploração.
"Eu não gosto de citar manchete não, mas a manchete dizer que 'a Europa está parando de tirar petróleo do fundo do mar...' Eles não têm! Isso aqui, essa manchete aqui é vergonha, o eles deveriam estar fazendo nessa manchete era criticando a incompetência dos Estados Unidos em não ter terminado ainda o vazamento de óleo que já dura mais de 60 dias. Então, significa que eles nem conhecem a Petrobras, porque se conhecessem não fariam uma manchete dessa", afirmou Lula em entrevista nesta quinta-feira, sobre o início das explorações na camada pré-sal.
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Energia Eólica e o Parque Industrial Nordestino
Do Valor Econômico
Via blog do Alê
Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.
Via blog do Alê
Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.
Valor Econômico - Dono dos melhores ventos do país, o Nordeste respondeu por quase 90% dos projetos eólicos contratados no leilão anterior, realizado em dezembro. Dos projetos inscritos para o próximo leilão, a região voltou a predominar, com 78% do total. Na avaliação de especialistas, a proximidade entre o parque eólico e os centros de fabricação de equipamentos são um diferencial competitivo importante.
Isso porque as torres que sustentam os geradores de energia, por exemplo, podem chegar a 115 metros de altura e 100 toneladas, o que torna bastante complexa a logística nos casos em que as fábricas ficam distantes dos parques de geração.
Diante disso, muitas empresas estão se movimentando no sentido de fincar os pés no Nordeste. Se considerada a expectativa de que 3 mil megawatts (MW) sejam contratados em agosto, a região poderá receber investimentos de até R$ 11 bilhões somente com o próximo leilão. Somando os projetos contratados no Nordeste no ano passado, o valor passa a quase R$ 20 bilhões.
Apesar de os melhores ventos soprarem no Ceará e no Rio Grande do Norte, a maioria dos investimentos têm sido direcionados para Pernambuco, onde o governo trabalha para desenvolver um parque eólico no Complexo Portuário de Suape, a 60 quilômetros do Recife.
O local abriga hoje uma fábrica de aerogeradores e outra de torres eólicas, e deve receber em breve duas novas fabricantes de pás. No caso dos aerogeradores, a argentina Impsa investiu R$ 145 milhões em uma unidade com capacidade de 300 equipamentos por ano. Já a espanhola Gonvarri aplicou quase R$ 120 milhões para a produção anual de 1 mil torres.
Atualmente, o governo pernambucano acerta os últimos detalhes para anunciar a chegada da Aelis e da Tecsis, duas fabricantes de pás que devem investir algo próximo a R$ 100 milhões cada uma. Também está prestes a desembarcar, em Pernambuco, a sul-coreana Win&P, fabricante de torres. "A chegada das indústrias de pás será sensacional para o Estado, pois completará a cadeia produtiva, que é formada basicamente por torre, pá e aerogerador", avalia Pedro Cavalcanti, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica).
Cavalcanti conta que a preferência dos fabricantes por Pernambuco é explicada pelo desenvolvimento da infraestrutura ao redor do Porto de Suape. "O Estado não tem um belíssimo potencial eólico, mas conta com boa oferta de engenharia e de serviços, além de uma excelente localização geográfica", avalia.
Ainda assim, outros Estados da região também estão recebendo investimentos. A fabricante alemã de aerogeradores Führlander já se comprometeu a investir R$ 40 milhões em uma unidade no Complexo Portuário do Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza. Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.
Na Bahia, a Alston pretende inaugurar no ano que vem uma fábrica de aerogeradores no município de Camaçari, num investimento de R$ 50 milhões. Há ainda planos bastante avançados da dinamarquesa Vestas, também fabricante de aerogeradores. A empresa ainda avalia o local da fábrica, porém o Nordeste é "franco favorito", segundo afirmou um executivo que pediu para não ser identificado.
Além da proximidade com a maioria dos parques eólicos brasileiros, explica ele, a instalação das fábricas no Nordeste também torna mais eficiente a exportação dos equipamentos para a Europa.
Além da energia eólica, o Nordeste também pretende atrair outras empresas ligadas ao segmento de energia limpa. Está em negociações avançadas a construção, em Pernambuco, de uma fábrica de painéis solares da empresa suíça Oerlikon. A região também deverá receber duas das quatro novas usinas nucleares que o governo pretende construir no país.
