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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Grupo do Rio apoia Argentina sobre Malvinas

Da Reuters
Por Miguel Angel Gutiérrez e Luis Jaime Acosta

PLAYA DEL CARMEN, México (Reuters) - A Argentina obteve apoio de líderes da América Latina e do Caribe a suas reclamações contra a exploração petrolífera do Reino Unido nas Ilhas Malvinas durante a cúpula do Grupo do Rio na segunda-feira.

No encontro, também conhecido como Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe, no balneário mexicano de Playa del Carmen, a presidente argentina, Cristina Kirchner, conseguiu o apoio das nações da região ao seu país, que mantém uma histórica disputa com a Grã-Bretanha pela soberania do arquipélago.
O governo argentino reagiu nas últimas semanas após conhecer as intenções da empresa Desire Petroleum de iniciar a exploração de petróleo nas ilhas.

"O importante é ter conseguido um apoio muito, muito forte à legitimidade de nossas reclamações e fundamentalmente também ao que é a nova atividade petrolífera, a partir da nova plataforma que foi instalada", disse Cristina.
Fontes diplomáticas argentina garantiram que o presidente mexicano, Felipe Calderón, disse na reunião a portas fechadas que os países haviam aprovado o documento apoiando a Argentina na disputa territorial.
Outros líderes também tornaram público seu apoio à Argentina.

"É uma das mais grosseiras demonstrações do velho colonialismo unido ao novo, o neocolonialismo", disse o presidente venezuelano, Hugo Chávez, numa referência aos trabalhos da empresa britânica que, apesar das reclamações, iniciou na segunda-feira os trabalhos de exploração.
Apesar disso, a presidente argentina disse que seu país não considera a tomada de medidas mais graves que não estejam contempladas no direito internacional.

Durante o encontro --ao qual os jornalistas não têm acesso por conta das rígidas medidas de segurança que os impedem de se aproximar do hotel onde os presidentes se reúnem-- as empresas latino-americanas e caribenhas buscam ainda a criação de um novo organismo diplomático regional que exclua os Estados Unidos.

Depois do que muitos classificaram como um fracasso da Organização dos Estados Americanos (OEA) em unir uma região dividida entre a esquerda e a direita, os países da região tentam estabelecer um bloco que os permita ter uma voz única em fóruns multilaterais sem o domínio de Washington.
A ideia é que o novo organismo reúna o Grupo do Rio e a Comunidade do Caribe (Caricom) e funcione em paralelo à OEA, órgão criticado em seu papel como guardião da democracia regional após seus esforços infrutíferos de reverter o golpe de Estado em Honduras.
(Reportagem adicional de Mica Rosenberg e de Guido Nejamkis em Buenos Aires)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Argentina e Inglaterra disputam petróleo das Ilhas Malvinas

Bol Notícias

Raquel Garzón
Em Buenos Aires
Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Petróleo é o nome do jogo. E vem causando atritos nas relações diplomáticas entre a Argentina e o Reino Unido desde o início do mês de fevereiro. As causas são as explorações em busca do cru que empresas britânicas começarão nos próximos dias a cerca de 160 km ao norte das ilhas Malvinas, arquipélago cuja soberania os dois países ainda disputam.

Na terça-feira (16), a Argentina passou do "enérgico protesto" diplomático à ação: a presidente Cristina Fernández de Kirchner decretou que "todo navio ou artefato naval que se proponha transitar" entre os portos continentais e as ilhas Malvinas "deverá solicitar uma autorização prévia" ao governo argentino, desse modo limitando o tráfego marítimo - tanto comercial quanto turístico - na região.
Kirchner baseou a decisão em resoluções da ONU "sistematicamente desacatadas pelo Reino Unido", que instam os dois países a retomar as conversações sobre a soberania das ilhas, abstendo-se de decisões unilaterais. Depois das versões jornalísticas inglesas que especularam, na primeira semana de fevereiro, sobre um eventual "confronto bélico" por esse motivo, agitando o fantasma da guerra de 1982, e negadas rotundamente por Buenos Aires, o ministério das Relações Exteriores britânico tentou baixar os decibéis, expressando o "desejo" de que a "colaboração" que os dois países mantêm em diversas áreas continue.

A chegada da plataforma Ocean Guardian, contratada pela empresa britânica Desire Petroleum para perfurar oito poços, em um programa que duraria entre seis e oito meses, está prevista para sexta-feira (19), embora possa atrasar por razões climáticas. Os custos da exploração - desconhecidos - serão cobertos pela indústria, sem que Londres ou as ilhas desembolsem uma libra.

A medida argentina pretende dificultar, desanimar e encarecer essa exploração, enquanto se multiplicam as reclamações pela via diplomática. Esse é o motivo pelo qual esta semana as autoridades argentinas impediram o embarque de uma partida de tubos sem costura, supostamente destinados à atividade petroleira no arquipélago. "Cada país está agindo segundo a posição que tomou na política internacional e suas pretensões, mas falamos de águas e terras em disputa, por isso a reivindicação argentina é correta", explicou o ex-embaixador Lucio García del Solar, o diplomata argentino que mais conhece o tema Malvinas. "Na Argentina usamos a expressão 'embarrear o campo'", uma estratégia que neste caso significaria, segundo García del Solar, "apertar os parafusos para dificultar a manutenção da disputa, coisa que na Espanha é compreensível se se pensar que algumas vezes os espanhóis dificultaram a vida dos habitantes de Gibraltar tomando medidas nas fronteiras."

Nas ilhas, o clima de negócios é bem-vindo. Ninguém sabe se há realmente petróleo, mas as perfurações revelarão um mistério que pode se traduzir em uma solvência financeira perpétua para os moradores. Os estudos existentes especulam com reservas entre 60 bilhões de barris (os mais otimistas) e 3 bilhões de barris. "O Reino Unido tem reservas de 3,4 bilhões de barris e a Argentina, de 2,6 bilhões", explica Daniel Montamat, ex-secretário de Energia durante o mandato de Raúl Alfonsín e ex-presidente da YPF. "Com o barril a US$ 77, o negócio é claro."

Crítico da "indiferença e reação retardada" do governo atual em um assunto para o qual, ele afirma, "não há política de Estado", Montamat indica ações indispensáveis. "Sem abandonar a via diplomática, é preciso conceder autorizações de exploração no mar argentino. Deve-se dar aos investidores a oportunidade de trabalhar em águas que não sejam objeto de litígio internacional. Se não o fizermos, há um risco certo: caso se encontre petróleo, isto poderá ajudar o desejo do Reino Unido de validar a autodeterminação das ilhas."