Do sitio Inovação Tecnológica
Contribuição brasileira à física
Maior instrumento científico já construído, o acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider, ou "grande colisor de hádrons") acaba de gerar outro destaque importante: seu primeiro artigo científico.
O artigo consagra uma das mais importantes contribuições brasileiras à física mundial. Uma das conclusões do trabalho é que a estatística de Tsallis - enunciada em 1988 por Constatino Tsallis, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas - é ideal para descrever o sistema no qual a distribuição das partículas é medida.
Na verdade, um primeiro artigo científico do LHC já havia sido noticiado aqui no Site Inovação Tecnológica no início de Dezembro de 2009, mas agora ele está sendo classificado como de natureza técnica, assim como outros que o seguiram, e não de física propriamente dita.
Detector do LHC
Com participação de vários brasileiros entre os mais de 2 mil coautores de 157 instituições internacionais, o artigo foi publicado no último exemplar da revista Journal of High Energy Physics (JHEP).
O artigo se baseou em dados gerados em dezembro de 2009 pelo CMS (sigla em inglês para "Solenóide de Múon Compacto") - um dos quatro detectores do LHC - e apresentou a primeira medida de distribuição de partículas observadas em colisões ocorridas em altíssimas energias: 2,36 teraelétron-volts (TeV).
Do Brasil, participaram pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).
Estatística de Tsallis
Teoria que generaliza a mecânica estatística de Boltzmann-Gibbs, a estatística de Tsallis é utilizada para o entendimento dos sistemas complexos e já foi abordada em mais de 2 mil artigos científicos em todo o mundo. Mas, com o experimento do LHC, deixou de ser apenas uma importante conjectura.
De acordo com Tsallis - que por modéstia prefere referir-se à sua teoria como "mecânica estatística não-extensiva" - a colaboração CMS já havia gerado artigos em áreas técnicas, mas, por ser a primeira publicação em física produzida pelo experimento, o trabalho é um marco para a física.
"Como o CMS forneceu dados que não se acomodaram com a estatística de Boltzman-Gibbs, os pesquisadores decidiram experimentar a mecânica estatística não-extensiva. Verificaram que ela funcionou muito bem, encaixando-se com propriedade. No fundo, trata-se de algo muito simples e, por isso mesmo, maravilhoso", disse Tsallis.
Tsallis revelou que, por meio de uma colega do CBPF - Maria Elena Pol, uma das coautoras do artigo - ficou sabendo que a mecânica estatística não-extensiva seria utilizada para a descrição do comportamento das partículas.
"A teoria é sempre algo plausível, mas que só se torna real por meio de um experimento ou da verificação. É o sonho de qualquer físico teórico que a natureza confirme a sua suspeita. Quando isso ocorre, com um experimento desse porte, a sensação é de estupor", descreveu Tsallis.
Colisões de alta energia
De acordo com um dos autores do artigo, Sérgio Ferraz Novaes, professor do Instituto de Física Teórica da Unesp, o primeiro trabalho de física a utilizar os dados do LHC é importante por realizar medidas das colisões em níveis de energia sem precedentes, mas também por confirmar a eficiência do acelerador.
"Essa é a primeira medida feita em regime de energia tão alta, o que é importante porque permite a extrapolação dos dados anteriores. O experimento, por um lado, serviu como calibração do equipamento, mostrando resultados satisfatórios e coerentes com o que esperávamos. Por outro lado, os dados gerados ainda motivarão muitos outros artigos. Essa primeira publicação é o começo de uma história que será contada nos próximos dez anos", afirmou.
Primeiro artigo de física do LHC
O artigo apresentou a primeira medida de distribuição em momentum transverso e pseudo-rapidez (análoga à medida de distribuição angular) das partículas observadas nas colisões próton-próton ocorridas em altas energias, a 2.36 TeV. Segundo Novaes, os experimentos realizados até agora haviam feito medições em regimes de energia de no máximo 2 TeV.
Cada TeV equivale a 1 trilhão de elétron-volts. Um elétron-volt é a quantidade de energia cinética ganha por um elétron quando acelerado por uma diferença de potencial elétrico de um volt, no vácuo.
