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terça-feira, 20 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Direto da Redação: AS CONSEQUÊNCIAS DA CHUVA
Por Mair Pena Neto
Criticar autoridades em período de tragédia é fácil. De fato, elas têm grande responsabilidade pelas conseqüências terríveis de chuvas como as que se abateram sobre o Rio de Janeiro esses dias, mesmo que o volume tenha sido tanto e as condições da cidade, tão particulares, que nem o melhor dos administradores teria evitado que algo de ruim acontecesse.
Mas a dimensão poderia ter sido bem menor se houvesse uma política de prevenção, manutenção e de ação para socorrer as vítimas. Tudo isso parece faltar. Mas numa hora dessas é preciso observar as reações da sociedade quando se fala em retirar as pessoas das zonas de risco e colocá-las em condições dignas de moradia.
Recentemente, li que uma antiga fábrica da CCPL, no subúrbio do Rio, abandonada e ocupada há uma década, será substituída por um projeto habitacional para famílias de baixa renda do programa “Minha casa, Minha vida”. Serão construídos 40 novos prédios, com apartamentos de dois quartos e varanda, e área de lazer no entorno, com praças e quadras esportivas.
Passei diversas vezes em frente a esta fábrica e constatei as condições degradantes dos que lá viviam. Por se tratar de uma fábrica, não tinha as divisões de apartamentos, e famílias separavam seus espaços com pedaços de pano. Assim como a ex-fábrica da CCPL, comunidades importantes do Rio de Janeiro, como Rocinha, Manguinhos e Alemão, estão sendo atendidas por obras, que incluem remoção de áreas de risco e urbanização para inclui-las na cidade formal.
Estes são projetos importantes para as populações marginalizadas do Rio, e sua inclusão também irá reduzir a quantidade de tragédias nas chuvas que costumam abalar periodicamente a cidade. Mas setores da política brasileira tratam o PAC, programa que congrega estas obras, como peça de ficção e anunciam o seu fim caso cheguem ao poder.
A mídia aliada a esses segmentos também detona o programa, como fez o Estadão em editorial contra o PAC 2: “A maior parte do programa não passa de um amontoado de restos do PAC 1, de promessas destinadas a seduzir uma parte do eleitorado urbano: mais casas, transporte, água, luz, saneamento e outros serviços essenciais. Anunciaram-se 2 milhões de moradias, o dobro do número previsto no programa Minha Casa, Minha Vida, ainda quase todo no papel.”
E não é exatamente isso que se quer? Ou os serviços essenciais só devem se destinar a uma parte da população. O PAC 2 tem entre seus projetos o Cidade Melhor, com o objetivo de enfrentar os principais desafios das grandes aglomerações urbanas e prevê 57 bilhões de reais para obras de saneamento, contenção de encostas e drenagem.
Um projeto como esse deveria ser saudado e a sociedade convocada a acompanhá-lo de perto para que cumpra os seus objetivos e não fique no papel, como afirma o editorial. A sua não realização seria uma perda para as metrópoles brasileiras que agonizam com a falta de mobilidade urbana, a violência e a exclusão social. Se nada for feito, na próxima chuva será a mesma tragédia. E aí, não adianta culpar os políticos e se eximir das responsabilidades.
http://www.diretodaredacao.com/
Criticar autoridades em período de tragédia é fácil. De fato, elas têm grande responsabilidade pelas conseqüências terríveis de chuvas como as que se abateram sobre o Rio de Janeiro esses dias, mesmo que o volume tenha sido tanto e as condições da cidade, tão particulares, que nem o melhor dos administradores teria evitado que algo de ruim acontecesse.
Mas a dimensão poderia ter sido bem menor se houvesse uma política de prevenção, manutenção e de ação para socorrer as vítimas. Tudo isso parece faltar. Mas numa hora dessas é preciso observar as reações da sociedade quando se fala em retirar as pessoas das zonas de risco e colocá-las em condições dignas de moradia.