De acordo com fontes do governo pernambucano, a Oerlikon está em fase final de análise da demanda potencial por seus painéis. A avaliação é de que a garantia de um mercado consumidor de 50 MW a 100 MW de energia solar já torna viável a abertura da fábrica. Quanto às usinas nucleares, ainda em fase de análises pelo governo, a região do Vale do São Francisco teria sido uma das que mais agradou à Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras no segmento.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Análise: Hipólito e o Mingau das Seguradoras
Do blog do Nassif
Acabei de ouvir o comentário da Lúcia Hipólito na CNB. É sobre a criação de uma nova seguradora pelo governo federal. É uma lição exemplar de como pegar qualquer tema técnico, complexo, bater no liquidificador e transformar em um mingau sem substância alguma.
A lógica da seguradora é simples de entender. E, entendendo, até de criticar.
Há grandes obras de infra-estrutura em andamento. Ponto central para sua viabilização é o seguro que dê garantias para as grandes obras públicas.
Como são valores expressivos, significa riscos excessivos para as seguradoras. Na falta de um mercado segurador maduro para essas obras, nos últimos anos foram criados diversos fundos garantidores para suprir a falta de seguros. Esses fundos não podem fazer resseguros (isto é, repassar parte dos riscos) nem captar recursos para garantir o valor assegurado.
A nova seguradora englobará todos os fundos garantidores, poderá montar parcerias com o setor privado, fazer resseguros etc. Enfim, há uma justificativa racional para sua criação.
A partir desse entendimento, pode-se discutir se o setor privado teria condições de preencher esse vácuo, se haveria destinação melhor para os fundos garantidores.
Aí você liga a CBN e ouve mais ou menos o seguinte da comentarista Hipólito:
" A criação dessa seguradora demonstra a falta de apreço de Lula por sua sucessora. Se ele tivesse certeza de que a oposição venceria, teria lógica deixar essa bomba para o sucessor". Como se essa seguradora fosse uma herança maldita e não uma peça essencial para viabilizar grandes obras de infraestrutura. Reforça com a ideia de que a seguradora vai "engessar" o próximo governo. Usa o termo "engessar" sem nenhum discernimento sobre valores, natureza do gastos nem nada.
* "É uma falta de respeito com Dilma, porque mostra que ela não tem nenhuma iniciativa". Como se o papel de Estado fosse gregoriano: no dia 31 de dezembro para tudo e começa de novo. E como se obras portentosas, como grandes hidrelétricas, correndo contra o tempo, devessem se submeter ao calendário eleitoral.
* "É uma maneira de dar munição para a oposição", completa a analista. Como se ela própria não estivesse transformando uma medida tecnicamente defensável em munição política, com essa risível preocupação com os eventuais danos que o anúncio poderá provocar na candidatura oficial.
Acabei de ouvir o comentário da Lúcia Hipólito na CNB. É sobre a criação de uma nova seguradora pelo governo federal. É uma lição exemplar de como pegar qualquer tema técnico, complexo, bater no liquidificador e transformar em um mingau sem substância alguma.
A lógica da seguradora é simples de entender. E, entendendo, até de criticar.
Há grandes obras de infra-estrutura em andamento. Ponto central para sua viabilização é o seguro que dê garantias para as grandes obras públicas.
Como são valores expressivos, significa riscos excessivos para as seguradoras. Na falta de um mercado segurador maduro para essas obras, nos últimos anos foram criados diversos fundos garantidores para suprir a falta de seguros. Esses fundos não podem fazer resseguros (isto é, repassar parte dos riscos) nem captar recursos para garantir o valor assegurado.
A nova seguradora englobará todos os fundos garantidores, poderá montar parcerias com o setor privado, fazer resseguros etc. Enfim, há uma justificativa racional para sua criação.
A partir desse entendimento, pode-se discutir se o setor privado teria condições de preencher esse vácuo, se haveria destinação melhor para os fundos garantidores.
Aí você liga a CBN e ouve mais ou menos o seguinte da comentarista Hipólito:
" A criação dessa seguradora demonstra a falta de apreço de Lula por sua sucessora. Se ele tivesse certeza de que a oposição venceria, teria lógica deixar essa bomba para o sucessor". Como se essa seguradora fosse uma herança maldita e não uma peça essencial para viabilizar grandes obras de infraestrutura. Reforça com a ideia de que a seguradora vai "engessar" o próximo governo. Usa o termo "engessar" sem nenhum discernimento sobre valores, natureza do gastos nem nada.
* "É uma falta de respeito com Dilma, porque mostra que ela não tem nenhuma iniciativa". Como se o papel de Estado fosse gregoriano: no dia 31 de dezembro para tudo e começa de novo. E como se obras portentosas, como grandes hidrelétricas, correndo contra o tempo, devessem se submeter ao calendário eleitoral.
* "É uma maneira de dar munição para a oposição", completa a analista. Como se ela própria não estivesse transformando uma medida tecnicamente defensável em munição política, com essa risível preocupação com os eventuais danos que o anúncio poderá provocar na candidatura oficial.
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