"De agora em diante haverá mais trabalhos científicos com base nos dados gerados pelo LHC, pois o equipamento irá gerar novas colisões, com intensidade maior de energia dos feixes de prótons. Nos próximos dois anos, iremos operar com 7 TeV. A previsão é que, posteriormente, o equipamento chegue a trabalhar com até 14 TeV", explicou.
Conceitos relativísticos
As medidas de momentum transversal e longitudinal, segundo Novaes, são bem conhecidas em outros aceleradores. Mas ainda não tinham sido realizadas no LHC. "Enquanto não tínhamos feixe, a calibração e o alinhamento dos diversos componentes do acelerador eram feitas, em geral, com raios cósmicos", disse.
O momentum medido, segundo Novaes, é o análogo relativístico da definição da física básica: o produto da massa e velocidade de uma partícula. "Quando falamos do momentum transversal e longitudinal, estamos nos referindo à projeção do momentum na direção do feixe, ou na direção perpendicular a ele", disse.
De acordo com Novaes, quando se mede a distribuição de uma partícula, ela está imersa em um banho térmico formado por todas as demais partículas produzidas na reação. "A distribuição de momentum dessa partícula é melhor descrita pela estatística de Tsallis, que generaliza a estatística de Boltzmann-Gibbs", afirmou.
LHC
O LHC, construído pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) na fronteira entre Suíça e França, foi inaugurado oficialmente em outubro de 2008, com o objetivo de buscar respostas para alguns dos principais mistérios da ciência, investigando as partículas mais elementares da matéria.
Depois de paradas forçadas por problemas técnicos, o LHC está sendo "aquecido", com sua energia sendo elevada paulatinamente, e deverá começar a produzir experimentos reais a partir dos próximos meses.
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sexta-feira, 5 de março de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Venezuela: Inflação, insegurança e petróleo serão problemas de Chávez para eleições, diz analista
Da Rede Brasil Atual
Para Edgardo Lander, professor do Departamento de Estudos Latino-americanos da Escola de Sociologia da Universidade Central da Venezuela, o presidente venezuelano, como outros progressistas do continente, não quis pagar o preço de mudar sistema econômico dependente do setor primário, e agora pode ter resultado indesejado
A chamada Revolução Bolivariana completou esta semana onze anos de existência. O aniversário de Hugo Chávez no poder certamente não foi o almejado pelo presidente. O país passa por uma crise energética que afeta a produção, recentemente anunciou medidas econômicas contestadas e que podem resultar em mais inflação, e o governo é pressionado por setores de direita e de esquerda por seus erros.
O professor avalia ainda que a nação ingressou em uma crise econômica e política cujos resultados são imprevisíveis.
Em conversa com a Rede Brasil Atual durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, o membro do Conselho Editoral da Revista Venezuelana de Economia e Ciências Sociais pontuou que a oposição de traços fascistas foi perdendo terreno, e agora Chávez precisa enfrentar uma direita com propostas políticas.
Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
"Como o petróleo tem baixos custos de produção e preços garantidos no exterior, a Venezuela teve reservas suficientes para importar o que necessitava. Estabeleceu-se uma distorção na moeda, o que faz com que seja muito mais barato comprar no exterior do que produzir no país. Essa sobrevalorização faz com que os produtos venezuelanos não possam competir no mercado exterior porque os custos de produção são muito maiores.
"Então o governo estava entre o reconhecimento de que o valor da moeda era insustentável e o fato de que poderia se gerar uma força inflacionária ainda maior que os 25% atuais (ao ano). Tomou-se a decisão de desvalorizar a moeda e estabelecer uma dupla paridade. Na verdade, cria-se uma tripla paridade: uma para a compra de alimentos e remédios; outra para o resto das importações; e o mercado paralelo."
"E isso de forma um pouco improvisada, porque não estava nos planos que isso ocorresse. Fixou-se, por exemplo, que as repartições públicas trabalhem cinco horas ao dia. As indústrias devem baixar em 20% seu consumo elétrico, o que em muitos casos significa fechar um turno de produção. Isso cria situações que têm efeito multiplicador sobre toda a atividade econômica. Se você tem uma empresa do Estado que produz menos, compra-se menos dos fornecedores e aí se vai por uma cadeia que ainda não sabemos os efeitos."