Recentemente, li que uma antiga fábrica da CCPL, no subúrbio do Rio, abandonada e ocupada há uma década, será substituída por um projeto habitacional para famílias de baixa renda do programa “Minha casa, Minha vida”. Serão construídos 40 novos prédios, com apartamentos de dois quartos e varanda, e área de lazer no entorno, com praças e quadras esportivas.
Passei diversas vezes em frente a esta fábrica e constatei as condições degradantes dos que lá viviam. Por se tratar de uma fábrica, não tinha as divisões de apartamentos, e famílias separavam seus espaços com pedaços de pano. Assim como a ex-fábrica da CCPL, comunidades importantes do Rio de Janeiro, como Rocinha, Manguinhos e Alemão, estão sendo atendidas por obras, que incluem remoção de áreas de risco e urbanização para inclui-las na cidade formal.
Estes são projetos importantes para as populações marginalizadas do Rio, e sua inclusão também irá reduzir a quantidade de tragédias nas chuvas que costumam abalar periodicamente a cidade. Mas setores da política brasileira tratam o PAC, programa que congrega estas obras, como peça de ficção e anunciam o seu fim caso cheguem ao poder.
A mídia aliada a esses segmentos também detona o programa, como fez o Estadão em editorial contra o PAC 2: “A maior parte do programa não passa de um amontoado de restos do PAC 1, de promessas destinadas a seduzir uma parte do eleitorado urbano: mais casas, transporte, água, luz, saneamento e outros serviços essenciais. Anunciaram-se 2 milhões de moradias, o dobro do número previsto no programa Minha Casa, Minha Vida, ainda quase todo no papel.”
E não é exatamente isso que se quer? Ou os serviços essenciais só devem se destinar a uma parte da população. O PAC 2 tem entre seus projetos o Cidade Melhor, com o objetivo de enfrentar os principais desafios das grandes aglomerações urbanas e prevê 57 bilhões de reais para obras de saneamento, contenção de encostas e drenagem.
Um projeto como esse deveria ser saudado e a sociedade convocada a acompanhá-lo de perto para que cumpra os seus objetivos e não fique no papel, como afirma o editorial. A sua não realização seria uma perda para as metrópoles brasileiras que agonizam com a falta de mobilidade urbana, a violência e a exclusão social. Se nada for feito, na próxima chuva será a mesma tragédia. E aí, não adianta culpar os políticos e se eximir das responsabilidades.
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Mortos no RJ passam de 200; há ao menos 100 soterrados
Da Reuters
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Bombeiros resgataram nesta sexta-feira mais dez corpos de vítimas do enorme deslizamento provocado pelas chuvas no Morro do Bumba, em Niterói, elevando para 212 o número de mortos da tragédia no Estado.
Ao menos mais 100 pessoas estariam soterradas debaixo da montanha de terra que derrubou dezenas de casas, de acordo com o governador Sérgio Cabral (PMDB).
"São cerca de 100 a 150 corpos, segundo o pessoal do Corpo de Bombeiros me passou. A situação é estarrecedora", disse Cabral a jornalistas em visita ao Morro do Bumba, onde conversou com moradores e familiares de vítimas.
"A responsabilidade pelo que aconteceu aqui é de todos nós, autoridades e sociedade", acrescentou.
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil trabalham desde a noite de quarta-feira no local, onde o deslizamento soterrou dezenas de casas numa área construída sobre um lixão. Até a noite de sexta foram retirados 27 corpos do local e os trabalhos devem durar de duas a três semanas, de acordo com as autoridades.
Em Niterói, a cidade mais atingida pelas chuvas, já morreram 132 pessoas por conta do temporal que começou na noite de segunda-feira. Outras 60 pessoas morreram na capital, a maioria também em um deslizamento de terra que cobriu várias casas no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.
O prefeito de Niterói, Jorge Roberto da Silveira (PDT), decretou estado de calamidade pública, e a prefeitura informou que vai custear o enterro de todas as vítimas da tragédia. Somente na quinta-feira foram enterradas 45 pessoas na cidade.
O governador anunciou que dois hospitais de campanha serão instalados na segunda-feira em São Gonçalo, município vizinho de Niterói onde morreram 16 pessoas, para atender as vítimas atingidas pelas chuvas na região metropolitana.
