Mostrando postagens com marcador favelas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador favelas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Aposentados, Fator Previdenciário e Investimentos

Não posso deixar de reproduzir o texto do Dep. Brizola Neto que aborda os investimentos imobiliários que estão sendo feitos nas favelas do Rio de Janeiro, à reboque da melhoria dos indicadores econômicos e sociais e das iniciativas de urbanização e investimentos em infra-estrutura (como o caso das vias de acesso e teleférico no Complexo do Alemão). Aproveito apenas o "gancho" para comentar sobre o aumento dos aposentados concedido pelo Lula e a manutenção do Fator Previdenciário. A grande(?) mídia baixou o sarrafo na iniciativa (como se não fosse fazer o mesmo se o Presidente não tivesse concedido o aumento), tachando-a de populista e irresponsável. Quanto à manutenção do fator previdenciário, tudo bem. Afinal de contas é herança do governo anterior e tem a ver com a menutenção do "equilíbrio das contas públicas". Abstraindo as hipocrisias de ocasião, o Lula deu um golpe de mestre ao conceder o reajuste aos aposentados e afirmar que vai haver redução das verbas parlamentares. Jogou o "pacote" no colo das oposições e ainda por cima deixou-as mudas ao manter o fator, que foi obra e graça daquelas. Realmente é difícil jogar com o Presidente. Como um bom enxadrista ele está algumas jogadas à frente. E a grande(?) mídia sempre atrás.
Quanto ao tema específico do post, trata-se do retrato de como o pobre, o trabalhador mais humilde, os mais necessitados foram incluídos na equação da distribuição de renda e geração de riqueza do país. Isto é populismo? Se isto for populismo, tenho certeza que o contrário é elitismo.

Com investimento, a vida melhora

Do blog do Brizola Neto


Cristina e a obra de seu futuro apartamento, em Benfica
Claro que isso não vira matéria na imprensa carioca, muito menos na Globo. Foi a Folha quem acabou publicando que  o crescimento do mercado de habitação no Rio de Janeiro – antes com grande peso das construções de alto padrão – teve um enorme aumento com a alta de renda da população  – que, segundo o jornal, “fez renascer uma classe média baixa emergente” – , a ampliação do crédito imobiliário dos bancos públicos e privados e, sobretudo com o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal.
A matéria fala da elevação dos preços cobrados pelos terrenos em bairros dos subúrbios e da periferia, onde chegaram a dobrar de preço,por conta da demanda para edificação de casas e prédios. E fala do impulso que isso deu à construção de imóveis em áreas antes esquecidas.
“Alvos de favelização e esvaziamento econômico, bairros da zona norte do Rio de Janeiro voltaram a receber, nos últimos anos, lançamentos imobiliários após quase três décadas.
Fora do mapa das construtoras, locais como Vila da Penha, Benfica, Parada de Lucas, Madureira, Pavuna, entre outros, ganharam empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida.
“Já havia a tendência, mas o programa acelerou muito os lançamentos no subúrbio”

O jornal dá uma prova de que o combate à favelização parassa por aí, pela oferta de moradia acessível. ” Começam a surgir grandes empreendimentos às margens das favelas . Com o subsídio do programa, elas (as pessoas) podem sonhar em sair das comunidades”, diz o gerente de uma construtora.
Uma pequena matéria conta a história da autônoma Cristina Silva de Araújo, de 41 anos, que morava numa área invadida e está comprando um apartamento financiado da Caixa Econômica, pelo programa Minha Casa, Minha Vida.  É ela que, orgulhosa, olha as obras na foto que ilustra este post.
O que a Cristina está olhando ali não são derivativos, ações, fundos de aplicação. É algo livre da “volatilidade” do mercado, do sobe e desce da Bolsa, do vai e vem do câmbio.
É um prédio, é sua casa, é sua vida.
É o que desespera o pessoal do Brasil da roda presa e da grana solta.
Porque eles sabem que este é o verdadeiro Brasil que pode mais, não aquele que podia cada vez menos, o que FHC e Serra dirigiram por oito anos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mauro Satayana: O Estado e as Forças Nautais

O texto de Mauro Satayana traz considerações sobre o papel do capitalismo e do Estado na degradação das condições naturais; sobre como sociedades mais justas conseguem, de alguma forma, serem "menos atingidas" pelos eventos da natureza e de como urge a elaboração de um novo modelo de produção, mais equilibrado e direcionado ao bem-estar de todos. As chuvas no Rio de Janeiro expõem - como em outros lugares, e como ocorreu no início do ano na mesma região -, o descaso das políticas públicas para com as pessoas mais necessitadas, a falta de planejamento quanto à ocupação do solo e da imensa dificuldade em resolver problemas já existentes, pelo aumento das ocupações irregulares e pela incapacidade do Estado em cumprir tal lei em face de "interesses" outros, observando-se que, como demonstrado pelos últimos acontecimentos em todo o mundo, há um limite que a própria natureza apressa-nos a mostrar que não deve ser ultrapassado, sob penas de vidas serem ceifadas. E este limite é continuamente ultrapassado. O resultado é o que vemos e sentimos. O que se exige é apenas bom senso e trabalho.