"Suspeito que de alguma maneira os dois tenham razão. Ou seja, é certo que a diminuição de geração de eletricidade foi grave, mas é igualmente certo que não houve uma previsão adequada em termos das tendências da economia venezuelana.
"Tudo isso afeta simultaneamente tanto a vida cotidiana das pessoas quanto a produção industrial e o comércio. É o tipo de coisa que gera na população a sensação de que o governo não está fazendo o que deveria ter sido feito. Independentemente de ser um governo de esquerda ou de direita. Para o eleitor, o governo tem a culpa. E não é alguém que acaba de chegar. Está aí há mais de dez anos, não pode dizer que é problema da gestão anterior."
"A força dessa lógica desenvolvimentista, aliada à necessidade de ter recursos para investir em educação e saúde, termina adiando indefinidamente a alteração de modelo em troca da sobrevivência política. Se o governo venezuelano declarasse neste momento que vai cortar pela metade a produção petroleira e o gasto público igualmente, porque a Venezuela não quer contribuir para as mudanças climáticas, que este modelo de civilização é uma loucura, estaria tudo muito bonito, mas perderia as eleições de maneira arrasadora."
Vá ao sitio da Rede Brasil Atual...
Para Edgardo Lander, professor do Departamento de Estudos Latino-americanos da Escola de Sociologia da Universidade Central da Venezuela, o presidente venezuelano, como outros progressistas do continente, não quis pagar o preço de mudar sistema econômico dependente do setor primário, e agora pode ter resultado indesejado
A chamada Revolução Bolivariana completou esta semana onze anos de existência. O aniversário de Hugo Chávez no poder certamente não foi o almejado pelo presidente. O país passa por uma crise energética que afeta a produção, recentemente anunciou medidas econômicas contestadas e que podem resultar em mais inflação, e o governo é pressionado por setores de direita e de esquerda por seus erros.
O professor avalia ainda que a nação ingressou em uma crise econômica e política cujos resultados são imprevisíveis.
Em conversa com a Rede Brasil Atual durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, o membro do Conselho Editoral da Revista Venezuelana de Economia e Ciências Sociais pontuou que a oposição de traços fascistas foi perdendo terreno, e agora Chávez precisa enfrentar uma direita com propostas políticas.
Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
Economia
"A Venezuela está entrando em uma situação crescentemente complexa tanto do ponto de vista político quanto do econômico. Em termos econômicos, que é um pouco mais fácil de analisar, o governo terminou por confrontar um assunto de longa data, que tem a ver com o modelo petroleiro e uma moeda historicamente supervalorizada."Como o petróleo tem baixos custos de produção e preços garantidos no exterior, a Venezuela teve reservas suficientes para importar o que necessitava. Estabeleceu-se uma distorção na moeda, o que faz com que seja muito mais barato comprar no exterior do que produzir no país. Essa sobrevalorização faz com que os produtos venezuelanos não possam competir no mercado exterior porque os custos de produção são muito maiores.
"Então o governo estava entre o reconhecimento de que o valor da moeda era insustentável e o fato de que poderia se gerar uma força inflacionária ainda maior que os 25% atuais (ao ano). Tomou-se a decisão de desvalorizar a moeda e estabelecer uma dupla paridade. Na verdade, cria-se uma tripla paridade: uma para a compra de alimentos e remédios; outra para o resto das importações; e o mercado paralelo."
El Niño
"Por outro lado, houve uma extraordinária seca no país, que tem a ver com o fenômeno El Niño. O impacto foi extremamente severo. A maioria da energia é gerada por hidrelétricas e a principal represa está em um nível crítico. O governo tem a opção de seguir gerando eletricidade até que se acabe ou estabelecer um regime de racionamento."E isso de forma um pouco improvisada, porque não estava nos planos que isso ocorresse. Fixou-se, por exemplo, que as repartições públicas trabalhem cinco horas ao dia. As indústrias devem baixar em 20% seu consumo elétrico, o que em muitos casos significa fechar um turno de produção. Isso cria situações que têm efeito multiplicador sobre toda a atividade econômica. Se você tem uma empresa do Estado que produz menos, compra-se menos dos fornecedores e aí se vai por uma cadeia que ainda não sabemos os efeitos."