O governo dos Estados Unidos informou nesta sexta que vai enviar uma ajuda de 50 mil dólares às mais de 50 mil pessoas que ficaram desabrigadas ou desalojadas com a tragédia para a compra de kits higiênicos.
"Queremos expressar nossas condolências e oferecer nosso apoio ao povo do Rio de Janeiro durante esse período de dificuldade e mostrar nosso respeito pela força e pela perseverança do espírito fluminense na figura dos socorristas envolvidos no resgate daqueles afetados por essa tragédia", disse o embaixador Thomas Shannon em nota.
O papa Bento 16 também enviou mensagem à Arquidiocese do Rio de Janeiro prestando sua solidariedade às vítimas. "Para todos os provados por este drama... Sua Santidade Bento 16 invoca reconfortantes graças divinas em penhor das quais lhes concede paterna benção apostólica."
SURFE
No litoral da capital fluminense, ondas de até quatro metros de altura interditaram uma das vias da Avenida Atlântica, em Copacabana, que foi tomada pela areia e pela água do mar. A ressaca também provocou a interdição de uma faixa do Aterro do Flamengo, via expressa que faz a ligação entre a zona sul e o centro da cidade.
O mar da Baía de Guanabara também ficou bastante agitado e a água invadiu parte da cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, prejudicando parcialmente as operações no local. A travessia de barcas e catamarãs entre Rio de Janeiro e Niterói também foi afetada pelo mar agitado.
Dezenas de surfistas aproveitaram as condições atípicas do mar de Copacabana para se aventurar nas ondas. "A onda tem característica como se fosse oceânica. É preciso até uma prancha maior para poder surfar", disse à Reuters TV o surfista amador Marco Aurélio Souza, de 38 anos.
A previsão do tempo indica que a maré ainda deve subir mais, após a passagem de ciclone extratropical perto do litoral do Rio. "Hoje é o dia dos surfistas, até porque a população sabe que o mar está perigoso e não vai se arriscar", disse um salva-vidas na praia.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), autorizou a remoção compulsória de moradores de 158 locais que estariam em situação de emergência na cidade.
Nesta semana, Paes já havia anunciado que a prefeitura iria remover de 1.500 a 2.000 famílias da Rocinha e do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A remoção, segundo o prefeito, será feita com ou sem o consentimento dos moradores.
(Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier; com reportagem de Sérgio Queiroz da Reuters TV)
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Bombeiros resgataram nesta sexta-feira mais dez corpos de vítimas do enorme deslizamento provocado pelas chuvas no Morro do Bumba, em Niterói, elevando para 212 o número de mortos da tragédia no Estado.
Ao menos mais 100 pessoas estariam soterradas debaixo da montanha de terra que derrubou dezenas de casas, de acordo com o governador Sérgio Cabral (PMDB).
"São cerca de 100 a 150 corpos, segundo o pessoal do Corpo de Bombeiros me passou. A situação é estarrecedora", disse Cabral a jornalistas em visita ao Morro do Bumba, onde conversou com moradores e familiares de vítimas.
"A responsabilidade pelo que aconteceu aqui é de todos nós, autoridades e sociedade", acrescentou.
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil trabalham desde a noite de quarta-feira no local, onde o deslizamento soterrou dezenas de casas numa área construída sobre um lixão. Até a noite de sexta foram retirados 27 corpos do local e os trabalhos devem durar de duas a três semanas, de acordo com as autoridades.
Em Niterói, a cidade mais atingida pelas chuvas, já morreram 132 pessoas por conta do temporal que começou na noite de segunda-feira. Outras 60 pessoas morreram na capital, a maioria também em um deslizamento de terra que cobriu várias casas no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.
O prefeito de Niterói, Jorge Roberto da Silveira (PDT), decretou estado de calamidade pública, e a prefeitura informou que vai custear o enterro de todas as vítimas da tragédia. Somente na quinta-feira foram enterradas 45 pessoas na cidade.
O governador anunciou que dois hospitais de campanha serão instalados na segunda-feira em São Gonçalo, município vizinho de Niterói onde morreram 16 pessoas, para atender as vítimas atingidas pelas chuvas na região metropolitana.