Por Mauro Santayana, no JBonline

A tempestade que se abateu, segunda-feira, sobre o Rio de Janeiro – em uma estação de natureza particularmente impiedosa no mundo inteiro – tem muitas explicações, todas elas válidas, e todas elas, até o momento, inúteis. Há que se registrar, em primeiro lugar, e sem a histeria imobilizadora de alguns fanáticos, a enlouquecida agressão destruidora do capitalismo. A busca do lucro sem limites destrói as montanhas, a vegetação e suas águas, seja para a extração mineral, seja para a especulação imobiliária, e trata os seres humanos como se coisas fossem.

O Estado, historicamente, tem sido servidor dessa ação depredadora. Mesmo antes do consumo alucinante de recursos naturais, na produção de energia e de artigos industriais, que se acelerou nos últimos 100 anos, o Estado dividia seus súditos em duas categorias. Uma, a dos bem nascidos, senhores, por direito de herança, do bem-estar e do mando; outra, a dos servos, cativos pela cor ou pela origem social. As favelas cariocas, como sabemos, nasceram em Canudos, com a desmobilização das forças que combateram Antonio Conselheiro, no fim do século 19.

Os veteranos das tropas legalistas vieram para o Rio, acamparam-se em um de seus morros, e, em seus descendentes e agregados históricos, continuaram a morrer, como no sertão baiano: a tiros, de fome, e, por fim, nos desabamentos. Ainda assim, tiveram mais sorte do que os vencidos em Canudos, mortos em combate e degolados os prisioneiros inermes, entre eles, mulheres e crianças, em um dos momentos mais abjetos da história brasileira.

Como o Rio não fosse exceção na ordem social de domínio, em todas as cidades, reproduziu-se o mesmo modelo de ocupação urbana e de exploração do trabalho. Em todas elas há, em dimensões equivalentes, os redutos da miséria, sem falar nos casebres dispersos nas regiões perdidas do interior. Há várias humanidades na Humanidade, e, em algumas delas, a vida, em lugar de ser uma graça, constitui terrível castigo.

Quando a Nêmesis da Natureza resolve exercer vingança contra os que a ofendem, pune mais os inocentes do que os culpados. Tivemos, nestes últimos meses, os grandes terremotos, como sofremos, em nossos semelhantes indonésios, o mais violento maremoto registrado pela História. O terremoto do Haiti foi impiedoso, porque impiedosos haviam sido os colonizadores espanhóis e franceses e, bem mais tarde, os homens de negócios norte-americanos. Foram dizimados os pobres: os poucos ricos, estrangeiros em sua maioria, salvaram a vida e o patrimônio.

No Chile, com todo sofrimento e destruição, os mortos foram relativamente poucos, porque, apesar de todos os males – e, nesses males, inclua-se Pinochet – os chilenos conseguiram construir uma sociedade mais justa. Os desastres naturais atingem qualquer lugar do mundo, e os sismólogos preveem abalos telúricos em várias regiões do globo, nos tempos próximos. É de se esperar que quanto mais pobres forem as áreas de ocupação, mais mortes haverá.

Durante os últimos 100 anos, moveu-nos a ilusão de que as cidades grandes eram mais seguras. Nos anos 40, o êxodo para os grandes centros foi explicado pelo desemprego e a segurança do salário mínimo, naquele tempo restrito aos trabalhadores da indústria. A iluminação pública também serviu de atração para os homens do campo. Nos anos 50, uma pesquisa da Arquidiocese de São Paulo revelou que a afluência dos pobres à grande capital era motivada, mais do que pelo emprego, pela assistência hospitalar. Era o medo de morrer à míngua, sem chance de cura, o principal fator da migração. Hoje, a automação das indústrias e dos serviços tem descartado a mão de obra, expulsando até mesmo os trabalhadores especializados para a periferia das cidades. É hora de a ciência encontrar uma forma de produção que confira vida digna e segura a todos os homens.