Racionamento e Política
"As interpretações disso, obviamente, são desencontradas. A do governo é que havia uma relação inadequada entre oferta e demanda de eletricidade, e que o El Niño deste ano foi particularmente severo e essa é a principal causa. A oposição diz o contrário: que houve um descuido da manutenção das instalações elétricas, não houve o investimento previsto em termelétricas, tudo como consequência da estatização da indústria elétrica e por aí vai."Suspeito que de alguma maneira os dois tenham razão. Ou seja, é certo que a diminuição de geração de eletricidade foi grave, mas é igualmente certo que não houve uma previsão adequada em termos das tendências da economia venezuelana.
"Tudo isso afeta simultaneamente tanto a vida cotidiana das pessoas quanto a produção industrial e o comércio. É o tipo de coisa que gera na população a sensação de que o governo não está fazendo o que deveria ter sido feito. Independentemente de ser um governo de esquerda ou de direita. Para o eleitor, o governo tem a culpa. E não é alguém que acaba de chegar. Está aí há mais de dez anos, não pode dizer que é problema da gestão anterior."
Eleições legislativas
"Em um contexto em que há eleições em setembro, em que é bastante provável que a oposição atue unitariamente, tudo vai depender de como o governo maneje três questões: insegurança, que é um problema crescente; eletricidade e ausência de água, que são um incômodo que se acumula; e inflação. Acho que estes problemas não poderão ser compensados por transferências de renda. Ainda mais porque insegurança, eletricidade e inflação não têm solução imediata."Crise civilizatória apenas no discurso
"Há um problema, que é comum a diversos governos da América Latina, que é a relação entre um discurso de crise civilizatória e um desenvolvimento muito fortemente continuado. Se analisamos as cifras dos governos progressistas da América Latina, veremos que a exportação de bens primários não diminuiu, e em alguns casos inclusive aumentou. No Brasil há uma dependência crescente de agrocombustíveis, soja e minerais, ou seja, é um padrão que absolutamente não apresenta questionamentos."A força dessa lógica desenvolvimentista, aliada à necessidade de ter recursos para investir em educação e saúde, termina adiando indefinidamente a alteração de modelo em troca da sobrevivência política. Se o governo venezuelano declarasse neste momento que vai cortar pela metade a produção petroleira e o gasto público igualmente, porque a Venezuela não quer contribuir para as mudanças climáticas, que este modelo de civilização é uma loucura, estaria tudo muito bonito, mas perderia as eleições de maneira arrasadora."
Oposição
"A confrontação de interesses na Venezuela é real. Se alguém quer um projeto que tenha continuidade com o tempo, precisa ter um projeto nessa direção. Não é sustentável uma sociedade em que 40 ou 45% da sociedade seja de uma oposição radical. Uma oposição que, se alguém disser que quer matar Chávez, vai achar bom. Isso é insustentável com o tempo. Como já disse Fidel Castro, não se pode dizer que 40% dos venezuelanos são oligarcas."Vá ao sitio da Rede Brasil Atual...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Petrobrás é a Quarta Maior Empresa de Energia do Mundo
A Petrobras subiu do nono para o quarto lugar no ranking das 50 maiores empresas de energia do mundo divulgado no dia 26/01, pela consultoria PFC Energy. O cálculo levou em conta o valor de mercado das companhias em dezembro de 2009.
Segundo a PFC Energy, as ações da Petrobras registraram alta de 103% ao longo do ano, índice maior do que o alcançado pelas três primeiras do ranking (PetroChina, Exxon e BHP Billiton). A consultoria destacou, ainda, o rápido crescimento da Petrobras, que saiu da 23ª colocação para o quarto lugar, em apenas oito anos. Nesse período, o valor de mercado da Companhia subiu de 96,8 bilhões de dólares para 199,2 bilhões.
A PFC Energy é uma consultoria de energia com atuação junto a empresas e governos em todo o mundo há mais de vinte anos. Ela publica anualmente o ranking das 50 maiores companhias de energia com ações em bolsa e tem como principal critério o desempenho no mercado de capitais. Fundada em 1984, a PFC Energy tem escritórios em Washington, Paris, Houston, Bahrain, Lausanne, Kuala Lumpur e Buenos Aires
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