O governo dos Estados Unidos informou nesta sexta que vai enviar uma ajuda de 50 mil dólares às mais de 50 mil pessoas que ficaram desabrigadas ou desalojadas com a tragédia para a compra de kits higiênicos.
"Queremos expressar nossas condolências e oferecer nosso apoio ao povo do Rio de Janeiro durante esse período de dificuldade e mostrar nosso respeito pela força e pela perseverança do espírito fluminense na figura dos socorristas envolvidos no resgate daqueles afetados por essa tragédia", disse o embaixador Thomas Shannon em nota.
O papa Bento 16 também enviou mensagem à Arquidiocese do Rio de Janeiro prestando sua solidariedade às vítimas. "Para todos os provados por este drama... Sua Santidade Bento 16 invoca reconfortantes graças divinas em penhor das quais lhes concede paterna benção apostólica."
SURFE
No litoral da capital fluminense, ondas de até quatro metros de altura interditaram uma das vias da Avenida Atlântica, em Copacabana, que foi tomada pela areia e pela água do mar. A ressaca também provocou a interdição de uma faixa do Aterro do Flamengo, via expressa que faz a ligação entre a zona sul e o centro da cidade.
O mar da Baía de Guanabara também ficou bastante agitado e a água invadiu parte da cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, prejudicando parcialmente as operações no local. A travessia de barcas e catamarãs entre Rio de Janeiro e Niterói também foi afetada pelo mar agitado.
Dezenas de surfistas aproveitaram as condições atípicas do mar de Copacabana para se aventurar nas ondas. "A onda tem característica como se fosse oceânica. É preciso até uma prancha maior para poder surfar", disse à Reuters TV o surfista amador Marco Aurélio Souza, de 38 anos.
A previsão do tempo indica que a maré ainda deve subir mais, após a passagem de ciclone extratropical perto do litoral do Rio. "Hoje é o dia dos surfistas, até porque a população sabe que o mar está perigoso e não vai se arriscar", disse um salva-vidas na praia.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), autorizou a remoção compulsória de moradores de 158 locais que estariam em situação de emergência na cidade.
Nesta semana, Paes já havia anunciado que a prefeitura iria remover de 1.500 a 2.000 famílias da Rocinha e do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. A remoção, segundo o prefeito, será feita com ou sem o consentimento dos moradores.
(Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier; com reportagem de Sérgio Queiroz da Reuters TV)
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Chuvas em São Paulo
Falta de planejamento urbano é a razão das enchentes em SP
Por Juliano Costa, Redação Yahoo! BrasilAs enchentes na várzea do Rio Tietê na Zona Leste de São Paulo, que vão completar dois meses no próximo dia 8 de fevereiro, ressuscitaram um debate sobre a ausência do planejamento urbano naquela área.
Comunidades inteiras que ficaram alagadas, como o Jardim Romano, o Jardim Pantanal e a Chácara Três Meninas, foram erguidas próximas às margens do Tietê, impermeabilizando o solo. Algumas já começaram a ser derrubadas, como a Vila Aimoré - os moradores foram reassentados em Conjuntos Habitacionais em cidades vizinhas (bem longe de onde moravam) ou se cadastraram para receber um auxílio-aluguel de R$ 300 por seis meses.
A questão é que muito desses moradores estavam ali já há mais de 30 anos, com a anuência do poder público, já que contavam com luz elétrica, telefone e água encanada - um bairro como outro qualquer, mas numa região pantanosa. A indignação das pessoas vem da falta de planejamento dos governos - do estado e da prefeitura de São Paulo - no reassentamento e do fato de que muitas empresas não serão despejadas como elas, apesar de estarem às margens do rio.
"Vão tirar os pobres e deixar as empresas", resume o líder comunitário Ronaldo Delfino, do Movimento por Urbanização e Legalização do Pantanal (Mulp).
Depois de um mês com bairros inteiros debaixo d'água, a secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo criou, em 6 de janeiro, uma resolução que torna mais rigorosos os procedimentos de licenciamento ambiental na área de influência do Rio Tietê. A questão é simples: como uma obra na várzea resulta em impactos ambientais que transcendem os limites dos municípios, cabe ao governo estadual a fiscalização. Por isso, agora o licenciamento nestas áreas tem de passar por órgãos estaduais como a CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica). A tarefa antes cabia às prefeituras municipais das cidades por onde passará o Parque das Várzeas do Tietê, como Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá e Suzano.
O plano do governo do estado é "recuperar as várzeas ocupadas irregularmente e preservar as remanescentes a montante da barragem da Penha até a nascente do rio, em Salesópolis". A área, de 75 km de extensão e 90 km², se tornaria o "maior parque linear do mundo", como tem alardeado o Governo. As moradias serão desapropriadas para dar lugar a uma imensa área verde - as árvores retiradas para construção da terceira pista da marginal Tietê vão para lá. Mas as empresas vão ficar.
A delimitação do Parque corresponde a um estudo da secretaria do Meio-Ambiente que criou a chamada Área de Proteção Ambiental (APA). A linha verde que caracteriza a APA inclui as comunidades pobres, mas deixa de fora as empresas. Num mundo ideal, todos teriam de sair dali. Mas...
"Esse problema já dura mais de 30 anos e vem passando de um governo para o outro. Já passou da hora de tirar aquele pessoal de lá. Se estão numa área de proteção ambiental, numa váreza de rio, é óbvio que a água vai entrar em casa - e nas fábricas também. O loteamento impermeabilizou as várzeas e gerou esse problema, com a leniência dos governos", diz Miron Rodrigues da Cunha, membro da diretoria executiva do Conselho Gestor da APA da Várzea do Rio Tietê. "Construíram até um CEU (Centro de Educação Unificada) numa área próxima ao Rio. Fizeram sem consultar o Conselho Gestor da APA. E agora como fica? Deixa a escola lá? Ela está alagada..."
O CEU é herança da administração de Marta Suplicy (PT) na prefeitura. A mão do governo em local errado, porém, começou a ser vista com o governador Mário Covas (PSDB). Um imenso Conjunto Habitacional da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) foi inaugurado em 1998 às margens da rodovia Ayrton Senna - no caminho para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Isso tudo deixa a população ressabiada - como um complexo de prédios pode ficar ali e uma centena de barracos precisa sair?
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Chuvas em Sao Paulo: Comite afirma que SABESP ignorou Alerta

Do Portal Terra
O Comitê de Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CB-PCJ) diz ter alertado a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2 de outubro para fazer descargas nos reservatórios. Técnicos do comitê - que é responsável pela gestão do sistema Cantareira - indicaram que as comportas deveriam liberar água dos rios Atibaia e Jaguari quando o nível nas barragens chegasse a 81%. O órgão afirma que a reunião aconteceu em Capivari e alertas foram registrados em áudio e ata. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os dois reservatórios transbordaram na segunda-feira e causaram inundações em Atibaia, Piracaia, Bom Jesus dos Perdões e Bragança Paulista, forçando moradores a deixarem suas casas. Apesar do alerta do comitê, "eles (Sabesp) optaram por seguir as regras de seus próprios técnicos", afirma o coordenador do CB-PCJ, Astor Dias de Andrade.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Onde estava Deus?!!! Onde estava o Homem?
Do Blog do Nassif
O Resultado da Chuva e da Falta de Dragagem.
A velha mídia foge o quanto pode do encontro com a verdade. Mas não haverá como fugir para sempre. Desde 2005 não são feitas dragagens ou desassoreamento no rio Tietê. O investimento de décadas, mais de um bilhão de dólares no rebaixamento da calha do Tietê, foi jogado fora nesses quatro anos sem desassorear o rio.
Um dado crucial para o bem estar, a segurança e a vitalidade econômica da cidade – manter o rio desassoreado – foi ignorado pelos governantes.
Pergunta-se: como é que fica? Não se trata de um erro banal de planejamento, mas de descuido em relação a um ponto estratégico na vida da cidade: o rio Tietê.
Quantas vezes esses fato foi analisado nas reuniões de secretariado do governo? O que aconteceu com o processo de licitação, depois que foi interrompido por liminares dos concorrentes? Se não constava do decreto a permissão para a empresa vencedora vender as areias do rio – o que alterava completamente o plano de negócios e a proposta financeira -, porque não se anulou e se procedeu a uma licitação de emergência? Foram quatro anos sem nada fazer, sabendo que a cada ano a situação se tornaria mais crítica.
O governo do Estado confiou na sorte, apostou na probabilidade de não haver chuvas maiores, para justificar sua inação frente o problema. E agora? Quem responde pelas mortes, pela paralisação da cidade, pelos bens perdidos, pelas casas inundadas?
De quem é a responsabilidade? Do DAEE (Departamento de Água e Energiaa Elétrica) que não alertou o governo do Estado? Do governo, que preferiu guardar o dinheiro para obras de maior visibilidade? Houve alertas do DAEE que não foram considerados? Ou a equipe do DAEE não cumpriu com suas obrigações funcionais, deixando a população exposta?
Vale a pena rever o Entre Aspas sobre o assunto:
Leia mais...
O Resultado da Chuva e da Falta de Dragagem.
A velha mídia foge o quanto pode do encontro com a verdade. Mas não haverá como fugir para sempre. Desde 2005 não são feitas dragagens ou desassoreamento no rio Tietê. O investimento de décadas, mais de um bilhão de dólares no rebaixamento da calha do Tietê, foi jogado fora nesses quatro anos sem desassorear o rio.
Um dado crucial para o bem estar, a segurança e a vitalidade econômica da cidade – manter o rio desassoreado – foi ignorado pelos governantes.
Pergunta-se: como é que fica? Não se trata de um erro banal de planejamento, mas de descuido em relação a um ponto estratégico na vida da cidade: o rio Tietê.
Quantas vezes esses fato foi analisado nas reuniões de secretariado do governo? O que aconteceu com o processo de licitação, depois que foi interrompido por liminares dos concorrentes? Se não constava do decreto a permissão para a empresa vencedora vender as areias do rio – o que alterava completamente o plano de negócios e a proposta financeira -, porque não se anulou e se procedeu a uma licitação de emergência? Foram quatro anos sem nada fazer, sabendo que a cada ano a situação se tornaria mais crítica.
O governo do Estado confiou na sorte, apostou na probabilidade de não haver chuvas maiores, para justificar sua inação frente o problema. E agora? Quem responde pelas mortes, pela paralisação da cidade, pelos bens perdidos, pelas casas inundadas?
De quem é a responsabilidade? Do DAEE (Departamento de Água e Energiaa Elétrica) que não alertou o governo do Estado? Do governo, que preferiu guardar o dinheiro para obras de maior visibilidade? Houve alertas do DAEE que não foram considerados? Ou a equipe do DAEE não cumpriu com suas obrigações funcionais, deixando a população exposta?
Vale a pena rever o Entre Aspas sobre o assunto:
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Chuvas em Sao Paulo: E Sao Pedro nao era o Unico Culpado
Quando a imprensa se dedica ao debate serio, acima de partidarismos ou engajamentos politicos, presta um grande servico a sociedade. Pena que programas como este so sao acessiveis a uma parcela da populacao, ja que veiculados apenas pela televisao paga, em rede fechada. Chegou-se a conclusao de que, embora tenha chovido acima da media na regiao da capital paulista a ausencia ou descontinuidade nos investimentos publicos potencializam os problemas causados pelas chuvas, podendo-se destacar, entre eles a questao dos piscinoes, do desassoreamento do Tiete, do sistema de esgotamento e a ocupacao desordenada da cidade. Ha tambem a falta de consciencia das pessoas que jogam lixo em canais e rios, mas isto de maneira alguma afasta a responsabilidade dos governos.Do Porta G1
São Paulo vive situação caótica por causa das chuvas
Com o janeiro mais chuvoso em 80 anos, São Paulo passa por um desastre urbano, com dezenas de mortos na região metropolitana, engarrafamentos, queda no comércio e faltas e atrasos em empresas.
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